Jornalista/Radialista
BRASÍLIA/DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é alvo de um novo pedido de impeachment na Câmara. O documento com 47 assinaturas, encabeçado por deputados do PL, tem também o apoio de quatro parlamentares de partidos que compõem a base do petista, PSD, MDB e União Brasil. O requerimento não tem efeito imediato e precisa do aval do presidente da Casa para tramitar. Até o momento, Lula tem ao menos seis pedidos protocolados que solicitam a saída dele do cargo.
As assinaturas de parlamentares de siglas com comando de ministérios reforçam o racha na base de apoio do governo. PSD, MDB e União Brasil têm nove ministérios, mesmo assim as bancadas desses partidos têm dado votos contra interesses do governo na Casa. O Palácio do Planalto tenta resolver o problema da falta de fidelidade.
No pedido de impeachment, os parlamentares alegam que Lula cometeu crime de responsabilidade em três momentos: ao declarar que a Venezuela é vítima de “narrativas” construídas por opositores, ao receber o presidente venezuelano Nicolás Maduro no País e ao indicar seu advogado Cristiano Zanin para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF).
Qualquer cidadão pode apresentar um pedido de impeachment de um presidente da República desde que haja justificativa com detalhes do crime de responsabilidade cometido pelo chefe do Executivo. Entretanto, para sair do papel e ir à discussão pelos deputados, o principal componente é a vontade política. O presidente da Câmara é quem define se o documento apresentado será arquivado ou encaminhado para análise dos parlamentares. Em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, foram protocolados cinco pedidos de impeachment contra o então presidente na Casa. Ele terminou o governo com mais de 150 denúncias. Nenhuma delas avançou.
Quatro parlamentares da base de Lula assinaram o novo pedido de impeachment: Sargento Fahur (PSD-PR), Delegado Palumbo (MDB-SP), Thiago Flores (MDB-RO) e Rodrigo Valadares (União-SE). O PSD comanda Agricultura, Pesca e Minas e Energia; o MDB, Planejamento, Cidades e Transportes; e o União Brasil, Comunicações, Turismo e Integração e Desenvolvimento Regional.
Até março de 2023, a Câmara registrou seis pedidos de impeachment do presidente Lula. As motivações dos pedidos tratam de declarações de Lula, em especial a afirmação de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) se tratou de um golpe de Estado. Outros pontos também são abordados, como responsabilização pelos ataques do 8 de Janeiro e acusações sobre tentativas de impedir a abertura da CPMI para investigar os atos ocorridos na data em Brasília.
Confira a lista de assinantes do pedido de impeachment:
por Natália Santos / ESTADÃO
EUA - O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump escreveu na quinta-feira (08) nas redes sociais que seus advogados foram informados de que ele foi indiciado por uso indevido de documentos confidenciais.
"A administração corrupta de Biden informou os meus advogados de que fui acusado, presumivelmente no falso caso das caixas", escreveu Trump na sua rede social Truth Social. "Nunca pensei que algo assim pudesse acontecer com um ex-presidente dos Estados Unidos que recebeu mais votos do que qualquer outro presidente na história do nosso país", escreveu o empresário.
O Departamento de Justiça não fez nenhum comentário ou confirmação imediata. Trump escreveu que havia sido convocado para comparecer ao tribunal federal de Miami na próxima terça-feira. Ele se disse inocente em um vídeo postado nas redes sociais.
Trump foi indiciado por sete acusações baseadas no manuseio de documentos sigilosos e obstrução de Justiça, segundo informou a mídia americana. O caso é mais uma das várias investigações envolvendo o ex-presidente dos Estados Unidos.
Em março, ele foi indiciado em Nova York por uma investigação sobre pagamento de suborno à estrela de filmes adultos Stormy Daniels.Trump ainda enfrenta investigações em Washington e Atlanta que também podem resultar em acusações criminais.
O que se sabe sobre o caso?
O Departamento de Justiça dos EUA está investigando se o ex-presidente manuseou incorretamente os documentos que guardou depois de deixar a Casa Branca em 2021. Cerca de 13 mil documentos foram apreendidos no ano passado na propriedade de Trump em Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida. Desses, cerca de 100 estavam marcados como sigilosos.
O caso veio à tona logo depois que Trump perdeu a corrida eleitoral de 2020 e teve que se mudar da Casa Branca. No primeiro semestre de 2021, os funcionários dos Arquivos Nacionais e da Administração de Registros deram pela falta de documentos importantes da gestão de Trump.
A Lei de Registros Presidenciais considera todos os documentos da Casa Branca propriedade do governo dos Estados Unidos. Funcionários dos arquivos procuraram representantes de Trump, um dos quais disse a eles em dezembro do mesmo ano que registros presidenciais foram encontrados na propriedade de Trump em Mar-a-Lago.
Em janeiro de 2022, o Arquivo Nacional americano recuperou 15 caixas de documentos de Mar-a-Lago. Mais tarde, eles disseram ao Departamento de Justiça que as caixas continham "muito" material classificado. No entanto, nem todos os documentos que faltam foram encontrados.
Em maio de 2022, Trump recebeu uma intimação do FBI e do Departamento de Justiça referente aos documentos confidenciais restantes em sua posse.
Semanas depois, investigadores visitaram a propriedade na Flórida e receberam cerca de três dúzias de documentos com uma declaração juramentada dos advogados de Trump atestando que as informações solicitadas haviam sido devolvidas.
Por que o FBI fez busca em Mar-o-Lago?
No entanto, a afirmação foi posteriormente revelada como falsa. Em agosto de 2022, funcionários federais, por meio de um mandado de busca, fizeram uma operação de busca e apreensão em Mar-o-Lago, apreendendo mais de 33 caixas que continham milhares de documentos.
As caixas continham 100 documentos classificados. Desde que ele deixou o cargo em janeiro de 2021, cerca de 300 documentos confidenciais foram recuperados de Trump, incluindo alguns no nível ultrassecreto.
O presidente não negou a posse dos documentos sigilosos. Ele defendeu suas ações, dizendo que retirou o sigilo dos papéis quando ainda estava no cargo, mas sem fornecer evidências para apoiar essa afirmação. De acordo com a lei dos Estados Unidos, os presidentes em exercício podem desclassificar informações, mas essa autoridade cessa quando eles deixam o cargo.
md/cn (AP, Reuters)
BUENOS AIRES - Analistas consultados pelo banco central da Argentina projetam uma inflação anual de 149% neste ano, acima dos 126% esperados em pesquisa anterior, mostrou um levantamento mensal divulgado na sexta-feira.
Para maio, os analistas consultados esperam que os preços subam 9% no mês. A inflação em abril foi de 8,4%, segundo a agência nacional de estatísticas da Argentina.
A economia da Argentina, prejudicada por uma seca histórica que agravou uma crise cambial em andamento, deve encolher 3% em 2023 em relação a 2022, segundo a pesquisa.
Os analistas veem o fraco peso argentino, atualmente avaliado oficialmente em 245 pesos por dólar, terminando este ano em 408,68 pesos por dólar e 2024 em 917,54 pesos por dólar.
O aumento dos preços e a queda das reservas internacionais representam um desafio para o governo de esquerda da Argentina antes das eleições gerais de outubro.
A pesquisa do banco central argentino foi realizada com 38 participantes entre 29 e 31 de maio.
Reportagem de Maximillian Heath / REUTERS
UCRÂNIA - Pelo menos 13 pessoas morreram dos dois lados do front em consequência das enchentes provocadas pela destruição da barragem da central hidrelétrica de Nova Kakhovka, na região ucraniana de Kherson, ocupada pelas forças russas.
Na sexta-feira (09/06) as autoridades da Rússia confirmaram oito mortos na área ocupada pelas tropas invasoras russas, após o nível da água começar a baixar. Enquanto isso, o Ministério do Interior da Ucrânia informou que quatro pessoas morreram no norte de Kherson, sob contole de Kiev, que outras 13 estão desaparecidas e que uma morreu na província ucraniana de Mykolayiv.
A barragem de Nova Kakhovka se rompeu na terça-feira, com Moscou e Kiev trocando acusações de responsabilidade pela destruição, que inundou uma área de cerca de 600 quilômetros quadrados às margens do rio Dnipro. Especialistas não descartam a possibilidade de que a barragem, há muito controlada pela Rússia, tenha sido mal conservada e tenha rompido sob a pressão da massa de água.
Número de mortes ainda maior
Voluntários que trabalham na margem do rio Dnipro ocupada pelas forças russas contrariam a cifra oficial de Moscou e falam em dezenas de mortes, reportou a mídia independente, como o portal The Insider.
Os moradores das áreas ocupadas também informaram à imprensa sobre inúmeros desaparecimentos. Além disso, criticaram o Ministério Russo para Situações de Emergência por obstruir o trabalho, impedindo-os de acessar a área do desastre. O representante da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, pediu na quinta-feira que a Rússia permita a passagem de pessoal de agências das Nações Unidas e da Cruz Vermelha para áreas sob seu controle.
Mais corpos podem aparecer nas próximas horas e elevar o número oficial de mortos, já que o nível da água na barragem de Kakhovka caiu mais um metro nas últimas 24 horas, para 11,74 metros, e segue descendo, segundo informou nesta sexta-feira a empresa hidrelétrica pública ucraniana Ukrhydroenergo.
As enchentes inundaram 48 cidades e mais de 3.625 casas na província ucraniana de Kherson, onde estava localizada a infraestrutura destruída. Na parte controlada por Kiev da região de Kherson, 2.412 pessoas tinham sido evacuadas até esta sexta.
A destruição da barragem também inundou 23 cidades na província ucraniana de Mykolayiv, onde mais de 800 pessoas foram evacuadas devido às enchentes.
Além disso, 11 pessoas ficaram feridas na quinta-feira por bombardeios russos enquanto moradores e autoridades tentavam evacuar vítimas em território controlado por Kiev, de acordo com o Ministério do Interior ucraniano.
Falta de água potável
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse nesta sexta que a destruição da barragem de Nova Kakhovka restringiu o acesso de "centenas de milhares de pessoas" à água potável.
"Estamos trabalhando em todos os níveis das autoridades estaduais e locais para resgatar o maior número possível de pessoas das áreas inundadas", escreveu no Twitter, voltando a responsabilizar a Rússia pela explosão.
Mais cedo, o serviço de segurança doméstica da Ucrânia disse ter interceptado uma ligação telefônica que provaria que um "grupo de sabotagem" russo explodiu a barragem.
Zelenski postou um trecho do áudio da suposta conversa em seu canal do Telegram. A DW não pôde verificar a gravação de forma independente, e Moscou não comentou o conteúdo.
Na quinta-feira, Zeleski esteve na região de Kherson para coordenar as operações de emergência com as autoridades locais.
"É importante calcular os danos e atribuir fundos para compensar os residentes afetados pelo desastre", disse Zelenski, apelando à ajuda para que as empresas afetadas pelas inundações possam se deslocar para outras partes da região.
Situação perigosa na usina de Zaporíjia
O rompimento da barragem também é um risco para a usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, já que a água da barragem era usada para resfriar os reatores.
De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a barragem de Kakhovka ainda está fornecendo água para o resfriamento. Uma avaliação de especialistas da AIEA indicou que as bombas da usina provavelmente continuariam operando mesmo se o nível da água ficar em 11 metros ou até menos.
"Nestas circunstâncias difíceis e desafiadoras, isso está dando mais algum tempo antes de possivelmente mudar para fontes alternativas de água”, disse o chefe da AIEA, Rafael Grossi.
No entanto, Grossi, que deve visitar Zaporíjia na próxima semana, alertou sobre a situação de segurança "muito precária e potencialmente perigosa" ao redor da usina, em meio aos combates contínuos.
Crime de guerra
Paralelamente à evacuação dos civis na região das margens do rio Dnipro e às preocupações com a usina de Zaporíjia, a ONU disse que ainda não pode avaliar se a destruição da barragem de Kakhovka pode ser classificada como um crime de guerra.
"Como as circunstâncias do incidente permanecem incertas, é prematuro considerar se um crime de guerra pode ter sido cometido", disse o porta-voz Jeremy Laurence nesta sexta-feira.
"Reiteramos nosso apelo por uma investigação independente, imparcial, completa e transparente."
Laurence disse que os repetidos pedidos da ONU para visitar territórios ucranianos sob ocupação russa foram todos rejeitados.
Ataque com drone
Também nesta sexta-feira, autoridades russas informaram que pelo menos três pessoas ficaram feridas em consequência do impacto de um drone contra um edifício de apartamentos no centro da cidade russa de Voronezh, localizada a cerca de 250 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.
"Três pessoas ficaram feridas com fragmentos de vidro. Elas receberam atendimento médico no local, se recusaram a ser hospitalizadas", informou o governador da região de Voronezh, Alexandr Gusev, no Telegram.
Ao comentar o ataque, o Kremlin ressaltou que os detalhes ainda estão sendo esclarecidos.
"Vimos relatos de que o drone foi abatido", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Simultaneamente, fontes de emergência confirmaram à agência de notícias russa TASS que o drone foi interceptado por meios de combate radioeletrônico quando se dirigia para uma fábrica de aeronaves em Voronezh.
Avanços ucranianos em Bakhmut
Enquanto isso, a Ucrânia relatou nesta sexta intensos combates na região leste de Donetsk e um porta-voz militar disse que as forças ucranianas ganharam mais terreno perto da devastada cidade de Bakhmut.
"A situação é tensa em todas as áreas do front", disse a vice-ministra da Defesa ucraniana, Hanna Maliar, em mensagem no Telegram.
"O inimigo continua concentrando seus esforços principalmente nas direções de Lyman, Bakhmut, Avdiivsky e Mariinka. Os combates pesados continuam", afirmou, destacando que as tropas ucranianas estavam repelindo os ataques russos.
Serhiy Cherevaty, porta-voz dos militares do leste da Ucrânia, disse que as forças ucranianas avançaram 1,2 km perto de Bakhmut nas últimas 24 horas.
le (EFE, Reuters, Lusa, DPA, ots)
por dw.com
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