Jornalista/Radialista
SÃO PAULO/SP - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve argumentar, na investigação comercial movida pelo USTR (escritório do representante de comércio dos EUA), que o Pix não discrimina serviços de pagamento operados por empresas estrangeiras, sejam eles de qualquer tipo.
Na resposta que está sendo preparada pelo Itamaraty, o governo deve alegar que funcionalidades de pagamento diferentes, como o Whatsapp Pay, não são obrigadas a aderir ao Pix (embora muitas tenham integrado a tecnologia em suas plataformas) e podem funcionar livremente no país, desde que dentro das regras estabelecidas pelo Banco Central -as mesmas exigidas de agentes brasileiros.
A resposta por escrito do governo Lula às acusações deve ser protocolada até 18 de agosto. O Banco Central participou das reuniões preparatórias que discutiram a resposta a ser enviada aos EUA.
Procurada, a autoridade monetária não respondeu.
Quando lançou a apuração, em julho, USTR disse que "o Brasil adota uma variedade de atos, políticas e práticas que podem comprometer a competitividade de empresas dos Estados Unidos envolvidas no comércio digital e em serviços de pagamento eletrônico."
"O Brasil também parece adotar diversas práticas desleais em relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a, favorecer os serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo próprio governo", disse ainda o órgão do governo Trump, numa referência ao Pix.
Como a Folha mostrou, a determinação do Planalto logo após a abertura da investigação foi reafirmar aos americanos que o Pix é uma operação já consagrada e que não será modificada.
O fato de o Pix ter entrado na mira de Trump foi inclusive usado pela equipe de comunicação de Lula para ressaltar uma mensagem de defesa do popular meio de pagamento.
Ainda em julho, o perfil oficial do governo compartilhou nas redes sociais uma imagem com a frase "O Pix é nosso, my friend". Na legenda, escreveu que o mecanismo "é do Brasil e dos brasileiros" e que ele vem "causando um ciúme danado lá fora".
A investigação do USTR contra o Brasil mira múltiplas frentes: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas "injustas e preferenciais"; leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
A apuração tem potencial de causar danos adicionais à economia brasileira e traz riscos de sanções consideradas de difícil reversão.
O USTR também se queixa que o Brasil dá tratamento preferencial no comércio a grandes parceiros como Índia e México -e que essas condições não se estendem aos EUA.
"Quando o Brasil aplica tarifas mais baixas sobre produtos de outras economias grandes e competitivas, enquanto continua sujeitando os produtos dos EUA às suas altas tarifas de NMF (Nação Mais Favorecida), as exportações americanas não têm condições equitativas de concorrência no mercado brasileiro. Isso pode suprimir as exportações dos EUA e a produção econômica, com consequências negativas para o emprego e a produção doméstica", alega o USTR.
Ao rebater esse ponto, o governo Lula deve argumentar ao USTR que todos os entendimentos de preferência praticados pelo Brasil -seja bilateralmente ou no âmbito do Mercosul- estão autorizados pelas regras da OMC (Organização Mundial do Comércio).
O ponto mais delicado das discussões internas no governo foi sobre como abordar as acusações do governo Trump de que tentativas de regulação das plataformas digitais no Brasil podem levar a "restrições a uma ampla variedade de discursos" e "aumentar significativamente o risco de prejuízos econômicos para as empresas americanas de mídia social."
Uma das linhas da argumentação do governo deve ser uma defesa do STF (Supremo Tribunal Federal) e da sua legitimidade para analisar o Marco Civil da Internet, por exemplo -a corte decidiu ampliar recentemente as obrigações das plataformas digitais no Brasil ao julgar a norma.
Na visão do Planalto, trata-se do tema mais delicado entre todas as reclamações do USTR contra o Brasil, uma vez que é visto como uma das principais razões por trás da ofensiva que Trump desencadeou contra o Brasil. A outra é a suposta "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação aberta por Trump ocorre no âmbito da chamada seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Ela autoriza o governo dos EUA a retaliar, com medidas tarifárias e não tarifárias, qualquer nação estrangeira que tome práticas vistas como injustificadas e que penalizam o comércio americano.
As normas dos EUA exigem que o país alvo da investigação seja ouvido e apresente argumentos. O processo costuma durar 12 meses a partir do início da apuração.
O Brasil já esteve na mira do USTR em ocasiões anteriores, principalmente em apurações na década de 80 sobre os setores de informática e de remédios. As investigações do passado, no entanto, não eram tão abrangentes quanto a determinada por Trump em julho.
Além da investigação, Trump instituiu uma sobretaxa nos EUA de 50% para uma série de produtos brasileiros e aplicou sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
FOLHAPRESS
SÃO CARLOS/SP - No dia 09 de agosto, o Ginásio Poliesportivo Municipal, Adib Moises Dib, da cidade de São Bernardo do Campo, mais uma vez foi palco de um evento da elite do Judô Paulista, o Campeonato Paulista Junior Divisão Especial.
São Carlos foi representada pelo atleta Matheus Nunes Rurali na categoria até 81kg, acompanhado pelo Técnico Sebastião Alexandre da Cunha.
O Estado de São Paulo é “carro chefe” do Judô Nacional, e a fase final do Campeonato Paulista é uma das competições mais forte do Brasil. Na categoria do Rurali tinha 17 atletas, classificados das etapas anteriores.
Rurali fez 5 lutas excelentes lutas, vencendo 4 lutas com supremacia, perdendo apenas a luta da semi-final para o atleta da Seleção Brasileira de Judô, Enzo Tromibini.
Mesmo com a terceira colocação Rurali se mantém no primeiro lugar no Ranking Paulista, devido a soma de pontos que conquistou devida sua excelente campanha em 2025. Com essa posição no ranking Rurali garantiu a vaga para o Campeonato Brasileiro de Judô, que será realizado nos dias 6 e 7 de setembro na cidade de Caxias do Sul-RS.
O Professor Sebá relatou: “Para nós é motivo de muito orgulho termos conseguido fazer com que dois atletas ficassem em primeiro lugar no ranking Estadual, o Arthur Bassi, da classe sub18 até 90kg e o Matheus Rurali, na classe sub21 até 81kg. O resultado é devido ao comprometimento de todo grupo, dos atletas, do Professor Caio Cunha e principalmente pela dedicação e disciplina dos dois atletas, muito disciplinados e esforçados.”
SÃO CARLOS/SP - A Pista de Skate do Santa Felícia, em São Carlos, recebe hoje, a partir das 13h30, a 4ª edição do Festival Hip Hop Salva “Viver & Sonhar”. O evento, promovido pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, é considerado um dos maiores encontros de Hip Hop da região e já impactou mais de 3 mil pessoas em suas edições anteriores.
A programação deste ano traz shows de Clara Lima, Nego Max, Nega MC (com participação de Sara Donato), Carlinho e Excuridão, além da campeã do concurso de artistas, Luh do Click. O público também poderá acompanhar a batalha de rima H2S, com MCs de destaque nacional, como WinniT e WM, e 14 competidores classificados em seletivas regionais, ao som do DJ DoLeme.
O festival contará ainda com discotecagens de Sound Sisters e Lincoln Rossi, batalhas de breaking e um concurso de manobras de skate (best trick) nas categorias masculina e feminina. A Feira da Economia Solidária oferecerá opções de alimentação e artesanato.
Criado em 2018, o Hip Hop Salva surgiu como resposta cultural à violência policial contra a juventude preta e periférica de São Carlos. O projeto promove os cinco elementos do Hip Hop (MC, DJ, Breaking, Graffiti e Conhecimento) por meio de oficinas, shows, batalhas e ocupações culturais gratuitas, com acessibilidade e atividades abertas a todas as idades.
A iniciativa já formou mais de 450 pessoas em oficinas, remunerou todos os artistas e equipes, e gerou oportunidades de trabalho para a cena cultural local. Reconhecido por editais federais como a Lei Paulo Gustavo e o Prêmio Cultura Viva, o Hip Hop Salva prioriza a contratação de artistas negros e LGBTQIA+, a parceria com produtores locais e adota a política “Lixo Zero” em seus eventos.
SÃO CARLOS/SP - O diabetes, uma doença crônica que afeta a forma como o corpo regula o açúcar no sangue, é hoje uma das maiores preocupações de saúde pública no planeta. Segundo estimativas internacionais, em 2022 havia cerca de 828 milhões de adultos vivendo com a condição — um salto significativo em relação aos 630 milhões registrados em 1990. O impacto vai muito além das estatísticas: trata-se de uma doença associada a complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e à perda de qualidade de vida.
Apesar dos avanços da medicina, o controle da doença ainda apresenta desafios. Medicamentos como o acarbose, usados para reduzir a absorção de glicose, ajudam, mas podem provocar efeitos colaterais como desconforto intestinal e má digestão. Diante disso, cresce o interesse por alternativas mais seguras, eficazes e sustentáveis.
O pesquisador do IFSC/USP, Prof. Igor Polikarpov, juntamente com um grupo de cientistas da Índia, apresentou recentemente uma proposta inovadora publicada na revista científica internacional “Journal of Applied Pharmaceutical Science”, que uniu nanotecnologia — o estudo e a aplicação de partículas em escala extremamente reduzida — com saberes da medicina tradicional.
A equipe desenvolveu nanopartículas de prata utilizando extratos de plantas conhecidas tanto na homeopatia quanto no ayurveda, como: Emblica officinalis (amla), rica em antioxidantes; Withania somnifera (ashwagandha), utilizada para fortalecimento e equilíbrio do organismo e Arnica montana, conhecida por propriedades anti-inflamatórias, além de outras espécies, como Strychnos nux-vomica, Terminalia chebula e Atropa belladonna.
O processo de produção foi ecológico, já as plantas funcionaram como agentes “redutores”, transformando sais de prata em nanopartículas esféricas de 10 a 30 nanômetros — milhares de vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo. Essas partículas minúsculas possuem uma enorme área de contato em relação ao seu volume, o que aumenta sua capacidade de interagir com moléculas do organismo.
O foco dos testes foi verificar a capacidade dessas nanopartículas de inibir duas enzimas fundamentais na digestão dos carboidratos: α-amilase e α-glicosidase. Elas são responsáveis por quebrar o amido dos alimentos em glicose, que então passa para a corrente sanguínea. Bloquear essas enzimas pode ajudar a reduzir picos de açúcar após as refeições — o que é essencial no controle do diabetes tipo 2.
Os resultados foram animadores. Entre todas as formulações, as nanopartículas feitas a partir de Emblica officinalis apresentaram o melhor desempenho, superando o acarbose, medicamento referência no mercado. Essas partículas não apenas inibiram fortemente as enzimas, como também mostraram potencial para interagir com mecanismos celulares relacionados ao metabolismo da glicose.
Outro ponto de destaque é que o método de síntese adotado evita o uso de produtos químicos tóxicos, tornando o processo mais seguro e sustentável. Os pesquisadores acreditam que essa tecnologia poderia ser aplicada em regiões com menos acesso a tratamentos convencionais, oferecendo uma alternativa de menor custo e com base em recursos naturais.
No entanto, o estudo ainda está em fase laboratorial. Será preciso investigar como essas nanopartículas se comportam dentro do corpo humano, sua segurança em longo prazo e a melhor forma de administrá-las. Ensaios clínicos, estudos de biodisponibilidade e avaliações toxicológicas serão etapas essenciais antes de qualquer aplicação médica.
Mesmo assim, a pesquisa reforça um movimento crescente na ciência: resgatar conhecimentos tradicionais e potencializá-los com tecnologias modernas, abrindo espaço para terapias mais eficazes, acessíveis e respeitosas com o meio ambiente.
Se confirmadas em estudos futuros, essas nanopartículas à base de plantas podem se tornar mais uma ferramenta para ajudar milhões de pessoas ao redor do mundo a viver melhor com o diabetes.
Acesse o link para conferir o artigo científico - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2025/08/4581_pdf.pdf
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