MACEIÓ/AL - Após dias desaparecido, um elefante-marinho voltou a ser visto no litoral alagoano. Apelidado de Leôncio, o animal tinha sido visto pela última vez na segunda-feira (23) e foi localizado na quarta-feira (25) nas águas do litoral sul alagoano pela equipe do Instituto Biota de Conservação, organização que desenvolve ações de resgate e conservação da fauna marinha.
Leôncio, que recebeu o nome após uma campanha nas redes sociais, chegou no litoral de Alagoas no dia 11 e desde então ficou passeando pelas areias das praias de Ipioca e Garça, na capital Maceió, e em Barra de Santo Antônio, em Paripueira.
Segundo o instituto, o animal está em um processo de muda de pelagem - comum para a espécie - que pode levar de uma a quatro semanas. Durante esse período é comum que o animal fique na praia, descansando, enquanto completa o processo.
O instituto esclarece ainda que o elefante-marinho não está doente, por isso não precisa ser capturado para algum tipo de intervenção. Precisa apenas de repouso mesmo.
Desde que foi avistado, Leôncio tem sido alvo de perturbação por parte de moradores locais. Em razão disso, o instituto lançou um alerta pedindo para que as pessoas respeitem o espaço do animal e o deixem descansar.
Ações como tocar, afugentar, alimentar, perseguir, interagir são consideradas molestamento e podem prejudicar o comportamento natural do animal.
“Caso encontre o animal, mantenha distância, não interaja e não tente empurrá-lo para a água. Entre em contato conosco pelo telefone/WhatsApp: (82) 99115.2944”, esclarece o instituto.
AGÊNCIA BRASIL
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO - Um novo nascimento raro chamou atenção no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo. Dois filhotes de gorilas-da-montanha, uma das espécies mais ameaçadas do mundo, nasceram recentemente, formando mais um caso de gêmeos no local.
Esse já é o segundo nascimento de gêmeos registrado em poucos meses, algo considerado extremamente incomum. Os filhotes, um macho e uma fêmea, fazem parte da família Baraka, um grupo com 19 gorilas.
Os bebês foram encontrados por guardas do parque e passaram a ser monitorados de perto, já que os primeiros meses de vida são os mais delicados. Gêmeos dessa espécie representam apenas cerca de 1% dos nascimentos e enfrentam altos riscos de mortalidade.
Em janeiro, outro caso semelhante já havia sido registrado no parque. Os filhotes daquela ocasião, da fêmea Machuko, hoje têm cerca de 11 semanas e seguem se desenvolvendo bem.
Para os especialistas, dois nascimentos de gêmeos em um intervalo tão curto são um sinal positivo. “Dois casos de nascimento de gêmeos em três meses é um evento extraordinário e nos dá um indicador vital de que os esforços de conservação continuam ajudando no crescimento da população de gorilas-da-montanha”, afirmou Jacques Katutu, responsável pelo monitoramento da espécie.
Há poucas décadas, a situação era crítica. Na década de 1970, restavam cerca de 250 gorilas-da-montanha no mundo. Hoje, graças a ações de preservação, a população já ultrapassa mil indivíduos, embora a espécie ainda seja considerada em risco de extinção.
por Notícias ao Minuto
SÃO PAULO/SP - Um em cada quatro brasileiros (24%) já precisou sair de casa temporariamente por causa de eventos climáticos extremos, como enchentes, deslizamentos, incêndios ou ondas de calor.
O dado faz parte de uma pesquisa da Ipsos para o Instituto Talanoa. Os resultados foram divulgados na última segunda-feira (16), Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas.
Nos últimos 12 meses, os impactos climáticos mais citados pelos entrevistados foram ondas de calor extremo (48%), falta de energia elétrica (42%) e tempestades fortes (35%), seguidos por escassez de água (26%), doenças transmitidas por mosquitos (23%) e enchentes (21%).
A pesquisa também indica que o tema da adaptação climática já entrou no radar da população brasileira. Cerca de 81% dos entrevistados dizem já ter ouvido falar no conceito, embora apenas 13% afirmem conhecê-lo bem.
Cerca de 70% dos entrevistados acreditam que os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes. Entre os aspectos do cotidiano mais afetados estão saúde (40%), alimentação (37%), gastos com energia elétrica (37%), moradia (29%) e mobilidade (25%).
Apesar de possíveis custos adicionais, a maioria dos entrevistados apoia medidas para preparar cidades e infraestruturas para os impactos do clima.
A pesquisa mostra que 63% concordam que novas construções devem considerar os efeitos das mudanças climáticas. O apoio sobe para 76% quando as obras são financiadas com recursos públicos.
Mesmo quando essas medidas podem provocar transtornos imediatos, como obras urbanas ou mudanças em regras de construção, o apoio permanece elevado. Dois terços da população (66%) afirmam apoiar ações de adaptação, enquanto apenas 9% se posicionam contra.
O apoio aparece em todas as regiões do país, variando de 58% no Sul a 73% no Sudeste, segundo o levantamento.
A pesquisa foi feita entre 19 e 29 de dezembro de 2025, com 1 mil entrevistas por meio de painel online. A amostra é representativa das classes A, B e C em todo o país e leva em conta gênero, faixa etária e região.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União, duas Unidades de Conservação (UCs) federais no litoral sul do Rio Grande do Sul: o Parque Nacional Marinho do Albardão e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, no município de Santa Vitória do Palmar.
A iniciativa foi liderada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). De acordo com os ministérios, a medida protege uma das regiões mais importantes para a manutenção da biodiversidade do Atlântico Sul e fortalece a resposta à mudança do clima e à perda global de biodiversidade.
“O decreto assinado pelo presidente Lula reflete o compromisso de seu governo com a preservação ambiental e de nosso oceano. Há por trás dessa medida estudos científicos, escuta pública, articulação entre instituições e empenho de servidores, pesquisadores e cidadãos comprometidos com a conservação da biodiversidade e a defesa do interesse público”, destacou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
A soma total de área do conjunto formado pelo Parque Nacional do Albardão e sua Zona de Amortecimento, incluída a APA do Albardão, alcança um total de 1.618.488 hectares. O território abriga ecossistemas marinhos e costeiros de relevância ecológica, funcionando como área de alimentação, reprodução e crescimento para diversas espécies ameaçadas.
“No Albardão, os ambientes de concheiros [acúmulo de conchas de animais], a presença de espécies ameaçadas, sua notável biodiversidade e um patrimônio arqueológico de grande valor passam, finalmente, a receber a proteção compatível à sua relevância. Criar essas unidades mostra que proteger o meio ambiente não é obstáculo, mas solução”, ressaltou Marina.
Entre as espécies ameaçadas na área, destaca-se a toninha, a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul Ocidental, além de tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves marinhas migratórias e mamíferos que utilizam a região ao longo de seus ciclos de vida. A proteção desses habitats é considerada estratégica para reduzir a mortalidade da fauna e assegurar a manutenção de processos ecológicos essenciais nos ambientes marinhos.
O litoral sul do Rio Grande do Sul está situado na rota atlântica das Américas, que conecta o Ártico canadense e o Alasca, nos Estados Unidos, ao sul da América do Sul, passando pela costa do Brasil.
Essas áreas funcionam como “postos de abastecimento” ecológicos, onde as aves param para descansar após voar milhares de quilômetros ininterruptamente e acumular energia antes de continuar a migração, alimentando-se de invertebrados e pequenos crustáceos.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO PAULO/SP - A Sabesp avança em sua estratégia de sustentabilidade e economia circular ao transformar o plástico descartado de hidrômetros substituídos em uma solução de alto impacto para o saneamento básico. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Tigre, líder em soluções para construção civil, infraestrutura e cuidado com a água, reaproveita a fração plástica dos medidores de água desativados para a produção do Biobob, um dispositivo que imobiliza e agrupa as bactérias responsáveis pelo tratamento do esgoto, otimizando o processo e ocupando muito menos espaço do que numa planta convencional.
Para a Sabesp, o projeto reforça o papel do saneamento como agente de transformação ambiental e social: “Com essa iniciativa, queremos promover ainda mais inovação e sustentabilidade neste setor. Afinal, além de reciclarmos um material que não seria mais utilizado, promovendo a economia circular, também estamos promovendo o tratamento de esgoto de maneira ainda mais efetiva e ocupando menor espaço, já que ele possui uma espuma interna onde as bactérias aderem ao invés de ficarem soltas na água, o que garante alto desempenho com baixa geração de energia”, afirma Gustavo Fehldberg, diretor-executivo de Compras e Serviços Corporativos da Sabesp.
A Tigre recolhe os componentes plásticos dos hidrômetros, como as cúpulas, turbinas e engrenagens, que são feitos de polipropileno. “A parceria com a Sabesp demonstra como a economia circular pode gerar valor real para o saneamento básico. Ao reaproveitarmos o polipropileno presente nos hidrômetros desativados e transformá-lo em matéria-prima para o Biobob, conseguimos fechar o ciclo dentro do próprio setor, reduzindo resíduos e ampliando a eficiência do tratamento de esgoto. É uma solução que une inovação, sustentabilidade e impacto social, ao contribuir para levar infraestrutura de saneamento a mais pessoas com menor consumo de energia e menor geração de lodo”, afirma Ewerton Garcia, diretor da Tigre Água e Efluentes (TAE).
O desafio técnico foi criar um processo para separar e purificar o plástico misto que compõe o medidor de água, transformando-o na matéria-prima do Biobob, fechando o ciclo dentro do próprio saneamento.
Para 2026, a previsão é manter a destinação de cerca de 1.000 toneladas por ano de hidrômetros para reciclagem, consolidando o projeto em escala industrial. Desse volume, estima-se a recuperação de aproximadamente 60 toneladas anuais de polipropileno, que passam a ser utilizadas na fabricação do Biobob. Por se tratar de uma peça leve e altamente tecnológica – com apenas 14 gramas – esse volume de plástico permite a produção de mais de 4,2 milhões de unidades por ano. Atualmente, o Biobob é utilizado na ETE Cabuçu, inaugurada ano passado em Guarulhos.
O impacto social é direto: o plástico recuperado dos hidrômetros em apenas um ano possibilita o tratamento de esgoto para uma cidade de cerca de 27 mil habitantes, como Bonito (MT).
SÃO PAULO/SP - O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, nesta terça-feira (24), um alerta de grande perigo para a região sudeste do país devido ao acúmulo de chuva. A passagem de uma frente fria criará condições favoráveis para chuvas contínuas até sexta-feira (27).
No estado de São Paulo, a maior parte do território terá um clima seco e estável, exceto pela região litorânea, que deve apresentar chuvas regulares e acumulados acima de 50 milímetros (mm).
Segundo a Defesa Civil do estado, os riscos que a chuva traz são muito altos nas regiões do Vale do Ribeira, na Baixada Santista, no Litoral Sul e Norte. As cidades de Peruíbe e Ubatuba, já bastante atingidas pelas chuvas nos últimos dias, continuam sob risco.
O alerta de grande perigo também vale para Itapeva, Sorocaba, Campinas, Serra da Mantiqueira, Vale da Paraíba, Capital e Região Metropolitana de São Paulo.
As condições climáticas nas regiões aumentam o risco de alagamentos e transbordamentos de rios, além de deslizamentos das encostas. Nestes casos, o Inmet instrui a população a observar com cuidado as alterações nas encostas, permanecer em local seguro e desligar aparelhos elétricos.
Em caso de inundação na residência, ou situação similar, é recomendado proteger os pertences da água envolvendo-os em sacos plásticos, caso possível.
Nesta última semana, o acúmulo de chuva gerou enormes complicações no estado de São Paulo, especialmente no litoral. Em Peruíbe, mais de 300 pessoas ficaram desabrigadas e outras 100 foram desalojadas após o município atingir 56 milímetros (mm) de água acumulada em 12 horas.
Na última segunda (23), Mongaguá teve cerca de 800 imóveis afetados com o transbordamento de rios e inundação de diversas ruas. Em Ubatuba, duas pessoas morreram em um naufrágio devido ao clima adverso, que registrou um volume de chuva equivalente à média histórica de todo o mês de fevereiro.
Também na segunda, as Rodovias Oswaldo Cruz e Tamoios tiveram trechos interditados devido à queda de objetos na via e excesso de chuva, que superou 100 mm.
Nas regiões centro-oeste dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, as chuvas podem superar 200mm nos próximos dias. Os capixabas e mineiros devem ter cuidado entre os dias 25 e 27, quando o volume de água irá se intensificar.
AGÊNCIA BRASIL
BELO HORIZONTE/MG - Pesquisadores descobriram uma nova espécie de perereca que habita exclusivamente o Cerrado do noroeste de Minas Gerais. Batizado de Ololygon paracatu, o anfíbio tem distribuição extremamente restrita e foi registrado apenas em duas localidades próximas no município de Paracatu.
A pesquisa envolve instituições como a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e o Museo Argentino de Ciencias Naturales. O resultado do estudo foi publicado na revista científica Zootaxa.
O estudo combinou análises genéticas, comparações morfológicas e gravações de vocalizações. Parte essencial desse processo envolveu o uso de coleções biológicas.
De pequeno porte, a espécie apresenta diferenças morfológicas, acústicas e moleculares em relação a outras pererecas do mesmo gênero. Os machos medem entre 20,4 e 28,2 milímetros, enquanto as fêmeas variam de 29,3 a 35,2 milímetros.
Assim como outras espécies do gênero Ololygon, o animal vive nas chamadas matas de galeria, vegetação florestal associadas a rios de pequeno porte, córregos de águas rápidas e leito rochoso. A nova espécie é a oitava do gênero Ololygon descrita no Cerrado, ampliando a lista de anfíbios endêmicos do bioma.
O nome da nova espécie faz referência ao Rio Paracatu, um dos principais afluentes do Rio São Francisco. A escolha carrega também um alerta ambiental. Durante o trabalho de campo, os pesquisadores observaram sinais de degradação em parte dos riachos analisados, como assoreamento.
“A conservação dos córregos e riachos onde essa nova espécie vive é essencial não apenas para sua sobrevivência, mas para a manutenção do próprio Rio Paracatu e seus afluentes”, alerta Daniele Carvalho, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN-ICMBio) e primeira autora do estudo.
“Descrever uma espécie é dar um nome a ela; é torná-la visível para a ciência e para a sociedade. Esperamos que esse nome ajude a chamar a atenção para a crise hídrica e ambiental que assola essa importante bacia hidrográfica e que ameaça não apenas aos anfíbios, mas toda sociedade”, afirma Daniele.
“A pesquisa é fruto de anos de esmero e dedicação ao estudo dos anfíbios do Cerrado, um bioma incrivelmente rico, porém severamente subestimado e ameaçado”, complementa Reuber Brandão, professor da UnB e membro da RECN, iniciativa da Fundação Grupo Boticário.
AGÊNCIA BRASIL
ARGENTINA - Uma água-viva gigante raramente observada foi registrada em vídeo por cientistas durante uma expedição em águas profundas na costa da Argentina. O animal pode atingir até 11 metros de comprimento e pertence à espécie Stygiomedusa gigantea.
O registro foi feito a cerca de 250 metros de profundidade por pesquisadores do Schmidt Ocean Institute, a bordo do navio de pesquisa R/V Falkor, no Atlântico Sul. Segundo comunicado divulgado pelo instituto, a expedição científica percorreu toda a extensão do litoral argentino, de Buenos Aires até áreas próximas à Terra do Fogo.
A água-viva foi avistada enquanto os cientistas analisavam a parede do cânion submarino Colorado-Rawson. Considerada uma das maiores espécies do mundo, ela possui uma campânula que pode chegar a um metro de diâmetro e braços que se estendem por vários metros, com comprimento comparável ao de um ônibus escolar.
Apesar do tamanho impressionante, a chamada medusa fantasma raramente é vista por humanos, com pouco mais de 100 avistamentos confirmados em todo o planeta. “Não esperávamos encontrar esse nível de biodiversidade no mar profundo argentino e ficamos muito entusiasmados ao ver essas áreas tão ricas em vida”, afirmou a cientista-chefe da expedição, María Emilia Bravo, da Universidade de Buenos Aires e do CONICET.
A diretora-executiva do Schmidt Ocean Institute, Jyotika Virmani, destacou que cada missão amplia o conhecimento sobre os oceanos. Segundo ela, o mar profundo concentra uma diversidade de vida comparável, ou até superior, à observada em terra firme, já que os oceanos reúnem cerca de 98% do espaço habitável do planeta.
por Notícias ao Minuto
SÃO PAULO/SP - Relatórios e levantamentos recentes mostram que o Brasil possui uma ampla distribuição de áreas sujeitas a desastres naturais, colocando parte significativa da população sob risco devido a eventos climáticos extremos e condições geográficas desfavoráveis.
Um estudo federal identificou cerca de 1.942 municípios brasileiros com áreas de risco significativas para deslizamentos, enxurradas e inundações, colocando em alerta milhões de moradores que vivem nessas regiões vulneráveis.
A vulnerabilidade é agravada pelo aumento da intensidade e frequência de eventos extremos, relacionados às mudanças climáticas. Especialistas afirmam que a urbanização rápida e muitas vezes desorganizada contribui para a ocupação de locais inadequados, como encostas e margens de rios, expondo comunidades a situações de risco.
Esses fenômenos extremos, combinados com a falta de planejamento e infraestrutura em diversas localidades, aumentam o impacto de enchentes e deslizamentos quando comparado a países com políticas mais consolidadas de prevenção e gestão de risco.
Organismos como o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) acompanham diariamente áreas de risco, emitindo alertas e informações para apoiar ações de prevenção. Mesmo assim, especialistas destacam que é preciso intensificar iniciativas que fortaleçam a adaptação às mudanças do clima e reduzam a exposição das populações mais vulneráveis.
O cenário evidencia que, apesar de dimensões continentais e de relativa ausência de alguns riscos geológicos, o Brasil enfrenta forte vulnerabilidade climática, impulsionada por eventos hidrológicos extremos e por desafios estruturais que exigem respostas mais eficazes de governos, sociedade e setor científico.
BRASÍLIA/DF - Para reutilizar parte da quantidade de resíduos gerados pelas escolas de samba nos desfiles na Avenida Marquês de Sapucaí, Mariana Pinho, fundou o Projeto Sustenta Carnaval em 2022.
O trabalho de reciclagem desse material para mitigar o impacto dos produtos têxteis no meio ambiente recolheu 3 toneladas de resíduos de fantasias dos desfiles já em seu primeiro ano, e continuou crescendo.
O projeto se tornou parceiro da Rio Carnaval e da Liga Independente das Escolas de Samba no Rio de Janeiro (Liesa) na gestão de resíduos têxteis da Sapucaí. Em 2023, foram recolhidas 23 toneladas; em 2024, 24 toneladas; e em 2025, 23 toneladas.
O Sustenta Carnaval encaminha o material para um galpão no território da Pequena África, no bairro da Gamboa, em frente ao Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.
Localizado na Rua Pedro Ernesto 67, o espaço tem as portas abertas para o público garimpar fantasias de quarta a sexta, das 14h às 19h, e sábado, das 10h às 19h.
“Temos compradores que são da arte, do mundo do carnaval, que entendem que aquilo tudo ia para o lixo, e ficam emocionados. Temos amantes da moda, do figurino, de cenário, que ficam o dia inteiro”, conta Mariana.
“A questão ambiental é como se fosse o fechamento do ciclo do enredo. Reutilizando essas fantasias, fazemos com que a receita gere emprego para as pessoas do território que fazem parte desse movimento do samba”, acrescenta.
O figurinista Wagner Louza tem um ateliê no Santo Cristo em que reutiliza as fantasias do Sustenta Carnaval e cria outras peças. Ele trabalha com material reciclado e adiciona poucos materiais novos, porque precisa ressignificar a fantasia.
“Há quatro anos, o projeto Sustenta contribui bastante para meu trabalho, porque eles oferecem os insumos. Com esse material, produzo figurinos para carnaval e festa junina. O carnaval não conta somente a história do carnaval mas também a história da nossa cultura”, diz Wagner.
Já a figurinista Lohanne Tavares produz biquinis, hotpants (biquini de cintura alta) e adereços de cintura com o resto das fantasias, e tem conseguido alcançar o público jovem.
“Criei um desfile sobre mudanças climáticas com resíduos de carnaval. Acredito que a gente consegue, através da arte, falar sobre assuntos mais complexos. Uma pessoa que viu o meu desfile me conectou com o Projeto Sustenta Carnaval. Tem dois anos que a gente começou essa parceria”, conta Lohanne.
AGÊNCIA BRASIL
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