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Radio Sanca Web TV - Terça, 10 Janeiro 2023

MATO GROSSO DO SUL - Criadores do Pantanal trabalham em várias frentes para diferenciar o gado local daquele criado fora da região. Eles buscam certificações, selos e protocolos com classificações de carne sustentável, carbono zero, carbono neutro, de preservação de fauna e flora e também com identificação geográfica (IG).

A intenção é promover uma carne “diferenciada”, produzida de acordo com padrões ambientais para ampliar sua presença no mercado nacional e conquistar clientes internacionais. A busca pelos vários selos, que vão render preço extra na venda do produto, ocorre em paralelo e une a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), a Embrapa, a Secretaria Estadual da Agricultura, o Ministério da Agricultura e ONGs como WWF e Instituto Homem Pantaneiro (IHP).

O apelo da sustentabilidade vai ao encontro do movimento global de consumidores preocupados com a preservação ambiental, que querem saber de onde vem seu alimento, como foi produzido e está disposto a pagar mais para compensar boas práticas de produção.

“A ideia é valorizar o gado pantaneiro sustentável, informando aos consumidores que ele é produzido de acordo com questões ambientais de conservação”, afirma Eduardo Cruzetta, presidente da ABPO.

Parte dos bovinos da região já é reconhecida como sustentável e tem direito a pagar metade da alíquota do ICMS na venda no Estado de Mato Grosso do Sul. Mas a carne chega ao mercado praticamente sem qualquer diferenciação de qualidade ou preço, misturada às demais de outras origens.

 

Alimento nativo

A ABPO desenvolveu um protocolo de produção que identifica as práticas tradicionais de produção de gado no Pantanal. Os animais são alimentados apenas com grama nativa na fase de cria e recria (até cerca de 1,6 ano). Em outras regiões, normalmente eles comem ração com produtos transgênicos e químicos após o desmame.

As normas da associação preveem também a rastreabilidade do animal desde o nascimento e cumprimento das legislações ambiental, trabalhista e estatutária.

O produtor precisa passar por um processo de certificação feito por empresas independentes. Segundo Cruzetta, a carne sustentável do Pantanal está no mercado desde 2020, mas ainda não possui um selo de identificação, o que dificulta suas vendas com “prêmio” (acima do valor de produtos sem essa característica).

“Além de estar produzindo uma carne mais saudável, estamos produzindo também biodiversidade”, justifica o presidente da ABPO, que tem 85 associados. Segundo ele, a associação recebe apoio do Instituto Taquari, da Wetlands e do WWF, organizações de preservação do meio ambiente, para “fazer crescer esse movimento da agropecuária sustentável no Pantanal.”

 

Carne Orgânica

Nas fazendas de Mato Grosso do Sul são abatidos atualmente 50 mil a 70 mil cabeças de gado por ano com a certificação de sustentável, número que representa de 5% a 7% dos abates anuais no Pantanal. Outra carne vendida por poucos produtores é a orgânica, cujas regras de certificação são mais rígidas.

Além da identificação desde o nascimento, incluindo quem é a mãe, o gado não pode ser alimentado, em nenhuma fase da vida, com rações que contenham agrotóxicos (milho, soja, sorgo) nem receber antibióticos. O tratamento preventivo só pode ser feito com homeopatia e fitoterapia e o rebanho deve ser criado em áreas sem desmatamento ilegal.

A carne orgânica também é certificada por empresas especializadas e o protocolo de produção é do Ministério da Agricultura. “Para esse gado, o prêmio pago ao produtor varia entre 10% e 15%”, afirma Cruzetta, mas, por enquanto, atende um nicho pequeno de mercado. Em São Paulo, por exemplo, é vendido apenas na rede de lojas da Korin. Antes da pandemia, os criadores abatiam cerca de 500 a 600 cabeças por mês, número que caiu para 250 a 300 e não se recuperou.

Heitor Herrera, proprietário da Fazenda Alegria, no distrito de Nhecolândia – a cerca de 80 km de Corumbá –, tem atualmente 6 mil cabeças de gado no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, normalmente são 8 mil, mas em razão da seca extrema da região o rebanho foi reduzido até o ambiente se recuperar.

“Todo o gado é criado com pastagem nativa, não usamos ração e o rebanho come o que o ambiente oferece”, afirma Herrera, que também é professor de veterinária na Universidade Católica Dom Bosco, de Campo Grande.

Para ele, o projeto da Embrapa e da ABDO, de criar uma certificação para o gado pantaneiro, vai agregar valor ao produto. “Hoje a concorrência é desigual, pois recebemos valor igual ao de qualquer outra fazenda”, afirma.

Nos próximos meses, os produtores também devem aderir a uma certificação que será fornecida pela Embrapa, chamada de Fazendas Pantaneiras Sustentáveis (FPS). A instituição criou uma plataforma para mensurar os índices ambiental, social e econômico das propriedades para verificar se operam com manejo adequado, baseado em técnicas, que consiga produzir gado e ao mesmo tempo conservar ativos ambientais do bioma,

 

RAIO X

Thiago Coppola, chefe adjunto de transferência de tecnologias da Embrapa Pantanal, informa que os dados são captados e inseridos no sistema, que faz um “raio X” da fazenda e gera um gráfico com pontuações.

“Com os dados gerados, os pesquisadores fazem uma análise e entregam um documento ao produtor indicando como a fazenda está nos quesitos propostos e quais são as boas práticas que deve executar para melhorar”. A instituição também presta consultoria ao produtor, principalmente na parte tecnológica.

A plataforma já está sendo usada de forma piloto no Pantanal de Mato Grosso e logo vai começar a rodar também em Mato Grosso do Sul. “Na parte ambiental, o mundo hoje está se voltando para a questão do carbono, da relação entre o homem e o ambiente, da conservação, e isso vai valer para pagamentos de serviços ambientais e vai gerar um diferencial para a propriedade, por exemplo para obter certificações de sustentabilidade”, diz Coppola.

O próximo passo do projeto FPS será o desenvolvimento da certificação, que terá validade internacional, favorecendo as exportações.

 

Baixo carbono

A Embrapa também trabalha com a ABPO para fornecer certificados de “carne de baixo carbono” ou “carbono zero”, para sistemas que neutralizam ou reduzem a emissão de metano emitido pelos animais, por meio da integração de lavouras, pecuária e florestas e manejo adequado do solo. “Queremos neutralizar o carbono que os animais emitem com o plantio de árvores nativas”, exemplifica Sílvio Balduíno, diretor executivo da ABDO.

Outra demanda dos produtores de bovinos do Pantanal, a ser oficialmente solicitada até metade do próximo ano, é a Indicação Geográfica (IG), reconhecimento para produtos ou serviços que apresentam uma origem geográfica específica e que possuem qualidades e reputação relacionadas ao local de origem. “A IG é uma forma de proteção da propriedade intelectual onde o bem protegido não é o produto em si, mas o conjunto de fatores que estão associados a ele, ambientais, culturais, históricos e sociais relacionados a um ‘saber fazer único’ em um território”, explica Balduíno.

O órgão responsável pelo Reconhecimento da IG e autorização do uso do selo é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Por se tratar de produto com características exclusivas relacionadas ao meio geográfico, tanto social quanto ambiental, Balduíno acredita que “300 anos de pecuária com 85% da vegetação original preservada, a carne sustentável do Pantanal demonstra possibilidades de reconhecimento via IG, favorecendo o desenvolvimento territorial sustentável de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso”.

Ele cita exemplos como Roquefort para queijo produzido na região de Roquefort, e Champagne, espumante da região de Champagne, ambas na França.

 

Onça preservada

Outra adicionalidade no quesito preservação e diversidade é a parceria da ABPO com o IHP no projeto Felinos Pantaneiros, que tem como objetivo superar o conflito entre fazendeiros e felinos. Por muitas décadas, onças são mortas por atacarem o gado. Somada a essa prática, a caça de onças-pintadas (hoje proibida) colocou o felino típico do Pantanal na lista de animas em risco de extinção.

O programa do IHP propõe a instalação de cercas elétricas ao redor dos berçários nas fazendas – local onde ficam os bezerros – e repelentes, equipamentos que emitem luzes coloridas em várias direções e espantam as onças, em propriedades e áreas onde vivem os ribeirinhos, que perdem seus animais domésticos para os felinos. “A onça-pintada preservada garante receita de turismo para a região”, diz Ângelo Rabelo, presidente do IHP.

A Fazenda Alegria, de Herrera, é uma das dez propriedades do Pantanal sul-mato-grossense que aderiu recentemente ao uso de cercas elétricas para evitar que onças ataquem o gado. A perda de bezerros representa prejuízos para o negócio, mas ele entende que matar os felinos não é a solução. O choque não fere o animal, mas o afasta da área protegida.

Uma das empresas parceiras no projeto é a General Motors, que doou duas picapes S10 para trabalhos de campo da ONG e verba para a aquisição de repelentes e apoio em outros projetos. A fazenda está nas mãos da família Herrera há 122 anos e seus antepassados caçavam onças. “Tenho uma antiga cadeira com encosto feito de pele de onça-pintada, mas eu até escondo para ninguém ver”, revela Herrera, de 61 anos.

 

 

por Cleide Silva / ESTADÃO

Publicado em Natureza

SÃO PAULO/SP  Caracterizado por uma atividade involuntária dos músculos mastigatórios, o bruxismo afeta 30% da população mundial e 40% dos brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). As causas da patologia ainda são desconhecidas, mas podem estar relacionadas, principalmente, ao estresse, ansiedade e fatores hereditários.

O transtorno pode provocar dores de cabeça, incômodos e ruídos no ouvido, além de desgaste e amolecimento dental e, em casos mais críticos, problemas nas gengivas, nos ossos e na articulação da mandíbula (ATM).

Em tempo: nos pacientes com bruxismo, os dentes sofrem uma sobrecarga que pode ocasionar fraturas, desgastes e fissuras. E, quando ocorre a perda dentária, o implante dentário é uma solução. 

“Pacientes com bruxismo podem fazer implantes, porém é preciso ter alguns cuidados especiais para evitar problemas nas próteses e implantes”, diz o Dr. Felipe Borba, mestre em Implantodontia e Consultor Científico da S.I.N. Implant System. “Isso porque o bruxismo pode causar danos como fraturas no implante, afrouxamentos no parafuso da prótese e, em casos mais graves, até mesmo a perda do implante”, completa.

Segundo o Dr. Borba, o dentista atua no sentido de evitar sobrecargas sobre o implante. “O uso de placa miorrelaxante é recomendado. É possível também fazer recorrer à laserterapia, ajustes oclusais e botox, como tratamentos alternativos”, diz o especialista. “O tratamento na maioria das vezes é multidisciplinar, sendo que em muitos casos o acompanhamento com psicólogo é necessário, além de mudanças no estilo de vida, para diminuição do estresse e ansiedade”, conclui.

Além disso, implantes com carga imediata (aqueles onde a colocação do dente sobre o implante é feita imediatamente após a cirurgia) não são recomendados para pacientes com bruxismo. Isso porque a pressão extra causada pelo ranger dos dentes é  altamente prejudicial em implantes que ainda não estão totalmente osseointegrados. 

Por fim, o Dr. Felipe ressalta que é fundamental que o paciente visite regularmente o Dentista, idealmente a cada seis meses, ou conforme a recomendação do profissional..

Publicado em Ciência & Saúde

ARARAQUARA/SP - Um acidente de trânsito tirou a vida de uma criança de 2 anos e deixou outras duas pessoas em estado grave na altura do km 274 da Rodovia Washington Luiz, na cidade de Araraquara, na noite de terça-feira, 10.

De acordo com informações, uma Van Mercedes Benz Sprinter, com placas da cidade de Campinas, colidiu na traseira de um caminhão VW no sentido interior/capital.

O SAMU e Corpo de Bombeiros foram acionados e se deslocaram rapidamente para o local por volta de 21h20.

Agentes da Concessionária estiveram no local e socorreram em estado grave a criança, pois a vítima apresentava traumatismo craniano e foi encaminhada para a Santa Casa de Araraquara, onde passou por procedimentos, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos e morreu durante a madrugada.

Já o casal que são pais da criança, que ficaram presos às ferragens, foram socorridos com fraturas nas pernas e também encaminhados para a Santa Casa de Araraquara. O motorista do caminhão, de 39 anos, nada sofreu.

O caso foi registrado em boletim de ocorrência.

Publicado em Araraquara

VOTUPORANGA/SP - Um carro foi incendiado no pátio de um posto de combustíveis localizado na rodovia Euclides da Cunha, na cidade de Votuporanga, na noite do último sábado (7).

Uma câmera de segurança flagrou quando um suspeito se aproximou do veículo e segundos depois o carro começou a pegar fogo.

Em seguida, o carro em chamas se aproximou de bombas do posto de combustíveis e parou no estacionamento do restaurante, que teve os toldos queimados.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar o incêndio. Ninguém ficou ferido. O suspeito não foi preso.

 

 

REGIÃOSP

Publicado em Outras Cidades

Prisão ocorreu no trabalho do indiciado

 

SUMARÉ/SP - Policiais civis da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Americana prenderam na terça-feira (10) um homem, de 49 anos, por porte ilegal de arma de fogo no bairro Jardim Santiago, em Sumaré.

Denúncias anônimas alegavam que o homem estaria vendendo armas e drogas em um condomínio. Durante as investigações, foi possível identificar o rapaz que foi denunciado, seu endereço e local de trabalho. Foi expedido um mandado de busca e apreensão, sendo cumprido onde o indivíduo trabalha.

Na residência do indiciado, foram encontradas e apreendidas uma pistola, munições, uma faca e um aparelho celular.

Diante dos fatos, foi feita a prisão em flagrante sendo conduzido para a sede da Polícia Civil onde foi submetido a exame corpo de delito e permanecerá à disposição da Justiça.

Publicado em Outras Cidades

IBATÉ/SP - A Prefeitura de Ibaté inicia nesta quarta-feira, 11 de janeiro, as inscrições para o “Projeto Ibaté em Férias”, que aconteceu no ano de 2020 e retorna neste ano, após não ter sido realizado por conta da pandemia do novo Coronavírus.

Amanda Affonso, Coordenadora de Assistência Social, fala sobre o Ibaté em Férias. “Este projeto tem o objetivo de oferecer às crianças, no período de férias escolares de janeiro, opções de lazer que preencham o seu tempo livre de forma prazerosa e ao mesmo tempo construtiva, por meio do desenvolvimento de atividades lúdicas, esportivas, artísticas, culturais, sociais e turísticas”, contou.

As inscrições poderão ser realizadas de 11 a 18 de janeiro, das 9h às 14h, nas escolas municipais Brasilina Teixeira Ianoni, no Jardim Cruzado, e na Vera Helena Trinta Pulcinelli, no Jardim Icaraí. “Todas as crianças devem residir em Ibaté e ter de 06 a 12 anos de idade para poderem participar”, lembra Danielle Chaves, secretária de Educação e Cultura. “No ato da inscrição é necessário a apresentação dos documentos pessoais dos pais e da criança, bem como, a carteirinha de vacinação [da criança]”, completou.

As crianças participarão de oficinas de dança, artes, teatro, música, gincanas, jogos lúdicos, esportes, higiene bucal além de muita diversão. A Guarda Municipal também fará oficinas mostrando os riscos do cerol [atividade que acontece muito nesse período]. “Diariamente, todos os participantes receberão café da manhã e lanches. Também terão uma refeição reforçada no horário do almoço, através do Projeto Merenda nas Férias, que teve início na última segunda-feira”, contou Raul Seixas II, secretário adjunto de Esporte.

O prefeito de Ibaté, José Luiz Parella, ressalta que a ideia é ocupar as crianças nas férias escolares. “Esse projeto é para tirar nossas crianças do ócio, durante as férias, proporcionando atividades para que elas possam se ocupar e não pensar em fazer coisas erradas, ficando longe das drogas e de más companhias. Portanto, trata-se de mais um projeto pioneiro de Ibaté que, com certeza, assim como o Merenda Nas Férias, se tornará referência para que outras prefeituras possam implantar em suas cidades”, finalizou.

Publicado em Ibaté

RIO DE JANEIRO/RJ - Ana Helena Goebel, repórter da "Globo" e do "SporTV", se demitiu do "Grupo Globo" após oito anos na emissora. A jornalista se despediu da empresa através de publicação nas redes sociais. Goebel alegou que "é hora de mudar a rota", mas não informou se já acertou com algum outro veículo.

- Ainda tenho outros sonhos pra realizar, então é hora de mudar a rota. Seguirei com a mesma vontade daquela menina (que sonhava em trabalhar na Globo), que está sempre aqui dentro me lembrando que a vida é feita de desafios, e são eles que me movem - escreveu.

Nos comentários da publicação, diversos jornalistas da Globo se despediram da agora ex-colega e rasgaram elogios à profissional.

- Talentosa e muito comprometida. Certeza que vai realizar seus sonhos e um mundo de possibilidades vai se abrir pra você. Vai fazer muita falta, conta comigo - comentou Bárbara Coelho.

- Ei, querida! Que comece mais uma linda jornada - publicou Lucas Gutiérrez.

- Sucesso, garota! Você é maravilhosa! - escreveu Renata Silveira.

- Primeiro de tudo eu lamento sua saída, porque, cara, como você é boa! Mas fico muito feliz por encontrar novos caminhos e por nunca ter perdido o ímpeto de ir atrás. Como você fala 'eu amo isso aqui, Ana, amo falar de futebol' e é esse amor que vai te conduzir onde quer que você vá. Conta comigo - postou Ana Thais Matos.

Ana Helena Goebel atuou como repórter e apresentadora no Grupo Globo. Além de cobrir transmissões esportivas, participou de programas como "Tá na Área" e "É Gol". Em 2019, chegou a ser afastada da emissora após um suposto conflito de interesses ao entrevistar o jogador Gustavo Cuéllar, do Flamengo - o marido de Goebel, Gianfranco Petruzziello, era empresário do volante colombiano.

 

 

por LANCE!

Publicado em TV

FRANÇA - O Governo francês divulgou nesta terça-feira (10) a tão aguardada e debatida reforma da Previdência. A principal medida – e um dos pontos mais sensíveis – será a extensão da idade de aposentadoria para 64 anos, contra os 62 atuais. O tema promete provocar intensas manifestações e os principais sindicatos já convocaram os primeiros protestos.

"Sugerimos que aqueles e aquelas que podem, que trabalharem por mais tempo (...) Esta escolha é também a de todos os nossos vizinhos europeus", anunciou a primeira-ministra Elisabeth Borne durante um discurso televisionado. O projeto prevê aumentar a idade mínima para a aposentadoria gradativamente até 2030, até chegar aos 64 anos.

“Sei bem que a mudança do nosso sistema de aposentadorias suscita receios e dúvidas entre os franceses. Queremos responder e convencer a todos”, continuou Borne, defendendo a “ambição de justiça e progresso” do seu governo.

A primeira-ministra também declarou estar pronta para "fazer avançar" a reforma "graças a um debate parlamentar leal e construtivo".

Os oito principais sindicatos de trabalhadores convocaram um primeiro dia de manifestações e greves em 19 de janeiro. Eles contestam esse plano, que vinha sendo prometido pelo presidente Emmanuel Macron desde a campanha para seu primeiro mandato.

 

“Reforma injusta”

A líder da extrema direita Marine Le Pen reagiu dizendo que quer "barrar" uma "reforma injusta", enquanto o partido radical de esquerda A França Insubmissa denunciou uma "grave regressão social".

“Voltamos ao que os mais velhos já sabiam, ou seja, depois do trabalho é o cemitério”, denunciou o chefe do sindicato CGT, Philippe Martinez. De acordo com o Instituto Francês de Estatística, um quarto dos homens mais pobres já morreu aos 62 anos.

“Se Emmanuel Macron quer fazer desta a mãe das reformas (...), para nós será a mãe das batalhas”, resume Frédéric Souillot, chefe do sindicato Força Operária.

A França passou por uma série de grandes reformas de seus sistemas previdenciários nos últimos 30 anos, quase todas acompanhadas por grandes movimentos sociais, para responder à deterioração financeira de seus fundos e ao envelhecimento da população.

Para cada francês com 65 anos ou mais, existem atualmente 2,6 com idade entre 20 e 64 anos. Mas estes serão apenas 2,25 em 2030 e menos de 2 em 2040, o que põe em risco o chamado modelo de aposentadoria por repartição, em que as contribuições dos ativos pagam as pensões dos aposentados.

 

Medida impopular

A reforma previdenciária também prevê acelerar a extensão do período contributivo, avançando para 2027 a exigência de 43 anos de contribuições para pensão completa em vez de 2035, informou o comunicado de imprensa do governo. Em contrapartida, a pensão mínima será aumentada para todos os aposentados, atuais ou futuros, anunciou Borne.

A França é um dos países europeus onde a idade legal para a aposentadoria é a mais baixa, sem que os regimes de pensões sejam completamente comparáveis. São 65 anos na Alemanha, Bélgica e Espanha, e 67 na Dinamarca, de acordo com o Centro de Relações Europeias e Internacionais de Seguridade Social, um órgão público francês.

Mas a medida em relação à idade continua altamente impopular. Mais de dois terços dos franceses (68%) são contra o adiamento para 64 anos, de acordo com uma pesquisa do Ifop-Fiducial.

Em Lille, Olivier Rohas, de 41 anos, gestor de projetos de desenvolvimento sustentável, teme que o novo limite de idade “prejudique realmente nossa qualidade de vida”, ainda que “entenda” a necessidade de “financiar as nossas pensões”.

"A partir dos 50 anos é difícil para alguém encontrar trabalho. Então, o que ele fará dos 50 aos 65? Durante 15 anos, ele permanecerá à procura de emprego antes de passar para a aposentadoria", observa Emmanuel, empresário entrevistado pela AFP em Versalhes, na região parisiense.

 

Coletes amarelos, o retorno

No parlamento, o governo francês espera receber o apoio dos deputados da direita moderada (Os Republicanos), cujo chefe Eric Ciotti já afirmou estar pronto para "votar uma reforma justa".

O texto será apreciado no Conselho de Ministros no dia 23 de janeiro, enquanto a coalizão de esquerda Nupes se reúne nesta terça e 17 de janeiro, e o partido A França Insubmissa, da esquerda radical, já planeja uma manifestação no dia 21. “Acho que temos um bom equilíbrio de poder”, revelou a presidente do partido na Assembleia Nacional, Mathilde Panot.

O projeto de lei deve passar em comissão na Assembleia Nacional a partir de 30 de janeiro e no Parlamento em 6 de fevereiro.

No último sábado (7), os "coletes amarelos" – cujas manifestações semanais por mais de um ano marcaram fortemente o primeiro mandato de Emmanuel Macron – tentaram se remobilizar. Mas apenas 4,7 mil pessoas, incluindo 2 mil em Paris, de acordo com o Ministério do Interior, estiveram presentes nesta primeira manifestação, pontuada por canções hostis ao presidente francês, mas sem a violência que marcou o movimento desde o final de 2018 até o início de 2020.

 

 

 

(Com informações da AFP)

por RFI

Publicado em Economia

UCRÂNIA - Após meses de impasse em torno da estratégica cidade de Bakhmut, em Donetsk, no leste da Ucrânia, forças russas mudaram sua tática e conseguiram avançar para uma posição que pode lhes permitir romper as defesas ucranianas na região.

De acordo com blogueiros militares russos e avaliação do Ministério da Defesa do Reino Unido, tropas do grupo mercenário russo Wagner controlam quase toda Soledar, uma cidadezinha de 10 mil habitantes famosa por sua mina de sal, que fica 15 km a nordeste de Bakhmut.

Desde outubro, russos e ucranianos transformam a região numa terra arrasada, um moedor de carne humana na definição das Forças Armadas de Kiev. Bakhmut é hoje mais ruína, ao estilo do que ocorreu em Mariupol, tomada pelos russos no mais sangrento cerco da guerra iniciada em fevereiro de 2022.

As linhas de suprimento para as forças da Ucrânia em Bakhmut foram interrompidas. Na segunda (9), o presidente Volodimir Zelenski disse que, "graças à resistência em Soledar, ganhamos tempo", sem especificar para quê. Donetsk é, das quatro regiões anexadas por Vladimir Putin em setembro, a menos controlada pelos russos talvez algo mais do que 50% dela esteja em mãos de Moscou. Há ações ofensivas também em Liman, cidade de onde os russos se retiraram em outubro, e Adviika.

A situação difícil consolida o fim da onda de otimismo exagerado acerca do momento pró-Kiev da guerra, que se mostrava evidente pela sequência de boas notícias para Zelenski: a retomada de territórios em Kharkiv, no nordeste do país e a retirada de forças russas da margem oeste do rio Dnieper em Kherson, abandonando a capital regional homônima, maior cidade que haviam conquistado.

Houve lances mais simbólicos, como os ataques com drones a bases aéreas no interior da Rússia e um ataque mortífero contra uma base com recrutas em Donetsk, mas o fato é que do fim do ano para cá o impasse voltou a dominar a cena com um viés favorável aos russos, que têm tido tempo para se reorganizar e empregar os 320 mil reservistas que mobilizaram para os moedores de carne a oeste.

"Os soldados são feridos e morrem de frio ou de perda de sangue, sem que ninguém os colete", afirmou o analista militar ucraniano Oleh Jdanov no YouTube, pintando um quadro mais cruel do lado do adversário.

No sul do país, os ucranianos não conseguiram avançar além das linhas defensivas mais elaboradas dos russos na margem leste do Dnieper, e Moscou segue impondo uma campanha punitiva contra civis, mirando com mísseis e drones suicidas a infraestrutura energética do país em pleno inverno.

Na semana passada, após grande protelação, países ocidentais anunciaram o envio de blindados para a Ucrânia, exatamente o tipo de armamento necessário para a campanha no leste que pressupõe seu emprego para romper linhas, no que de resto é uma grande batalha de artilharia.

Os números, contudo, ainda são modestos, e não há sinais de tanques de guerra, uma demanda de Kiev. Os EUA enviarão 50 blindados de combate de infantaria Bradley, a Alemanha, 40 similares Marder e a França, um número incerto de tanques leves AMX.

Se ficar nisso, não deve ser suficiente para mudar o rumo da guerra, assim como as complexas baterias antiaéreas Patriot americanas, que serão cedidas por países da Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, como a Alemanha representantes do Pentágono confirmaram à imprensa americana nesta terça que receberão em breve soldados ucranianos para treiná-los a operar o sistema. Se o influxo aumentar, como no caso dos lançadores de foguetes Himars, o impacto pode ser significativo.

Zelenski quer ao menos 300 novos tanques ocidentais. Da sua frota de 987 veículos pré-guerra, acrescida de 230 modelos soviéticos T-72 da Polônia, ao menos 444 foram destruídos, de acordo com o site de monitoramento militar holandês Oryx. O Reino Unido, segundo a imprensa local, estuda enviar alguns modelos pesados Challenger-2, buscando assim incentivar a Alemanha a fazer o mesmo movimento com seus modernos Leopard-2. Um ex-comandante da Otan, o general britânico Richard Shirreff, disse à rádio londrina LBC que "o Ocidente deveria ter enviado tanques muito antes".

Putin já sinalizou que, ao menos neste momento, estaria satisfeito em negociar uma paz que o deixasse com os nacos que anexou da Ucrânia, cerca de 20% dos territórios do país, incluindo a Crimeia, que absorveu em 2014. Kiev não aceita, por óbvio, tal posição.

No Ocidente, o momento russo não passou despercebido. Após semanas falando sobre o que considerava derrota certa de Moscou, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou nesta terça (10) que "não se deve subestimar a Rússia". Assim, além de fazer um "hedge" acerca da situação em campo, abre espaço para o aumento no envio de armas para Kiev, algo que tem sido ajustado ao longo do conflito pelo temor de que os russos considerassem o fornecimento de caças, por exemplo, um envolvimento direto demais da aliança no conflito arriscando uma Terceira Guerra Mundial.

 

 

por IGOR GIELOW / FOLHA de S. PAULO

Publicado em Guerra na Ucrânia

LUETZERATH - A polícia começou na terça-feira a desmontar barricadas e dispersar ativistas que protestavam contra a expansão de uma mina de carvão a céu aberto que destacou as tensões sobre a política climática da Alemanha durante uma crise energética.

Os manifestantes, muitos usando máscaras ou balaclavas, protestaram contra a mina Garzweiler, administrada pela empresa de energia RWE na vila abandonada de Luetzerath, que faz parte do distrito de carvão marrom do Estado da Renânia do Norte-Vestfália, na região ocidental do país.

Eles formaram correntes humanas, organizaram protestos e ocuparam prédios abandonados em Luetzerath, que serão destruídos para dar lugar à expansão da mina. Alguns se enterraram em buracos no chão, enquanto outros ficaram pendurados em tripés de madeira.

"Você considera isso um despejo pacífico? É ridículo o que você está fazendo, como você não está envergonhado?" disse um manifestante enquanto a polícia arrastava ativistas que estavam sentados em uma rua lamacenta.

Os protestos destacam as crescentes tensões sobre a política climática de Berlim, que, segundo os ambientalistas, ficou em segundo plano durante a crise energética que atingiu a Europa no ano passado após a invasão da Ucrânia pela Rússia, forçando o retorno a combustíveis mais sujos.

A questão é particularmente sensível para os Verdes, agora de volta ao poder como parte do governo de coalizão do chanceler Olaf Scholz, após 16 anos na oposição entre 2005-2021.

Muitos verdes se opõem à expansão da mina, mas o ministro da Economia, Robert Habeck, do partido, defendeu a decisão do governo. Alguns ativistas despejaram 250 kg de blocos de carvão em frente à sede local do Partido Verde, segundo informou a mídia alemã.

 

 

 

Reportagem de Riham Alkousaa, Andy Kranz, Stephane Nitschke, Petra Wischgoll / REUTERS

Publicado em Política

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