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ARGENTINA - Uma água-viva gigante raramente observada foi registrada em vídeo por cientistas durante uma expedição em águas profundas na costa da Argentina. O animal pode atingir até 11 metros de comprimento e pertence à espécie Stygiomedusa gigantea.

O registro foi feito a cerca de 250 metros de profundidade por pesquisadores do Schmidt Ocean Institute, a bordo do navio de pesquisa R/V Falkor, no Atlântico Sul. Segundo comunicado divulgado pelo instituto, a expedição científica percorreu toda a extensão do litoral argentino, de Buenos Aires até áreas próximas à Terra do Fogo.

A água-viva foi avistada enquanto os cientistas analisavam a parede do cânion submarino Colorado-Rawson. Considerada uma das maiores espécies do mundo, ela possui uma campânula que pode chegar a um metro de diâmetro e braços que se estendem por vários metros, com comprimento comparável ao de um ônibus escolar.

Apesar do tamanho impressionante, a chamada medusa fantasma raramente é vista por humanos, com pouco mais de 100 avistamentos confirmados em todo o planeta. “Não esperávamos encontrar esse nível de biodiversidade no mar profundo argentino e ficamos muito entusiasmados ao ver essas áreas tão ricas em vida”, afirmou a cientista-chefe da expedição, María Emilia Bravo, da Universidade de Buenos Aires e do CONICET.

A diretora-executiva do Schmidt Ocean Institute, Jyotika Virmani, destacou que cada missão amplia o conhecimento sobre os oceanos. Segundo ela, o mar profundo concentra uma diversidade de vida comparável, ou até superior, à observada em terra firme, já que os oceanos reúnem cerca de 98% do espaço habitável do planeta.

 

 

por Notícias ao Minuto

SÃO PAULO/SP - Relatórios e levantamentos recentes mostram que o Brasil possui uma ampla distribuição de áreas sujeitas a desastres naturais, colocando parte significativa da população sob risco devido a eventos climáticos extremos e condições geográficas desfavoráveis.

Um estudo federal identificou cerca de 1.942 municípios brasileiros com áreas de risco significativas para deslizamentos, enxurradas e inundações, colocando em alerta milhões de moradores que vivem nessas regiões vulneráveis.

A vulnerabilidade é agravada pelo aumento da intensidade e frequência de eventos extremos, relacionados às mudanças climáticas. Especialistas afirmam que a urbanização rápida e muitas vezes desorganizada contribui para a ocupação de locais inadequados, como encostas e margens de rios, expondo comunidades a situações de risco.

Esses fenômenos extremos, combinados com a falta de planejamento e infraestrutura em diversas localidades, aumentam o impacto de enchentes e deslizamentos quando comparado a países com políticas mais consolidadas de prevenção e gestão de risco.

Organismos como o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) acompanham diariamente áreas de risco, emitindo alertas e informações para apoiar ações de prevenção. Mesmo assim, especialistas destacam que é preciso intensificar iniciativas que fortaleçam a adaptação às mudanças do clima e reduzam a exposição das populações mais vulneráveis.

O cenário evidencia que, apesar de dimensões continentais e de relativa ausência de alguns riscos geológicos, o Brasil enfrenta forte vulnerabilidade climática, impulsionada por eventos hidrológicos extremos e por desafios estruturais que exigem respostas mais eficazes de governos, sociedade e setor científico.

BRASÍLIA/DF - Para reutilizar parte da quantidade de resíduos gerados pelas escolas de samba nos desfiles na Avenida Marquês de Sapucaí, Mariana Pinho, fundou o Projeto Sustenta Carnaval em 2022.

O trabalho de reciclagem desse material para mitigar o impacto dos produtos têxteis no meio ambiente recolheu 3 toneladas de resíduos de fantasias dos desfiles já em seu primeiro ano, e continuou crescendo.

O projeto se tornou parceiro da Rio Carnaval e da Liga Independente das Escolas de Samba no Rio de Janeiro (Liesa) na gestão de resíduos têxteis da Sapucaí. Em 2023, foram recolhidas 23 toneladas; em 2024, 24 toneladas; e em 2025, 23 toneladas.

O Sustenta Carnaval encaminha o material para um galpão no território da Pequena África, no bairro da Gamboa, em frente ao Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

Localizado na Rua Pedro Ernesto 67, o espaço tem as portas abertas para o público garimpar fantasias de quarta a sexta, das 14h às 19h, e sábado, das 10h às 19h.

“Temos compradores que são da arte, do mundo do carnaval, que entendem que aquilo tudo ia para o lixo, e ficam emocionados. Temos amantes da moda, do figurino, de cenário, que ficam o dia inteiro”, conta Mariana.

“A questão ambiental é como se fosse o fechamento do ciclo do enredo. Reutilizando essas fantasias, fazemos com que a receita gere emprego para as pessoas do território que fazem parte desse movimento do samba”, acrescenta.

O figurinista Wagner Louza tem um ateliê no Santo Cristo em que reutiliza as fantasias do Sustenta Carnaval e cria outras peças. Ele trabalha com material reciclado e adiciona poucos materiais novos, porque precisa ressignificar a fantasia.

“Há quatro anos, o projeto Sustenta contribui bastante para meu trabalho, porque eles oferecem os insumos. Com esse material, produzo figurinos para carnaval e festa junina. O carnaval não conta somente a história do carnaval mas também a história da nossa cultura”, diz Wagner.

Já a figurinista Lohanne Tavares produz biquinis, hotpants (biquini de cintura alta) e adereços de cintura com o resto das fantasias, e tem conseguido alcançar o público jovem.

“Criei um desfile sobre mudanças climáticas com resíduos de carnaval. Acredito que a gente consegue, através da arte, falar sobre assuntos mais complexos. Uma pessoa que viu o meu desfile me conectou com o Projeto Sustenta Carnaval. Tem dois anos que a gente começou essa parceria”, conta Lohanne.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

FRANÇA - Um novo estudo da Universidade de Oxford, publicado pela revista científica Nature Sustainability, afirma que metade da população global – cerca de 3,8 bilhões de pessoas –, estará vivendo sob calor extremo em 2050, se a temperatura média do planeta subir acima de 2 graus Celsius (ºC) em relação aos níveis pré-industriais.

Se este cenário se concretizar, países como o Brasil, Laos, Nigéria, Sudão do Sul e a República Centro-Africana enfrentarão aumentos significativos e perigosos em suas temperaturas.

Nações muito populosas como Índia, Nigéria, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas também sentirão fortemente os efeitos do aquecimento.

Para os pesquisadores, todas essas regiões estão despreparadas para enfrentar esse nível de calor e muitos moradores desses lugares terão de fazer uma "corrida" aos aparelhos de ar-condicionado já nos próximos cinco anos.

Países de climas mais frios como Finlândia, Rússia e Canadá vão experimentar uma mudança relativa muito maior, com vários dias de calor intenso.

Nestas áreas, mesmo um pequeno aumento na temperatura, segundo o estudo, terá um impacto severo, uma vez que estes países têm suas estruturas pensadas para enfrentar as baixas temperaturas.

"Nossas descobertas devem funcionar como um alerta. Ultrapassar o limite de 1,5ºC de aquecimento terá um impacto sem precedentes em tudo, da educação à saúde e da migração à agricultura”, alerta Radhika Khosla, um dos líderes da pesquisa da Oxford. 

Para Khosla, o único caminho para a humanidade é promover o desenvolvimento sustentável “com emissões líquidas zero para reverter essa tendência de dias cada vez mais quentes”.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

PORTUGAL - A tempestade Kristin que atingiu Portugal na madrugada de quarta-feira (28) matou ao menos cinco pessoas e deixou 850 mil residências sem luz na região de Lisboa e no centro do país, segundo os serviços de emergência.

As chuvas intensas e as rajadas de vento que chegaram a 150 km/h causaram inúmeros danos, provocando quedas de árvores, alagamentos e deslizamentos de terra. Serviços de emergência atenderam cerca de 1.500 ocorrências entre 0h e 8h do horário local desta quarta.

Uma das vítimas estava dentro de seu carro em Vila Franca de Xira, nos arredores de Lisboa, quando foi atingida por uma árvore arrancada pela raiz, informou a Proteção Civil. Os outros quatro óbitos ocorreram no distrito de Leiria, no centro do país, segundo informações de autoridades.

Uma das vítimas morreu em decorrência da queda de uma "estrutura metálica" em Monte Real, que fica dentro de Leiria.

Diversas vias de transporte permaneciam interditadas ou parcialmente bloqueadas nesta quarta, incluindo a principal rodovia que liga Lisboa ao norte de Portugal. O tráfego ferroviário também foi afetado em várias regiões.

Vários municípios decidiram suspender as aulas. Em Figueira da Foz, no litoral da região central de Portugal, o vento derrubou uma roda-gigante.

A tempestade Kristin seguiu para o leste e chegou à Espanha na manhã desta quarta, provocando fortes nevascas em Madri. Autoridades locais pediram à população que evite "deslocamentos desnecessários".

Mais de 160 estradas na Espanha foram afetadas pela neve. A agência meteorológica nacional de Espanha, AEMET, alertou que diversas áreas do país enfrentariam ventos muito fortes, com algumas rajadas de vento podendo atingir a força de furacão.

 

por Folhapress

SÃO PAULO/SP - As inscrições de praias e marinas brasileiras para a obtenção do Selo Bandeira Azul da temporada 2026/2027 serão recebidas em abril pelo Instituto Ambientes em Rede, responsável pelo Programa Bandeira Azul no Brasil. A certificação internacional reconhece que o cumprimento de critérios de qualidade da água, gestão ambiental, segurança e educação ambiental.

No caso das praias, a inscrição deve ser feita pelas prefeituras, que são os responsáveis legais. Se a praia estiver dentro de uma unidade de conservação federal ou estadual, a inscrição deve ser feita conjuntamente com a União, que responde pela maioria dos serviços, como coleta de lixo e contratação de guarda-vidas. Já no caso das marinas, são os donos dos locais que fazem a inscrição.

Os relatórios enviados com as candidaturas serão analisados em maio, quando também será realizada uma oficina sobre a premiação, para que, em junho, o júri nacional se reuna e decida quais serão aprovadas.

As candidaturas selecionadas serão submetidas ao júri internacional, que se reúne em setembro, em Copenhague, na Dinamarca, para dar a palavra final. A coordenadora nacional do Instituto Ambientes em Rede, Leana Bernardi disse à Agência Brasil que as informações apresentadas serão checadas.

“Nesse meio tempo, a equipe técnica do programa vai fazendo as visitas às praias e marinas inscritas, para verificar se o que está na documentação é encontrado de fato nas praias”.

O instituto entregará a bandeira azul aos municípios participantes no início de novembro deste ano, em cerimonia nacional. Cada município decidirá, então, se inicia sua temporada durante o mês de novembro ou começo de dezembro.

No hemisfério sul, a temporada inclui dois anos, porque o período de maior calor começa em novembro e a alta temporada termina em março. Já no hemisfério norte, a temporada dura um ano só. Leana explicou que, enquanto a bandeira estiver hasteada, todos os critérios precisam ser cumpridos diariamente.

Critérios

Atualmente em 50 países, a certificação tem critérios adaptados às legislações nacionais, mas que se mantêm praticamente os mesmos no mundo todo, afirmou Leana. Um dos principais é a qualidade da água, que tem de ser comprovada por meio de testes de balneabilidade.

Outro ponto avaliado é a gestão ambiental, ou seja, como o município faz a gestão dos resíduos e de todos os serviços nas praias e nos equipamentos de apoio aos usuários, como estacionamento, banheiros, rampa de acesso e posto de guarda-vidas, por exemplo.

O terceiro critério envolve a educação ambiental, porque se o programa busca mudança de comportamento e sustentabilidade. “Todas as praias e marinas com o Selo Bandeira Azul têm que fazer ações de informação e educação ambiental, sinalizar com placas ou totens com QRCode sobre o meio ambiente da região, sobre unidade de conservação, sobre restinga e fazer ações de educação ambiental ativas, envolvendo estudantes e trabalhadores da praia”, explicou a coordenadora nacional.

O quarto critério que deve ser atendido está relacionado à segurança em todos os sentidos, desde a presença de guarda-vidas a policiamento, se necessário, além de segurança dos equipamentos, para que as pessoas tenham uma experiência tranquila na praia.

Temporada atual

Na atual temporada 2025/2026, o Brasil obteve 60 bandeiras, sendo 50 praias e dez marinas. Duas praias, entretanto, perderam o selo pelo descumprimento das determinações: um trecho da Praia da Reserva, no Rio de Janeiro, em frente ao Parque Natural Municipal Nelson Mandela, por questões não resolvidas com a União; e a Praia da Barra do Rio Piçarras, em Santa Catarina, onde a prefeitura iniciou alargamento da faixa de areia. 

Apesar disso, Santa Catarina continua na liderança brasileira, com 25 praias e cinco marinas com o Selo Bandeira Azul; seguida pelo Rio de Janeiro, com 17 praias e uma marina; Bahia, com quatro praias e uma marina; São Paulo, com uma praia e três marinas; e Alagoas, com uma praia.

Leana Bernardi revelou que há expectativa de crescimento do número de candidatos e que mais de 25 praias estão em fase piloto, entre elas, uma praia no Ceará, e marinas no Rio Grande do Sul e no Paraná. 

O Selo Bandeira Azul foi criado na França, em 1987, conseguindo adesão de mais três países no ano seguinte. No Brasil, foi iniciada a preparação das primeiras praias para concorrer ao selo em 2006, mas a primeira praia do país foi aprovada só em 2009. A primeira praia com o Selo de Bandeira Azul foi a Jurerê Internacional, em Florianópolis (SC) mas, ao não cumprir critérios estabelecidos, saiu da lista. Na temporada 2010/2011, o lugar foi ocupado pela Praia do Tombo, no Guarujá (SP).

Saiba quais são as 48 praias brasileiras com Selo Bandeira Azul

  • Praia do Patacho, Porto de Pedras – AL
  • Praia do Paraíso – Guarajuba, Camaçari – BA
  • Praia da Espera – Itacimirim, Camaçari – BA
  • Praia da Viração – Ilhas dos Frades, Salvador – BA
  • Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe – Ilha dos Frades, Salvador – BA
  • Praia Azeda-Azedinha, Armação dos Búzios – RJ
  • Praia do Forno, Armação dos Búzios – RJ
  • Praia de José Gonçalves, Armação dos Búzios – RJ
  • Praia de Tucuns, Armação dos Búzios – RJ
  • Praia Lagunar Caiçara – Arraial do Cabo – RJ
  • Praia do Foguete, Cabo Frio – RJ (Trecho em frente a Lagoa das Garças)
  • Praia do Peró, Cabo Frio – RJ
  • Praia do Pontal do Peró, Cabo Frio – RJ
  • Praia da Cidade Nova, Iguaba Grande – RJ
  • Praia de Ubás, Iguaba Grande – RJ
  • Praia do Sossego, Niterói – RJ
  • Prainha, Rio de Janeiro – RJ
  • Praia de Grumari, Rio de Janeiro – RJ (Trecho central)
  • Praia das Pedras de Sapiatiba, São Pedro da Aldeia – RJ
  • Praia das Pedras de Itaúna, Saquarema – RJ
  • Praia do Canto da Vila, Saquarema – RJ
  • Prainha, Saquarema – RJ
  • Praia do Estaleirinho, Balneário Camboriú – SC
  • Praia do Estaleiro, Balneário Camboriú – SC
  • Praia de Taquaras, Balneário Camboriú – SC
  • Praia Central, Balneário Piçarras – SC
  • Praia de Piçarras, Balneário Piçarras – SC
  • Praia da Ponta do Jacques, Balneário Piçarras – SC
  • Praia da Conceição, Bombinhas – SC
  • Praia de Quatro Ilhas, Bombinhas – SC
  • Praia da Tainha, Bombinhas – SC
  • Praia de Mariscal, Bombinhas – SC
  • Prainha de Mariscal, Bombinhas – SC
  • Praia da Lagoa do Peri, Florianópolis – SC
  • Praia das Cordas, Governador Celso Ramos – SC
  • Praia Grande, Governador Celso Ramos – SC
  • Prainha de Itá, Itá – SC
  • Praia dos Molhes do Atalaia, Itajaí – SC
  • Praia da Bacia da Vovó, Penha – SC
  • Praia da Saudade, Penha – SC
  • Praia Grande, Penha – SC
  • Praia Vermelha, Penha – SC
  • Praia do Ervino, São Francisco do Sul – SC
  • Praia de Ubatuba, São Francisco do Sul – SC
  • Praia do Forte, São Francisco do Sul – SC
  • Praia Grande, São Francisco do Sul – SC
  • Prainha – Praia da Saudade, São Francisco do Sul – SC
  • Praia do Tombo, Guarujá – SP

 

AGÊNCIA BRASIL

FRANÇA - Uma forte onda de frio atinge a Europa neste início de ano e provoca queda de neve em diversos países, afetando grandes cidades, serviços de transporte e a rotina da população. As temperaturas despencaram e transformaram paisagens urbanas em cenários típicos de inverno rigoroso.

Na Espanha, a neve caiu em várias localidades. Madri voltou a registrar o fenômeno após cinco anos sem precipitação desse tipo, cobrindo ruas e praças da capital espanhola de branco e causando transtornos no trânsito.

Na França, o impacto foi ainda maior. Paris e outras regiões do norte do país amanheceram cobertas de neve, em imagens que lembram cartões-postais, mas que também trouxeram problemas práticos. A Direção-Geral da Aviação Civil francesa solicitou que as companhias aéreas reduzissem em 15% os voos programados nos aeroportos da capital, devido às condições climáticas adversas que atingem o noroeste do país.

Uma tempestade avançou pelo território francês desde a madrugada de segunda-feira, provocando nevascas intensas inicialmente na Bretanha e na Normandia e, ao longo do dia, na região de Île-de-France, onde fica Paris. Em algumas áreas, a neve acumulou vários centímetros.

Apesar do cenário visualmente bonito, os efeitos são graves. Pelo menos 26 regiões francesas estão sob alerta laranja por causa do frio extremo. Até o momento, há registro de cinco mortes, todas causadas por acidentes de trânsito relacionados às estradas cobertas de neve e gelo, segundo informações da emissora BFM TV.

 

 

por Notícias ao Minuto

RIO DE JANEIRO/RJ - Turismo organizado pela própria comunidade, com visitas pensadas para respeitar o território, a população local e a natureza. Este é o chamado turismo de base comunitária (TBC), que o Projeto Roteiro Caiçara quer fortalecer na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro. O projeto completou seis meses em dezembro de 2025, concluindo o primeiro período de atuação, com formações e reuniões com as comunidades. Em 2026, tem início a segunda fase de atuação.

Participam do projeto 12 comunidades caiçaras e quilombolas, sendo seis em Paraty ─ Saco do Mamanguá, Trindade, Parati Mirim, Praia do Sono, Ponta Negra e São Gonçalo ─ e seis em Ilha Grande, no município de Angra dos Reis ─ Bananal, Matariz, Aventureiro, Enseada das Estrelas, Dois Rios e Praia Vermelha.

Na Costa Verde fluminense, o TBC é protagonizado por comunidades tradicionais, como caiçaras, indígenas e quilombolas, com produtos e serviços geridos por indivíduos, famílias e coletivos. Mais do que uma proposta turística, esse caminho também nasce de uma história de resistência.

Desde os anos 1970, com a abertura da BR-101, cresceram as pressões de grilagem e especulação imobiliária sobre esses territórios. Hoje, somam-se a isso os desafios associados ao turismo de massa que, muitas vezes, concentra renda e aumenta impactos ambientais e sociais.

O projeto tem a duração total de três anos e atua em cinco frentes: capacitações para o turismo; obras de infraestrutura; manejo de trilhas; definição de roteiros turístico; e conservação da natureza. 

Segundo a coordenadora do projeto, Bete Canela, o TBC é diferente do turismo de massa, geralmente promovido por pessoas que vêm de fora do território e empresas.

“Isso já existe. Mas o nosso projeto objetiva fortalecer quem está no território: as comunidades caiçaras, quilombolas, que estão ali há muito tempo e que oferecem serviços turísticos. Então, essa quarta linha do projeto é justamente fortalecer esses roteiros”, diz.

Canela defende que, ao mesmo tempo que promove o turismo, o projeto valoriza culturalmente a região. “Porque, à medida que a gente fortalece o turismo de base comunitária (TBC), ele é um turismo que não oferece só o quiosque, que não oferece só o caminho da praia, que só vai na cachoeira mergulhar. Ele conta a história do lugar, ele conta as tradições, a culinária, o artesanato. Então, tudo isso que é local, que as pessoas têm essa riqueza de saberes, isso entra também no projeto”. 

 

Rio de Janeiro (RJ), 02/01/2026 - Projeto Roteiro Caiçara fortalece turismo de base comunitária na Costa Verde fluminense. Foto: Marcelo Angiioni/Roteiro Caiçara

Rio de Janeiro (RJ), 02/01/2026 - Projeto Roteiro Caiçara fortalece turismo de base comunitária na Costa Verde fluminense. Foto: Marcelo Angiioni/Roteiro Caiçara - Marcelo Angiioni/Roteiro Caiçara

Planejamento

O Projeto Roteiro Caiçara engloba, ao todo, seis períodos, ou três anos de atividades, com foco no turismo de base comunitária, conservação ambiental e valorização cultural das comunidades tradicionais de Paraty e Ilha Grande.

O projeto é realizado pelo Instituto Caminho da Mata Atlântica (ICMA), cuja missão é engajar a sociedade na conservação e recuperação da Mata Atlântica, por meio de atividades ao ar livre e da conexão de áreas naturais ao longo de uma trilha de longo curso, promovendo o desenvolvimento socioeconômico inclusivo, a conservação da biodiversidade e a valorização do patrimônio natural e cultural.

Canela enfatiza que, como uma das linhas de atuação, o projeto prevê obras que ficarão para as comunidades. “Por exemplo, tem comunidades que querem reformar um pier, por onde chegam os turistas, e precisam desse recurso. Outras querem fazer um centro de atendimento ao turista, porque não têm. Os turistas chegam na comunidade e não sabem exatamente quem procurar”, explicou a coordenadora.

Cada comunidade, segundo ela, está levantando possibilidades de obras que estejam relacionadas com o turismo, para as quais o projeto pode ajudar a financiar a construção. “Essa é uma parte bem legal, porque é um legado físico. Uma coisa diferente dos projetos que passam por aqui”.

 

Resultados

O primeiro período de atuação, iniciado em julho, contou com cursos para os primeiros guias turísticos locais. Foram iniciados três cursos de Formação Básica para Condutores Ambientais, sendo um em Trindade, em Paraty, com 42 participantes, e dois módulos realizados de um total de cinco; e dois cursos na Ilha Grande, sendo um na Enseada das Estrelas, com 23 participantes, e outro na Praia de Bananal, com 15 participantes, com um módulo realizado em cada local. Esse é um curso mais compacto, com quatro módulos no total.

As ações realizadas pelo Projeto Roteiro Caiçara no primeiro semestre de 2025 envolveram também 12 reuniões comunitárias para apresentação do projeto e 12 reuniões comunitárias para planejamento das obras de infraestrutura para o turismo e apresentação das equipes de fauna e flora, efetuadas em Paraty e na Ilha Grande; cinco reuniões para planejamento do monitoramento de flora e duas voltadas ao monitoramento da fauna, em Paraty; duas reuniões para mapeamento e formatação de roteiros turísticos na Ilha Grande; e cinco reuniões com arquitetos para planejamento das obras de infraestrutura em Paraty. As ações reuniram até o momento cerca de 260 pessoas.

O projeto conta com parceria da Petrobras através de convênio do Programa Petrobras Socioambiental, e começa, no primeiro semestre de 2026, seu segundo período.

“A gente já iniciou o curso de condutores ambientais em Paraty e na Ilha Grande, que formam turmas de 40 pessoas a cada vez, para as pessoas terem a carteirinha, serem credenciadas e trabalharem como guias de turismo. Muita gente que está nesses locais e já fazia isso de maneira informal agora vai poder ter o curso, a carteirinha e trabalhar de maneira formal”, disse à Agência Brasil a coordenadora do projeto, Bete Canela.

O que é Turismo de Base Comunitária?

Por Turismo de Base Comunitária, ou TBC, entende-se o turismo com protagonismo local, com renda e decisões oriundas do próprio território e visitação organizada para respeitar comunidade e natureza.

O TBC é uma forma de receber visitantes na qual quem vive no território é que toma as decisões, cuida do planejamento e organização, e conduz a atividade turística, englobando passeios, hospedagem, alimentação, trilhas e vivências culturais.

Conforme explicou Bete Canela, a prioridade é não interferir nos modos de vida tradicionais, além de garantir que a visitação gere benefícios reais para a comunidade, valorizando a cultura local e cuidando do meio ambiente.

Na prática, o TBC busca três coisas simultaneamente:

  • distribuir melhor os benefícios do turismo, mantendo a circulação de renda na comunidade e fortalecendo negócios locais;
  • valorizar cultura e saberes, sem transformar a identidade do lugar em produto, o que significa que a comunidade define o que quer compartilhar e de que forma;
  • e reduzir impactos e cuidar do território, porque a atividade é pensada com regras, limites de visitação e condutas que protegem a natureza e a qualidade de vida de quem mora no local.

Em áreas de alta sensibilidade ambiental, como territórios inseridos em unidades de conservação, isso costuma caminhar junto com conservação, porque quem vive ali conhece profundamente o lugar e tem interesse direto em manter o ambiente saudável.

O turismo de base comunitária fortalece não só o território, mas a cultura que já existe naquele local há muito tempo, que é ancestral. Segundo Bete, a ideia é que as duas formas de turismo possam coexistir.

“Dá para todo mundo conviver”, afirmou.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

EUA - Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment amplia a compreensão científica sobre os impactos do El Niño–Oscilação Sul (ENOS) sobre o Oceano Atlântico. Segundo os pesquisadores, o fenômeno climático pode determinar se a pesca aumenta ou diminui em regiões da África e da América do Sul.

ENOS é o nome dado para a alternância entre o esfriamento (El Niño) e o aquecimento (La Niña) do Oceano Pacífico. O fenômeno acoplado nasce de variações da pressão e das circulações oceânicas e atmosféricas.

O estudo reúne evidências científicas de como o ENOS muda padrões de chuva, ventos, temperatura, salinidade do oceano e a descarga de grandes rios, afetando a disponibilidade de nutrientes e oxigênio nas águas. Essas mudanças influenciam o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, e têm reflexos na abundância de peixes e crustáceos de importância comercial. 

Segundo o artigo, os impactos do fenômeno não são homogêneos e variam conforme a região, a espécie explorada e o período analisado. No Norte do Brasil, o El Niño atua pela via tropical e está associado à redução das chuvas na Amazônia, como observado em 2023 e 2024. A diminuição das chuvas reduz a pluma do rio Amazonas, que transporta nutrientes essenciais para a costa do Norte e Nordeste.

“Essa pluma, que chega à costa do Norte e Nordeste do Brasil, contém nutrientes que são a base da cadeia alimentar”, explica a professora Regina Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das autoras do artigo.

A redução desse aporte pode prejudicar a produtividade da pesca em algumas áreas, mas, por outro lado, pode favorecer a captura do camarão marrom, beneficiado pela menor turbidez da água e maior penetração da radiação solar.

No Sul do país, o El Niño atua pela via extratropical e está associado ao aumento das chuvas, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. O maior aporte de água doce e nutrientes tende a favorecer a pesca de determinadas espécies. Já na região central do Atlântico Sul, o fenômeno está relacionado ao aumento da captura da albacora, um tipo de atum amplamente explorado comercialmente.

A revisão ressalta, no entanto, que essas respostas variam de acordo com a espécie, a estação do ano e até a década analisada.

Segundo Ronaldo Angelini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coautor do estudo, a proposta da pesquisa é integrar processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos para compreender essas variações.

“Essa abordagem ajuda a explicar por que respostas observadas na pesca nem sempre são lineares ou consistentes ao longo do tempo”, afirma Angelini, especialmente diante de um cenário de mudanças climáticas que afetam a frequência e a intensidade do ENOS.

O artigo também identifica lacunas importantes no conhecimento, como a escassez de séries históricas de dados pesqueiros e limitações das observações por satélite, e propõe caminhos para aprimorar a capacidade de previsão.

“Esse roteiro viabiliza a construção de modelos quantitativos comparáveis com estimativas de incerteza, essenciais para separar sinais de ENOS de outras variabilidades”, explica o pesquisador.

Resultado de um projeto internacional financiado pela União Europeia, com participação de instituições da Europa, África e Brasil, o estudo destaca que não existe uma resposta única do Atlântico ao ENOS. Para os autores, isso reforça a necessidade de estratégias de manejo localizadas, adaptadas à realidade de cada estoque pesqueiro e de cada comunidade.

Diante da escala global do fenômeno, que dificulta o monitoramento por países isoladamente, os pesquisadores defendem a adoção de um monitoramento oceânico coordenado, com a ampliação de redes já existentes e a integração de observatórios costeiros, utilizando protocolos comuns, dados interoperáveis e séries temporais comparáveis.

SÃO PAULO/SP - Em parceria com a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, três universidades brasileiras vão conduzir uma pesquisa para propor formas de reduzir o impacto das mudanças climáticas nas favelas brasileiras. O grupo de pesquisa vai se debruçar até 2027 sobre comunidades de Natal (RN), Curitiba (PR) e Niterói (RJ), e está prevista, para a partir de janeiro de 2026, a publicação de um edital com bolsas de pesquisa destinadas a integrar moradores ao trabalho.

O projeto Pacha (sigla em inglês para Análise Participativa para Adaptação Climática e Saúde em Comunidades Urbanas Desfavorecidas no Brasil) tem como coordenador-geral o cientista brasileiro João Porto de Albuquerque, diretor do Urban Big Data Centre, da Universidade de Glasgow. O financiamento, superior a R$ 14 milhões, é proveniente da fundação britânica Wellcome Trust, uma entidade sem fins lucrativos que financia pesquisas na área de saúde e mudanças climáticas.

São parceiras da universidade britânica no Brasil a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), por meio do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU); a Fundação Getulio Vargas, por meio do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP); e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da PUC-PR, Paulo Nascimento, lembra que todos os municípios brasileiros devem elaborar planos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas. O projeto Pacha, entretanto, parte da premissa de que os dados que são gerados refletem muito mais a cidade formal do que as favelas. 

“Por isso, todo o nosso esforço é construir uma base de dados produzida coletivamente com os moradores dessas comunidades e, a partir disso, gerar evidências que vão ajudar a revisar ou a olhar de outra forma esses planos de ação climática”, disse. 

Com a escolha das três cidades brasileiras que serão estudadas, o projeto vai poder abordar contextos climáticos muito diferentes, destaca Nascimento. O estudo vai investigar como as comunidades urbanas estão trabalhando essa questão e quais desafios enfrentam, dentro de uma perspectiva de criar indicadores com a participação dos moradores. A ideia é verificar quais as capacidades que essas comunidades já estão desenvolvendo e como os pesquisadores podem aprender com elas. 

Pesquisadores comunitários

O professor da PUC-PR chamou a atenção que as favelas são vistas, em geral, pelo olhar da precariedade, da ausência. “E o que a gente está tentando trazer é, através dos moradores, aprender e ver quais os problemas que eles consideram mais relevantes. Então, a ideia toda é a perspectiva de cocriação”.

Dentro dessa ótica, o projeto vai conceder bolsas de doutorado e pós-doutorado e também bolsas vinculadas, obrigatoriamente, a moradores dessas comunidades. “A gente vai ter pesquisadores comunitários, vinculados ao projeto, mas que são dessas comunidades envolvidas e que vão ser financiados por esse agente britânico, com a perspectiva de o projeto ser construído coletivamente”.

Entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2026, deverá ser lançado edital para pesquisadores oriundos das favelas que desejem participar do projeto em Curitiba, Natal e Niterói. 

A proposta é que esses pesquisadores tenham capacidade de engajar as comunidades. “E que sejam replicadores do que for produzido para depois do projeto. Ou seja, que o projeto vai terminar em algum momento, mas a capacidade local fica com conhecimento do contexto”, afirmou Paulo Nascimento.

Desigualdade

Em 2022, de acordo com dados do Censo produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existiam no Brasil mais de 12 mil favelas, com um total de 16,39 milhões de pessoas ─ 8,1% dos 203 milhões de habitantes do país. 

Essas populações estão entre as mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas, como chuvas intensas, deslizamentos de terra, enchentes e ondas de calor, uma vez que convivem com moradias precárias e ausência de infraestrutura adequada.

O projeto conta ainda com parceria de outras instituições científicas, entre as quais a Fundação Oswaldo Cruz, pelo Centro de Integração de Dados em Saúde (CIDACS/Fiocruz), que trabalha com a base de dados do CadÚnico com recortes de raça, renda, gênero e idade. Isso vai permitir entender como esses diferentes grupos, dentro das comunidades urbanas, estão expostos aos diferentes tipos de riscos climáticos”, salientou Nascimento. 

A ideia é de uma perspectiva para o trabalho que seja feita de baixo para cima, construindo capacidades comunitárias e, a partir disso, construir resultados que sejam relevantes para cada comunidade e para o conjunto de favelas. 

O Pacha atuará na produção de dados para subsidiar políticas públicas a considerar melhor as desigualdades sociais e ambientais, criando junto com as comunidades um diagnóstico e indicadores que sejam relevantes para eles. O resultado conclusivo do projeto deverá ser divulgado no final de 2027.

Lançamento

Na primeira semana de dezembro, pesquisadores das universidades brasileiras se reuniram em Natal com membros da Universidade de Glascow, com representantes da Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades, e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), também ligado ao governo federal, além de representantes das comunidades potiguares que estão envolvidas na pesquisa.

“A gente passou a semana inteira discutindo o desenho da pesquisa. Fizemos o lançamento oficial no Rio Grande do Norte”.

Segundo o pesquisador, a cada seis meses será feito um evento em alguma das três cidades participantes, envolvendo as comunidades locais, para apresentar resultados parciais.

 

 

Alana Gandra - repórter da Agência Brasil

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