Jornalista/Radialista
EUA - Em 2022, os críticos da Sight and Sound, uma conceituada revista britânica de cinema, fizeram uma votação para eleger os melhores filmes da história da sétima arte. Nela, entre obras como Amor à Flor da Pele, Beau Travail, Era uma Vez em Tóquio e mais, o icônico primeiro lugar ficou com Jeanne Dielman, um longa-metragem belga que nem todos conhecem.
Dirigido por Chantal Akerman e lançado em 1976, na trama, acompanhamos três dias na vida de Jeanne Dielman, uma mulher ainda jovem, porém viúva, que mora com o filho adolescente.
A rotina enfadonha e a clareza de pequenos gestos dessa figura que cuida da casa enquanto o filho está na escola torna-se o alvo da narrativa, principalmente pelo fato de a personagem ocasionalmente se prostituir. Desta forma, a junção do sufocamento do cotidiano com o atendimento aos clientes - feito na própria residência - podem conduzir Jeanne a uma tragédia.
UMA VERDADEIRA SURPRESA
O fato de Jeanne Dielman 23, Quai Du Commerce, 1080 Bruxelles (título original do filme) aparecer em primeiro lugar configurou uma grande surpresa para quem costuma acompanhar a votação. Feito de tempos em tempos, o ranking da Sight and Sound costuma colocar títulos clássicos como Cidadão Kane (1941) na ponta - que desta vez, ficou em terceiro lugar.
Com roteiro assinado por Akerman, no elenco, nomes conhecidos do cinema europeu da época marcaram presença, como Delphine Seyrig, Jacques Doniol-Valcroze e Jan Decorte.
Com mais de 3 horas de duração, Jeanne Dielman também ganhou a aprovação de 95% dos críticos do Rotten Tomatoes, através de um consenso de que a película oferece "uma visão persistente, simples e, em última análise, hipnotizante da existência de uma mulher".
Vale ainda ressaltar que, na eleição, Um Corpo que Cai (1958), 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968), Cidade dos Sonhos (2001), O Poderoso Chefão e mais também estiveram presentes - filmes cultuados que você sempre encontra em listas do tipo.
por Rafael Felizardo / ADOROCINEMA
SÃO PAULO/SP - A Globo vive um misto de sensações com a cobertura dos desfiles das escolas de samba do Carnaval 2024. O evento terá mais arrecadação que nos dois anos anteriores, mas ainda não é um êxito completo no mercado publicitário.
A emissora confirmou ao site F5 que a transmissão terá patrocínio master da marca de cerveja Brahma, tanto na exibição dos desfiles do grupo especial do Rio e de São Paulo na TV aberta quanto na transmissão dos desfiles das campeãs no canal pago Multishow. Além disso, ela também colocou dinheiro no Glô na Rua, programa comandado por Rita Batista que mostra os blocos de rua pelo Brasil.
Pelo espaço, a Brahma pagou cerca de R$ 35 milhões, segundo pacote comercial obtido pela reportagem. A casa de apostas Pixbet patrocina apenas a transmissão dos desfiles e desembolsou 23,8 milhões, enquanto o Guaraná Antártica, que estará apenas no Glô na Rua, pagou R$ 11,2 milhões.
A Globo também celebra o êxito comercial das coberturas locais. Mais de 16 marcas confirmaram patrocínios nas folias regionais em parceria com a rede de afiliadas da emissora. Entre os anunciantes, estão o banco Bradesco.
Mesmo assim, existe uma certa decepção nos bastidores. Os desfiles das escolas de samba só venderam dois dos quatro espaços disponíveis para patrocinadores. É uma elevação com relação aos últimos anos, quando apenas a Brahma apostava nas escolas de samba, mas esperava-se que tudo tivesse sido negociado com o mercado.
A venda de publicidade é importante para as agremiações de São Paulo e do Rio, porque a Globo paga um valor de bônus pelo que consegue vender no mercado publicitário. Quanto mais arrecada, mais dinheiro vai para as escolas, que tem nos direitos de transmissão sua principal fonte de renda.
A Globo transmite os desfiles das escolas de samba de São Paulo nos dias 9 e 10 de fevereiro. Nos dias 11 e 12, é a vez das escolas do Rio.
Neste ano, uma mudança: jornalistas deixam de participar da transmissão, que será tocada numa parceria entre os departamentos de esporte e entretenimento. Alex Escobar, Karine Alves e Milton Cunha serão os nomes à frente das transmissões.
POR FOLHAPRESS
EUA - Em apenas oito anos, os Estados Unidos deixaram de vender quase nada de gás natural no exterior para se tornarem o fornecedor número 1 do mundo, uma mudança notável que beneficiou as empresas de petróleo e gás e fortaleceu a influência americana no exterior. Mas os ativistas do clima temem que o aumento das exportações de gás natural liquefeito piore o aquecimento global.
No mês passado, o governo Biden disse que iria pausar o processo de licenciamento para novas instalações que exportam gás natural liquefeito a fim de estudar seu impacto sobre as mudanças climáticas, a economia e a segurança nacional. Mesmo com a pausa, os Estados Unidos continuam no caminho certo para quase dobrar sua capacidade de exportação até 2027 devido aos projetos já autorizados e em construção. Mas quaisquer expansões além dessa data estão agora em dúvida.
No centro do debate sobre a permissão de mais exportações está uma questão espinhosa: com os governos de todo o mundo se comprometendo a fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis, de quanto mais gás natural o mundo precisa?
O boom de exportação de gás dos Estados Unidos inicialmente pegou muitos formuladores de políticas de surpresa. No início dos anos 2000, o gás natural era relativamente escasso no país, e as empresas estavam gastando bilhões de dólares para construir terminais para importar gás de lugares como Catar e Austrália.
O fracking (técnica de perfuração do solo) mudou tudo isso. Em meados dos anos 2000, os perfuradores dos EUA aperfeiçoaram os métodos para liberar vastas reservas de gás natural barato das rochas de xisto. Ao mesmo tempo, os preços do gás natural começaram a subir em outras partes do mundo, especialmente depois que o Japão fechou suas usinas nucleares após o derretimento do reator de Fukushima em 2011 e começou a exigir mais combustível.
Isso levou a uma reversão surpreendente. As empresas americanas, lideradas pela Cheniere Energy, começaram a gastar bilhões a mais para converter terminais de importação em terminais de exportação, e as remessas de gás dos EUA para outros países começaram a aumentar.
‘Grande crescimento da demanda’
O gás natural é mais facilmente transportado por gasoduto. Para atravessar os oceanos, o gás precisa ser resfriado a 126?°C abaixo de zero, transformando-se em um líquido. O processo de fabricação e transporte do gás natural liquefeito aumenta a complexidade e o custo, mas se a diferença entre os preços do gás natural nos EUA e os preços no exterior for grande o suficiente, ele será lucrativo.
“Tudo se resume à economia”, disse Kenneth Medlock, diretor sênior do Center for Energy Studies da Rice University. “A produção continua crescendo nos Estados Unidos, o que mantém os preços baixos. E então continuamos a ver um grande crescimento da demanda no resto do mundo.”
O boom das exportações transformou o papel dos Estados Unidos na geopolítica energética.
A Europa se tornou o maior importador de gás americano nos últimos anos, permitindo que o continente reduzisse em mais da metade sua dependência do gás russo desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
No futuro, espera-se que a Europa reduza seu apetite por gás adicionando mais fontes de energia renovável, como energia eólica e solar. Espera-se que os principais mercados em crescimento para o gás natural sejam os países asiáticos em rápido crescimento, como China, Índia, Paquistão, Bangladesh e Vietnã, que desejam usar o combustível para eletricidade, aquecimento ou fins industriais.
Porém, à medida que as exportações dos EUA continuam a disparar, os críticos levantam preocupações sobre o impacto da mudança climática decorrente do transporte e da venda de mais gás em todo o mundo.
Uma questão climática complexa
A última vez que o Departamento de Energia estudou essa questão, em 2019, concluiu que o gás natural liquefeito dos EUA geralmente produzia menos emissões de gases de efeito estufa do que outros tipos de carvão ou gás usados em todo o mundo.
Isso significa que mais exportações poderiam, na verdade, ser benéficas para a mudança climática se o gás dos EUA substituísse esses outros combustíveis fósseis. (Quando o gás é escasso, alguns países, como o Paquistão e Bangladesh, optaram recentemente por queimar mais carvão).
No entanto, alguns ambientalistas contestaram essas conclusões, argumentando que a análise não levou totalmente em conta todos os vazamentos de metano que podem acompanhar a produção de gás natural e que não estudou se um excesso de gás poderia deslocar a energia renovável mais limpa em vez do carvão. Espera-se que o Departamento de Energia estude essas questões enquanto suspende as autorizações para novos projetos.
Enquanto isso, o boom do gás nos EUA está longe de terminar, mesmo com a pausa na concessão de licenças.
Desde 2016, as empresas de energia dos EUA construíram sete grandes instalações no Texas, Louisiana, Maryland e Geórgia que podem exportar cerca de 322,8 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito por dia, segundo a Administração de Informações sobre Energia.
Outros cinco projetos ao longo da Costa do Golfo já estão autorizados e em construção e poderão exportar mais 274 milhões de metros cúbicos por dia até 2027 — quase dobrando a capacidade de exportação dos Estados Unidos. Outras três instalações estão sendo construídas atualmente no México, que receberão o gás dos EUA por gasoduto e depois o enviarão para o exterior.
A pausa, no entanto, poderá afetar quase uma dúzia de projetos propostos nos Estados Unidos e no México que, se construídos, poderão aumentar a capacidade de exportação em mais 283 milhões de metros cúbicos por dia, de acordo com pesquisa da Clearview Energy Partners, uma empresa de consultoria. Ainda não se sabe se esses projetos serão levados adiante.
Com tantos projetos em andamento, os especialistas dizem que será crucial garantir que os vazamentos de metano da produção de gás sejam mantidos o mais baixo possível. (O governo Biden apresentou várias novas regulamentações sobre o metano).
“Essa é uma área em que podemos realmente obter uma vitória em termos de emissões, talvez mais do que atrasar ou até mesmo acabar com um projeto de fornecimento futuro”, disse Ben Cahill, membro sênior do Center for Strategic and International Studies. “Porque é o que fazemos com as emissões dos projetos que sabemos que estão conosco hoje.”
por Nadja Popovich e Brad Plumer / ESTADÃO
EUA - Antonio Muñoz, um ex-policial que se tornou dono de uma taqueria, sente os ventos políticos mudarem em seu estado natal, Nevada, onde parte da comunidade latina, tradicionalmente democrata, começa a se inclinar para o lado republicano neste ano de eleição presidencial.
"Votei nos democratas nas últimas eleições, mas este ano estou num dilema, não sei o que fazer", desabafa ele, em sua colorida loja de tacos, em Las Vegas, onde conversou com a AFP.
Biden, de 81 anos, buscará a reeleição em novembro, muito provavelmente contra o ex-presidente republicano Donald Trump, de 77 anos, derrotado por ele 2020 e que está em plena campanha pela nomeação de seu partido.
Apesar de enfrentar dezenas de acusações de irregularidades eleitorais e outras acusações legais, Trump lidera, com folga, as primárias republicanas.
Em Nevada, as pesquisas iniciais também colocam-no à frente de Biden. O atual presidente venceu nesse estado por uma leve margem nas últimas eleições.
Muñoz observa um bastião democrata ainda forte em Las Vegas.
"Mas falei com amigos que estão no meio, como eu", diz o homem de 48 anos que prevê que o estado será palco de uma campanha agressiva com ambos os partidos disputando o voto latino.
- Mudança geracional -
A comunidade latina é uma das que mais crescem nos Estados Unidos.
"Uma em cada cinco americanos que podem votar nessas eleições é latino", afirma o diretor de pesquisa sobre raça e etnia do Pew Research Center, Mark Hugo López.
Embora com variações regionais, como a tendência na Flórida de favorecer candidatos republicanos, o importante bloco latino tem sido historicamente democrata. Muitos estão, no entanto, começando a quebrar essa tradição.
No Texas, estado que faz fronteira com o México, Trump registrou avanços eleitorais entre os latinos em 2020 em comparação com 2016, recorda López.
"Mesmo na Califórnia [território democrata], uma análise do [jornal] New York Times mostrou um leve declínio no percentual de latinos que apoiaram Biden, em comparação com Hillary Clinton em 2016", disse ele.
"É um cenário muito diversificado, mas parece que os candidatos republicanos como Trump marcaram pontos com os latinos em lugares que eram tradicionalmente muito democratas em 2020", acrescenta.
Apesar de ainda estarmos no início da corrida eleitoral, as pesquisas mostram que isso não mudou com o governo democrata.
"A taxa de aprovação de Joe Biden entre os latinos continua baixa", disse Lopez.
Nossos números mais recentes mostram que, em janeiro, 65% dos latinos reprovavam seu trabalho, e 32%, aprovavam", completa.
Com a rápida expansão da comunidade latina, a nova geração parece influenciando essa mudança.
"Em um lugar como Nevada (…) há muitos imigrantes, mas também muitos americanos filhos de pais imigrantes, assim como um número crescente de pessoas que são a terceira ou próxima geração", diz López.
"E eles tendem a se inclinar mais para o lado republicano do que outros grupos de latinos", completou.
É o que María Elena Castro, ativista da ONG Mamás con Poder e identificada com os democratas, percebe em casa, ao ouvir seu filho e seus sobrinhos falarem sobre política.
"A garotada mais jovem não conhece muito do passado, sobre o que seus pais passaram", disse essa mexicano-americana de 51 anos.
"O voto dos jovens latinos é a favor dos republicanos pela falta de informação", avaliou.
- "Estamos melhores?" -
Para os latinos, economia e migração são questões prioritárias, e eles sentem que Biden está em falta em ambos. É aqui, diz Jesús Márquez, consultor político ligado à campanha de Trump em Nevada, que os republicanos têm espaço para agir.
Milhares de pessoas chegam diariamente à fronteira dos Estados Unidos em busca de asilo, uma situação que sobrecarregou o já congestionado sistema migratório do país.
Como resultado, Biden é atacado por todos os lados, com a percepção generalizada de que a fronteira com o México está fora de controle.
"Isso é algo de que os latinos que vivem aqui há décadas não gostam, porque sentem que muitas pessoas estão furando o lugar na fila", disse Márquez.
A questão se tornou um eixo da campanha republicana e uma dor de cabeça para os democratas, assim como a opinião generalizada de que a economia vai mal.
A preocupação com a manutenção do emprego e a cobertura das despesas básicas desempenha um papel crucial entre os eleitores. De acordo com sondagens recentes, no entanto, essa avaliação negativa da situação econômica é ainda mais intensa entre os latinos.
"Os latinos, a classe trabalhadora em geral, batalha com o alto custo de vida", explica Márquez.
"Os latinos se lembram de como estavam durante a gestão de Donald Trump, que foi há pouco", acrescenta.
"E a pergunta que se fazem é: estamos melhor agora, ou quando Trump era presidente?", completa.
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