Jornalista/Radialista
ALEMANHA - Um importante assessor do presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu em uma postagem estar pronto para trabalhar em conjunto com o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha, AfD na sigla germânica.
No último domingo (20), a agremiação foi a mais votada novamente em uma eleição estadual, embora não tenha obtido maioria para formar um governo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
No estado fica o terminal alemão do sistema de gasodutos Nord Stream, projeto que simbolizava a parceria energética entre Berlim e Moscou nos anos 2010. Em 2022, parte da obra foi explodida em um ato de sabotagem submarina que a Alemanha atribui a ucranianos -Kiev nega.
O estado "irá prosperar de novo quando o gás confiável e acessível do Nord Stream voltar por meio do trabalho conjunto com a AfD", escreveu Kirill Dmitriev, o "czar dos investimentos" do governo russo e ponto de contato com negociadores americanos para a Guerra na Ucrânia.
Dmitriev postou a mensagem no sábado (19), e por evidente mesmo que ganhasse controle do estado a AfD não poderia retomar a relação com a Rússia de forma unilateral. Seja como for, a sugestão de parceria insinua a atenção do Kremlin aos movimentos políticos na Europa.
Política
A AfD é crítica do apoio ocidental a Kiev e já defendeu a retomada de relações com Putin. Nesta segunda (20), o Kremlin disse que sua vitória estadual reflete exatamente a alta no preço da energia após o rompimento da relação econômica com os russos.
Por outro lado, o governo russo criticou outro expoente da extrema direita nacionalista europeia, a Reunião Nacional da francesa Marine Le Pen. No fim de semana, ela e o colega Jordan Bardella criticaram a Rússia por ter tomado ativos da empresa Nestlé e prometeram defender a França de "intimidações estrangeiras".
Aqui o cálculo é eleitoral. Le Pen chega forte para a eleição presidencial do próximo ano e procura se mostrar menos próxima de Putin do que suas posições anteriores sugeriam. Para o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a crítica é injusta e a Rússia "não é ameaça" aos franceses.
Em outra frente de atrito com os europeus, o governo russo determinou o toque de recolher em uma faixa sensível da fronteira com a Estônia por dez dias, alimentando rumores de que poderia estar planejando algum tipo de ação militar contra o vizinho integrante da aliança militar Otan.
Não há sinais, contudo, de mobilização de forças de forma ostensiva. Segundo um observador próximo do Kremlin disse à Folha, a medida é mais uma etapa da guerra de nervos entre Putin e a Europa, enquanto a violência corre solta no conflito na Ucrânia.
Segundo determinação do FSB (Serviço Federal de Segurança, na sigla russa), uma faixa de 5 km não pode ter circulação de pessoas e veículos à noite. A navegação pelo reservatório e pelo rio ao sul desta faixa tem de ser feita de forma monitorada.
A região fica ao lado de Narva, cidade estoniana na fronteira que virou um ponto simbólico da disputa entre a Rússia e a ex-república soviética tornada independente em 1991.
Quase 90% da população de Narva é de origem étnica russa, o que leva políticos em Moscou a sempre ventilar sua retomada. De seu lado do rio homônimo que divide a fronteira, os estonianos plantaram bandeiras nacionais, da Otan e da Ucrânia para desafiar os vizinhos.
Ainda mais importante, perto de lá fica a única fábrica de imãs produzidos com terras raras da Europa.
Segundo o serviço fronteiriço da Estônia, a situação na região "está calma, mas segue sob vigilância" no período da medida, que acaba no sábado (26). O FSB alega que a medida foi necessária para controlar movimentos migratórios ilegais.
Os três Estados Bálticos são vistos como os mais expostos na hipótese de uma agressão russa, com uma geografia que dificultaria sua defesa e suprimento em caso de conflito.
Putin e outras autoridades negam reiteradamente que tenham qualquer interesse em uma guerra com a Europa, e dizem que os diversos incidentes atribuídos a Moscou de guerra híbrida no continente, como o emprego de drones ou ataques cibernéticos, são plantados para estimular a russofobia.
por Folhapress
UCRÂNIA - O governo da Ucrânia retomou as negociações para tentar adquirir caças de ataque leve Super Tucano da fabricante brasileira Embraer. Desta vez, tenta driblar o veto do governo Lula (PT) ao fornecimento de equipamento militar ao país em guerra com a Rússia.
Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2022, Kiev buscou adquirir o avião e também ouviu um não, devido à relação comercial entre Brasília e Moscou. Lula também não aceitou reabrir a negociação em 2023. Agora, a situação é mais intrincada.
A nova rodada de conversas foi anunciada pelo ex-presidente ucraniano Petro Porochenko, que perdeu a reeleição em 2019 para o então comediante televisivo Volodimir Zelenski, mas ainda mantém influência em negócios no país.
Segundo ele, durante negociações na feira aeroespacial MSPO-2026, realizada de 8 a 11 deste mês na Polônia, "nós chegamos a um acordo com a fabricante brasileira Embraer e selecionamos uma frota de 24 Super Tucano capazes de interceptar e destruir drones".
Material de referência geográfica
No sábado (19), a agência ucraniana Interfax reproduziu foto do site da agremiação na qual Porochenko conversava com representantes da Embraer não identificados no estande da empresa.
O político discutiu posteriormente o caso em reunião com o ministro da Defesa ucraniano, Iehvenni Khmara. Porochenko afirmou que "vamos negociar com um dos países da Otan que tem contratos com o Brasil".
A reportagem procurou a Embraer para tentar esclarecer a natureza da conversa com Porochenko, mas ainda não recebeu uma resposta. Por evidente, o ex-presidente pode estar apenas especulando o negócio, sem ter recebido nenhuma promessa dos brasileiros, mas não houve negativa em Kiev.
O político destacou as características do Super Tucano como "matador de drone", configuração que passou a ser vendida ao mercado exterior no ano passado pela Embraer. Como é um turboélice avançado, é mais eficaz para interceptar drones que voam a velocidades menores do que caças a jato.
Na Otan europeia, apenas Portugal opera o avião, com 5 das 12 unidades encomendadas já a seu serviço. O modelo, dominante no mercado de ataque leve e treinamento no mundo há duas décadas, foi adaptado para todos os padrões da aliança, inclusive de comunicação e uso comunal de armamentos.
A Polônia também tem demonstrado interesse na aeronave por suas características ante a ameaça percebida que os drones russos provocam, mas ainda não anunciou nenhum contrato.
Já os EUA têm talvez 3 caças que sobreviveram à retirada desastrada do Afeganistão, para onde haviam sido enviados para equipar a Força Aérea até a volta do Talibã ao poder, em 2021. Mas são modelos mais antigos, sem o chamado padrão Otan.
No mais, a Embraer também tem contratos importantes com cinco países da Otan que encomendaram seu avião de transporte multimissão KC-390 Millennium, inclusive Portugal, o maior operador com uma frota futura de seis cargueiros.
Indústria da aviação
Os problemas da empreitada anunciada por Porochenko começam na legislação brasileira, que não permite a reexportação de produtos de defesa do país sem autorização explícita de Brasília, registrada em contrato.
É uma praxe mundial. Para ficar no caso do Super Tucano, é famoso o episódio em que os Estados Unidos vedaram sua exportação para a Venezuela sob Hugo Chávez, já que o avião é coalhado de peças americanas, a começar pelo seu motor.
Segundo a Folha ouviu de integrantes do governo brasileiro, nenhum pedido nesse sentido chegou ao Itamaraty e, se chegar, o veto ao fornecimento militar à Ucrânia segue valendo.
As divergências de interesses brasileiros e ucranianos já geraram bastante atrito entre os países. Fundador do grupo Brics ao lado da Rússia, o Brasil condenou a invasão de 2022, mas se recusou a integrar sanções contra Moscou.
Além de fertilizantes, há a questão do diesel. Até meados deste ano, quando foi obrigada a vetar a exportação do derivado devido à crise provocada por ataques ucranianos a suas refinarias, a Rússia havia virado a principal fornecedora do combustível no mercado externo para o Brasil.
Essa relação fez com que Bolsonaro não autorizasse a venda de blindados Guarani, modelo da italiana Leonardo (ex-Iveco) feito sob licença no Brasil. Além disso, ele também vetou o fornecimento de munição para blindados de defesa antiaérea alemães Gepard, que Berlim queria comprar para dar a Zelenski.
Já Lula proibiu no primeiro mês do mandato o repasse de munição de tanques alemães Leopard-1 do Exército que os germânicos também tentaram adquirir para enviar a Kiev.
Por causa disso, a Alemanha retaliou e vetou a venda de 28 Guarani brasileiros equipados com câmbio do país europeu para as Filipinas. Ao fim, os veículos foram exportados com transmissão brasileira. Lula ainda vetaria uma nova tentativa de comprar Guarani, desta vez alegadamente na função ambulância.
Além do mal-estar com os alemães, Zelenski criticou a posição brasileira, cobrando o petista em diversas ocasiões. O russo Vladimir Putin, por sua vez, já agradeceu Lula várias vezes pela neutralidade adotada.
por Folhapress
SÃO PAULO/SP - Rick Sollo, da dupla Rick e Renner, teve a morte confirmada após a aeronave em que estava ser localizada na Serra Catarinense nesta terça-feira (22), dois dias depois de fazer sua última apresentação ao lado de Renner.
O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina encontrou os destroços do helicóptero durante a operação de busca. As autoridades confirmaram que não houve sobreviventes entre as cinco pessoas que estavam a bordo. Além de Rick, morreram o empresário Bruno Avelar e outras três pessoas que viajavam na aeronave.
O helicóptero havia decolado de Porto Belo, no litoral de Santa Catarina, com destino à região de São Joaquim. A aeronave perdeu comunicação na tarde de segunda-feira (21), quando sobrevoava a região serrana do Estado. As buscas mobilizaram bombeiros, cães, drones e aeronaves da Força Aérea Brasileira.
A notícia da localização da aeronave e da morte do cantor provocou manifestações de pesar entre pessoas ligadas à música sertaneja e ao círculo de amizades de Rick. Desde o desaparecimento, artistas e fãs já acompanhavam a operação e publicavam mensagens de esperança e pedidos de oração nas redes sociais.
O jornalista Milton Neves foi um dos que lamentaram a morte do cantor. Em uma publicação nas redes sociais, recordou a convivência com Rick e escreveu: "Que pena, Rick, amigo de tantos programas. Que você descanse em paz".
A cantora Ana Castela também deixou um coméntario: "Deus conforte o coração de toda a família".
Ratinho, apresentador do SBT, publicou: "Que Deus receba você de braços abertos, meu grande amigo Rick. Que Ele conforte o coração de todos os familiares e amigos neste momento de dor."
A dupla Zé Neto & Cristiano publicou: "Descanse em paz, ídolo".
O sertanejo Junior Marques publicou uma foto de Rick e escreveu: "Ainda sem acreditar, Perdemos um grande ídolo da música sertaneja, esse cara que sempre foi exemplo".
Bruno e Marrone lamentaram a morte de Rick. Nas redes sociais, a dupla escreveu: "Vai com Deus, Rick. Irmão de estrada, de música e de tantos momentos que a gente vai guardar para sempre no coração. Que Deus o receba de braços abertos e conforte a família de todos. Sua voz fica, sua história fica e a saudade também."
Thomaz Costa também prestou uma homenagem ao cantor. O ator publicou uma foto ao lado de Rick e escreveu apenas "Luto".
Marcos e Belutti também lamentaram a morte de Rick e das outras vítimas do acidente. A dupla escreveu: "Hoje, com muita tristeza, nos despedimos de cinco vidas. Dentre elas estava não só um ídolo, mas um amigo, com uma trajetória de muita luz e inspiração. Desejamos nossos mais sinceros sentimentos a toda a família e aos amigos das vítimas: Rick, Bruno Avelar, Paulo Soares, além do piloto e do copiloto do helicóptero. Estamos em oração para que Deus traga conforto aos corações de todos neste momento tão difícil."
Henrique e Diego também se manifestaram sobre a morte do cantor. "Hoje o mundo sertanejo está de luto. Infelizmente, recebemos a triste notícia do falecimento do cantor Rick e de mais quatro pessoas nesse trágico acidente, uma perda imensa para todos nós da música. Que Deus conforte o coração de todos os familiares e amigos neste momento tão difícil", escreveram.
Sérgio Reis prestou solidariedade às famílias das vítimas. "Me solidarizo com todas as famílias neste momento. Que Deus possa confortar os corações", publicou.
por Folhapress
BRASÍLIA/DF - O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, criticou nesta terça-feira, 22, a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e o inquérito que apura supostas irregularidades no uso de emendas parlamentares. Flávio acusou o magistrado de utilizar a investigação de forma seletiva para atingir adversários políticos.
"Flávio Dino está ali para fazer perseguição política, como ele tem feito aqui no Maranhão, usando seletivamente o inquérito que ele tem", afirmou o senador a jornalistas durante visita a São Luís (MA).
Flávio chamou a investigação de "novo inquérito do fim do mundo", em referência ao inquérito das fake news, que teve relatoria de Alexandre de Moraes. "Vamos ter vergonha na cara. Seja juiz e deixe de ser um militante na Suprema Corte", afirmou.
As declarações fazem parte de uma sequência de críticas de Flávio ao STF durante a campanha.
Dino determinou em agosto que a Polícia Federal apure a existência de indícios de crimes na execução das chamadas emendas Pix, modalidade de transferência especial de recursos por parlamentares a Estados e municípios.
A decisão de Dino foi tomada após o recebimento de um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), encaminhado ao STF em 31 de julho, que identificou irregularidades na destinação dos recursos e possível prejuízo aos cofres públicos. Segundo o TCU, a fiscalização de 100 "emendas Pix", que somam R$ 198,1 milhões destinados a 74 municípios, identificou quatro grupos de irregularidades: falhas de transparência e rastreabilidade dos recursos, problemas na execução financeira, fraudes e impropriedades em licitações e irregularidades na execução de contratos e obras.
Mais cedo, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, também havia criticado o inquérito. Para ele, "o inquérito das emendas virou um monstro nas mãos de Flávio Dino".
"Amplia poder, atropela o juiz natural e abre espaço para seletividade nas investigações. O Brasil precisa de reforma do Judiciário para restaurar a normalidade democrática e impor limites a abusos como esse", disse Marinho.
por Estadao Conteudo
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