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Estudo com participação de pesquisadores do IFSC/USP desenvolve sensor capaz de identificar, em cerca de 30 minutos, proteínas associadas à bactéria causadora da doença

 

SÃO CARLOS/SP - A busca por métodos mais rápidos, simples e acessíveis para o diagnóstico da tuberculose ganhou uma nova possibilidade com um trabalho desenvolvido por pesquisadores ligados ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP). O estudo apresenta um sensor baseado em nanopartículas capaz de reconhecer proteínas características da bactéria responsável pela doença, produzindo uma resposta em aproximadamente 30 minutos.

O trabalho, publicado na revista científica “Talant”, é assinado por Nayla Naomi Kusimoto Takeuti, Thales Rafael Machado, Isabella Sampaio e Prof. Valtencir Zucolotto, e foi desenvolvido no Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do citado Instituto.

A importância da pesquisa fica mais evidente diante de um dos principais obstáculos enfrentados no combate à tuberculose: o tempo necessário para confirmar a doença. A tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, que atinge principalmente os pulmões. Segundo o artigo, mais de 10 milhões de pessoas adoecem anualmente e mais de um milhão morrem em decorrência da enfermidade.

Embora existam diferentes formas de investigação da doença, o cultivo de amostras de secreção pulmonar continua sendo uma importante referência para o diagnóstico. O problema é que o resultado pode demorar várias semanas e o procedimento depende de infraestrutura especializada. É justamente nesse intervalo de tempo que novas tecnologias podem fazer a diferença, principalmente quando se pensa em testes de triagem rápidos e de menor complexidade.

Um material conhecido com uma nova função

A proposta dos pesquisadores parte de um material chamado hidroxiapatita, um composto de cálcio e fósforo bastante conhecido na área biomédica e empregado, por exemplo, em aplicações relacionadas à reparação e regeneração de tecidos duros. Neste estudo, porém, partículas extremamente pequenas desse material ganharam outra função: passaram a atuar como a base de um sensor para reconhecer sinais associados à tuberculose.

A ideia pode ser explicada de maneira relativamente simples. Os pesquisadores produziram nanopartículas de hidroxiapatita modificadas para que fossem capazes de emitir luz quando estimuladas. Em seguida, prepararam a superfície dessas partículas para receber anticorpos capazes de reconhecer duas proteínas — CFP10 e ESAT6 — produzidas pela bactéria da tuberculose.

Essas proteínas funcionam como uma espécie de “assinatura” da presença do microrganismo. Quando o conjunto CFP10/ESAT6 encontra os anticorpos presentes nas nanopartículas, ocorre uma alteração na luz emitida pelo material. Essa mudança pode ser medida e utilizada como sinal da presença do alvo procurado.

Em outras palavras, em vez de esperar o crescimento da bactéria durante vários dias ou semanas, a estratégia procura reconhecer diretamente uma marca deixada pelo agente causador da doença.

Um aspecto interessante está no próprio comportamento das nanopartículas. Os pesquisadores conseguiram fazer com que o material produzisse o sinal luminoso necessário sem depender da incorporação de outros componentes usados tradicionalmente para gerar fluorescência. Isso simplifica a estrutura do sensor e poderá contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de sistemas menos complexos.

Resultado em 30 minutos

Nos experimentos realizados em laboratório, o sensor conseguiu distinguir amostras contendo as proteínas procuradas das utilizadas como controle. Os pesquisadores compararam tempos de reação de 30 minutos e uma hora e observaram que o período de meia hora proporcionou boa diferenciação entre as amostras e resultados mais consistentes.

O sistema apresentou uma faixa de funcionamento entre 300 e 500 nanogramas por mililitro e conseguiu detectar concentrações a partir de aproximadamente 132 nanogramas por mililitro, com resposta em 30 minutos.

É justamente a rapidez que chama a atenção. O próprio estudo compara a tecnologia com outros sensores já descritos na literatura. Alguns conseguem identificar quantidades menores das proteínas, mas podem exigir duas horas, nove horas ou até procedimentos preparatórios. O dispositivo desenvolvido pelos pesquisadores apresenta, neste estágio, menor capacidade de detectar concentrações muito pequenas, mas compensa parcialmente essa limitação pela rapidez e simplicidade do processo.

Isso significa que o trabalho não apresenta ainda um substituto pronto para os exames atualmente empregados nos serviços de saúde. Trata-se de uma prova de conceito, ou seja, uma demonstração de que o princípio funciona e merece ser aperfeiçoado.

Simplicidade pode ser uma vantagem

Outra característica importante é a composição do material. A hidroxiapatita é formada por elementos abundantes e compatíveis com sistemas biológicos. Além disso, a preparação das nanopartículas pode ser realizada em meio aquoso e não necessita de estruturas sofisticadas para produzir o sinal luminoso utilizado na detecção.

Segundo os autores, essas características tornam a plataforma interessante para futuras estratégias de diagnóstico rápido e de menor custo, especialmente em situações nas quais o tempo necessário para obter uma resposta pode interferir diretamente nas decisões clínicas. A mesma tecnologia poderá, inclusive, ser adaptada futuramente para reconhecer outras moléculas de interesse.

O estudo também avaliou a estabilidade do material. Depois de sete dias armazenado sob refrigeração, o sinal apresentou redução de apenas 5%. No 14º dia, a queda chegou a aproximadamente 11%, indicando que ainda será necessário aperfeiçoar as condições de armazenamento antes de pensar em uma aplicação prática em larga escala.

Da bancada para uma possível aplicação clínica

Como ocorre frequentemente em pesquisas dessa natureza, há uma distância considerável entre um resultado obtido em laboratório e a transformação da tecnologia em um exame disponível em hospitais, clínicas ou unidades básicas de saúde.

Os próprios pesquisadores destacam essa limitação. Até o momento, a capacidade de o sensor reconhecer especificamente o alvo desejado foi comparada com apenas uma proteína utilizada como controle negativo. Será necessário ampliar os testes com outras proteínas, substâncias presentes em amostras biológicas e, posteriormente, materiais mais próximos daqueles encontrados em situações clínicas reais.

Também serão necessários estudos sobre estabilidade, armazenamento, transporte e desempenho em condições práticas antes de qualquer perspectiva de aprovação e comercialização da tecnologia.

Ainda assim, os resultados mostram um caminho promissor. Ao transformar minúsculas partículas de um material já conhecido pela Medicina em elementos capazes de “avisar” quando encontram uma determinada proteína, os pesquisadores demonstram como a nanotecnologia pode aproximar áreas aparentemente distantes — Física, Química, Biologia e Medicina — em torno de um problema concreto de saúde pública.

Mais do que apresentar um novo sensor, o trabalho realizado aponta para uma possibilidade particularmente relevante: desenvolver ferramentas capazes de reconhecer sinais de uma doença de maneira mais rápida, simples e potencialmente acessível.

No caso da tuberculose, uma enfermidade que continua atingindo milhões de pessoas em todo o mundo, reduzir o tempo entre a suspeita e a identificação da doença poderá representar, no futuro, muito mais do que um avanço tecnológico. Poderá significar antecipar decisões médicas, acelerar o encaminhamento dos pacientes e contribuir para interromper a cadeia de transmissão.

Confira, no link, o estudo original publicado na revista científica internacional “Talanta” - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/10/3324218.pdf

SÃO CARLOS/SP - O auditório do Museu da Ciência “Mário Tolentino” recebeu, na tarde desta quinta-feira (19/03), o 2º Encontro Interprofissional para o Enfrentamento da Tuberculose, promovido pela Secretaria Municipal de Saúde, por intermédio do Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC), iniciativa que reuniu profissionais da saúde, pesquisadores e gestores para discutir estratégias de diagnóstico, tratamento e prevenção da doença em São Carlos.

A coordenadora do CAIC, Cíntia Martins Ruggiero, destacou que o objetivo principal do encontro é informar e sensibilizar tanto a população quanto os profissionais de saúde sobre a importância do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento. “Hoje temos 45 pacientes em acompanhamento e já registramos 16 novos casos apenas neste ano. É fundamental lembrar que a tuberculose não foi erradicada e continua sendo uma preocupação de saúde pública”, afirmou.

O evento também contou com a participação do professor titular da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP e presidente da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose, Ricardo Alexandre Arcêncio. Ele ressaltou que a tuberculose ainda é considerada uma doença negligenciada, especialmente em países com altos índices de desigualdade social, como o Brasil. “Estamos na 19ª posição mundial em número de casos. O Estado de São Paulo concentra grande parte deles, e municípios do interior, como São Carlos, são considerados prioritários no combate à doença”, explicou.

Arcêncio lembrou que o tratamento disponível é o mesmo há mais de 40 anos e que a falta de interesse da indústria farmacêutica em desenvolver novos medicamentos reflete a negligência em relação à doença. Ele também alertou para a necessidade de maior capacitação dos profissionais de saúde, já que o tema ainda é pouco abordado na formação acadêmica.

“A tuberculose é uma doença antiga, mas que continua exigindo atenção permanente. Os dados apresentados hoje mostram que precisamos manter um olhar atento, especialmente para o diagnóstico precoce e para a adesão ao tratamento. Cada paciente acompanhado representa uma vida que precisa de cuidado, acolhimento e acompanhamento contínuo. Do ponto de vista da Vigilância em Saúde, nosso papel é fortalecer as estratégias de identificação dos casos, ampliar a busca ativa de sintomáticos respiratórios e garantir que a informação circule de forma clara e acessível, tanto para os profissionais quanto para a população”, ressaltou a diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide.

Entre os sintomas que devem chamar a atenção da população estão tosse persistente por mais de duas semanas, perda de peso e falta de apetite. O professor reforçou que qualquer unidade de saúde do SUS está preparada para realizar o diagnóstico e oferecer tratamento gratuito.

SÃO CARLOS/SP - No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, 24 de março, o Centro de Atendimento às Infecções Crônicas (CAIC) do Departamento de Vigilância em Saúde, realiza uma busca ativa de casos sintomáticos da doença. 

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa que afeta principalmente os pulmões, mas também pode acometer órgãos como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro), entre outros.
Apesar de ser uma enfermidade antiga, que pode ser prevenida e curada, a tuberculose continua sendo um importante problema de saúde pública. No mundo, a cada ano, cerca de 10 milhões de pessoas adoecem por tuberculose.

A principal maneira de prevenir a tuberculose é com a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), disponível gratuitamente no SUS. Essa vacina deve ser dada às crianças ao nascer, ou, no máximo, até 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade e protege contra as formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meníngea. 

Denise Martins, diretora de Vigilância em Saúde, explicou que a busca ativa de tuberculose é uma ação preventiva que tem como objetivo identificar pessoas sintomáticas respiratórias para que recebam o tratamento adequado.  “Ainda como medida preventiva, é necessário avaliar também familiares e outros contatos do paciente para que não desenvolvam a forma ativa da tuberculose”.

De acordo com a enfermeira Cintia Ruggiero todas as unidades de saúde do município, incluindo as UPAS, estão encaminhando os pacientes com sintomas característicos da doença para a realização da baciloscopia. “Para os pacientes que procuram as unidades de saúde com sintomas respiratórios, tosse, febre noturna, cansaço e emagrecimento é solicitado a coleta do escarro. Precisamos conscientizar as pessoas sobre a importância do tratamento precoce da doença. Quando tratada corretamente tem 95% de chances de cura”, alerta a enfermeira do CAIC.

Em 2023 foram notificados 55 novos casos. Ao longo do ano passado, o CAIC notificou 64 novos casos e esse ano mais 10 casos novos foram registrados. Hoje recebem acompanhamento no CAIC 33 pacientes.

Na última quinta-feira (13/03) também foi realizada uma live pelo Youtube com a participação da médica Nayara Velone, do enfermeiro Henrique Camilo com moderação de Denise Martins, diretora de Vigilância em Saúde. O tema discutido foi o Tuberculose - Manejo na Atenção Primária à Saúde.

No município, a assistência aos pacientes com tuberculose é realizada no Centro de Atendimento às Infecções Crônicas, localizado na Rua José de Alencar, nº 36. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (16) 3419-8240 ou 3419-8250.

JUIZ DE FORA/MG - A pandemia de covid-19 fez com que muitos casos de tuberculose ao redor do mundo deixassem de ser notificados, diz a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso acredita-se que, nesse período, o número de pessoas com tuberculose não diagnosticadas e não tratadas possa ter aumentado.

No Brasil, não foi diferente. Um boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em março deste ano revelou que a mortalidade por tuberculose no país voltou a crescer nos últimos anos. Em 2021 foram registrados 5.072 óbitos pela doença, aumento de 11,9% em relação a 2019. Foi a primeira vez, em quase 20 anos, que o país ultrapassou o número de 5 mil mortos pela doença. Desde 2002, quando foram registrados 5.162 óbitos, o Brasil não chegava a essa marca.

Para os pacientes de doenças reumáticas, o aumento nos casos não diagnosticados ao redor do mundo pode ser ainda mais preocupante, já que essas pessoas apresentam ainda mais risco de desenvolver a doença. "Se a pessoa tiver algum sintoma do músculo esquelético, é importante procurar um reumatologista”, disse o médico especialista José Eduardo Martinez, da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

“A tuberculose é uma doença infecciosa, e a mais prevalente no mundo. Temos cerca de 10,4 milhões de novos casos de tuberculose por ano, segundo dados pré-pandemia. Durante a pandemia, os casos foram subnotificados e então perdeu-se um pouco o controle. Mesmo assim, tivemos um aumento do registro de novos casos de tuberculose de 2021 para 2022, aumento em torno de 3%”, disse Viviane Angelina de Souza, professora de reumatologia e da pós-graduação em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) e coordenadora da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A doença afeta prioritariamente os pulmões, e seu sintoma mais conhecido é a tosse, mas também provoca febre e perda de peso. A tuberculose é evitável e curável, mas é importante procurar ajuda médica rapidamente porque a cura depende do diagnóstico e tratamento precoce.

“Principalmente nos pacientes com doenças reumáticas imunomediadas – como artrite reumatóide, espondiloartrites e lúpus eritematoso sistêmico – existe uma condição que é altamente prevalente. Um quarto da população mundial apresenta essa condição, que é o que a gente denomina infecção latente pela tuberculose”, explicou.

E o que seria a infecção latente pela tuberculose? “A pessoa tem, no decorrer da vida, contato com o bacilo da tuberculose, mas o próprio sistema imunológico consegue bloquear a bactéria e não deixa que a infecção se desenvolva. Mas essa bactéria não é eliminada e fica adormecida”.

O que ocorre é que os pacientes com diagnóstico de doenças reumáticas imunomediadas e com tuberculose latente podem apresentar desequilíbrio no sistema imunológico. Nesse caso, as bactérias da tuberculose que estavam adormecidas podem ser liberadas e cair na circulação. Aí a tuberculose ativa pode ser ainda mais grave, atingindo não só o pulmão, mas também outros órgãos.

Viviane lembra que outras populações de alto risco de reativação de focos latentes são pessoas em situação de rua, asilados, população carcerária, profissionais de saúde e pacientes renais crônicos.

Para evitar que isso ocorra e que pessoas de alto risco apresentem sérias complicações, é necessária uma vigilância sobre os casos de tuberculose e de tuberculose latente. No Brasil, existe um plano para prevenir a doença. É o Plano Brasil Livre da Tuberculose que tem, entre suas metas, diminuir a incidência da doença e alcançar, até 2035, redução de 95% no número de mortes por ela causadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento de pessoas com tuberculose latente é uma importante estratégia de prevenção para o controle da doença. “A OMS prevê que essa meta de acabar com a tuberculose no mundo vai atrasar. A principal maneira de acabar com os casos de tuberculose é identificar os portadores dessa bactéria adormecida, que é a tuberculose latente e, nas populações de risco, realizar o tratamento”. Todo o tratamento, destacou Viviane, pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que, em abril deste ano, o governo instituiu o Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e de Outras Doenças Determinadas Socialmente, que vai integrar nove ministérios e pretende promover ações para erradicar esta e outras doenças com elevada incidência em regiões de maior vulnerabilidade até 2030.

“Outra importante estratégia é a incorporação de novos tratamentos para a doença. Em setembro de 2023, por exemplo, foi incorporado a pretomanida no SUS. O medicamento é administrado via oral, com menos efeitos colaterais, o que facilita a adesão e exige menos visitas de acompanhamento. Além disso, o tempo de tratamento também é reduzido: de dezoito para seis meses”, informou a pasta.

O ministério reforçou que a doença tem cura e que todo o diagnóstico e tratamento são oferecidos pelo SUS. De acordo com a pasta, a melhor forma de evitar a infecção é a detecção e o início precoce do tratamento. “Para as pessoas que receberam o diagnóstico de infecção latente, recomenda-se o tratamento preventivo da tuberculose”, ressaltou.

Também é importante tomar a vacina BCG, que protege as crianças das formas mais graves da doença.

*A repórter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Reumatologia

 

 

Por Elaine Patricia Cruz / AGÊNCIA BRASIL

SÃO CARLOS/SP - A Secretaria Municipal de Saúde, através do Centro de Atendimento de Infecções Crônicas (CAIC), realiza neste sábado (16/09), das 9h às 13h, na Praça do Mercado Municipal, uma campanha contra a tuberculose denominada “Fique Atento”.
Durante a atividade os profissionais de saúde vão orientar a população sobre a doença, bem como, se necessário, farão solicitação de exame de escarro, além de aferição de pressão arterial e teste de glicemia.
O objetivo é chamar a atenção sobre a tuberculose, uma doença bacteriana infectocontagiosa que afeta principalmente os pulmões e pode ser grave porque as bactérias são espalhadas pelo ar quando uma pessoa infectada tosse ou espirra e também despertar a atenção para a importância do diagnóstico precoce da infecção.
Entre os principais sintomas da doença estão a tosse por mais de duas semanas, cansaço, febre, perda de apetite e suor excessivo à noite.
Daniela Falcão, enfermeira do CAIC e responsável pelo Programa de Tuberculose, informou que em São Carlos atualmente 42 pacientes estão em tratamento com tuberculose ativa (quando a doença está ativamente produzindo sintomas e pode ser transmitida para outras pessoas) e 42 com tuberculose latente (quando a pessoa está infectada com o Mycobacterium tuberculosis, mas as bactérias não estão produzindo sintomas), mas também recebem tratamento.
“Se a pessoa estiver com tosse há mais de duas semanas deve fazer o teste de escarro para diagnóstico de tuberculose, em qualquer Unidade Básica de Saúde ou Unidade de Saúde da Família. Se tiver a doença, o paciente é encaminhado para tratamento no CAIC”, orienta a enfermeira.
Segundo o CAIC São Carlos registrou 458 notificações de casos de tuberculose de 2013 a 2022, sendo 328 homens e 130 mulheres. Nos últimos anos foram 51 notificações de tuberculose em 2022, 30 em 2021 e 32 em 2020.
A tuberculose tem cura e o tratamento é oferecido de forma gratuita pelo SUS. Apesar da melhora dos sintomas logo nas primeiras semanas, é primordial seguir corretamente as orientações do médico durante a terapia completa, que dura no mínimo seis meses.
O CAIC está localizado na avenida São Carlos, nº 3392, esquina com a Rua José de Alencar, no Tijuco Preto. O horário de atendimento é das 7h às 16h de segunda a sexta-feira. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (16) 3419-8240 ou 3419-8250.

ITIRAPINA/SP - Na última semana de março, a secretaria municipal de saúde juntamente com a vigilância epidemiológica, estiveram coletando material para investigação de casos.

A Tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas. A doença é causada pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch.

A tuberculose é uma doença de transmissão aérea através da fala, espirro ou tosse das pessoas com tuberculose ativa (pulmonar ou laríngea), que lançam no ar partículas em forma de aerossóis contendo bacilos.

O principal sintoma da tuberculose pulmonar é a tosse seca ou produtiva. Por isso, recomenda-se que todo sintomático respiratório, que é a pessoa com tosse por três semanas ou mais, seja investigado para tuberculose. Há outros sinais e sintomas que podem estar presentes, como:

• Febre vespertina

• Sudorese noturna

• Emagrecimento

• Cansaço/fadiga

O tratamento da tuberculose dura no mínimo seis meses, é gratuito e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), devendo ser realizado, preferencialmente, em regime de Tratamento Diretamente Observado (TDO).

 

 

PMI

FRANÇA - O gasto mundial dedicado à luta contra a tuberculose é totalmente insuficiente para relançar a batalha contra a enfermidade após anos de luta suspensa por causa da Covid-19, alertou, a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Como motivo do Dia Mundial da Luta contra a Tuberculose (24 de março), a OMS recordou que os objetivos fixados para 2022 "estão em risco, principalmente por falta de financiamento".

O organismo acrescentou que o gasto mundial em detecção, tratamento e prevenção da tuberculose em 2020 era a metade do objetivo mundial de 13 bilhões de dólares por ano.

"É necessário fazer investimentos urgentes para desenvolver e ampliar o acesso aos serviços e instrumentos mais inovadores para prevenir, detectar e tratar a tuberculose, o que poderia salvar milhões de vidas a cada ano, reduzir as desigualdades e evitar enormes perdas econômicas", disse o diretor-geral da OMS, Thedros Adhanon Ghebreyesus, em comunicado.

Em matéria de investigação e desenvolvimento, a organização estima que o mundo deveria investir globalmente 1,1 bilhão de dólares adicionais.

A interrupção dos serviços de saúde devido à pandemia de Covid-19 anulou anos de progresso mundial na luta contra essa doença que afeta os pulmões principalmente, denuncia a OMS. Desse modo, o número de mortes vinculadas à tuberculose começou a aumentar novamente pela primeira vez em mais de uma década.

De 2018 a 2020, 20 milhões de pessoas receberam tratamento contra essa doença, 50% do objetivo de cinco anos estabelecido em 40 milhões de pessoas. Durante o mesmo período, 8,7 milhões de pessoas receberam tratamento preventivo, 29% do objetivo fixado em 30 milhões para 2018-22.

PIRACICABA/SP - A Penitenciária Masculina de Piracicaba foi considerada referência no Estado no tratamento da tuberculose entre a população carcerária. Pelo quarto ano consecutivo recebeu premiação no Fórum Anual de Tuberculose do Estado de São Paulo, na edição de 2020.

Em 2019, a unidade registrou 22 sentenciados que foram diagnosticados, realizaram o tratamento até a alta por cura. Esses foram os fatores que somaram pontos à Penitenciária. Todos receberam o tratamento e foram curados.

“Essa premiação é um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pela equipe de saúde cotidianamente nas unidades prisionais objetivando a prevenção e tratamento de tuberculose nos presídios”, disse Cleide Coelho da Silva Santos diretora técnica de Saúde, da Penitenciária de Piracicaba.

Segundo o Ministério da Saúde a tuberculose no sistema prisional apresenta um índice maior devido às precárias condições sanitárias das unidades que possuem “celas mal ventiladas, iluminação solar reduzida e dificuldade de acesso aos serviços de saúde, são alguns fatores que contribuem para o coeficiente elevado de tuberculose no sistema prisional. “Importante ressaltar que neste ano com todos os esforços para prevenção, testagem e monitoramento da população carcerária e corpo funcional quanto à covid-19 a equipe de saúde, não minimizou esforços para dar continuidade a todos aos demais programas de saúde e atendimento com comprometimento, responsabilidade e eficiência”, afirmou Cleide.

A diretora de Saúde Rosemeire Santos afirmou que duas vezes por ano é realizado a busca ativa na unidade para identificar os sentenciados que estão com a doença, para encaminhamento e tratamento. “Somos bem-sucedidos desde a identificação da tuberculose, tratamento e a cura”, enfatizou Rosemeire.

 

 

*Por: Cristiani Azanha / JORNAL DE PIRACICABA

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