SÃO CARLOS/SP - O edifício que abriga o Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo (CDCC), localizado no centro de São Carlos, ganhou uma nova iluminação cênica que valoriza sua arquitetura histórica e reforça sua posição como um dos principais símbolos culturais e científicos da cidade.
Construído em 1908 para sediar a antiga Società Dante Alighieri, entidade criada por imigrantes italianos, o prédio representa um importante marco da imigração italiana em São Carlos e testemunha um período de grande desenvolvimento urbano impulsionado pela economia cafeeira e pela chegada da ferrovia. Em 1953 o prédio foi cedido para uso da Universidade de São Paulo, com a instalação ali da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). A EESC e posteriormente o antigo IFQSC (Instituto de Física e Química de São Carlos) usaram as instalações do prédio para seus laboratórios e oferecimento de aulas até 1979, quando deram lugar ao CDCC, que iniciou suas atividades em 1980.
Reconhecido pelo seu valor histórico e arquitetônico, o imóvel é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e integra o conjunto de bens de interesse cultural do município.
Com características marcantes do estilo eclético, predominante nas cidades paulistas do início do século XX, o edifício preserva elementos ornamentais inspirados na arquitetura europeia, refletindo a identidade cultural trazida pelos imigrantes italianos. Embora tenha recebido um segundo pavimento em 1922, a construção manteve a harmonia estética original.
Iluminação destaca patrimônio e fortalece a identidade da cidade
A nova iluminação foi inaugurada durante as comemorações dos 46 anos do CDCC e dos 40 anos do “Observatório Dietrich Schiel” no último mês de maio, com a presença de inúmeros convidados que foram recepcionados pelo diretor e vice-diretora da unidade, Profs. Fernando Fernandes Paiva e Fernanda Canduri. Muito mais do que um recurso estético, o projeto luminotécnico evidencia os detalhes arquitetônicos da construção e amplia a visibilidade de um dos mais importantes patrimônios históricos de São Carlos.
A iniciativa também fortalece a vocação do CDCC como espaço dedicado à ciência, à educação e à cultura, aproximando ainda mais a universidade da população.
Entre os principais benefícios do projeto está a valorização do patrimônio histórico, com destaque para os elementos arquitetônicos que ajudam a preservar a memória da imigração italiana e reforçam a identidade cultural do município.
Outro impacto esperado é o fortalecimento do turismo cultural e científico. A iluminação transforma o edifício em um novo ponto de referência da paisagem urbana durante o período noturno, estimulando visitas, atividades culturais e maior circulação de pessoas na região central.
A revitalização do centro histórico também figura entre os resultados da iniciativa. Ambientes públicos mais iluminados favorecem a ocupação dos espaços pela população, ampliam a sensação de segurança, movimentam o comércio local e incentivam a convivência social.
Além disso, a nova iluminação amplia a presença institucional do CDCC, reforçando sua missão de promover o acesso da sociedade ao conhecimento científico e às atividades culturais desenvolvidas pela Universidade de São Paulo.
O resultado é uma intervenção que alia preservação histórica, desenvolvimento urbano, turismo, cultura e ciência, fortalecendo a imagem de São Carlos como uma cidade comprometida com o conhecimento e a inovação.
Projeto mobilizou diferentes setores da USP
A implantação da nova iluminação foi resultado de um trabalho iniciado ainda na gestão da professora Salete Linhares Queiroz, quando surgiu a proposta de modernizar os sistemas de iluminação interna e externa do edifício. A demanda partiu de José Braz Mania, responsável pelo setor de audiovisual do CDCC.
Na gestão da professora Nelma Regina Segnini Bossolan , o projeto passou a ser tratado como prioridade, dando início às articulações necessárias para sua viabilização.
Um passo decisivo ocorreu em 2024, durante visita do então chefe de gabinete da Reitoria da USP, professor Arlindo Philippi Jr., que destacou junto à Coordenadoria de Administração Geral (CODAGE) a importância da iniciativa para a preservação do patrimônio da Universidade. O apoio foi fundamental para que, no início de 2025, a obra recebesse autorização e recursos para sua execução, totalizando cerca de R$300 mil.
O projeto contou com a imprescindível atuação de diversos profissionais. Destacam-se Giovanna Tostes, responsável pelos processos administrativos de contratação; Reginaldo dos Santos, técnico de manutenção do CDCC; o engenheiro Rogério Bastos, da Prefeitura do Campus USP de São Carlos; o arquiteto Roberto Blume, autor do projeto arquitetônico; o engenheiro eletricista Edgar Arana, responsável pelo projeto elétrico, bem como o eletricista responsável por toda a instalação, Erik Cesar da Silva; a empresa Fragalli Engenharia, representada pelos engenheiros Silvio e Miguel Fragalli, encarregada da execução da obra, e Rogério Bastos e Reginaldo, responsáveis pela fiscalização da obra.
A nova identidade visual reforça a presença da Universidade de São Paulo junto à sociedade. Ao transformar um prédio centenário em um marco luminoso da cidade, a USP evidencia seu compromisso não apenas com a produção do conhecimento, mas também com a preservação da memória, da cultura e da história de São Carlos.
Outro aspecto relevante é a versatilidade do sistema de iluminação, que permitirá ao edifício assumir diferentes configurações cromáticas em datas comemorativas e campanhas de conscientização. Em ocasiões como o Natal, o aniversário de São Carlos ou campanhas de saúde pública, como o “Outubro Rosa” e o “Novembro Azul”, a fachada poderá ganhar novas cores, tornando-se um instrumento de comunicação visual capaz de sensibilizar a população e fortalecer o vínculo entre a universidade e a comunidade.
Assim, a nova iluminação transcende sua função estética, representando um investimento na valorização do patrimônio histórico, na qualificação do espaço urbano e na aproximação entre ciência, cultura e sociedade.
Ao iluminar um dos seus edifícios mais emblemáticos, São Carlos ganha não apenas uma fachada renovada, mas um novo símbolo de sua história e de sua vocação para o conhecimento.
SÃO CARLOS/SP - Uma descoberta na área da biologia celular está lançando nova luz sobre a maneira como as células administram um dos nutrientes mais importantes para sua sobrevivência: a glutamina. Presente naturalmente no organismo e obtida também por meio da alimentação, ela é indispensável para a produção de energia, a renovação dos tecidos, o fortalecimento do sistema imunológico e a recuperação do organismo após lesões ou infecções. Também exerce um papel importante no crescimento de células cancerígenas.
Em uma revisão publicada na revista Biochemical Society Transactions, pesquisadores reuniram evidências de que algumas proteínas responsáveis por utilizar a glutamina conseguem mudar de comportamento quando a célula enfrenta situações de estresse, como escassez de nutrientes ou alterações no metabolismo.
Em vez de permanecerem dispersas, essas proteínas podem se agrupar e formar longas estruturas temporárias, semelhantes a pequenos filamentos. O que os pesquisadores descobriram foi que os filamentos reorganizam as mitocôndrias, como se representassem um ganho de função, protegendo-as de um fenômeno de reciclagem de organelas que as células lançam mão quando tem pouco nutrientes (mitofagia).
Os pesquisadores verificaram que esse comportamento não ocorre apenas em uma proteína específica. Diversas proteínas ligadas ao aproveitamento da glutamina apresentam capacidade semelhante, sugerindo que esse seja um mecanismo amplamente utilizado pelas células para manter o equilíbrio do organismo.
A descoberta pode trazer benefícios importantes para a saúde humana. Ao compreender melhor como as células regulam o uso da glutamina, os cientistas poderão desenvolver medicamentos capazes de atuar com maior precisão sobre esse processo.
Na área da oncologia, por exemplo, o conhecimento poderá contribuir para criar terapias que reduzam o fornecimento de glutamina às células tumorais, dificultando seu crescimento e sua multiplicação, ao mesmo tempo em que preservam o funcionamento das células saudáveis. Essa abordagem pode resultar em tratamentos mais eficazes e com menor risco de efeitos colaterais.
Os resultados também podem beneficiar pacientes com doenças inflamatórias, autoimunes e metabólicas. Como a glutamina participa da resposta imunológica e da recuperação dos tecidos, compreender seus mecanismos de controle poderá favorecer o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para acelerar a cicatrização, melhorar a recuperação após cirurgias, fortalecer pacientes em tratamento intensivo e reduzir complicações decorrentes de doenças crônicas.
Outro campo que poderá ser beneficiado é o das doenças neurodegenerativas. Alterações no metabolismo celular estão associadas a enfermidades como Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica (ELA). Embora ainda sejam necessárias novas pesquisas, entender como as células controlam esse nutriente poderá revelar novos alvos para tratamentos capazes de proteger os neurônios e retardar a progressão dessas doenças.
Os pesquisadores ressaltam que muitas perguntas ainda permanecem sem resposta. Em alguns casos, a formação dos filamentos parece reduzir a atividade das proteínas; em outros, pode protegê-las ou até favorecer seu funcionamento. Esclarecer essas diferenças será uma das próximas etapas da pesquisa.
Apesar de os resultados ainda pertencerem à pesquisa básica, eles representam um avanço importante na compreensão do funcionamento das células. A descoberta demonstra que elas não regulam seu metabolismo apenas por sinais químicos, mas também reorganizando fisicamente suas próprias proteínas para responder de forma rápida e eficiente às necessidades do organismo.
Se esse conhecimento for confirmado por novos estudos, poderá servir de base para uma nova geração de medicamentos voltados ao tratamento do câncer, de doenças metabólicas, inflamatórias e neurodegenerativas, beneficiando milhões de pessoas nas próximas décadas.
A revisão publicada na revista Biochemical Society Transactions tem como pesquisadora correspondente a Drª Sandra Martha Gomes Dias, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com a participação do docente do IFSC/USP, Prof. Dr. André Luís Berteli Ambrosio.
Confira no link o original do estudo publicado
SÃO CARLOS/SP - O docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes, foi eleito presidente da diretoria da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) para o próximo triênio, substituindo, no cargo, o Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo.
A ACIESP é uma das mais importantes entidades científicas do Brasil. Fundada em 8 de outubro de 1974, esta Academia é uma associação independente, não governamental e sem fins econômicos, criada para promover o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da educação no Estado de São Paulo, tendo como sua principal missão reunir cientistas de reconhecida excelência para atingir os seguintes objetivos:
*Promoção do avanço da ciência e da inovação;
*Defesa da liberdade da pesquisa científica e do ensino;
*Contribuição para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências;
*Estimular a educação científica e a divulgação do conhecimento;
*E fortalecimento do papel da ciência no desenvolvimento econômico, social e ambiental de São Paulo e do Brasil.
Satisfação em poder contribuir com a ACIESP
Sabendo-se que o cargo representa uma enorme responsabilidade, principalmente com o compromisso de fortalecer a Academia, promover a ciência, estimular o diálogo com a sociedade e defender o conhecimento científico, o novo presidente da ACIESP considera que é uma satisfação muito grande poder contribuir com Academia e avançar ainda mais naquilo que já foi feito até agora. “Nosso objetivo é fazer com que a ACIESP ganhe ainda mais visibilidade e que possa acolher, cada vez mais, pesquisadores que possam contribuir para a ciência do Estado de São Paulo. Temos algumas ideias de projetos a serem executados para os próximos três anos, só que primeiro existe a necessidade de se fazer uma discussão com a nova diretoria e com o conselho, assim que assumirem, para que possamos fazer uma ampla divulgação. Fico muito feliz em poder estar contribuindo com a Academia e, obviamente, representar o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP)”, salientou o novo presidente da ACIESP.
Em sua mensagem, o presidente cessante, Prof. Dr. Adriano Defini Andricopulo, considerou. “Gostaria de dar os parabéns ao colega, Prof. Antonio Carlos Hernandes, do IFSC/USP, que acaba de ser eleito presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) para o triênio 2026-2029, bem como a todos os integrantes da nova Diretoria e do novo Conselho Diretor. Podemos observar que temos uma equipe de excelência que reúne experiência, liderança e compromisso com a ciência. Desejo a esta nova gestão pleno êxito na missão de fortalecer ainda mais a ACIESP, ampliar a sua presença institucional e contribuir para o avanço da ciência, da tecnologia e da educação em São Paulo e no Brasil”.
A ACIESP congrega mais de 250 cientistas de diversas áreas do conhecimento, vinculados às principais universidades e centros de pesquisa do estado, como USP, Unicamp, Unesp, Instituto Butantan, IPEN, Embrapa e outras instituições de excelência. Os membros são eleitos pelos próprios acadêmicos, em reconhecimento às suas contribuições científicas, havendo duas categorias principais: Membros Titulares, de caráter permanente, e Membros Afiliados, destinados a pesquisadores mais jovens por período determinado.
Composição da Diretoria e do Conselho Diretor da ACIESP para o triênio 2026–2029.
Diretoria
*Presidente: Antonio Carlos Hernandes ;
*Vice-Presidente: Vanderlan da Silva Bolzani ;
*Diretor-Executivo: Paulo Cezar Vieira ;
*Diretora-Financeira: Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva ;
Conselho Diretor
*Ciências Matemáticas: Flavio Ulhoa Coelho (Titular);
*Ciências Físicas: Antonio Martins Figueiredo Neto (Titular);
* Ciências Químicas: Norberto Peporine Lopes (Titular) e Maurício da Silva Baptista (Suplente);
*Ciências da Terra: Paulo Artaxo (Titular) e Alexander Turra (Suplente);
*Ciências Biomédicas: Carlos Frederico Martins Menck (Titular) e Antonio Jose Lapa (Suplente);
*Ciências da Saúde: Josué de Moraes (Titular);
*Ciências Agrárias: Maria Lucia Carneiro Vieira (Titular);
*Ciências da Engenharia: Isolda Costa (Titular) e José Antonio Eiras (Suplente);
*Ciências Humanas e Sociais: Pedro Luiz Valls Pereira (Titular);
*Ex-presidente: Adriano Defini Andricopulo (Titular) - Nos termos do Estatuto Social da ACIESP, o ex-presidente Adriano Defini Andricopulo passa a integrar o Conselho Diretor na qualidade de membro nato.
Ao longo de sua história, a ACIESP foi presidida por cientistas de grande prestígio nacional e internacional, como Crodowaldo Pavan, Sérgio Mascarenhas, Oscar Sala, Walter Colli, José Eduardo Krieger, Vanderlan Bolzani e Adriano Andricopulo, entre outros.
O Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes é Professor Titular do Instituto Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo. Doutor em Física pela Universidade de São Paulo (1993), com estágio na Universitá di Genova, Itália. Membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP). É um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) e da Associação Brasileira de Crescimento de Cristais. Desenvolve pesquisa na área de Física dos Materiais, Ciência dos Materiais e em Ensino e Divulgação Científica. Foi Diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) no período de 2010-2014, Pró-Reitor de Graduação da USP, no período de 2014-2018 e Vice-Reitor da Universidade de São Paulo, no período de 2018-2022.
Tecnologias portáteis capazes de detectar, em poucos minutos, sinais de exposição a pesticidas podem mudar a forma como governos, hospitais e profissionais de saúde acompanham os riscos relacionados aos agrotóxicos. Além de beneficiar trabalhadores rurais, esses dispositivos têm potencial para ampliar a vigilância epidemiológica e prevenir doenças em toda a população.
SÃO CARLOS/SP - O uso de agrotóxicos tornou-se indispensável para sustentar a produção agrícola mundial, mas seus impactos sobre a saúde humana continuam despertando preocupação. Estima-se que milhões de toneladas dessas substâncias sejam utilizadas anualmente, sendo o Brasil o maior consumidor global. A exposição frequente a alguns pesticidas está associada ao aumento do risco de problemas neurológicos, alterações hormonais, distúrbios reprodutivos e determinados tipos de câncer.
Apesar da existência desses riscos, identificar precocemente quem foi exposto ainda representa um desafio. Hoje, os exames dependem de laboratórios especializados, equipamentos sofisticados e profissionais altamente treinados, o que dificulta a realização de testes em comunidades rurais, regiões distantes e locais onde o contato com agrotóxicos é mais intenso.
Uma revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry” mostra, entretanto, que essa realidade pode estar prestes a mudar. Pesquisadores da Inglaterra, Itália e Brasil, neste último caso através do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), analisaram os avanços de uma nova geração de sensores portáteis capazes de detectar pesticidas ou seus marcadores biológicos em amostras de sangue e urina, oferecendo resultados rápidos e com baixo custo.
Diagnóstico em minutos, sem depender de grandes laboratórios
A proposta é semelhante à de um teste rápido de glicemia ou dos exames utilizados durante a pandemia de Covid-19. Utilizando apenas uma pequena amostra de sangue obtida por uma picada no dedo ou algumas gotas de urina, os dispositivos conseguem identificar sinais de exposição aos pesticidas em poucos minutos.
Além da rapidez, os equipamentos apresentam outras vantagens importantes, como:
*Baixo custo de fabricação;
*Facilidade de transporte;
*Operação simples;
*Possibilidade de utilização em postos de saúde, ambulatórios e unidades móveis;
*Integração com smartphones para registrar, interpretar e armazenar os resultados automaticamente.
Segundo os pesquisadores, essas características tornam a tecnologia especialmente interessante para países de grande extensão territorial e forte atividade agrícola, como é o caso do Brasil.
Nanotecnologia amplia a precisão e beneficia saúde pública
O desempenho desses dispositivos depende do uso de nanomateriais, estruturas capazes de reconhecer quantidades extremamente pequenas de substâncias químicas. Essa elevada sensibilidade permite identificar níveis de exposição muito antes que surjam sintomas clínicos, favorecendo intervenções precoces e reduzindo a probabilidade de complicações decorrentes do contato prolongado com pesticidas.
Embora o objetivo inicial seja monitorar trabalhadores rurais, os impactos dessa tecnologia vão muito além do ambiente agrícola. A possibilidade de realizar exames rápidos em larga escala poderá transformar a vigilância em saúde ambiental e ocupacional. Em vez de investigar apenas casos suspeitos após o surgimento de doenças, autoridades sanitárias poderão acompanhar continuamente grupos de maior risco, identificando situações de exposição antes que provoquem danos permanentes.
Isso permitirá:
*Detectar precocemente surtos de intoxicação em comunidades agrícolas;
*Monitorar trabalhadores durante períodos de aplicação intensiva de pesticidas;
*Avaliar a eficácia das medidas de proteção individual;
*Identificar regiões com níveis mais elevados de exposição ambiental a pesticidas;
*Orientar ações de fiscalização e educação em saúde;
*Produzir dados confiáveis para políticas públicas voltadas à redução dos riscos relacionados aos agrotóxicos.
Outro benefício importante é a redução da subnotificação. Muitos episódios de intoxicação leve nunca chegam aos serviços de saúde porque os sintomas são inespecíficos. Com testes simples e acessíveis, será possível ampliar significativamente o número de diagnósticos, permitindo que gestores conheçam com maior precisão a dimensão real do problema.
Economia para os sistemas de saúde
Segundo o primeiro autor do estudo, o pesquisador do IFSC/USP, Dr. Thiago S. Martins, a identificação precoce da exposição possibilita intervenções antes do desenvolvimento de doenças mais graves, reduzindo internações, exames de alta complexidade e tratamentos prolongados. Além disso, trabalhadores afastados por intoxicações poderão receber acompanhamento mais rápido, diminuindo perdas de produtividade e custos previdenciários.
Os pesquisadores destacam que dispositivos de baixo custo poderão ser utilizados em programas de triagem da população, reduzindo a dependência de laboratórios especializados e ampliando o acesso ao diagnóstico em municípios de pequeno porte.
A revisão publicada reúne diversos exemplos de sensores experimentais que apresentaram excelente desempenho. Entre eles estão dispositivos que detectam simultaneamente diferentes pesticidas diretamente na urina de trabalhadores rurais em pouco mais de um minuto. Outro equipamento utiliza apenas uma gota de sangue da ponta do dedo para avaliar alterações provocadas por pesticidas que afetam o sistema nervoso.
Também são mencionados sensores descartáveis em papel, semelhantes a tiras de teste, que conseguem identificar resíduos de herbicidas na urina de forma rápida e econômica.
Inteligência artificial poderá ampliar o monitoramento
Outro diferencial apontado pela revisão é a integração dos sensores com ferramentas de inteligência artificial. Aplicativos poderão interpretar automaticamente os resultados, armazenar históricos individuais, emitir alertas quando forem detectados níveis elevados de exposição e produzir mapas epidemiológicos em tempo real.
Esses recursos poderão fortalecer programas de vigilância sanitária, permitindo identificar áreas críticas, acompanhar tendências de exposição e direcionar ações preventivas com muito mais rapidez.
Apesar do enorme potencial, os pesquisadores ressaltam que a maior parte dessas tecnologias ainda está em fase experimental. Antes de serem incorporadas aos sistemas públicos de saúde, será necessário validar seu desempenho em diferentes populações, comprovar sua confiabilidade em condições reais de uso e atender aos requisitos exigidos pelos órgãos reguladores. Também será preciso estabelecer protocolos padronizados para garantir que os resultados sejam comparáveis entre diferentes regiões e serviços de saúde.
Um novo instrumento para prevenir doenças
O docente e pesquisador do IFSC/USP e autor correspondente da revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”, Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, considera que os autores concluem que os testes rápidos representam um dos caminhos mais promissores para modernizar o monitoramento da exposição humana aos agrotóxicos. Mais do que facilitar o diagnóstico individual, essas tecnologias poderão fortalecer toda a estrutura de vigilância em saúde pública, permitindo identificar riscos de forma precoce, orientar políticas preventivas e reduzir o impacto das doenças relacionadas aos pesticidas. “Se confirmarem os resultados obtidos até agora, esses dispositivos poderão representar uma mudança de paradigma: em vez de agir apenas quando surgem os casos de intoxicação, será possível prevenir o adoecimento, proteger populações vulneráveis e produzir informações estratégicas para tornar a agricultura mais segura e a saúde pública mais eficiente”, destaca o pesquisador.
Este estudo contou com o apoio da FAPESP.
Confira no link a revisão publicada na revista “Trends in Analytical Chemistry”, cujo primeiro autor é o pesquisador do IFSC/USP, Thiago S. Martins - https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165993626002360?via%3Dihub
SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e da Universidade Nacional de San Agustin de Arequipa (Peru) deram um importante passo para entender melhor como o veneno da surucucu (Lachesis muta) - a maior serpente peçonhenta das Américas e uma das mais perigosas da Amazônia - age no organismo humano. Pela primeira vez, eles conseguiram revelar a estrutura tridimensional e confirmar a atividade de uma das principais toxinas do veneno da espécie, uma enzima do tipo fosfolipase A2, descoberta que poderá contribuir para o desenvolvimento de antivenenos mais eficazes e até de novos medicamentos.
A proteína estudada pertence ao grupo das fosfolipases A2, enzimas responsáveis por boa parte dos danos provocados pelo veneno. Elas atacam as membranas das células, causando inflamação, destruição de tecidos e outras alterações que tornam o envenenamento grave.
Para realizar o estudo, que foi publicado recentemente na revista "Acta Crystallographica Section F: Structural Biology Communications", os cientistas isolaram essa proteína do veneno da surucucu, comprovaram que ela permanecia ativa e, em seguida, utilizaram técnicas avançadas de cristalografia de raios X para visualizar sua estrutura em nível atômico. O trabalho foi realizado com o auxílio do Sirius, acelerador de partículas localizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).
Descobertas importantes
Os resultados mostraram que a proteína possui uma estrutura muito semelhante à de outras toxinas encontradas em serpentes, mas apresenta características próprias que ajudam a explicar sua eficiência em atacar as células. A análise da estrutura indica ainda que a proteína pode se organizar em grupos de quatro moléculas, um arranjo que poderia aumentar sua capacidade de agir sobre as membranas celulares, mas que ainda precisa ser confirmado experimentalmente.
Outra descoberta importante foi a identificação de uma região da proteína com forte carga elétrica positiva. Essa característica facilita a aproximação da toxina das células, permitindo que ela se ligue mais facilmente às membranas e exerça sua ação destrutiva.
Embora ainda sejam necessários novos estudos para confirmar esse comportamento no organismo, a descoberta oferece pistas importantes sobre o funcionamento do veneno.
Os testes realizados em laboratório também confirmaram que a proteína mantém elevada atividade biológica. Quanto maior a concentração da enzima, maior foi sua capacidade de degradar substâncias presentes nas membranas celulares, confirmando seu papel como uma das principais responsáveis pelos efeitos do envenenamento causado pela surucucu.
O desenvolvimento de novos medicamentos
Segundo os pesquisadores, conhecer em detalhes a estrutura dessas toxinas é fundamental para aprimorar os soros antiofídicos. Ao identificar exatamente como a proteína atua e quais regiões são responsáveis por sua atividade, torna-se possível desenvolver substâncias capazes de bloquear sua ação de forma mais eficiente, aumentando a eficácia dos tratamentos contra acidentes com serpentes.
Os resultados também ultrapassam o campo da toxicologia. O estudo fornece informações valiosas para o desenvolvimento de novos medicamentos. Moléculas presentes em venenos de serpentes já deram origem a fármacos utilizados no tratamento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, demonstrando o potencial terapêutico dessas substâncias quando estudadas em profundidade.
Ao revelar, em nível atômico, a estrutura dessa proteína da surucucu, os pesquisadores oferecem uma base para que futuros estudos possam desenvolver compostos capazes de controlar processos inflamatórios, proteger tecidos contra lesões ou atuar em outras doenças que envolvem alterações nas membranas celulares.
Embora essas aplicações ainda dependam de novas pesquisas e testes, o conhecimento obtido representa um passo importante para transformar uma toxina altamente perigosa em fonte de novas estratégias terapêuticas.
A importância de colaborações internacionais
Os autores da pesquisa destacam que esta é a primeira descrição conjunta da estrutura e da atividade de uma fosfolipase A2 do tipo Asp49 da surucucu.
Para o pesquisador do IFSC/USP, Dr. Diego Antonio Leonardo, autor correspondente do estudo, o trabalho demonstra a importância da colaboração internacional na investigação de compostos naturais com potencial biomédico. “Este trabalho é o resultado de um esforço de muitos anos para introduzir e consolidar a biologia estrutural no Peru, em parceria com instituições peruanas. Ver uma toxina amazônica purificada e caracterizada e ter sua estrutura resolvida no Sirius e publicada internacionalmente é a concretização de um objetivo que perseguimos desde 2014. Mas, mais importante do que a estrutura em si é o que ela representa: pesquisadores peruanos formados em cristalografia, resolvendo estruturas de toxinas da própria biodiversidade do país. Coube a mim atuar como ponte entre esses dois lados, um papel que o Prof. Richard Garratt, que também assina esta pesquisa, fomentou e apoiou desde o início, e cada publicação como esta mostra que esse caminho é viável e nos aproxima de tornar a biologia estrutural uma realidade permanente no Peru.”
Além de ampliar o conhecimento sobre os mecanismos do envenenamento, a pesquisa cria uma base científica sólida para o desenvolvimento de antivenenos mais específicos e para a descoberta de novos medicamentos inspirados em moléculas naturais presentes no veneno dessa serpente.
Confira no link o original da pesquisa - https://journals.iucr.org/f/issues/2026/05/00/nq5002/index.html
SÃO CARLOS/SP - O Brasil será palco, entre os dias 26 e 30 do próximo mês de outubro, de um dos mais prestigiados encontros científicos internacionais dedicados ao estudo da ressonância magnética aplicada a materiais porosos.
A “17ª edição da Conferência Internacional de Ressonância Magnética em Meios Porosos” (MRPM, na sigla em inglês) ocorrerá nas cidades paulistas de Ribeirão Preto e Campinas, reunindo pesquisadores, especialistas da indústria e estudantes de diversas partes do mundo.
A conferência, apoiada pelo Grupo AMPERE, destacará pesquisas de ponta, novas tecnologias e aplicações práticas da Ressonância Magnética Nuclear (RMN) e de técnicas complementares em diferentes áreas do conhecimento e setores produtivos.
Criada em 1990, na Itália, por iniciativa dos professores Giulio Cesare Borgia e Paola Fantazzini, ambos da Universidade de Bolonha, a série de conferências MRPM consolidou-se como referência internacional na área. Desde então, o evento já passou por países como Reino Unido, Bélgica, Alemanha, França, Estados Unidos, Nova Zelândia, China e Noruega, onde ocorreu a edição mais recente, em 2024.
Pela primeira vez sediada no Brasil, a conferência contará com a colaboração de importantes instituições nacionais, entre elas a Associação de Usuários de Ressonância Magnética Nuclear (AUREMN), o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) — responsável pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e pelo acelerador de partículas Sirius — e o capítulo brasileiro da InterPore, organização internacional dedicada ao estudo dos meios porosos.
Tendo como chairman o docente da USP São Carlos, Prof. Tito José Bonagamba, o evento apresentará uma programação científica que abordará temas tradicionais da área, como estudos fundamentais em Física, Química e RMN aplicada a materiais porosos, além de questões contemporâneas e de grande impacto social. Entre os destaques estão pesquisas voltadas para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂) e seu armazenamento, especialmente nos setores petrolífero e cimenteiro, aplicações em ciência do solo, uso de inteligência artificial, computação clássica e quântica, matemática aplicada e engenharia.
Outro eixo importante será a área da saúde. A proximidade do evento com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), uma das mais reconhecidas do país, estimulará, certamente, discussões sobre aplicações médicas da ressonância magnética e o desenvolvimento de pesquisas interdisciplinares.
Os participantes também terão a oportunidade de conhecer o potencial científico do Sirius, a fonte brasileira de luz síncrotron de quarta geração, sediada em Campinas, considerada uma das mais avançadas do mundo, especialmente no estudo de materiais complexos.
Com a realização do MRPM 2026, o Brasil reforça sua posição no cenário científico internacional e amplia as oportunidades de cooperação entre pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, promovendo inovação e soluções para desafios globais.
Para obter todas as informações e proceder à sua inscrição neste grande evento científico, acesse o link - https://www.mrpm2026.com/
Um estudo internacional com a participação de cientista da USP de São Carlos aponta que terapia fotodinâmica associada a antibióticos pode ampliar a eficácia dos tratamentos e ajudar no combate à resistência bacteriana
SÃO CARLOS/SP - A resistência bacteriana tornou-se uma das maiores ameaças à saúde pública do século XXI. Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais desafios globais da saúde moderna, ela compromete tratamentos que durante décadas salvaram milhões de vidas e coloca em risco procedimentos rotineiros realizados diariamente em hospitais de todo o mundo.
Nesse cenário, uma pesquisa publicada na revista científica Pharmaceutics apresenta resultados promissores no combate à Klebsiella pneumoniae, uma das bactérias mais perigosas encontradas em ambientes hospitalares.
A Klebsiella pneumoniae é responsável por pneumonias graves, infecções urinárias, infecções da corrente sanguínea e diversas complicações em pacientes internados. O problema se torna ainda mais preocupante porque muitas cepas da bactéria desenvolveram resistência a múltiplos antibióticos, reduzindo drasticamente as opções terapêuticas disponíveis. Em alguns surtos hospitalares, a mortalidade associada às infecções por cepas resistentes pode atingir níveis alarmantes.
Os hospitais estão entre os ambientes mais vulneráveis à disseminação dessas bactérias. O fato do uso necessário de terapias com antibióticos no ambiente hospitalar, permite desenvolvimento de resistência de forma rápida. Pacientes imunossuprimidos, pessoas submetidas a cirurgias, usuários de ventilação mecânica e indivíduos internados em unidades de terapia intensiva formam um grupo especialmente vulnerável. Quando uma bactéria multirresistente se estabelece em uma instituição de saúde, os custos aumentam, os períodos de internação se prolongam e os riscos de complicações e óbitos crescem significativamente.
Ameaça social e econômica
Além do impacto direto sobre os pacientes, a resistência antimicrobiana representa uma ameaça econômica e social de grandes proporções. Especialistas alertam que, caso o problema continue avançando no ritmo atual, procedimentos médicos considerados seguros hoje poderão tornar-se muito mais arriscados no futuro. Transplantes, tratamentos oncológicos, cirurgias cardíacas e até intervenções ortopédicas dependem da eficácia dos antibióticos para prevenir e controlar infecções.
Foi diante desse desafio que pesquisadores da Texas A&M University, nos Estados Unidos, e do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), conseguiram desenvolver uma estratégia inovadora baseada na combinação de antibióticos convencionais com terapia fotodinâmica antimicrobiana. A técnica utiliza substâncias fotossensibilizadoras que, quando expostas à luz, produzem moléculas altamente reativas capazes de danificar estruturas essenciais das bactérias, quebrando sua resistência ao antibiótico, ou tornando a ação do antibiótico amplificada.
No estudo, os cientistas empregaram dois fotossensibilizadores, azul de metileno e Photodithazine, em associação com três antibióticos amplamente utilizados na prática clínica: ciprofloxacino, gentamicina e ceftriaxona. Os experimentos demonstraram que a combinação dos tratamentos foi significativamente mais eficaz do que a utilização isolada dos medicamentos ou da terapia fotodinâmica.
Os resultados revelaram um efeito sinérgico importante. Em termos práticos, isso significa que a ação conjunta da luz, dos fotossensibilizadores e dos antibióticos produziu um efeito superior à simples soma dos tratamentos individuais. Em diversos testes, foi possível obter uma eliminação expressiva da bactéria utilizando doses menores de antibióticos, um aspecto particularmente relevante em uma época marcada pelo aumento da resistência microbiana.
Segundo os pesquisadores, a terapia fotodinâmica provoca danos simultâneos à membrana celular, às proteínas e ao material genético da bactéria. Essa agressão múltipla dificulta o desenvolvimento de mecanismos de resistência e facilita a entrada dos antibióticos na célula bacteriana. Dessa forma, medicamentos que isoladamente apresentam eficácia limitada podem recuperar parte de seu potencial terapêutico quando utilizados em conjunto com a nova abordagem.
Redução do consumo de antibióticos
Outro aspecto importante é que a técnica pode contribuir para reduzir o consumo de antibióticos. Quanto menor a exposição das bactérias a doses elevadas desses medicamentos, menor tende a ser a pressão seletiva que favorece o surgimento de novas cepas resistentes. Trata-se de uma estratégia que não apenas combate infecções atuais, mas também ajuda a preservar a eficácia dos antibióticos para as futuras gerações.
Embora os resultados tenham sido obtidos em condições laboratoriais, os autores consideram que a pesquisa abre uma nova perspectiva para o tratamento de infecções causadas por microrganismos multirresistentes. Os próximos passos incluem estudos em biofilmes bacterianos, modelos animais e futuras avaliações clínicas, etapas essenciais para confirmar a segurança e a eficácia da tecnologia em pacientes.
Para o pesquisador e docente do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, um dos autores correspondentes do artigo científico publicado na revista Pharmaceutics “Em um momento em que as superbactérias desafiam sistemas de saúde em todo o planeta, iniciativas como essa oferecem uma perspectiva animadora. Mais do que uma nova técnica terapêutica, a combinação entre terapia fotodinâmica e antibióticos pode representar uma importante ferramenta para proteger hospitais, salvar vidas e enfrentar uma das maiores ameaças sanitárias da atualidade: a resistência antimicrobiana”, pontua o cientista. Uma linha nova de pesquisa que esta sendo denominada de Foto-antibiótico terapia, que pelos diversos trabalhos do grupo pode ser uma opção importante no combate as infecções resistentes aos antibióticos.
Esta pesquisa contou com os apoios do Cancer Prevention and Research Institute of Texas (USA), Governor’s University Research Initiative (GURI), Chancellor’s Research Initiative (CRI), FAPESP, CNPq e Embrapii.
Confira no link o artigo original publicado na revista Pharmaceutics - https://www.mdpi.com/1999-4923/18/5/587
SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores brasileiros, liderados por cientista do IFSC/USP, desenvolveram uma tecnologia inovadora capaz de identificar rapidamente a presença de anticorpos relacionados ao vírus H5N1, causador da gripe aviária. O dispositivo, descrito em estudo publicado na revista científica “ACS Applied Nano Materials”, promete oferecer uma alternativa mais rápida, barata e eficiente aos métodos tradicionais de diagnóstico.
A gripe aviária é uma das doenças que mais preocupam autoridades sanitárias em todo o mundo. Além de provocar grandes prejuízos à produção de aves, o vírus pode infectar seres humanos e, em situações específicas, gerar surtos de grande impacto. Por isso, a detecção precoce é considerada fundamental para evitar a disseminação da doença.
A preocupação em torno do vírus H5N1 vai muito além da saúde animal. Nos últimos anos, especialistas em saúde pública passaram a monitorar com atenção a evolução da gripe aviária devido ao potencial de transmissão para seres humanos e ao risco de surgimento de variantes capazes de se espalhar mais facilmente entre pessoas.
Embora os casos humanos ainda sejam relativamente raros, a taxa de mortalidade observada em infecções por H5N1 é considerada elevada quando comparada à gripe comum. Essa característica faz com que organizações internacionais mantenham vigilância constante sobre a circulação do vírus em diferentes regiões do mundo.
Os impactos econômicos também são expressivos. Surtos de gripe aviária frequentemente levam ao abate preventivo de milhões de aves para conter a disseminação da doença. Como consequência, produtores enfrentam perdas financeiras significativas, enquanto países exportadores sofrem restrições comerciais impostas por mercados internacionais preocupados com a segurança sanitária.
Estudos citados pelos autores da pesquisa mostram que, somente entre 2004 e 2008, países asiáticos registraram prejuízos da ordem de US$ 1 bilhão em decorrência da gripe aviária. As perdas incluíram o descarte de aves, gastos com medidas de controle sanitário e redução das exportações de carne de frango e derivados.
Além dos prejuízos diretos ao setor avícola, surtos da doença podem afetar toda a cadeia produtiva, desde a produção de rações até o transporte, armazenamento e comercialização de alimentos. O receio dos consumidores também costuma provocar queda no consumo, ampliando os impactos econômicos.
Nesse contexto, ferramentas capazes de identificar rapidamente a presença do vírus ou de anticorpos relacionados à infecção tornam-se estratégicas e quanto mais cedo um foco é detectado, maiores são as chances de impedir sua disseminação, reduzindo riscos para a saúde pública e minimizando prejuízos para a economia.
Novo grupo de sensores
O equipamento criado pelos cientistas funciona de maneira semelhante à língua humana. Assim como nossas papilas gustativas identificam diferentes sabores por meio de um conjunto de sinais, o dispositivo utiliza diversos sensores que analisam características da amostra examinada. Por essa razão, os pesquisadores o denominaram “língua eletrônica”.
A novidade está no fato de que os sensores foram produzidos com proteínas obtidas de fontes renováveis e materiais de baixo custo. Quando entram em contato com amostras contendo anticorpos contra o vírus H5N1, os sensores registram alterações elétricas que permitem identificar a presença da infecção.
Durante os testes, a tecnologia demonstrou elevada capacidade de detecção, conseguindo identificar quantidades muito pequenas dos anticorpos. Outro resultado importante foi a ausência de falsos positivos quando o sistema foi exposto a anticorpos de outras doenças comuns em aves, mostrando grande confiabilidade nos diagnósticos.
Os pesquisadores também utilizaram recursos de inteligência artificial para interpretar os dados gerados pelos sensores. O sistema alcançou cerca de 99% de precisão ao diferenciar amostras positivas para gripe aviária de amostras relacionadas a outras enfermidades aviárias.
Além da precisão, a rapidez chamou atenção. O exame pode ser realizado em aproximadamente seis minutos, tempo significativamente menor do que muitos métodos atualmente utilizados em laboratórios.
Os testes foram realizados tanto em amostras comerciais quanto em amostras de soro contendo anticorpos contra o H5N1, confirmando a eficiência da tecnologia em diferentes condições de análise.
Segundo os autores, a plataforma poderá ser utilizada futuramente em clínicas veterinárias, granjas, centros de monitoramento sanitário e até mesmo em aplicações voltadas à saúde humana. Outra vantagem é a possibilidade de adaptação do sistema para detectar outros vírus e doenças infecciosas.
Para o autor correspondente desta pesquisa, o docente e pesquisador do IFSC/USP Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, o maior destaque do trabalho está na conjunção de diferentes tecnologias desenvolvidas no Brasil. “As medidas elétricas foram feitas com um analisador portátil de uma startup brasileira, a Blatron, e os dados da língua eletrônica foram processados com um método de calibração que utiliza aprendizado de máquina”, salienta o pesquisador.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Embrapa Instrumentação, Universidade Federal do Amazonas, Instituto Federal de São Paulo e de instituições internacionais parceiras.
Para os cientistas, a nova ferramenta representa um avanço importante no desenvolvimento de diagnósticos rápidos, acessíveis e capazes de contribuir para o controle de futuras epidemias.
Esta pesquisa contou com os apoios do INEO, CAPES, CNPq e FAPESP.
Confira no link o original deste estudo – https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsanm.6c00138?__cf_chl_tk=atypmqo7uj_kvnwaj.3eac0gact_9rcmxfxohjb2o1c-1781699309-1.0.1.1-juszlz53nhx3ruqjiw3afiljogmu5pgm.actpdw7wdk
SÃO CARLOS/SP - A busca por fontes de energia limpas e sustentáveis ganhou novos aliados em duas pesquisas recentes que, embora tenham investigado materiais e aplicações distintas, compartilham uma mesma inovação tecnológica: o uso da técnica de “magnetron sputtering” para depositar catalisadores com elevado grau de controle estrutural. Os resultados representam avanços significativos para a produção de hidrogênio verde, considerado por especialistas uma das alternativas mais promissoras para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e combater as mudanças climáticas.
Os dois estudos, liderados por pesquisadores do IFSC/USP, demonstram que a mesma técnica pode ser utilizada para construir arquiteturas catalíticas completamente diferentes. Em um dos trabalhos, os pesquisadores desenvolveram fotoânodos de vanadato de bismuto (BiVO₄) modificados com óxido de cobalto (Co₃O₄) para aumentar a eficiência da divisão fotoeletroquímica da água. No outro, átomos isolados (Single Atoms) de cobre e platina foram depositados sobre nitreto de carbono grafítico (g-C₃N₄), criando sítios catalíticos altamente ativos para a produção fotocatalítica de hidrogênio. Em ambos os casos, o objetivo foi o mesmo: aproveitar a energia solar para gerar combustível limpo de maneira mais eficiente.
O hidrogênio produzido a partir da água e da luz solar tem sido apontado como um elemento fundamental na descarbonização da economia mundial. Diferentemente do petróleo, do carvão mineral e do gás natural, sua utilização não gera emissões de dióxido de carbono (CO₂), principal responsável pelo aquecimento global. Quando empregado em células a combustível ou processos industriais, o hidrogênio produz apenas vapor d’água como subproduto, tornando-se uma alternativa ambientalmente muito mais favorável.
No primeiro estudo, o foco foi superar uma das principais limitações da divisão fotoeletroquímica da água: a baixa eficiência dos fotoânodos responsáveis pela reação de evolução de oxigênio. Para isso, os pesquisadores produziram filmes finos de BiVO₄ por “magnetron sputtering” e, posteriormente, modificaram sua superfície com Co₃O₄. A combinação dos dois materiais favoreceu a separação das cargas elétricas geradas pela luz solar e reduziu perdas energéticas decorrentes da recombinação de elétrons e lacunas. Como resultado, houve aumento significativo da fotocorrente e melhoria da eficiência de conversão da energia solar em energia química armazenada no hidrogênio.
Já a segunda pesquisa levou o conceito de engenharia de materiais a um nível ainda mais refinado. Utilizando a mesma tecnologia de “sputtering”, os cientistas conseguiram dispersar átomos individuais de cobre e platina sobre a superfície do g-C₃N₄. Essa estratégia maximiza o aproveitamento dos metais, especialmente da platina, um elemento de alto valor comercial. Cada átomo depositado torna-se um centro ativo para a reação química, aumentando drasticamente a eficiência do processo sem exigir grandes quantidades do material. Os resultados mostraram uma produção de hidrogênio centenas de vezes superior à obtida com o material não modificado.
Os benefícios para a sociedade
Além dos avanços científicos, as pesquisas apresentam benefícios concretos para a sociedade. A ampliação da eficiência dos processos de produção de hidrogênio pode contribuir para reduzir custos futuros dessa tecnologia, tornando-a mais acessível para aplicações em transporte, geração de energia e indústria pesada. Setores como siderurgia, produção de fertilizantes, refino de combustíveis e transporte de cargas estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa e figuram entre os principais candidatos a utilizar hidrogênio verde em larga escala.
Outro aspecto relevante é a segurança energética. Ao possibilitar a produção de combustível a partir da água e da luz solar, tecnologias desse tipo diminuem a dependência de recursos fósseis concentrados em regiões específicas do planeta. Países com elevada incidência solar, como o Brasil, passam a ter condições privilegiadas para produzir hidrogênio de forma competitiva, fortalecendo sua autonomia energética e criando novas oportunidades econômicas.
Do ponto de vista ambiental, os impactos potenciais são igualmente expressivos. A substituição gradual de combustíveis fósseis por hidrogênio verde pode reduzir significativamente as emissões globais de carbono, contribuir para o cumprimento das metas climáticas internacionais e melhorar a qualidade do ar nos centros urbanos. A redução de poluentes atmosféricos está diretamente associada à diminuição de doenças respiratórias e cardiovasculares, gerando benefícios também para a saúde pública.
As duas pesquisas evidenciam ainda uma tendência crescente na ciência contemporânea: a importância da engenharia de materiais em escala nanométrica. O “magnetron sputtering”, tradicionalmente utilizado na fabricação de semicondutores e revestimentos industriais, mostra-se agora uma ferramenta estratégica para a construção de catalisadores avançados, capazes de controlar a matéria desde filmes finos até átomos isolados. Essa versatilidade abre caminho para o desenvolvimento de novas gerações de dispositivos voltados à produção sustentável de energia.
Mais do que desenvolver novos materiais para a produção de hidrogênio verde, esses trabalhos demonstram o potencial de uma tecnologia que pode acelerar a chegada dessas soluções ao mercado. A técnica de deposição por “sputtering”, que é amplamente utilizada pela indústria na fabricação de semicondutores, telas eletrônicas e revestimentos avançados, permite depositar materiais com precisão nanométrica, controlando sua estrutura desde filmes finos até átomos isolados.
Uma transição energética global
Segundo o professor Renato Vitalino Gonçalves, do IFSC/USP e coordenador das pesquisas, um dos grandes desafios da área é desenvolver materiais semicondutores que combinem alta eficiência, estabilidade e viabilidade de produção em larga escala. “Os resultados mostram que é possível utilizar uma mesma tecnologia para criar diferentes arquiteturas catalíticas altamente eficientes para a produção de hidrogênio a partir da energia solar. Isso abre novas perspectivas para o desenvolvimento de dispositivos mais eficientes e duráveis”, destaca.
O pesquisador ressalta ainda que o “magnetron sputtering” apresenta uma vantagem estratégica em relação a muitos métodos utilizados apenas em escala laboratorial. “Trata-se de um processo de deposição física de vapor já consolidado industrialmente, empregado em larga escala em diversos setores tecnológicos. O fato de conseguirmos utilizá-lo para fabricar tanto filmes finos fotoativos quanto catalisadores de átomos isolados, torna essa tecnologia extremamente promissora para a futura produção de materiais avançados voltados à geração sustentável de energia”, acrescenta.
Para Gonçalves, a combinação entre controle preciso da matéria em escala atômica e a possibilidade de escalonamento industrial pode representar um importante passo para transformar descobertas científicas em tecnologias capazes de contribuir efetivamente para a transição energética global. Destacando que os avanços obtidos não são resultado apenas do desenvolvimento de novos materiais, mas também da construção de uma ampla rede de colaboração científica e do apoio contínuo à pesquisa básica e aplicada, o Prof. Renato Vitalino Gonçalves afirma: “Esses resultados são fruto de um trabalho coletivo que envolve alunos de graduação e pós-graduação, pós-doutorandos e colaboradores nacionais e internacionais. A ciência moderna é cada vez mais colaborativa, e avanços como esses somente são possíveis graças à dedicação de toda a equipe e à integração de diferentes competências científicas. Também é importante reconhecer o papel fundamental das agências de fomento e das instituições que apoiam a pesquisa no Brasil. Gostaria de agradecer especialmente à FAPESP, por meio de projetos individuais e, mais recentemente, do CEPID CEMol, ao CNPq e à USP. Esse apoio tem sido essencial para a consolidação das nossas pesquisas, para a aquisição de infraestrutura avançada e para a formação de recursos humanos altamente qualificados, que serão responsáveis por desenvolver as tecnologias energéticas do futuro”, conclui o pesquisador.
Em um cenário global marcado pela urgência da transição energética e pela necessidade de reduzir emissões de carbono, avanços como esses representam passos importantes rumo a uma sociedade mais sustentável, resiliente e ambientalmente responsável.
Acesse o link para conferir a pesquisa - Synergistic Co3O4 Surface Engineering of BiVO4 Photoanodes for Enhanced Photoelectrochemical Water Splitting (ACS Applied Energy Materials) –
Acesse o link para conferir a pesquisa - Solar Hydrogen Evolution Boosted by Cu and Pt Single-Atom Sites Anchored on g‑C3N4 via Magnetron Sputtering Deposition (ACS Nanoscience) -
O tratamento do câncer vive uma nova fase impulsionada pela imunoterapia, área que estimula o próprio sistema imunológico a combater os tumores.
SÃO CARLOS/SP - Entre as tecnologias mais promissoras estão as terapias com células CAR-T e as chamadas nanovacinas contra o câncer, tema de uma ampla revisão científica publicada por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).
Segundo o estudo, o câncer continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. Em 2020, cerca de 18 milhões de pessoas receberam diagnóstico da doença e 10 milhões morreram em decorrência dela. A tendência é de crescimento nas próximas décadas.
CAR-T: células reprogramadas para atacar o tumor
A terapia CAR-T funciona a partir da coleta de células de defesa do próprio paciente, que são modificadas em laboratório para reconhecer e destruir células cancerosas. Depois de multiplicadas, essas células são reinfundidas no organismo.
O método já conta com sete terapias aprovadas pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA), principalmente para leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. Em alguns casos, as taxas de remissão ultrapassam 80%.
Os pesquisadores destacam que a grande vantagem do CAR-T é sua capacidade de reconhecer tumores de forma direta e altamente específica. Além disso, a tecnologia vem sendo estudada também para doenças autoimunes e infecciosas.
Apesar dos resultados expressivos, a terapia ainda enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão os efeitos colaterais potencialmente graves, como reações inflamatórias intensas e alterações neurológicas, além do alto custo do tratamento, que pode chegar a centenas de milhares de dólares por paciente.
Outro desafio é a dificuldade de atuação em tumores sólidos, como os de pulmão, mama e cérebro. Esses tumores criam um ambiente que dificulta a entrada e a ação das células CAR-T, além de apresentarem grande diversidade de antígenos, o que facilita o escape do câncer ao tratamento.
Nanovacinas: estimulando uma resposta ampla do sistema imune
As nanovacinas terapêuticas representam outra frente inovadora da imunoterapia. Diferentemente das vacinas tradicionais, usadas para prevenir doenças infecciosas, essas vacinas buscam ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater tumores já existentes.
A tecnologia utiliza nanopartículas para transportar antígenos tumorais e substâncias que ativam células de defesa, especialmente os linfócitos T. Esse sistema melhora a entrega dos componentes da vacina aos linfonodos, locais centrais da resposta imune.
Entre os formatos mais estudados estão as vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA), semelhantes às utilizadas durante a pandemia de Covid-19. Empresas como BioNTech e Moderna lideram pesquisas nessa área.
O estudo cita resultados animadores em pacientes com melanoma tratados com uma vacina personalizada de mRNA combinada ao medicamento pembrolizumabe. Houve redução significativa do risco de recorrência e de metástase em comparação ao uso isolado do medicamento.
As nanovacinas também têm a vantagem de estimular uma resposta imunológica mais ampla, envolvendo diferentes tipos de células de defesa e favorecendo a formação de memória imunológica de longa duração.
Comparação e possíveis combinações
Os autores da revisão ressaltam que CAR-T e nanovacinas não são tecnologias concorrentes, mas potencialmente complementares.
O CAR-T oferece uma ação rápida e extremamente específica, enquanto as nanovacinas conseguem atingir múltiplos antígenos tumorais e gerar respostas imunes mais diversificadas e duradouras.
A combinação das duas abordagens, juntamente com medicamentos que desbloqueiam o sistema imunológico, aparece como uma das estratégias mais promissoras para o futuro da oncologia.
O futuro da imunoterapia
A revisão aponta que o avanço dessas tecnologias depende de superar desafios como a redução de custos de produção; melhoria da segurança dos tratamentos; aumento da eficácia em tumores sólidos; desenvolvimento de respostas imunes mais duradouras; e aprimoramento da personalização terapêutica.
Para o Doutorando Gabriel de Camargo Zaccariotto, essas tecnologias são abordagens centrais no futuro do tratamento do câncer: “Há alguns anos, as células CAR-T vêm representando um marco na história da terapia contra o câncer, especialmente no tratamento das neoplasias hematológicas. Mais recentemente, essa abordagem também tem avançado no enfrentamento dos desafiadores tumores sólidos, com resultados clínicos extremamente encorajadores em tumores altamente agressivos, como o glioblastoma. Paralelamente, embora ainda não exista nenhum produto aprovado, as nanovacinas vêm apresentando avanços promissores em ensaios clínicos para diferentes tipos de câncer, incluindo melanoma, câncer de pulmão, câncer de pâncreas e câncer colorretal”.
Mesmo com as limitações atuais, os pesquisadores consideram que CAR-T e nanovacinas representam uma mudança de paradigma no tratamento do câncer e podem transformar a prática clínica nos próximos anos, sendo que, sobre este aspecto, o coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano- IFSC/USP) e um dos autores do artigo publicado na revista científica internacional “Biotechnology Advances”, Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, comenta que “Tanto CAR-T quanto Nanovacinas representam pilares das novas gerações de imunoterapias conta o câncer. Em ambos os casos, a combinação de Nano e Biotecnologia é crucial para assegurar precisão a nível celular, eficácia e redução de custos”.
Esta pesquisa teve o apoio da FAPESP e do CNPq
Confira no link o original deste estudo - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/06/Review-Nano-CarT-full-zuco.pdf
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