Jornalista/Radialista
BRASÍLIA/DF - O presidente Jair Bolsonaro afirmou na quinta-feira (12), durante live nas redes sociais, que as Forças Armadas não vão interferir nas eleições. A declaração foi uma resposta ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, que mais cedo criticou as tentativas de se desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. 

"Eu não sei de onde ele [Fachin] está tirando esse fantasma que as Forças Armadas querem interferir na Justiça Eleitoral. Não existe interferência, ninguém quer impor nada, ninguém quer atacar as urnas, atacar a Democracia, nada disso. Ninguém está incorrendo em atos antidemocráticos. Pelo amor de Deus! A transparência das eleições, eleições limpas, transparente, é questão de segurança nacional", afirmou.
Horas antes, durante uma visita à sala do TSE onde estão sendo realizados testes de segurança nas urnas eletrônicas, o ministro Edson Fachin criticou as tentativas de se levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas.
"Quem trata de eleição são forças desarmadas e, portanto, dizem respeito à população civil, que de maneira livre e consciente escolhe seus representantes. Logo, diálogo sim, colaboração sim, mas a palavra final é da Justiça Eleitoral", disse Fachin.
As Forças Armadas compõem, desde o ano passado, a Comissão de Transparência Eleitoral (CTE), criada pelo próprio TSE, envolvendo diferentes órgãos. O objetivo foi dar ainda mais transparência ao processo eleitoral. Militares fizeram uma série de sugestões à Corte sobre o processo eleitoral, sendo que algumas acatadas e outras não foram incorporadas pela área técnica do tribunal.
"Vamos ter, dia 2 de outubro — o Brasil terá —, eleições limpas, seguras, com paz e segurança. Ninguém e nada interferirá na Justiça Eleitoral. Não admitimos qualquer circunstância que impeça o brasileiro de se manifestar", afirmou Fachin.
BUENOS AIRES – A Argentina, um dos maiores exportadores de trigo, tornou-se nesta quinta-feira o primeiro país do mundo a autorizar o plantio de trigo transgênico ao aprovar a comercialização nacional da variedade do cereal HB4 desenvolvida pela Bioceres BIOX.BA.
A empresa disse, no entanto, que a semente HB4 –que é mais tolerante à seca e resistente ao herbicida glufosinato de amônio– ainda não estará disponível no mercado.
“Vamos continuar produzindo sob o esquema de identidade preservada que temos atualmente. Não vamos comercializar as sementes por enquanto”, disse uma fonte da empresa à Reuters, sem fornecer mais detalhes.
A Argentina, onde os agricultores estão prestes a começar a semear trigo para a temporada 2022/23, foi o primeiro país a aprovar o trigo transgênico em 2020 em caráter experimental, seguido pelo Brasil em 2021, que é o maior comprador de trigo argentino e deu sinal verde para farinha de trigo transgênica.
A liberação do trigo transgênico na Argentina está gerando preocupação entre os exportadores de grãos, que temem que muitos clientes deixem de importar o cereal argentino, já que a grande maioria dos países do mundo ainda não autorizou o produto geneticamente modificado ou seus derivados.
Por Maximilian Heath / REUTERS
FINLÂNDIA - Em uma decisão histórica, o governo da Finlândia anunciou na quinta-feira (12) que vai pedir "sem demora" a entrada do país nórdico na Otan, a aliança militar de 30 membros liderada pelos Estados Unidos. A Rússia, cuja invasão da Ucrânia motivou a iniciativa, prometeu retaliação contra o vizinho.
Os finlandeses mantinham neutralidade militar desde o fim da Segunda Guerra, em um acerto tácito com a então União Soviética para evitar um novo conflito como os que os países travaram no embate global.
Eles deverão ser seguidos pela Suécia, encerrando mais de 200 anos de neutralidade do vizinho. O Parlamento em Estocolmo deverá dar seu parecer sobre o tema nesta sexta (13), mas a decisão final não é esperada. Ambos os países mudaram de opinião e buscaram o guarda-chuva militar dos EUA por temer a agressividade russa.
"A Finlândia deve se candidatar à adesão à Otan sem demora. Nós esperamos que os passos nacionais ainda necessários para tomar a decisão sejam tomados rapidamente nos próximos dias", disseram em declaração o presidente Sauli Niinistö e a primeira-ministra Sanna Marin.
O pedido deverá ser analisado pelo Parlamento local, que já tem maioria para concretizar o movimento, após a opinião pública do país virar em favor da participação.
O secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, afirmou que o processo será "rápido e suave" e que Helsinque será "muito bem-vinda". Os novos pedidos de adesão devem ser oficializados na cúpula da entidade, no fim de junho. A aliança iniciou um grande exercício com 10 mil soldados em cinco países-membros nesta quinta.
Previsivelmente, integrantes da aliança divulgaram congratulações pela medida, que mudará a arquitetura de segurança do norte da Europa, certamente um efeito colateral que Moscou não esperava quando invadiu a Ucrânia alegando, entre outras coisas, a necessidade de impedir a adesão de Kiev à mesma Otan.
Na quarta, Niinistö se encontrou com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e disse: "Se for o caso de aderirmos, bom, minha resposta [para Vladimir Putin] seria: 'você causou isso, olhe no espelho'".
O mau humor russo no episódio já havia ficado claro com ameaças anteriores de colocação de armas nucleares próximas às fronteiras finlandesas e suecas e explodiu nesta quinta nas palavras do porta-voz Dmitri Peskov. "A expansão da Otan não faz nosso continente mais estável e seguro", afirmou ele, acrescentando que a Rússia "definitivamente vê como uma ameaça à sua segurança nacional" a adesão finlandesa. "A Otan está vindo em nossa direção. Tudo vai depender de como essa expansão ocorrerá, qual infraestrutura militar será movida para as nossas fronteiras", completou.
Aceita na aliança, como será, a Finlândia será o país da Otan com a maior fronteira compartilhada com a Rússia: 1.300 km. A Ucrânia tem 2.300 km, parte deles violados por Putin no dia 24 de fevereiro, na maior ação militar na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Peskov foi cauteloso ao não repetir a ameaça direta de uma guerra, como a Rússia fez com a Ucrânia, pois sabe que a situação finlandesa é um fato consumado, que rompe dois tratados (1947 e 1992) entre Moscou e Helsinque. Mais: a Otan deverá estender alguma garantia de segurança durante o processo de adesão, embora isso não esteja claro. Uma vez no grupo, ataque a um membro significa agressão a todos.
Mas o porta-voz voltou a dizer que a Rússia "está preparada para dar a resposta mais incisiva a quem tentar entrar na operação militar na Ucrânia". O Ocidente tem apoiado Kiev com armas, dinheiro e inteligência, mas não enviou soldados. "Todos, incluindo a Rússia, querem evitar um confronto direto entre Rússia e Otan", disse uma obviedade, dado que ambos os lados têm armas nucleares.
Segundo a imprensa finlandesa, o governo local crê que os russos poderão cortar o fornecimento de gás natural para o país, embora não o tenham feito com outros Estados integrantes da aliança militar.
A neutralidade nórdica sempre teve tudo a ver com a Rússia. A Suécia era um reino expansionista e invadiu o grande vizinho no século 18, mas em 1809 decidiu se isolar após perder a Finlândia para o Império Russo. Nas duas guerras que lutou contra os russos entre 1939 e 1944, a Finlândia conseguiu evitar a anexação pelos soviéticos, mas perdeu 10% de seu território. Esse trauma levou o país a adotar uma política estrita de não alinhamento, semelhante àquela do vizinho mais de um século antes.
Na prática, contudo, a neutralidade era parcial, em especial no caso sueco. Ambos os países são membros da União Europeia desde 1994, o que lhes dá acesso a uma cláusula de defesa mútua nos padrões da Otan, embora seja pouco conhecida e ninguém saiba como seria acionada.
A Suécia, em especial, também tem uma postura militar incisiva e alinhada com o Ocidente. Com uma indústria de defesa sofisticada, produzindo boa parte das armas antitanque leves usadas contra Moscou pela Ucrânia, submarinos e caças como o Saab Gripen vendido ao Brasil, Estocolmo opera em sintonia com a aliança militar no ambiente do pós-Guerra Fria, participando de diversos exercícios conjuntos.
Nos últimos anos, aumentou seu gasto militar e acionou diversas vezes o estado de alerta devido à turbulência envolvendo a Rússia, como os protestos reprimidos na ditadura aliada do Kremlin da Belarus. Intrusões de aviões russos nas franjas de seu espaço aéreo são comuns, e duas já ocorreram depois do início da guerra, para protestos dos suecos. No país, pesquisa feita pelo jornal Aftonbladet nesta semana mostrou apoio de 61% da população à entrada na Otan, ante históricos 20%. O partido que domina a vida política local, o Social Democrata, está acabando também a revisão de sua política de neutralidade.
Depois da remilitarização da Alemanha, anunciada pelo primeiro-ministro Olaf Scholz na forma de um reforço que triplicará o orçamento de defesa do país neste ano, a entrada dos nórdicos na Otan é o maior efeito colateral da invasão russa para a segurança do continente.
Ela está sendo celebrada principalmente por Polônia e os três Estados bálticos, que se veem ameaçados pela Rússia. "A principal adição aos nossos planos de defesa é nas áreas marítima e aeroespacial. Nosso tempo de reação será reduzido", disse o chefe das Forças Armadas estonianas, Enno Mot.
O movimento deixará assim a Suíça como a fortaleza de neutralidade no continente. Antes, Genebra e Helsinque dividiam o holofote para encontros de cúpula da Rússia com países ocidentais, como na reunião entre Putin e Donald Trump em 2018, realizada na capital finlandesa, ou na do russo com Joe Biden, sediada na cidade suíça no ano passado.
IGOR GIELOW / FOLHA
ESPANHA - O Aston Villa transformou o empréstimo do meia Philippe Coutinho um acordo permanente por 20 milhões de euros (o equivalente a R$ 106,4 milhões), anunciou o Barcelona na quinta-feira (12).

O Barcelona disse que inseriu uma cláusula de venda de 50% para qualquer venda futura de Coutinho, que marcou quatro gols e deu três assistências desde que assinou inicialmente com o Villa por empréstimo em janeiro.
— Aston Villa (@AVFCOfficial) May 12, 2022
No Villa, Coutinho é comandado por Steven Gerrard, ex-capitão do Liverpool, com quem o brasileiro jogou em Anfield de 2013 a 2015.
"Esta é uma contratação brilhante para o Aston Villa. Phil é um modelo de profissional e seu impacto no grupo tem sido muito claro desde que chegou em janeiro", disse Gerrard em comunicado de Villa. "Com a maneira como ele se comporta dentro e fora do campo, ele também é um modelo valioso para nossos jogadores mais jovens, que só podem se beneficiar de sua experiência".
Coutinho foi contratado pelo Barcelona em janeiro de 2018 por aproximadamente 142 milhões de libras (R$ 887,5 milhões), mas não conseguiu se firmar no time e passou a temporada 2019-20 emprestado ao Bayern de Munique.
O Villa está em 12º no Campeonato Inglês e recebe o Crystal Palace no domingo (15).
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