Jornalista/Radialista
EUA – Com mais de 100 milhões de usuários em poucos dias, a Meta Platforms (NASDAQ:META) causou sensação no mundo da mídia social ao lançar um novo aplicativo baseado em bate-papo, o Threads, que deve concorrer diretamente com o Twitter. A integração estratégica com o Instagram permite aos usuários se conectem com facilidade com a sua rede de seguidores. No entanto, no entendimento do Itaú BBA, ainda que este seja um ótimo começo, ainda há um longo caminho antes que o app se torne definitivamente popular.
“A jornada da Threads em direção ao sucesso sustentado continua dependente de vários fatores, incluindo retenção de usuários, melhorias contínuas na plataforma e reações de concorrentes e reguladores”, avaliam os analistas Thiago Alves Kapulskis, Cristian Faria e Gabriela Moraes, em relatório divulgado aos clientes e ao mercado.
No entendimento dos analistas, a Meta apresenta uma história de sucesso no lançamento de novos produtos de mídia social, incluindo stories, que concorrem com o Snap (NYSE:SNAP), e os Reels, concorrendo com TikTok.
Twitter impactado por mudanças
Segundo os analistas do Itaú BBA, este é apenas algum dos últimos fatos envolvendo a “saga caótica de mudanças na plataforma do Twitter, incluindo a eliminação das regras de moderação de conteúdo, a recalibração dos algoritmos de conteúdo e o lançamento de um esquema de verificação pago que dificultou a autenticação das identidades dos usuários”.
Os analistas detalham dados do Similarweb (NYSE:SMWB) que mostram que as medidas vêm afastando usuários. De julho de 2022 a junho de 2023, o Twitter amargou recuo de 10% nos usuários mensais ativos do Android em todo o mundo.
“O Twitter tem sido historicamente um dos jogadores mais pobres em termos de execução de publicidade digital”, comparam os analistas, que acreditam que a Meta teria “oportunidade de capturar uma boa base em uma ferramenta potencialmente poderosa o suficiente para se tornar uma ferramenta chave de topo de funil para anunciantes”.
O Itaú BBA possui classificação outperform para as ações da Meta, com preço-alvo de US$280,00, mas ainda não incluiu os potenciais com o novo app nas suas projeções.
Às 16h41 (de Brasília) de terça, 11, as ações da Meta subiam 2,53% a US$297,89 e os BDRs (BVMF:M1TA34) estavam em acréscimo de 0,82%, a R$51,62.
por Investing.com
SUDÃO - Após 32 anos trabalhando como professor em uma escola pública no Sudão, Imad Mohammed viu suas economias se esvaírem com a guerra entre dois generais rivais em seu país.
"Agora só comemos uma vez por dia e não sabemos quanto tempo isso vai durar", contou Mohammed, que tem uma família de cinco pessoas para sustentar.
Assim como outros funcionários públicos, o professor do Estado de Al Jazirah está sem receber desde que o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (FAR) paramilitares entraram em guerra em 15 de abril.
Na ocasião, os bancos fecharam as portas em Cartum e agências em todo o país enfrentaram dificuldades de continuar operando sem ter contato direto com suas sedes na capital. Desde então, os únicos funcionários públicos que têm recebido pagamento são os militares.
Atualmente, cerca de um milhão de trabalhadores devem sobreviver com suas economias ou redes de assistência social.
"O que os professores e suas famílias estão passando, tanto no setor público como no privado, é catastrófico", disse Ammar Youssef, presidente do Comitê de Professores do Sudão.
A guerra no Sudão já deixou aproximadamente 3.000 mortos e três milhões de deslocados. Mais de um milhão e meio de habitantes deixaram a capital sudanesa utilizando suas economias para escapar dos bombardeios aéreos, tiros de artilharia e conflitos nas ruas que transformaram Cartum em uma zona de guerra.
- Greves –
A situação não foi a mesma para quem não reunia condições financeiras suficientes para deixar os locais de confrontos. Somado a isto, a alta no preço do combustível, que multiplicou por 20, impossibilitou as poucas chances que restavam.
"Eles não só têm dificuldade de alimentar suas famílias uma vez por dia, mas também não podem levá-los para um local seguro, fora das zonas de combate", explica Youssef.
"A educação pública emprega mais de 300.000 pessoas que não ganhavam o suficiente antes da guerra", diz ele, acrescentando que desde o início do conflito, tem sido impossível contatar o Ministério da Educação.
"Quem não morreu de bala, vai morrer de fome", acrescentou.
Muitos sindicatos do país anunciaram que poderiam convocar greves, o que deve intensificar ainda mais a tensão no local.
Uma coalizão de representantes de médicos, engenheiros, professores e jornalistas anunciou que tomará "medidas de agravamento se os salários não forem pagos".
Com o aumento do preço dos alimentos, serviços básicos cada vez mais escassos e salários congelados, mais da metade do país, de 48 milhões de habitantes, depende de ajuda humanitária, de acordo com a ONU.
Em Darfur (oeste), uma das áreas mais afetadas pelos combates, a ONG Human Rights Watch denunciou supostos "crimes de guerra" e pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que investigue o caso.
De acordo com a organização, dezenas de pessoas foram mortas ou feridas enquanto "milhares" de soldados das FAR e de tribos árabes atacaram a cidade de Misterei, em Darfur, a qual foi "quase completamente incendiada".
PERU - O Peru registra um surto incomum de casos da síndrome neurológica Guillain-Barré em seu território. Desde o início do ano, foram diagnosticados 182 casos no país, o que equivale a cerca de um caso por dia em 2023.
Após a morte de quatro pessoas, o governo peruano decidiu declarar emergência nacional de saúde por 90 dias.
"Houve um aumento significativo nas últimas semanas, o que nos obriga, como Estado, a tomar medidas para proteger a saúde e a vida da população", disse o ministro da Saúde, César Vásquez, à imprensa.
A medida vai permitir ao Ministério da Saúde a compra de imunoglobulina para o tratamento de pacientes com a doença nos próximos dois anos.
Síndrome não é contagiosa
A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune que se manifesta pela fraqueza progressiva dos músculos. Um de seus sintomas mais frequentes é o formigamento e a falta de força nas extremidades do corpo, mas ela pode levar a morte com a paralisação do sistema respiratório.
A doença não é contagiosa. A síndrome é geralmente provocada por um processo infeccioso anterior que atinge o paciente. No caso peruano, a suspeita paira sobre uma bactéria que ataca o intestino, a Campylobacter.
Essa não é a primeira vez que o Peru decreta emergência por um surto de Guillain-Barré. O país teve um número de casos da síndrome acima do normal em 2018 e 2019.
(Com informações de agências)
por RFI
BIG ISLAND - Os mistérios de Big Island, a maior ilha do Havaí, começam logo na descida do avião. Da janelinha, avistamos a pista de aterrissagem cercada por rochas vulcânicas gigantes. E já em terra firme, desembarcamos no charmoso aeroporto da cidade de Kona, praticamente construído ao ar livre.
A ilha no Pacífico parece mesmo um mundo à parte. A quase 4 mil quilômetros da Califórnia, o voo de Los Angeles leva cinco horas. Aqui, pouco se escuta "thank you" ou "hello". É "mahalo" e "aloha". Os locais também veneram Pele e isso não tem nada a ver com futebol. Pele é a deusa dos vulcões e está, neste exato momento, em plena atividade.
Uma erupção no cume do Kilauea começou antes do nascer do sol numa quarta-feira de junho, no dia 3, após pequenos terremotos abaixo do vulcão. Um lago de mais de 120 hectares de lava derretida foi formado, e jatos jorravam a centenas de metros de distância.
Mas ninguém saiu às pressas da ilha, muito pelo contrário. Milhares de pessoas foram correndo para ver a erupção no Parque Nacional dos Vulcões, uma das atrações mais populares do Havaí. E, segundo funcionários do parque, não tem problema nenhum.
O parque tem espaços com vistas espetaculares para o fenômeno, mesmo com o lago de lava formado numa área de acesso proibido aos turistas.
"É seguro ver a erupção dos pontos de parada ao longo da trilha Crater Rim", diz Jessica Ferracane, assessora do parque. "Toda a lava está confinada a uma cratera apenas. Só pedimos aos visitantes para ficar fora das áreas fechadas. Gases vulcânicos, penhascos, rachaduras na terra são alguns dos perigos associados aos vulcões."
Aberto 24 horas, o parque sugere visitas depois das 21h e antes das 5h para evitar as multidões e estacionamentos lotados.
Ninguém sabe ao certo quanto tempo irá durar o espetáculo. A última erupção semelhante durou de janeiro a março deste ano. "Mas também tivemos um lago de lava entre 2008 e 2018", disse Ferracane. "Não saber a duração faz parte da maravilha e do mistério de se viver em um dos vulcões mais ativos do planeta."
Mesmo sem erupção à vista, vale muito a pena visitar o parque. Afinal, quem não quer atravessar um lago de lava solidificado no fundo de uma cratera, a Kilauea Iki? A cratera é uma depressão de 120 metros que também faz parte do vulcão Kilauea, o mesmo que cospe lava no momento, mas através de outra cratera, a Halmemaʻumaʻu.
Ferracane diz que "há muito pouco risco" na trilha de Kilauea Iki ("iki" é pequeno em havaiano), já que os vulcões do Havaí são os mais monitorados e estudados do mundo.
Para descer até sua lava solidificada, resultado de uma erupção em 1959, é preciso atravessar uma floresta tropical exuberante, repleta de samambaias e passarinhos, como os nativos de plumagem vermelha iiwi e apapane. Já na base da depressão, onde fica o lago solidificado, flores vermelhas chamadas ohia, endêmicas da ilha, praticamente brilham no cenário árido de rochas pretas vulcânicas.
Esse clima desértico acompanha toda viagem pela Big Island, com estradas cortando campos de rochas vulcânicas e montanhas manchadas por rios de lavas solidificadas. Composta por cinco vulcões, a Big Island se formou justamente com suas erupções ao longo de milhões de anos. E, a cada nova grande erupção, a ilha ganha mais território.
A combinação de altas montanhas com esse solo especial deu origem a um tipo de café que só pode ser cultivado aqui, o café Kona, em pequenas fazendas nas encostas dos vulcões Hualalai e Mauna Loa.
O preço é exorbitante, mas muitas fazendas oferecem tour com degustação ao final. A Mountain Thunder Coffee Plantation, a 15 quilômetros do aeroporto, oferece passeio gratuito para explicar a magia do café Kona. Para comprar o autêntico, preste atenção nas embalagens: se não disser "100% kona coffee", é mistura de outras variedades.
Para curtir as praias de Big Island, não tem como errar. Há praias de areia preta, branca e até verde. Há praias para a família, com diversos serviços, como aluguel de pranchas e banheiro, praias para surfistas e também aquelas mais difíceis de chegar. Em quase todas, dá para fazer um bom snorkel, ver muitos peixinhos e, com sorte, tartarugas.
Dizem que o melhor snorkel de todos está na baía de Kealakekua, onde só se chega de barco ou por uma trilha de 40 minutos (a descida é fácil, mas a subida é pesada).
Além da vida marinha excepcional, a baía guarda uma boa história de Big Island. Foi aqui que o famoso explorador britânico James Cook, primeiro europeu a estabelecer contato com as ilhas havaianas, foi assassinado em 1779, em sua terceira viagem pelo Pacífico. Após ter um de seus barcos roubados, Cook tentou em vão sequestrar o rei havaiano para ter a embarcação de volta, mas o erro acabou custando sua vida.
Um monumento a Cook foi levantado na baía, da onde os visitantes saem para entrar na água. Quem for caminhando, é bom chegar bem cedo ou no fim de tarde para evitar o "congestionamento" de barcos que poluem a vista no final das manhãs.
Outra aventura aquática e um clássico de Big Island é "nadar com as raias mantas" num mergulho noturno, com uma das diversas empresas autorizadas (cerca de R$ 700). Conhecidas também como arraias-jamanta, elas podem chegar a mais de quatro metros, embora não possuam ferrão como as temidas arraias.
As mantas se alimentam de plâncton, que é atraído pelas luzes dos barcos que levam os turistas. A viagem até uma das baías das mantas leva uma hora e acontece bem no pôr do sol. Se entrar à noite nas águas do meio do Pacífico não assustar, a experiência pode ficar ainda mais surreal.
As mantas se aproximam lentamente no fundo do mar, como criaturas alienígenas que parecem voar. Ao subir à superfície, a surpresa tira o fôlego dos desavisados: curiosas, elas podem chegar bem perto do visitante de snorkel, raspando levemente na nossa roupa de neoprene. Porém, como as lavas incandescentes do Kilauea, é proibido tocá-las, preservando assim mais um dos mistérios da Big Island.
por FERNANDA EZABELLA / FOLHA de S.PAULO
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