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Dicionário sobre discurso digital e artigo sobre preconceitos contra as falas femininas receberam prêmio da Abralin

 

SÃO CARLOS/SP - Um dicionário sobre discurso digital e um artigo que trata de discursos sobre as falas femininas no Brasil, de docentes e pesquisadoras da UFSCar, foram premiados pela Associação Brasileira de Linguística (Abralin). O Dicionário sobre discurso digital, de autoria de Marie-Anne Paveau, organizado e traduzido pelo docente do Departamento de Letras (DL), Roberto Leiser Baronas, e pela pós-doutoranda e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa dos Estado de São Paulo (Fapesp), Julia Lourenço, ambos da UFSCar, recebeu o Prêmio Joaquim Mattoso Câmara Jr. (primeira colocação). Já o Prêmio de Melhor Artigo publicado na Revista Abralin foi dado ao artigo "Discursos sobre a fala feminina no Brasil contemporâneo", de Amanda Batista Braga, docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pós-doutoranda no Departamento de Letras da UFSCar, e de Carlos Piovezani, docente do DL. 
A obra "Análise do discurso digital: dicionário das formas e das práticas" (originalmente intitulada "L'Analyse du discours numérique: Dictionnaires des formes e des pratiques") foi publicada pela editora Hermann, de Paris, em 2017. Em 2021, foi traduzida por uma equipe de 30 pesquisadores brasileiros e publicada pela Editora Pontes; no mesmo ano, ganhou o prêmio da Abralin. 
"Redigido com o rigor teórico necessário para que se compreenda a virada epistemológica sob a qual o livro se apoia, Marie-Anne Paveau brinda os leitores com 31 verbetes - mais a introdução -, os quais concretizam o projeto, que de modo perceptível, se desenvolveu ao longo de variados anos de trabalho, pesquisa e paixão", explicam Roberto Baronas e Julia Lourenço. Segundo os organizadores, trata-se de um livro original que, a partir de uma base sólida, apresenta uma reflexão profunda acerca do funcionamento dos discursos nativos da internet: "A obra é calcada na Análise do discurso francesa, para trabalhar com os tecnodiscursos, isto é, discursos produzidos na imbricação entre os dispositivos técnicos". Eles destacam ainda que o dicionário é importante para o terreno das pesquisas em Humanidades, Linguística e Análise do discurso e que ressalta "a necessidade da Análise do discurso em se colocar enquanto disciplina capaz de lidar com o digital, tendo sempre em perspectiva o diálogo polêmico ou de aliança inter e transdisciplinar".
Já o artigo "Discursos sobre a fala feminina no Brasil contemporâneo" mostra como discursos preconceituosos, discriminatórios e excludentes dificultam o acesso das mulheres ao espaço público. "O objetivo de nosso artigo é duplo", explicam Amanda Braga e Carlos Piovezani, "por um lado, analisamos discursos que, em diferentes tempos, lugares, instituições e campos do conhecimento, conservam estigmas e depreciações da fala feminina, nos quais se afirma que as mulheres não saberiam falar em público, que elas não teriam corpo e voz apropriados para fazê-lo e que elas não teriam legitimidade para ser porta-vozes de suas classes e grupos sociais, e, por outro, examinamos também discursos que, principalmente com base em movimentos feministas avant la lettre e feministas propriamente ditos, se contrapuseram a esses estigmas e a essas depreciações".
Os autores utilizaram o campo da Análise do discurso para examinar os discursos do preconceito contra a fala feminina e os da resistência a essas discriminações. "Articulamos ainda à Análise do discurso alguns princípios da História das ideias linguísticas e da História das sensibilidades para examinar esse importante aspecto, o de uma espécie de divisão sexuada, do fenômeno da fala pública, que é um objeto que compreende fatores culturais, históricos, sociais e afetivos", complementam. 
O conjunto do material de análise abrange uma obra escrita por um jornalista, que deprecia a ex-presidenta Dilma Rousseff a partir de uma série de preconceitos contra suas formas de se expressar publicamente, além de notícias e artigos de opinião, publicados em grandes veículos da imprensa brasileira, que detratam Dilma Rousseff, Manuela D'Ávila e Tábata Amaral. Também foram utilizados textos clássicos, como a Retórica, de Aristóteles, e mesmo postagens em redes sociais. 

Reconhecimento, união e resistência
Os pesquisadores da UFSCar ressaltaram a importância do reconhecimento da Associação Brasileira de Linguística em relação às duas produções. "O prestígio e a relevância da Abralin é o que, definitivamente, concretiza o grande significado do prêmio Joaquim Mattoso Câmara, pois, ao recebê-lo, fica comprovada a importância da obra vencedora para o cenário da pesquisa Linguística. A seriedade da instituição, do processo de avaliação e a competência dos profissionais que participam das comissões reforçam a honra que este prêmio confere", destacam Roberto Baronas e Julia Lourenço. Os autores afirmam ainda que "o dicionário foi traduzido por uma grande e forte equipe de pesquisadores e pesquisadoras do Brasil, que se dedicaram, comprovadamente com maestria, nesta tarefa. Para além da importância do texto e do trabalho de tradução em si, encaramos esta obra - e consequentemente este prêmio que recebemos - como uma forma de a ciência resistir no cenário nacional". Eles alertam para o fato de que há um verdadeiro projeto de desmonte da educação, ciência e tecnologia em andamento no Brasil e que este coletivo do livro reforça a importância da unidade para que grandes resultados sejam possíveis.
O professor Carlos Piovezani acredita que um dos critérios que levaram o artigo a ser premiado, mesmo com muitos trabalhos em Ciências humanas sobre preconceitos e discriminações contra as mulheres, é a sua abordagem inovadora: "o fato de termos examinado esta complexidade: a força, o alcance e a conservação dos ataques à fala feminina na longa duração histórica, de um lado, e as transformações, inflexões e resistências que se impuseram a esses discursos do preconceito, da discriminação e da exclusão, de outro". Para ele, "a conquista desse prêmio significou o reconhecimento aos trabalhos que Amanda e eu estamos fazendo sobre a fala pública feminina e a honra por esse reconhecimento ter vindo da Associação Brasileira de Linguística, que é a principal instituição do campo de conhecimento em que atuamos. Além do reconhecimento e da honra, o prêmio também significa um grande estímulo para que continuemos esses nossos trabalhos conjuntos e para que busquemos alcançar outros resultados de pesquisa que conjuguem relevância social e excelência acadêmica e científica".

Saiba mais
O artigo "Discursos sobre a fala feminina no Brasil contemporâneo" pode ser acessado em https://bit.ly/3nwWfmA. A obra "Dicionário do Discurso Digital" pode ser adquirida pela Pontes editores, no site https://bit.ly/3BgDoAU. Para saber mais sobre a Associação Brasileira de Linguística (Abralin), acesse www.abralin.org. As premiações podem ser conferidas nos links: https://bit.ly/3GqTo74 (Dicionário) e https://bit.ly/3jFFSTr (artigo).
Implantação do Campus Lagoa do Sino da UFSCar é tema de um dos capítulos da obra

 

SÃO CARLOS/SP - A editora da Universidade de Brasília (UnB) está lançando o livro "Novos campi universitários brasileiros: processos e impactos", organizado pelos professores Elaine Saraiva Calderari, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e Joel Pereira Felipe, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), ambos com experiência profissional e acadêmica em projetos de implantação de novos campi universitários.
A obra é "uma das primeiras inciativas de reunião de experiências de implantação de novas universidades no Brasil relativas a um período fecundo de experimentações pedagógicas, metodológicas e arquitetônico-urbanísticas que decorreram do engajamento do governo federal e das instituições de Ensino Superior brasileiras (...). Exibe estudos referentes a nove universidades federais brasileiras criadas, ou que passaram por expressiva expansão entre 2004 e 2014", descrevem os organizadores na apresentação do livro.
Entre essas nove universidades federais brasileiras, está a UFSCar, com seu Campus Lagoa do Sino, cujo processo de implantação foi abordado no capítulo "Expansão UFSCar e o impacto na urbanização: Campus Lagoa do Sino", de autoria das professoras Luciana Gonçalves, do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) e da Secretaria Geral de Gestão do Espaço Físico (SeGEF) da UFSCar, e Yovana Saavedra, do Centro de Ciências da Natureza (CCN) do Campus Lagoa do Sino da Instituição.
De acordo com Saavedra, a elaboração do capítulo foi baseada em pesquisa bibliográfica, documental e ex-post facto (a partir de fato passado) para identificar e analisar os impactos do Campus Lagoa do Sino referentes a questões ambientais, sociais e urbanísticas em Campina de Monte Alegre, município mais próximo do campus e onde mora aproximadamente 90% da comunidade universitária. "Além disso, usamos materiais desenvolvidos por outros professores do Campus sobre esses impactos e construímos uma matriz SWOT para identificar as principais forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas à presença do campus universitário na região", completa a docente.
"Nosso principal objetivo foi mostrar como uma universidade, propulsora de conhecimento, enfrenta diversos desafios nas áreas ambiental, social, econômica e cultural quando decide implantar um novo campus em determinada região, nesse caso específico, o Campus Lagoa do Sino, que está localizado em uma zona rural e próximo a pequenos municípios, pertencente à Mesorregião de Itapetininga", diz a pesquisadora da UFSCar.
Ela afirma que os resultados apresentados no capítulo evidenciam como o Campus tem ajudado a melhorar a capacidade educacional da região, além dos impactos positivos diretos e indiretos nos Indicadores de Desenvolvimento Humano e no desenvolvimento regional. "No entanto, ainda são necessários mais estudos para identificar e analisar mais potencialidades e desafios", aponta a docente.
Segundo os organizadores "um dos objetivos da publicação é oferecer às universidades (...) um conjunto de reflexões sobre essas experiências [de expansão] a partir da exposição e análise crítica dos processos envolvidos em cada caso, trazendo as suas características mais marcantes, adotando um adequado distanciamento temporal e uma estratégia metodológica apropriada. Sua leitura é indicada igualmente a gestores públicos municipais, metropolitanos, estaduais e federais, que lidam com o planejamento urbano, mobilidade, empreendimentos de impacto nas cidades e a sustentabilidade". A obra está disponível na íntegra neste link (https://bit.ly/3BWWGvt).

Evento tradicional da cidade tem títulos com interesse para os simpatizantes e a comunidade espírita

 

SÃO CARLOS/SP - A partir desta segunda-feira, 01, e até o dia 30 de novembro, a USE - União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de São Carlos, realiza sua tradicional Feira do Livro Espírita, na sede da Livraria León Denis, na rua Padre Teixeira esquina com a rua 9 de julho.

O evento, que faz parte do calendário oficial da cidade, receberá a todos os simpatizantes, espíritas e àqueles que tem interesse em conhecer a doutrina, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30 e aos sábados das 9h às 16h, respeitando as regras sanitárias impostas pela pandemia.

Visando divulgar a doutrina ao maior número de pessoas e incentivar à leitura e ao estudo das obras espíritas, estão disponíveis na feira grande variedade de obras de vários estilos literários e os principais lançamentos do ano. São cerca de mil títulos com descontos especiais, que vão de 20% à 80%.

Aproveite a 44.ª Feira do Livro Espírita de São Carlos para conhecer as novas obras da literatura espírita, para adquirir os clássicos e para ter sempre à mão as Obras Básicas.

“Teremos vários títulos com autoria de nomes já consagrados na doutrina e com psicografia de Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, entre outros, com descontos realmente especiais para poder atender a todos, por isso reiteramos nosso convite que venham visitar a 44.ª Feira do Livro Espírita de São Carlos”, disse Maria Aparecida Mazzo, presidente da USE Intermunicipal São Carlos.

 

SERVIÇO

Data - de 01 a 30 de novembro de 2021

Horário – Segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30

             – Sábado, das 9h às 16h

Local – Rua Padre Teixeira, 1806, esquina com a rua 9 de julho

Publicações visam contribuir com avanço do conhecimento científico na área da Saúde e auxiliar em prevenções, controles e tratamentos de doenças

 

SÃO CARLOS/SP - Recentemente, Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida, docente do Departamento de Medicina (DMed) da UFSCar, lançou duas obras que visam contribuir com o avanço do conhecimento científico na área da Saúde, especificamente em Nutrologia, Ciência que estuda e analisa benefícios e malefícios causados ao organismo pela ingestão de nutrientes.
A primeira, "Nutrologia pediátrica - prática baseada em evidências", publicada pela Editora Manole, chega à segunda edição, revisada e ampliada por Nogueira-de-Almeida - que é, também, Diretor do Departamento de Nutrologia Pediátrica da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) - e por Elza Daniel de Mello, docente do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Inspirado nas dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores em práticas clínicas cotidianas, que envolvem má alimentação e consequente surgimento de enfermidades, como diabetes, obesidade e hipertensão, o livro visa auxiliar os profissionais de Saúde que tratam de crianças e adolescentes sob o ponto de vista nutrológico, fornecendo informações e orientações baseadas em evidências científicas para a conduta ambulatorial (cuidados de saúde primários) e hospitalar. Entre os assuntos abordados estão necessidades nutricionais de crianças e adolescentes saudáveis, aleitamento materno, fórmulas infantis, alimentação complementar, alimentação pré-escolar e escolar.
"O intuito é colaborar para prevenção, controle e tratamento de enfermidades, que podem acometer o indivíduo logo na infância. Isso consequentemente trará redução das taxas de internação hospitalar e de problemas de saúde na criança, favorecendo a entrada na vida adulta de forma saudável", sintetiza o docente da UFSCar.
Já o "Livro-texto de obesidade: uma visão clínica e abrangente da Abran", também publicado pela Manole, apresenta informações científicas atualizadas sobre a obesidade em crianças, adultos e idosos, que segue um ritmo de crescimento alarmante no mundo.
Organizada por Nogueira-de-Almeida e por Durval Ribas Filho, docente de Nutrologia da Faculdade de Medicina do Centro Universitário Padre Albino (Unifipa) e da Faculdade de Medicina de Catanduva (Fameca), a obra está dividida em capítulos que contam com a colaboração de diversos pesquisadores da área, apresentando dados sobre os aspectos e as causas da obesidade em várias fases da vida.
Também são abordadas opções para prevenir, controlar e tratar esse distúrbio metabólico, que incluem, dependendo de cada caso, protocolos específicos, como mudanças no estilo de vida (com dietas e atividades físicas), manipulações nutricionais, tratamento farmacológico, mudanças cognitivas e comportamentais e cirurgia bariátrica. O livro traz ainda um capítulo dedicado a temas psicológicos e psicoterapêuticos, discutindo como podem ser aliados no acompanhamento de indivíduos obesos.
"É uma obra global e completa, com valiosa contribuição para o médico nutrólogo e demais profissionais da Saúde. Sua abordagem enfatiza a gravidade desta doença, que é multifatorial e traz comorbidades que atrapalham a evolução dos níveis adequados de saúde pública", destaca Ribas Filho.
Nogueira-de-Almeida reforça a importância de reunir conhecimentos compartilhados por docentes e pesquisadores de renome nacional e internacional. "O livro pode ser considerado um marco em termos de produção bibliográfica sobre obesidade no Brasil. Há anos, quando o assunto era pouco debatido, nós, pesquisadores, já tínhamos esta preocupação com o tratamento e o reconhecimento da obesidade como doença. A obra reflete o resultado do trabalho de profissionais dedicados, contemplando pesquisas, estudos e práticas de atendimento clínico à pessoa obesa", complementa.
As obras foram lançadas durante o XXV Congresso Brasileiro de Nutrologia, ocorrido em setembro de 2021, e organizado anualmente pela Abran. Elas estão disponíveis para compra no site da Editora Manole (https://www.manole.com.br).

Participam mais de 50 editoras, com descontos entre 20 e 50%

 

SÃO CARLOS/SP - A Editora da Universidade Federal de São Carlos (EdUFSCar) realiza entre os dias 4 e 10 de outubro a 2ª Feira Virtual do Livro. A Feira contará com a participação de mais de 50 editoras, que ofertarão descontos de 20 a 50 %, além da programação cultural, com palestras todos os dias, e da Feirinha Infantil, tudo de forma virtual.

Obra foi organizada por pesquisadores da UFSCar, Unesp e UTFPR

 

SOROCABA/SP - Os professores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Diogo Aparecido Lopes Silva, do Departamento de Engenharia de Produção (DEP-So) do Campus Sorocaba, e Yovana Saavedra, do Centro de Ciências da Natureza (CCN), do Campus Lagoa do Sino, juntamente com José Augusto de Oliveira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Fabio Neves Puglieri, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), organizaram e estão lançando, pela editora Springer, o livro "Life Cycle Engineering and Management of Products: Theory and Practice" ("Engenharia e Gestão do Ciclo de Vida de Produtos: Teoria e Prática).

A obra é um livro-texto para uso em sala de aula (em cursos de graduação e pós-graduação) e discute o papel da Engenharia e Gestão do Ciclo de Vida (EGCV) de produtos e serviços e suas contribuições para a sustentabilidade ambiental corporativa e para a economia circular. Aborda os principais sistemas, técnicas, ferramentas e práticas para melhorar o desempenho ambiental de produtos e serviços ao longo de seus ciclos de vida.

A ideia de elaborar o material surgiu quando os docentes perceberam que as produções bibliográficas relacionadas com a EGCV se concentravam em artigos, geralmente destinados à comunidade estritamente científica, e em livros que apresentavam apenas alguns tópicos, muitas vezes, de forma isolada e superficial. "Assim, o nosso objetivo com a obra é que ela seja referência para o ensino do tema, tanto na academia quanto no meio empresarial, e que auxilie na capacitação focada em questões relevantes envolvendo a sustentabilidade nas organizações", afirma a professora Yovana Saavedra.

De acordo com Saavedra, a  Engenharia do Ciclo de Vida (ECV) "consiste na projeção de produtos a partir de uma série de escolhas referentes a conceitos, materiais, estruturas e processos de fabricação, pensando sempre no menor impacto ambiental. Mas, para alcançarmos a ECV, precisamos da Gestão, por isso, mais que um conceito, a Gestão do Ciclo de Vida - GCV - tem como papel fundamental implementar e gerenciar a aplicação da ECV ao longo do ciclo de vida dos produtos". É esse universo que está detalhado na obra.

Apresentando cada assunto por meio de teorias básicas e aprofundadas, com estudos de casos reais e hipotéticos para discussão e assimilação do conteúdo e sua contextualização no cenário empresarial, além de exercícios em cada capítulo, "o livro pode ser utilizado em diversos cursos de graduação e pós-graduação, aperfeiçoamento e especialização, nas áreas de  Engenharia, Administração, Gestão e Análise Ambiental, Agroecologia, Biotecnologia, Ciências Biológicas e Química", destaca a pesquisadora da UFSCar.

Ao todo, são 13 capítulos, distribuídos entre 329 páginas, que abordam desde a introdução à Engenharia e Gestão do Ciclo de Vida até tópicos como: Produção mais Limpa (P+L); Avaliação do Ciclo de Vida (ACV); ecodesign de produtos; sistemas de gestão ambiental e medição de desempenho ambiental; gestão verde da cadeia de suprimentos; comunicação e rotulagem ambiental; entre outros. Cada capítulo foi escrito por autores reconhecidos da área em nível nacional e internacional.

O livro foi lançado em Inglês, mas "continuamos em um trabalho árduo com as editoras para que, em curto prazo, consigamos ter também essa publicação em Português", garante Saavedra. Mais informações e o acesso à obra estão disponíveis no site da editora Springer (https://bit.ly/2VUq5re).

Às vésperas da primeira participação de atleta trans na Olimpíada, obra problematiza casos a partir da mídia esportiva

 

SÃO CARLOS/SP - No momento em que o mundo se prepara para acompanhar os Jogos Olímpicos de Tóquio, dos quais devem participar mais de 12 mil atletas, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) divulga nova obra propondo uma reflexão necessária, urgente e especialmente adequada a este momento, sobre questões de gênero nos esportes. O livro "Leituras de gênero e sexualidade nos esportes" é um lançamento da Editora da UFSCar (EdUFSCar), de autoria de Wagner Xavier de Camargo, pesquisador na Universidade desde 2013, atualmente cursando um segundo doutorado, em Antropologia Social, e atuando como docente voluntário no curso de graduação em Ciências Sociais da Instituição.

A obra se propõe a ampliar os entendimentos sobre corpos, gêneros e sexualidades para além da lógica binária - masculino versus feminino, homem versus mulher. "Entende-se que as concepções de gênero têm suas múltiplas dimensões, algo que deve ser respeitado e, sobretudo, repensado. Trago uma provocação para as pessoas leitoras: será que todos os corpos são bem-vindos e estão incluídos nas práticas esportivas?", questiona o autor.

Em linguagem acessível a todas as pessoas, a obra apresenta casos e fatos que apareceram na mídia esportiva, sugerindo novas abordagens a partir do debate sobre gênero e sexualidade. Fruto de pesquisas de Camargo ao longo dos anos - de 2013 a 2019 como pesquisador de pós-doutorado na UFSCar, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) -, o livro é composto por textos curtos e críticos, que decodificam a linguagem acadêmica para abordagens bastante práticas.

Grande parte dos textos foi originalmente publicada pelo autor entre 2019 e 2020 na coluna "Para além do futebol" (https://bit.ly/3iF1wpt), no site Ludopédio (ludopedio.com.br), e adaptada para a versão final no livro. O intuito é trazer à luz as questões de gênero e problematizar o que é considerado senso comum nos esportes, partindo para a desconstrução de estereótipos com uma visão reflexiva.

"Em senso comum, o esporte opera segundo o sexo, colando as genitálias nos corpos. Mas sabemos que não é bem assim. Existem pessoas que não se consideram necessariamente enquadradas nas categorias masculina ou feminina, e ter que fazer essa escolha é passar por cima de suas subjetividades", analisa Camargo.

O pesquisador alerta que pessoas de outras identidades de gênero e orientações sexuais no esporte buscam reconhecimento, cada qual com o seu foco. "Como exemplos: para as mulheres cisgênero, a luta nos esportes é de equidade perante os homens. Elas querem ser reconhecidas como sujeitas praticantes e terem legitimação. Já os homens gays e as mulheres lésbicas lutam, principalmente, por inclusão, buscando acolhimento e, portanto, mostrando que outras formas de se expressarem no esporte são possíveis. E as pessoas trans buscam legitimação das identidades que escolheram, a partir de uma conscientização sobre si e de uma lição para a sociedade."

Em uma temática em que ainda existem poucos estudos, o livro é voltado a todas as pessoas interessadas e também pode ser empregado como bibliografia básica para disciplinas como Sociologia do Esporte, Antropologia do Esporte, Antropologia das Práticas Esportivas, dentre outras. A obra visa, sobretudo, questionar o binarismo para que haja reflexões e mudanças, na direção de incluir, de fato, todas as pessoas no mundo esportivo.

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Exemplos

Ao longo de 205 páginas, a obra é dividida em cinco partes. A primeira, "Gênero e sexualidade nas práticas esportivas", traz um compilado de textos que abordam a desconstrução do gênero, abrangendo desde polêmicas relacionadas a cores de chuteiras até a questão de atletas intersexos - pessoas que nascem com características sexuais e reprodutivas específicas, não se encaixando naquelas típicas dos sexos feminino ou masculino.

A segunda, "Corpos, gêneros, (a)normalidades", desfaz a ideia de uma normalidade definida pelo senso comum, como, por exemplo, no termo "minorias no esporte". "Muito se fala que mulheres e negros são minorias, algo que tento desconstruir. No Brasil, mais da metade da população se declara negra, e mais da metade é mulher.

Essas pessoas também estão presentes nos esportes, assim como, mais recentemente, a comunidade LGBTQIAPN+. Quem é minoria, então?", questiona o pesquisador.
Em "Violências e fobias instituídas no esporte", terceira parte do livro, há textos que problematizam os bastidores das práticas esportivas. "Em um deles, mostro o desejo de crianças de fazerem carreira no futebol - algo que, no senso comum, é romantizado, mas que problematizo em minha escrita, relacionando a temática com algo recorrente na realidade: o abuso sexual no esporte", relata Camargo.

A quarta sessão - "Eventos esportivos: o que têm a nos dizer?" - é dedicada a iniciativas esportivas pouco disseminadas, com uma crítica ao que autor chama de esporte-espetáculo. "É o esporte da matriz midiática. No caso do Brasil, se resumem aos eventos futebolísticos - Copa do Mundo e campeonatos brasileiros - e aos próprios Jogos Olímpicos. Isso faz com que outras expressões sejam invisibilizadas, como, por exemplo, os Jogos Mundiais Indígenas, os Jogos da Diversidade de São Paulo, dentre outros que cito no livro. O intuito foi mostrar que o esporte no Brasil vai além da monocultura do futebol", sintetiza.

O futebol feminino, por exemplo, é também questionado por ele. Embora o evento tenha ganhado apoio, o autor considera o tema pernicioso. "Se analisarmos criticamente, ele alcança visibilidade justamente por se aproximar de uma espécie de ‘clone’ do masculino. O que proponho são debates sobre como subverter isso, ou seja, como fazer com que as mulheres ocupem espaços próprios, com suas próprias regras e especificidades e sem comparações com jogadores homens. Os uniformes e o jeito de jogar, por exemplo, são elementos que deveriam ser próprios de seus corpos, e não uma imitação do que se considera masculino", expõe o pesquisador da UFSCar.

Por fim, a quinta parte, intitulada "Biografias esportivas", traz textos sobre a vida de atletas LGBTQIAPN+, como Stella Walsh, David Kopay, Madge Syers, Renée Richards, Justin Fashanu, dentre outros, mostrando suas lutas e desafios no esporte.

Fomento à diversidade

Com base em toda a discussão atual, impulsionada em sua obra, e no contexto da Olimpíada do Japão, Camargo considera animadoras as perspectivas relacionadas à diversidade de gênero nos esportes, apesar dos desafios impostos pela sociedade heteronormativa.

Pela primeira vez na história, haverá a participação, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, de uma atleta trans, além de outros atletas que se autodeclaram LGBTQIAPN+. "Espero que haja este despertar para a diversidade sexual e de gênero, já iniciado na Olimpíada sediada no Rio de Janeiro, em 2016", lembra Camargo.

O caminho, no entanto, ainda é longo, mas necessário. "Assim como existem os atletas heterossexuais, existem atletas homossexuais, trans e outros, que muitas vezes não se encaixam na lógica binária homem-mulher, masculino-feminino. Há fatores que vão além disso e que demandam estudos; as pessoas são plurais e diversas, têm corporalidades distintas, para modalidades esportivas distintas. Com base em informações e conhecimento sobre a sociedade, é visível que o esporte terá que se redefinir", finaliza o autor.

O livro "Leituras de gênero e sexualidade nos esportes" já está disponível para compra no site da EdUFSCar, em https://bit.ly/3kHhsdG.

Obra da EdUFSCar demonstra importância de culturas próprias e do contexto político nacional em propostas estéticas de Mário de Andrade e Almada Negreiros

 

SÃO CARLOS/SP - Pensar os modernismos como conjuntos complexos de movimentos culturais que vão além das representações artísticas, tendo vínculos diretos também com representações políticas e conjunturas internas de cada país. Este foi o principal objetivo de Daniel Marinho Laks, docente do Departamento de Letras (DL) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em "Modernismos em modernidades incipientes: Mário de Andrade e Almada Negreiros", livro publicado pela Editora da UFSCar (EdUFSCar).

Laks conta que a obra é fruto de sua tese de doutorado, com base em uma inquietação inicial no olhar para a obra de Mário de Andrade, escritor brasileiro, e Almada Negreiros, português. "Muitos estudos traziam a ideia de que o modernismo era uma resposta cultural à experiência da modernidade. No entanto, Brasil e Portugal não constituíam espaços onde havia o predomínio das invenções características da modernidade do século XX. Eram, inclusive, caracterizados por uma incipiência de modernidade", revela o autor.

Ao analisar as propostas estéticas de Andrade e Negreiros, Laks constatou que os modernismos - sempre no plural, considerando a variedade de vertentes - produzidos por eles não se caracterizam pela lógica de atraso cultural ou de importação de uma estética criada em centros culturais tecnológicos e adaptada às realidades periféricas. "Eles são artistas extremamente inventivos, que pensam nas características da cultura nacional em cada um dos seus respectivos espaços. Nenhum dos dois está importando algo, nem aplicando nada de fora de seu país em suas artes", detecta Laks.

Em suas análises sobre Mário de Andrade, o docente da UFSCar utiliza, principalmente, "O turista aprendiz", obra na qual o autor percorre espaços no Brasil que se caracterizam exatamente pela ausência de modernidade. "Andrade era um intelectual paulista - que, teoricamente está no centro do Brasil no que diz respeito a espaço de modernidade - que vai justamente para a Amazônia. Isso já demonstra que o modernismo proposto pelo artista não está ligado à experiência de um centro de modernidade, caracterizado por carro ou avião, por exemplo", detalha.

No caso do Almada Negreiros, Laks explora, entre outros textos, "Nome de guerra", romance em que o personagem principal sai da província e vai para Lisboa. "Ao contrário do que parece, apesar de ir para um centro de modernidade, as experiências nesse espaço fazem ele perceber que precisa, de fato, de um mergulho interno. Ou seja, ele não encontra, na cidade, as ferramentas necessárias para sobreviver nesse contexto de modernidade, necessitando apenas de livre arbítrio e um olhar para si, ligado às pulsões específicas do indivíduo", sintetiza.

Assim, o pesquisador criou a linha de pensar os modernismos como um mapa complexo de movimentos, surgidos em temporalidades distintas, nos diversos espaços do mundo, e que se relacionavam com demandas internas e dinâmicas internacionais. "Nesse sentido, a proposta da publicação é pensar os modernismos a partir da noção de autoconsciência histórica, ou seja, como as diferentes pessoas entendiam o tempo no qual estavam inseridas."

"O século XX é um momento de revisão das formas de interpretação e representação da política. Nesse período, surgem, além de diversas estéticas de vanguarda na arte, disputas políticas. Ideais de sociedade e maneiras de estetização das formas de vida estavam em disputa pelas mais variadas correntes ideológicas, em um espectro que ia desde o fascismo até, no polo oposto, o comunismo. Assim, as pessoas sabiam, a partir dessa realidade, que novas sociedades iriam surgir e que, portanto, seriam necessárias novas formas de representação delas", compartilha o pesquisador.

No caso de Brasil e Portugal, nos anos 1930, ambos tinham o chamado Estado Novo (varguista e salazarista, respectivamente). Na política, tem-se novas maneiras de organizar as sociedades - por isso, inclusive, o nome "Estado Novo" - e, na arte, novas maneiras de estetizar as representações artísticas do mundo. Um exemplo dessa correlação entre arte e política é a vertente explorada por Mário de Andrade, indissociável da oligarquia cafeeira de São Paulo naquele período. "Andrade é patrocinado por elites paulistas com viagens etnográficas. É o capital que impulsiona a arte", relaciona Laks.

Ao longo do século XX, nos dois países, os sistemas vigentes ativaram diversas bases de apoio que, no momento em que as conjunturas se alternam, são abandonadas para o surgimento de outras. "A figura de alguns artistas foi muito utilizada pelos regimes (tanto de esquerda, como de direita) em certos momentos, e depois completamente abandonada. O livro analisa, nesse âmbito, o papel dos intelectuais na constituição dessas estéticas de regime", explica o pesquisador.

Ao longo de 174 páginas, o livro desenvolve uma relação de aproximações e afastamentos entre Andrade e Negreiros. Além de as conjunturas nacionais de Brasil e Portugal serem específicas, cada autor tem seu projeto individual, relacionando os modernismos dos artistas com a identidade nacional.

A obra é dividida em quatro partes, além de Introdução e Conclusões. A primeira, intitulada "Modernos, modernidades e modernismos", conceitua esses três termos, trazendo a ideia de "modernos" como uma experiência de tempo; "modernidades" como sendo invenções específicas; e "modernismos" no sentido de movimentos estéticos.

A segunda, "Futurista?! Em busca de uma expressão moderna de nacionalidade", explora o jogo da arte modernista e sua relação com a representação da nacionalidade, nos casos específicos de Mário de Andrade e de Almada Negreiros.

A parte 3, "Modernismos em modernidades incipientes: a insuficiência de invenções características da Segunda Revolução Industrial nas narrativas romanescas de Mário de Andrade e Almada Negreiros", faz uma análise da produção artística desses dois autores, demonstrando que, em seus projetos modernistas, eles dispensam a ideia de uma vida caracterizada por inovações tecnológicas.

Por fim, a quarta, "Modernismo e Estados Novos: os projetos de transformação cultural na esfera política do salazarismo e do varguismo", aborda a relação dos regimes políticos salazarista e varguista com projetos de renovação cultural de Andrade e de Negreiros.

O livro pode ser adquirido no site da EDUFSCar (https://edufscar.com.br/modernismo-em-modernidades-incipientes-503000251).

Evento possui mais de mil títulos voltados para o público infantil e segue no centro de compras até 30 de junho

 

São Carlos/SP  – O Iguatemi São Carlos recebe até o dia 30 de junho a Feira do Livro Letrinha, que traz ao centro de compras mais de 1 mil títulos voltados para o público infantil. O objetivo do evento, que acontece há mais de 15 anos em vários locais do país, é reforçar a importância do hábito da leitura desde a primeira infância.

Samuel Missé, operador da iniciativa, cita o intuito de fortalecer o vínculo entre as palavras e os pequenos por meio da leitura, de forma acessível. “Nossa ideia é proporcionar o mágico encontro entre crianças e livros, pois acreditamos que eles são uma excepcional ferramenta de transformação da sociedade”, diz.

Parceira das editoras Pé da Letra e Doce Cultura Eventos, a feira marca presença em Bienais do Livro, escolas, faculdades e empresas, além de participar de eventos internacionais, como as famosas feiras de Frankfurt e Bolonha.

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Os clientes do Iguatemi São Carlos podem conferir, além dos livros, uma programação cultural que inclui pockets shows com muita música, contação de histórias, demonstrações de caricaturistas, sessões de autógrafos com autores renomados, recitais poéticos, teatro de fantoches e oficinas. As apresentações ocorrem todos os sábados e domingos, no período de duração da feira.

O centro de compras está aberto de segunda a sábado, das 10h às 21h, aos domingos e feriados, das 12h às 20h, com público restrito a 30% da capacidade total, e mantendo todas as medidas e protocolos recomendados pelos órgãos competentes, como o uso obrigatório de máscaras.

 

Serviço
Shopping Iguatemi São Carlos

Endereço: Passeio dos Flamboyants, 200, São Carlos
Informações: www.iguatemisaocarlos.com.br
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 10h às 21h, e domingos e feriados, das 12h às 20h.

Obra, de autoria de Richard Eloin Liebano, docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade, reúne material atualizado e baseado em evidências científicas sobre a área

 

SÃO CARLOS/SP - Comumente utilizada como um recurso da Fisioterapia, a eletroterapia consiste na aplicação de correntes elétricas e tem variadas finalidades terapêuticas, em pacientes com disfunções como dores, fraqueza muscular, lesões neurológicas, lesões cutâneas (como feridas) ou em tecidos como músculos, ligamentos e tendões, além de casos de incontinência urinária. Também é usada na estética, para melhora da flacidez muscular.

As correntes são transmitidas ao corpo humano por meio de eletrodos de superfície, fixados diretamente sobre a pele do paciente, que podem ser de vários tipos - em forma de caneta, de borracha condutora, de metal, dentre outros -, dependendo de seu objetivo. Apesar de diferentes finalidades, o objetivo da eletroterapia é sempre o de induzir reações do corpo frente ao estímulo elétrico.

"Para cada objetivo, a eletroterapia age de uma forma. Para o alívio da dor, por exemplo, a corrente elétrica, em contato com o corpo, irá estimular fibras nervosas participantes do processo de percepção e modulação dessa dor, que irão enviar estímulos para o sistema nervoso central, promovendo a liberação de opioides endógenos, que são substâncias analgésicas. Já para pacientes com músculos fracos e atrofiados, comumente observados no pós-operatório de cirurgias de joelho ou após imobilizações, são utilizadas correntes que promovem contrações musculares, no intuito de fortalecer determinada região. Esses estímulos favorecem o ganho de força muscular, além de acelerar a reabilitação", exemplifica Richard Eloin Liebano, docente do Departamento de Fisioterapia (DFisio) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que acaba de publicar livro sobre a temática.

No caso de feridas, as correntes propiciam o aumento do fluxo sanguíneo e a atração de células para o local da lesão, o que acelera o processo de cicatrização. Para incontinência urinária, o recurso terapêutico é utilizado por meio da estimulação em músculos responsáveis pela oclusão da uretra - responsável por segurar a urina na bexiga - ou nos nervos que controlam a bexiga. "Para cada uso são utilizados parâmetros específicos para obtermos melhores resultados, que incluem frequência, intensidade e posicionamento de eletrodos", sintetiza o pesquisador.

No intuito de esmiuçar, de forma didática, o uso e a peculiaridade dessas aplicações clínicas, Liebano preparou o livro "Eletroterapia aplicada à reabilitação: dos fundamentos às evidências", publicado pela Livraria e Editora Thieme Revinter. Com prefácio escrito por Tim Watson, docente da University of Hertfordshire, do Reino Unido, e umas das maiores autoridades no assunto, a obra visa preencher uma lacuna acadêmica na área da eletroterapia, especialmente em Português, reunindo textos provenientes de pesquisas e experiências de profissionais da área. O intuito é auxiliar estudantes e profissionais da área da Saúde, especialmente a Fisioterapia, a aperfeiçoarem seus conhecimentos sobre a temática.

"Para cada um dos conceitos abordados, há ilustrações que enriquecem e facilitam a compreensão, além do conhecimento científico para que a prática dos profissionais seja baseada em evidências, o que permite uma atuação mais segura e eficaz ", conta Liebano. Com mais de 20 anos de experiência docente em eletroterapia, o pesquisador contou com a participação de renomados colaboradores do Brasil e dos Estados Unidos, que compartilham suas experiências na publicação.

Ao longo de 190 páginas, o livro foi estruturado em 10 capítulos, que contemplam a história, os princípios básicos da eletroterapia e as bases físicas de diferentes tipos de correntes elétricas - como correntes diadinâmicas de Bernard; corrente interferencial; estimulação elétrica nervosa transcutânea; corrente russa; e corrente aussie -, trazendo considerações sobre as formas seguras e eficazes do uso dessas estimulações elétricas.

Segundo Liebano, cada corrente elétrica abordada no livro é utilizada para uma demanda específica e tem um efeito preponderante. "Por exemplo, as diadinâmicas são bastante indicadas em casos de edemas, como inchaços, e para lesões teciduais, estimulando o reparo. Já a interferencial e a estimulação elétrica nervosa transcutânea são comprovadamente melhores para analgesia e relaxamento muscular. Por outro lado, as correntes russa e aussie são mais usadas para contração e fortalecimento muscular", relata. A escolha pelo uso de cada corrente dependerá, portanto, do objetivo terapêutico.

O livro "Eletroterapia aplicada à reabilitação: dos fundamentos às evidências" pode ser adquirido no site do grupo Thieve Revinter (https://bit.ly/3a8r6jy).

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