Ivo Dall’Acqua Júnior*
O alcance da discussão atual sobre alterações na escala 6x1 é um sinal positivo. Primeiro, porque melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras é louvável e legítimo. Todos queremos conviver em uma conjuntura de empregos estáveis, geração de renda e condições de trabalho dignas.
Segundo, porque esse debate permite à sociedade olhar com profundidade para a realidade econômica do País e constatar como ela vem sendo marcada, entre outras coisas, por uma produtividade estagnada. Terceiro porque reforça o papel das negociações coletivas como instrumentos exitosos de ajustes das dinâmicas de trabalho.
Logo, propostas que desconsiderem essas condições reais da economia e do setor produtivo, assim como a relevância das negociações, podem gerar efeitos justamente opostos aos pretendidos: menos qualidade de vida aos trabalhadores e, em paralelo, impactos profundos no desempenho do País.
No cotidiano de hoje, setores vitais da economia, como o Comércio, os Serviços e o Turismo, funcionam de forma contínua — atendendo consumidores durante fins de semana e feriados — e são, sobretudo, formados por Micro e Pequenas Empresas (MPEs). Elas dão a tônica da nossa atividade econômica, porque representam 98% dos negócios e geram cerca de 70% das vagas formais a cada ano.
Uma redução abrupta da jornada de trabalho, como propõe a medida em debate, elevaria o valor da hora trabalhada no Brasil em 22%. Se para as empresas de grande porte essa adaptação já seria complexa, para essas MPEs, o efeito seria severo: a maioria delas opera com margens apertadas, por causa dos tributos altos e das incertezas econômicas que elas absorvem.
Com custos ainda maiores, essas empresas reduziriam contratações ou teriam que rever seus quadros, o que resultaria na eliminação de pelo menos 1,2 milhão de vagas formais apenas no primeiro ano de vigência da lei. Seria péssimo para um mercado de trabalho que, embora tenha mantido a vitalidade da economia brasileira nos últimos anos, vem perdendo força desde 2024. Ao mesmo tempo, parte dessa mão de obra migraria para a informalidade – o oposto do que os trabalhadores, trabalhadoras e empregadores desejam.
Além disso, se o custo da operação subir e a produtividade permanecer igual, parte dessa pressão acabará chegando ao consumidor. Em um cenário no qual a maioria das famílias está endividada, a alta nos preços reduziria o poder de compra e afetaria o próprio nível de emprego. Em outras palavras, a proposta vai gerar inflação e reduzir postos formais de trabalho.
A experiência internacional mostra que reduções de jornada bem-sucedidas, sobretudo nos países desenvolvidos, ocorreram de forma gradual. Elas foram acompanhadas por ganhos de produtividade, investimentos em tecnologia e qualificação profissional. Hoje, nossa produtividade por hora trabalhada (cerca de US$ 21) permanece distante dessas economias (nos Estados Unidos, é de mais de US$ 90). Em outras palavras, é preciso cautela para não inverter a ordem natural do processo.
O empresariado não traz esses dados com ânimo, é importante dizer. Seria bom para o País que a produtividade fosse maior e, por consequência, que os trabalhadores tivessem jornadas menores. Contudo, todos devemos encarar a realidade.
Ademais, embora a jornada legal seja de 44 horas semanais, a média efetivamente praticada, fruto de negociações entre empresas e trabalhadores, é próxima de 39 horas (a norte-americana é de 38 horas). Quando há espaço para o diálogo, ajustes acontecem de forma equilibrada, preservando empregos e competitividade.
Nesse debate tão relevante para o Brasil, o caminho mais seguro é o da convergência. Empresas e empregados dependem uns dos outros para crescer. Mudanças graduais, construídas com harmonia e apoiadas por políticas que estimulem eficiência e a distribuição de renda, tendem a produzir resultados mais duradouros. O objetivo comum deve ser trabalhar melhor, gerar mais oportunidades e garantir desenvolvimento econômico sustentável no longo prazo.
*Ivo Dall’Acqua Júnior é presidente em exercício da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)
Artigo publicado originalmente em Poder360 em 18 de fevereiro de 2026.
SÃO PAULO/SP - Em fevereiro, um total de 2,2 milhões de famílias em todos os 645 municípios de São Paulo estão contempladas com o Bolsa Família. Para isso, o investimento do Governo do Brasil no estado supera R$ 1,53 bilhão. O valor garante um benefício médio de R$ 692,39. O cronograma de pagamentos teve início na quinta-feira, 12 de fevereiro, e segue até o dia 27, de acordo com o final do Número de Identificação Social – NIS.
PRIMEIRA INFÂNCIA – No pacote de benefícios incluídos na retomada do programa desde 2023, 1,1 milhão de crianças de zero a seis anos recebem o Benefício Primeira Infância em São Paulo. Isso significa um adicional de R$ 150 destinado a cada integrante dessa faixa etária na composição familiar. O investimento para assegurar esse repasse no estado é de R$ 158,7 milhões.
COMPLEMENTARES — O Bolsa Família prevê outros benefícios complementares, no valor adicional de R$ 50, que chegam a 75 mil gestantes, 34,3 mil nutrizes e 1,7 milhão de crianças e adolescentes de sete a 18 anos no estado. Para esses pagamentos, o investimento supera R$ 87,6 milhões.
ESPECÍFICOS — Neste mês, o Bolsa Família alcança em São Paulo, em seu grupo prioritário e específico, 104,8 mil famílias com pessoas em situação de rua, 3,1 mil com pessoas indígenas, 1,4 mil com quilombolas, 356 com crianças em situação de trabalho infantil, 5,2 mil com pessoas resgatadas de trabalho análogo ao escravo e 82,4 mil com catadores de material reciclável.
MUNICÍPIOS — A capital São Paulo é o município com maior número de beneficiários em São Paulo neste mês, com 638,9 mil famílias atendidas. Na sequência das cidades com maior número de famílias atendidas estão Guarulhos (100.608), Campinas (52.162), Itaquaquecetuba (35.091) e Santo André (34.260).
VALOR MÉDIO — Atibaia é o município paulista com maior valor médio de benefício: R$ 778,25 neste mês. Em seguida aparecem Guaratinguetá (R$ 774,01), São Vicente (R$ 766,61), Americana (R$ 759,45) e Caçapava (R$ 758,18).
NACIONAL – Em todo o país, neste mês, serão 18,84 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família nos 5.570 municípios, com valor médio de benefício de R$ 690,01. O investimento do Governo do Brasil no programa de transferência de renda é de R$ 13 bilhões em fevereiro.
PERFIL — Como costuma ocorrer no Bolsa Família, 84,38% dos responsáveis familiares são mulheres: 15,8 milhões. As pessoas de cor preta/parda representam a predominância entre os beneficiários e somam 36,1 milhões (73,29%).
PROTEÇÃO — Outra criação da nova versão do Bolsa Família, a Regra de Proteção permite aos beneficiários permanecerem no programa por até um ano, mesmo depois de conseguirem emprego com carteira assinada ou aumento de renda. Nesse caso, a família recebe 50% do valor. Esse parâmetro atinge, em janeiro, 2,51 milhões de famílias.
REGIÕES — No recorte por regiões, o Nordeste reúne o maior número de contemplados em fevereiro. São 8,79 milhões de beneficiários, a partir de um investimento de R$ 6 bilhões. Na sequência aparece a região Sudeste (5,33 milhões de famílias e R$ 3,68 bilhões em repasses), seguida por Norte (2,43 milhões de famílias e R$ 1,75 bilhão), Sul (1,27 milhão de beneficiários e R$ 864,1 milhões) e Centro-Oeste (991,6 mil famílias e R$ 690,5 milhões).
ESTADOS — Na divisão por unidades federativas, o maior número de contemplados em fevereiro está na Bahia. São 2,3 milhões de famílias beneficiárias no estado, a partir de um aporte de R$ 1,57 bilhão. São Paulo aparece na sequência, com 2,2 milhões de contemplados. Em outros seis estados há mais de um milhão de integrantes do programa: Pernambuco (1,47 milhão), Minas Gerais (1,42 milhão), Rio de Janeiro (1,4 milhão), Ceará (1,34 milhão), Pará (1,26 milhão) e Maranhão (1,15 milhão).
VALOR MÉDIO NOS ESTADOS — Roraima é o estado com maior valor médio de repasse aos beneficiários em fevereiro: R$ 743,97. Amapá (R$ 734,64), Amazonas (R$ 723,35), Pará (R$ 719,83), Acre (R$ 719,36) e Maranhão (R$ 709,89) completam a lista das seis maiores médias.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
SÃO PAULO/SP - O governo Lula começa a pagar o abono salarial do PIS/Pasep na segunda-feira (16), conforme calendário aprovado pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) no final do ano passado.
Os valores serão depositados a 1,8 milhão de trabalhadores formais contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e 217,5 mil servidores públicos nascidos em janeiro. O lote soma R$ 2,5 bilhões.
A partir deste ano, entram em vigor novas regras para ter acesso ao abono. A principal mudança está no limite de renda que dá direito ao benefício, que deixa de ser vinculado a dois salários mínimos e passa a ser corrigido pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), conforme emenda constitucional aprovada em 2024.
O dinheiro será liberado pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil direto na conta dos correntistas e poupadores dos bancos na segunda. Quem não é cliente dos dois bancos terá acesso aos valores após o Carnaval.
Em 2026, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) identificou 25,4 milhões de trabalhadores aptos a receber o abono, totalizando R$ 31,5 bilhões em recursos destinados a eles. O pagamento tem início neste mês de fevereiro e poderá ser realizado até 30 de dezembro de 2026, último dia útil bancário do ano.
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O QUE É O ABONO SALARIAL E QUEM TEM DIREITO?
O abono salarial do PIS/Pasep funciona como um "14º salário" e é pago a trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos que cumpram os critérios exigidos. Em 2026, o benefício será pago a quem trabalhou no ano-base de 2024.
Para receber, é preciso:
- Estar inscrito há ao menos cinco anos no PIS/Pasep
- Ter trabalhado ao menos um mês no ano-base, recebendo até R$ 2.765,93
- Ter os dados informados corretamente pelo empregador na Rais (Relação Anual de Informações Sociais)
VEJA O CALENDÁRIO DO PIS/PASEP 2026
Nascidos em - Data de pagamento
Janeiro - 15 de fevereiro
Fevereiro - 15 de março
Março e abril - 15 de abril
Maio e junho - 15 de maio
Julho e agosto - 15 de junho
Setembro e outubro - 15 de julho
Novembro e dezembro - 15 de agosto
O calendário foi aprovado pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador). As datas foram propostas pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e definidas após deliberação com outros órgãos do governo federal.
O dinheiro ficará disponível para saque até o último dia útil do calendário bancário de 2026. Caso o valor não seja retirado, ele retorna aos cofres públicos, mas ainda pode ser solicitado dentro do prazo de cinco anos.
QUANTOS TRABALHADORES VÃO RECEBER O ABONO DO PIS/PASEP EM 2026?
Ao todo, serão pagos R$ 2,5 bilhões a cerca de 2 milhões de trabalhadores formais e servidores públicos. Desse total, R$ 2,29 bilhões serão pagos pela Caixa Econômica Federal a quem tem direito ao PIS e R$ 301,9 milhões serão liberados pelo Banco do Brasil para quem tem direito ao Pasep.
Para este exercício, o MTE identificou 25,4 milhões de trabalhadores aptos a receber o abono, totalizando R$ 31,5 bilhões em recursos. O pagamento terá início em fevereiro e poderá ser realizado até 30 de dezembro de 2026.
QUEM TEM DIREITO AO ABONO SALARIAL EM 2026?
Têm direito ao PIS/Pasep os trabalhadores da iniciativa privada e os servidores públicos que tenham trabalhado formalmente por pelo menos 30 dias em 2024, estejam inscritos no programa há no mínimo cinco anos e tenham recebido até R$ 2.765,93 por mês, em média. O empregador também precisa ter enviado corretamente as informações na Rais.
O QUE MUDA NO PIS/PASEP A PARTIR DESTE ANO?
A principal mudança é no limite de renda que dá direito ao abono. Antes, o benefício era pago a quem ganhava até dois salários mínimos no ano-base. A partir de 2026, esse valor passa a ser corrigido pela inflação medida pelo INPC. Para quem trabalhou em 2024, o teto ficou em R$ 2.765,93.
As alterações serão feitas de forma gradual. A regra prevê que, até 2035, o abono salarial seja pago apenas a trabalhadores que recebam até um salário mínimo e meio. O valor de referência será reduzido ano a ano até atingir esse patamar.
VEJA A NOVA REGRA PARA TER ACESSO AO PIS/PASEP ATÉ 2035
Ano - Valor que dá direito
2025 - R$ 2.640
2026 - R$ 2.765,93
2027 - 1,90 salário mínimo
2028 - 1,85 salário mínimo
2029 - 1,80 salário mínimo
2030 - 1,75 salário mínimo
2031 - 1,70 salário mínimo
2032 - 1,65 salário mínimo
2033 - 1,60 salário mínimo
2034 - 1,55 salário mínimo
2035 - 1,50 salário mínimo
QUAL É O VALOR DO ABONO SALARIAL?
O trabalhador pode receber até um salário mínimo, dependendo do número de meses trabalhados no ano-base. O cálculo considera 1/12 do salário mínimo vigente no ano do pagamento para cada mês trabalhado, com arredondamento para cima. Frações iguais ou superiores a 15 dias são consideradas como mês cheio.
QUEM TRABALHOU O ANO TODO RECEBE QUANTO?
Quem trabalhou durante todos os 12 meses de 2024 receberá o valor integral de um salário mínimo, que será o piso vigente em 2026, de R$ 1.621.
COMO SABER SE VOU RECEBER O PIS/PASEP EM 2026?
A consulta poderá ser feita a partir de 5 de fevereiro pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Gov.br. É necessário ter login com CPF e senha, além de um fator de segurança, como biometria.
Como fazer a consulta ao PIS/Pasep?
Pela internet
1 - Acesse o site https://servicos.mte.gov.br/spme-v2/#/login e clique em "Entrar com gov.br"
2 - Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Portal Gov.br. Caso não tenha cadastro, é possível fazê-lo neste site
3 - Em seguida, clique em "Abono Salarial"
4 - Na próxima tela, aparecerá a informação se o trabalhador receberá ou não o benefício
Pelo aplicativo
1 - No celular ou tablet, baixe o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, caso não o tenha.
2 - Faça login com seu CPF e senha cadastrados no Portal Gov.br. Caso não tenha cadastro, é possível fazê-lo neste site.
3 - Na tela inicial, clique em "Abono Salarial - Consultar". Caso a opção não apareça, clique no menu da parte de baixo da tela, depois, em "Benefícios e Abono Salarial"
4 - Na próxima página, aparecerá a informação sobre os valores a receber
COMO É FEITO O PAGAMENTO DO PIS?
O PIS é pago pela Caixa Econômica Federal aos trabalhadores da iniciativa privada. Quem tem conta-corrente ou poupança na Caixa recebe o crédito automaticamente. Os demais beneficiários recebem o valor na poupança social digital movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.
Pelo aplicativo, é possível pagar contas, fazer transferências, realizar compras com cartão de débito virtual e pagar na maquininha, sem necessidade de ir a uma agência.
COMO FUNCIONA O PAGAMENTO DO PASEP?
O Pasep é pago pelo Banco do Brasil aos servidores públicos. Clientes do banco recebem o valor diretamente na conta. Quem não tem conta deve procurar uma agência do Banco do Brasil para sacar o benefício, levando documento de identificação com foto.
por Folhapress
SÃO PAULO/SP - Nos últimos cinco anos, o mercado de velas artesanais aromáticas apresentou crescimento entre os Microempreendedores Individuais (MEIs). De acordo com um levantamento do Sebrae-SP, com dados da Receita Federal, o número de MEIs ativos no setor de fabricação de velas aumentou de 570 em 2021 para 1.685 em 2025, um salto de 195,6%.
No estado de São Paulo, algumas cidades se destacam pela quantidade de microempreendedores atuantes no setor. A capital lidera o ranking, com 578 MEIs ativos, seguida por Guarulhos (52), Campinas (49), Santo André (48) e São José dos Campos (31).
Com um mercado cada vez mais aquecido, é essencial buscar estratégias para se destacar. A analista do Sebrae-SP, Beatriz Micheletto, destaca: “Como tendência, é importante monitorar o mercado para entender o que os consumidores desejam a cada período. Para esse segmento, é fundamental apostar em matérias-primas naturais, sustentáveis e que não agridam a saúde e o meio ambiente.”
Empresária na cidade de São Paulo, Shirley Pérola é empreendedora há 13 anos, quando realizou o sonho de montar um salão de beleza. Durante a pandemia percebeu que muitas clientes buscavam mais do que a estética, desejavam também acolhimento. Foi nesse cenário que Shirley viu a oportunidade de expandir os negócios e passou a produzir velas aromáticas. “Eu resolvi personalizar uma vela aromática para cada atendimento, a fim de proporcionar esse acolhimento. Ao final de cada atendimento, presenteio a cliente com a vela.” Assim nasceu a Pérola Cosmétick.
O crescimento do setor acompanha o aumento do interesse do público pelo segmento. De acordo com o Google Trends, nos últimos cinco anos, houve um aumento nas buscas por termos relacionados a velas aromáticas, incluindo pesquisas sobre como produzi-las, o que indica interesse tanto no consumo quanto na produção desses itens.
Beatriz ressalta que a fabricação de velas aromáticas vai além da decoração ou do aconchego, elas também despertam os sentidos. “As pessoas estão buscando produtos naturais (as velas artesanais são feitas com óleo de coco, que não fica cheiro de parafina) que transformem seus ambientes com beleza e aconchego, e por isso, as velas entram na decoração de ambientes. Mas além disso, elas também disparam alguns gatilhos como concentração e meditação, essas sensações sinestésicas que podem ter relação com os aromas envolvidos na fabricação dos produtos.”
Pensando nisso, Shirley busca estudar as sensações que cada aroma desperta na mente humana, conversando com as clientes para entender se gostam de aromas mais cítricos, amadeirados ou frutíferos: “É preciso estudar cada cheiro, porque da mesma forma que um aroma pode despertar uma lembrança boa, se não souber trabalhá-lo, posso acabar despertando um sentimento ruim.”
Em 2024, com o apoio do Sebrae-SP, a empresária expos seus produtos na Feira NaturalTech, uma oportunidade de conquistar clientes, expandir os negócios e conhecer novos mercados: “Foi uma experiência muito boa, com muitos insights e dicas, inclusive, percebi a possibilidade de exportar. Hoje estou buscando algumas certificações que podem me ajudar a levar os meus produtos para mais lugares.” Atualmente, ela vende as velas em plataformas on-line e em uma loja colaborativa.
A analista pontua que é necessário estratégia, planejamento e paixão na hora de empreender. “Pesquise muito, siga influenciadores do segmento e faça análises. Faça um planejamento para iniciar de forma estruturada e busque seu diferencial no mercado. Veja se você tem afinidade com o negócio. O empreendedor precisa amar o que faz e não apenas começar porque é uma oportunidade lucrativa.”
Para se destacar em um mercado cada vez mais competitivo, Shirley busca oferecer mais do que velas: ela quer proporcionar ao consumidor uma verdadeira experiência. Para isso, investiu em aromas exclusivos, inspirados no bioma nativo da Mata Atlântica, como os frutos de cambuci e de uvaia: “Eu desenvolvi, a partir do fruto do cambuci, moldes com o formato da fruta, o que torna a experiência mais imersiva. Além disso, esses frutos naturais possuem propriedades que auxiliam na saúde e no bem-estar.”
“Quando um empreendedor define seu diferencial, inova constantemente e sabe aonde quer chegar, ele sempre encontrará seu espaço no mercado. A dica de ouro é: encontre o 'DNA' do seu negócio, encante e conquiste seus clientes”, finaliza Beatriz.
BRASÍLIA/DF - O Ministério da Educação (MEC) autorizou um novo reajuste no valor do repasse para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) em todo o país. O aumento anunciado é de 14,35% para este ano, com o objetivo de recompor o poder de compra de estados e municípios diante da inflação de alimentos.
Com a atualização, o investimento total no programa chega a R$ 6,7 bilhões em 2026. Segundo o governo federal, o montante representa aumento de 55% no orçamento da merenda desde 2023 e um salto de 80% em relação ao que era investido há quatro anos.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o reajuste será aplicado na primeira parcela do cronograma de pagamentos.
"Estamos saindo de um orçamento de 2022 de R$ 3,6 bilhões em 2022 para o programa, para esse ano com orçamento de R$ 6,7 bilhões", destacou o ministro.
Além do aporte financeiro, o governo oficializou o aumento da cota mínima para compras da agricultura familiar. Por lei, estados e municípios agora devem destinar obrigatoriamente 45% dos recursos do Pnae para a aquisição de produtos de pequenos produtores e cooperativas locais. Anteriormente, o percentual mínimo era de 30%.
A estimativa do MEC é que aproximadamente R$ 3 bilhões sejam injetados diretamente na economia rural por meio dessa medida.
O Pnae atende alunos de toda a educação básica — da educação infantil ao ensino médio, incluindo a educação de jovens e adultos (EJA) — matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades comunitárias conveniadas com o poder público.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - As novas regras do sistema de vale-alimentação e vale-refeição entram em vigor nesta terça-feira (10). Em novembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que altera o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) com o objetivo de ampliar a transparência, a concorrência e a integridade no setor.
Agora, a taxa de desconto (MDR) cobrada dos supermercados e restaurantes, pelas operadoras, não pode ultrapassar 3,6%. A tarifa de intercâmbio tem teto de 2%, sendo vedada qualquer cobrança adicional.
Além disso, o repasse do dinheiro aos estabelecimentos deve ocorrer em até 15 dias corridos após a transação. Até então, restaurantes e similares recebiam os valores 30 dias após as transações.
Já estavam em vigor, com a assinatura do decreto, as regras de proteção, com a proibição de práticas comerciais abusivas, como deságios, descontos, benefícios indiretos, prazos incompatíveis com repasses pré-pagos e vantagens financeiras não relacionadas à alimentação.
A nova regulamentação do PAT já foi questionada na Justiça pelas maiores empresas de vale-alimentação e refeição do país, que obtiveram liminares suspendendo fiscalização ou aplicação de punições. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), “por ora, elas estão protegidas de sanções por descumprimento das regras de taxas e prazos, mas não estão dispensadas das demais obrigações do decreto e do PAT”.
“É fundamental que todas as empresas ajustem suas operações para estar em conformidade com o novo normativo, inclusive aquelas que possuem liminar.
As liminares não suspendem a vigência do decreto como um todo, nem estendem seus efeitos a outras empresas. O decreto está em pleno vigor e deve ser integralmente cumprido. A obrigatoriedade de observância das novas regras, como o teto de taxas e os prazos de liquidação, é imediata para todo o mercado, segundo a pasta.
As mudanças no programa beneficiam mais de 22 milhões de trabalhadores, que terão maior liberdade de escolha e melhor aceitação dos cartões. O decreto também traz equilíbrio para empresas e estabelecimentos, garantindo que os recursos sejam usados exclusivamente para alimentação.
Criado em 1976, o PAT é a política pública mais antiga do MTE e vai completar 50 anos em 2026. O programa conta com 327 mil empresas cadastradas e alcança 22,1 milhões de trabalhadores em todo o país.
Outra mudança entra em vigor a partir de 10 de maio, com a transição do sistema atual, em que o cartão de vale-alimentação ou vale-refeição só pode ser utilizado em estabelecimentos credenciados por uma única operadora, para um novo arranjo, no qual o benefício poderá ser aceito em diferentes maquininhas e estabelecimentos, independentemente da empresa emissora ou da bandeira.
Em novembro, 360 dias após a assinatura do decreto, está prevista a interoperabilidade plena do sistema, quando qualquer cartão PAT deverá ser aceito em qualquer maquininha de pagamento no Brasil.
AGÊNCIA BRASIL
Custo do crédito freia planos de expansão em um polo industrial marcado por tecnologia e inovação
SÃO CARLOS/SP - A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano, no início de 2026, reforça um cenário de juros elevados que continua a pressionar o setor produtivo no Brasil, com reflexos diretos nas indústrias de São Carlos e região. A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, influencia o custo do crédito, os financiamentos e o ritmo dos investimentos empresariais.
Embora a ata da última reunião do Copom, divulgada na terça-feira (3), tenha indicado que o Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes nos juros já em março, a política monetária deve permanecer restritiva por mais algum tempo, mantendo o crédito caro para empresas de diferentes portes.
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 80% dos empresários industriais apontam os juros altos como o principal obstáculo para conseguir crédito. Esse cenário tem levado muitas empresas a adiar investimentos, renovar máquinas com mais cautela e rever planos de expansão, com impactos também sobre a geração de empregos na cidade e na região.
Em um polo industrial que combina manufatura, tecnologia e inovação, como São Carlos, o custo do crédito influencia diretamente nas decisões de investimento e expansão. Para Paulo Giglio, diretor titular do Ciesp São Carlos, o contexto internacional ajuda a entender os movimentos esperados para a política monetária brasileira, ainda que o país enfrente desafios próprios.
“A América do Sul tem particularidades conhecidas, com governos que muitas vezes ampliam gastos e acabam pressionando impostos e juros. Mas, quando olhamos para mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, vemos que eles também estão lidando com dilemas semelhantes e, neste momento, buscam reduzir suas taxas de juros para estimular a economia”, analisou.
Segundo Giglio, o movimento global de queda dos juros cria um ambiente mais favorável para que o Brasil também avance nesse sentido, ainda que de forma gradual. “O capital busca remuneração, mas, sobretudo, previsibilidade e segurança. Se o mundo começa a trabalhar com juros menores, isso abre espaço para ajustes também aqui, o que seria fundamental para destravar investimentos produtivos”, avalia.
O cenário ainda é incerto, mas, se confirmado, pode trazer algum alívio para o setor industrial, que enfrentou desaceleração no fim de 2025, conforme dados divulgados pelo IBGE na última semana. Na avaliação de Rafael Cervone, presidente do Ciesp, o recuo da indústria está diretamente relacionado aos juros elevados e a entraves estruturais que pesam sobre o setor.
A produção industrial fechou o ano com crescimento de apenas 0,6%, evidenciando perda de ritmo nos últimos meses. Até junho, o setor acumulava avanço de 1,2% frente ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, a variação foi nula. Mas, entre setembro e dezembro, houve recuo de 1,9%.
“Não é coincidência essa perda de ritmo. O setor já vinha operando sob forte pressão de juros muito elevados, que encarecem o crédito, travam investimentos e comprimem o consumo. Quando isso se soma a impostos altos, insegurança jurídica, custos trabalhistas crescentes e à valorização do câmbio, o ambiente torna-se francamente adverso para quem produz”, ponderou.
Cervone destacou ainda que esse ambiente macroeconômico e regulatório acaba limitando os efeitos de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da indústria e acende um alerta para 2026. “A indústria é estratégica para a economia, gera empregos de qualidade e inovação. Para retomar o crescimento, é fundamental um ambiente mais favorável ao investimento, com juros menores e menos entraves”, afirmou.
SÃO PAULO/SP - O Carnaval de 2026 deve confirmar o protagonismo do estado de São Paulo como um dos principais destinos turísticos do país durante a maior festa popular brasileira. De acordo com estimativa do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), são esperados 4,7 milhões de visitantes circulando pelos destinos paulistas no período, o que representa um crescimento de aproximadamente 4,75% em relação ao Carnaval de 2025.
A movimentação financeira direta estimada é de R$ 7,3 bilhões, impulsionada por um ticket médio de R$ 1.543 por turista, considerando gastos com hospedagem, alimentação, transporte, compras e serviços turísticos. Os dados são resultado de uma sondagem realizada pelo CIET junto a 140 municípios do estado, que concentram parte expressiva da programação carnavalesca paulista.
“O Carnaval é um dos períodos mais importantes para o turismo e para a economia paulista. Os números reforçam a diversidade da nossa oferta, que vai muito além dos grandes centros urbanos, alcançando o litoral, o interior e as estâncias turísticas, com geração de emprego, renda e valorização das identidades locais”, destaca a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.
Além do impacto econômico, o levantamento evidencia o avanço das políticas de sustentabilidade e de preservação cultural nos destinos paulistas. Segundo o CIET, 88% dos municípios informaram desenvolver ações de conscientização ambiental voltadas ao público durante o Carnaval, enquanto 90% adotam medidas de mitigação dos impactos da festa sobre o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural.
Entre as principais iniciativas estão o reforço no número de lixeiras em áreas de grande circulação, a instalação de banheiros ecológicos, o controle de acesso a áreas de proteção ambiental ou histórica e ações educativas junto aos foliões. O compromisso com a cultura local também se destaca: 93% dos municípios afirmaram que o Carnaval é utilizado como instrumento de resgate, valorização ou preservação das tradições culturais da região.
Com blocos de rua, desfiles, festas populares e programações diversificadas, o Carnaval paulista se consolida como um evento democrático, sustentável e distribuído por todo o território estadual. Para a Setur-SP, os dados do CIET reforçam a importância do planejamento integrado entre estado e municípios, garantindo uma experiência segura, responsável e economicamente relevante para moradores, turistas e o trade.
SÃO PAULO/SP - O Custo de Vida por Classe Social (CVCS) na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) subiu 0,38% em dezembro, encerrando 2025 com alta acumulada de 4,71%. Segundo a pesquisa, elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em dezembro de 2024, o índice registrava variação acumulada de 4,97%.
[GRÁFICO 1]
Custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (2025)
Série histórica (13 meses)
Fonte: IBGE/FecomercioSP
O grupo de transportes foi o que mais pressionou o custo de vida, ao registrar variação mensal de 0,86%. As principais altas vieram dos serviços, estimuladas pelos reajustes sazonais da alta temporada do Turismo e pelo encarecimento do transporte público. Destacam-se as passagens aéreas, com elevação de 13,1%, além do metrô e do trem, que subiram 7,2%, e dos ônibus interestaduais, com alta de 4,2%. No Varejo, o item que mais chamou atenção foi o etanol, que registrou aumento de 2,7%.
O impacto foi mais intenso entre as famílias de menor renda, com a variação chegando a 1,74% na classe E e a 1,52% na classe D — enquanto na classe A, o avanço foi de 0,48%. Apesar disso, no acumulado do ano, o grupo apresenta alta de 3,39%, uma das menores variações e abaixo da média geral do índice.
[TABELA 1]
Custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo — dezembro de 2025
Fonte: IBGE/FecomercioSP
O segmento de saúde também pressionou o índice em dezembro, com avanço de 0,68% e alta acumulada de 5,66% no ano. O aumento foi observado tanto no Varejo, com elevação nos preços de medicamentos e itens de higiene e beleza — como perfumes, que subiram 2,2%, e antibióticos — quanto nos Serviços, que registraram alta mensal de 2,8% nos atendimentos odontológicos e de 1,8% nas consultas com psicólogos.
Já o grupo de alimentação e bebidas, de maior peso no CVCS, apresentou variação mensal de 0,38% e acumulou alta de 4,06%. Em dezembro, a alimentação no domicílio avançou 0,57%, influenciada principalmente pelo aumento do leite e derivados, como o leite longa vida (2%) e o queijo (3,6%), além das carnes, com destaque para o contrafilé (3,4%), a alcatra (3,1%) e o chã de dentro (2,6%).
No entanto, no acumulado do ano, a pressão foi maior sobre as classes de renda mais elevada, uma vez que a alimentação fora do domicílio registrou alta mais intensa — 4,39%, frente aos 3,83% observados na alimentação dentro de casa.
[TABELA 2]
Custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (dezembro de 2025 )
Por Classes Sociais
Fonte: IBGE/FecomercioSP
Dentre os grupos analisados, habitação apresentou a principal retração no período, com queda de 0,16%, influenciada pela redução no preço médio da energia elétrica residencial. O recuo beneficiou especialmente as famílias de menor renda, com variação de -0,35% na classe E, enquanto a classe A registrou leve alta de 0,27%. Apesar da queda no mês, no acumulado de 12 meses o grupo segue como o principal responsável pela elevação do CVCS, com avanço de 8,51%.
As variações mensais e o acumulado dos últimos 12 meses impactaram de forma similar as classes sociais, embora com uma variação mais elevada para a faixa de renda mais baixa. Em dezembro, as variações foram de 0,42% para a classe E e de 0,37% para a classe A. No acumulado do ano, foram 5,15% e 4,85%, respectivamente.
Nota metodológica
CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.
Sobre a FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.
SÃO CARLOS/SP - Diante de uma retração de aproximadamente 20% na demanda por compressores aplicados nos condicionadores de ar, causada pelo elevado nível de estoques no varejo e na indústria, além de alterações regulatórias, a Tecumseh programou a concessão de férias coletivas para parte de seus colaboradores. A medida envolve 130 funcionários no mês de fevereiro e outros 130 em março, em termos já negociados com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté, e tem como objetivo adequar temporariamente o ritmo de produção ao atual cenário de mercado, preservando a sustentabilidade das operações e os postos de trabalho.
A decisão ocorre após um ciclo contínuo de investimentos relevantes em inovação e capacidade produtiva. Somente em 2025, a companhia investiu cerca de R$ 45 milhões na expansão da capacidade instalada e no desenvolvimento de novas tecnologias de compressores, com destaque para os modelos inverter aplicados a condicionadores de ar.
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