fbpx

Acesse sua conta de usuário

Nome de usuário *
Senha *
Lembrar de mim
Estudo com contribuição da USP São Carlos revela como quimioterápicos afetam células do coração

Estudo com contribuição da USP São Carlos revela como quimioterápicos afetam células do coração

Escrito por  Fev 08, 2026

SÃO CARLOS/SP - Medicamentos essenciais no combate ao câncer, a doxorrubicina e a vincristina salvam vidas todos os dias. Mas também carregam um desafio conhecido pelos médicos: em alguns casos, podem provocar danos ao coração.

Uma nova pesquisa publicada na revista científica “Langmuir” – da American Chemical Society (ACS), da autoria de pesquisadores da Universidade de Antioquia (Colômbia) e do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), ajuda a entender melhor por que isso acontece — e abre caminho para tratamentos mais seguros no futuro.

O estudo analisou como essas drogas interagem com estruturas que imitam a camada externa das células do músculo cardíaco, a membrana celular. Essa “capa” funciona como uma barreira protetora e também como uma central de comunicação, controlando o que entra e sai da célula. Entretanto, pequenas mudanças em suas propriedades físicas podem afetar o funcionamento do coração ao longo do tempo.

Os pesquisadores observaram que a doxorrubicina tende a deixar essa camada mais rígida. Isso pode parecer um detalhe técnico, mas não é: células cardíacas precisam de certa flexibilidade para suportar os movimentos constantes do coração. Quando essa estrutura fica mais “dura” do que deveria, pode se tornar mais vulnerável a falhas e danos acumulados.

Já a vincristina mostrou um comportamento diferente. Em vez de aumentar a rigidez, ela altera a forma como as moléculas dessa membrana se organizam. Essa reorganização também pode prejudicar o funcionamento normal das células, mas por um mecanismo distinto. A principal conclusão é que, embora os dois remédios possam afetar o coração, eles fazem isso de maneiras diferentes. Em algumas condições, a vincristina pode inclusive aumentar a flexibilidade da membrana, se contrapondo ao efeito enrijecedor da doxorrubicina. Isso explica do ponto de vista microscópico o que médicos já haviam descoberto empiricamente: um tratamento associando as duas drogas diminui os efeitos colaterais no coração.

O que isso muda na vida dos pacientes?

Entender esses mecanismos com mais clareza traz vários benefícios potenciais.

Se os médicos souberem exatamente como cada droga pode impactar o coração, poderão escolher esquemas de tratamento mais adequados para cada paciente — especialmente para quem já tem histórico de problemas cardíacos;

Com base nesse tipo de informação, exames cardíacos podem ser direcionados para detectar sinais mais específicos e precoces de alteração. Em vez de identificar o problema apenas quando os sintomas aparecem, seria possível agir antes que o dano se torne mais sério.

Ao revelar exatamente como essas drogas interagem com modelos simplificados da membrana das células do coração, este estudo oferece pistas valiosas para a criação de novas versões dos remédios e com a mesma eficácia contra o câncer, mas menor risco para o sistema cardiovascular, podendo também ajudar no desenvolvimento de substâncias protetoras, usadas junto com a quimioterapia.

Hoje, muitos pacientes vencem o câncer e vivem por décadas após a terapia. Reduzir os efeitos colaterais no coração significa aumentar as chances de uma vida longa e com menos limitações depois da cura. Esse é um dos grandes objetivos da oncologia moderna, ou seja, não apenas tratar o câncer, mas preservar ao máximo a saúde geral do paciente.

Embora os testes tenham sido feitos em modelos de laboratório que imitam células cardíacas — e não diretamente em pessoas —, eles oferecem um retrato detalhado do que pode estar acontecendo no organismo.

Ao transformar fenômenos microscópicos em informação prática, a ciência dá mais um passo para tornar o tratamento do câncer não só mais eficaz, mas também mais seguro.

Assinam este estudo os pesquisadores Jorge A. Ceballos (doutorando visitante no IFSC/USP), Juan C. Calderón e Marco A. Giraldo, todos da Universidade de Antioquia, e o Prof. Paulo Barbeitas Miranda (IFSC/USP).

Confira o original deste estudo em - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/02/the-anticancer-drugs-doxorubicin-and-vincristine-differently-impact-the-stiffness-of-langmuir-monolayers-that-mimic-the.pdf

Redação

 Jornalista/Radialista

Website.: https://www.radiosanca.com.br/equipe/ivan-lucas
E-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Top News

Nosso Facebook

Calendário de Notícias

« Março 2026 »
Seg. Ter Qua Qui Sex Sáb. Dom
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31          
Aviso de Privacidade

Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.