SÃO CARLOS/SP - A pesquisadora Cristina Aguiar, da USP, e o secretário adjunto de Cidade Inteligente da Prefeitura de São Carlos, Cristiano Pedrino, apresentaram nesta quinta-feira (27/08) durante o 3º São Carlos Experience, o projeto IntegraSanca: Conectando Dados, Transformando São Carlos, um Centro de Ciência para o Desenvolvimento que pretende unificar as bases de dados municipais para melhorar a gestão pública e os serviços oferecidos à população.
O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investe R$ 9,6 milhões na iniciativa, somados a mais R$ 250 mil aportados pela própria Prefeitura de São Carlos. A equipe reúne 18 docentes de universidades como USP, UFSCar, ITA, UFAL e UFMG, além de 29 profissionais de apoio técnico e administrativo e 62 bolsistas entre pós-doutorado, doutorado, mestrado e iniciação científica.
Segundo a professora Cristina Aguiar, do ICMC-USP, pesquisadora principal do projeto responsável pela área de gestão de dados e integração, o trabalho de unificação de bases municipais é uma tarefa complexa que exige cuidado em múltiplas frentes. “É um trabalho extremamente difícil, desafiador, tem vários aspectos que precisam ser considerados”, afirmou a pesquisadora.
De acordo com ela, o primeiro desafio está nos próprios dados. “A gente está trabalhando com vários tipos de dados, esses tipos de dados são diferentes, eles têm informações diferentes armazenadas neles”, disse. Como exemplo, ela citou o caso de uma mesma pessoa que pode informar endereços distintos em sistemas diferentes, exigindo que a equipe lide com essa heterogeneidade para garantir que as informações disponibilizadas sejam verdadeiras.
A pesquisadora também destacou a dimensão legal do problema. Como o projeto lida com dados de cidadãos, é necessário observar a legislação aplicável, incluindo dados sensíveis que não podem ser publicados. “Nós temos que nos preocupar com segurança”, afirmou. Além disso, Cristina apontou que a mudança de cultura por parte do próprio cidadão é parte fundamental do processo: quanto mais precisas forem as informações preenchidas nos sistemas públicos, mais embasada será a tomada de decisão estratégica da gestão municipal. “É uma filosofia que muda tanto dados, sistema, cidadão e assim por diante”, resumiu.
Cristiano Pedrino destacou que entre os sistemas apontados como prioritários para integração estão o E-SUS, usado na área da saúde para registrar atendimentos, vacinações, visitas domiciliares e consultas; o sistema de Educação, com dados de escolas, alunos, professores e notas; o Cadastro Imobiliário, com informações sobre imóveis, terrenos e tributos; além do ERP municipal (usado em recursos humanos, compras e contabilidade), o sistema de dispensação de medicamentos nas farmácias públicas e o mapeamento urbano para aprovação de projetos.
“Atualmente, 41,6% dos sistemas usados pela Prefeitura de São Carlos são geridos internamente pela área de TI, 30,7% são sistemas externos ou hospedados em nuvem, e 27,7% estão obsoletos ou abandonados, o que reforça a necessidade de um esforço de integração e modernização”, disse.
Entre os principais desafios do projeto, a equipe elencou a interoperabilidade entre sistemas de diferentes secretarias, a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a criação de mecanismos de segurança da informação, a interligação de dados para desburocratizar processos internos e o fortalecimento da tomada de decisão baseada em evidências.
Questionada sobre os efeitos práticos do IntegraSanca para os moradores de São Carlos, Cristina Aguiar explicou que o projeto une os esforços da universidade, como centro de pesquisa, aos da Prefeitura, como órgão público, para devolver à população uma plataforma integrada que unifique os diferentes sistemas municipais. “O cidadão vai poder, por exemplo, ter serviços melhores”, disse.
Entre os exemplos citados pela pesquisadora está a possibilidade de a Prefeitura identificar, com base em dados, áreas prioritárias para a instalação de uma UPA, o direcionamento de médicos para determinados postos de saúde, a distribuição de medicamentos e até a definição de bairros que precisam de novas escolas, conforme o número de crianças em idade escolar na região. “É um retorno direto para a população, para facilitar a vida populacional”, afirmou.
Cristina também citou a possibilidade de notificações automáticas para lembrar cidadãos de consultas médicas agendadas, o que poderia reduzir o índice de faltas e, consequentemente, diminuir o tempo de espera nas filas do sistema de saúde municipal, um dos gargalos identificados pela equipe em levantamento preliminar. Segundo dados apresentados na palestra, referentes a um período de três meses, dos 157.182 agendamentos registrados no sistema de saúde, a taxa de comparecimento foi de apenas 55,2%, com uma taxa de falta (absenteísmo) de 29,9%.
A pesquisadora ressaltou que os benefícios do projeto devem alcançar todos os atores envolvidos na gestão pública municipal. “Vai ser um projeto desafiador, mas que a gente espera que tenha um retorno rápido, algumas coisas a gente pode fazer mais rapidamente, nem todas, mas muitas a longo prazo. Aos poucos, o cidadão pode ir percebendo que, pouco a pouco, vai melhorando os serviços que a Prefeitura vai oferecendo”, concluiu.
O IntegraSanca está estruturado em torno de seis eixos: integração de dados, inteligência artificial, segurança e privacidade, capacitação de recursos humanos, inclusão e acessibilidade e fortalecimento do ecossistema de inovação local. O projeto também prevê parcerias entre universidade, prefeitura, setor privado e sociedade civil, além de conexões com uma rede mais ampla de instituições acadêmicas e tecnológicas, como UFSCar, ITA, UFAL, UFMG, IFSP, além de órgãos como a Embrapa e o Parque Tecnológico de São Carlos (ParqTec).
A liderança científica do projeto é da professora Kalinka Branco, pesquisadora responsável perante a Fapesp e pela área de cibersegurança, ao lado de Cristina Aguiar, Adenilso Simão (Engenharia de Software) e Ricardo Cerri (Inteligência Artificial). Pela Prefeitura, o projeto é conduzido por Cristiano Pedrino, responsável pela área de Tecnologia e Dados, com apoio de Anderson Escarabelo e da secretária de Gestão Pública e Integração Governamental, Laurie Lubek.
Método desenvolvido por pesquisadores brasileiros e europeus consegue identificar padrões visuais com alta precisão e menor necessidade de treinamento computacional
SÃO CARLOS/SP - Uma nova abordagem de inteligência artificial pode tornar os computadores mais eficientes na identificação de texturas presentes em imagens — capacidade importante para distinguir materiais, superfícies e padrões visuais mesmo quando existem mudanças de iluminação, posição, tamanho ou condições de captura da fotografia.
Batizada de “VORTEX”, a técnica foi apresentada por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) Universidade Estadual Paulista (UNESP) e do KTH Royal Institute of Technology (Suécia), um trabalho liderado pelo docente e pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Odemir M. Bruno, e publicado recentemente na revista científica “Neurocomputing”.
O reconhecimento de texturas pode parecer uma tarefa simples para uma pessoa. Ao olhar uma fotografia, somos capazes de perceber diferenças entre tecido, madeira, metal, folhas, pedras ou outros materiais. Para um computador, entretanto, essa distinção pode ser bastante complicada, principalmente quando as imagens são produzidas em condições diferentes.
Mudanças na iluminação, no ângulo da câmera ou no tamanho dos elementos fotografados podem dificultar o reconhecimento. O desafio aumenta quando a fotografia apresenta vários objetos, fundos diferentes ou sobreposições. Para colocar o novo método à prova em situações variadas, os pesquisadores utilizaram nove conjuntos de imagens, desde fotografias mais simples e controladas até imagens obtidas em condições próximas das encontradas no mundo real.
Uma nova maneira de “olhar” para a imagem
Durante anos, uma das principais tecnologias utilizadas para esse tipo de tarefa foram as chamadas redes neurais convolucionais, sistemas de inteligência artificial especialmente desenvolvidos para trabalhar com imagens.
Mais recentemente, outra geração de sistemas ganhou espaço. Conhecidos como transformadores visuais, eles analisam diferentes partes de uma imagem e procuram estabelecer relações entre essas regiões. É justamente nessa tecnologia que o “VORTEX” se apoia.
Em termos simples, o método procura aproveitar informações obtidas em diferentes etapas da análise de uma fotografia. Em vez de considerar apenas o resultado final do processamento, ele reúne diferentes níveis de informação para construir uma descrição mais completa da textura observada.
Essa característica é particularmente importante porque reconhecer uma textura é diferente de reconhecer um objeto. Para identificar um carro, por exemplo, a posição de suas partes — rodas, faróis, portas — é importante. Em uma textura, por outro lado, o que interessa muitas vezes é a repetição de determinados padrões, independentemente do local exato onde aparecem na imagem.
O “VORTEX” foi desenvolvido justamente para valorizar essas características gerais da textura, reduzindo a importância da posição específica de cada detalhe.
Outro aspecto relevante é que o sistema pode aproveitar modelos de inteligência artificial que já foram previamente treinados, sem a necessidade de realizar um novo treinamento completo desses grandes modelos. A estratégia reduz a complexidade do processo e pode ser especialmente interessante quando existem poucas imagens disponíveis para ensinar o computador.
Testes com milhares de imagens
Os pesquisadores submeteram a técnica a nove bancos de imagens utilizados internacionalmente para avaliar sistemas de reconhecimento de texturas. Eles incluem desde superfícies fotografadas em condições controladas até imagens mais complexas, encontradas em situações cotidianas.
Os testes avaliaram, por exemplo, a capacidade de reconhecer texturas diante de alterações de iluminação, rotação da imagem e diferenças de escala, além de materiais fotografados em ambientes pouco controlados.
Os resultados mostram que o “VORTEX” conseguiu igualar ou superar métodos considerados referência na área em diferentes situações. Em alguns dos conjuntos de imagens mais desafiadores, o método estabeleceu novos resultados de referência.
Um dos destaques ocorreu no banco de imagens conhecido como DTD, considerado pelos pesquisadores um dos testes mais difíceis utilizados no estudo. Nessa avaliação, uma das configurações do “VORTEX” alcançou 87,6% de precisão, o melhor resultado relatado pelos autores para aquele conjunto de dados. A técnica também estabeleceu novos resultados de referência nos conjuntos FMD e GTOS-Mobile.
Os experimentos também revelaram que não existe necessariamente uma única tecnologia superior em todas as situações. Métodos anteriores continuaram apresentando resultados competitivos em alguns tipos de imagens mais controladas. O “VORTEX”, porém, mostrou vantagem principalmente em conjuntos de fotografias com maior diversidade e menor controle sobre as condições em que as imagens foram produzidas.
Menor necessidade de processamento
Além da precisão, os pesquisadores avaliaram o custo computacional do novo método.
Essa questão é importante porque sistemas modernos de inteligência artificial podem exigir computadores potentes, grandes quantidades de memória e longos períodos de treinamento. Quanto maior o modelo, maior pode ser também o consumo de recursos.
Uma das vantagens do “VORTEX” é justamente evitar um novo treinamento completo do sistema de análise de imagens. O método aproveita conhecimentos que já existem no modelo e concentra-se em extrair e organizar as informações necessárias para distinguir as texturas.
Em uma das comparações apresentadas no estudo, a configuração que alcançou o melhor resultado no conjunto DTD utilizou consideravelmente menos recursos computacionais que um dos principais métodos concorrentes. Os autores destacam que essa combinação entre desempenho e custo torna a abordagem interessante para diferentes condições de utilização.
Em um teste prático realizado pelos pesquisadores, uma versão do “VORTEX” processou as características de uma imagem de 224 por 224 pixels em cerca de 4,5 milésimos de segundo, utilizando um computador equipado com uma placa gráfica de alto desempenho.
Aplicações podem ir além das fotografias comuns
A capacidade de reconhecer texturas automaticamente possui aplicações em diferentes setores. Um sistema desse tipo pode auxiliar máquinas a distinguir materiais e superfícies ou identificar pequenas diferenças visuais difíceis de perceber em análises convencionais.
Os próprios pesquisadores apontam dois campos que poderão ser investigados no futuro: imagens médicas e sensoriamento remoto, como imagens obtidas por satélites ou outros sistemas de observação. Nessas áreas, padrões de textura podem fornecer informações importantes para diferenciar estruturas e regiões presentes nas imagens.
Os autores também pretendem investigar como o “VORTEX” se comporta quando existem poucas imagens previamente identificadas disponíveis para o aprendizado do sistema. Outra possibilidade é adaptar a técnica para trabalhar melhor com imagens de alta resolução e combinar diferentes tipos de inteligência artificial.
O estudo indica, portanto, uma mudança possível na maneira como computadores podem ser ensinados a interpretar detalhes visuais. Em vez de construir e treinar sistemas inteiramente novos para cada problema, a proposta é aproveitar grandes modelos já existentes e encontrar formas mais eficientes de extrair deles as informações necessárias.
Nesse cenário, o “VORTEX” funciona como uma espécie de novo olhar para uma inteligência artificial que já aprendeu a enxergar: reorganiza o que o sistema observa para que padrões, superfícies e texturas ganhem destaque.
Os resultados obtidos nos nove conjuntos de imagens mostram que essa estratégia pode competir com algumas das melhores técnicas disponíveis atualmente, ao mesmo tempo em que reduz a necessidade de treinamento adicional.
Para os pesquisadores, o caminho abre novas possibilidades para o uso de modelos modernos de inteligência artificial em tarefas nas quais reconhecer não apenas o que aparece em uma imagem, mas também como é a sua superfície, pode fazer toda a diferença. Eles apontam alguns campos que poderão ser investigados no futuro, como imagens médicas, biotecnologia e sensoriamento remoto (imagens obtidas por satélites ou outros sistemas de observação.
Confira, no link, o original desta pesquisa - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/08/1-s2.0-S092523122601249X-main-ODEMIR-BRUNO.pdf
“Quantum Universe” será realizada de 31 de agosto a 30 de setembro, com experiências interativas, holografia, realidade virtual e jogos que ajudam a desvendar fenômenos da física quântica
SÃO CARLOS/SP - Um universo no qual partículas desafiam nossa percepção da realidade, probabilidades substituem certezas e fenômenos aparentemente estranhos ajudam a explicar a natureza. Tudo isso estará mais próximo do público em São Carlos com a exposição “Quantum Universe”, que será aberta no dia 31 de agosto, Biblioteca da Prefeitura do Campus USP São Carlos, localizada na Área 2 do campus USP São Carlos.
A mostra, que poderá ser visitada até 30 de setembro de 2026, todos os dias entre as 09h00/12h00 e13h00/16h00, convida os visitantes a descobrir, de maneira acessível e interativa, alguns dos princípios da física quântica e sua importância para a ciência e a tecnologia contemporâneas.
A física quântica revolucionou a maneira como compreendemos a natureza e está na origem de diversas tecnologias presentes em nosso cotidiano. Embora seus conceitos muitas vezes pareçam distantes ou abstratos, eles têm influência direta sobre avanços científicos e tecnológicos que transformaram — e continuam transformando — a sociedade.
É justamente essa aparente distância entre o mundo quântico e a vida cotidiana que a Quantum Universe procura reduzir. A iniciativa é do Estúdio de Mídia, Cultura e Ciência (E=mc²), do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), e tem como objetivo criar pontes entre temas da ciência contemporânea e diferentes públicos, estimulando a curiosidade, o pensamento científico e novas formas de compreender a realidade.
Ciência para ver, experimentar e descobrir
Mais do que simplesmente apresentar conceitos científicos, a exposição aposta na participação dos visitantes. A programação reúne painéis interativos, atividades lúdicas e experiências imersivas, utilizando recursos como holografia, realidade virtual e jogos.
A mostra também apresenta um documentário que destaca a participação do Brasil nos primórdios do desenvolvimento desses conhecimentos, acrescentando uma perspectiva histórica à experiência.
A proposta é transformar a visita em uma oportunidade para experimentar, observar e, sobretudo, fazer perguntas: o que torna o mundo quântico tão diferente daquele que percebemos em nosso cotidiano? Como fenômenos que acontecem em escalas extremamente pequenas ajudam a explicar o funcionamento da natureza? E de que maneira conhecimentos construídos ao longo de décadas de pesquisa continuam abrindo caminhos para novas tecnologias?
Para o coordenador da iniciativa, o docente do IFSC/USP, Prof. Dr. Guilherme Matos Sipahi, a exposição também representa uma oportunidade de ampliar o diálogo entre a universidade e a sociedade. “A intenção é aproximar os visitantes de temas científicos de fronteira por meio de uma experiência de divulgação científica concebida para diferentes perfis de público”, destaca o docente.
A Biblioteca da Prefeitura do Campus USP São Carlos, na Área-2, torna-se, assim, um ponto de encontro entre ciência, educação e comunidade, favorecendo a participação de estudantes, professores, famílias e demais pessoas interessadas em conhecer um pouco mais sobre um dos campos mais fascinantes da ciência moderna.
Visitas de escolas e grupos
Escolas, professores, instituições e grupos organizados poderão realizar agendamento prévio para visitar a exposição por meio do site do “Estúdio E=mc²” - https://emc2.ifsc.usp.br/ .
A exposição “Quantum Universe” conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação de Apoio à Física e Química (FAFQ).
Estudantes norte-americanos e brasileiros desenvolvem técnicas que combinam imagens em infravermelho, análise da microcirculação e aprendizado de máquina para identificar alterações provocadas pela doença antes do surgimento dos sintomas
SÃO CARLOS/SP - Identificar alterações provocadas pelo diabetes muito antes de a doença ser diagnosticada pelos métodos convencionais é um dos objetivos de pesquisas desenvolvidas por um grupo de jovens pesquisadores da Texas A&M University, dos Estados Unidos, em colaboração com colegas do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).
Eamonn Smith, porta-voz do grupo norte-americano, explicou parte do trabalho desenvolvido pela equipe e destacou o potencial das novas tecnologias para reconhecer sinais precoces da doença. As pesquisas envolvem diferentes abordagens, entre elas o diagnóstico por neuromatriz e uma versão modificada da terapia de ventosas, utilizada para avaliar a perfusão e a reperfusão sanguínea.
“Um dos projetos busca utilizar uma câmera infravermelha para identificar possíveis alterações na microvasculatura de pessoas com diabetes, comparando-as com indivíduos que não apresentam a doença. Para isso, estamos reunindo o maior número possível de imagens, que posteriormente serão utilizadas por um programa computacional para treinar um modelo de aprendizado de máquina capaz de reconhecer diferenças sutis entre os dois grupos”, destaca Eamonn Smith.
A importância dessa abordagem está justamente na possibilidade de antecipar a identificação da doença. Segundo Smith, alterações na microvasculatura, na perfusão sanguínea e nas respostas nervosas estão entre os primeiros efeitos associados ao diabetes e podem surgir até dez anos antes de um diagnóstico efetivo, ou seja, antes mesmo da manifestação dos sintomas mais evidentes.
O trabalho, contudo, ainda enfrenta desafios técnicos. Smith avalia que a investigação vem avançando e considera sólida a teoria que orienta os experimentos, embora reconheça a necessidade de aperfeiçoamentos. “Um dos principais obstáculos é eliminar sombras, interferências e outros artefatos capazes de comprometer a qualidade das imagens obtidas pela câmera infravermelha”, pontua o pesquisador.
Para aprimorar o sistema, Smith e Daniel, este último também aluno da Texas A&M University, realizam testes com simuladores conhecidos como phantoms. Nesses experimentos, utilizam um meio líquido preparado para reproduzir determinadas características da dispersão da luz na pele humana.
O objetivo é testar novas configurações para a câmera e, por meio de experimentos sucessivos, encontrar maneiras de reduzir os efeitos do espalhamento da luz, permitindo visualizar com maior precisão as estruturas de interesse.
Apesar dos desafios e de reconhecer que ainda há um caminho considerável até a obtenção de resultados conclusivos, Smith identifica perspectivas importantes para futuras aplicações da pesquisa. “O aperfeiçoamento dos dispositivos desenvolvidos pelas diferentes equipes poderá contribuir para identificar pessoas em estado de pré-diabetes e, dessa forma, permitir que medidas preventivas e tratamentos sejam adotados mais precocemente”.
Mais do que antecipar um diagnóstico, a proposta abre perspectivas para preservar a saúde e a qualidade de vida dos pacientes. Em muitos casos, o diabetes é identificado quando determinadas alterações no organismo já estão instaladas. Reconhecer sinais iniciais da doença poderá ampliar as possibilidades de intervenção e contribuir para que o indivíduo permaneça saudável por mais tempo.
A pesquisa desenvolvida conjuntamente pelos jovens norte-americanos e brasileiros demonstra, assim, como a integração entre técnicas de imagem, análise da microcirculação e aprendizado de máquina pode abrir novos caminhos para a detecção precoce do diabetes. Ainda em fase de desenvolvimento e aperfeiçoamento, o trabalho aposta na tecnologia para enfrentar um dos grandes desafios relacionados à doença: identificá-la antes que seus efeitos comprometam significativamente a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.
Intercâmbio científico entre Brasil e Estados Unidos
A permanência dos estudantes norte-americanos no IFSC/USP faz parte de um programa de cooperação mantido pelo CEPOF, por meio do qual grupos de jovens pesquisadores do Instituto e da Texas A&M University realizam intercâmbios para trabalhar conjuntamente em temas científicos de elevada complexidade.
Neste projeto, o desafio consiste em desenvolver métodos capazes de avaliar um indivíduo antes do surgimento do diabetes, investigando aspectos como a integridade vascular e neurológica e a capacidade de irrigação sanguínea.
Além de sua relevância científica e de seu potencial impacto na área da saúde, a iniciativa também poderá gerar oportunidades de inovação e empreendedorismo. Entre as perspectivas futuras está a criação de condições para o surgimento de startups, inclusive nos Estados Unidos, bem como para o estabelecimento de parcerias com empresas brasileiras.
Dessa forma, o projeto ultrapassa os limites da pesquisa acadêmica e reforça a importância da cooperação internacional entre jovens cientistas, aproximando universidades, centros de pesquisa e empresas na busca por tecnologias capazes de contribuir para a prevenção e o diagnóstico precoce do diabetes.
SÃO CARLOS/SP - Estudantes de três escolas da rede municipal de ensino de São Carlos participaram da 11ª Feira do Livro da Universidade de São Paulo (FLUSP). A atividade foi promovida pela Secretaria Municipal de Educação, por meio do Sistema Integrado de Bibliotecas do Município (SIBI), em parceria com a USP, e teve como objetivo aproximar os alunos da literatura e dos autores de obras trabalhadas em sala de aula.
Participaram da iniciativa estudantes da EMEB Angelina Dagnone de Melo, EMEB Arthur Natalino Derigge e EMEB Antônio Stella Moruzzi. A programação foi organizada para que as turmas pudessem conhecer pessoalmente escritores e ilustradores cujos livros fazem parte das atividades pedagógicas desenvolvidas pelos professores.
Alunos do 2º ano da EMEB Angelina Dagnone de Melo participaram de um encontro com o escritor Filipe Macedo, conhecido como Passarinho. Já os estudantes do 5º ano da EMEB Antônio Stella Moruzzi conheceram o escritor e ilustrador Odilon Moraes, tendo contato também com aspectos do processo de criação literária e artística.
Os alunos do 2º ano da EMEB Arthur Natalino Derigge participaram de um encontro com a escritora Sônia Rosa, autora de “O Menino Nito”, obra trabalhada pela turma durante as atividades escolares.
A participação na feira possibilitou aos estudantes conversar com os autores, fazer perguntas e conhecer mais sobre a criação das obras que estão sendo estudadas nas escolas. A proposta também busca ampliar o repertório cultural das crianças e fortalecer o trabalho de incentivo à leitura realizado na rede municipal.
Para o secretário municipal de Educação, Roselei Françoso, o contato direto com escritores e ilustradores contribui para tornar a literatura mais próxima dos estudantes. “O contato direto com escritores e ilustradores também possibilita que as crianças percebam a literatura de maneira mais próxima e significativa”, afirmou.
A parceria entre o SIBI e a USP amplia as oportunidades de acesso dos estudantes a espaços culturais e educativos e integra as ações da Secretaria Municipal de Educação voltadas à formação de leitores e ao incentivo à leitura.
SÃO CARLOS/SP - A USP Filarmônica realiza no dia 26 de agosto, às 20h, no Teatro Municipal de São Carlos, a sua 256ª apresentação, pela série Concertos USP. O concerto terá entrada gratuita e contará com obras de compositores como Wolfgang Amadeus Mozart e Dmitri Chostakóvitch, além de peças de compositores brasileiros.
Sob a regência do maestro convidado Lucas Eduardo da Silva Galon (FFCLRP-USP), a apresentação será dividida em três partes. O programa começa com as obras “Off Broadway” e “46th Street”, de Raimundo Penaforte, e “Contradança”, de Alexandre Brasolim, que terá solo de trompete de Fernando Dissenha (FFCLRP-USP).
Na segunda parte, a orquestra apresenta a Sinfonia nº 40 em sol menor, K. 550, uma das obras mais conhecidas de Mozart e considerada um dos grandes exemplos da produção sinfônica do compositor austríaco.
Encerrando o concerto, será apresentada a “Sinfonia de Câmara, op. 110a”, de Dmitri Chostakóvitch, em transcrição de Rudolf Barshai a partir do Quarteto de Cordas nº 8, op. 110.
A obra foi composta por Chostakóvitch em julho de 1960, durante uma viagem a Dresden, na então Alemanha Oriental. O compositor havia viajado à cidade para trabalhar na trilha sonora do filme soviético-alemão Cinco Dias, Cinco Noites, que retratava a destruição provocada pelos bombardeios de 1945. O quarteto recebeu a dedicatória “à memória das vítimas do fascismo e da guerra”.
Os ingressos para a apresentação são gratuitos e estarão disponíveis para a comunidade USP e para o público geral a partir das 12h do dia 24 de agosto, por meio de retirada online pelo link https://icmc.usp.br/e/ygbuw. A distribuição seguirá até as 20h do dia 26 de agosto ou enquanto houver ingressos disponíveis.
Para o público com 60 anos ou mais, serão reservados 25 ingressos, que deverão ser retirados diretamente na bilheteria do Teatro Municipal no dia 26 de agosto, das 19h às 20h.
Após esse horário, os ingressos não retirados perderão a validade e eventuais lugares disponíveis poderão ser ocupados por pessoas que estiverem aguardando, conforme a ordem de chegada.
A apresentação integra a série de concertos da USP Filarmônica em São Carlos e é realizada pelo Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP), em parceria com o Grupo Coordenador das Atividades de Cultura e Extensão Universitária do Campus de São Carlos da USP, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC-USP), a Prefeitura do Campus USP São Carlos, por meio do Centro Cultural, e a Prefeitura Municipal de São Carlos, com apoio de produção da Associação Filadelfia.
SERVIÇO
Concerto USP Filarmônica nº 256 – São Carlos
Data: 26 de agosto de 2026 (quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Municipal de São Carlos
Endereço: Rua 7 de Setembro, 1735 – Centro
Entrada: gratuita
Retirada de ingressos: Comunidade USP e público geral: a partir das 12h do dia 24 de agosto, pelo link: https://icmc.usp.br/e/ygbuw.
Mais informações: (16) 3373-8171 – Setor de Eventos do ICMC.
SÃO CARLOS/SP - O Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do Instituto de Física de São Carlos (GNano-IFSC/USP) conquistou o primeiro lugar do “XVII Prêmio Octavio Frias de Oliveira - 2026”, concedido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) na categoria “Inovação Tecnológica em Oncologia”.
O trabalho premiado, intitulado “Nanopartículas administradas pelo nariz abrem nova frente de pesquisa no combate ao glioblastoma”, cuja primeira autora é a pesquisadora Drª Natália Noronha Ferreira Naddeo, contou com um grupo vasto de pesquisadores do GNano, coordenado pelo Prof. Dr. Valtencir Zucolotto, em parceria com o Dr. Rui Reis, do Hospital de Câncer de Barretos (SP), e com colaboração da Drª Eliana M. Lima
Sucintamente, a pesquisa desenvolveu um sistema biomimético capaz de transportar o quimioterápico temozolomida até o cérebro por via nasal, contornando uma das principais barreiras ao tratamento dos tumores cerebrais.
Esta estratégia combinou nanotecnologia, células tumorais e administração de medicamentos pelo nariz, sendo capaz de abrir novos caminhos para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de combater.
Os pesquisadores desenvolveram nanopartículas biomiméticas capazes de carregar o quimioterápico temozolomida e alcançar o cérebro após administração nasal.
O trabalho, intitulado Nose-to-Brain Delivery of Biomimetic Nanoparticles for Glioblastoma Targeted Therapy, foi publicado na revista científica ACS Applied Materials & Interfaces, da American Chemical Society, tendo sido destaque em recente publicação do IFSC/USP - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/combate-ao-glioblastoma-cancer-cerebral-pesquisadores-do-ifsc-usp-da-usp-sao-carlos-usam-nanotecnologia-para-administrar-medicamentos-por-via-nasal/ .
Confira no link como foi a entrega do Prêmio - https://www.youtube.com/watch?v=XLXfPw2WzZI
SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania (SMDSC) e a Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) estão fortalecendo uma parceria para ampliar ações educativas e de conscientização voltadas à cidadania, à inclusão social e à promoção dos direitos humanos em São Carlos. A iniciativa aproxima o poder público, a universidade e a comunidade, criando novos espaços de diálogo, informação e formação.
A programação conjunta contará com rodas de conversa, palestras e atividades formativas sobre temas relacionados aos direitos humanos, racismo, relações sociais e enfrentamento às diferentes formas de violência. Neste mês, o destaque será a palestra “Violência contra a Mulher”, que irá promover um espaço de informação, reflexão e conscientização sobre a prevenção e o enfrentamento da violência de gênero.
A Biblioteca da EESC-USP já desenvolve iniciativas voltadas à cidadania, à diversidade e aos direitos humanos, por meio de atividades culturais e educativas que aproximam a comunidade acadêmica da sociedade. Com a parceria, as ações passam a contar também com o apoio técnico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, ampliando o alcance das atividades e fortalecendo a integração entre as políticas públicas e as iniciativas desenvolvidas pela universidade.
A secretária municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, Gisele Santucci, destacou a importância da parceria para democratizar o acesso à informação e fortalecer a participação social.
“O trabalho conjunto fortalece o acesso à informação, promove o acesso aos direitos humanos e amplia o alcance dessas ações para toda a comunidade, contribuindo para a construção de uma sociedade mais consciente, participativa e inclusiva”, afirmou.
Participaram da reunião a secretária adjunta municipal de Cidadania, Ana Paula Vaz Panhoca, e, representando a Biblioteca da EESC-USP, a chefe técnica do Serviço de Biblioteca, Elenise Maria de Araujo; o bibliotecário da Seção de Atendimento ao Usuário, Eduardo Graziosi Silva; a técnica para assuntos administrativos da Seção de Atendimento ao Usuário, Ana Glaucia Fiscarelli; e o técnico de documentação e informação da Seção de Tratamento da Informação, Rafael Antonio di Foggi.
A parceria reforça o compromisso das instituições com a criação de espaços permanentes de diálogo, formação e participação social, contribuindo para a promoção dos direitos humanos, a democratização do conhecimento e o fortalecimento da cidadania em São Carlos.
SÃO CARLOS/SP - Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos pode representar um importante avanço no combate ao câncer de pele.
O estudo demonstra que microagulhas biodegradáveis, além de transportarem medicamentos diretamente para o interior da pele, também conseguem distribuir de forma mais eficiente a luz utilizada na terapia fotodinâmica, aumentando o potencial de destruição das células tumorais.
A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Biomedical Optics, tendo sido destaque no portal da SPIE - uma importante sociedade internacional focada em óptica e fotônica - https://spie.org/news/microneedles-may-help-light-reach-hard-to-treat-skin-cancers, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes, menos invasivos e de aplicação relativamente simples.
Contextualizando
O câncer de pele é o tipo de tumor mais frequente em diversos países e, embora muitos casos possam ser tratados com cirurgia, nem todos os pacientes são candidatos ao procedimento. Lesões extensas, tumores localizados em áreas delicadas do corpo ou pacientes com limitações clínicas frequentemente necessitam de alternativas terapêuticas. Entre elas está a terapia fotodinâmica, considerada um tratamento seletivo porque destrói preferencialmente as células doentes, preservando os tecidos saudáveis ao redor.
Entretanto, essa técnica enfrenta uma limitação importante: a luz utilizada para ativar o medicamento não consegue penetrar profundamente na pele. Quanto mais espesso for o tecido ou mais profundo estiver o tumor, menor é a quantidade de luz que chega ao local, o que reduz a eficácia do tratamento. Esse obstáculo limita o uso da terapia em determinados tipos de lesões cutâneas.
Foi justamente para solucionar esse problema que os pesquisadores desenvolveram um sistema baseado em microagulhas dissolvíveis. Fabricadas com material biocompatível e biodegradável, elas atravessam apenas as camadas superficiais da pele, sem causar dor. Após a aplicação, as microagulhas dissolvem-se naturalmente, entregando a medicação em camadas mais profundas do que o creme.
Inovação
A inovação está no fato de que essas microagulhas exercem duas funções simultaneamente. A primeira já era conhecida: criar pequenos canais que permitem que o medicamento alcance regiões mais profundas da pele de maneira muito mais eficiente do que quando aplicado apenas na superfície.
A segunda função, explorada durante a pesquisa, foi que devido ao seu formato piramidal e às propriedades ópticas do material utilizado, as microagulhas funcionam como minúsculos condutores de luz. Em vez de permitir que a iluminação percorra apenas um caminho reto, as microagulhas modificam o padrão de propagação, espalhando a luz em diferentes direções e aumentando a área efetivamente iluminada.
Na prática, isso significa que o medicamento ativado pela luz pode agir de forma mais uniforme em todo o tumor. Nos tratamentos convencionais, a maior intensidade luminosa costuma concentrar-se na superfície da pele, enquanto as regiões mais profundas recebem pouca energia. Como consequência, algumas células cancerígenas podem sobreviver ao tratamento.
Com a utilização das microagulhas, além da entrega da molécula ser mais profunda, a distribuição luminosa torna-se mais homogênea, aumentando as chances de que toda a extensão da lesão receba energia suficiente para ativar o medicamento e e promover maior dano às células malignas. Segundo os autores do estudo, trata-se de um efeito complementar extremamente importante, já que o dispositivo reúne, em um único sistema, a entrega localizada do fármaco e a otimização da iluminação terapêutica.
Os pesquisadores realizaram uma série de análises laboratoriais para verificar como a luz se comportava ao atravessar as microagulhas. Os resultados mostraram que a geometria do dispositivo provoca múltiplas reflexões internas da luz, permitindo que ela seja distribuída lateralmente e alcance regiões que normalmente permaneceriam pouco iluminadas. Isso representa uma vantagem significativa para terapias que dependem da ativação luminosa dos medicamentos.
Outro aspecto destacado pelo estudo é a simplicidade do sistema.
Microagulhas que se dissolvem
Como as microagulhas são produzidas com polímeros biodegradáveis e se dissolvem após a aplicação, os autores sugerem que o dispositivo tem potencial para ser produzido em larga escala a um custo relativamente baixo, o que favorece sua utilização em clínicas ambulatoriais e até mesmo em regiões com infraestrutura limitada.
Os autores também destacam que a plataforma poderá ir além do tratamento do câncer de pele. A combinação entre a administração localizada de medicamentos e a distribuição eficiente de luz pode ser adaptada a outras doenças dermatológicas que utilizam terapias baseadas em luz, além de abrir novas possibilidades para tratamentos que exijam maior precisão na entrega de medicamentos.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: a tecnologia ainda está em fase experimental.
Os testes apresentados demonstram o comportamento óptico e funcional das microagulhas em ambiente de laboratório, mas ainda serão necessários estudos pré-clínicos e ensaios clínicos para confirmar sua segurança, eficácia e desempenho em pacientes. Somente após essas etapas será possível avaliar sua incorporação à prática médica.
Expectativas para o futuro
Caso os estudos futuros confirmem o potencial observado nesta pesquisa, as microagulhas biodegradáveis poderão representar uma nova geração de dispositivos médicos capazes de unir duas funções fundamentais — a aplicação precisa de medicamentos e a distribuição inteligente da luz — em um único equipamento.
A expectativa é que essa abordagem aumente a eficácia da terapia fotodinâmica, reduza a necessidade de procedimentos mais invasivos e amplie o acesso a tratamentos modernos para pacientes com câncer de pele e outras doenças dermatológicas.
Para a primeira autora da pesquisa publicada no Journal of Biomedical Optics, Drª Michelle Requena, que concluiu seu mestrado, doutorado e pós-doutorado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e que atualmente realiza um novo pós-doutorado no Departamento de Engenharia Biomédica da Texas AM University (EUA) “É muito gratificante ver esse trabalho ganhar visibilidade, especialmente por representar a evolução de uma linha de pesquisa iniciada em 2017 durante o meu doutorado”, acrescentando que, desde então, a equipe tem buscado desenvolver estratégias para superar duas das principais limitações da terapia fotodinâmica no tratamento do câncer de pele, e que são a distribuição do fotossensibilizador e a penetração da luz no tecido.
“Após termos demonstrado que microagulhas dissolvíveis carregadas com ácido aminolevulínico melhoram a entrega do fotossensibilizador no tumor, este estudo explora uma segunda função dessas estruturas: promover uma distribuição mais homogênea da luz no tecido. Assim, as microagulhas passam a atuar não apenas como sistema de liberação do fármaco, mas também como moduladoras da propagação da luz, reunindo, em uma única plataforma, dois componentes essenciais à terapia fotodinâmica”, conclui a pesquisadora.
Embora ainda sejam necessários estudos pré-clínicos para validar essa abordagem em condições fisiológicas, os resultados da pesquisa representam um avanço importante no desenvolvimento de terapias mais eficazes para tumores cutâneos espessos e de difícil tratamento, com potencial para ampliar as aplicações da TFD e, futuramente, beneficiar um número maior de pacientes com câncer de pele.
Confira no link o artigo científico original relativo a esta pesquisa -
SÃO CARLOS/SP - Um grupo de pesquisadores do Brasil – IFSC/USP e UNICAMP - e da Espanha desenvolveu um sensor de papel flexível, biodegradável e de baixo custo capaz de detectar dióxido de nitrogênio (NO₂), um dos principais poluentes presentes no ar das grandes cidades. A inovação poderá facilitar o monitoramento da qualidade do ar sem gerar o volume de resíduos eletrônicos produzido pelos sensores convencionais.
O dióxido de nitrogênio é liberado principalmente por veículos, indústrias e usinas termoelétricas. A exposição prolongada ao gás está associada ao agravamento de doenças respiratórias e contribui para a formação de poluição fotoquímica nas áreas urbanas. Por isso, encontrar maneiras simples e econômicas de medir sua concentração tornou-se uma prioridade para pesquisadores em todo o mundo.
Para enfrentar esse desafio, a equipe criou um pequeno sensor com papel de celulose impregnado com uma camada de grafeno reduzido, um material derivado do grafeno que conduz eletricidade e reage quando entra em contato com o dióxido de nitrogênio. O processo de fabricação é simples, dispensando equipamentos sofisticados e permitindo produção em larga escala.
Os testes mostraram que a combinação ideal foi obtida com uma concentração específica do material e 20 etapas de impregnação do papel. Nessa configuração, o sensor apresentou elevada sensibilidade para detectar baixas concentrações de dióxido de nitrogênio, operando à temperatura ambiente, sem necessidade de aquecimento nem de alto consumo de energia.
Outra vantagem observada pelos pesquisadores foi a seletividade do dispositivo. Durante os experimentos, o sensor respondeu principalmente ao dióxido de nitrogênio, apresentando pouca interferência de outros gases normalmente presentes na atmosfera, como monóxido de carbono, amônia, sulfeto de hidrogênio e ozônio. Também manteve desempenho estável durante quase um mês de testes e produziu resultados semelhantes quando diferentes unidades foram fabricadas pelo mesmo método.
O equipamento também demonstrou resistência mecânica. Mesmo submetido a repetidas flexões, continuou funcionando normalmente, característica importante para aplicações em dispositivos portáteis e vestíveis. Além disso, os pesquisadores verificaram que a umidade aumenta a capacidade do sensor de detectar o gás, tornando-o especialmente adequado para uso em ambientes externos, onde a umidade do ar varia naturalmente.
Um dos aspectos mais inovadores do estudo é o compromisso com a sustentabilidade. Diferentemente dos sensores eletrônicos convencionais, que geram lixo eletrônico de difícil descarte, o novo dispositivo é produzido sobre papel e se degrada rapidamente quando descartado em água, sem deixar resíduos nocivos. Essa característica pode reduzir significativamente o impacto ambiental de redes de monitoramento compostas por milhares de sensores descartáveis.
Segundo os autores, o objetivo da pesquisa não foi criar o sensor mais sensível já desenvolvido, mas sim encontrar um equilíbrio entre desempenho, baixo custo, flexibilidade e respeito ao meio ambiente. O resultado demonstra que é possível desenvolver dispositivos eficientes para monitorar a qualidade do ar, utilizando materiais simples, biodegradáveis e de fácil fabricação.
A expectativa é de que essa tecnologia encontre espaço em uma ampla variedade de aplicações nos próximos anos. Em cidades inteligentes, por exemplo, sensores biodegradáveis poderão ser instalados em postes, semáforos, estações de transporte público e áreas de grande circulação para formar uma rede capaz de monitorar, em tempo real, a qualidade do ar.
Também poderão ser incorporados a equipamentos portáteis e até a dispositivos vestíveis, permitindo que pessoas com doenças respiratórias, como asma e bronquite, acompanhem os níveis de poluição nos locais por onde circulam.
Na área da saúde pública, essas informações poderão auxiliar as autoridades na emissão de alertas em dias de maior concentração de poluentes e na elaboração de políticas ambientais mais eficazes.
Ao combinar baixo custo, facilidade de fabricação e rápida degradação após o descarte, o novo sensor representa um passo importante rumo a soluções tecnológicas que conciliam inovação, proteção da saúde e redução do impacto ambiental causado pelo lixo eletrônico.
O dióxido de nitrogênio (NO₂) é um gás de cor castanho-avermelhada, de odor forte e irritante, formado por um átomo de nitrogênio e dois de oxigênio. É um dos principais poluentes atmosféricos e pode causar danos à saúde humana e ao meio ambiente.
O NO₂ é gerado principalmente durante processos de combustão em altas temperaturas, como:
*Motores de automóveis, caminhões e ônibus;
*Usinas termoelétricas;
*Indústrias e caldeiras;
*Queimadas e incêndios florestais;
*Fogões e aquecedores a gás, especialmente em ambientes mal ventilados;
Efeitos na saúde
A exposição ao dióxido de nitrogênio pode provocar:
*Irritação dos olhos, nariz e garganta;
*Tosse e dificuldade para respirar;
*Agravamento da asma e da bronquite;
*Redução da função pulmonar;
*Maior suscetibilidade a infecções respiratórias;
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias são os grupos mais vulneráveis.
Impactos ambientais
O NO₂ contribui para a formação do ozônio troposférico (smog fotoquímico), chuva ácida, formação de partículas finas (PM₂,₅), que também afetam a saúde e danos à vegetação e aos ecossistemas.
Confira no link o artigo original desta pesquisa liderada pelo docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Valmor Mastelaro, publicado na revista internacional “Microchemical Journal” - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/08/1-s2.0-S0026265X26017029-main-valmor.pdf
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