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ARGENTINA - Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires, Argentina. Terça-feira, dia 6 de outubro de 2026. Cada minuto consumido no relógio do árbitro Fernando Vejar Diaz era um lembrete de que o fim estava mais próximo. Cada vez que Messi tocava na bola, era como despertar para a certeza de que aquela cena, repetida tantas vezes durante mais de duas décadas, estava entrando definitivamente para o passado.

Nas arquibancadas lotadas, os rostos ajudavam a contar a história. Havia festa, cânticos, celulares erguidos, dor e também lágrimas, como em um resumo do que foram os pouco mais de 20 anos de Messi com a camisa argentina.

Era como se cada batida do relógio fosse uma martelada a despertar os argentinos para a certeza de que o sonho acordado estava chegando ao fim.

O escritor uruguaio Eduardo Galeano definiu Diego Armando Maradona como "o mais humano dos deuses". A frase atravessou gerações porque Diego talvez tenha sido exatamente isso para a Argentina: alguém capaz de produzir algo divino com uma bola nos pés, mas que carregava todos os excessos e contradições de um homem.

Messi percorreu outro caminho.

Se Maradona foi o mais humano dos deuses, Messi foi o mortal que levou os argentinos ao paraíso nos tempos modernos.

Durante muito tempo, porém, a relação esteve longe de ser tão simples.

O menino que saiu cedo de Rosario, cresceu em Barcelona e conquistou praticamente tudo na Europa precisou passar anos ouvindo que lhe faltava justamente aquilo que parecia impossível exigir de alguém: ser Maradona. Vieram as derrotas em finais, as comparações, as críticas, uma renúncia à seleção e o retorno.

Até que Argentina e Messi finalmente se encontraram. Ou, talvez, os argentinos finalmente tenham reconhecido em Messi o sangue argentino que durante tantos anos cobraram dele.

Vieram a Copa América, a Finalíssima, as respostas atravessadas ("qué mirás, bobo?") e, principalmente, a Copa do Mundo de 2022. A imagem de Messi levantando a taça que durante tanto tempo pareceu persegui-lo mudou também a maneira como parte de seu próprio país enxergava sua história.

Ele já não precisava ser o próximo Maradona. Podia simplesmente ser Messi.

É difícil para muitos brasileiros torcer para a Argentina. Mais difícil ainda é admitir que torceu. Mas houve momentos nas Copas de 2022 e 2026 em que era difícil não abrir um sorriso de admiração com aquilo que Messi estava fazendo. É difícil admitir que, na nossa vez, o Pelé é argentino.

Mas esses momentos também ajudaram a compreender que alguns gênios, em algum momento, deixam de pertencer apenas ao lugar onde nasceram.

Ayrton Senna é um bom exemplo. É um dos maiores ídolos que o Brasil produziu e há algo semelhante nessa capacidade de atravessar fronteiras. Senna foi amado muito além do Brasil. Messi também conseguiu transformar admiração em afeto em lugares que, em teoria, deveriam enxergá-lo apenas como adversário.

Porque chega um ponto em que a camisa, a bandeira e até mesmo os nossos próprios olhos já não conseguem limitar o que estamos sentindo. Os argentinos perceberam isso talvez antes de todo mundo nesta despedida. Por isso choraram como Messi fez no gramado.

Não só pelo jogador que estava deixando a seleção. Também por tudo aquilo que partia com ele. Uma despedida assim nos obriga a perceber a passagem do nosso próprio tempo.

Durante anos, Messi esteve ali. Parecia permanente. Mas o tempo, o mesmo que corria no relógio do árbitro chileno Fernando Vejar Diaz, é implacável.

No último adeus, Messi fez o que tantas vezes pareceu transformar em rotina. Participou dos três gols da vitória por 3 a 0: serviu Otamendi, depois Nico Paz, e guardou para si o último. De pênalti, aos 25 minutos do segundo tempo, bateu no ângulo e correu para ser abraçado pelos companheiros.

O Monumental explodiu como se aquele gol pudesse, de alguma maneira, atrasar o relógio. Não podia. Foi o 126º e último de Messi pela Argentina. Até no fim, quando todos estavam ali para se despedir dele, Messi encontrou uma maneira de deixar mais uma lembrança aos argentinos.

Mas o jogo em si contra o modesto Benim pouco importa diante da trajetória e do que Messi representou para a Argentina. Foi apenas um encerramento festivo.

Se os sonhos, mesmo os mais inesquecíveis, um dia terminam, o dia 6 de outubro de 2026 será lembrado como o fim de um dos mais bonitos que os argentinos tiveram.

Um sonho que qualquer torcedor, em qualquer lugar do mundo, gostaria de ter sonhado acordado.

Mas que só os argentinos puderam viver.

 

Por Gustavo Garcia / ge

ARGENTINA - A Suprema Corte da Argentina derrubou uma decisão judicial que impedia a aplicação de um trecho do decreto do presidente Javier Milei que eliminou restrições à compra de terras rurais por estrangeiros no país.

O tribunal entendeu que o Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas de La Plata (CECIM), responsável pela ação, não tinha legitimidade para apresentar a demanda. Com isso, deixou sem efeito a decisão que havia declarado inconstitucional o artigo 154 do Decreto de Necessidade e Urgência 70/2023.

Na prática, a decisão volta a colocar em vigor o artigo do decreto que revogou a Lei 26.737, conhecida como Lei de Terras Rurais, criada para limitar a propriedade e a posse de áreas rurais por estrangeiros.

A legislação estabelecia, entre outras regras, um limite de 15% para a participação estrangeira no total de terras rurais do país, além de outras restrições relacionadas à nacionalidade dos proprietários, à extensão das áreas e à localização dos imóveis.

O CECIM, formado por veteranos da Guerra das Malvinas de 1982, argumentava que a revogação dessas limitações ameaçava a soberania argentina.

Em março de 2024, a Câmara Federal de La Plata havia acolhido a ação da entidade e declarado inconstitucional o artigo 154 do decreto de Milei. A decisão também manteve suspensa a revogação da Lei de Terras até que houvesse um pronunciamento definitivo.

O governo argentino recorreu e levou o caso à Suprema Corte.

Ao analisar a questão, os ministros Horacio Rosatti, Carlos Rosenkrantz e Ricardo Lorenzetti concluíram que a organização não demonstrou um prejuízo concreto que justificasse sua legitimidade para mover a ação. O tribunal, portanto, não decidiu o mérito da constitucionalidade da política em si, mas encerrou o processo por uma questão de legitimidade processual.

Ex-combatentes criticam decisão
Após o julgamento, o CECIM divulgou um comunicado com fortes críticas à Suprema Corte e ao governo Milei.

"O Tribunal resolveu o problema político de Milei. Acabou de colocar, neste dia 29 de setembro, a República Argentina à venda. Acabou de dizer ao mundo inteiro que, se quiserem, podem vir comprar municípios, províncias, zonas fronteiriças, rios, vales, florestas, ravinas, incluindo as Ilhas Malvinas", afirmou a entidade.

A manifestação representa a posição política do grupo de ex-combatentes e não a conclusão jurídica adotada pela Suprema Corte.

Decreto de Milei provocou série de disputas judiciais
O Decreto de Necessidade e Urgência 70/2023 foi assinado por Milei em dezembro de 2023, poucos dias depois de assumir a Presidência.

O texto promoveu uma ampla reforma em diferentes áreas da economia e do sistema jurídico argentino e provocou uma série de contestações políticas e judiciais.

Entre as mudanças estava justamente a revogação da Lei de Terras Rurais, que havia sido sancionada em 2011 para estabelecer limites à propriedade estrangeira de áreas rurais.

Governo também tentou mudar regras pelo Congresso

Paralelamente à disputa judicial, o governo Milei voltou a tentar flexibilizar as regras sobre propriedade privada e aquisição de terras por estrangeiros por meio de um projeto enviado ao Congresso em 2026.

A proposta provocou manifestações e resistência de setores da oposição, de organizações sociais e de grupos ambientalistas.

Um dos pontos mais contestados reduzia as restrições à aquisição de terras por pessoas físicas e empresas estrangeiras. Esse trecho acabou retirado pela própria base governista no Senado antes da votação.

Outro capítulo que tratava do uso de terras atingidas por incêndios também foi retirado após críticas, principalmente de organizações ambientalistas.

Com a decisão da Suprema Corte, porém, o artigo do decreto de 2023 que revogou a Lei de Terras volta a produzir efeitos, retirando, na prática, os limites que estavam suspensos por decisão da Justiça Federal de La Plata.

 

 

NOTÍCIAS AO MINUTO

ARGENTINA - Investigadores argentinos capturam roedores em florestas perto de Ushuaia para tentar achar a origem de um surto de hantavírus ligado ao cruzeiro MV Hondius.

Na terça-feira, a equipe checa 150 armadilhas de caixa montadas na noite anterior. Os cientistas usam luvas azuis e máscaras cirúrgicas, recolhem ratos mortos e os levam para um laboratório improvisado, onde vão coletar amostras de sangue.

O trabalho começou de análise começou hoje e integra uma investigação mais ampla sobre o contágio no MV Hondius. O surto matou três pessoas e deixou outras doentes.

O Instituto Malbrán diz que repetirá a rotina por mais três dias. Depois, as amostras seguem para o laboratório principal em Buenos Aires, onde os testes para hantavírus podem levar até um mês.

Martín Alfaro disse que a equipe capturou o que era esperado. O porta-voz da secretaria de saúde de Tierra del Fuego afirmou ainda que a província nunca fez esse tipo de teste e que é importante descartar transmissão local.

As autoridades de Tierra del Fuego rejeitam a hipótese inicial do governo nacional. Elas dizem que o casal holandês apontado como primeiro caso conhecido não esteve na região no período em que teria sido infectado e contestam a versão de que a cadeia de infecções começou em um lixão de Ushuaia.

O hantavírus nunca foi registrado em Ushuaia nem no arquipélago de Tierra del Fuego. Ainda assim, há uma subespécie do roedor colilargo (rato de cauda-longa) nas florestas ao redor da cidade, e os cientistas querem saber se ela pode transmitir o vírus.

As buscas ocorrem no parque nacional e nas encostas arborizadas sobre a praia principal de Ushuaia. Os casos de hantavírus aumentaram na Argentina nos últimos anos, em meio à expansão do colilargo associada às mudanças climáticas e à ocupação humana.

 

 

 por Folhapress

ARGENTINA - Um casal foi detido após causar tumulto durante um voo da Copa Airlines que saiu da Cidade do Panamá com destino a Rosário, na Argentina. Os passageiros foram denunciados por outros viajantes depois de supostamente tentarem manter relações sexuais em seus assentos durante a viagem.

O caso aconteceu no voo CM 836, que pousou na madrugada desta terça-feira no aeroporto de Rosário. Segundo informações do jornal argentino La Nacion, o homem tem 55 anos e a mulher 60. De acordo com os relatos, os dois estavam seminus no momento em que chamaram a atenção dos demais passageiros, provocando desconforto dentro da aeronave.

Ainda conforme o jornal, a tripulação decidiu registrar uma queixa por exibicionismo contra o casal. A chefe de cabine teria comunicado o episódio ao supervisor do voo após receber diversas reclamações de pessoas que acompanhavam a situação durante a viagem.

Antes mesmo do pouso, as autoridades acionaram o Ministério Público de Rosário. Seguindo o protocolo estabelecido para esse tipo de ocorrência, os dois passageiros foram encaminhados à delegacia responsável pela área do aeroporto internacional localizado no bairro de Fisherton, onde passaram pelos procedimentos legais.

Embora o código aeronáutico argentino não tenha uma proibição específica sobre relações sexuais dentro de aeronaves, a conduta pode ser interpretada como violação das normas de comportamento dos passageiros e também como interferência na autoridade do comandante responsável por manter a ordem e a segurança do voo.

Além das medidas tomadas pelas autoridades locais, a companhia aérea também pode aplicar sanções administrativas aos envolvidos. Entre as punições possíveis estão advertências internas e até mesmo a proibição de embarque em futuros voos da empresa.

O episódio relembrou outros casos parecidos registrados recentemente na Europa. Em 2025, um casal britânico teria causado problemas em um voo da EasyJet entre Londres e Alicante, na Espanha. Segundo passageiros, os dois estavam alcoolizados e chegaram a afirmar que fariam parte do “mile high club”, expressão em inglês usada para quem mantém relações sexuais durante voos.

Na ocasião, os passageiros relataram desconforto após a dupla se trancar no banheiro da aeronave. Uma comissária tentou contato, mas não obteve resposta, levando ao acionamento das autoridades do aeroporto de Alicante.

Outro episódio semelhante ocorreu em 2023, também envolvendo a EasyJet. Segundo o La Nacion, integrantes da tripulação flagraram um casal dentro do banheiro da aeronave, e os envolvidos acabaram detidos após o desembarque.

 

 

 por Notícias ao Minuto Brasil

ARGENTINA - A situação veio à tona depois que vizinhos ouviram os gritos do menino, que é autista, e acionaram a polícia. Ao chegarem ao local, os agentes também ouviram os pedidos de socorro do lado de fora e entraram imediatamente na residência.

Dentro da casa, os policiais encontraram a criança confinada na estrutura improvisada. O caso está sendo investigado como privação ilegítima de liberdade. Além de manter o menino preso, o homem teria disparado tiros para o alto naquele mesmo dia, aparentemente para intimidá‑lo. Ao ser detido, afirmou que mantinha o filho trancado por “questões de segurança”.

Quando foi resgatado, o menino apresentava sinais claros de vulnerabilidade: estava sem camisa, descalço e usando apenas uma fralda de pano, além de demonstrar forte angústia, segundo o portal Todo Notícias.

O homem, identificado pelas iniciais E.R.C., foi preso e permanece sob custódia da Unidade Funcional de Instrução nº 1 de La Plata. A criança foi entregue aos cuidados da mãe, e os serviços de proteção à infância foram acionados para garantir acompanhamento, assistência e medidas de proteção.

 

 

 por Notícias ao Minuto

ARGENTINA - Arquivos encontrados no celular de um empresário reacenderam as discussões sobre a participação do presidente argentino Javier Milei no escândalo de promoção do criptoativo $Libra.

Documentos e registros de ligações que foram divulgados após uma investigação do Ministério Público argentino sugerem um acordo de US$ 5 milhões (R$ 26,3 milhões) relacionado ao apoio de Milei a Hayden Davis, CEO da Kelsier Ventures, empresa responsável pelo lançamento da criptomoeda.

O dono do celular é o empresário Mauricio Novelli, também envolvido na divulgação do ativo digital no início do ano passado. Na ocasião, Milei divulgou o ativo em sua conta no X (ex-Twitter), apagou o post momentos depois e o valor da criptomoeda colapsou.

Um memorando no celular de Novelli detalha um suposto acordo que incluía US$ 1,5 milhão (R$ 7,9 milhões) como adiantamento, US$ 1,5 milhão em troca de uma publicação no X de Milei anunciando Davis como conselheiro e mais US$ 2 milhões (R$ 10,5 milhões) após a assinatura do contrato pessoalmente com a irmã de Milei, Karina.

Nos dias que se seguiram ao escândalo $Libra, Milei disse em entrevistas que não tinha proximidade com os empresários envolvidos e que não conhecia o criptoativo em detalhes, além de afirmar que promoveu o investimento como pessoa física e não como presidente.

Ao contrário do que o presidente argentino havia dito após o escândalo estourar, o material encontrado durante uma perícia no telefone de Novelli sugere que o apoio de Milei a $Libra estava sendo negociado.

Questionada, a Presidência da Argentina disse que Milei já forneceu explicações por meio de publicações no X. O chefe de Gabinete, Manuel Adorni, disse que o governo não falaria de "versões, notas ou análises jornalísticas".

"Nunca falamos disso. Parte do processo está sendo contestada porque é nula e sem efeito. O sistema judiciário precisa continuar investigando e terminar de esclarecer tudo o que aconteceu", disse em uma entrevista na TV no domingo (15).

Pelo documento, Novelli e Davis discutiram a implementação do token de criptomoeda a partir de um hotel de luxo enquanto Milei promovia o lançamento em suas redes sociais.

No dia 30 de janeiro de 2025, Milei fez uma publicação no X mencionando Davis, destacando a ajuda que estava recebendo sobre tecnologia blockchain e inteligência artificial.

Em 14 de fevereiro, Milei promoveu a criptomoeda em sua conta no X, afirmando que ela serviria para financiar pequenas e médias empresas argentinas. Horas depois, recuou.

Traders compraram o criptoativo a preços baixos e o venderam após o apoio do presidente, obtendo grandes lucros, enquanto a maior parte dos investidores perdeu dinheiro quando o valor caiu.

Dias depois, quando o escândalo estourou, o governo anunciou que abriria uma investigação pelo Escritório Anticorrupção sobre possíveis irregularidades, incluindo ações do próprio presidente. Em maio, no entanto, a unidade de investigação foi fechada. O Congresso argentino também criou uma comissão para investigar o tema, ainda com poucos avanços.

As anotações no celular de Novelli também sugerem que havia planos para uma nova publicação nas redes sociais de Milei, que reforçaria o apoio ao projeto.

O caso indica que as transações financeiras que sustentavam o esquema de $Libra estavam sendo planejadas há meses, com registros de encontros entre Novelli, Davis e o presidente, bem como transferências financeiras para contas vinculadas.

O escândalo continua a ser investigado na Argentina e nos Estados Unidos, enquanto os detalhes emergem.

As acusações giram em torno da fraude conhecida como "rug pull", na qual se cria uma criptomoeda e se infla o seu valor com investimentos e divulgações de peso nas redes (como a de Milei) para logo retirar todo o dinheiro, com a consequência de que milhares de investidores menores perdem seus aportes.

Sem mencionar o caso $Libra ou uma outra controvérsia, em torno das viagens da mulher de Adorni que teriam sido pagas pelos argentinos, Milei discursou por cerca de 90 minutos em Córdoba nesta segunda-feira (16), onde focou seu discurso na defesa da gestão econômica.

 

 

por Folhapress

ARGENTINA - O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina confirmou a detecção de um novo surto de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) subtipo H5 em aves de produção comercial na localidade de Ranchos, província de Buenos Aires. O diagnóstico, validado pelo Laboratório Oficial em Martínez, ocorreu após a notificação de sinais clínicos compatíveis com a doença e elevada mortandade em um estabelecimento de linhagem genética de reprodutores.

Em resposta à detecção, o organismo sanitário ativou seu plano de contingência, estabelecendo a interdição imediata da granja e a criação de uma zona de controle sanitário de 3 km, além de uma área de vigilância de 7 km para monitoramento e rastreamento epidemiológico. Agentes oficiais supervisionarão o despovoamento e o abate sanitário das aves, seguidos pela desinfecção rigorosa do local para contenção do vírus.

A nova ocorrência interrompe um período de estabilidade para o setor, considerando que a Argentina havia se autodeclarado livre da doença perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em outubro de 2025, após o encerramento de um surto anterior registrado em Los Toldos. O registro do novo caso ocorre em um momento estratégico, semanas após o anúncio de que a União Europeia autorizaria a retomada das importações de carne de aves argentina a partir de 1º de março de 2026, após o país recuperar seu status sanitário.

Em virtude do novo foco, o Senasa informará oficialmente a OMSA e suspenderá temporariamente as exportações para países com os quais mantém acordos como nação livre da enfermidade. Entretanto, o país poderá continuar comercializando com mercados que reconhecem a estratégia de zoneamento e compartimentos livres de IAAP. O consumo interno não será prejudicado, pois a gripe aviária não é transmitida pela ingestão de carne de aves ou ovos. Caso não surjam novos surtos, a Argentina poderá pleitear novamente a condição de país livre 28 dias após a conclusão das tarefas de sacrifício e limpeza.

 

 

por Estadao Conteudo

ARGENTINA - Uma água-viva gigante raramente observada foi registrada em vídeo por cientistas durante uma expedição em águas profundas na costa da Argentina. O animal pode atingir até 11 metros de comprimento e pertence à espécie Stygiomedusa gigantea.

O registro foi feito a cerca de 250 metros de profundidade por pesquisadores do Schmidt Ocean Institute, a bordo do navio de pesquisa R/V Falkor, no Atlântico Sul. Segundo comunicado divulgado pelo instituto, a expedição científica percorreu toda a extensão do litoral argentino, de Buenos Aires até áreas próximas à Terra do Fogo.

A água-viva foi avistada enquanto os cientistas analisavam a parede do cânion submarino Colorado-Rawson. Considerada uma das maiores espécies do mundo, ela possui uma campânula que pode chegar a um metro de diâmetro e braços que se estendem por vários metros, com comprimento comparável ao de um ônibus escolar.

Apesar do tamanho impressionante, a chamada medusa fantasma raramente é vista por humanos, com pouco mais de 100 avistamentos confirmados em todo o planeta. “Não esperávamos encontrar esse nível de biodiversidade no mar profundo argentino e ficamos muito entusiasmados ao ver essas áreas tão ricas em vida”, afirmou a cientista-chefe da expedição, María Emilia Bravo, da Universidade de Buenos Aires e do CONICET.

A diretora-executiva do Schmidt Ocean Institute, Jyotika Virmani, destacou que cada missão amplia o conhecimento sobre os oceanos. Segundo ela, o mar profundo concentra uma diversidade de vida comparável, ou até superior, à observada em terra firme, já que os oceanos reúnem cerca de 98% do espaço habitável do planeta.

 

 

por Notícias ao Minuto

EUA - Doze dias antes das eleições legislativas na Argentina, Javier Milei foi até a Casa Branca em busca de suporte e de uma foto de Donald Trump. O argentino garantiu a fotografia, no entanto, ouviu o americano condicionar seu apoio ao desempenho de A Liberdade Avança em 26 de outubro.

"Se Milei não ganhar, não seremos generosos com a Argentina", disse nesta terça-feira (14) o republicano aos jornalistas em frente ao colega do sul, que preferiu trocar o giro que fazia pelas províncias pela visita a Washington.

A Argentina vai às urnas no próximo dia 26, para renovar parte da Câmara e do Senado. Um teste para o pleito nacional ocorreu na província de Buenos Aires (o maior colégio eleitoral do país) em setembro, e o partido de Milei ficou 13 pontos atrás dos peronistas.

As semanas seguintes foram ruins para o governo, com perda de valor da moeda local e um estouro de um novo escândalo, que derrubou o principal candidato de Milei na província de Buenos Aires para a disputa nacional, por receber recursos de um argentino acusado de envolvimento com tráfico de drogas nos EUA. Apesar de um apelo do governo, a Justiça argentina decidiu não trocar as cédulas, e a foto de José Luis Espert vai aparecer para os eleitores.

"Vocês têm uma eleição de metade de mandato, esperamos que continuem com as reformas. Obama teve uma oportunidade na América Latina, usaremos nosso poderio econômico para fazer uma ponte até os nossos aliados", disse o secretário de Tesouro, Scott Bessent.

"É uma eleição muito importante, [Milei] fez um grande trabalho e a vitória é muito importante", disse Trump. "Avante, presidente Milei. É uma honra recebê-lo aqui e seguramente vai ganhar as eleições, nós te apoiamos completamente. Quero ver a Argentina bem-sucedida e acredito que a liderança de Milei pode fazer com que isso aconteça", disse.

O argentino respondeu que sentia honrado com a visita e por entender "a ameaça que o socialismo do século 21" representa. Ele também atribuiu a crise cambial que o país enfrentou nas últimas semanas a ataques de opositores. "Obrigado pelo que o senhor está fazendo pelo mundo livre e ao secretário Bessent, por nos ajudar a mostrar ao mundo que as ideias da liberdade funcionam."

A visita desta terça-feira ganhou dimensão de apoio eleitoral a Milei por parte de Washington. É a primeira reunião de Milei na Casa Branca (ele já havia participado de uma reunião na cidade, ainda no governo de Joe Biden) e o quarto encontro com Trump em menos de um ano.

O primeiro deles foi ainda na posse do americano, em janeiro; também se viram em fevereiro, durante o fórum de políticos de direita CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora). O mais recente foi no mês passado, com uma conversa dos dois em paralelo à Assembleia das Nações Unidas, em Nova York.

Ambos também foram ao Vaticano por ocasião da morte do papa Francisco, e o argentino viajou outras vezes aos Estados Unidos sem se encontrar com Trump. No início de abril, Milei viajou com o ministro da Economia, Luis Caputo, para a Flórida, como parte da cerimônia de premiação de uma fundação liberal. Ele iria se encontrar com o colega americano, mas Trump não apareceu.

Milei também foi a Los Angeles em setembro, onde se reuniu com empresários e autoridades de bancos, financeiras, uma empresa petroleira e outras organizações dos EUA.

Após uma agenda de viagens ao interior, na madrugada desta terça, o presidente argentino finalmente chegou a Washington. A comitiva de Milei desembarcou na Base Aérea Andrews e, em seguida, se dirigiu à Blair House, a residência oficial de hóspedes dos presidentes americanos.

O encontro com Trump buscava avançar a relação entre Argentina e Estados Unidos, envolvendo temas de comércio, investimento e ajuda financeira. Os dois países estariam próximos de finalizar um acordo sobre tarifas, que poderia beneficiar produtos argentinos no mercado americano.

No dia anterior, em uma de suas escassas entrevistas, Milei expressou otimismo em relação aos investimentos de empresas dos Estados Unidos na Argentina, afirmando que há várias propostas em andamento, mas cauteloso em relação aos resultados finais da reunião.

Ele mencionou que o governo argentino está se preparando para uma "avalanche de dólares" com esses possíveis investimentos. "Vão sair dólares até das nossas orelhas", disse o presidente a um programa de rádio.

O encontro foi mais curto do que o previsto e já tinha sido atrasado devido à viagem que Trump fez a Israel e ao Egito. A agenda inclui um almoço, fechado à imprensa. A comitiva de Milei inclui outros altos funcionários, como o ministro da Segurança e o presidente do Banco Central da Argentina.

O governo argentino tem dado poucas informações sobre os efeitos concretos do apoio americano, mas o Bessent especulou a jornalistas locais sobre possibilidade de investimentos significativos em setores estratégicos, como lítio e energia.

Na prática, o governo americano comprou pesos argentinos no mercado e sinalizou com um acordo de troca de moedas pelos bancos centrais dos dois países. A equipe econômica de Milei ficou quase uma semana nos Estados Unidos em negociações com o governo local e com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e a possibilidade de uma aliança sólida com os Estados Unidos é vista como uma forma de garantir a liquidez da Argentina, minimizando o risco de inadimplência.

O presidente argentino é o segundo líder latino-americano a se encontrar com Trump desde que ele assumiu seu segundo mandato -o outro é Nayib Bukele, de El Salvador, que esteve lá em janeiro.

Antes mesmo da viagem, Milei elogiou a liderança de Trump, chamando-o de "amigo" e dizendo que iria apoiar o americano para receber o Nobel da Paz no ano que vem, honraria que o americano já disse desejar em mais de uma ocasião.

 

 

FOLHAPRESS

EUA - Em encontro às margens da Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, fizeram uma reunião na qual o americano declarou seu apoio à reeleição do ultraliberal -o próximo pleito para o cargo máximo do Executivo no país é em 2027, mas no final de outubro os argentinos vão às urnas em importantes eleições legislativas.

"Eu queria me encontrar com o presidente da Argentina, nós dois queríamos nos encontrar, somos amigos", disse Trump na reunião. "Ele vem fazendo um trabalho fantástico, e eu vou fazer algo que não costumo fazer: eu vou apoiá-lo para presidente."

"Como vocês sabem, tem uma eleição chegando, e tenho certeza que ele vai se sair bem, mas agora, espero, isso será uma garantia disso", afirmou o presidente americano -não está claro se ele se referia ao pleito de 2027 ou ao do próximo mês, quando o governo Milei espera aumentar sua maioria no Congresso. "Acho que para concluir o trabalho, o excelente trabalho que ele vem fazendo, ele precisa de mais um mandato", disse Trump, que segurava uma versão impressa de uma publicação que fez em sua rede social, a Truth Social, em apoio a Milei.

Na publicação, divulgada também pelo presidente argentino no X, Trump escreveu que Milei é "um grande amigo, um lutador e um vencedor, e nunca vai decepcionar vocês". "O altamente respeitado presidente [Milei] se mostrou ser um líder fantástico para o grande povo da Argentina", disse o republicano.

"Ele herdou uma bagunça total, com inflação terrível causada pelo presidente de esquerda radical anterior, muito parecido com o corrupto Joe Biden, o PIOR presidente da história da nossa nação. [Milei] elevou a Argentina a um novo nível de importância e respeito!"

No vídeo publicado pela Casa Rosada, o republicano fala pela maior parte do tempo, com Milei se limitando a dizer, em inglês, "muito obrigado". Em determinado momento da reunião, Trump promete ajudar a Argentina com sua dívida externa -na segunda (22), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que fará o possível para que Buenos Aires supere a forte escalada do dólar pela qual passa o país latino-americano.

Questionado a respeito no encontro, Trump disse que a Argentina "não precisa de um plano de resgate", como se especula que a Casa Branca oferecerá à Casa Rosada. Bessent se limitou a elogiar o plano econômico de Milei -também estavam presentes a irmã do presidente, Karina, pivô de um escândalo de corrupção que abala o governo, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Milei busca ajuda dos EUA para dar fôlego às reservas do país e conseguir cumprir com o vencimento de uma parcela da dívida de US$ 4 bilhões em janeiro de 2026 e de US$ 4,5 bilhões em julho. Na segunda, escreveu no X: "Um enorme obrigado ao secretário Scott Bessent e ao presidente Donald Trump pelo apoio incondicional ao povo argentino, que há dois anos optou por reverter um século de decadência com muito esforço. Aqueles que defendem as ideias de liberdade devem trabalhar juntos para o bem-estar de nossos povos".

A última semana foi de forte turbulência no mercado, com o dólar oficial estourando o teto das bandas de flutuação pela primeira vez desde a adoção do sistema, em abril. O BCRA (Banco Central da República Argentina) teve de intervir, com a venda de US$ 1,1 bilhão em três dias.

 

 

FOLHAPRESS

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