Jornalista/Radialista
SÃO CARLOS/SP - O presidente da Câmara Municipal de São Carlos, vereador Roselei Françoso (MDB), recebeu o presidente do Círculo São-carlense de Orquidófilos (CSO), Gilmar Juliak, e o presidente da Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil (CAOB), Rubens Zanollo Júnior, na quarta-feira (23).
O objetivo do encontro foi o de discutir ações que auxiliem os praticantes da orquidofilia da cidade a manterem suas atividades. “Assim como em várias atividades, a pandemia de Covid-19 está impactando diretamente essa atividade que se mantém quase que exclusivamente por meio das exposições”, explicou Roselei.
Fundado em 1963, o Círculo São-carlense de Orquidófilos, é uma das principais associações do Brasil. “Nossa Associação é a única do país a ter títulos no Japão, Estados Unidos, Holanda e, com isso, obter reconhecimento internacional”, disse Zanollo. A CAOB, presidida por Zanollo, foi fundada em 1969 em Rio Claro e reúne 146 entidades em todo o país.
Segundo Gilmar Juliak, São Carlos também foi pioneira ao realizar uma exposição internacional de orquídeas em 1993. “Temos muita história e de projeção do nome de São Carlos”, comentou o presidente da CSO.
A última exposição realizada em São Carlos foi em 2019, que foi a 57ª Exposição Nacional de Orquídeas de São Carlos, juntamente com a 53ª Festa do Clima. O impedimento da realização da exposição traz dificuldades financeiras ao Círculo, que tem obrigações legais e institucionais a cumprir.
Apoio – O presidente da Câmara Municipal se comprometeu em buscar alternativas que possam auxiliar o setor neste momento de crise. “Os orquidófilos merecem toda nossa atenção e carinho, já fizeram muito por São Carlos e ainda têm muito a contribuir. Discutimos algumas possibilidades e vamos tentar tirar do papel algumas ideias”, destacou Roselei.
Entre as propostas, está a criação de incentivos ou de um dia municipal em comemoração ao setor. O Dia Nacional do Orquidófilo é comemorado no dia 22 de junho de cada ano. O parlamentar também se comprometeu a auxiliar o Círculo a reformar a sede atual, que funciona num espaço da Prefeitura, na rua Conde do Pinhal, atrás do Palacete Conde do Pinhal.
Clínica reforça a necessidade de estar com todas as doses das imunizações em dia para a saúde geral
São Carlos/SP – A vacinação se faz presente desde os primeiros dias de vida, com doses específicas que variam por idade ou por campanhas, como a da gripe. No entanto, dados do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) mostram que a cobertura vacinal infantil tem caído no Brasil com a pandemia. Das nove principais vacinas, oito foram aplicadas em menos de 80% do público-alvo.
Para Camilla Ribeiro, sócia-proprietária da Clínica de Vacinas Santa Clara, localizada no Iguatemi São Carlos, o atraso nas imunizações vai na contramão da necessidade do período atual. “Esse fator nos preocupa, porque vemos a maioria das pessoas preocupadas com a vacina da Covid-19 e deixando de lado outras importantes que temos disponíveis, como de gripe, pneumonias, meningites, hpv (câncer), catapora, sarampo, paralisia infantil e até da dengue”, explica.
Ela também alerta que muitas dessas doenças possuem alto índice de mortalidade, e quando as pessoas deixam de se vacinar, e de vacinar as crianças, aumentam as chances de doenças já erradicadas por meio da vacinação voltarem a ter casos atuais. “Temos exemplos, como o surto recente da febre amarela e o sarampo.”
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra doenças letais, portanto, é preciso estar atento à importância de seguir, de forma rígida e controlada, o calendário e as doses recomendadas, tanto para crianças quanto adultos. Apenas dessa forma, como reforça Camila, será possível alcançar a segurança que tanto se deseja. Para checar se a carteira está em dia, basta procurar a clínica, que, inclusive, permanece com a campanha da gripe. O horário de funcionamento é de segunda-feira a sábado, das 8h às 20h, e domingos e feriados, das 12h às 18h.
O Iguatemi São Carlos, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, participa da nova etapa da campanha de vacinação contra a Covid-19. O posto volante, que funciona por meio do sistema drive-thru, fará parte do plantão deste sábado (26).
As imunizações serão realizadas das 9h às 13h e o público-alvo são pessoas entre 47 e 49 anos sem comorbidades; pessoas com deficiências; pessoas com comorbidades; profissionais de saúde; e motoristas e cobradores. Também terão aplicações da segunda dose da AstraZeneca.
Quem for receber a primeira dose, deve efetuar o cadastro prévio no site www.vacinaja.sp.gov.br e levar impresso o formulário de vacinação disponível no link http://coronavirus.saocarlos.sp.gov.br/VacinaJa. Em caso de comorbidades, também é necessário apresentar o relatório médico.
Serviço
Shopping Iguatemi São Carlos
Endereço: Passeio dos Flamboyants, 200, São Carlos
Informações: www.iguatemisaocarlos.com.br
Horário de Funcionamento:
Bioprint 3D, ciência forense, modelagem em bioinformática e bactérias multirresistentes são alguns dos temas
SÃO CARLOS/SP - A Liga Nacional dos Acadêmicos em Biotecnologia (LiNA Biotec) - Polo São Carlos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) promove, de 30 de junho a 2 de julho, a segunda edição do Biotec Day, em comemoração ao Dia do Biotecnologista (30 de junho).
O evento é gratuito, aberto ao público, com transmissão via YouTube no canal da LiNA Biotec (https://bit.ly/3wA5fdH). A programação inclui palestras, mesas-redondas e minicursos relacionados às áreas de Biotecnologia, Saúde, Farmácia, Química, Biologia e Engenharia. Entre os temas abordados estão bioprint 3D (com demonstração prática), ciência forense, modelagem em bioinformática, bactérias multirresistentes, entre outros.
As inscrições no evento devem ser feitas pelo formulário https://bit.ly/3qbGIJS. Haverá emissão de certificados.
Todas as informações e atualizações sobre o evento estão nas redes sociais da LiNA Biotec São Carlos: Instagram (instagram.com/linabiotecsanca
O Biotec Day é uma das atividades do projeto de extensão Biotec em Foco, no âmbito do Programa de Extensão Liga Nacional dos Acadêmicos em Biotecnologia (LiNA Biotec) - Polo São Carlos, ambos vinculados à Pró-Reitoria de Extensão (ProEx) da UFSCar.
Estudo da UFSCar em parceria com Universidade do Minho associou prevalência de cepa resistente a medicamento à necessidade de ampliação da genotipagem no Brasil
SÃO CARLOS/SP - A elevada taxa de mutação é característica conhecida do vírus HIV-1, e mutações que causam resistência a medicamentos significam ameaça ao sucesso dos tratamentos antirretrovirais. No entanto, a ocorrência dessas mutações vem caindo em todo o mundo, diante de tratamentos mais eficazes e com menos efeitos adversos, o que permite reduzir a replicação viral e, assim, a probabilidade de mutação.
Estudo realizado em parceria entre Brasil e Portugal e publicado recentemente no "International Journal of Molecular Sciences" [https://www.mdpi.com/1422-
A pesquisa, coordenada Nuno Miguel Sampaio Osório, da Universidade do Minho, em Portugal, contou com a participação de Bernardino Geraldo Alves Souto, docente do Departamento de Medicina (DMed) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no âmbito de acordo de cooperação com o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Escola de Medicina da Universidade do Minho. Colaboraram também pesquisadores de outras instituições portuguesas e da Espanha. A equipe analisou 20.226 sequências genéticas de HIV-1 coletadas em pacientes em tratamento antirretroviral, no período entre 2008 e 2017, no Brasil.
Os resultados mostraram que a prevalência da K65R passou de 2,23% em 2008 para 12,11% em 2017, seguindo alteração no protocolo de tratamento adotado no Brasil, que, em determinado momento, substituiu o AZT (Zidovudina) pelo TDF (Tenofovir). A pesquisa também identificou maior carga viral nas pessoas em que a mutação foi detectada, reforçando a observação do aumento da prevalência de resistência ao TDF.
Além das análises genéticas e estatísticas, o grupo usou ferramentas de imunoinformática (baseadas em redes neurais artificiais) para investigar possíveis fatores envolvidos na falha terapêutica e na transmissão de cepas resistentes. Esses estudos sugeriram possível impacto de fatores genéticos na prevalência de K65R, derivados dos perfis HLA - relacionados à resposta imunológica - mais ou menos prevalentes na população brasileira. Isto porque a pesquisa indicou que o perfil HLA-B27 teria maior propensão ao reconhecimento do HIV-1, sendo que este perfil genético tem prevalência relativamente baixa na população brasileira.
"Os estudos associando o perfil HLA a diferentes interações com o vírus HIV ainda estão avançando. O que a nossa pesquisa traz é a hipótese de que, além de fatores tradicionais como diferenças sociodemográficas e nos protocolos adotados e a adesão ao tratamento, o perfil genético étnico da população brasileira também pode estar influenciando o padrão de prevalência da resistência a medicamentos, e que pode ser necessário levar isso em consideração na definição dos protocolos de tratamento", explica o pesquisador da UFSCar.
Ou seja, associada à pressão seletiva exercida pelo uso do Tenofovir, o perfil imunológico prevalente na população brasileira também pode estar favorecendo o desenvolvimento da mutação K65R.
Uma das estratégias adotadas em vários países para monitorar e combater as cepas resistentes é a chamada genotipagem universal, em que todos os pacientes são testados no momento do diagnóstico para identificação de cepas resistentes e, assim, adoção de regimes terapêuticos individualizados, ou seja, escolha dos medicamentos que comporão o coquetel antirretroviral informada pela genotipagem. No Brasil, em geral a genotipagem só é feita após verificação de falha terapêutica por seis meses, exceto para alguns grupos que, a partir de 2013, começaram a ser testados no momento do diagnóstico: gestantes, crianças, pacientes com tuberculose e pessoas infectadas por parceiros em tratamento antirretroviral adequado.
A partir dos resultados encontrados no estudo, os pesquisadores supõem que a mudança nos protocolos antirretrovirais sem garantia de genotipagem pré-tratamento tenha colaborado para o crescimento gradual da prevalência de cepas resistentes ao Tenofovir, bem como para o elevado nível de outras mutações de resistência. Essa prevalência elevada, por sua vez, pode estar por trás da maior proporção de casos de falência terapêutica no Brasil, o que ganha especial relevância em um cenário de crescimento nos números de novas infecções e mortes relacionadas ao HIV no País, na contramão de um declínio global. Em 2019, foram 48 mil novas infecções e 14 mil mortes registradas no Brasil.
Assim, os pesquisadores registram que alguns dos medicamentos frequentemente usados no País podem estar comprometidos pela alta prevalência de cepas resistentes e que a genotipagem universal e obrigatória seria a melhor estratégia a ser adotada, para seleção personalizada de um regime antirretroviral otimizado. As evidências produzidas na pesquisa apontam, inclusive, a necessidade de atenção à eficácia dos protocolos adotados na profilaxia pré e pós-exposição no Brasil, já que o aumento da prevalência de cepas resistentes aos medicamentos integrantes desses protocolos também pode comprometer sua eficácia.
"A genotipagem pré-tratamento, com repetição sistemática, permite a definição de protocolos terapêuticos individualizados e ajustes adequados. Com isso, reduzimos o risco de iniciar o tratamento e só descobrir seis meses depois que o protocolo não é adequado ou só substituir um esquema que falhou depois de vários meses de falha, o que é ruim não apenas para o indivíduo, mas também predispõe ao desenvolvimento de cepas resistentes que podem ser transmitidas e ter um efeito populacional", reitera o pesquisador da UFSCar. "Do ponto de vista da prevenção, a abordagem é coletiva, mas estamos propondo estratégia mais individualizada para o tratamento. E essa estratégia individual, por sua vez, tem impacto coletivo, já que a eficácia do tratamento reduz a transmissão e a circulação de cepas resistentes", complementa.
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