NEPAL - Semanas após as enchentes devastadoras que atingiram a região do Himalaia, as autoridades do Nepal disseram nesta quarta-feira (16) que apenas cerca de 7% dos corpos recuperados foram identificados. O dado evidencia a dimensão do trabalho para ajudar milhares de famílias a descobrir o destino de seus entes.
A avalanche de lama, rochas e água foi desencadeada pelo colapso de uma geleira, e deixou um rastro de destruição. Familiares continuam cobrando respostas das autoridades, à medida que diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes.
A autoridade de gestão de desastres que elevou para 6.150 o número de pessoas desaparecidas, em uma importante revisão para cima do balanço de vítimas. O boletim anterior, divulgado na terça (15), contabilizada 5.179 desaparecidos.
"Estamos coletando informações sobre as pessoas desaparecidas junto aos escritórios distritais e revisamos os dados após a verificação", declarou à AFP a porta-voz Shanti Mahat.
O número de corpos recuperados chegou a 1.403, segundo a agência de desastres. Há ao menos 636 estrangeiros entre os desaparecidos, após o desastre atingir comunidades montanhosas e instalações de usinas hidrelétricas
O órgão afirmou ter coletado amostras de DNA de 1.206 corpos e 1.889 amostras de familiares dos desaparecidos. Apesar disso, apenas 105 corpos foram identificados e entregues às famílias, acrescentou.
Do outro lado da fronteira, na China, o balanço é de 43 mortos e 519 desaparecidos, de acordo com a imprensa estatal. O balanço nos dois países é agora de 1.446 mortos e pelo menos 6.669 desaparecidos.
As autoridades utilizaram drones térmicos e helicópteros nas buscas e trouxeram especialistas para resgatar trabalhadores presos em túneis. As buscas resultaram em alguns resgates extraordinários de pessoas que ficaram presas em túneis de usinas hidrelétricas do Nepal.
Familiares de cidadãos estrangeiros, no entanto, afirmam que o fluxo de informações sobre as operações de resgate, antes regular, diminuiu.
"O espaço aéreo restrito, o relevo montanhoso de difícil acesso e o volume de detritos acumulados são os principais desafios para localizar os desaparecidos", informou o órgão de desastres.
A autoridade acrescentou que continua fornecendo atualizações regulares a embaixadas e famílias por canais diretos e indiretos.
por Folhapress
BRASÍLIA/DF - O fim do foro especial voltou a ganhar força entre líderes políticos à sombra da crise deflagrada pelo caso do Banco Master no STF (Supremo Tribunal Federal), cujo efeito colateral contamina o Congresso. Parlamentares dizem à reportagem que há uma divisão sobre o tema, mas indicam que o debate será levantado após a eleição deste ano.
O Congresso acumula dezenas de PECs (propostas de emenda à Constituição) para acabar ou reduzir o alcance do foro especial. Em 2017, o Senado chegou a aprovar a extinção do benefício, mas o texto segue parado na Câmara.
O principal motivo para a estagnação da proposta é a divergência interna. Uma ala entende que é preciso manter o foro por prerrogativa de função para evitar o assédio judicial na primeira instância, patrocinado por adversários em suas bases eleitorais. Esse grupo prefere concentrar os processos no STF para filtrar eventuais problemas na Justiça.
Por outro lado, acabar com o foro é especialmente atrativo para políticos com processos avançados no STF. A extinção da prerrogativa poderia levar seus processos para a primeira instância, abrindo novas possibilidades jurídicas para evitar eventuais condenações.
O fogo cruzado de ministros envolvendo o Banco Master, porém, abalou líderes do Congresso. Parte da cúpula da Câmara teve os nomes citados em uma lista encontrada em uma churrasqueira da casa do senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do PP, em uma operação para averiguar sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Parlamentares do Centrão e do PL aparecem listados em um papel ao lado de números que somam "100", mas sem ligação aparente com o Master. A divulgação do caso gerou duras reações. Ex-líder do União Brasil, Elmar Nascimento (BA) defendeu uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra vazamentos da Polícia Federal.
Material de referência geográfica
O alerta do Congresso sobre o STF voltou a soar na segunda-feira (14), com a operação autorizada por Flávio Dino contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), no âmbito da ação sobre desvios e falta de transparência de emendas parlamentares.
A ação sobre emendas se tornou o principal motivo de desconfiança do Congresso em relação ao STF. Na avaliação de congressistas, Dino relata uma ação com capacidade de atingir e prejudicar todos os partidos, causando um receio generalizado que nem sequer o inquérito das fake news, antes sob relatoria de Moraes, provocou.
Cezinha é um dos principais aliados de Mendonça no Legislativo, e a operação autorizada por Dino foi vista como uma resposta à ofensiva do ministro contra Moraes no caso Master. Dessa forma, parlamentares passaram a ver na extinção do foro especial uma maneira de reduzir o alcance do STF sobre o mandato de congressistas.
Ao mesmo tempo em que o foro é considerado uma proteção de autoridades federais contra o assédio judicial em primeira instância, ele passou a ser visto como um instrumento para o equilíbrio de forças entre os Poderes. Enquanto o Congresso tem projetos para conter o poder do STF, a Corte tem como mecanismo de contenção política a possibilidade de abertura e avanço de inquéritos.
Líderes partidários entendem, dessa forma, que a crise do Master e a ação sobre as emendas reforçaram a necessidade de debate sobre o fim do foro especial. Eles consideram, porém, que a força para a extinção do benefício só poderá ser medida após as eleições de outubro e efetivada com a posse dos novos deputados e senadores eleitos, em 2027.
O consenso é de que a Câmara não pode repetir o que parlamentares tratam como afobação de 2025. No ano passado, deputados aprovaram a PEC da Blindagem, que previa autorização do Congresso para o STF investigar parlamentares. A proposta foi enterrada no Senado diante da reação popular contra a medida.
Líderes de oposição demonstram mais apoio ao fim do foro especial, mas aliados do presidente Lula também não demonstram resistência. Ambos os lados admitem, porém, que poderão mudar de avaliação a partir do resultado da eleição, diante do fato de que o próximo presidente poderá mudar o perfil do STF ao indicar, pelo menos, três nomes para a Corte até 2030.
Líderes do Congresso dizem ser necessário aguardar para saber qual grupo sairá vencedor da crise interna no STF. Mesmo congressistas críticos ao fim do foro especial, porém, reconhecem haver apelo popular à medida.
Uma ala do Centrão afirma que, se a direita conquistar a maioria das cadeiras do Congresso, o Legislativo poderá avançar em outras medidas contra o STF, além do foro. Uma possibilidade citada é avançar com o projeto que limita decisões monocráticas de ministros.
por Folhapress
ESPANHA - Um homem assustou moradores da cidade de Salas de los Infantes, em Burgos, na Espanha, após divulgar uma série de vídeos no TikTok ameaçando explicitamente explodir o município usando dispositivos no próximo dia 5 de novembro.
Após o caso viralizar nas redes sociais, a Guarda Civil montou uma operação para prender o homem e também fazer buscas em sua residência. A ação foi realizada com a intervenção de unidades especializadas para verificar a veracidade da ameaça e descartar a possibilidade de ele possuir explosivos reais.
Durante a operação, o homem se recusou a colaborar com a polícia e se trancou dentro da residência. Ele afirmou aos agentes que tinha um suposto artefato explosivo. Um negociador foi chamado ao local e fez com que o homem se entregasse. Ele foi preso por suspeita de cometer crimes de ameaça com publicidade e desobediência.
A investigação subsequente à prisão do suspeito permanece em aberto.
Nos vídeos publicados na internet, o homem se dirige diretamente aos moradores da cidade com uma mensagem explícita, na qual diz para a população deixar a cidade antes de um prazo limite para evitar o que ele descreve como um massacre iminente.
"Recomendo que aqueles que estão na cidade se dirijam para outra cidade naquele dia. Eles têm até o meio-dia para evacuar", disse, acrescentando que suas intenções são direcionadas contra o que ele chama de funcionários corruptos e representantes da autoridade. "Vamos ver quem sobrevive primeiro aos escombros ", diz explicando que tudo já está preparado de acordo com seu plano.
A divulgação das imagens deixou os habitantes do município assustados.
Ao avaliar se as declarações feitas pelo suspeito correspondiam a uma ameaça real ou ao uso de algum objeto simulado, a polícia destacou que "o possível explosivo poderia ser um brinquedo"
por Rafael Damas
Anticorpos têm como alvo o receptor IL-7Rα, associado à leucemia, e podem abrir caminho para novas estratégias terapêuticas e para o desenvolvimento nacional de medicamentos biológicos
CAMPINAS/SP - A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é o tipo de câncer do sangue mais comum na infância, correspondendo a cerca de 75 a 80% dos casos de leucemia diagnosticados em crianças e adolescentes. Apesar de a taxa de cura superar 80%, uma parte dos pacientes não responde ao tratamento padrão ou apresenta recaída da doença. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini (Boldrini) identificaram um fator molecular associado à doença e usaram esse achado como base para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais com potencial terapêutico, capazes de se ligar a um receptor envolvido na biologia da leucemia.
O alvo é o receptor de interleucina 7 (IL-7Rα). Os pesquisadores identificaram que cerca de 10% dos pacientes com LLA do tipo T e cerca de 2% dos pacientes com LLA do tipo B, os dois principais subtipos da doença, têm uma mutação oncogênica no gene que codifica esse receptor.
Essa proteína é essencial para o desenvolvimento e a sobrevivência das células do sistema imunológico, especialmente dos linfócitos T, um tipo de glóbulo branco. Normalmente, a ativação do IL-7Ra depende da presença da interleucina 7 (IL-7). Algumas mutações oncogênicas nesse receptor, porém, fazem com que ele permaneça ativado mesmo na ausência de IL-7. Com isso, a célula passa a receber continuamente sinais que favorecem sua sobrevivência e proliferação. Em células ainda imaturas, esse processo pode contribuir para sua expansão anormal e para o desenvolvimento da leucemia.
"O receptor mutado pode ser comparado a um interruptor de luz que ficou travado na posição ligada. Mesmo sem o estímulo que normalmente seria necessário para ativá-lo, ele continua enviando sinais para a célula. Com isso, a célula recebe continuamente estímulos de sobrevivência e proliferação, favorecendo sua multiplicação anormal. Esse comportamento contribui para o desenvolvimento da leucemia", explica Priscila Pini Zenatti Salles, pesquisadora do Centro de Pesquisa Boldrini e professora colaboradora do Programa de Pós-graduação do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp na área genética e de biologia molecular.
Desenvolvimento dos anticorpos monoclonais
Após identificarem esse mecanismo molecular alterado, os cientistas da Unicamp e do Boldrini desenvolveram anticorpos monoclonais, proteínas capazes de reconhecer com alta precisão um alvo específico no organismo. Neste caso, os anticorpos foram desenvolvidos para reconhecer e se ligar ao receptor IL-7Ra presente na superfície das células, podendo interferir em sua sinalização e também contribuir para que as células leucêmicas sejam reconhecidas e destruídas pelo sistema imunológico. A pesquisa envolveu 14 pesquisadores das duas instituições e se desenvolveu ao longo da última década.
A tecnologia utilizada foi a de hibridomas, método desenvolvido nos anos 1970 para a obtenção de anticorpos monoclonais de forma padronizada. Primeiro, os pesquisadores imunizaram camundongos para estimular a produção de anticorpos específicos contra o IL-7Rα. Em seguida, foram retirados os esplenócitos, células presentes no baço dos animais e entre as quais estão os linfócitos B responsáveis pela produção desses anticorpos.
Como os linfócitos B não sobrevivem e não se multiplicam indefinidamente fora do organismo, os esplenócitos são fusionados a células imortalizadas de mieloma, com capacidade de proliferação contínua. Dessa fusão surgem os hibridomas, células que combinam a capacidade de produzir o anticorpo específico com a capacidade de se multiplicar continuamente em cultura. A partir deles, os pesquisadores selecionam os clones que produzem os anticorpos com as características desejadas.
Como os anticorpos atuam
Ao se ligar ao receptor IL-7Rα presente na superfície da célula leucêmica, o anticorpo pode interferir nos sinais mediados por esse receptor, que participam da sobrevivência e da proliferação celular. Ao reduzir esses sinais, o anticorpo pode prejudicar a sobrevivência e a multiplicação das células leucêmicas. Além disso, ao permanecer ligado à superfície da célula, o anticorpo pode funcionar como uma espécie de marcação, favorecendo seu reconhecimento por células do sistema imunológico capazes de eliminar a célula tumoral.
Em modelos pré-clínicos, com camundongos que receberam células leucêmicas de pacientes, o tratamento com os anticorpos retardou a progressão da doença em comparação com os animais não tratados. Embora o tratamento isolado não tenha eliminado a doença, os resultados demonstram atividade contra a leucemia e dão suporte a novos estudos para avaliar esses anticorpos em combinação com outras terapias, incluíndo a quimioterapia.
"O anticorpo mostrou capacidade de retardar a progressão da doença nos modelos pré-clínicos. Esses resultados são importantes porque demonstram seu potencial terapêutico e justificam novos estudos para avaliar sua utilização em combinação com tratamentos já empregados contra a leucemia, como a quimioterapia", explica Zenatti Salles.
Como o anticorpo original tem origem murina, seu uso terapêutico em humanos é limitado pelo risco de o organismo reconhecê-lo como estranho e desencadear uma resposta imunológica contra ele. Por isso, os pesquisadores desenvolveram também uma variante quimérica, em que parte da estrutura do anticorpo é substituída por sequências humanas, e uma variante humanizada, em que a maior parte da estrutura é formada por sequências humanas, preservando-se principalmente as regiões responsáveis pelo reconhecimento do alvo.
O resultado é uma família de anticorpos que inclui versões murina, quimérica e humanizada, protegida por pedido de patente depositado com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp. A equipe também investiga os diferentes anticorpos de forma isolada e em combinação, buscando identificar as estratégias com maior potencial terapêutico.
Redução da dependência de insumos importados
Se seu potencial for confirmado nas próximas etapas de desenvolvimento e, futuramente em estudos clínicos, os anticorpos anti-IL-7Ra poderão representar uma nova alternativa terapêutica para os pacientes com LLA, incluindo aqueles que não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis ou que apresentam recaída da doença. A tecnologia também pode contribuir para ampliar a capacidade nacional de produção de medicamentos biológicos, como os anticorpos monoclonais, reduzindo a dependência brasileira de insumos e de etapas produtivas realizadas no exterior.
"Ampliar a capacidade de produzir no Brasil nossos próprios insumos e medicamentos biológicos, reduzindo a dependência de etapas realizadas no exterior, representaria um avanço importante para o Brasil", afirma Zenatti Salles.
Próximas etapas do desenvolvimento
Antes de chegar aos estudos clínicos, a tecnologia ainda precisa passar por diferentes etapas de desenvolvimento. Entre elas está a substituição do sistema de produção transiente, no qual é necessário introduzir novamente nas células, a cada ciclo de produção, as instruções genéticas para fabricar o anticorpo, por uma linhagem celular permanente e estável, capaz de produzir o anticorpo continuamente e de forma mais padronizada. Essa etapa é atualmente desenvolvida em um projeto de mestrado de outra integrante da equipe de pesquisa.
Outra etapa importante será estabelecer parceria com uma empresa farmacêutica ou instituição com capacidade para apoiar o desenvolvimento do processo produtivo, sua ampliação de escala e a fabricação do anticorpo em condições compatíveis com os padrões de qualidade e segurança exigidos para as etapas que antecedem os estudos em humanos.
"O que nós precisamos agora é encontrar uma empresa farmacêutica interessada em desenvolver essa tecnologia conosco e apoiar as próximas etapas de produção e desenvolvimento, para que futuramente possamos avançar para os estudos clínicos", diz a pesquisadora.
Além da LLA, os anticorpos poderão futuramente ser investigados em outras doenças nas quais o IL-7Ra tenha papel relevante. "O IL-7Rα também está envolvido em outras condições, incluindo algumas doenças autoimunes. Por isso, no futuro, poderemos investigar se esses anticorpos também apresentam potencial nesses contextos”, diz a pesquisadora. A pesquisa é conduzida no Centro de Pesquisa Boldrini e conta com alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado da Unicamp. Atualmente, três doutorandos e uma mestranda estão dedicados em tempo integral ao desenvolvimento dos anticorpos.
A parceria já rende dez anos de estudos e, segundo a equipe, deve seguir gerando novas tecnologias a partir da mesma linha de pesquisa. Além de Priscila Pini Zenatti Salles e do pesquisador José Andres Yunes, o pedido de patente lista como inventores João Mateus Silva Feitoza, Joey Ramone Ferreira Fonseca, Fernando Mesquita de Sousa de Lima, Rhaissa Godoi, Diego Dávila Maldonado, Mayara Ferreira Euzébio, Aryanny Paula Sousa Ferreira, Gabriella Lima dos Reis, Gisele Olinto Libanio Rodrigues, Letícia Grillo Guimarães Pereira, Thais Rafael Guimarães e Juliana Ronchi Corrêa.
Como licenciar uma tecnologia na Unicamp
A Inova Unicamp disponibiliza no Portfólio de Tecnologias da Unicamp uma vitrine tecnológica. Empresas e instituições públicas ou privadas podem licenciar a propriedade intelectual desenvolvida na Unicamp, com ou sem exclusividade, tais como patentes, cultivares, marcas, programa de computador e know-how. O contato para interessados no licenciamento de tecnologias da Universidade é realizado diretamente com a Agência de Inovação da Unicamp pelo formulário de conexão com empresas pelo site da Inova Unicamp.
A Inova também oferta ativamente as tecnologias para as empresas, com a intenção de que o conhecimento gerado na Universidade se converta em soluções reais e chegue ao mercado e à sociedade. Para conhecer casos de licenciamento de tecnologias da Unicamp, acesse o site da Inova. E para encontrar os profissionais ideais para as necessidades do seu projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com a Universidade, faça uma busca no Portfólio de Competências da Unicamp.
BRASÍLIA/DF - Empresas afetadas pelo tarifaço americano e por impactos da guerra no Oriente Médio já podem se habilitar a empréstimos do Plano Brasil Soberano, que disponibiliza R$ 22,6 bilhões em crédito.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu nesta quinta-feira (17) o protocolo para empresários se habilitarem aos financiamentos.
O programa inclui também empresas de setores considerados indispensáveis, como fertilizantes e minerais críticos.
O pacote de crédito é formado por R$ 13,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do BNDES, banco estatal ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Essa é a terceira fase do programa, iniciado em meados de 2025. O programa surgiu como apoio do governo brasileiro após os Estados Unidos terem sobretaxado exportadores brasileiros.
A segunda versão foi lançada em março de 2026, incluindo negócios afetados pela guerra no Oriente Médio.
Na terceira fase, três grupos de empresas têm direito ao crédito, conforme portaria do governo:
Integram o grupo 2 empresas de ramos como o têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, minerais críticos e de máquinas e equipamentos.
Para o grupo de afetados pelo tarifaço ou conflito no Oriente Médio, é preciso cumprir condicionantes, como pelo menos 1% do faturamento vindo do comércio com os países envolvidos.
Empresários podem verificar a elegibilidade da empresa por meio do site do programa.
Os financiamentos são direcionados para capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, e projetos de investimentos.
Os juros cobrados variam de 4,3% a 17,5% ao ano. As condições dependem de fatores como porte da empresa e destinação dos recursos.
Os detalhes e a forma de habilitação para o crédito podem ser consultados no site do BNDES.
AGÊNCIA BRASIL
ESPANHA - Gabriel Jesus no Barcelona foi uma das grandes surpresas da última janela de transferências. Anunciado na reta final do período de contratações em negócio que custou 10 milhões de euros (R$ 60 milhões no câmbio da época), já soma dois gols em 37 minutos jogados (sem contar acréscimos) e tem recebido elogios.
A goleada por 7 a 2 sobre o Racing Santander, na quarta-feira, marcou o jogo em que recebeu mais minutos de Hansi Flick. Entrou aos 24 do segundo tempo e precisou de 10 em campo para marcar um golaço.
O jornal catalão "Mundo Deportivo" em uma de suas manchetes exclamou: "Gabriel Jesus aproveita ao máximo seus minutos".
O "As", de Madri, usou a seguinte chamada: "Gabriel Jesus avisa". O texto assinado por Sergi de Juan menciona a coletiva de apresentação do brasileiro, quando disse que chegara ao Barça não para se recuperar de problemas no joelho e os colocou no passado. Adiciona também que a melhor maneira de espantar a desconfiança tem se dado com resultados dentro de campo.
Gabriel Jesus estreou pelo Barça contra o Valencia, no último dia 6, quando entrou aos 36 minutos da etapa final. Três dias depois, entrou aos 34 contra o Feyenoord e marcou o primeiro gol pelo clube espanhol.
Por Redação do ge
IRÃ - O preço do petróleo está em queda nesta quinta-feira (17), com a diminuição dos ataques entre os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e forças militares da Arábia Saudita, somada às novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o fim do conflito com o Irã está próximo.
O barril Brent, referência mundial, chegou a cair 2,27%, a US$ 103,43 (R$ 532,87), por volta das 7h (horário de Brasília), após ter permanecido durante a madrugada entre US$ 104 e US$ 105. É o menor preço da commodity desde a última sexta-feira (11), quando o envolvimento dos houthis no confronto não era tão acentuado.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 101,02 (R$ 520,46), em queda de 1,38%.
A desvalorização desta quinta-feira reflete a diminuição das ofensivas entre houthis e sauditas, que disputam o controle do estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e vem sendo usado pela Arábia Saudita para escoar sua produção de petróleo.
Nesta quinta-feira, o grupo do Iêmen informou que três torres de telecomunicação foram atingidas por mísseis vindos da Arábia Saudita, de acordo com a emissora de televisão Almasirah. Os sauditas não confirmaram a informação.
Um dia antes, Trump voltou a afirmar que o fim da guerra contra o Irã está próximo.
"Eles querem chegar a um acordo. Veremos como isso se desenrola", afirmou o republicano, repetindo declarações que fez diversas vezes ao longo destes seis meses de guerra.
O Irã não confirmou a informação de Trump e já havia dito, no começo da semana, que não aceitaria negociar com os EUA enquanto suas exigências não fossem atendidas.
Ao mesmo tempo, o site Axios divulgou, nesta quarta-feira, que Trump deve se reunir com líderes do Conselho de Cooperação do Golfo, formado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Kuwait e Omã, na próxima terça-feira (22), em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU.
O Departamento de Estado e a Casa Branca não responderam aos pedidos de comentário. O mesmo grupo de países árabes cancelou um encontro que faria com representantes do Irã na última segunda-feira (14), no qual seria debatida a situação no estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.
por Folhapress
EUA - O penAI, Anthropic e Google DeepMind estão discutindo a criação de um órgão de supervisão voltado aos riscos da inteligência artificial (IA), em meio à crescente pressão para que as empresas responsáveis pelos modelos mais avançados adotem mecanismos mais rígidos de segurança.
A OpenAI, criadora do ChatGPT, revelou nesta terça-feira que a ideia surgiu a partir de uma proposta de Demis Hassabis, da Google DeepMind. O executivo sugeriu uma estrutura semelhante à Financial Industry Regulatory Authority (FINRA), entidade de autorregulação do mercado financeiro dos Estados Unidos.
A proposta é criar uma organização financiada pelas próprias empresas de inteligência artificial, mas com especialistas independentes responsáveis por avaliar a segurança de novos sistemas antes que eles sejam lançados ao público.
O projeto, no entanto, encontra obstáculos jurídicos e políticos. Para funcionar nos moldes da FINRA, uma entidade criada pelo próprio setor precisaria de respaldo legal, inclusive para evitar acusações de conluio entre concorrentes e possíveis violações das regras de competição.
Modelo seria inspirado na regulação do mercado financeiro
A FINRA estabelece regras para empresas e profissionais do mercado financeiro americano, mas atua sob a supervisão da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais dos Estados Unidos.
"A FINRA pode conceber suas próprias regras, mas a SEC tem de aprová-las", explicou à agência France-Presse Andrew Tuch, professor de Direito da Universidade Washington em St. Louis.
Uma estrutura semelhante para a inteligência artificial permitiria que empresas do setor participassem da elaboração de regras técnicas, mas sob algum tipo de fiscalização externa.
A proposta apresentada por Hassabis em julho previa um conselho formado por especialistas independentes e também por representantes do ecossistema de modelos abertos de inteligência artificial, que podem ser acessados, modificados e distribuídos livremente.
As empresas responsáveis pelos sistemas mais avançados teriam de submeter novos modelos a avaliações, principalmente de segurança, antes de colocá-los no mercado.
Incidentes aumentam pressão sobre empresas de IA
O debate sobre os riscos da inteligência artificial ganhou força nos últimos meses após uma série de episódios envolvendo modelos avançados e declarações de executivos do próprio setor sobre os perigos representados pela tecnologia.
Alguns sistemas desenvolvidos por OpenAI e Anthropic chegaram a sair espontaneamente de ambientes controlados durante testes para acessar a internet e interagir com outras plataformas, segundo relatos citados nas discussões sobre segurança.
Os episódios ampliaram a pressão sobre as empresas para que adotem sistemas capazes de avaliar riscos antes que modelos mais poderosos sejam disponibilizados.
Hassabis também sugeriu que o eventual órgão de supervisão poderia coordenar uma desaceleração no desenvolvimento de determinados sistemas caso os mecanismos de avaliação de segurança não conseguissem acompanhar a velocidade dos avanços tecnológicos.
Governo Trump resiste a restrições
A discussão ocorre em meio à resistência do governo de Donald Trump a regras que possam desacelerar o setor de inteligência artificial nos Estados Unidos.
Depois de o presidente da Anthropic, Dario Amodei, defender uma redução no ritmo de desenvolvimento da tecnologia, Trump e integrantes de sua base política reforçaram a oposição a medidas restritivas.
O argumento do governo americano é que regulações excessivas poderiam reduzir a capacidade dos Estados Unidos de competir com a China na corrida pela inteligência artificial.
Trump chegou a classificar como "farsas" os alertas de especialistas sobre possíveis ameaças da IA à humanidade.
Apesar dessa resistência, integrantes da própria indústria têm pedido ao governo americano algum tipo de estrutura nacional para acompanhar a segurança dos modelos.
A administração Trump iniciou em agosto um processo de avaliação de novos sistemas de IA, mas o mecanismo depende da participação voluntária das empresas e não estabelece instrumentos claros de fiscalização ou punição.
Bernie Sanders cobra regras obrigatórias
A possibilidade de deixar parte da fiscalização nas mãos das próprias empresas também provoca críticas no Congresso americano.
"Quando o futuro da humanidade está em jogo, precisamos de regras internacionais vinculativas, não de padrões voluntários da indústria", afirmou o senador democrata Bernie Sanders, em Washington.
Críticos da proposta dizem que permitir que as maiores empresas participem diretamente da elaboração das regras pode favorecer uma chamada "captura regulatória", situação em que companhias submetidas à fiscalização acabam exercendo influência excessiva sobre as normas que deveriam controlá-las.
O receio é que OpenAI, Anthropic, Google e outras empresas com grande capacidade financeira e tecnológica criem regras que dificultem a entrada de novos concorrentes no mercado.
Conselheiro de Trump fala em risco de "cartel da IA"
David Sacks, conselheiro de Trump para assuntos ligados à tecnologia, também criticou a ideia e afirmou que a criação de uma entidade formada pelas principais empresas poderia resultar em "um cartel da IA".
Na avaliação de Sacks, cada companhia deveria assumir individualmente a responsabilidade por seus modelos e, se considerar necessário, reduzir por conta própria o ritmo de desenvolvimento.
Essa possibilidade, porém, é vista com ceticismo dentro do próprio setor. As maiores empresas de tecnologia já investiram dezenas de bilhões de dólares em infraestrutura, chips, centros de dados e treinamento de modelos, o que aumenta a pressão para que continuem avançando rapidamente.
A discussão coloca em lados diferentes duas preocupações que vêm acompanhando a expansão da inteligência artificial: de um lado, o temor de que modelos cada vez mais poderosos sejam lançados sem mecanismos suficientes de segurança; de outro, o risco de que regras definidas pelas próprias gigantes do setor aumentem ainda mais a concentração de poder na indústria.
NOTÍCIAS AO MINUTO
ALEMANHA - O Parlamento Europeu apontou a Rússia como a principal ameaça externa à União Europeia em um relatório aprovado nesta terça-feira durante sessão plenária.
O documento reúne as conclusões da Comissão Especial sobre o Escudo Europeu da Democracia e apresenta recomendações para reforçar a proteção das instituições do bloco contra interferências estrangeiras.
O texto recebeu 420 votos favoráveis, 220 contrários e 26 abstenções.
Entre as medidas apoiadas pelos eurodeputados está a criação do Centro Europeu da Resiliência Democrática, iniciativa que pretende coordenar redes e estruturas já existentes destinadas à prevenção, detecção, análise e resposta a ameaças no ambiente de informação.
O objetivo, segundo o Parlamento Europeu, é evitar a fragmentação dos esforços entre os países do bloco e reduzir a duplicação de estruturas e iniciativas.
Os parlamentares defendem que a participação no centro seja obrigatória para todos os Estados-membros e que haja controle parlamentar sobre suas atividades.
Relatório cita ataques híbridos da Rússia
O Parlamento Europeu destacou os ataques híbridos atribuídos à Rússia contra infraestruturas críticas, incluindo ciberataques, atos de sabotagem, incêndios criminosos, espionagem e interferência de sinais.
O relatório também aponta ameaças provenientes de Belarus, China, Irã e Coreia do Norte.
Os eurodeputados defendem ainda a ampliação das sanções contra pessoas e organizações que facilitem campanhas de desinformação ou ajudem a contornar medidas restritivas já impostas pela União Europeia.
O texto aprovado também trata da proteção da soberania do bloco, da integridade dos processos eleitorais e da liberdade dos meios de comunicação.
As medidas fazem parte dos esforços da União Europeia para reforçar a capacidade de resposta a interferências externas e proteger as instituições democráticas dos países que integram o bloco.
NOTÍCIAS AO MINUTO
EUA - Becky Jones tinha apenas 21 anos quando descobriu que tinha um câncer cerebral e, supostamente, apenas alguns meses de vida. O diagnóstico, feito por um médico especialista em câncer, levou a mulher a submeter-se a 11 anos de quimioterapia, que mudaram a sua vida e o seu estado de saúde.
Segundo relata Becky, disseram a ela que sem tratamentos não sobreviveria e que, provavelmente, teria que se submeter aos mesmos até ao resto da sua vida.
"Me disseram, muitas vezes, que se não fizesse quimioterapia que iria morrer", recorda.
Agora, com 34 anos, a britânica descobriu que afinal nunca teve um câncer. Sofria antes de uma inflamação cerebral que podia ter sido tratada com esteroides, noticia a BBC.
Becky é apenas um de 40 pacientes que estão tomando ações legais contra o Hospital Universitário de Coventry e Warwickshire (UHCW), por terem sido sujeitos a tratamentos para câncer que eram desnecessários.
A verdade foi descoberta precisamente depois de Becky saber que o hospital estava reavaliando vários diagnósticos de câncer, no ano passado.
Mais tarde, recebeu uma chamada telefônica a informando que os tratamentos iam ser interrompidos e que o médico que tinha feito o diagnóstico tinha se aposentado.
"Nunca tive um câncer no cérebro. Fui mal diagnosticada e me sujeitei a toda esta dor durante toda a minha vida adulta", contesta a mulher, a quem disseram que não conseguiria ter filhos, mesmo embora seja hoje mãe de duas crianças.
A BBC conversou com vários outros afetados que revelaram ter contraído outros problemas de saúde como consequência dos tratamentos de quimioterapia a que se submeteram.
Entretanto, o centro hospitalar informou que está sendo conduzida uma investigação e assegurou que toda a comunidade de pacientes está segura e que o bem-estar está no topo das prioridades da UHCW.
Por Notícias ao Minuto
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