Sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), CIAMED integra a nova geração de Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da FAPESP e terá como foco doenças negligenciadas e emergentes
SÃO CARLOS/SP - A pesquisa brasileira na área de descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos ganha um importante reforço com a criação do Centro de Inteligência Artificial Aplicada à Descoberta de Medicamentos para Doenças Negligenciadas e Emergentes (CIAMED), que terá como pesquisador responsável o atual Diretor do IFSC/USP, Prof. Adriano Defini Andricopulo.
O novo centro está entre os cinco Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) anunciados esta semana pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para atuação nas grandes áreas de Ciências da Saúde, Ciências Biológicas e Agronomia e Veterinária.
A escolha representa um novo marco para a pesquisa desenvolvida no IFSC/USP, particularmente na área de química medicinal e descoberta de fármacos, ao colocar a inteligência artificial no centro de uma estratégia destinada a acelerar a identificação e o desenvolvimento de candidatos a novos medicamentos.
O CIAMED foi aprovado no âmbito da Chamada de Propostas de Pesquisa 2024 do Programa CEPID da FAPESP, sob o processo 2025/07803-9, tendo o IFSC/USP como instituição-sede e o Prof. Adriano Andricopulo como pesquisador responsável.
Inteligência artificial contra doenças de grande impacto
A própria denominação do novo centro revela um pouco a dimensão do desafio científico, que, em traços resumidos, se dedica a aplicar ferramentas de inteligência artificial ao processo de descoberta de medicamentos destinados, particularmente, ao enfrentamento de doenças negligenciadas e emergentes.
Trata-se de uma área estratégica para a ciência e para a saúde pública, já que as doenças negligenciadas atingem principalmente populações vulneráveis e, num contexto histórico, despertam menor interesse comercial para o desenvolvimento de novos tratamentos.
Já as doenças emergentes representam um desafio adicional pela possibilidade de surgimento ou disseminação de novos agentes infecciosos e pela necessidade de respostas científicas mais rápidas. Nesse contexto, a inteligência artificial abre novas possibilidades.
A descoberta tradicional de um medicamento é um processo complexo, que envolve a investigação de um enorme universo de moléculas e a avaliação de suas propriedades e de sua capacidade de interagir com alvos biológicos associados às doenças.
Ferramentas computacionais e modelos de inteligência artificial podem contribuir para analisar grandes volumes de dados, identificar padrões, selecionar moléculas promissoras e orientar etapas experimentais.
A perspectiva é tornar o processo de descoberta de novos candidatos a fármacos mais racional e eficiente, integrando computação, química, biologia e outras áreas do conhecimento, sendo essa, justamente, a interface interdisciplinar que deverá atuar o CIAMED.
A coordenação do novo CEPID ficará sob responsabilidade do Prof. Adriano Defini Andricopulo, pesquisador do IFSC/USP cuja trajetória científica está fortemente vinculada à química medicinal e à descoberta de fármacos. Farão parte, ainda, os pesquisadores responsáveis vinculados a este CEPID: Profs. Drs. André Luís Berteli Ambrosi; Glaucius Oliva; Leonardo Luiz Gomes Ferreira; Rafael Victório Carvalho Guido; e Nelma Regina Segnini Bossolan, que ocupará o cargo de coordenadora responsável pelo setor de difusão e divulgação científica.
A instalação do centro no IFSC/USP também reforça a presença de São Carlos como um dos polos de pesquisa científica e tecnológica do país e amplia a atuação do Instituto em pesquisas situadas na fronteira entre as ciências físicas, químicas, biológicas, computacionais e da saúde.
Pesquisa com perspectiva de longo prazo
O modelo CEPID da FAPESP diferencia-se de projetos convencionais justamente pela dimensão e pelo horizonte temporal das pesquisas. Os centros são estruturados para desenvolver investigações fundamentais ou aplicadas de grande alcance, associando produção científica à inovação e à transferência de conhecimento para a sociedade.
Além da pesquisa propriamente dita, os CEPID’s possuem compromissos com transferência de tecnologia, educação e difusão científica, criando condições para que os resultados produzidos nos laboratórios alcancem outros setores da sociedade.
Os cinco novos centros anunciados pela FAPESP se juntarão aos 12 CEPID’s atualmente em operação.
Segundo as condições estabelecidas no edital, cada novo CEPID poderá receber financiamento anual de até R$ 10 milhões durante a fase inicial de cinco anos. O apoio da Fundação poderá se estender por um período total de até 11 anos, condicionado às regras e avaliações previstas pelo programa.
A escala e a duração do financiamento permitem estabelecer programas científicos de longo prazo, formar novas gerações de pesquisadores, criar infraestrutura, estabelecer colaborações e enfrentar problemas cuja complexidade dificilmente poderia ser abordada por projetos isolados e de curta duração.
O avanço dos métodos computacionais vem modificando a maneira como pesquisadores investigam moléculas, proteínas, interações biológicas e grandes conjuntos de dados, sendo que essa combinação com inteligência artificial deverá ser o centro da dinâmica do CIAMED
Com apoio de longo prazo da FAPESP e uma proposta baseada na integração de diferentes áreas do conhecimento, o CIAMED nasce com o desafio de produzir ciência de excelência e, ao mesmo tempo, criar caminhos para que seus resultados possam gerar inovação e impacto para a sociedade.
Confira no link o anúncio da FAPESP relativo à criação dos novos cinco CEPID’s - https://fapesp.br/18399/fapesp-anuncia-cinco-novos-cepids