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Redação

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 Jornalista/Radialista

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SÃO PAULO/SP - O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Márcio França (PSB) formataram um acordo para estar juntos na disputa estadual e tentam agora impedir que o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) feche uma aliança com o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), representante do presidente Jair Bolsonaro (PL) no pleito pelo governo de São Paulo. Márcio França deve disputar o Senado.

Em mais um gesto para unificar PT e PSB em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) almoçou no domingo no apartamento de França. Além das esposas, Lucia França e Rosângela da Silva, a Janja, estavam presentes Haddad e Ana Estela, Geraldo e Lu Alckmin. No encontro, que praticamente selou o acordo, França pediu mais prazo para anunciar sua desistência da disputa estadual e disse que pretende conversar com Kassab, o que deve acontecer na quarta-feira, 6.

Lula e Haddad ainda sonham em trazer o PSD para a coligação. Para isso, Márcio França estaria disposto a abrir mão de indicar o vice e a suplência para contemplar Kassab. Com o PSD em seu palanque, Haddad ampliaria em 40 segundos seu tempo de TV no horário eleitoral.

A leitura no PT e no PSB, porém, é de que a base de Kassab em São Paulo é conservadora e antipetista. Por isso, o ex-prefeito estaria mais próximo de fechar com Tarcísio, que teria o ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSD), como vice.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, 30, Haddad segue na liderança com 28% das intenções de voto, contra 16% de França, 12% Tarcísio e 10% Rodrigo Garcia (PSDB). No cenário sem França, Haddad vai para 34% das intenções de voto, enquanto Rodrigo e Tarcísio empatam com 13%.

Enquanto Haddad e França fazem uma última tentativa de atrair Kassab, a prioridade do ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB) é trazer de volta o União Brasil. Após o deputado federal Luciano Bivar, presidente da legenda e pré-candidato presidencial, ameaçar romper com os tucanos devido ao apoio do PSDB à senadora Simone Tebet (MDB-MS), o governador intensificou as conversas e jantou com Bivar em São Paulo no sábado.

No encontro, o presidenciável do União Brasil disse que espera ajuda do governador para sua candidatura em troca de um apoio que será determinante para Rodrigo Garcia ter a hegemonia do horário eleitoral na TV e rádio. “O União Brasil quer reciprocidade do PSDB no plano nacional. O processo de sobrevivência dos tucanos passa por São Paulo e o Bivar é uma peça chave. Rodrigo Garcia é um grande nome, mas o que está em jogo é uma questão macro”, disse o deputado federal Junior Bozella (SP), que integra a direção estadual do União Brasil.

Segundo o parlamentar, a ideia é que Rodrigo Garcia divulgue uma carta pública e faça uma resolução da executiva do PSDB paulista anunciando apoio a Bivar na corrida presidencial. Antes de encontrar Garcia, o pré-candidato do União Brasil esteve em Porto Alegre com o ex-governador e candidato à reeleição Eduardo Leite (PSDB), a quem fez o mesmo pedido em troca de apoio local.

Essa exigência, porém, pode abrir uma crise com o MDB, outro aliado estratégico de Rodrigo Garcia. Bivar teria exigido exclusividade no palanque do tucano. Ou seja: sem Simone Tebet.

 

 

Pedro Venceslau / ESTADÃO

SÃO PAULO/SP - Depois de dois anos com lançamentos e vendas de imóveis em alta, a construção civil é uma das atividades econômicas que mais têm gerado oportunidades de trabalho no País desde a queda acentuada no número de vagas em 2020 no início da pandemia de covid-19. O número de pessoas que trabalham na construção subiu 29,8% nos últimos dois anos e foi um dos responsáveis por reduzir a taxa de desemprego no País, que chegou a 9,8% em maio.

A construção é o setor que mais cresceu em número de pessoas ocupadas entre maio de 2020 e maio de 2022. Em seguida, vêm o setor de alojamento e alimentação, com alta de 21,9% no número de pessoas ocupadas, e o de serviço doméstico (19,5%). Os grupamentos que menos ampliaram as contratações foram administração pública (1,5%), transporte (10,4%) e agricultura (10,2%). Os dados são da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad), do IBGE, divulgados na semana passada.

No total, segundo o IBGE, o Brasil tinha 7,4 milhões de pessoas trabalhando no setor de construção no trimestre encerrado em maio – bem acima dos 5,5 milhões há dois anos, quando a economia era afetada por uma onda de demissões em consequência da pandemia.

O número vem se mantendo ao redor desse patamar desde o fim do ano passado. Antes disso, a última vez que o Brasil teve essa quantidade de pessoas trabalhando na construção foi em julho de 2016. No pico da série histórica do IBGE, o Brasil chegou a ter 8,3 milhões de trabalhadores no setor no trimestre encerrado em dezembro de 2013.

 

Renda baixa

O crescimento no número de pessoas ocupadas na construção, porém, não acompanha uma alta nos rendimentos. A maior parte dos trabalhadores do setor é informal e tem renda menor do que aqueles contratados com carteira assinada.

O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Leandro Horie, compara o momento atual com 2016, outro período de grande oferta de vagas no setor. “A composição era diferente. Em 2016, havia um volume maior de pessoas com carteira assinada no setor. Agora, tem uma expansão muito grande do emprego por conta própria”, diz Horie.

O rendimento médio dos trabalhadores da construção civil é de R$ 2.069, de acordo com os dados do IBGE. O valor médio para todos os segmentos é de R$ 2.613. A renda baixa observada em todos os setores econômicos faz com que o aumento de pessoas ocupadas seja insuficiente para acelerar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o economista da empresa de consultoria LCA, Bruno Imaizumi. “O crescimento das ocupações não vêm sendo acompanhado de uma renda maior, que seja suficiente para o trabalhador pagar todas as contas. O rendimento médio se encontra em um patamar mínimo”, afirma.

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de trabalhadores formais da construção civil tem crescido em ritmo menor. Na comparação entre os meses de março de 2020, quando iniciaram as restrições econômicas geradas pela pandemia, e março de 2022, o número de carteiras de trabalho assinadas no setor subiu 19,5%, e passou de 2 milhões para 2,4 milhões.

 

Nova perspectiva

Para os trabalhadores que conseguem emprego com carteira assinada, a maior oferta de trabalho na construção civil vem em boa hora. O haitiano Hods Rain foi contratado, em dezembro do ano passado, por uma construtora em São Paulo após trabalhar com pecuária no município de Barretos, no interior do Estado. “O dinheiro não era suficiente para ajudar a minha família. Eu tenho minha esposa em São Paulo e gastava quase 500 reais para visitá-la uma vez por mês”, diz Rain.

Além da cônjuge, o refugiado ajuda o pai e o irmão que moram na República Dominicana, de onde saiu para o Equador. O imigrante entrou no Brasil pelo Acre. Em outubro de 2014, chegou na capital paulista, onde um primo o esperava.

A empresa em que Rain trabalha tem 250 funcionários em obras. Na semana passada, seis trabalhadores que vieram de Estados do Nordeste foram contratados. Eles já tinham trabalhado na empreiteira em outras oportunidades e voltaram a São Paulo, quando a demanda por serviço aumentou.

Entre março de 2021 e março de 2022, foram lançadas 86 mil unidades imobiliárias na cidade de São Paulo, conforme os dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). O número representa um aumento de 181% no número de imóveis ofertados em um ano com relação aos 12 meses anteriores.

No entanto, as construções em andamento hoje foram lançadas quando os juros baixos tornaram o financiamento mais atraente aos consumidores, o que é bem diferente da realidade atual. “Como o nosso ciclo é de cinco anos, não podemos parar de um dia para o outro porque a taxa de juros subiu. Temos muita obra para entregar, então o último que vai sair é o emprego”, afirma o CEO da REM Construtora, Renato Mauro Filho.

A alta na taxa Selic, que está em 13,25% ao ano, tende a esfriar as vendas de imóveis e os lançamentos, o que pode reduzir o crescimento de empreendimentos imobiliários e a oferta de vagas. O setor depende de juros menores para melhores condições de financiamento.

A queda no crescimento já é esperada pelos líderes empresariais. O vice-presidente institucional do Sinduscon-SP, Yorki Estefen, prevê que os lançamentos, em 2022, caiam em 4% em relação ao ano anterior. “Teremos uma desaceleração por conta da alta taxa de juros, mas os estoques vão ser consumidos neste período”, diz.

Ele destaca a força do segmento ao enfrentar os preços desregulados pela Guerra da Ucrânia e a pandemia. “O mercado está se mostrando resiliente, diante do cenário que temos.”

Para os próximos meses, o mercado torce por uma inflação dos materiais menor e para que a taxa Selic diminua. “Temos condições de superar. Se essa taxa de juros está chegando no limite, dali é só para baixo. A hora que esses juros baixarem, vai ter um movimento natural de volta do consumidor.”

 

 

Ramiro Brites e Hugo Barbosa, especial para o ‘Estadão’

UCRÂNIA - Um ex-funcionário do poderoso Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, a unidade de inteligência que sucedeu a KGB, assumiu nesta terça-feira (5) o governo da região ucraniana de Kherson, ocupada pelas forças de Moscou.

Sergei Eliseyev, 51 anos, que até agora era o primeiro vice-governador da região russa de Kaliningrado (noroeste), "assumiu o posto de chefe de Governo da região de Kherson", informou Vladimir Saldo, que comanda a administração da ocupação russa.

O ex-deputado ucraniano Alexei Kovalev, que passou para o lado russo, foi nomeado vice de Eliseyev, responsável pelas questões ligadas à agricultura.

"A Rússia está aqui para sempre", disse.

Desde a conquista de Kherson, Moscou iniciou uma política de "russificação". O país introduziu o uso do rublo na região, emitiu passaportes russos e abriu um banco. Além disso, a economia está em grande parte sob controle da administração da ocupação e os críticos sofrem com a repressão.

No início da ofensiva contra a Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin disse que o país não ocuparia a Ucrânia.

Agora, o Kremlin afirma que os moradores das regiões devem decidir seu destino, o que dá a entender que Moscou seria favorável à organização de um referendo sobre a anexação à Rússia, como aconteceu com a Crimeia.

Nas últimas semanas, no entanto, funcionários pró-Kremlin nas zonas ocupadas foram alvos de atentados.

Kovalev escapou no fim de junho de uma tentativa de assassinato.

 

 

AFP

EUA - Funcionários alto escalão dos governos dos Estados Unidos e da China participaram nesta terça-feira (5) em um diálogo "sincero" por videoconferência para discutir os desafios econômicos globais "severos", em particular a respeito da cadeia de abastecimentos.

A conversa entre a secretária americana do Tesouro, Janet Yellen, e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, aconteceu no momento em que presidente Joe Biden examina a possibilidade de suspender algumas tarifas sobre as importações chinesas para ajudar a conter a inflação.

"As duas partes concordaram que, diante dos severos desafios enfrentados pela economia mundial, é de grande importância fortalecer a comunicação macropolítica e a coordenação entre a China e os Estados Unidos", afirmou a agência oficial chinesa Xinhua.

A agência acrescentou que “manter a estabilidade da indústria global e das cadeias de abastecimento é do interesse dos dois países e de todo o mundo".

Segundo a Xinhua, a videoconferência aconteceu a pedido dos Estados Unidos e a conversa foi considerada "construtiva".

Yellen e Liu "discutiram os desenvolvimentos macroeconômicos e financeiros nos Estados Unidos e na China, as perspectivas econômicas globais em meio ao aumento dos preços das commodities e os desafios da segurança alimentar", afirmou o Departamento do Tesouro americano em um comunicado.

"A secretária Yellen levantou temas de preocupação, como o impacto da guerra da Rússia contra a Ucrânia sobre a economia global e as práticas econômicas injustas (chinesas)", acrescenta a nota.

A China se negou a condenar a invasão russa da Ucrânia e foi acusada de fornecer cobertura diplomática para Moscou ao criticar as sanções ocidentais e vendas de armas para Kiev.

Estados Unidos enfrentam a inflação mais elevada em 40 anos e o governo busca formas de aliviar a pressão sobre os preços.

Uma opção cogitada é suspender algumas das tarifas comerciais impostas a Pequim pela administração do ex-presidente Donald Trump.

Uma decisão sobre o tema pode acontecer no vencimento das tarifas a partir de 6 de julho, caso não sejam renovadas.

Na conversa com Yellen, Pequim "expressou preocupação sobre temas como a suspensão das tarifas contra a China e sanções da parte americana EUA", segundo a Xinhua.

Um contato entre os presidentes Biden e Xi Jinping é esperado para as próximas semanas.

 

 

AFP

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