Jornalista/Radialista
BRASÍLIA/DF – Os partidos que defendem punição aos institutos de pesquisas, com penas que chegam até 10 anos de prisão para os responsáveis, gastaram R$ 13,5 milhões para realizar esses levantamentos durante a campanha deste ano. Recursos públicos do fundo eleitoral foram utilizados por PL, PP, União Brasil, PSC e Podemos. O levantamento considera os gastos de partidos e candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
PL, PP, União Brasil e PSC apoiam um projeto de lei de criminalização dos erros dos institutos. Já o Podemos tenta criar no Senado uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as empresas no Congresso. Todos os partidos usaram verbas para realizar pesquisas de intenção de voto e mapear os interesses dos eleitores.
O partido que mais desembolsou dinheiro com pesquisas foi o União Brasil, com R$ 5,6 milhões gastos durante a campanha. O candidato da legenda ao governo de Pernambuco, Miguel Coelho, derrotado na disputa, contratou o instituto Alfa Inteligência por R$ 840,9 mil para fazer pesquisas de opinião qualitativas, tipo de levantamento que capta a impressão dos eleitores sobre um determinado assunto ou político. O União assinou o requerimento de urgência para colocar o projeto em votação no plenário da Câmara.
O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, com R$ 4,6 milhões gastos para realizar pesquisas. O próprio presidente usou R$ 2,2 milhões do fundo partidário para contratar pesquisas eleitorais de dois institutos durante o primeiro turno da disputa. Bolsonaro foi o candidato que mais gastou recursos da campanha com esses levantamentos. A campanha contratou a Cota Pesquisas de Mercado e de Opinião Pública por R$ 1,7 milhão e o Ibespe Estudos & Marketing por R$ 500 mil para realizar e fornecer pesquisas eleitorais ao candidato.
Durante a campanha, quando aparecia atrás do petista Luiz Inácio Lula da Silva na preferência do eleitorado, o Bolsonaro declarava não acreditar em pesquisa. Na noite do primeiro turno, após o fechamento das urnas, no último dia 2, ele voltou a criticar os responsáveis pelos levantamentos diante do resultado. O presidente obteve 43% dos votos, um porcentual maior do que aparecia nas pesquisas dos institutos. “Desmoralizou de vez os institutos de pesquisa. Acho que não vão continuar fazendo”, disse Bolsonaro a um grupo de apoiadores no Palácio da Alvorada.
O presidente e ministros inclusive passaram a incentivar que os eleitores bolsonaristas não respondam às pesquisas. Institutos argumentaram que os erros se devem à alta abstenção entre segmentos mais favoráveis a Lula e a mudanças no comportamento do eleitor.
A base de Bolsonaro tenta aprovar um projeto de lei para punir os institutos de pesquisa. A proposta é defendida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O texto, de autoria do líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), estabelece punição para quem errar o resultado da eleição fora da margem de erro, com prisão de quatro a dez anos para o estatístico responsável.
Aliados do governo tentaram votar o projeto na terça-feira, 11, véspera de feriado, mas a iniciativa fracassou por falta de acordo. Não há data marcada para nova votação.
Autor do projeto que pune os responsáveis das empresas com prisão, o líder do governo também usou o dinheiro da eleição para contratar pesquisas. Ricardo Barros gastou R$ 45 mil para realizar pesquisas quantitativas com o instituto Data Vox Brasil durante sua campanha à reeleição. Barros foi eleito para mais um mandato na Câmara pelo Paraná e trabalha pela reeleição de Bolsonaro.
Além da punição pela alteração na lei, a base governista pressiona o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os institutos de pesquisa na Casa. Um requerimento com assinaturas suficientes já foi apresentado. Pacheco prometeu avaliar a instalação, mas já avisou que nenhuma CPI vai funcionar durante o período eleitoral.
Na terça-feira, 11, Pacheco se posicionou contra o projeto patrocinado pelo governo na Câmara. “É um texto, especialmente na parte penal, que eu vi, absolutamente inadequado porque pune muito severamente um erro”, disse o presidente do Senado, ao citar que a pena prevista na proposta supera a prisão determinada para os crimes de peculato e corrupção.
O líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), declarou que assinou o requerimento de urgência para o projeto de Ricardo Barros, mas que vai trabalhar para alterar o texto na busca de um acordo que permita a iniciativa ser aprovada. Questionado sobre as pesquisas contratadas pelo União, o deputado evitou dizer se elas erraram, mas defendeu uma apuração de todos os institutos de pesquisa. “Temos que investigar para não ser leviano”, afirmou.
Procurado, o Podemos disse que não ia comentar. PL, PP, PSC e o deputado Ricardo Barros não responderam à reportagem.
Daniel Weterman e Lauriberto Pompeu / ESTADÃO
ÍNDIA - Duas mulheres foram mortas no sul da Índia num alegado sacrifício humano realizado por um grupo de pessoas que tentava resolver problemas financeiros através de um ritual de contornos macabros, informaram esta quarta-feira fontes policiais.
Pelo menos três pessoas foram detidas por causa deste caso ocorrido em Elanthur, no estado de Kerala, onde a polícia recuperou os restos mortais desmembrados das duas mulheres, presumivelmente assassinadas com poucos meses de diferença entre si.
A investigação procura agora saber se os suspeitos comeram partes dos corpos das mulheres, quando terminaram os rituais de morte.
"Existe a possibilidade dos acusados terem comido partes dos corpos, depois de matarem as vítimas. A hipótese está a ser investigada, mas ainda não foi confirmada", disse C.H. Nagaraju, comissário de polícia da cidade de Kochi, em Kerala.
Os rituais terão sido realizados entre junho e final de setembro por um casal e um homem encarregado de conduzir as sessões.
Na terça-feira, as autoridades encontraram os corpos das mulheres cortados em pedaços e enterrados no quintal da casa do casal – onde geria um negócio de massagens terapêuticas - quando investigavam o alegado desaparecimento de uma delas.
O principal acusado do assassínio das duas mulheres, Muhammad Shafi, entrou em contacto com as vítimas através das redes sociais e atraiu-as para casa dele, com a promessa de oferecer ajuda financeira.
No interior da casa do suspeito, as vítimas foram amarradas, torturadas e estranguladas até a morte, de acordo com os inquéritos policiais iniciais.
O caso está a chocar o país de 1,4 mil milhões de pessoas, devido à brutalidade dos acontecimentos num estado como Kerala, considerado um dos mais progressistas da Índia.
"Fiquei chocado e triste ao saber do caso de sacrifício humano de Elanthur (...). Tal brutalidade em nome de um ritual é impensável, numa sociedade moderna e civilizada", disse o governador de Kerala, Arif Mohammad Khan, na rede social Twitter.
Sacrifícios humanos, bem como linchamentos de mulheres acusadas de praticar magia negra ou feitiçaria, não são raros em algumas áreas tribais da Índia, apesar de vários governos regionais terem lançado campanhas de consciencialização contra tais práticas.
Lusa
COLÔMBIA - As promessas do novo governo colombiano de alcançar "a paz total" despertaram nesta quarta-feira o entusiasmo unânime do Conselho de Segurança da ONU, onde esses gestos têm sido pouco observados desde a divisão provocada pelo conflito na Ucrânia.
O conselho se reuniu para revisar os avanços no acordo de paz de 2016. "Não existe alternativa melhor para pôr fim aos conflitos do que o caminho do diálogo", elogiou o representante especial e chefe da Missão de Verificação da ONU na Colômbia, Carlos Ruiz Massieu.
Essa foi a primeira revisão do andamento do acordo de paz assinado em Havana desde que Gustavo Petro assumiu a presidência da Colômbia, em 7 de agosto. "A Colômbia tornou-se um modelo de possibilidade, e é um tema que produz uma grata sensação", declarou o chanceler colombiano, Álvaro Leyva Durán, logo após se dirigir aos 15 membros do Conselho para explicar os objetivos do governo.
"Eu diria que foi uma reunião magnífica", afirmou. "Depois de algumas experiências não tão agradáveis, retomamos o antigo processo das Farc, assim como novas iniciativas", ressaltou o ministro, referindo-se às negociações iminentes com o Exército de Libertação Nacional (ELN), cujo local ainda não foi definido.
O plano de "paz total" prometido pelo Petro pretende impulsionar o acordo de paz assinado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc-EP) e ampliar o diálogo com outros grupos armados não signatários, como o ELN, o que, para o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, é um "motivo de otimismo".
No último relatório trimestral (de junho a setembro) da missão de verificação da ONU sobre o acordo de paz, Guterres lembra ao governo Petro que é “instrumental” que o mesmo garanta os recursos necessários no orçamento de 2023 para cumprir os acordos. “É crucial que a reintegração não deixe ninguém para trás”, em particular os “ex-membros das Farc-EP”, bem como "as necessidades específicas das mulheres, dos indígenas e dos negros", ressalta Guterres.
A violência persistente contra as comunidades, em particular as indígenas e negras, os antigos membros das Farc-EP e os defensores de direitos humanos e líderes sociais, preocupa a ONU.
Após o apoio dos membros do Conselho, espera-se no fim do mês a renovação por um ano do mandato da missão de verificação da ONU para a Colômbia.
ESPANHA - O Barcelona segue vivo na Champions League, mas as chances de se classificar para as oitavas de final diminuíram. O time espanhol esteve a poucos minutos de ser eliminado, só que Lewandowski garantiu nos acréscimos o empate em 3 a 3 com a Inter de Milão, nesta quarta-feira, no Camp Nou. O atacante fez dois gols no segundo tempo eletrizante. Barella, Lautaro Martínez e Gosens também marcaram. Dembélé abriu o placar no primeiro tempo. Faltam duas rodadas para o fim da fase de grupos.
Qual a situação?
O Bayern de Munique garantiu vaga nas oitavas de final ao vencer o Viktoria Plzen por 4 a 2 e alcançar 12 pontos. A Inter de Milão chegou a sete e leva a melhor sobre o Barça, que tem quatro, no confronto direto. Na próxima rodada da Champions, o time alemão visita o Barcelona no Camp Nou, no dia 26 de outubro. Na mesma quarta-feira, a Inter encara o Viktoria Plzen no estádio Giuseppe Meazza. A equipe espanhola precisa vencer e torcer por um tropeço dos italianos. Confira a tabela completa da competição.
Apoio até o final
A torcida do Barcelona entendeu a relevância do jogo e compareceu em peso ao Camp Nou. Mais de 92.300 pessoas estiveram no estádio nesta quarta-feira. O apoio durou até os minutos finais. Houve também mobilização na chegada do time. Porém, torcedores vaiaram alguns jogadores, como por exemplo o zagueiro Piqué.
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