Jornalista/Radialista
IRÃ - A Suprema Corte do Irã manteve a condenação do ator e ex-jogador de futebol Pejman Jamshidi a 99 chibatadas. O artista, de 48 anos, havia sido denunciado por uma jovem atriz por estupro, mas acabou absolvido dessa acusação e responsabilizado pelo crime de “relação ilícita”.
A decisão inicial foi tomada pela 9ª Vara do Tribunal Criminal de Teerã. Após recurso da defesa, o caso chegou à 29ª Seção da Suprema Corte, que confirmou integralmente a sentença, segundo informações atribuídas à denunciante, Melika Parsadoust, e divulgadas pela imprensa iraniana.
Por que Pejman Jamshidi foi condenado a 99 chibatadas?
A condenação foi fundamentada no artigo 637 do Código Penal Islâmico do Irã. A norma pune com até 99 chibatadas atos considerados indecentes entre um homem e uma mulher que não sejam casados entre si, sem que tenha ocorrido adultério nos termos definidos pela legislação local.
O mesmo artigo estabelece que, quando o ato é praticado mediante força ou coerção, apenas a pessoa responsável pela violência deve receber a punição. No processo contra Jamshidi, somente o ator foi condenado.
Parsadoust afirmou que esse aspecto da decisão derruba versões segundo as quais a relação teria sido consensual. A íntegra do julgamento, no entanto, não foi divulgada, e a interpretação apresentada pela denunciante não equivale a uma condenação por estupro.
Ator foi acusado de estupro e sequestro
O caso tornou-se público em outubro de 2025, quando Jamshidi foi preso sob acusações de estupro e sequestro. A denunciante, então uma jovem aspirante a atriz, declarou que o artista teria prometido ajudá-la a conseguir um papel e a convidado para sua casa, onde o abuso teria ocorrido.
O ator foi posteriormente libertado mediante pagamento de fiança. Após deixar a prisão, viajou legalmente para a Turquia e depois seguiu para o Canadá, onde parte de sua família vive. A saída do país provocou críticas e questionamentos no Irã, mas não havia, naquele momento, uma ordem judicial que o impedisse de viajar.
Jamshidi retornou ao Irã e participou das audiências realizadas no início de 2026. Ao longo do processo, negou as acusações feitas contra ele.
Suprema Corte absolveu ator da acusação de estupro
A Justiça iraniana não considerou comprovado o crime de estupro, que pode levar à pena de morte no país. O tribunal, porém, entendeu que havia elementos para condenar Jamshidi por “relação ilícita”, infração enquadrada como crime contra a moralidade pública.
A denunciante declarou que a decisão não repara os danos físicos e emocionais que afirma ter sofrido, mas considerou relevante o fato de a punição ter sido aplicada apenas ao ator. Ela também disse que o julgamento demonstraria que as versões usadas para desacreditá-la eram infundadas.
Caso provocou debate sobre violência sexual no Irã
A denúncia contra uma das figuras mais populares do entretenimento iraniano ganhou grande repercussão e desencadeou um debate incomum sobre violência sexual, desigualdade de gênero e as dificuldades enfrentadas por mulheres que procuram a Justiça no país.
O jornal reformista Ham-Mihan publicou relatos da jovem, da mãe dela e de seu advogado. Pouco depois, o site do veículo foi bloqueado pelas autoridades iranianas, em meio a críticas de setores conservadores à cobertura do caso.
Antes de se tornar ator, Pejman Jamshidi atuou como jogador profissional e chegou à seleção iraniana. Mais tarde, consolidou-se como um dos nomes mais conhecidos do cinema e da televisão do país.
por Notícias ao Minuto
VATICANO - O papa Leão 14 visitará três países da América do Sul em novembro, anunciou o Vaticano nesta quarta-feira (5). O pontífice irá ao Uruguai, à Argentina e ao Peru de 6 a 17 de novembro. Não há planos de paradas no Brasil.
A viagem para o Peru é especialmente significativa para o papa, que passou décadas como missionário e bispo no país andino antes de ser eleito sucessor de São Pedro pelo colégio cardinalício no conclave do ano passado.
Trata-se também da primeira viagem de um papa à América do Sul desde 2018, quando Francisco foi ao Chile e ao Peru. Apesar de ser argentino, ele nunca visitou sua terra natal como pontífice -esteve, entretanto, no Brasil, quando participou da Jornada Mundial da Juventude em 2013, no Rio de Janeiro.
Foi a última vez que um papa esteve no Brasil e apenas a segunda viagem de longa distância realizada pelo antecessor de Leão 14 em seu pontificado. Antes disso, Francisco visitou a ilha italiana de Lampedusa, onde rezou uma missa em homenagem a imigrantes que morreram afogados no Mediterrâneo tentando chegar à Europa.
Ao longo dos 12 anos em que usou o Anel do Pescador, Francisco visitou a América Latina em viagens apostólicas sete vezes, participando de eventos e cerimônias no Brasil (2013), no Equador, na Bolívia e no Paraguai (2015), em Cuba (2015, na mesma viagem em que visitou os Estados Unidos), no México (2016), na Colômbia (2017), no Chile e no Peru (2018), e no Panamá (2019).
Já Leão 14, papa há pouco mais de um ano, já esteve na Turquia e no Líbano, seu primeiro compromisso oficial no exterior, em Mônaco, na Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, durante sua viagem de dez dias pela África, e na Espanha, a fim de inaugurar a catedral da Sagrada Família, em Barcelona.
O pontífice ficará no Uruguai de 6 a 8 de novembro, na Argentina de 8 a 11 e no Peru de 11 a 17, informou o Vaticano nesta quarta.
Embora seja o primeiro bispo de Roma na história da Igreja Católica nascido nos EUA, o papa também é cidadão peruano. Robert Prevost, como era conhecido, foi bispo de Chiclayo, no noroeste do Peru, de 2015 a 2023.
Durante sua passagem pelo Peru, o papa visitará essa cidade, bem como Lima, Cusco e Pucallpa, segundo o Vaticano. Na Argentina, estará em Buenos Aires, Córdoba e Luján. No Uruguai, irá a Montevidéu, Paysandú e Florida.
O Vaticano não forneceu mais detalhes sobre as visitas e informou que os itinerários completos serão divulgados posteriormente.
por Folhapress
CONGO - A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo continua avançando em ritmo acelerado e já provocou 1.751 mortes entre 3.874 casos confirmados. Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde congolês e mostram que o surto, declarado em 15 de maio, tornou-se o segundo maior já registrado no mundo.
Em algumas das áreas mais afetadas, o número de novas infecções está dobrando. A avaliação foi feita pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após reuniões com representantes do governo em Kinshasa.
Por que o surto de Ebola avança tão rapidamente?
A atual epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma variante para a qual ainda não existe vacina aprovada nem tratamento específico. A demora na identificação dos primeiros casos permitiu que a doença circulasse por semanas antes da declaração oficial do surto.
O avanço também é favorecido pelas dificuldades no rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados. Segundo autoridades sanitárias africanas, entre 60% e 70% dos novos casos estão sendo encontrados fora dos grupos que já eram acompanhados. Estimativas mais recentes indicam que essa proporção pode chegar a 80%.
A detecção tardia contribui para a taxa de letalidade de aproximadamente 45%. Muitos pacientes chegam às unidades de saúde quando a doença já está em estágio avançado.
OMS pede ampliação urgente da resposta
Tedros afirmou que o combate à epidemia precisa ser ampliado de forma imediata e envolver governo, organizações internacionais, profissionais de saúde e moradores das regiões atingidas.
“Todos concordamos que é necessário aumentar urgentemente e de forma massiva todos os nossos esforços em todas as frentes da resposta e com a participação de todos os parceiros”, escreveu o diretor-geral da OMS.
Ele também defendeu maior coordenação sob a liderança do governo congolês, proteção para as equipes médicas e acesso às comunidades mais isoladas.
“Acima de tudo, as comunidades têm de estar no centro da resposta e assumir a sua liderança”, declarou.
Ituri concentra maior número de casos
A província de Ituri, no leste do país, permanece como o principal foco da epidemia. A região está próxima das fronteiras com Uganda, Sudão do Sul e Ruanda e sofre há anos com conflitos armados, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
A insegurança limita a circulação das equipes médicas e prejudica o transporte de pacientes, medicamentos e equipamentos. Ataques contra unidades de saúde também já interromperam temporariamente o trabalho de organizações humanitárias.
Greve de profissionais agrava atendimento
Famílias de áreas afetadas relataram que parte dos profissionais que atuam na linha de frente entrou em greve por falta de pagamento e pelas condições de trabalho.
Alguns funcionários começaram a receber os valores atrasados referentes aos serviços prestados desde o início da epidemia, mas continuam reivindicando salários maiores e garantias de proteção.
A paralisação agrava o acesso aos cuidados em uma região onde hospitais e centros de tratamento já enfrentam falta de profissionais, leitos e materiais.
Estados Unidos anunciam ajuda de US$ 242 milhões
O governo dos Estados Unidos anunciou um novo aporte de US$ 242 milhões para financiar o combate imediato ao Ebola, preparar países da região e ampliar a assistência humanitária.
Com o novo valor, o apoio americano destinado à epidemia e às necessidades humanitárias relacionadas ao surto supera US$ 512 milhões.
Os recursos deverão ser usados em ações como ampliação de centros de tratamento, vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos, treinamento de profissionais e proteção das comunidades mais vulneráveis.
Existe vacina contra o vírus Bundibugyo?
Ainda não há vacina licenciada contra a variante responsável pelo atual surto. Também não existe um tratamento específico aprovado, embora cuidados de suporte iniciados rapidamente possam aumentar as chances de sobrevivência.
Vacinas experimentais começaram a ser testadas em humanos no Reino Unido e no Canadá. A Moderna iniciou um estudo inicial com cerca de 80 voluntários para avaliar a segurança e a resposta imunológica de uma vacina de RNA mensageiro contra o vírus Bundibugyo.
A OMS também acompanha testes de terapias experimentais e avalia se vacinas desenvolvidas para outras variantes do Ebola podem oferecer algum nível de proteção.
Surto é o segundo maior da história
A atual epidemia já superou todos os surtos anteriores em velocidade de propagação. Em número de casos, fica atrás apenas da crise registrada na África Ocidental entre 2014 e 2016.
Naquela epidemia, mais de 28 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram, principalmente na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria.
A OMS considera baixo o risco de propagação global, mas alerta que o surto permanece crítico na República Democrática do Congo e pode avançar para países vizinhos caso as medidas de controle não sejam reforçadas.
por Notícias ao Minuto
SÃO CARLOS/SP - A Unidade de Terapia Fotodinâmica da Santa Casa de São Carlos está selecionando crianças de 4 a 12 anos para participar de uma pesquisa sobre dor de crescimento, desenvolvida pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). Os interessados podem se inscrever até 25 de agosto.
O estudo vai acompanhar crianças com essa condição para avaliar por quanto tempo a combinação entre laserterapia de baixa intensidade e terapia ultrassônica pode ajudar a aliviar a dor. Antes de iniciar o tratamento, todas passam por avaliação com um médico ortopedista para confirmar ou descartar o diagnóstico.
As crianças que atenderem aos critérios da pesquisa serão encaminhadas para as sessões na Unidade de Terapia Fotodinâmica da Santa Casa e acompanhadas pela equipe durante todo o estudo, com retorno para avaliação 15 dias após a aplicação.
Segundo Noahn Gabriel Silva Pereira, pesquisador e estudante de Medicina da UFSCar, esta nova etapa pretende ampliar o conhecimento sobre os resultados observados anteriormente. “Na primeira etapa da pesquisa, confirmamos que o tratamento é seguro para as crianças e observamos indícios de que ele pode ajudar a aliviar a dor. Agora, queremos acompanhar novos participantes para entender por quanto tempo esse efeito pode durar”, explica.
A dor de crescimento é uma das causas mais comuns de dor nas pernas durante a infância. Apesar do nome, sua origem ainda não é totalmente conhecida e, por isso, o tratamento costuma ser voltado ao alívio dos sintomas.
A pesquisa integra um projeto de iniciação científica financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), e é coordenada pela Dra. Esther Angélica Luiz Ferreira e pelo Dr. Rodrigo Reiff, do Departamento de Medicina (DMed) da UFSCar, e pelo Dr. Antônio Aquino, do Instituto de Física (IFSC) da USP.
Para o provedor da Santa Casa, Antonio Valerio Morillas Junior, a participação da instituição permite aproximar a pesquisa científica do atendimento prestado à população. “Quando um estudo é desenvolvido dentro do ambiente hospitalar, o conhecimento produzido pelas universidades chega mais perto da população. Além de contribuir para o avanço da ciência, essa parceria permite que pacientes da nossa região tenham acesso a pesquisas conduzidas por instituições de referência”, afirma.
Serviço
Quem pode participar?
Crianças de 4 a 12 anos, com diagnóstico confirmado ou suspeito de dor de crescimento.
Inscrições
Até 25 de agosto, pelo WhatsApp (16) 99711-5463.
Local dos atendimentos
Unidade de Terapia Fotodinâmica da Santa Casa de São Carlos
Rua 15 de Novembro, s/nº – Vila Pureza (prédio anexo ao hospital).
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