Jornalista/Radialista
SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos, em parceria com a Santa Casa de São Carlos, realizou nesta quinta-feira (30/04), no auditório do Paço Municipal, uma palestra voltada a médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde.
A atividade integra a estratégia de implantação da Rede Alyne no município e faz parte de uma série de encontros formativos voltados ao aprimoramento do cuidado materno-infantil.
A Rede Alyne é uma iniciativa do Ministério da Saúde, lançada em setembro de 2024, que substitui a Rede Cegonha para fortalecer a saúde materna e infantil no SUS. Focada na redução da mortalidade, busca garantir pré-natal de qualidade e humanização do parto.
A palestra foi ministrada pela médica Renata Sayuri, com a participação de estudantes de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e abordou a qualificação da assistência à gestante durante o pré-natal.
Segundo a palestrante, entre os principais pontos discutidos estiveram a importância do acompanhamento adequado ao longo da gestação, a identificação precoce de riscos e o fortalecimento de práticas baseadas em evidências.
Renata Sayuri destacou ainda que, como parte das metas da Rede Alyne, a iniciativa reforça a necessidade de reduzir cesarianas sem indicação clínica e incentivar o parto vaginal seguro, promovendo melhores desfechos para mães e recém-nascidos.
A diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Ambulatorial (DGCA), a enfermeira Lindiamara Soares, afirmou que a ação reforça o compromisso da Prefeitura, em conjunto com as instituições parceiras, com a qualificação contínua dos profissionais de saúde e com o fortalecimento da rede de atenção materno-infantil no município.
SÃO CARLOS/SP - Com a proximidade do Dia das Mães, comemorado no dia 10 de maio, uma das datas mais importantes para o comércio, empreendedores de São Carlos já se preparam para aumentar as vendas. Para muitos, o acesso ao crédito pode ser decisivo para investir em estoque, divulgação e melhorias no negócio. Nesse cenário, o Banco do Povo Paulista surge como uma alternativa acessível para quem deseja crescer e aproveitar o período.
Resultado de uma parceria entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Carlos desde 2002, o Banco do Povo tem como objetivo facilitar o acesso ao crédito para pequenos empreendedores, sejam eles formais ou informais. O atendimento é realizado por agentes de crédito, que orientam os interessados, coletam as informações necessárias e encaminham as propostas para análise.
O programa atende microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas, trabalhadores autônomos, produtores rurais, além de cooperativas e associações legalmente constituídas. Os recursos podem ser utilizados para diversas finalidades, como a compra de mercadorias, investimento em equipamentos, reformas ou capital de giro.
De acordo com a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paula Knoff, o período é estratégico para quem deseja impulsionar o negócio. “O Dia das Mães é uma das datas mais relevantes para o comércio. Com planejamento e acesso ao crédito, o empreendedor consegue se preparar melhor, oferecer mais opções ao cliente e, consequentemente, aumentar suas vendas”, destaca.
A secretária também reforça a importância de buscar orientação antes de contratar qualquer tipo de financiamento. “O Banco do Povo não oferece apenas crédito, mas também orientação. O empreendedor é atendido por profissionais capacitados, que ajudam a identificar a melhor forma de investimento, sempre com responsabilidade”, explica.
O Banco do Povo em São Carlos atende por meio do Departamento de Empreendedorismo e Banco do Povo (DEBP), de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Avenida São Carlos, 1.839. Informações adicionais podem ser obtidas pelos telefones (16) 3376-6561 e (16) 3374-1750.
SÃO CARLOS/SP - O Centro da Juventude Elaine Viviani, no Jardim Monte Carlo, foi tomado por emoção, alegria e participação popular na noite da última quarta-feira (29). Em uma grande ação promovida pelo Centro Esportivo Multi Esporte (CEME), em parceria com a Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal Especial de Infância e Juventude, 180 alunos do projeto “Multi Esporte – Instrumento de Educação” receberam novos uniformes, carteirinhas e materiais esportivos.
O evento reuniu aproximadamente 600 pessoas, entre alunos, familiares e moradores da comunidade, consolidando o espaço como um verdadeiro ponto de encontro social e esportivo.
A programação contou com apresentações esportivas de futebol e aulas de zumba, que animaram o público e reforçaram o caráter educativo e inclusivo da iniciativa. Ao final, a organização promoveu uma confraternização com a distribuição gratuita de cachorro-quente, refrigerante e sorvete para todos os presentes.
A cerimônia também contou com a presença de autoridades municipais e representantes da sociedade civil, evidenciando o apoio institucional ao projeto. Estiveram presentes Acir Silva Junior (representando o Prefeito), Emerson Morais (Secretário de Infância e Juventude), Samuel dos Santos (Secretário Adjunto), Bruna Vicente (Presidente do CMDCA), Dé Alvim (Vereador) e Professor Azuaite (Vice-Presidente do CPP).
O trabalho segue impactando positivamente a vida das pessoas ao redor.
BRASÍLIA/DF - O Dia Internacional do Trabalhador, também conhecido como Dia do Trabalhador ou Dia do Trabalho, comemorado anualmente em 1º de maio, é feriado em muitos países.
A data tem origem na greve geral iniciada por trabalhadores norte-americanos em 1º de maio de 1886, em Chicago, que reivindicavam melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada que chegava a 17 ou 16 horas por dia para 8 horas diárias. A greve resultou em confrontos violentos entre trabalhadores e polícia, resultando na morte de manifestantes e também de policiais.
O reconhecimento internacional ocorreu durante o congresso socialista Segunda Internacional, em Paris, em 1889, que convocou uma manifestação internacional para 1º de maio de 1890, consagrando a data como dia de luta pela conquista da jornada de trabalho de 8 horas/dia e em memória aos operários mortos de Chicago.
“Aí, tornou-se uma efeméride mundial. A partir daí, os países e os trabalhadores foram adotando essa data, cada um de um jeito. Mas, de forma geral, o significado é confronto. Era um dia de greve, um dia de luta, porque o patronato não queria absorver isso. Entendia que era custo a redução de trabalho”, disse à Agência Brasil o professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bernardo Kocher.
Naquele momento, a indústria estava trocando a produção: a remuneração por peça, passava a ser de remuneração por carga, ou seja, por hora trabalhada.
”Então, era possível reduzir a jornada, mas os patrões não queriam isso, porque era aumento de custo: menos trabalho e mesmo salário. Implicava diminuir jornada, mas não o salário.”
A produção ia diminuir, porque eram menos horas trabalhadas e o custo continuaria igual. Então, os trabalhadores lutavam, através de um dia de greve, como forma de manifestar a viabilidade de sua reivindicação.
Kocher explicou que com menos horas de trabalho, o operário teria condições de trabalhar melhor e isso resultaria em mais emprego, mais consumo. “Foi uma batalha um tanto, digamos, física. Em alguns lugares, era confronto com a polícia enquanto uma coisa simbólica, de narrativa, para que a lógica dos trabalhadores se sobrepusesse à lógica do capitalismo”.
Ao contrário das informações que remetem a oficialização do Dia do Trabalho no Brasil a 1924, com o início da celebração da data em 1925, pelo então presidente Artur Bernardes, o professor de História da UFF assegurou que o feriado começou em 1890, junto com a proclamação da República.
“Eu fiz uma dissertação de mestrado sobre 1º de maio no Rio de Janeiro e constatei isso: 1890. O significado no Brasil, porém, foi diferente, afirmou o professor. Não foi de confronto. Por isso, dá impressão que não existiu. Foi uma coisa de cidadania, de manifestação do direito republicano."
“A classe operária era muito segmentada. Mal comparando, é como o povo das comunidades, que hoje é segmentado. Então, ninguém sabe o que acontece lá, não tem serviço. A classe operária era quase um gueto. Os operários se esforçavam para serem cidadãos, mas isso foi em 1890”. Quando ocorreu o 1º Congresso Operário Brasileiro, em 1906, os anarquistas sindicalistas conseguiram mudar o significado. Aí passou a ser um dia de greve, um dia de guerra, um dia de luta de classes.”
Na década de 1920, os comunistas ocuparam o lugar dos anarcossindicalistas e começaram também a associar com a revolução. Isso foi até os anos de 1930, quando ocorreu a Revolução liderada por Getulio Vargas. “Aí, o Estado começou a se voltar para a questão do trabalho”.
Nos anos de 1938 e 1939, foi a proibida a comemoração como dia de greve e só em 1940 foi decretada a data como feriado. Segundo o professor Kocher, foi aí que o movimento operário perdeu a capacidade de monopolizar o significado do 1º de maio. “O presidente Getulio falava: Não precisa mais ser dia de greve, nós já estamos fazendo a legislação".
E, então, a data deixou de ser Dia do Trabalhador para ser Dia do Trabalho.
Ao longo dos anos, Bernardo Kocher concluiu que a data passou a significar quase nada. “Tanto que isso já foi dito várias vezes e você tem que fazer entrevista, porque a cultura se perdeu. Eu não sei de nenhuma manifestação operária. Sei que é feriado e assim ficou.”
Na concepção do professor da UFF, o próprio mundo do trabalho mudou muito no decorrer do tempo. A jornada de 8 horas foi incorporada.
“A classe operária perdeu protagonismo com a intervenção estatal na economia e no mundo do trabalho. Isso em todo o planeta. E foi perdendo o significado”. Hoje, o número de trabalhadores industriais em relação à população economicamente ativa é bem menor do que era na época das lutas operárias. Vários setores industriais vêm usando tecnologia, flexibilização, importam partes da China, e isso acabou modificando totalmente o conteúdo da classe operária, manifestou Kocher. “E se perdeu um pouco essa memória coletiva. Se não fosse feriado, ninguém praticamente ia se preocupar”.
Ao ser indagado sobre o projeto de redução da jornada de trabalho 6x2, Bernardo Kocher avaliou que se trata da mesma discussão do 1º de maio. “É igualzinho. Eu li os jornais da época (do início da República) e estou vendo a mesma palavrória. Os argumentos são os mesmos”.
Ele destacou que a produtividade hoje é imensa e o empresário tem mil recursos para aumentar a produtividade, mas não quer ceder.
Segundo o professor, embora um dia a menos de trabalho se faça necessário para a vida humana, mas não para o capital, o empresariado não quer assumir.
“Ele quer que o Estado assuma, alega que tem que cortar benefícios dos trabalhadores, cortar o salário principalmente. A última análise é isso aí, diminuir o salário. É a mesma situação.”
No passado, com a redução da jornada para 8 horas/dia, o trabalhador produziu mais e melhor, houve mais emprego, mais consumo. “Então; se perde por um lado, ganha pelo outro. Isso só ocorreu no passado com a intervenção do Estado obrigando. Foi uma ditadura (Getulio Vargas) que obrigou, porque todo o mundo já estava fazendo isso. A Revolução Russa, por exemplo, ameaçou e obrigou os empresários a cederem”. Segundo expressou, os governos tiveram que entrar na questão “porque não ia ter auto-regulamentação nenhuma”.
A Reforma da Previdência de 2019, que foi o principal projeto da equipe do ministro Paulo Guedes, na gestão do então presidente Jair Bolsonaro, consolidou na Constituição Federal que a aposentadoria compulsória para servidores públicos (União, Estados e Municípios) ocorra automaticamente aos 75 anos de idade, com proventos proporcionais.
Na avaliação de Bernardo Kocher, a emenda provocou a perda de direitos trabalhistas ao dar aos empresários a opção de demitir os trabalhadores celetistas com 75 anos de idade sem direito a receber indenização pelo tempo trabalhado, nem à multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“Eles estão há décadas cortando direitos, porque o mundo do trabalho mudou muito. O mundo hoje é de serviços. A competição é global, a China produz tudo muito mais barato. Então, se a classe trabalhadora está vulnerável, essa legislação (da emenda Paulo Guedes) passa”.
Para o professor da UFF, a perspectiva para o trabalho não é nada boa. “Hoje, o mercado domina o mundo do trabalho. E isso leva à precarização, leva à pejotização (contratação de pessoas jurídicas), à redução de salários e o Estado não quer intervir mais na economia.”
Na ótica do professor de Sociologia do Trabalho do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ), Marco Santana, o 1º de Maio mantém um significado profundamente político, ainda que seu sentido tenha se transformado ao longo do tempo.
“É, como se diz, dia de luta e luto. Ele surgiu no final do século 19 como um dia de luta, ligado à memória das greves operárias de 1886 em Chicago, que reivindicavam a jornada de oito horas e foram violentamente reprimidas.”
De acordo com Santana, desde então, o 1º de Maio simboliza a afirmação de que os direitos trabalhistas não são concessões naturais do progresso ou mesmo das classes dominantes, mas conquistas obtidas por meio de lutas, conflito social e organização coletiva.
Ao longo do século 20, o dia, marcado por um feriado, acompanhou a consolidação dos direitos do trabalho em muitos países, por meio de legislação trabalhista, sindicatos reconhecidos, previdência social e limites à jornada. Em vários contextos, porém, esse caráter combativo acabou por ser institucionalizado.
“O 1º de Maio passou a ser celebrado como data cívica, com cerimônias oficiais e discursos, muitas vezes esvaziando sua dimensão de protesto e de críticas ao capitalismo”, disse, em entrevista à Agência Brasil.
Marco Santana observou, entretanto, que no século 21, o significado do 1º de Maio volta a se tensionar. “As transformações recentes do mundo do trabalho — como a precarização, a informalidade, o trabalho por aplicativos, o enfraquecimento sindical e a redução drástica de direitos laborais — recolocam o 1º de Maio como um dia de denúncia e reinvenção das lutas trabalhistas”.
Ao mesmo tempo, as pautas se ampliaram. “Não se trata apenas e somente do emprego industrial clássico, mas também do trabalho de cuidado, do trabalho racializado, das questões ambientais e da relação entre trabalho, tecnologia e vida. A luta contra a escala 6x1, por vida além do trabalho, por exemplo, é uma pauta central e inescapável nesse 1º de Maio em nosso país”.
No entender do professor do IFCS/UFRJ, o 1º de Maio expressa hoje uma dupla dimensão: é memória histórica das lutas que fundaram direitos sociais e, simultaneamente, um alerta sobre sua fragilidade. “Mais do que comemorar conquistas passadas, o feriado reafirma que o direito ao trabalho digno, ao tempo livre e à vida para além da mercantilização continua sendo uma questão aberta e disputada”.
Nos países onde o dia 1º de maio não é feriado oficial, são organizadas manifestações nesta data, em defesa dos trabalhadores. Por outro lado, algumas nações celebram o Dia do Trabalhador em outras datas.
Um exemplo é a Nova Zelândia, que celebra o Dia do Trabalho na quarta segunda-feira de outubro, em homenagem à luta dos trabalhadores locais, que levou à adoção da jornada de 8 horas diárias, antes da greve geral que resultou no massacre nos Estados Unidos.
Na Austrália, o Dia do Trabalho varia de acordo com a região. Já os Estados Unidos e o Canadá celebram o Dia do Trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Nos Estados Unidos, a escolha teria como objetivo evitar associar a festa do trabalho com o movimento socialista, então com alguma relevância no país.
AGÊNCIA BRASIL
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