SÃO CARLOS/SP - A Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou na última quinta-feira (20/07), uma palestra de capacitação para as equipes de enfermagem (auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem e enfermeiros) das unidades básicas de Saúde (UBS’s) e das unidades de saúde da família (USF’s).
A ação foi elaborada pela supervisora do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), Lilian Almeida Pinheiro e Ângela dos Santos, do setor de apoio à Saúde Bucal, que convidaram Fernanda Gonçalves Duvra Salomão, dentista da rede especializada e professora de odontologia da UNICEP, para ministrar a palestra que faz parte da política de educação permanente. Com o tema “Esterilização em Biossegurança”, com medidas voltadas para ações de melhorias no armazenamento de material estéril, limpeza de superfícies, controles biológicos da autoclave, controle de HIV e controle de hepatite, teve como objetivo principal uma maior proteção para evitar a contaminação e infecções em profissionais e pacientes.
Lilian Almeida Pinheiro garantiu que essa palestra também será oferecida aos auxiliares e técnicas de saúde bucal.
ARARAQUARA/SP - Na manhã desta terça-feira (25), um acidente entre um ônibus e uma moto deixou uma mulher ferida, na avenida 36, na cidade de Araraquara.
Segundo informações, a vítima que estava em sua motocicleta foi socorrida pela unidade de resgate do Corpo de Bombeiros com ferimentos nos braços para um hospital particular.
Como estava consciente, a mulher disse aos socorristas que o sol ofuscou a sua visão e ela não conseguiu enxergar o ônibus parado à sua frente.
O condutor do ônibus, um homem de 56 anos, informou que trabalha na obra da baixada da avenida 36 e que no momento havia parado o ônibus para a coleta de algumas placas quando o acidente aconteceu.
A Polícia Militar foi acionada e a via foi totalmente interditada transferindo o fluxo para avenida Bandeirantes sentido Jardim Universal/Centro.
As autoridades preservaram o local para o trabalho da perícia.
Após o registro da ocorrência, o trecho foi liberado.
BRASÍLIA/DF - A Justiça do Distrito Federal decidiu, na segunda-feira (24), arquivar a ação penal na qual o ex-presidente Jair Bolsonaro era réu por insultos contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). Na decisão, o juiz Francisco Antonio Alves de Oliveira verificou que, de acordo com a legislação penal, os crimes de calúnia e injúria imputados ao ex-presidente prescreveram.
“Tendo em vista a data do recebimento da queixa-crime, o período em que o processo permaneceu suspenso, o correspondente prazo prescricional e a pena máxima cominada no caso verifica-se a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva do Estado, uma vez que transcorridos mais de três anos sem que tenham ocorrido outras causas de interrupção e suspensão”, escreveu o magistrado.
No dia 9 de dezembro de 2014, em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, Bolsonaro disse que só não estupraria Maria do Rosário porque “ela não merecia”, em uma crítica à aparência da colega de parlamento. No dia seguinte, o então parlamentar repetiu a declaração em entrevista ao jornal Zero Hora. Posteriormente, a deputada processou Bolsonaro.
O ex-presidente passou a responder às acusações no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o processo foi suspenso após ele assumir Presidência da República, em 2019. Com o fim do mandato e do foro privilegiado, o Supremo determinou que o caso voltasse a tramitar na primeira instância da Justiça do DF.
A defesa de Bolsonaro alegou que o embate entre Maria do Rosário e Bolsonaro ocorreu dentro do Congresso e deveria ser protegido pela regra constitucional da imunidade parlamentar, que impede a imputação criminal quanto às suas declarações.
Por Agência Brasil
A ação também contou com efetivo policial dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul
PRESIDENTE PRUDENTE/SP - As polícias de São Paulo prenderam 1.186 pessoas - sendo 880 procurados -, detiveram 167 menores, apreenderam 7,9 toneladas de entorpecentes e recuperaram 609 veículos roubados e furtados no estado durante a Operação Impacto "SULMaSSP- Divisas Integradas II", que ocorreu entre os dias 20 e 23 de julho em Santos e Presidente Prudente.
Os dados foram divulgados na tarde desta segunda-feira (24) pelo secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, e pelo governador do Estado, Tarcísio de Freitas. Além das forças de segurança de São Paulo, a ação contou com efetivo policial dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
“Firmamos um acordo de cooperação para realização de operações em conjunto e troca de informações de inteligência, pois o crime hoje rompe as barreiras do país para fora e nós não tínhamos uma comunicação direta com as polícias dos outros estados”, disse o secretário Derrite, que destacou a ampliação da SULMaSSP para o Legislativo. “No segundo encontro realizado aqui em São Paulo entregamos uma carta aberta aos congressistas, elencando, inicialmente, três prioridades para os secretários, comandantes-gerais e delegados-gerais na área da segurança pública”, completou.
Ao todo, a ação colocou 17.418 policiais nas ruas nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de 7.054 viaturas empregadas, com o apoio de 11 aeronaves, 13 drones, 20 embarcações, 26 cavalos e 30 cães. Somente em São Paulo, a média diária de policiais foi de 13.708 e 5.749 viaturas. Contando os demais estados, a ação resultou na prisão de 1.563 pessoas - sendo 423 procurados -, na apreensão de 11,1 toneladas de entorpecentes e de 185 armas.
"Uma coisa interessante foi que não foi uma operação só na fronteira, mas sim de troca de informação de inteligência policial, por isso esses resultados expressivos”, destacou o governador Tarcísio de Freitas. “Esse esforço coordenado faz com a gente faça uma análise. Medidas legislativas estão sendo elaboradas e serão propostas e eu tenho certeza que daqui para frente isso vai ser pauta de todas as regiões do Consórcio dos Estados do Sul e do Sudeste”, disse ainda.
Duas toneladas de maconha apreendidas
Policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) prenderam em flagrante na sexta-feira (21), durante a Operação SULMaSSP, um homem que transportava 1,2 tonelada de maconha escondida no fundo falso do assoalho de um caminhão. A prisão aconteceu na rodovia Rodolfo Ribeiro de Castro, na cidade de Taciba, região de Presidente Prudente, próximo da divisa do Paraná.
Ainda durante a operação, a Polícia Militar Rodoviária apreendeu 1 tonelada de maconha na noite de quinta-feira (20), em Presidente Venceslau. A droga estava escondida em um caminhão que foi abordado na altura do quilômetro 616 da rodovia Raposo Tavares.
Resultado da Primeira Edição
A primeira fase da operação ocorreu em maio, logo após o primeiro encontro da SULMaSSP, realizado no final de março em Curitiba, no Paraná. Durante os trabalhos policiais nas dívidas dos cinco estados, foram apreendidas 3,3 toneladas de maconha, 92,4 quilos de cocaína, 21,5 quilos de crack e 2,1 quilos de haxixe. Além disso, 127 pessoas foram presas e seis adolescentes foram apreendidos. Também foram recuperados 184 veículos.
SULMaSSP
O encontro dos secretários da Segurança Pública é uma iniciativa que visa aproximar as forças policiais dos cinco estados para combater, de forma integrada e efetiva, o crime organizado nas áreas de divisa. No primeiro encontro, ocorrido no mês de março em Curitiba, no Paraná, foi elaborado um panorama geral sobre os principais crimes nas fronteiras e criadas as diretrizes de atuação conjunta.
Já no segundo, realizado em São Paulo, foram apresentadas três propostas de combate ao crime organizado. A primeira é a alteração da Lei 7560/86 (FUNAD), para que sejam repassados aos estados de 50 a 70% dos recursos apreendidos derivados do crime organizado; a segunda é uma manifestação de apoio ao PL 6579/13, que prevê o fim das saídas temporárias e pede uma audiência do grupo com o Senado Federal; o último se trata da Carta SULMaSSP de Defesa das Vítimas e da Sociedade, que propõe a criação de 12 grupos de trabalho.
Os 1.685 tijolos foram apreendidos em meio a uma carga de 28 mil quilos de fertilizantes avaliada em 4 mil reais
PIRAPOZINHO/SP - A Polícia Civil prendeu em flagrante, na noite de sábado (22), um homem de 45 anos que transportava 1.685 tijolos de maconha em meio a uma carga de fertilizantes avaliada em 4 mil reais. A prisão aconteceu na rodovia Assis Chateaubriand, em Pirapozinho.
Após as investigações, os policiais descobriram que uma carreta carregada de drogas estava vindo do estado do Paraná em direção a São Paulo. Imediatamente, a equipe começou as buscas e conseguiu interceptar o veículo na rodovia.
Os policiais revistaram o caminhão e encontraram 1.685 tijolos de maconha, que pesaram 1,2 tonelada, escondidos em meio a carga de 28 mil quilos de fertilizante.
O homem foi preso em flagrante por tráfico de drogas e levado à cadeia pública de Cotia, onde aguardará pela audiência de custódia. Já a droga foi apreendida e em seguida encaminhada à Justiça Federal de Barueri.
IBATÉ/SP - Entre os dias 13 e 15 de julho, Ibaté recebeu pela primeira vez o Projeto “Cidadania Itinerante”, realizado em parceria com a Secretaria da Justiça - Cidadania do Estado de São Paulo e Secretaria Municipal de Assistência Social.
O objetivo foi oferecer, gratuitamente, diversos serviços à população, como agendamento para RG; agendamento para emissão de 2ª via de certidões (nascimento, casamento e óbito), de CPF e de contas de consumo (água e luz), emissão de carteira de trabalho digital, atestado de antecedentes criminais, entrada no seguro-desemprego, elaboração de currículo, SERASA, recebimento de denúncias e prestação de orientação e encaminhamento para coordenadorias, programas e ouvidoria da SJC.
Para a coordenadora da Assistência Social, Amanda Affonso, a ação trouxe resultados promissores. “Foi uma ação positiva. Descentralizamos o atendimento e levamos para a população os serviços, só que mais próximos de casa”, detalhou.
No dia 13, a van do Cidadania Itinerante esteve no estacionamento do Centro de Formação Artística “Anna Ponciano Marques” no Jardim Cruzado, no dia 14, o atendimento foi na Praça do Jardim Icaraí, defronte ao PSF. No dia 15, no encerramento das atividades em Ibaté, o projeto atendeu na Praça São João Evangelista de Toledo, a Praça Central.
O prefeito José Luiz Parella, elogiou o Projeto “Cidadania Itinerante”. “O projeto atendeu com facilidade e rapidez mais de 200 moradores do município, totalizando 903 solicitações dos seus serviços básicos. Agradeço a todos os profissionais envolvidos no trabalho realizado e à população que prestigiou essa ação”, declarou.
SÃO PAULO/SP - Na última segunda-feira (24/07), Galvão Bueno, 73 anos, deu o que falar em seu podcast no YouTube. É que, na ocasião, o narrador esportivo que anunciou sua saída da Globo após a “Copa do Mundo” de 2022, detonou a atual direção da emissora e defendeu o legado deixado por Boni, 83.
Galvão Bueno detona atual direção da Globo e sai em defesa do legado de Boni
Para Galvão, que trabalhou 41 anos na emissora, Boni foi um dos seus mestres e um grande responsável pelo sucesso da rede de televisão. Afinal, o profissional comandou a emissora entre os anos 70 e 90: “Eu digo sempre que a vida me deu três mestres no meu trabalho. O primeiro deles é o Boni, que foi o cara que fez tudo isso, e hoje até estão estragando um pouco o que ele fez“, disparou o jornalista que na sequência citou também o Rei Pelé e Armando Nogueira (um dos principais diretores da emissora no século passado).
Em seguida, o famoso, inclusive, não perdeu tempo de alfinetar a atual direção da “plim-plim” ao falar sobre uma lição valiosa que aprendeu com o ex-chefe: “Sempre se pode fazer melhor“, disse, sem papas na língua.
Relembre
Vale destacar que, em entrevista recente, o comentarista revelou que tem mais dois anos de contrato com o canal, e que marcará presença na Olimpíada de Paris: “Tenho mais dois anos de contrato, com algumas participações pontuais, dois programas especiais de fim de ano, participação na Olimpíada de Paris. Narrar a Seleção Brasileira terminou ali. Foi o meu 53º jogo seguido de Seleção Brasileira em Copa do Mundo. Aquilo que eu disse, eu disse: ‘gente, prestem atenção em uma coisa. Estou virando uma página, não estou fechando um livro’.”, concluiu.
Alterando o ponto de vista narrativo para as vozes femininas, espetáculo do Grupo Lunar de Teatro traz Escola de Mulheres para os dias atuais
SÃO PAULO/SP - Molière Jean-Baptiste Poquelin é um dos grandes mestres da comédia satírica e marcou a dramaturgia francesa com suas críticas aos costumes da época. Porém, em 1662, o mundo era bem diferente e, ainda bem, muitas coisas mudaram. Foi em 1662 que Molière escreveu e encenou Escola de Mulheres, uma peça que conta a história de Arnolfo e Inês, uma menina de 4 anos que será moldada para ser a esposa perfeita pelo burguês. Rever essa história com uma crítica ao machismo limitante é um dos objetivos de Escola de Mulheres - Um sátira ao Patriarcado, peça que estreia no dia 9 de agosto, no Teatro Itália.
No original de Molière, Arnolfo, um quarentão machista, adota Inês, uma garota de 4 anos para criá-la, ou moldá-la, do jeito que ele acha que uma esposa deve ser. Tudo isso para evitar que não seja feito com ele o que ele faz ou adoraria fazer com o marido das mulheres bonitas e inteligentes: pôr-lhes um chifre. Na peça do século XVII, a história é contada do ponto de vista do homem. Porém, na versão de 2023, idealizada pela dupla Suzana Muniz e Mau Machado, o público terá contato com o ponto de vista da mulher. Na adaptação, ainda cômica, do Grupo Lunar, o foco é na personagem principal, Inês, e no corpo de mulheres, que se alternam entre um tom irônico e de companheirismo em relação à protagonista.
Aqui, a comédia satírica e irônica, que pesa ainda mais a crítica num mundo moldado por uma estrutura extremamente machista, é a grande arma. É ela que torna possível o diálogo de um tema tão pesado com o público em geral. Suzana Muniz, diretora, atriz e responsável pela adaptação do texto, diz que, muitas vezes, esse é um riso nervoso, incômodo. “Infelizmente, como vimos recentemente nos noticiários, o homem ainda usa seu poder na sociedade para obrigar meninas a se casarem ou mesmo para tentar moldar mulheres, limitando sua liberdade. E isso não acontece só em culturas distantes, mas também num Brasil bem próximo do que vivemos nas grandes metrópoles”.
Suzana ainda diz que, mesmo com a comédia muito presente, a montagem mostra a importância da sororidade entre mulheres para derrubarem o patriarcado. “Sempre que vemos um caso de abuso de homem, por mais absurdo que seja, é preciso a voz de diversas mulheres para derrubá-lo e apontá-lo como culpado. Aqui isso não é diferente e fica claro que somente se unindo as mulheres conseguem uma existência mais próxima do possível”.
As canções compostas por Mau Machado para essa peça, com arranjos do Grupo Lunar e cantadas e tocadas ao vivo, provocam uma reflexão além da sátira e nos ajudam a mostrar ao público o quão surreal é uma história dessas. Elas são mais um elemento fundamental que compõe esse alerta crítico sobre o patriarcado, fazendo a ponte da história com os tempos atuais.
Brasil e Europa
A encenação mistura a cultura européia do século XVII com o folclore brasileiro e de tradições afro-brasileiras, trazendo elementos cênicos coloridos e momentos ritualísticos. Tudo isso dialogando com os personagens típicos da Commedia Dell’Arte. A fusão entre a linguagem européia do século XVII e o folclore brasileiro também se dá na música ao vivo, unindo o lírico e o popular.
O espetáculo tem como base a linguagem de coro cênico. Nela, o elenco permanece no palco durante todo o tempo, compondo imagens, jogando com a cena e tocando instrumentos ao vivo. Todas as trocas de cenários e figurinos é feita ao vivo também. No figurino, fuxico, fitas e cores remetem à cultura brasileira e são aplicados em roupas do século XVII, numa releitura livre. As máscaras lembram a Commedia Dell’Arte e trazem também a influência do folclore.
ESCOLA DE MULHERES - UMA SÁTIRA AO PATRIARCADO - Estreia dia 9 de agosto, quarta, às 20 horas, no Teatro Itália. Temporada: Até 30 de agosto, quartas, às 20 horas. Ingressos: R$ 40 (inteira) - compra antecipada pelo Sympla. Duração: 90 minutos. Indicado para maiores de 12 anos.
Idealização: Suzana Muniz e Mau Machado
Texto: Molière
Direção geral e adaptação: Suzana Muniz
Direção musical, música e letra: Mau Machado
Arranjos: Grupo Lunar de Teatro
Elenco: Ana Clara Fischer, Angelina Miranda, Mau Machado, Pamella Bravo, Silvio Eduardo, Suzana Muniz, Tom Freire e Vitor Ugo.
Preparação vocal: Ana Clara Fischer
Preparação corporal de Commedia Dell’Arte: Flávia Bertinelli
Preparação corporal de Coro Cênico: Mau Machado e Suzana Muniz
Consultoria de Tradições afro-brasileiras: Cláudia Alexandre
Figurino: Daíse Neves
Cenografia e elementos cênicos: Vitor Ugo
Máscaras: Rafael Mariposa
Luz: Dida Genofre
Operação de Luz: Jessica Estrela
Fotos: Ronaldo Gutierrez
Produção Executiva: Silvio Eduardo
Apoio: Centro Cultural Omoayê e Allemande Escola de Música
Teatro Itália - Av. Ipiranga, 344 - República. Capacidade: 292 pessoas. Informações: https://www.
Redes sociais Grupo Lunar de Teatro:
Instagram: @grupolunardeteatro
EUA - O corpo de algumas pessoas é capaz de derrotar o Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, sem que nenhum sintoma da doença se manifeste, e a explicação pode estar no DNA delas, mostra um novo estudo. Nesses indivíduos, a variante de um gene ligado ao sistema de defesa do organismo permite que o invasor viral seja reconhecido e combatido com eficiência exemplar.
Os dados estão em artigo que acaba de sair na revista científica Nature. O trabalho tem como primeiro autor o brasileiro Danillo Augusto, professor da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte (EUA) e também do Programa de Pós-Graduação em Genética da UFPR (Universidade Federal do Paraná).
"Logo no início da pandemia, chamou a atenção o fato de que muitas pessoas não desenvolviam sintomas da Covid-19, e nós imaginamos que poderia haver algum fator genético de proteção [por trás disso]", explicou Augusto à Folha. "No entanto, como pessoas sem sintomas normalmente não procuram atendimento médico, sabíamos que seria muito difícil coletar amostras delas."
Para contornar essa dificuldade, ele e seus colegas se valeram de um banco de dados já existente, o registro nacional de doadores voluntários de medula óssea dos EUA. A vantagem é que o diretório já incluía informações sobre o DNA dos voluntários, uma vez que isso influi na compatibilidade das doações.
"Enviamos milhares de emails convidando essas pessoas a baixarem um aplicativo de celular. Todos os dias, elas relatavam se tinham tido algum sintoma e também compartilhavam resultados de testes de detecção do vírus", conta o pesquisador.
Entre os dados do registro de doadores estavam informações sobre um grupo de genes designados coletivamente pela sigla HLA (de "antígenos leucocitários humanos", em inglês). Esses genes contêm a receita para a produção de moléculas cuja função poderia ser comparada à de um curso de defesa pessoal do organismo.
Quando, por exemplo, um vírus invade uma nova vítima, as moléculas HLA apresentam partículas virais às chamadas células T do sistema de defesa do organismo. Isso desencadeia um contra-ataque em múltiplas frentes, o qual, com alguma sorte, pode levar à derrota do invasor.
Análises anteriores já indicavam que a variação nos genes HLA poderia ser relevante para o curso da infecção pelo vírus da Covid-19. A equipe, então, cruzou os dados genéticos das pessoas que responderam aos seus contatos cerca de 1.500 doadores com os relatos delas sobre o diagnóstico da doença. Foi aí que ficou claro que um alelo (variante genética) designado pela sigla HLA-B*15:01, presente em mais ou menos 10% das pessoas de origem europeia na amostra, tinha uma associação com as infecções assintomáticas.
Para ser exato, quem carregava o alelo tinha uma probabilidade quase três vezes maior de não apresentar sintomas da doença. No caso dos indivíduos que carregavam duas cópias do alelo uma herdada do pai e a outra, da mãe, o efeito parece ser ainda mais claro: essas pessoas tinham probabilidade oito vezes maior de não ter sintomas.
Se o trabalho tivesse se restringido a esse tipo de análise, os dados poderiam não passar de uma associação estatística, que não necessariamente mostra que a presença da variante de DNA é a causa da infecção sem sintomas de Covid-19. Por isso, a equipe integrada pelo brasileiro conduziu uma série de outros testes. Entre eles, o mais importante foi a análise de culturas de células humanas obtidas muito antes da pandemia, ou seja, sem nenhuma chance de contato prévio com o Sars-CoV-2.
"Nós observamos que as células dos indivíduos que têm essa variante de DNA apresentavam memória imunológica contra uma partícula do vírus da Covid-19, mesmo sem ter tido contato com o vírus", explica Augusto. "Por isso, eles tinham uma resposta imunológica muito rápida e eficaz, eliminando o vírus antes que ele causasse os sintomas."
Ocorre que essa memória do sistema de defesa foi ativada por causa da semelhança entre determinadas moléculas do Sars-CoV-2 e as de outros coronavírus que circulam há muito mais tempo na população humana, causando boa parte do que chamamos de resfriados comuns. Essas moléculas são classificadas como "conservadas" evolutivamente, ou seja, são comuns a uma ampla gama de coronavírus diferentes que evoluíram a partir de um mesmo ancestral comum.
Entender melhor a interação entre a variante e as porções conservadas do genoma dos coronavírus pode inspirar, no futuro, vacinas mais eficazes contra todos os sintomas da Covid-19, embora as atuais já sejam muito úteis contra sintomas graves e risco de morte. A equipe também pretende verificar se o mecanismo de proteção está presente em populações de origem não europeia.
por REINALDO JOSÉ LOPES / FOLHA de S.PAULO
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.