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SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde, realizou, nos dias 21, 22 e 23 de outubro, a oficina temática “Manejo de caso de sífilis: o que preciso saber?”. A atividade aconteceu no Auditório do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com o Departamento de Enfermagem da universidade e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A capacitação foi planejada para atender cerca de 150 profissionais de saúde do município.

A oficina reuniu profissionais das redes pública e privada, incluindo médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas e técnicos de enfermagem, além de trabalhadores de maternidades, hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A programação incluiu discussões de casos clínicos em grupos e orientações baseadas na atualização dos protocolos de atendimento à sífilis, que serão disponibilizados à rede de saúde.

A supervisora do Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC), Cintia Ruggiero, destacou a importância da atualização dos profissionais e do diagnóstico precoce.

“Nesta oficina, discutimos casos em grupos, com profissionais das redes pública e privada, utilizando como referência o protocolo de sífilis atualizado, que será disponibilizado para a rede. Para o diagnóstico, é importante identificar a infecção precocemente. O município disponibiliza testes rápidos em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), nas Unidades de Saúde da Família (USFs) e no CAIC”, explicou.

A professora do Departamento de Enfermagem da UFSCar e coordenadora do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), Mellina Yamamura Calori, ressaltou que a capacitação faz parte do trabalho de atualização dos protocolos relacionados à sífilis e a outros agravos. A atividade também foi realizada no contexto do Outubro Verde, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da doença.

Segundo Mellina, a participação de profissionais de diferentes serviços é fundamental para garantir a continuidade do atendimento. “Temos profissionais de várias categorias, como médicos, cirurgiões-dentistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além das equipes do serviço de referência. Um diferencial desta capacitação é a participação dos profissionais das UPAs, que também precisam estar atualizados. Muitas vezes, quando chega o fim de semana, uma pessoa em tratamento procura o pronto atendimento para receber a medicação. Por isso, é fundamental fortalecer o vínculo entre as UPAs, a Vigilância Epidemiológica, a Atenção Primária à Saúde e a universidade”, destacou.

A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, reforçou o alerta para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da sífilis. “A orientação é que a população procure uma unidade de saúde para realizar o teste, especialmente após uma possível exposição à infecção ou diante de sinais e sintomas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para interromper a transmissão e prevenir complicações, inclusive durante a gestação”.

São Carlos registrou 417 casos de sífilis adquirida em 2025, aumento de 21,9% em relação a 2024. Em 2026, até 6 de outubro, foram contabilizados 282 registros. Entre as gestantes, foram registrados 111 casos em 2025, uma redução de aproximadamente 9% em relação aos 122 casos de 2024. Já a sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê, chegou a 22 casos em 2026, superando o total de 21 registros de todo o ano de 2025.

A Secretaria ressalta que os dados de 2026 são parciais e, por isso, não devem ser comparados diretamente com os números de anos completos.

SÃO CARLOS/SP - A UFSCar publicou o Edital ProGrad nº 005, de 16 de outubro de 2026, que regulamenta o processo seletivo para ingresso de pessoas travestis, transexuais, transgêneras e/ou não-binárias nos cursos de graduação presenciais da Instituição em 2027. As inscrições serão realizadas de 24 de outubro a 8 de novembro de 2026, por meio da Plataforma SAGUI.

A seleção prevê uma vaga em cada curso de graduação presencial oferecido pela UFSCar nos campi de São Carlos, Araras, Sorocaba, Lagoa do Sino e Rio Preto. O ingresso será realizado com base nos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Para participar, é necessário ter concluído o Ensino Médio e apresentar a autodeclaração de identidade trans - travesti, transexual, transgênero ou não-binária -, conforme o Anexo II do edital, acompanhada de memorial descritivo, previsto no Anexo III.

As pessoas candidatas também deverão selecionar uma das três últimas edições do Enem (2024, 2025 ou 2026) e apresentar o boletim completo de resultados do exame, de acordo com o modelo disponibilizado no Anexo IV do edital.

Inscrições e informações
As inscrições deverão ser feitas exclusivamente pela Plataforma SAGUI, entre os dias 24 de outubro e 8 de novembro. O Edital ProGrad nº 005/2026, com as regras e os documentos necessários para participação, está disponível para consulta aqui.

Informações completas sobre o processo seletivo, incluindo orientações e cronograma, podem ser acessadas na página de Ingresso de Pessoas Trans em 2027. E dúvidas sobre o edital, os procedimentos de inscrição e as etapas da seleção devem ser encaminhadas à Central de Atendimento para o Ingresso na Graduação da UFSCar.

SÃO CARLOS/SP - A UFSCar manteve a 10ª posição entre as universidades brasileiras no Ranking Universitário Folha (RUF) 2026, divulgado nesta semana. A Universidade também se destacou nos indicadores de Ensino e Pesquisa, nos quais alcançou, respectivamente, a 8ª e a 9ª colocação nacional. Em Internacionalização, a UFSCar avançou quatro posições, passando do 20º lugar, em 2025, para o 16º, em 2026.

Na avaliação das graduações, 14 dos 24 cursos da UFSCar analisados pelo RUF 2026 estão entre os 10 melhores do Brasil em suas respectivas áreas. Engenharia de Produção obteve o melhor resultado, com a 3ª posição nacional.

"A UFSCar se mantém entre as 10 melhores universidades do país porque reúne ensino reconhecido nacionalmente, pesquisa consolidada, com programas de pós-graduação com notas 6 e 7 na avaliação da Capes, e uma extensão que aproxima a Universidade da sociedade e do setor produtivo. Esse resultado é construído no dia a dia por docentes, técnico-administrativos e estudantes", afirma a Reitora da UFSCar, Ana Beatriz de Oliveira.

Para Oliveira, a classificação também reforça o compromisso social da UFSCar. "Somos uma universidade pública e gratuita, aberta a todas as pessoas. Manter esse desempenho em mais uma edição do ranking mostra que o investimento público em educação superior gera retorno para toda a sociedade".

Em sua 12ª edição, o RUF avaliou 205 universidades públicas e privadas de todo o Brasil. A classificação considera cinco indicadores: Pesquisa, Ensino, Mercado de Trabalho, Internacionalização e Inovação, que recebem diferentes pesos no cálculo da pontuação geral.

A metodologia combina dados obtidos em bases nacionais e internacionais, informações de fontes oficiais e pesquisas de opinião conduzidas pelo Datafolha. Entre os itens analisados estão a produção e o impacto da pesquisa científica, a formação acadêmica e avaliações de pesquisadores e empregadores. Em 2026, o ranking também incorporou uma nova métrica de pesquisa, que contabiliza citações de trabalhos científicos em documentos de políticas públicas.

Na classificação dos cursos, o RUF analisou 42 áreas de graduação, selecionadas com base no número de ingressantes no país, conforme o Censo da Educação Superior de 2024. Os critérios envolvem qualidade do ensino e mercado de trabalho, com indicadores como formação e regime de trabalho dos docentes, desempenho dos estudantes e avaliação de profissionais da área.

O RUF 2026 também evidencia o peso das instituições públicas no ensino superior brasileiro: as 22 primeiras colocadas do ranking geral são públicas. Entre as 50 mais bem avaliadas, 45 são públicas, sendo 37 federais. "São essas instituições que concentram a formação de mestres e doutores e a maior parte da pesquisa científica feita no país, base para o desenvolvimento de tecnologia nacional em áreas como saúde, energia, agropecuária e indústria. Esse papel é decisivo para a soberania do Brasil, ao reduzir a dependência de conhecimento produzido no exterior em setores estratégicos", finaliza a Reitora da UFSCar. Os resultados do ranking reforçam a importância do financiamento público da educação superior.

O RUF é uma iniciativa do jornal Folha de S. Paulo que busca comparar o desempenho das universidades brasileiras a partir de dados relacionados às atividades acadêmicas e à inserção profissional de seus egressos.

Mais informações sobre a metodologia e os resultados estão disponíveis no portal oficial do Ranking Universitário Folha.

SÃO CARLOS/SP - A Prefeitura de São Carlos, por meio da Fundação Educacional São Carlos (FESC), assinou convênio com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com a interveniência da Fundação de Apoio Institucional (FAI/UFSCar)), para implantar um curso pré-vestibular popular e gratuito na FESC. A iniciativa é um dos itens do programa de governo do prefeito Netto Donato e se torna realidade com a união dos esforços da Prefeitura e da experiência e credibilidade da UFSCar. Participaram do ato o prefeito, o presidente da FESC, Eduardo Cotrim, a reitora da UFSCar, professora Ana Beatriz de Oliveira, o diretor executivo da FAI, professor Targino de Araújo Filho, e o coordenador do cursinho da UFSCar, professor Marlon Peçanha, além do presidente da Câmara, Lucão Fernandes e os vereadores Edson Ferraz e Thiago de Jesus.

O polo da FESC terá 80 vagas, em duas turmas de 40 alunos, no período noturno, das 19h às 22h15, no Campus 1 da Fundação. As matrículas serão abertas ainda neste ano, e as aulas começam em 8 de março de 2027. A FESC oferece a infraestrutura, com salas de aula, sistema de informática e internet. A UFSCar fornece monitores, professores e material didático, e a FAI responde pelo gerenciamento administrativo e financeiro do projeto.

Com o novo polo, o cursinho da UFSCar passa a ter, em 2027, 220 vagas em três locais da cidade. Além da FESC, seguem em funcionamento o polo Aracy, com duas turmas de 30 alunos na Escola Estadual Marivaldo Carlos Degan, e o polo UFSCar, com duas turmas de 40 alunos no AT5 do Campus São Carlos. Hoje, o cursinho oferece 140 vagas. “A gente sabe que a demanda é grande. Com essa parceria o número  de vagas sobe para 220”, afirmou o coordenador do cursinho, Marlon Peçanha. Segundo ele, a ampliação alcança mais pessoas em condição socioeconômica desfavorável, em um curso baseado nos princípios da educação popular e emancipatória. Ele acrescentou que há ex-alunos atuando no mercado de trabalho, em cargos eletivos e até como docentes do próprio cursinho.

O Cursinho Popular Pré-Vestibular da UFSCar, o primeiro do gênero na cidade, foi criado em 1999 por iniciativa de estudantes e docentes, com o objetivo de democratizar o acesso ao Ensino Superior. A primeira coordenadora foi Ana Luiza Perdigão, e a Reitoria, por meio da então pró-reitora de graduação, Nancy de Almeida, incorporou prontamente a proposta. Nas duas primeiras décadas, o cursinho registrou cerca de mil inscrições por ano. Atualmente, a procura é de aproximadamente 500 pessoas anuais.

Para o presidente da FESC, a criação de um cursinho popular e gratuito pela Prefeitura já era uma proposta de governo desde o início da gestão. Entre as alternativas analisadas nos estudos preliminares, a Fundação optou por aproveitar a experiência da UFSCar. “É uma conquista muito grande, além de a gente estar cumprindo um plano de meta do governo municipal, cumprindo o PPA”, afirmou Eduardo Cotrim. Ele explicou que o convênio pode ser renovado anualmente, o que tornaria o cursinho permanente.

O diretor da FAI, Targino de Araújo Filho, destacou a satisfação em contribuir com o projeto, do qual participou desde a criação, em 1999, quando era pró-reitor. Ele ressaltou que a iniciativa também reflete a trajetória de colaboradores da fundação que foram alunos de cursinhos populares. “Criar oportunidades para que essas pessoas avancem é um papel da universidade e da FAI”, afirmou.

A reitora Ana Beatriz de Oliveira classificou a parceria como estratégica e lembrou que a UFSCar adota cotas sociais desde 2008. “Garante que mais pessoas, sobretudo jovens de grupos sub-representados e de comunidades em vulnerabilidade, possam se preparar para fazer o Enem e ingressar na Universidade Pública”, afirmou. Segundo ela, o cursinho também é uma oportunidade de formação para os estudantes de licenciatura, futuros professores.

Para o prefeito Netto Donato, a parceria beneficia diretamente a população. “É maravilhoso para a cidade de São Carlos. A gente está junto com a UFSCar, que é uma universidade reconhecida mundialmente. Então, a própria população vai se beneficiar com um ensino de grande qualidade para que eles possam acessar uma faculdade de ponta no nosso país”, disse. Ele destacou que o cursinho cumpre mais um ponto do plano de governo, construído com a participação da população, e agradeceu à reitora. “Se não fosse ela, se não tivesse a vontade da Universidade Federal também, nós não conseguiríamos fazer essa parceria. Esse é o grande objetivo nosso, trazer as universidades para dentro da cidade e a cidade poder estar dentro da universidade”, concluiu.

Evento apresentou cursos, formas de ingresso e apoio à permanência a estudantes de escolas de São Carlos e região

 

SÃO CARLOS/SP - A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) recebeu, nos dias 13 e 14 de outubro, mais de 4.500 estudantes do Ensino Médio, de cursinhos e do 8º e 9º anos de escolas públicas e particulares de São Carlos e região na edição 2026 do Universidade Aberta. O evento foi realizado na área de exposições da Biblioteca Comunitária (BCo), no Campus São Carlos.

A feira teve 34 estandes dedicados aos cursos presenciais do Campus São Carlos, com atendimento de docentes, graduandos, pós-graduandos e técnico-administrativos. Os campi Araras, Sorocaba, Lagoa do Sino e Rio Preto também participaram, assim como o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), parceiro da Universidade. A Coordenadoria de Ingresso na Graduação (CIG) apresentou os processos seletivos, e a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (ProACE) explicou as formas de apoio a quem ingressa, como alimentação, moradia e saúde.

"Realizamos o Universidade Aberta todos os anos para que esses jovens conheçam a UFSCar e os cursos que oferecemos. A ideia é ajudá-los a definir o caminho que vão seguir na graduação", afirma Fernando Petrilli, Secretário-Geral de Cerimonial e Eventos Institucionais (SCEI) e organizador do evento.

A programação incluiu palestras nos três auditórios da BCo e um tour de trenzinho pelo campus. Aberto a toda a comunidade, o evento contou com o apoio de prefeituras da região no transporte dos estudantes. "A Prefeitura de São Carlos disponibilizou 13 ônibus para as escolas do município, e a de Ibaté também trouxe turmas. Inclusão e acessibilidade começam por garantir que todas as escolas consigam chegar até a Universidade e que esses jovens saibam que este também é um espaço para eles", diz Petrilli. 

Para quem atuou nos estandes, o contato direto faz diferença, sobretudo entre os alunos que ainda não escolheram uma carreira. "É o meu segundo ano no evento e percebo que, para muitos estudantes, esse é o primeiro contato com áreas como a Fisioterapia. Os estandes oferecem uma experiência prática e a oportunidade de estar dentro da Universidade e conhecer de perto o que temos a oferecer", relata Mariana Palhares, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia (PPGFt) da UFSCar.

De visitante a calouro
Mateus de Freitas Branco participou da edição de 2025 e hoje cursa o primeiro ano de Engenharia de Computação na UFSCar. "Foi muito importante participar. Vim com meus pais, fiz um tour pelo departamento, que foi muito receptivo, e hoje estou no curso que escolhi. Sempre quis esse curso, sempre gostei dessa parte de computadores, de hardware, de máquinas. E está sendo bem na linha do que me apresentaram", conta.

Para ele, a participação vale tanto para quem já tem um curso em mente quanto para quem quer entender como funciona a Universidade. "É um universo muito diferente do que a gente conhece. Meu recado para quem está decidindo é estudar em uma universidade, porque é uma experiência de vida", afirma o estudante.

Acompanhe as próximas edições e oportunidades de conhecer a UFSCar em visite.ufscar.br.

LARANJAL PAULISTA/SP - Nascida em Laranjal Paulista, no interior de São Paulo, a cantora e compositora Mari Ruberti percorreu diferentes cidades e experiências artísticas antes de lançar seu primeiro álbum autoral. Da formação musical iniciada dentro de casa à passagem pelo Conservatório de Tatuí e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde cursou Cinema, a artista construiu uma trajetória marcada pelo encontro entre música, audiovisual e cultura brasileira. Essas experiências agora se refletem em “Quando Perdi o Medo de Ser Grande”, disco de estreia que reúne 14 faixas autorais e transita entre MPB, soul, samba, disco e baião.

A relação de Mari com a música começou antes mesmo de ela pensar em seguir uma carreira artística. Filha de mãe pianista e cantora lírica e de pai cantor e multi-instrumentista autodidata, cresceu em uma casa onde instrumentos, ensaios e discos faziam parte da rotina familiar. Ainda na infância, teve contato com piano, bateria, violão, baixo, guitarra e violino, até encontrar no canto seu principal meio de expressão.

A coleção de discos de vinil da família também ajudou a construir um repertório diverso. Enquanto a mãe apresentava nomes como Gal Costa e Djavan, o pai aproximava Mari da música mineira, especialmente de Milton Nascimento e do Clube da Esquina. O rock clássico e progressivo também esteve presente nessa formação, com referências como Queen, Pink Floyd e Jethro Tull.

Na adolescência, Mari aprofundou os estudos no Conservatório de Tatuí, uma das instituições de formação musical mais reconhecidas do país, onde permaneceu por aproximadamente três anos. A experiência integra uma trajetória que também passou por escolas de música, grupos musicais e apresentações em diferentes formações.

Em 2018, aos 22 anos, passou a integrar como vocalista a Rock História, banda de rock clássico e metal com mais de três décadas de trajetória. A experiência nos palcos ampliou seu repertório como intérprete, enquanto o interesse pela composição começava a ganhar espaço.

De São Carlos à construção de uma identidade artística

Antes de se estabelecer na capital paulista, Mari também encontrou no audiovisual outra possibilidade de expressão. Cursou Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), formação que a aproximou da produção audiovisual e de diferentes iniciativas culturais na cidade.

Durante esse período, participou de experiências ligadas à produção cultural e desenvolveu uma relação mais próxima com projetos coletivos, ampliando o olhar sobre os processos de criação artística. A convivência com diferentes linguagens contribuiu para uma formação que ultrapassou os limites da interpretação musical.

Depois da graduação e da mudança para São Paulo, a artista decidiu dedicar mais espaço às próprias composições. Poesias, textos e harmonias desenvolvidos ao longo dos anos passaram a integrar um projeto musical que começou a ganhar forma em parceria com o produtor Cauê Dok, com quem trabalha desde 2023.

O resultado é “Quando Perdi o Medo de Ser Grande”, álbum que apresenta sua estreia como compositora em disco e reúne experiências relacionadas à mudança de cidade, aos vínculos familiares, às relações afetivas e ao reencontro com a umbanda e sua ancestralidade.

“Eu quis que esse disco fosse uma fotografia desse momento da minha vida. Tem a menina que saiu do interior, as relações que vivi, as coisas que precisei elaborar sobre a minha família e também o reencontro com a minha ancestralidade. Acho que, quando comecei a escrever essas músicas, também comecei a entender melhor quem eu queria ser como artista”, afirma Mari Ruberti.

 

Um disco construído entre diferentes referências musicais

Com todas as letras e composições assinadas por Mari, o álbum foi produzido por Cauê Dok, no Dok Estúdio, e reúne músicos com trabalhos reconhecidos na música brasileira.

Entre os participantes estão Serginho Carvalho, baixista que já gravou com Djavan, Rita Lee, Zeca Baleiro e Zélia Duncan; Paulo Braga, pianista que trabalhou com Milton Nascimento e Arrigo Barnabé e participou da formação do curso de MPB-Jazz do Conservatório de Tatuí; e Cláudio Faria, trompetista com trabalhos ao lado de Elis Regina, Lenine e Marcelo D2.

O projeto também conta com participações de Jota Erre, Dominique Vieira, Guegué Medeiros, Pablo Moura, Ubaldo Versolato e Marcelo Freitas, entre outros instrumentistas.

Com 14 faixas, incluindo um interlúdio e dois remixes, o repertório reúne músicas como “Alma Adentro”, “Pétalas na Chuva”, “Peito Ventania”, “Dona Micol”, “Aluguel” e “Encaixou”.

A mistura de gêneros reflete a formação musical da cantora e evidencia a diversidade de referências acumuladas ao longo de sua trajetória. Para Mari, o álbum representa uma nova etapa, marcada pela decisão de colocar as próprias composições no centro do trabalho artístico.

Do interior para novos públicos

Embora esteja atualmente estabelecida em São Paulo, Mari Ruberti mantém na trajetória as experiências vividas em Laranjal Paulista, Tatuí e São Carlos. A passagem por essas cidades constitui parte importante de sua identidade musical e do caminho percorrido até a estreia autoral.

Com o álbum disponível nas plataformas digitais, a artista trabalha na ampliação da circulação de seu repertório e prepara novos materiais para apresentar as composições em formato ao vivo.

Universidade Aberta reúne atividades nesta terça e quarta-feira, em São Carlos, com informações sobre profissões, ingresso no ensino superior e assistência estudantil

 

SÃO CARLOS/SP - Estudantes e moradores de São Carlos e região têm a oportunidade de conhecer de perto a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) a partir desta terça-feira (13), quando começa a edição 2026 do Universidade Aberta. O evento será realizado também na quarta-feira (14), das 9h às 17h, na área de exposições da Biblioteca Comunitária, no campus da instituição.

A proposta é apresentar o cotidiano universitário a quem está se preparando para escolher uma carreira ou pretende ingressar no ensino superior. A programação contempla especialmente alunos do Ensino Médio, de cursinhos e dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, de escolas públicas e privadas.

Nos estandes, os visitantes terão contato com representantes dos cursos presenciais de graduação do Campus São Carlos. Docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos poderão explicar as características das formações, as áreas de atuação e as experiências oferecidas pela vida acadêmica.

O evento também reunirá representantes dos demais campi da UFSCar e do Instituto Federal de São Paulo. A Coordenadoria de Ingresso na Graduação terá um espaço para orientar o público sobre as formas de acesso à Universidade.

A programação inclui ainda informações sobre permanência estudantil. A Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis apresentará iniciativas de apoio aos alunos, como bolsas, auxílios financeiros e moradia destinada a estudantes de baixa renda.

Atividades vão além da apresentação dos cursos

Palestras e apresentações serão realizadas em três auditórios durante o evento. Outra opção para os participantes será um passeio de trenzinho pelo campus, que permitirá conhecer alguns dos espaços da Universidade.

O cadastro antecipado de escolas já foi encerrado, mas isso não impede a participação de outros interessados. A UFSCar informa que o evento é aberto à comunidade e que o público pode comparecer sozinho, com amigos ou familiares, sem a necessidade de participar nos dois dias.

A iniciativa busca oferecer informações que ajudem os jovens a tomar decisões sobre o futuro acadêmico e profissional, mostrando não apenas os cursos disponíveis, mas também a estrutura e os serviços de apoio oferecidos pela instituição.

Os horários e detalhes das atividades podem ser consultados no portal visite.ufscar.br. Dúvidas também podem ser encaminhadas ao e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores do Departamento de Química (DQ) da UFSCar buscaram alternativas naturais aos inseticidas sintéticos usados contra as formigas cortadeiras, praga que provoca perdas em diferentes culturas agrícolas. Foram investigadas duas espécies vegetais encontradas na região amazônica: a Himatanthus articulatus, conhecida popularmente como suucuba, e a Vismia guianensis, chamada de lacre ou pau-de-lacre. Das duas plantas, os pesquisadores isolaram 16 substâncias com ação sobre as formigas e sobre o fungo que elas cultivam para alimentar a colônia.

O estudo fez parte do doutorado do pesquisador Artur da Silva Cruz, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ) da Universidade, sob orientação do professor João Batista Fernandes, docente no DQ.

Entre as 16 substâncias isoladas e caracterizadas quimicamente, o grupo encontrado em H. articulatus é constituído principalmente pela classe dos iridoides, enquanto V. guianensis forneceu compostos pertencentes, sobretudo, às classes das benzofenonas e das antraquinonas, além de um antranol. Essas são classes de metabólitos produzidos naturalmente pelas plantas estudadas e que apresentaram atividade comprovada contra as formigas cortadeiras, da espécie Atta sexdens, e o seu fungo simbionte.

"Durante a pesquisa, percebemos que o extrato bruto das plantas apresentava potencial inseticida, antes mesmo do fracionamento. Isso aconteceu logo nos primeiros ensaios biológicos, principalmente com Himatanthus articulatus, que apresentou atividade tanto sobre a formiga quanto sobre o fungo", afirma Cruz. Segundo o pesquisador, a resposta observada contra o microrganismo chamou à atenção logo de início, e as fases posteriores do estudo associaram a atividade antifúngica principalmente aos iridoides lactônicos identificados no extrato da planta.

O controle dessas formigas apresenta dificuldades relacionadas à organização das colônias e à localização subterrânea dos ninhos, fatores que podem limitar a eficiência dos métodos convencionais, como o uso de inseticidas sintéticos. Nesse cenário, a busca por novas substâncias de origem natural pode ampliar as possibilidades de manejo dessas pragas.

Os cientistas desenvolveram o estudo a partir de uma rota biomonitorada para tentar descobrir quais substâncias das duas plantas estavam relacionadas às respostas biológicas observadas. 

Os testes biológicos funcionam como uma espécie de guia para o trabalho químico experimental. Dessa forma, os extratos que apresentam atividade são levados a um processo de fracionamento, etapa que serve para simplificar a amostra: a mistura é dividida em frações, por exemplo, a partir de diferentes polaridades e composições químicas. Depois, essas frações são novamente testadas, e as mais promissoras seguem para novas etapas de separação e purificação.

Ação inseticida a partir de produtos naturais
Nos bioensaios com a formiga cortadeira, os extratos das duas espécies vegetais reduziram a sobrevivência das operárias, embora em ritmos diferentes. Com Himatanthus articulatus, a mortalidade acumulada chegou a 62% após seis dias, alcançou 92% no nono dia e atingiu 100% no décimo sexto dia. Com o extrato de Vismia guianensis, metade das formigas havia morrido no nono dia, e a mortalidade chegou a 100% ao final dos 21 dias de acompanhamento. O grupo controle tratado com dieta contendo apenas metanol apresentou alta sobrevivência das formigas cortadeiras durante todo o período experimental.

O fracionamento de H. articulatus ajudou a localizar onde essa atividade estava concentrada, ou seja, qual fração apresentava compostos com maior atividade. Com a separação do extrato em frações menos complexas, algumas mantiveram e, em determinados casos, intensificaram a resposta observada nos primeiros testes. Esse resultado foi justamente o que orientou os pesquisadores a avançarem na separação das misturas até chegar aos compostos isolados.

Os resultados obtidos com as frações de H. articulatus mostraram que a atividade biológica apresentada pelas frações foi capaz de reduzir a sobrevivência das formigas cortadeiras ao longo dos bioensaios. Além disso, os compostos químicos das frações observadas, também interferiram no crescimento do fungo simbionte associado à alimentação da colônia. A classe de compostos dos iridoides apareceram como a principal classe associada ao efeito inseticida frente as formigas cortadeiras, e com ação sobre o fungo. 

Ao todo, os cientistas isolaram e caracterizaram 16 compostos nas duas espécies investigadas. Entre os resultados que se destacam, em H. articulatus foi identificado um composto inédito, ainda sem nomenclatura definida, além de outros dois registrados pela primeira vez nessa espécie. Já em V. guianensis, oito dos compostos isolados a partir das cascas foram relatados, pela primeira vez na literatura, nessa parte da planta.

Acetilcolinesterase e possível mecanismo de ação
O estudo também buscou analisar como os compostos poderiam atuar no organismo das formigas. Um dos alvos investigados foi a acetilcolinesterase, enzima essencial ao funcionamento do sistema nervoso dos insetos. Quando sua atividade é comprometida, a transmissão dos impulsos nervosos pode ser afetada, interferindo em funções como movimentação e alimentação.

Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores utilizaram docking molecular, técnica computacional que simula como uma molécula pode se posicionar e interagir com diferentes regiões de uma proteína.

"Os compostos de Himatanthus articulatus não apresentaram uma atividade interessante frente à acetilcolinesterase e, por isso, não seguiram para o docking molecular. Já os compostos de Vismia guianensis apresentaram uma resposta potencial frente a atividades com a enzima, e então tentamos investigar um possível mecanismo de ação", explica Cruz.

Havia, porém, uma limitação: não existia uma estrutura experimental disponível da acetilcolinesterase de Atta sexdens. Sem esse "mapa tridimensional" da enzima, os pesquisadores precisaram reconstruí-lo computacionalmente. Para isso, recorreram à modelagem por homologia, uma estratégia que utiliza a sequência de aminoácidos da proteína de interesse e a estrutura já conhecida de uma proteína semelhante como referência. O modelo obtido foi então validado antes de ser utilizado nas simulações de interação com os compostos.

Os resultados indicaram que os dois compostos com melhores resultados preliminares não se ligavam diretamente à região da enzima responsável pela reação química. A interação ocorreu em outra área, conhecida como Sítio Aniônico Periférico, localizada na superfície da enzima e capaz de influenciar seu funcionamento.

A análise, no entanto, não comprova que esse seja o mecanismo responsável pela mortalidade observada nas formigas. O docking forneceu uma hipótese molecular que agora precisa ser confirmada experimentalmente e pode orientar novos testes com essas e outras substâncias. O grupo também considera alvos além da acetilcolinesterase, já que a mortalidade dos insetos pode não decorrer apenas da ação sobre essa enzima.

Como próximos passos, os pesquisadores pretendem desenvolver uma formulação nanoencapsulada que proteja o princípio ativo durante o transporte até o interior do formigueiro. Incorporada a uma isca, ela poderá ser carregada pelas próprias formigas até a região onde está o fungo simbionte e onde o composto deverá atuar. 

Essa abordagem protege as moléculas contra processos de degradação, aumenta sua estabilidade e pode promover a liberação controlada do princípio ativo, prolongando sua persistência e seu efeito residual após a aplicação.

A pesquisa recebeu financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) (Processos 12/25299-6 e 14/50918-7).

*Texto: Antonio Neto - Mestre e Doutor em Ciência, e atualmente, bolsista de Mídia Ciência em nível de Pós-Doutorado pela Fapesp.

Atividades são gratuitas e abertas ao público

 

ARARAQUARA/SP - No dia 26 de setembro, o Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlo (UFSCar) realiza o evento Entre Culturas: 20 anos da UFSCar Sorocaba, uma programação especial para celebrar seus 20 anos. Ao longo do dia, a comunidade acadêmica poderá participar de atividades culturais com músicos, DJs e intervenções de arte urbana na área de vivência e na quadra do Campus.

A atividade inclui a revitalização artística de espaços de convivência estudantil, com grafites e outras intervenções nas paredes da área de vivência e da quadra esportiva, realizadas por artistas de Sorocaba.

A iniciativa busca valorizar a produção artística local e os espaços de convivência do Campus, aproximando a comunidade universitária da arte e da cultura. A proposta também prevê a preservação de registros que fazem parte da memória estudantil desses espaços.

O evento, gratuito e aberto ao público, acontece das 10 às 20 horas. A iniciativa é uma realização do Grupo de Trabalho para as comemorações dos 20 anos do Campus Sorocaba, com a colaboração da Secretaria Geral de Arte e Cultura (SeAC) e do Diretório Estudantil de Sorocaba.

SÃO CARLOS/SP - A Cátedra Computação Inteligente Centrada no Humano (CICH), vinculada ao Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos (IEAE) da UFSCar, promove no dia 17 de setembro, quinta-feira, a palestra "Inteligência Artificial e sua relação com o design de interação", com o professor Philippe Palanque, da Universidade Toulouse III - Paul Sabatier, na França. A atividade começa às 14h, no auditório do Prédio ATLab, no Campus Sorocaba, será ministrada em inglês e exige inscrição prévia por meio de formulário eletrônico.

A palestra aborda a automação e as diretrizes para incorporá-la ao desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial sem comprometer a experiência dos usuários. A Cátedra CICH, coordenada pela professora Luciana Aparecida Martinez Zaina, do Departamento de Computação do campus Sorocaba, propõe um espaço interdisciplinar para a convergência entre Interação Humano-Computador (IHC) e Inteligência Artificial, com atenção à mitigação de vieses tecnológicos em domínios críticos, como saúde e educação.

A palestra integra uma visita mais ampla, que ocorrerá entre 14 e 18 de setembro, durante a qual Palanque conhecerá laboratórios da Universidade e participará de reuniões com a equipe da Cátedra voltadas à prospecção de projetos conjuntos de pesquisa. A atividade é voltada a estudantes, profissionais de Tecnologia da Informação e pesquisadores interessados no impacto da IA no desenvolvimento de sistemas interativos. Haverá emissão de certificado aos participantes.

Philippe Palanque
Palanque é professor de Ciência da Computação na Universidade Toulouse III - Paul Sabatier e pesquisador do Instituto de Pesquisa em Informática de Toulouse (IRIT, na sigla em francês). Especialista em Interação Humano-Computador (IHC) e em engenharia de sistemas interativos críticos, investiga métodos e ferramentas para integrar usabilidade, experiência do usuário, segurança, confiabilidade e resiliência, em trabalho desenvolvido com parceiros como a Airbus, o Eurocontrol e as agências espaciais francesa (CNES) e europeia (ESA).

Recebeu, em 2024 o IFIP Fellow Award, concedido pela Federação Internacional para o Processamento da Informação, e, em 2021, o ACM SIGCHI Lifetime Service Award, que reconhece contribuições de toda uma trajetória à comunidade internacional de IHC. Integra a CHI Academy desde 2017.

Serviço - Palestra "Inteligência Artificial e sua relação com o design de interação" · 17 de setembro de 2026, quinta-feira, às 14h · Auditório do Prédio ATLab, Campus Sorocaba · Em inglês · Inscrição prévia por meio de formulário · Certificado aos participantes.

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