MATO GROSSO DO SUL - Criadores do Pantanal trabalham em várias frentes para diferenciar o gado local daquele criado fora da região. Eles buscam certificações, selos e protocolos com classificações de carne sustentável, carbono zero, carbono neutro, de preservação de fauna e flora e também com identificação geográfica (IG).
A intenção é promover uma carne “diferenciada”, produzida de acordo com padrões ambientais para ampliar sua presença no mercado nacional e conquistar clientes internacionais. A busca pelos vários selos, que vão render preço extra na venda do produto, ocorre em paralelo e une a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), a Embrapa, a Secretaria Estadual da Agricultura, o Ministério da Agricultura e ONGs como WWF e Instituto Homem Pantaneiro (IHP).
O apelo da sustentabilidade vai ao encontro do movimento global de consumidores preocupados com a preservação ambiental, que querem saber de onde vem seu alimento, como foi produzido e está disposto a pagar mais para compensar boas práticas de produção.
“A ideia é valorizar o gado pantaneiro sustentável, informando aos consumidores que ele é produzido de acordo com questões ambientais de conservação”, afirma Eduardo Cruzetta, presidente da ABPO.
Parte dos bovinos da região já é reconhecida como sustentável e tem direito a pagar metade da alíquota do ICMS na venda no Estado de Mato Grosso do Sul. Mas a carne chega ao mercado praticamente sem qualquer diferenciação de qualidade ou preço, misturada às demais de outras origens.
Alimento nativo
A ABPO desenvolveu um protocolo de produção que identifica as práticas tradicionais de produção de gado no Pantanal. Os animais são alimentados apenas com grama nativa na fase de cria e recria (até cerca de 1,6 ano). Em outras regiões, normalmente eles comem ração com produtos transgênicos e químicos após o desmame.
As normas da associação preveem também a rastreabilidade do animal desde o nascimento e cumprimento das legislações ambiental, trabalhista e estatutária.
O produtor precisa passar por um processo de certificação feito por empresas independentes. Segundo Cruzetta, a carne sustentável do Pantanal está no mercado desde 2020, mas ainda não possui um selo de identificação, o que dificulta suas vendas com “prêmio” (acima do valor de produtos sem essa característica).
“Além de estar produzindo uma carne mais saudável, estamos produzindo também biodiversidade”, justifica o presidente da ABPO, que tem 85 associados. Segundo ele, a associação recebe apoio do Instituto Taquari, da Wetlands e do WWF, organizações de preservação do meio ambiente, para “fazer crescer esse movimento da agropecuária sustentável no Pantanal.”
Carne Orgânica
Nas fazendas de Mato Grosso do Sul são abatidos atualmente 50 mil a 70 mil cabeças de gado por ano com a certificação de sustentável, número que representa de 5% a 7% dos abates anuais no Pantanal. Outra carne vendida por poucos produtores é a orgânica, cujas regras de certificação são mais rígidas.
Além da identificação desde o nascimento, incluindo quem é a mãe, o gado não pode ser alimentado, em nenhuma fase da vida, com rações que contenham agrotóxicos (milho, soja, sorgo) nem receber antibióticos. O tratamento preventivo só pode ser feito com homeopatia e fitoterapia e o rebanho deve ser criado em áreas sem desmatamento ilegal.
A carne orgânica também é certificada por empresas especializadas e o protocolo de produção é do Ministério da Agricultura. “Para esse gado, o prêmio pago ao produtor varia entre 10% e 15%”, afirma Cruzetta, mas, por enquanto, atende um nicho pequeno de mercado. Em São Paulo, por exemplo, é vendido apenas na rede de lojas da Korin. Antes da pandemia, os criadores abatiam cerca de 500 a 600 cabeças por mês, número que caiu para 250 a 300 e não se recuperou.
Heitor Herrera, proprietário da Fazenda Alegria, no distrito de Nhecolândia – a cerca de 80 km de Corumbá –, tem atualmente 6 mil cabeças de gado no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, normalmente são 8 mil, mas em razão da seca extrema da região o rebanho foi reduzido até o ambiente se recuperar.
“Todo o gado é criado com pastagem nativa, não usamos ração e o rebanho come o que o ambiente oferece”, afirma Herrera, que também é professor de veterinária na Universidade Católica Dom Bosco, de Campo Grande.
Para ele, o projeto da Embrapa e da ABDO, de criar uma certificação para o gado pantaneiro, vai agregar valor ao produto. “Hoje a concorrência é desigual, pois recebemos valor igual ao de qualquer outra fazenda”, afirma.
Nos próximos meses, os produtores também devem aderir a uma certificação que será fornecida pela Embrapa, chamada de Fazendas Pantaneiras Sustentáveis (FPS). A instituição criou uma plataforma para mensurar os índices ambiental, social e econômico das propriedades para verificar se operam com manejo adequado, baseado em técnicas, que consiga produzir gado e ao mesmo tempo conservar ativos ambientais do bioma,
RAIO X
Thiago Coppola, chefe adjunto de transferência de tecnologias da Embrapa Pantanal, informa que os dados são captados e inseridos no sistema, que faz um “raio X” da fazenda e gera um gráfico com pontuações.
“Com os dados gerados, os pesquisadores fazem uma análise e entregam um documento ao produtor indicando como a fazenda está nos quesitos propostos e quais são as boas práticas que deve executar para melhorar”. A instituição também presta consultoria ao produtor, principalmente na parte tecnológica.
A plataforma já está sendo usada de forma piloto no Pantanal de Mato Grosso e logo vai começar a rodar também em Mato Grosso do Sul. “Na parte ambiental, o mundo hoje está se voltando para a questão do carbono, da relação entre o homem e o ambiente, da conservação, e isso vai valer para pagamentos de serviços ambientais e vai gerar um diferencial para a propriedade, por exemplo para obter certificações de sustentabilidade”, diz Coppola.
O próximo passo do projeto FPS será o desenvolvimento da certificação, que terá validade internacional, favorecendo as exportações.
Baixo carbono
A Embrapa também trabalha com a ABPO para fornecer certificados de “carne de baixo carbono” ou “carbono zero”, para sistemas que neutralizam ou reduzem a emissão de metano emitido pelos animais, por meio da integração de lavouras, pecuária e florestas e manejo adequado do solo. “Queremos neutralizar o carbono que os animais emitem com o plantio de árvores nativas”, exemplifica Sílvio Balduíno, diretor executivo da ABDO.
Outra demanda dos produtores de bovinos do Pantanal, a ser oficialmente solicitada até metade do próximo ano, é a Indicação Geográfica (IG), reconhecimento para produtos ou serviços que apresentam uma origem geográfica específica e que possuem qualidades e reputação relacionadas ao local de origem. “A IG é uma forma de proteção da propriedade intelectual onde o bem protegido não é o produto em si, mas o conjunto de fatores que estão associados a ele, ambientais, culturais, históricos e sociais relacionados a um ‘saber fazer único’ em um território”, explica Balduíno.
O órgão responsável pelo Reconhecimento da IG e autorização do uso do selo é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Por se tratar de produto com características exclusivas relacionadas ao meio geográfico, tanto social quanto ambiental, Balduíno acredita que “300 anos de pecuária com 85% da vegetação original preservada, a carne sustentável do Pantanal demonstra possibilidades de reconhecimento via IG, favorecendo o desenvolvimento territorial sustentável de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso”.
Ele cita exemplos como Roquefort para queijo produzido na região de Roquefort, e Champagne, espumante da região de Champagne, ambas na França.
Onça preservada
Outra adicionalidade no quesito preservação e diversidade é a parceria da ABPO com o IHP no projeto Felinos Pantaneiros, que tem como objetivo superar o conflito entre fazendeiros e felinos. Por muitas décadas, onças são mortas por atacarem o gado. Somada a essa prática, a caça de onças-pintadas (hoje proibida) colocou o felino típico do Pantanal na lista de animas em risco de extinção.
O programa do IHP propõe a instalação de cercas elétricas ao redor dos berçários nas fazendas – local onde ficam os bezerros – e repelentes, equipamentos que emitem luzes coloridas em várias direções e espantam as onças, em propriedades e áreas onde vivem os ribeirinhos, que perdem seus animais domésticos para os felinos. “A onça-pintada preservada garante receita de turismo para a região”, diz Ângelo Rabelo, presidente do IHP.
A Fazenda Alegria, de Herrera, é uma das dez propriedades do Pantanal sul-mato-grossense que aderiu recentemente ao uso de cercas elétricas para evitar que onças ataquem o gado. A perda de bezerros representa prejuízos para o negócio, mas ele entende que matar os felinos não é a solução. O choque não fere o animal, mas o afasta da área protegida.
Uma das empresas parceiras no projeto é a General Motors, que doou duas picapes S10 para trabalhos de campo da ONG e verba para a aquisição de repelentes e apoio em outros projetos. A fazenda está nas mãos da família Herrera há 122 anos e seus antepassados caçavam onças. “Tenho uma antiga cadeira com encosto feito de pele de onça-pintada, mas eu até escondo para ninguém ver”, revela Herrera, de 61 anos.
por Cleide Silva / ESTADÃO
EUA - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aprovou uma declaração de estado de emergência para a Califórnia depois que uma semana de tempestades matou pelo menos 12 pessoas nos últimos 10 dias e cortou a energia de centenas de milhares de residências e empresas no estado.
A declaração de emergência autoriza a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA) a coordenar os esforços de socorro e mobilizar recursos emergenciais, disse a Casa Branca em um comunicado.
Na última semana, o clima gerou violentas rajadas de vento que derrubaram caminhões, inundaram as ruas de pequenas cidades ao longo da costa norte da Califórnia e provocaram uma tempestade que destruiu um píer em Santa Cruz.
Reportagem de Jyoti Narayan em Bengaluru / REUTERS
SÃO PAULO/SP - Quem tem o costume de cuidar de plantas percebe a diferença que existe entre regar com água da torneira e com água da chuva para a aparência das nossas companheiras. E isso não é somente impressão ou anedota dos mais antigos: trata-se de um fato científico. E tudo pode ser explicado com base na ciência.
Existem diversos fatos sobre a água da chuva que colaboram para essa impressão de “mais vida” para as plantas. E, realmente, elas preferem essa forma de hidratação do que aquela com água da torneira.
Por que a água da chuva faz bem para as plantas?
Um dos principais motivos que justifica a melhora das plantas com a água da chuva é a sua acidez: as gotas que caem do céu têm um pH mais baixo (ou seja, são mais ácidas) do que o líquido que costumamos beber. Essa acidez enriquece a terra e alegra mais, por exemplo, as plantas tropicais.
Outro fator considerado essencial é a ausência de sais minerais e outras substâncias. A água da chuva tem pouquíssimas substâncias químicas lhe cercando, o que faz com que ela seja quase pura. Mais sais minerais não são positivos para muitas plantas, que já obtêm muito do que precisam dos minerais do solo.
A irrigação pluvial também é um fator essencial para que a saúde das raízes seja mantida. Obviamente, aguar as plantas com água de beber ou da torneira não vai matá-las, mas pode ser um dos fatores para explicar aquela verdinha que “não vingou”.
Contudo, o que é verdade para as plantas não é, necessariamente, verdade para nós: não consuma água da chuva, ela pode conter níveis de acidez muito mais altos que a água normal e definitivamente, não fará bem para você.
por Yuri Ferreira / HYPENESS
GOIÁS/GO – O desmatamento no Cerrado brasileiro atingiu a maior alta em sete anos, mostraram dados do governo nesta quarta-feira, indicando a destruição de um habitat vital para espécies ameaçadas e liberando grandes quantidades de gases de efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas.
A destruição da vegetação nativa aumentou 25%, para 10.689 quilômetros quadrados, nos 12 meses até julho, em comparação com o mesmo período anterior, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área é maior do que o Líbano.
A Reuters antecipou na terça-feira o aumento na destruição do bioma, citando fontes. As estatísticas oficiais de desmatamento do Brasil vão de agosto a julho para minimizar o efeito das nuvens que atrapalham as imagens.
O Cerrado, a savana mais rica em espécies do mundo, deu lugar à expansão da fronteira agrícola do Brasil por décadas. Cerca de metade da vegetação do bioma já foi destruída, com grande parte convertida em fazendas e sítios.
Países presentes em uma cúpula da natureza COP15 da ONU em Montreal pretendem fechar um acordo para proteger e reverter a perda de áreas ricas em biodiversidade, como o Cerrado. Mas, com a cúpula marcada para terminar em 19 de dezembro, os negociadores ainda discordam em cerca de 200 pontos, de acordo com os documentos da conferência.
“O que comemos e como produzimos nossos alimentos são os principais impulsionadores dessa aniquilação em larga escala”, disse Jean-Francois Timmers, especialista em políticas da organização defensora do meio ambiente WWF.
“Precisamos que os negociadores da COP15 priorizem o fim do desmatamento e a conversão em áreas onde a taxa anual de perda de ecossistemas é alarmante, como o Cerrado”.
SÃO FRANCISCO DO GUAPORÉ/RO - A soltura de quelônios no rio Guaporé ocorreu no domingo, 11, em uma ação conjunta entre o Governo de Rondônia, acompanhada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental – Sedam, Batalhão de Polícia Ambiental – BPA e a Associação Comunitária Ecológica do Vale do Guaporé – Ecovale.
O governador Marcos Rocha enfatizou a atuação da Sedam e do BPA na busca do equilíbrio da espécie vulnerável e a recuperação gradual dos ambientes básicos de sobrevivência do quelônio do Guaporé. “O Estado busca fomentar essa ação na região coordenada pela Ecovale, essa importante organização não-governamental que também recebe investimento da iniciativa privada”, ressaltou o governador.
PROJETO QUELÔNIOS
O secretário da Sedam Marco Antônio Lagos esteve em São Francisco do Guaporé e acompanhou a coleta e a soltura dos quelônios. Segundo ele “o Projeto Quelônios da Amazônia apoia o Quelônios do Guaporé da Ecovale que atua há 23 anos nessa região com o objetivo de monitorar, proteger e assegurar a reposição de estoques naturais”, esclareceu ele.
De acordo com o comandante do BPA, Cel. Adenilson Silva Chagas, “desde 2020 o projeto ganhou reforço na fiscalização, com a vigilância permanente no rio Guaporé para evitar a prática de ações predatórias na fronteira Brasil-Bolívia”, reforçou.
Para o vice-presidente da Ecovale, Zeca Lula, “as tartarugas encontradas no Guaporé são a maior espécie de quelônio de água doce da América do Sul, podendo chegar um metro de comprimento e pesar até 75 quilos. Por isso a importância de preservar a espécie nessa região que é considerado o maior berçário dessa espécie do mundo”, comemora.
Esse é o resultado desse trabalho feito em conjunto. Para a gerente regional de gestão ambiental da Sedam Jemyllly Duarte “o Estado pretende conservar mais a espécie, melhorando nos próximos anos a fiscalização nas estações de desova e eclosão, e diminuindo a vulnerabilidade do quelônio”, detalha.
REPRODUÇÃO
A desova este ano aconteceu em outubro e a eclosão em dezembro, um pouco mais tarde que o normal. De acordo com o biólogo da Sedam Leandro Almeida “as espécies de quelônios que sempre povoaram as regiões do Guaporé aproveitam a faixa de areia branca exposta às margens onde cavam seus ninhos para a desova”, explica ele.
Após a eclosão, geralmente no mês de novembro, a equipe do projeto recolhe os filhotes dos ninhos. Devido a proximidade das covas é possível encontrar ninhos interligados por túneis. Depois de coletados os filhotes são levados para os tanques rede onde ficam até perderem o odor característico, que atrai os predadores. Após esse período é realizada a soltura em áreas mais seguras. A soltura ocorre sempre no mês de dezembro, este ano o evento reuniu centenas de pessoas na praia Belo Oriente em São Francisco do Guaporé. Já em liberdade os filhotes e adultos migram para as águas em busca de refúgio e alimentação, longe do maior predador, os seres humanos.
“Por meio deste manejo, esperamos aumentar a taxa de sobrevivência dos quelônios, que ao nascerem são frágeis e não conseguem se alimentar ou se proteger de outros animais silvestres. Então, nosso propósito é auxiliar as tartarugas para que aprendam a comer o que vão encontrar nos rios quando forem soltos”, explicou Zeca Lula.
por 025-SECOM - GOV/RO - Andreia Fortini
Newsrondonia
SÃO PAULO/SP - A Ilha da Queimada Grande, a 35 km do litoral paulista, é um dos lugares mais perigosos do mundo. Entra em qualquer lista de ambientes onde o ser humano não pode pisar (exceto com autorizações especiais).
A ilha pertence à Marinha do Brasil, mas o acesso não é liberado nem mesmo para os integrantes das Forças Armadas sem licença especial. Ali só podem entrar, também, pesquisadores, ambientalistas e cientistas com autorização.
O motivo é a quantidade impressionante de cobras. Queimada Grande é a segunda ilha com maior densidade populacional de cobras no planeta. Três mil cobras numa área de 430 mil m². Ou seja, 143 cobras a cada mil m². É como se houvesse 1.430 cobras a cada campo de futebol.
A Queimada Grande só perde em densidade de cobras para a Ilha de Shedao, na China, onde proliferam espécies locais, inclusive a espécie Gloydius blomhoffii.
A Ilha da Queimada Grande faz parte de uma unidade de conservação criada em 31/1/1984. Tem o título de "área de relevante interesse ecológico", ou seja, com proteção determinada por lei para a preservação da fauna e da flora.
A ilha tem fauna endêmica (que só existe lá), como a jararaca-ilhoa (justamente a cobra que existe em profusão no local - foto) e a perereca 'Scinax peixotei'
O mais antigo registro histórico da ilha data de 1532. O português Martim Afonso de Souza aportou na ilha durante uma missão colonizadora.
O nome Queimada Grande tem uma explicação: os marinheiros que iam à ilha antes da proibição (até porque o farol era operado manualmente) acendiam grandes fogueiras para espantar serpentes. E o fogo era visto do continente.
O Instituto Butantan explica que a jararaca-ilhoa remonta a 11 mil anos atrás, após a Era Glacial. Com o aumento da temperatura, a espécie se adaptou no isolamento.
A falta de predadores naturais e da intervenção humana permitiu a proliferação dessas serpentes num ambiente isolado e a ilha foi se consolidando como um dos lugares mais inóspitos do planeta.
Esta espécie desenvolveu adaptações, ficando com cauda longa, para agarrar, e escura na ponta, usada para imitar larvas de inseto e atrair presas.
O veneno da jararaca-ilhoa é estudado pelo Instituto Butantan, mas seu antídoto é pouco fabricado, justamente porque essas serpentes vivem em área de acesso restrito a pesquisadores.
Em 1911 o faroleiro Antônio Esperidião da Silva foi o responsável por enviar exemplares da jararaca-ilhoa para o Butantan, dando início às pesquisas com a espécie.
Desde 1925, um farol automático está instalado na parte mais plana da ilha, mantido e conservado pela Marinha. Mas sem necessidade de alguém no local.
Para duas cidades paulistas, a Ilha da Queimada Grande chama muito a atenção. Afinal, são os municípios mais próximos da ilha (a 35 km do litoral de São Paulo, entre essas duas cidades: Itanhaém e Peruíbe).
Itanhaém é um dos 15 municípios paulistas considerados "estâncias balneárias". Com 601 km², tem 104 mil habitantes, a 109 km da capital São Paulo.
Peruíbe é uma cidade com belas praias, turismo ecológico e turismo rural. Fica a 141 km da capital São Paulo e tem 67 mil habitantes em 326 km².
As jararacas-ilhoas são predadoras dos atobás-pardos, espécie que tem o hábito de botar ninhos em ilhas e que também se reproduz na Queimada Grande. As cobras capturam os pássaros e também comem os ovos.
As jararacas-ilhoas ficam em galhos com frequência, podendo capturar presas também no alto. Mas elas têm capacidade de passar meses sem alimento.
O jornalista Goulart de Andrade (1933-2016) entrevistou o herpetólogo (especialista em cobras) Marcelo Duarte, do Butantan, que disse: "Esse bicho não come mais que 3 pássaros por ano. Sobrevive com pouquíssimo alimento".
Que lugar, né? Você tem medo de cobras?
História por Flipar
SÃO PAULO/SP - Quando se pensa em Amazônia, a imagem que normalmente vem à cabeça é de uma floresta imensa, de árvores altas, com áreas de mata cortadas por grandes corpos d'água. Mas há diversas fisionomias amazônicas. E muitos não imaginam que o bioma também guarde ricos manguezais.
Isso mesmo: mangues amazônicos.
Quando se fala em Amazônia, tipicamente se faz menção à biodiversidade ali presente. Com os seus mangues, não é diferente. Especialmente, biodiversidade animal, diz Marcus Fernandes, coordenador do programa Promangue, do projeto Mangues da Amazônia, e responsável pelo Lama (Laboratório de Ecologia de Manguezal), na UFPA (Universidade Federal do Pará).
Enquanto as áreas de floresta concentram grande diversidade vegetal, o mesmo não é visto no mangue. São somente seis as espécies -três mangues-vermelhos, dois mangues-pretos e um mangue-branco- que dominam os manguezais brasileiros, diz Fernandes.
Expandindo um pouco mais e olhando também para as áreas de transição entre mangues e outras formações, a vegetação ganha riqueza.
Plantas de mangue precisam estar adaptadas à sobrevivência em áreas sob influência da água salgada do mar. O sal, inclusive, é um dos pontos de limitação de crescimento da vegetação de manguezais.
Mas nos mangues amazônicos a situação é um tanto diferente, com uma vegetação bastante desenvolvida, com árvores que chegam a até 40 metros de altura, diz o especialista da UFPA.
"Isso é uma característica de florestas de terra firme", diz Fernandes, citando árvores de mangue no Equador que chegam a até 60 metros de altura. "Isso não é uma coisa que a gente vê na costa, na beira do mar, então é meio difícil imaginar essa exuberância florestal. Sempre pensamos numa floresta menor."
E o que explicaria árvores tão mais desenvolvidas nos mangues amazônicos?
Segundo Fernandes, a enorme bacia de água doce que banha a região é um dos fatores. Além disso, os elevados índices de chuva na região amazônica também ajudam a, entre outras coisas, controlar o sal no ambiente.
Ou seja, diz Fernandes, em outras regiões de mangue, a vegetação local precisa gastar grande parte da sua energia para sobreviver. Já na Amazônia, a situação é mais favorável para um investimento maior de recursos no crescimento.
"Quanto maior esse manguezal, maior é o seu estoque de carbono", afirma o pesquisador.
Dentro do projeto Mangues da Amazônia, do Instituto Peabiru, Fernandes vem trabalhando com recuperação de áreas degradadas de manguezal. Com dois anos de existência, a iniciativa, que é patrocinada pela Petrobras e que já recebeu verbas do Fundo Amazônia, congelado por ações do governo Jair Bolsonaro (PL), já plantou cerca de 7 hectares e pretende chegar a 12 hectares até o fim do ano.
O projeto atua em três reservas extrativistas marinhas no Pará: a de Caeté-Taperaçu, a de Tracuateua e a de Araí-Peroba. Ou seja, são áreas em que pode haver algum tipo de exploração.
Agora você pode estar se perguntando: não são poucos hectares plantados para dois anos de ações? Especialmente ao se pensar que a região, segundo o pesquisador, tem cerca de 8.000 km² de mangues.
De certa forma, sim, considerando os tamanhos desproporcionalmente grandes que encontramos ao falar de Amazônia.
Mas, ao menos nesse momento, há pouca ameaça aos mangues amazônicos, e as áreas devastadas não são tão amplas, afirma o pesquisador. Trata-se de uma ação preventiva, afirma, baseada na educação das populações que já fazem uso tradicional do mangue.
"Todo mundo, do menino de três anos até o adulto, vai plantar com a gente. Brincamos de plantar manguezal, o que cria responsabilidade com o sistema. Entender que não tem que cortar, mas se precisar, ele sabe como fazer o replantio. É preventivo, é a educação ambiental. O replantio é um método de ensinar a proteger."
O projeto afirma ter atingido cerca de 6.000 pessoas direta e indiretamente. Como parte do processo de plantio, foram mantidos viveiros nas reservas extrativistas que são parte do projeto. Além disso, foram mapeadas áreas de retirada de caranguejo-uçá e de corte de madeira, com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento de planos de manejo para as reservas que ainda não os têm.
O pesquisador espera que, com a evolução dos mecanismos financeiros relacionados a carbono, os manguezais preservados da Amazônia acabem tendo mais dinheiro garantido para períodos maiores de tempo, o que poderia facilitar os projetos de preservação.
Apesar de a degradação não ser um problema tão grande nos mangues amazônicos, há alguns problemas em comum com os do resto do país. Entre eles, estão a questão do lixo e esgoto nos locais, a ideia de que são lugares improdutivos e um certo preconceito quanto ao cheiro costumeiramente não muito agradável desses locais ricos em material orgânico.
"Os que mais fedem são os melhores", brinca Fernandes, que aponta a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre a importância dos manguezais.
PHILLIPPE WATANABE / FOLHA de S.PAULO
AUSTRÁLIA - Uma pesquisa da Universidade James Cook, na Austrália, concluiu que as mudanças climáticas podem provocar impactos terríveis até mesmo sobre os insetos. De acordo com o estudo, os efeitos da ação humana sobre o meio ambiente reduzirão drasticamente as populações de insetos no planeta.
O “apocalipse” dos insetos também agravará o quadro ambiental da humanidade e da Terra, causando um desequilíbrio extremo na cadeia alimentar, na biodiversidade e no próprio funcionamento da natureza.
A explicação para a potencial extinção que as mudanças climáticas podem impor sobre os insetos está no aumento da temperatura e o fato de esses animais serem ectotérmicos, ou terem pouca capacidade de regular a temperatura corporal. Dessa forma, a elevação do calor na Terra coloca os insetos em situação especialmente ameaçada, diante da previsão de elevação da temperatura entre 2ºC e 5ºC até 2100.
“Um conjunto crescente de evidências mostra que muitas populações de insetos estão diminuindo rapidamente em muitos lugares. Esses declínios são de profunda preocupação, com o termo ‘apocalipse de insetos’ sendo cada vez mais usado pela mídia e até mesmo por alguns cientistas para descrever esse fenômeno”, afirmou William Laurance, da universidade australiana, e um dos autores do estudo. Além da variação de temperatura, o estudo demonstrou que as mudanças climáticas afetam os insetos por outros efeitos, como a poluição, redução dos hábitats e a predação.
O desequilíbrio causado por uma redução ou extinção dos insetos impacta diretamente na saúde do planeta e da humanidade, já que tais animais são determinantes na polinização, no controle de pragas e na reciclagem de nutrientes, em conclusão que agrava ainda mais a urgência de recuperar áreas afetadas e conter o impacto da ação humana.
“As evidências são claras e impressionantes. Precisamos agir agora para minimizar os impactos nas populações de insetos — sabemos como fazê-lo, mas a tomada de decisões e o financiamento necessário continuam sendo empurrados pelo caminho”, concluiu o pesquisador.
Vitor Paiva / HYPENESS
SANTOS/SP - Pelo menos 33 golfinhos da espécie conhecida como doninha foram encontrados mortos em praias da Baixada Santista no período de pouco mais duas semanas, de 30 de setembro a 15 de outubro. As mortes podem ter relação com o aumento na poluição do mar e também devido à pesca com rede.
Outro motivo apontado por especialistas seria a estação do ano, já que a primavera marca o nascimento de filhotes, o que pode acarretar um maior número de encalhes, já que esses animais acabam ficando mais vulneráveis.
Só neste ano já foram achados mortos 183 animais nas praias do litoral de São Paulo, de acordo com o Instituto Gremar, responsável por trecho do Programa de Monitoramento das Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
Como esse tipo de espécie se aproxima da costa para reproduzir, a expectativa dos especialistas é a de que o número deste ano supere o total de perdas do ano passado, quando houve 235 mortes de doninhas. Em 2020, haviam sido 173.
O Instituto Gremar aponta que a toninha é uma das menores espécies de golfinho do mundo e exista apenas na América do Sul, especificamente entre o Espírito Santo, no Brasil, e o Golfo San Matias, na Argentina.
Está criticamente em perigo, segundo a lista oficial das espécies brasileiras ameaçadas. Apelidada de “golfinho invisível” por ser animal raro e muito tímido, ela não salta para fora da água como outros golfinhos.
A presença das doninhas é comum nesta época em águas rasas do litoral, próximas da costa, porque se trata de período de reprodução. Entre os seus alimentos estão peixes como sardinha, pescadinha e manjuba, o que atrai também pescadores adeptos de redes para a prática. Como esse animal tem focinho longo, acaba ficando preso às redes de pesca.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está monitorando a situação das toninhas e diz estar apoiando parceiros que buscam a conservação da espécie.
Francisco Lacerda / ISTOÉ DINHEIRO
ALASCA - Bilhões de caranguejos-das-neves desapareceram das águas do Mar de Bering, no Alasca, preocupando as autoridades locais e interferindo na temporada de pesca da região.
Segundo o Conselho de Pesca do Alasca e o Conselho de Gestão da Pesca do Pacífico Norte, a população do crustáceo ficou abaixo do limite regulamentar para que a pesca seja liberada no Alasca, fazendo com que a colheita dos caranguejos-das-neves fosse cancelada pela primeira vez.
Os números chamam a atenção: segundo o pesquisador do Departamento de Pesca e Caça do Alasca Benjamin Daly, em 2018 cerca de 8 bilhões de crustáceos eram encontrados no Mar de Bering, e em 2021 esse número caiu para 1 bilhão. As informações são da CNN.
A pesca de outra espécie de caranguejo, o caranguejo-real vermelho de Bristol Bay, também foi suspensa pelo segundo ano consecutivo, conforme informaram as agências de notícias locais.
De acordo com as autoridades, a sobrepesca é o que fez as temporadas serem interrompidas. Mais caranguejos do que o permitido estava sendo capturados. No entanto, a pesca excessiva não é suficiente para causar esse impacto no mar do Alasca.
Contudo, este não é o principal motivo do desaparecimento dos crustáceos. A mudança climática provocada pelo homem é o que contribuiu significativamente para a diminuição dos caranguejos-das-neves, que são encontrados nas águas com temperaturas abaixo de 2 graus Celsius.
Cientistas apontam que com o aquecimento global as temperaturas ao redor do Ártico aqueceram quatro vezes mais rápido do que no resto do mundo, desencadeando perda de gelo marinho na região, principalmente no Mar de Bering.
Marina Teodoro / ISTOÉ DINHEIRO
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.