WASHINGTON - Os déficits orçamentários anuais dos Estados Unidos devem ficar em uma média de 2 trilhões de dólares no período de 2024 a 2033, se aproximando dos níveis da era da pandemia até o final da década, disse o Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO, na sigla em inglês) nesta quarta-feira em um relatório que deve intensificar as demandas de republicanos por cortes de gastos.
A análise sóbria da agência apartidária de arbitragem do Orçamento reflete o impacto total da recente legislação de gastos, que inclui investimentos em energia limpa e semicondutores e gastos militares mais altos. O órgão pressupõe que as leis tributárias e de gastos sejam congeladas nos níveis atuais durante a próxima década.
O estudo também reflete a previsão do CBO de uma desaceleração da economia e do aumento dos custos federais com saúde, previdência social e juros.
O CBO disse que estimou um déficit orçamentário fiscal de 1,410 trilhão de dólares para 2023, um pouco acima do déficit de 1,375 trilhão de dólares no ano fiscal de 2022 encerrado em outubro, uma lacuna aumentada pelos planos de perdão de dívidas de empréstimos estudantis do presidente Joe Biden.
A agência projetou que o déficit dos EUA aumentará ainda mais, para 1,576 trilhão de dólares, ou 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, no ano fiscal de 2024, e chegará a 2,851 trilhões de dólares, ou 7,3% do PIB, até 2033.
Por David Lawder / REUTERS
VENEZUELA - A tortura de opositores ao governo de Nicolás Maduro continua em vigor como método de repressão na Venezuela, afirmou, nesta quarta-feira (15), em Washington, o Instituto Casla, que denunciou um país no qual "todos são suspeitos", incluindo autoridades.
Cinquenta e quatro pessoas foram submetidas a tortura física e/ou psicológica em 2022, segundo o instituto, que documentou 19 casos com uma ou mais vítimas ao longo do ano no relatório "A Repressão Sistemática na Sombra", apresentado na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O Instituto Casla, um centro de estudos sobre a América Latina com sede em Praga, na República Tcheca, baseia-se em depoimentos de vítimas. "Os crimes não cessaram na Venezuela, continuam de forma silenciosa diante da opinião pública internacional, que, aparentemente, acredita que Maduro mudou e agora é mais amável. Não, ele é ainda mais criminoso", acusou a diretora do Casla, Tamara Sujú.
O governo Maduro, que retomou as negociações com a oposição, conseguiu, inclusive, driblar as sanções impostas por Estados Unidos e União Europeia. "As sanções foram muito importantes, mas Maduro as burlou e continua se financiando por meio da Rússia e do Irã", afirmou Tamara. Segundo a organização Transparência Venezuela, entre 70% e 90% do ouro venezuelano sai do país ilegalmente.
Em seu sexto relatório, o Casla afirma que obteve confidencialmente o "Manual de Operações Especiais da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM)", conhecido como "A Constituição" pelos funcionários deste órgão de inteligência. Constam do texto "níveis de aprovação das principais medidas" da DGCIM, ou seja, ele "descreve como o governo distribui a responsabilidade pela perseguição, acusação e prisão de suas vítimas" segundo "a importância" das pessoas.
O primeiro nível corresponde ao presidente Nicolás Maduro, que se encarregaria "dos casos em que as relações internacionais possam ser comprometidas" e de "qualquer medida" aplicável a generais e almirantes, estrangeiros com imunidade diplomática, funcionários do alto escalão do governo em nível nacional e da direção do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), partidos opositores, governadores, prefeitos e deputados, bem como seus familiares, detalha o relatório.
- Cadeia de comando -
"Maduro ordenou ou aprovou" ações contra essas pessoas "conhecendo pessoalmente os horrores a que cada uma foi submetida, premiando com promoções, cargos administrativos, permissividade no enriquecimento ilícito e impunidade os seus mais fiéis executores de ordens e diretrizes", acrescenta o texto. Os quatro níveis restantes dependem da estrutura interna da DGCIM.
O Instituto Casla, que afirma ter obtido o manual de funcionários de inteligência, considera o mesmo essencial, uma vez que estabelece "a cadeia de comando ou dos crimes contra a humanidade cometidos por esse órgão da inteligência", o que é fundamental perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), uma vez que o governo nega esse planejamento e essa sistematização.
O instituto afirma que "o fator ideológico persiste" na redação do manual. "Todos são suspeitos! A influência do manual cubano [...] a formação de oficiais e funcionários com os conhecimentos e técnicas da inteligência cubana para o controle social permitiu que a sociedade civil venezuelana, em seu conjunto, fosse alvo de espionagem", destaca.
MANAUS/AM - Sikera Júnior, de 56 anos, está internado no Hospital Santa Júlia, em Manaus, desde o último domingo (12) para tratar de uma otite bacteriana severa. A informação foi confirmada pela mulher do apresentador durante a edição do Alerta Nacional, na RedeTV!, nesta quarta-feira (15). O jornalista possui histórico de polêmicas na televisão.
"Sikera está com otite severa bacteriana. Como ele não é fácil, uma pessoa quieta, acharam por bem sedarem ele para a medicação fazer mais efeito e ele não querer fugir do hospital. Aí preciso pedir para não acreditarem nas maldades que dizem e, logo, logo, ele vai estar aqui para falar com vocês", explicou Laura Peixoto.
Conforme a nota publicada pelo jornal "A Crítica", o Hospital Santa Júlia informou que Sikera Júnior está na UTI geral da unidade, e seu quadro é estável.
Suspeita de meningite bacteriana
Mais cedo, um radialista de Manaus havia dito que o motivo da internação de Sikêra Jr. seria uma meningite. Laura Peixoto deu outro parecer sobre a situação.
"Decidi abrir esse vídeo para tentar passar pra vocês o que tá acontecendo. A gente viajou e, quando voltamos, por causa da descida do avião, ele ficou com essa dor de ouvido. Passou um tempo e ele achou que iria melhorar, mas não melhorou", disse nas redes sociais.
Laura também agradeceu o apoio que o marido tem recebido: "Quero agradecer a todas mensagens lindas, uma mais linda do que a outra. Em breve, quem vai estar conversando com vocês aqui é ele. Muito obrigada e continuem em oração".
por Patrícia Dias / PUREPEOPLE
ITIRAPINA/SP - Nesta semana, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura iniciou a entrega dos kits de uniformes escolares para todos os alunos. Pelo segundo ano consecutivo, os alunos da rede municipal receberão camisetas de manga curta (2 unidades), 2 bermudas, uma camiseta manga longa e um agasalho completo (calça e jaqueta).
De acordo com a prefeita Maria da Graça Zucchi Moraes, trata-se de um compromisso com a população. "Essa entrega gratuita de uniformes sempre será feita no início do ano. É um investimento da Prefeitura que permite a identificação dos alunos, independente de sua condição financeira, oferecendo mais segurança para todos".
Segundo a Secretária de Educação e Cultura Valéria Feltrin Sanches, a meta é promover uma verdadeira revolução no ensino de Itirapina. "Além dos kits de uniformes, nós entregamos tapetes pedagógicos gigantes para as escolas e carrinhos de bebês para as creches. Também oferecemos capacitação para os professores antes do início das aulas e estamos executando a ampliação de várias escolas. Estamos nos empenhando ao máximo para oferecer um ensino de qualidade para todos os alunos".
PMI
TAMBAÚ/SP - Entrou em vigência no dia 9 de fevereiro o Decreto nº 3.799 que institui o Selo de Qualidade Turística em nossa cidade.
Pela primeira vez Tambaú contará com este instrumento que busca aumentar a competitividade de empreendimentos ligados ao setor turístico e que, consequentemente, melhora serviços prestados aos munícipes e turistas, além de garantir a estes empreendimentos que estiverem aptos e certificados o direito de receberem incentivos e participação em programas municipais.
O Certificado abrange as seguintes categorias:
Cada categoria requer uma exigência específica e critérios os quais deverão preencher. Para saber se o seu segmento atende se enquadra no Programa e atende aos requisitos, acesse o decreto disponível no site da Prefeitura Municipal pelo link: https://www.tambau.sp.gov.br/.../Decreto-selo-3799-23.pdf
Mais um passo rumo ao desenvolvimento turístico sustentável, inclusivo e que busca o melhor para nossa gente e nossos visitantes. Mais um avanço em busca do título de Estância Turística.
Seja parte da mudança!
Mais informações ligue: (19) 3673.9506
PMT
Operação terá início na sexta e seguirá até quarta-feira, ao meio-dia, com reforço de efetivo em todos os serviços
RIO CLARO/SP - Aqueles que pretendem viajar durante o feriado de Carnaval devem se preparar para enfrentar estradas bastante movimentadas. De acordo com estimativa da Eixo SP, cerca de 1,3 milhão de veículos devem circular pelas 12 rodovias administradas pela Concessionária entre sexta-feira (17) e Quarta-feira de Cinzas (22), ao meio-dia. Esse volume representa um acréscimo de aproximadamente 20% na movimentação de veículos em comparação aos dias normais.
A Operação Carnaval terá início à 0h de sexta-feira e será encerrada às 12h de quarta. Segundo previsão fornecida pela Concessionária, os horários de maior movimentação nas estradas deverão ser das 16h às 19h na sexta-feira e das 7h às 12h no sábado. No retorno do feriado, o pico de tráfego deverá ocorrer na terça-feira, entre 14h e 19h. Portanto, os motoristas que puderem, devem evitar sair nesses horários. Independentemente do período da viagem, a Eixo SP recomenda muita cautela e atenção redobrada durante todo o trajeto.
Em razão do aumento de veículos nas rodovias, a Concessionária colocará todo seu efetivo à serviço dos usuários. Informações sobre as condições de tráfego serão exibidas nos painéis eletrônicos instalados ao longo dos 1.221 quilômetros de rodovias sob concessão. Caso seja necessário, o usuário poderá acionar o serviço de atendimento pelo telefone 0800 170 8998 ou via Wi-Fi pela Rede Eixo SP. Também pode solicitar apoio por meio dos terminais de autoatendimento em uma das 32 bases operacionais SAUs ao longo do trecho.
A Eixo SP mantém à disposição de seus usuários, 24 horas por dia, serviços como ambulância, veículos de supervisão e apoio, inspeção de tráfego, guinchos leve e pesado, entre outros recursos. Além disso, o Centro de Controle de Operações (CCO) realiza o monitoramento por meio de câmeras (CFTV) dia e noite em todo o trecho para auxiliar no atendimento, que conta com apoio do Policiamento Rodoviário.
Durante o feriado, obras de melhorias que causam interferência no tráfego serão suspensas em todo o trecho administrado pela Concessionária. A execução de serviços nesse período terá programação restrita e os trabalhos serão realizados apenas em casos emergenciais e nas datas e horários em que o fluxo de veículos esteja com situação normalizada. Também não haverá fechamento de acessos nos dias de Carnaval.
IBATÉ/SP - A Prefeitura de Ibaté, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) “João Trevizan”, realiza, neste sábado (18), das 9h às 14h, a feira de adoção responsável de cães e gatos adultos e filhotes, na "Horta Municipal", localizada na rua José Donatoni, 656, Jardim Mariana, onde as pessoas poderão conhecer os animais e adotá-los.
A ação tem como finalidade a adoção e posse responsável dos animais. Para adotar é necessário ser maior de 18 anos, preencher um termo de responsabilidade no local, além de apresentar comprovante de residência, RG e o CPF.
Serão colocados para adoção 50 animaizinhos. "Estão disponíveis 39 cães e 13 gatos, entre filhotes e adultos. Esses animais são seres precisam de amor, companhia, de famílias amorosas e responsáveis. Eles foram abandonados ou vítimas de maus tratos" contou a médica veterinária, Dra. Claudia Boschilia, responsável pelo Centro de Zoonoses.
No momento, esses pets estão sob a proteção do município, saudáveis, vermifugados, castrados, e aqueles que ainda não tem idade para castração, é feito o agendamento no ato da adoção. “Essa é a oportunidade para que esses cães e gatos tenham uma nova família e possam se sentir seguros e amados. Além disso, toda a sociedade se beneficia, pois, sob a tutela de alguém, eles estarão sempre saudáveis e não oferecem risco de transmissão de doenças. Para quem vai adotar é garantia de amor e alegria sempre”, apontou Cláudia.
O Centro de Controle de Zoonoses atende de segunda a sexta-feira, com exceção de quarta-feira e aos finais de semana. Mais informações também podem ser obtidas pelo telefone (16) 3343-7031.
Para este ano, tendência é que setor se mantenha aquecido nos dois primeiros meses e retome com mais força a partir de março
SÃO PAULO/SP - Na capital paulista, o turismo encerrou 2022 em alta, com crescimento de 48,4%, na comparação com o ano anterior. O faturamento do setor aumentou 92,1% no período: de R$ 28.558.507, em dezembro de 2021, para R$ 54.867.559, no último mês do ano passado.
Os dados são do Índice Mensal de Atividade do Turismo (IMAT), indicador do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com o Observatório de Turismo e Eventos, da SPTuris.
Para 2023, a tendência é que o turismo se mantenha aquecido nos dois primeiros meses do ano, retomando de maneira mais forte a partir de março, com a volta integral dos eventos de negócios. Este cenário que deve movimentar a cadeia do setor da cidade e estimular a geração de mais empregos.
Em dezembro, o crescimento do setor foi de 22,2%, na comparação anual. O período foi marcado pela alta temporada do turismo de lazer e, também, de um momento residual no qual as empresas ainda realizam eventos e reuniões na cidade. Esta combinação de fatores proporcionou aumento de 26,7% no faturamento no mês, em relação a novembro.
Na ocasião, também foi registrado crescimento de 21,1% na movimentação nos principais terminais rodoviários paulistanos – 40.917 passageiros por dia, ante 33.793 no 11º mês do ano. Em dezembro de 2021, a média diária registrada foi de 35.865 pessoas.
Além da demanda natural, a conjuntura pode ser justificada pelo fato de que famílias do interior estão buscando destinos de curta distância, como a capital, para viajar. Desta forma, evitam preços elevados das passagens aéreas – tendência que se consolidou no ano passado e deve continuar em 2023.
Apesar da variação modesta (0,8%) em dezembro, o estoque de emprego em cargos relacionados ao turismo segue em expansão, com 417.384 trabalhadores formais na área. O índice mostra a solidez da retomada do setor na capital, com demanda nos mais diversos campos de atuação.
Em relação aos terminais aéreos, houve queda na circulação média diária (-0,4%) em comparação a novembro. No entanto, o patamar de dezembro, de 161,6 mil passageiros por dia, está 10% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
Por fim, a taxa de ocupação hoteleira ficou em 54,7%, índice abaixo do nível de novembro de 2022 e de dezembro de 2021, quando foram registradas taxas de 71,9% e 58,9%, respectivamente. De forma sazonal, o período entre janeiro e fevereiro são mais fracos quanto aos demais meses do ano.
De acordo com a FecomercioSP, a cidade de São Paulo tem tradição em se manter como uma potência no turismo de negócios. No entanto, a cada ano, o lazer encontra espaço para crescer em períodos habitualmente menos demandados.
De acordo com Guilherme Dietze, assessor técnico do Conselho de Turismo da Entidade, dezembro trouxe resultados que coroam o trabalho realizado por todo o setor, após dois anos muito difíceis. “Além de recuperar a demanda dos eventos de negócios, que sempre caracterizaram a capital, os produtos e serviços ligados a lazer, entretenimento, compras e gastronomia se consolidaram e podem ser definidores da posição de São Paulo como um dos principais destinos de turismo no Brasil”, afirma.
Nota metodológica
O indicador é composto por cinco variáveis que têm os mesmos pesos para a criação do índice. São analisadas as movimentações de passageiros dos aeroportos de Congonhas (Infraero) e Guarulhos (GRU Airport), assim como dos passageiros das rodoviárias (Socicam), a taxa média de ocupação hoteleira na cidade (FOHB), o faturamento do setor do turismo na capital (FecomercioSP/SMF-SP) e o estoque de emprego nas atividades exclusivas do turismo (Caged). O índice tem sua base no número 100, usada como referência de comparação em janeiro de 2020. Ele pode sofrer mudanças mensais em decorrência dos dados que compõem o cálculo, com a saída de projeções e a entrada de números consolidados na série.
BRASÍLIA/DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (15) que o novo Bolsa Família será anunciado na semana que vem. Com ele, o governo deve retomar as contrapartidas das famílias beneficiárias, como a manutenção da frequência escolar das crianças e a atualização da caderneta de vacinação.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, o programa foi substituído pelo Auxílio Brasil, que não exigia as contrapartidas. O novo Bolsa Família também deve ter o foco na atualização do Cadastro Único e integração com o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com a busca ativa para incluir quem está fora do programa e a revisão de benefícios com indícios de irregularidades.
“Semana que vem vamos anunciar o novo Bolsa Família de R$ 600 e mais R$ 150 por criança até 6 anos de idade, para que a gente possa, na infância, em que a criança mais precisa estar nutrida, garantir que a mãe possa comprar alimentos para essas crianças”, disse Lula em Maruim, Sergipe, onde visitou obras de duplicação da BR-101.
Os novos valores foram garantidos com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, que estabeleceu que o novo governo terá R$ 145 bilhões para além do teto de gastos, dos quais R$ 70 bilhões serão para custear o benefício social.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, já havia antecipado que o governo trabalha na edição de uma medida provisória (MP) que vai estabelecer as diretrizes do novo Bolsa Família. Uma MP tem força de lei, ou seja, efeito imediato, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para manter a validade. Os parlamentares também podem apresentar propostas de mudança no texto.
Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
BRASÍLIA/DF - O novo ensino médio começou a ser implementado nas escolas brasileiras, públicas e privadas, no ano passado. Entretanto, pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) sobre as mudanças que estão sendo realizadas aponta que 55% da população estão pouco ou nada informados sobre o modelo e apenas 15% estão informados ou muito informados.

Para o professor da Faculdade de Educação e coordenador do grupo de pesquisa Observatório Jovem do Rio de Janeiro da Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo Carrano, o resultado não é estranho porque, de fato, essa política pública foi feita “na improvisação”, sem o diálogo necessário com a sociedade, em especial com a comunidade escolar de base, alunos, professores e gestores.
“Estamos diante do desafio de uma formação cidadã, que incorpore também a formação de valores democráticos, não apenas de acesso ao conhecimento. E isso tem que ser feito com muito diálogo”, disse, em entrevista à Agência Brasil.
O novo ensino médio foi aprovado por lei em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer, com o objetivo de tornar a etapa mais atrativa e evitar que os estudantes abandonem os estudos.
“Tivemos um vácuo de democracia, de institucionalidade federal anterior, e agora estamos com oportunidade de retomar o caminho. A expectativa que eu tenho é que se possa abrir, daqui pra frente, um amplo processo de conversação. Temos um déficit de escuta dos estudantes e eles têm muito a dizer sobre que tipo de escola eles querem.”
A implementação ocorre de forma escalonada até 2024. Em 2022, ela começou pelo 1º ano do ensino médio com a ampliação da carga horária para pelo menos cinco horas diárias. Pela lei, para que o novo modelo seja possível, as escolas devem ampliar a carga horária para 1,4 mil horas anuais, o que equivale a sete horas diárias. Isso deve ocorrer aos poucos.
Segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), mesmo em meio à pandemia de covid-19, as secretarias estaduais mantiveram o cronograma e todos os estados já estão com os referenciais curriculares do novo ensino médio homologados.
Entretanto, segundo Carrano, há um descompasso entre ideias e condições objetivas de realização. Ele explica que a implementação ocorre com professores insatisfeitos pela desorganização que a reforma promoveu no cotidiano escolar, diante da falta de estrutura e laboratórios necessários nas escolas públicas para oferecer a pluralidade que a reforma do ensino médio promete.
“É uma proposta que poderia ser melhor aproveitada se tivesse sido precedida por reformas estruturais nas escolas, onde professores tivessem mais tempo e dedicação exclusiva, que é uma reivindicação antiga da categoria docente, para dar sustentação àquilo que aparece na reforma como princípio, que é a possibilidade de escolher caminhos formativos.”
Apesar da baixa informação, de pouca discussão na sociedade sobre a reforma, há uma ampla concordância com relação aos princípios da política. De acordo com a pesquisa, quando são listadas as principais mudanças, mais de 70% dos brasileiros aprovam as principais diretrizes, incluindo a escolha dos itinerários e novo modelo de currículo.
Com o novo modelo, parte das aulas será comum a todos os estudantes do país, direcionada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na outra parte da formação, os próprios alunos poderão escolher um itinerário para aprofundar o aprendizado. Entre as opções, está dar ênfase, por exemplo, às áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ao ensino técnico. A oferta de itinerários, entretanto, vai depender da capacidade das redes de ensino e das escolas.
Em 2023, a implementação segue com o 1º e 2º anos e os itinerários devem começar a ser implementados na maior parte das escolas. Em 2024, o ciclo de implementação termina, com os três anos do ensino médio.
Entre os resultados da pesquisa, a possibilidade de o estudante fazer um curso técnico durante o ensino médio é aprovada por 9 em cada 10 pessoas. Para o diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Sesi, Rafael Lucchesi, como pouco mais de 20% de quem está no fluxo educacional vai para a universidade, essa possibilidade é muito importante.
“A reforma tem como aspecto positivo entender que o ensino médio é um período de transição, em que parte dos jovens vai a universidade e parte vai para o mercado de trabalho. Trazer a educação profissional para educação regular foi um grande avanço, porque em todos os países, a maior parte dos jovens não vai para a universidade; no Brasil, pouco mais de 20% vão para universidade. Então, não podemos ignorar a maior parte dos estudantes que estão nas escolas e a importância do ensino médio é esse impulsionamento para o seu projeto de vida e carreira a partir de suas vocações”, disse.
Entre os desafios de implementação, Lucchesi cita a formação e capacitação de professores, a comunicação com a sociedade, em especial as famílias, e a incorporação do itinerário de educação técnica profissional, que deve demandar parcerias com outras instituições.
Segundo o professor Paulo Carrano, o Brasil já tem experiências exitosas no ensino médio profissionalizante, como os centros federais de Educação Tecnológica, os institutos federais e algumas escolas estaduais bem organizadas, com infraestrutura e professores valorizados.
“As pessoas reconhecem a importância de que o ensino médio de fato seja uma educação superior em si e não um degrau para a universidade, que ele seja capaz de formar um cidadão, com valores democráticos, capaz de enfrentar os desafios de uma sociedade do conhecimento como temos hoje, que encontrem no ensino médio uma identidade técnico profissional e que ao final da educação básica possa cursar o ensino superior se assim o desejar”, disse.
Outros resultados da pesquisa apontam que 87% dos entrevistados aprovam o aluno fazer escolhas dentro do currículo que estejam relacionadas à carreira que pretende seguir; 75% aprovam a possibilidade do aluno escolher parte das disciplinas que pretende cursar; 72% aprovam novo modelo de currículo; e 69% aprovam aumento da carga horária.
Para Carrano, apesar do desconhecimento sobre o ensino médio, tal como foi redesenhando, a população está valorizando coisas que são importantes e que estão previstas em lei como missão dessa última etapa da educação básica.
“O que as pessoas estão reivindicando não é necessariamente a defesa do novo ensino médio, mas um escola pública de qualidade”, disse. “Se substituir [nas perguntas da pesquisa] ‘novo ensino médio’ por ‘escola de qualidade’, as pessoas vão dizer ‘sim, eu quero uma escola que tenha liberdade de escolha, que permita a formação técnico profissional do estudante e uma escola que ofereça as ferramentas necessárias para que os jovens aumentem seus repertórios e possam ser cidadãos completos’”, explicou.
É temeroso, entretanto, para o pesquisador, a substituição de disciplinas que são importantes “para enfrentar a complexidade do mundo do conhecimento”, como filosofia, história e sociologia, por outros arranjos de ensino relacionados ao mercado de curto prazo e a modismos.
“Um professor me reclamava que retiraram a carga horária de sociologia para colocar a formação de influencer e outros nomes que são folclóricos, que têm a ver com essa velocidade do mercado, das indústrias culturais. Ainda que a escola tenha que dialogar, ela não pode ser refém desses tempos tão velozes, ela tem ser um lugar de segurança, de tempo mais lento, de elaboração mais cuidadosa do conhecimento. Ela não deve apenas espelhar aquilo que os mercados estão demandando”, destacou.
A boa aceitação das mudanças vem acompanhada do fato de que o ensino médio é a segunda etapa escolar com pior avaliação no que diz respeito à qualidade. De acordo com a pesquisa, a alfabetização aparece em primeiro, com 20% dos entrevistados avaliando essa etapa como ruim ou péssima, seguida pelo ensino médio, com 14%. O ensino fundamental tem 13% de reprovação e as creches, 11%. Já 8% da população avaliam como ruins ou péssimos o ensino técnico e o superior.
A última etapa da formação básica deve preparar os jovens para o início da trajetória profissional. Mas, para a maioria dos brasileiros, isso não tem acontecido: 57% acreditam que os estudantes concluem a educação básica pouco ou nada preparados para o ensino superior. Só 1 em cada 10 (13%) acha que o aluno sai bem preparado.
Quando a pergunta é se o ensino médio prepara para o mercado de trabalho, o índice se repete: 57% acham que prepara pouco ou nada. Apenas 14% dos brasileiros avaliam que o estudante termina o 3º ano preparado para ingressar no mundo do trabalho.
Além da falta de atratividade, uma das dificuldades que precisa ser resolvida, segundo o professor Paulo Carrano, é a própria condição do estudante, principalmente o estudante pobre, de permanecer na escola. “É preciso pensar nas condições objetivas para que professores deem boas aulas, mas se esse estudante não conseguir estar na escola por falta de condições econômicas, de mobilidade ou de segurança, não teremos estudantes para dialogar”, argumentou.
A percepção de que o ensino médio não tem cumprido seu propósito e a avaliação positiva das principais mudanças previstas no novo modelo se desdobram em expectativas. Entre quem está muito informado ou informado sobre o novo ensino médio, 55% acreditam que o potencial para melhorar a formação do aluno é grande ou muito grande. Na população geral, esse índice é de 40%.
Outros resultados da pesquisa apontam que 83% acreditam que o novo ensino médio desenvolverá os conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para os jovens; 83% que as escolas brasileiras formarão jovens mais preparados para os desafios e demandas do atual mercado de trabalho; e 80% acham que promoverá a elevação da qualidade do ensino no país.
Para Paulo Carrano, entretanto, é preciso avaliar com cuidado e dialogar sobre as mudanças e incorporações curriculares. Para ele, um dos desafios em se largar repertórios inovadores é a adequada formação dos professores. “Embora haja professores fazendo coisas interessantes, têm outros improvisando de maneira inadequada”, disse
Ele destaca, por exemplo, o Projeto de Vida, que é um componente curricular do novo ensino médio ligado ao desenvolvimento de competências socioemocionais do estudante, para que ele construa sua própria trajetória profissional, acadêmica e pessoal com autonomia.
“Eu vejo com bons olhos, os jovens têm dito que se sentem muitos sozinhos para fazer as escolhas dos caminhos formativos e, com toda dificuldade, eles têm gostado de ter alguém conversando sobre o futuro. Mas como está sendo feito? O Projeto de Vida está sendo pensado como escuta profunda sobre as reais condições de tomada de decisões para se fazer escolhas ou está sendo feito muito mais como oficina motivacional futurista e muitas vezes tentando convencer o jovem que ele não pode sonhar mais do que ele gostaria de sonhar?”, questionou Carrano.
A pesquisa do Senai e do Sesi ouviu 2.007 brasileiros, com idade a partir de 16 anos, em abordagem domiciliar, de 8 a 12 de dezembro de 2022, nos 26 estados e no Distrito Federal. A amostra repete o perfil da população brasileira segundo renda, região e perfil da cidade (capital, região metropolitana e interior). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
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