Jornalista/Radialista
BRASÍLIA/DF - A utilização de inteligência artificial (IA) no setor da saúde já atinge 18% dos estabelecimentos brasileiros de atendimento – 11% dos públicos e 25% dos privados.

Os dados, divulgados nesta terça-feira (12), referem-se a 2025, e são da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que entrevistou 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde no país.
O levantamento é organizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) – departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
"Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde", explica o gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), Alexandre Barbosa.
Segundo a pesquisa, as principais aplicações de IA no setor de saúde brasileiro são:
De acordo com o levantamento, a adoção de IA no país ainda enfrenta obstáculos significativos. Nos hospitais com mais de 50 leitos, por exemplo, os gestores apontam custos elevados (63%), falta de priorização institucional (56%) e limitações relacionadas a dados e capacitação (51%) para a adoção da nova tecnologia.
"O avanço do uso da IA na saúde exige profissionais qualificados para que essa tecnologia seja aplicada de forma segura e responsável. Além disso, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente no cuidado com os pacientes", destaca a coordenadora de projetos de pesquisas do Cetic.br, Luciana Portilho.
O levantamento mostra ainda que 9% dos estabelecimentos utilizam internet das coisas; e 5%, tecnologia robótica com uso de internet.
Serviços online disponibilizados aos pacientes, como a visualização de resultados de exames, foram oferecidos por 39% dos estabelecimentos; o agendamento de consultas, por 34%; e o de exames, por 32%.
AGÊNCIA BRASIL
RIO DE JANEIRO/RJ - Destaque do Cruzeiro e presente na pré-convocação de Ancelotti para a Copa do Mundo, Kaiki está no radar do Flamengo para 2027. O clube, inclusive, já sinalizou o interesse a pessoas do entorno do jogador.
Kaiki tem contrato com o Cruzeiro até 2027, e o interesse do Flamengo parte de um pedido expresso de Leonardo Jardim. O técnico trabalhou com o lateral na Toca e foi responsável por dar sequência a ele entre os titulares, no ano passado.
Segundo apurou o ge, José Boto recebeu pessoas do entorno de Kaiki para uma visita de cortesia, no Ninho do Urubu. Apresentou o Centro de Treinamentos e falou sobre planejamento do clube para contar com o jogador.
O principal aspecto que faz o Flamengo pensar em Kaiki apenas para 2027 é o fato de já ter feito 13 jogos no atual Brasileirão. Além disso, a movimentação de mercado faltando um ano para fim do contrato daria mais poder de negociação aos cariocas.
Kaiki recebeu proposta do Como, da Itália, em janeiro. Inicialmente, o Cruzeiro sinalizou aceitar a oferta, mas declinou após reunião de Pedro Lourenço com o atleta e com o pai dele, na Toca da Raposa. A dupla demonstrou interesse em seguir no clube, abrindo conversas para renovação.
As tratativas aconteceram num primeiro momento, mas depois paralisaram por conta da situação do Cruzeiro. À época, Tite estava pressionado no cargo. Depois, mesmo com título do Mineiro, foi demitido, e Artur Jorge chegou para o cargo.
De acordo com apuração da reportagem, Kaiki segue aberto a negociar ampliação do contrato. O Cruzeiro, na mesma linha, deve retomar as conversas durante a paralisação para a Copa do Mundo.
Cria da base do Cruzeiro, Kaiki estreou no profissional em 2021, mas voltou para o sub-20 e foi efetivado no time principal em 2022, com Paulo Pezzolano. A sequência como titular chegou no ano passado, com Leonardo Jardim. Neste ano, foi chamado por Ancelotti para amistoso contra a Croácia e está na pré-lista da Copa do Mundo.
Por Guilherme Macedo, Luiza Sá e Pedro Rocha / ge
BRASÍLIA/DF - O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu adiar para 2027 a entrada em vigor da regra que impede a concessão de crédito rural subsidiado a produtores com registro de desmatamento ilegal. A medida foi aprovada em reunião extraordinária na terça-feira (12), após pressão de entidades do agronegócio por mais prazo de adaptação.
A norma determina que bancos e instituições financeiras verifiquem, antes de liberar financiamentos, se houve supressão irregular de vegetação nativa nas propriedades rurais após 31 de julho de 2019. A análise será feita com base nos dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A regra havia começado a valer em 1º de abril deste ano, inicialmente para imóveis maiores. Com a mudança aprovada pelo CMN, os novos prazos ficaram assim:
• propriedades acima de 15 módulos fiscais: a partir de 4 de janeiro de 2027;
• imóveis entre 4 e 15 módulos fiscais: a partir de 1º de julho de 2027;
• áreas de até 4 módulos fiscais: a partir de 3 de janeiro de 2028.
Assentamentos da reforma agrária e territórios de povos e comunidades tradicionais também passarão a seguir a regra apenas em 2028, quando o Cadastro Ambiental Rural (CAR) corresponder a áreas coletivas.
Na prática, produtores rurais que tiverem registro de desmatamento ilegal após julho de 2019 poderão enfrentar restrições para acessar linhas de crédito com recursos controlados e juros subsidiados pelo governo federal, como operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
As instituições financeiras serão responsáveis por consultar os alertas do Prodes antes da aprovação dos financiamentos.
A mudança ocorreu após críticas de entidades do setor agropecuário, que alegavam dificuldades operacionais e insegurança jurídica na aplicação imediata da regra.
No último mês, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão das exigências ambientais vinculadas ao crédito rural.
Após a decisão do CMN, a entidade afirmou que o adiamento representa “um alívio temporário para o produtor rural brasileiro”.
Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária afirmou que o adiamento busca garantir a continuidade da concessão de crédito a produtores que estejam em conformidade com a legislação ambiental.
Segundo a pasta, a ampliação dos prazos também permitirá aperfeiçoar os procedimentos de regularização ambiental e dar mais tempo para adaptação dos produtores e dos órgãos envolvidos na fiscalização.
O Ministério da Fazenda declarou que as mudanças têm como objetivo “calibrar a aplicação da norma” e ampliar a previsibilidade da implementação.
Além da prorrogação, o CMN autorizou a apresentação de novos documentos para comprovar regularidade ambiental das propriedades rurais.
Entre eles estão o Termo de Compromisso Ambiental firmado com órgãos estaduais e documentos equivalentes à Autorização de Supressão de Vegetação Nativa.
Segundo o governo, produtores que tiveram pedidos de crédito recusados durante a vigência inicial da regra poderão reapresentar as propostas de financiamento.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - As porções isoladas de vegetação nativa cresceram de 2,7 milhões, em 1986, para 7,1 milhões, em 2023, em todo o país, conclui um novo estudo do Mapbiomas divulgado nesta quarta-feira (13).
O aumento de 163%, em 38 anos, demonstra como o desmatamento no Brasil transformou grandes extensões contínuas de cobertura verde em pequenos fragmentos remanescentes.
Os dados são do Módulo de Degradação, uma plataforma desenvolvida pelo MapBiomas, que permite a análise, integração de dados e monitoramento das transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. Pela primeira vez, a fragmentação - processo de divisão de grandes extensões de vegetação nativa – foi analisada.
Além do aumento na quantidade, os pesquisadores também constataram a diminuição do tamanho dos fragmentos. Enquanto no início da série histórica a média de tamanho dos fragmentos era de 241 hectares, em 2023 eles encolheram para um tamanho médio de apenas 77 hectares.
Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Dhemerson Conciani, que coordena o Módulo de Degradação, os dados preocupam porque o tamanho dos fragmentos de vegetação nativa tem relação direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente.
“Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta o risco de extinções locais das espécies, diminui a chance de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior é a proporção do efeito de borda [perda de características naturais mais presentes nas margens próximas às áreas degradas]”, analisa Conciani.
De acordo com o estudo, quase 5% da vegetação nativa do Brasil, o equivalente a 26,7 milhões de hectares, está em fragmentos menores que 250 hectares. E as pequenas porções isoladas estão mais presentes na Mata Atlântica, onde elas respondem por quase 28% da vegetação nativa remanescente - ou 10 milhões de hectares.
Em quantidade absoluta de fragmentos, a Mata Atlântica e o Cerrado são os que mais possuem porções isoladas de vegetação nativa, sendo 2,7 milhões em cada bioma. Para Natalia Crusco, coordenadora técnica de Mata Atlântica no MapBiomas, o avanço da fragmentação nos dois biomas ocorre por razões diferentes.
“Enquanto no Cerrado o aumento no número de fragmentos está associado ao avanço do desmatamento e à divisão de grandes remanescentes de vegetação nativa em áreas menores; na Mata Atlântica, parte desse aumento também pode ser explicada por um processo no sentido oposto ao desmatamento, ou seja, pelo surgimento de múltiplas áreas de recuperação da vegetação secundária”.
Nos biomas Amazônia, Caatinga, Pampa e Pantanal o número de fragmentos foi de respectivamente quase 662 mil, 600 mil, 324 mil e 45 mil, em 2023.
Ao longo dos 38 anos observados, Pantanal e a Amazônia foram os que sofreram mais fragmentação, com aumento de 350% e 332%, respectivamente. No Pampa, o número de porções isoladas cresceu 285% e no Cerrado aumentou 172%.
Caatinga e Mata Atlântica variaram menos, mas ainda tiveram aumento de fragmentação de suas vegetações com crescimentos de 90% e 68%, respectivamente.
Em redução de fragmentos, a Amazônia foi a mais impactada. As porções de vegetação nativa no bioma encolheram 82% ao longo do período estudado.
Enquanto em 1986, a média de tamanho dos fragmentos era de 2.727 hectares; em 2023, essa média caiu para 492 hectares.
Os dados trazidos pelo Módulo de Degradação permitiram uma nova análise aos pesquisadores: a identificação de distúrbios no dossel de formações florestais - cobertura formada pelas copas das árvores mais altas - em toda a Amazônia Legal.
Entre 1988 e 2024, foi detectado algum sinal de distúrbio, ao longo de, pelo menos, um mês, em 24,9 milhões de hectares, área equivalente a 7% da cobertura de floresta na Amazônia Legal. Na prática, são clareiras resultantes de secas, ventos, incêndios, corte seletivo de madeira, efeito de borda ou outras perturbações.
Segundo os pesquisadores, o corte seletivo de madeira é uma das principais causas de distúrbio de dossel na Amazônia Legal. Durante o período estudado, foram identificados 9,7 milhões de hectares com indícios de corte seletivo.
Fatores como fragmentação, efeito de borda, fogo e corte seletivo nem sempre resultam em desmatamento com a terra exposta, mas degradam os biomas. O detalhamento da plataforma do Mapbiomas aponta que 24% de toda a vegetação nativa remanescente do Brasil está exposta a pelo menos um vetor de degradação, uma área equivalente a 134 milhões de hectares.
Segundo Dhemerson Conciani, o maior entendimento desses dados fortalece a formulação e implementação de políticas públicas para redução das emissões de gases do efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação.
“Ao detectar a degradação de forma precoce é possível reverter esse processo e estabelecer áreas prioritárias para recuperação da vegetação nativa e consequente conservação das funções e serviços ambientais de ecossistemas”, conclui o pesquisador.
AGÊNCIA BRASIL
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