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Redação

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 Jornalista/Radialista

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BRASÍLIA/DF - Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele, esclarece a Fundação do Câncer. Com origem nas células produtoras de melanina (melanócitos), o melanoma também pode se manifestar nas estruturas extracutâneas (extrapele), como no olho; em mucosas, como as da cavidade oral; e órgãos internos dos sistemas genital e digestório.

Esse tipo de neoplasia maligna é menos frequente, porém mais agressivo e letal porque tem maior possibilidade de provocar metástase e, com isso, se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos.

A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançado pela fundação nesse mês, foca no estudo do melanoma de pele e extracutâneo. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação destaca que conhecer este tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo.

“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, diz o boletim.

Anualmente, as edições do boletim da Fundação do Câncer mostram um retrato epidemiológico da doença no Brasil e têm o objetivo de alertar a sociedade e orientar profissionais sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao câncer.

Os dados do boletim são da plataforma info.oncollect, sistema que integra a coleta, a organização e a análise de dados relativos a registros hospitalares de oncologia.

Enfrentando o melanoma

09/09/2026 - Estudo da Fundação do Câncer destaca que melanoma nem sempre é na pele - Na foto Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo. Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação

Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo - Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação

O estudo mostra também que o enfrentamento do melanoma de pele e extrapele no Brasil requer prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e articulação entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e demais especialidades médicas, como destaca o consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff.

“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca.

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o padrão do tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos (gânglios linfáticos) envolvidos.

A partir dessas terapias, no Brasil, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões do país, representando 84,7% de todos os procedimentos registrados.

A Região Sudeste lidera a realização de cirurgias como primeiro tratamento deste tipo de câncer, com 89,6% dos casos, enquanto o Norte apresentou o menor percentual (64,4%).

Quanto ao deslocamento entre localidades para tratamento oncológico, os pesquisadores observaram que a maior parte dos pacientes realizou o tratamento na própria região de residência. Exceto no Centro-Oeste, onde foi observada a maior necessidade de deslocamento para o tratamento oncológico (20,2%). Segundo a Fundação do Câncer, esse é um sinal de “um importante gargalo de acesso à assistência especializada.”

Outros tratamentos

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) destaca que a quimioterapia é amplamente adotada no tratamento de melanomas.

Adicionalmente, em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o uso dos medicamentos da classe chamada de anti-PD-1: nivolumabe, pembrolizumabe; e mais recentemente, o tebentafuspe (específico para melanoma ocular metastático/inoperável).

Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para o tratamento do melanoma metastático, com dois agentes anti-PD1 (nivolumabe e pembrolizumabe).

O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, ressalta que a chegada dos medicamentos de ponta aumentou a taxa de resposta aos tratamentos oncológicos, elevando expressivamente a sobrevida de pacientes com melanoma avançado ou em fase metastática.

“Isso é um marco, já que a resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia. Isso é revolucionário”, comemorou.

Porém, o coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, aponta que, em relação ao tratamento do melanoma extracutâneo, as evidências para uso de imunoterapia são escassas. “Muitas sem nenhuma efetividade”, disse.

 

O Inca explica que novas tecnologias no tratamento de neoplasias costumam somar-se às terapias antigas eficazes, e não substituí-las.

“É importante levar em conta a magnitude do benefício atingido nos estudos [eficácia], o desempenho dessa tecnologia no mundo real [efetividade], a relação entre custos e benefícios [custo-efetividade, eficiência], e a capacidade de financiamento, dados os custos elevados de aquisição e implantação. Outro aspecto é a estrutura do sistema para a incorporação de tecnologias dependentes de estruturas mais complexas”, acrescentou Mendes.

O entrave do custo

Mesmo com os avanços, os especialistas apontam que o alto custo desses medicamentos continua sendo uma grande barreira para que os pacientes dependentes do SUS tenham acesso à imunoterapia em tempo hábil.

Segundo Alfredo Scaff, a superação desse gargalo financeiro passa pela possibilidade da compra centralizada dos insumos por parte do Ministério da Saúde e órgãos ligados à pasta, articulada a uma política de industrialização da saúde com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com o objetivo final de conseguir produtos com valores mais acessíveis junto ao mercado farmacêutico.

“Usando o poder de compra do SUS para poder negociar preços e ampliar a produção nacional consegue-se baixar muito o custo desses medicamentos e ter a garantia da produção nacional”, disse o consultor da Fundação do Câncer.

O coordenador de Assistência do Inca admite o alto custo dessa terapia, que, por isso, é limitada a poucos pacientes do SUS. Gélcio Mendes explicou que, atualmente, encontram-se em tramitação as modificações no marco legal (portarias) que preveem a ampliação do programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco), e um dos focos é o acesso a esses agentes.

“Com a nova política de medicamentos oncológicos, expressa pelas portarias da Assistência Farmacêutica em Oncologia [AF-Onco], espera-se dar acesso aos pacientes com melanoma metastático à imunoterapia, dentro dos parâmetros aprovados e pactuados pela Conitec, assim como de diversas outras tecnologias.”

Alfredo Scaff ressaltou que, embora a legislação represente um avanço formal, o fluxo logístico para a distribuição dos remédios de alta tecnologia até a ponta do sistema de saúde ainda está sendo discutido e remodelada pelo Ministério da Saúde.

“Todos esses mecanismos práticos de como vão se dar essa compra e o repasse aos hospitais ainda dependem de pactuação entre gestores. É esse processo que nós estamos acompanhando e que ainda está em construção”, explicou o coordenador do estudo.

O repasse efetivo desses medicamentos às unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e aos centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) permanece sob negociação intergovernamental, segundo Scaff.

Dados do estudo sobre melanoma extrapele

Estudo epidemiológico com registros hospitalares no Brasil com avaliação de 42.255 casos aponta que 92,2% eram melanomas cutâneos; 5,7%, oculares e 2,5%, de mucosa.

Entre 1990 e 2021, considerando apenas os melanomas extrapele, foram registrados 1.324 novos casos no país, sendo 523 ocorrências em homens e 801, em mulheres.

O olho foi a principal localização primária (75%) dos casos extracutâneos, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e do sistema digestório (8,2%).

Nos 993 casos analisados de melanoma ocular, 447 (45%) foram em homens e 546 (55%), em mulheres.

Diante dos números, a Fundação do Câncer alerta que, diferentemente do melanoma cutâneo, o ocular pode permanecer assintomático nas fases iniciais e passar despercebido, sendo identificado apenas em exames de rotina.

Os sintomas são inespecíficos e, por isso, podem retardar o diagnóstico. São eles: visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual. Por isso, o estudo alerta para necessidade do diagnóstico precoce.

Melanoma de pele

A exposição à radiação ultravioleta (UV) é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele. O risco varia conforme o tipo de pele, sendo maior em indivíduos de pele clara, e depende da intensidade e do padrão de exposição solar.

Embora o câncer de pele seja a neoplasia maligna mais frequente no Brasil, o melanoma de pele representa apenas 4% dos tumores malignos desse órgão. Mesmo sendo menos frequente, esse tipo de tumor apresenta maior agressividade e potencial de disseminação.

Entre 1990 a 2021, a última edição do boletim info.oncollect da Fundação do Câncer também registrou 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil, sendo mais frequentes em mulheres (15.714 ou 51,3% das ocorrências). Os dados indicam que 14,9 mil casos (48,7%) foram em pacientes homens.

No período analisado, os maiores percentuais ocorreram no tronco (22,4%), membros inferiores (19,1%) e membros superiores (13,8%). A entidade destaca que os homens apresentaram mais diagnósticos de melanoma na orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco. Já as mulheres apresentaram mais diagnósticos de melanoma na face, membros inferiores e superiores, nesta ordem.

Mortalidade

Com relação à mortalidade no Brasil, o Inca registrou, em 2023, 2.047 mortes por melanoma de pele. Entre os homens, foram registrados 1.176 óbitos (1,14 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 871 (0,8 por 100 mil mulheres).

A taxa média para o período de 2020 a 2024 foi de seis óbitos a cada 1 milhão de habitantes no Brasil, com maiores registros entre homens (oito óbitos por 1 milhão) do que entre mulheres (cinco óbitos por 1 milhão).

Por região

A análise epidemiológica dos dados sobre melanoma cutâneo revela que as regiões com menor incidência e mortalidade apresentam uma maior letalidade, como é o caso do Norte do país. A Fundação do Câncer sugere que a situação se deve ao diagnóstico tardio e a barreiras de acesso à assistência especializada.

O Sul apresentou as maiores taxas de incidência do tumor de melanoma na pele, com 44,40 casos por 1 milhão — mais que o dobro da média nacional (19,20). No Sul, o melanoma de pele ocupa a sétima posição em incidência de cânceres em mulheres e a nona em homens.

Incidência estimada

O Inca projeta para este ano 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil. São esperados 19,2 casos novos a cada 1 milhão de habitantes, sendo o maior risco entre os homens (23,8 casos por 1 milhão) em comparação às mulheres (17,3 casos por 1 milhão).

Os números integram as últimas estimativas do instituto referentes ao triênio 2026/2028. Essas estimativas orientam o planejamento de políticas públicas e ações no SUS para o setor.

O estudo completo da Fundação do Câncer pode ser consultado neste link.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

Concessionária participará de iniciativas com prefeituras, empresas e

Polícia Militar Rodoviária para reforçar a segurança viária nas cidades da região

 

           SÃO CARLOS/SP - Como parte das atividades que integram a programação da Semana Nacional do Trânsito 2026, realizada entre os dias 18 e 25 de setembro, e com foco na prevenção de acidentes e na preservação de vidas, a Ecovias Noroeste Paulista participará de ações promovidas por prefeituras, empresas e instituições parceiras, além de desenvolver iniciativas próprias de educação para o trânsito em conjunto com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv).

            A mobilização reforça o trabalho que é feito pela concessionária ao longo de todo o ano, com ações educativas realizadas nos 600 quilômetros de rodovias sob concessão, e retoma a companha realizada no Maio Amarelo deste ano.

            Com o tema “Conversas Interrompidas”, a campanha chama a atenção para os riscos do uso do celular ao volante e para as consequências que uma distração pode provocar, interrompendo histórias, planos e conexões. A proposta é reforçar uma mensagem central: a segurança no trânsito depende das escolhas e da responsabilidade de cada usuário.

            Na região, as iniciativas acontecerão nas cidades de São Carlos, Ibaté, Araraquara e Matão. A programação, que acontecerá durante todo o mês, com destaque para a semana 18 e 25 de setembro, contempla ações específicas para pedestres, ciclistas, caminhoneiros e motociclistas, motoristas em geral. Confira:

 

AÇÕES EM SÃO CARLOS, IBATÉ, ARARAQUARA E MATÃO

 

18 de setembro de 2026 (sexta-feira) - “Vá Seguro, Caminhoneiro”.

§     Horário: Das 22 a 0 hora.

§     Local: Base da PMRv - Rodovia Washington Luís (SP-310), quilômetro 233, pista sul (sentido interior-capital), em São Carlos.

 

Descrição: Ação educativa voltada a motoristas de caminhões e ônibus, com orientações sobre direção segura, prevenção de acidentes, combate à sonolência e importância do descanso antes e durante viagens longas. Haverá distribuição de materiais educativos e kits-lanche, além de aferição de pressão arterial e orientações de saúde pela equipe médica da concessionária. Também serão reforçadas orientações sobre manutenção preventiva dos veículos, respeito aos limites de velocidade, uso do cinto de segurança, proibição do uso do celular ao volante e cuidados com a saúde física e mental.

 

22 de setembro de 2026 (terça-feira) - “Vá Seguro, Pedestre/Ciclista”.

§     Horário: Das 7 às 9 horas.

§     Local: Passarela da Rodovia Washington Luís (SP-310), quilômetro 249, em Ibaté.

 

Descrição: Atividade educativa de conscientização para travessia segura de pedestres e ciclistas usando a passarela. Profissionais da concessionária abordarão os usuários para reforçar a importância de utilizar a estrutura e jamais atravessar a rodovia ou usar o acostamento. Haverá panfletagem orientativa, entrega de kits-lanche e distribuição de coletes refletivos em formato “X” para ciclistas.

 

23 de setembro de 2026 (quarta-feira) - “Vá Seguro, Motociclista”.

§     Horário: Das 7 às 9 horas.

§     Local: Base da PMRv - Rodovia Washington Luís (SP-310), quilômetro 233, pista sul (sentido interior-capital), em São Carlos.

 

Descrição: Ação educativa voltada à segurança dos motociclistas, com orientações sobre pilotagem segura, uso correto dos equipamentos de proteção e manutenção preventiva das motocicletas. Haverá distribuição de kits-lanche e instalação gratuita de antenas corta-pipas nas motocicletas atendidas. O equipamento auxilia na prevenção de acidentes provocados por linhas com cerol ou chilena, que representam riscos graves para motociclistas.

 

23 de setembro de 2026 (quarta-feira) - “Vá Seguro, Motorista” - Parceria com a empresa Citrosuco Matão.

§     Horário: das 10 às 13 horas.

§     Local: Simulador de Impacto - Rua João Pessoa, 305, Centro, Matão.

 

24 de setembro de 2026 (quinta-feira) - “Vá Seguro, Motorista” - Parceria com a Prefeitura de São Carlos.

§     Horário: Das 8 às 11 horas.

§     Local: Simulador de Impacto - Praça do Mercadão - Rua Jesuíno de Arruda, 2.020, Centro, São Carlos.

 

25 de setembro de 2026 (sexta-feira) - “Vá Seguro, Motorista” - Parceria com a empresa Transportadora Camargo - Araraquara.

§     Horário: Das 13 às 16 horas.

§     Local: Simulador de Impacto - Avenida Camilo De Nucci, 2.885, Jardim dos Arcos, Araraquara.

 

Descrição: Atividade aberta ao público com o uso do simulador de impacto, equipamento que demonstra os efeitos de uma colisão em baixa velocidade. A ação busca conscientizar motoristas e passageiros sobre a importância do uso do cinto de segurança e da adoção de comportamentos responsáveis no trânsito.

SÃO CARLOS/SP - A campanha “Mechas do Bem” será realizada no dia 17 de outubro, em São Carlos, com o objetivo de arrecadar cabelos para a confecção de perucas destinadas a mulheres que estão em tratamento contra o câncer. A ação une solidariedade e beleza e terá dois pontos de atendimento na cidade.

Os cortes serão realizados das 9h às 11h, na Avenida Sallum, 1108, na Vila Prado, no salão da Igreja Santo Antônio. No período da tarde, das 14h às 16h, a ação acontece na Rua Iwagiro Toyama, 478, no Jardim Paulistano, no Instituto OMM.

Para participar da doação, o cabelo precisa ter no mínimo 10 centímetros, estar limpo e seco e pode ser natural ou tingido. Após o corte, não é necessário lavar ou secar novamente o cabelo. O atendimento será feito por ordem de chegada, com limite de senhas.

A campanha é realizada pela TrupeClowns e pelo Hospital Amaral Carvalho, com apoio de profissionais e empresas parceiras. A iniciativa busca transformar a doação de cabelos em um gesto de solidariedade e contribuir para melhorar a autoestima de mulheres que enfrentam o tratamento contra o câncer.

Busca ativa avalia cada caso e amplia as possibilidades de acesso aos serviços disponíveis na rede


ARARAQUARA/SP - A equipe do SEAS (Serviço Especializado de Abordagem Social), em seu trabalho de abordagem regular, sistemática e planejada, segue incluindo em seu cronograma os atendimentos contínuos na região da praça do Jardim do Carmo, além de realizar uma ação em dois prédios abandonados localizados no Jardim Europa. O objetivo é reforçar a atuação e a busca ativa para identificar a incidência de situações de risco pessoal e social de pessoas em situação de rua.

Na praça do Carmo, há pessoas que ali permanecem para fazer uso de álcool e outras substâncias, devido à facilidade de comercialização e oferta. De acordo com Caetano Mascia Gonçalves, chefe da divisão de Proteção Social Especial, isso faz com que fiquem na praça por vários dias. "A grande maioria delas tem família, tem casa, tem onde ser acolhida. Porém, devido ao uso dessas substâncias, elas acabam tendo o vínculo familiar rompido e se afastam do lar", afirma. Outras, no entanto, fixaram moradias improvisadas no entorno da igreja. Lá recebem alimentação doada por moradores, comerciantes e grupos voluntários, apesar da orientação da equipe do SEAS para que procurem os serviços públicos disponíveis para higiene e alimentação. Essa conduta, além de dificultar o processo de saída da rua, ainda gera outras consequências no entorno, como o acúmulo em grande quantidade de restos de alimentos e embalagens de marmitex, que acaba por não ser recolhido em sua totalidade pela zeladoria, e culmina em sujeira e mau odor, servindo de criadouro e abrigo para animais sinantrópicos e até mesmo focos do mosquito da dengue.

Muitas das pessoas dependentes de substâncias psicoativas que frequentam o local já possuem histórico de atendimento e acolhimento pela secretaria de Desenvolvimento Social, e apresentam diferentes níveis de adesão aos serviços. Também há situações de recusa às ofertas realizadas pela equipe; nestes casos, é necessário respeitar o momento e a decisão de cada pessoa. "Estas precisam de todo um amparo da Saúde, em especial da área de saúde mental, no sentido de oferecer tratamento para essas pessoas", destaca Caetano.


Prédios no Jardim Europa

Recentemente também foi realizada uma abordagem, em conjunto com a Guarda Civil Municipal, nos dois prédios abandonados localizados no bairro Jardim Europa, em área paralela à Av. Vaz Filho. O chefe de Proteção Social Especial explica que no local, de acordo com relatos de munícipes, há grande movimentação no período noturno, indicando que se trata de ponto para uso de substâncias psicoativas, e que portanto não seria um espaço utilizado como moradia improvisada da população de rua.

No dia da ação foi localizada apenas uma pessoa, que já passou por atendimentos do SEAS e que tem família na cidade. "A conversa durante a abordagem corroborou as informações fornecidas pela vizinhança em relação à concentração de pessoas no local para uso de substâncias", reitera Caetano.

As edificações são de responsabilidade da construtora, que deve iniciar nesta semana novas obras no local. Portanto, cabe à empresa utilizar recursos de segurança para evitar que outras pessoas voltem a adentrar o local, recorrendo, se necessário, as forças de segurança e medidas judiciais que contribuam para a guarda e segurança do espaço.


A atuação do SEAS

O acompanhamento realizado pelo SEAS é articulado com outras políticas públicas, especialmente com a Saúde, por meio do Consultório na Rua e do CAPS AD, e leva em consideração as diferentes necessidades apresentadas pelas pessoas acompanhadas. A atuação conjunta contribui para uma abordagem mais adequada de cada caso e possibilita maior acesso aos serviços disponíveis na rede. Especialmente no acompanhamento das situações relacionadas ao uso de substâncias psicoativas, em que o tratamento é extremamente importante para o processo de saída das ruas, respeitando as particularidades, os limites e o momento de cada pessoa.

Toda a atuação da equipe é pautada nas normativas de atendimento para as pessoas em situação de rua: Política Nacional para a População em Situação de Rua - decreto nº 7053/2009; Lei nº 14489/2022; e Resolução nº 425 de 08/10/2021, que determinam o respeito à escolha da pessoa, e não permitem o uso de força física ou mecanismos coercitivos com o objetivo de "retirar, despejar, expulsar ou debelar" qualquer pessoa que se encontre em situação de rua sem seu pleno consentimento.

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