SÃO PAULO/SP - O papagaio é uma ave da família psittacidae, em conjunto com araras, periquitos, tuins, maracanãs, apuins, cacatuas, jandaias e caturritas. Essa família tem como características o bico curvo, estreito e afiado, que facilita a alimentação da ave. A sua alimentação é baseada em frutos e sementes. Entretanto, é comum encontrar papagaios se alimentando de terra, que contém nutrientes essenciais para a sua saúde.
As suas patas são formadas por quatro garras que contribuem para manter o animal firme nos galhos das árvores. Ele tem um comprimento que varia de 30 a 40 centímetros e costuma viver em bandos. Além disso, é a única ave que reproduz a voz humana.
A relação entre os papagaios é monogâmica. Isso significa que, ao atingirem a fase adulta, encontram seu par e permanecem com ele até o fim da vida. A reprodução desses animais ocorre em uma época específica do ano, entre os meses de agosto a fevereiro.
Eles se alojam em um local escolhido pelo casal, geralmente buracos das árvores. Nele, será construído o ninho para receber os ovos e, posteriormente, os filhotes. O tempo de desenvolvimento do papagaio dentro do ovo varia entre 25 e 30 dias. Ele nasce sem penas e com os olhos fechados.
Por isso, os papagaios recém-nascidos são animais frágeis, que dependem dos cuidados dos pais para sobreviver. Após esse período, que dura cerca de 2 meses, os filhotes estão prontos para buscar alimentos sozinhos.
De acordo com um estudo, o papagaio é um animal que vive por longos períodos. Essa expectativa de vida está relacionada com o tamanho do cérebro do animal. Quanto maior a capacidade cognitiva da espécie, melhor o seu desempenho em fugir de ameaças.
Ele está presente em várias partes do mundo, sobretudo no hemisfério Sul, e é encontrado com abundância no Brasil. Em 1500, os colonizadores europeus apelidaram o país de Terra dos Papagaios, devido à presença desses psitacídeos.
Existem 13 espécies de papagaios brasileiros distribuídos ao longo dos biomas. Algumas espécies habitam em mais de um bioma, como é o caso do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), o mais comum dos papagaios do gênero Amazona. O gênero Amazona abrange praticamente todos os papagaios presentes no Brasil.
Na Amazônia, bioma com maior número de espécies do Brasil, existem cerca de sete espécies de papagaio. Em segundo lugar está a Mata Atlântica, que abriga seis espécies. No Pantanal e no Cerrado habitam três espécies, na Caatinga, duas. E, por fim, no Pampa, vive apenas uma espécie de papagaio.
O Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios (PAN Papagaios) foi inaugurado em 2010. Ele é constituído por um conjunto de ações que atuam na conservação de espécies ameaçadas.
Além das espécies ameaçadas, estão incluídas espécies que são foco do tráfico de animais, o papagaio-verdadeiro e o papagaio-moleiro. Atualmente são seis espécies consideradas ameaçadas de extinção no Brasil. Confira os papagaios que fazem parte do PAN Papagaios:
O papagaio mais comum é o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva). Ele tem um comprimento de 36 centímetros e vive aproximadamente 60 anos, podendo alcançar os 80 anos. Durante a sua vida, o papagaio tem entre 3 e 4 anos de tempo reprodutivo, gerando de um a seis ovos em cada ciclo.
No Brasil, ele está presente no centro-oeste, sul, sudeste e nordeste. Os biomas brasileiros que contam com a sua presença são a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal. Entretanto, também é encontrado em países vizinhos, como o Paraguai, a Argentina e a Bolívia.
Esse papagaio é o mais capturado na natureza, devido a sua facilidade em reproduzir a voz humana. A captura é focada em seus filhotes e ovos, para serem destinados ao tráfico ilegal. De acordo com o ICMBio, essa espécie é considerada quase ameaçada à extinção.
O papagaio-moleiro mede 40 centímetros de comprimento, vive mais de 40 anos e atinge a maturidade sexual entre os 3 e 4 anos. Ele é capaz de gerar de dois a quatro ovos por reprodução. Esse papagaio está presente na Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
O bioma predominante da espécie é a Amazônia, mas também é encontrado na Mata Atlântica, onde ocorre a maior parte da sua captura para o tráfico de animais. O papagaio-moleiro é uma das espécies mais ameaçadas pelo tráfico. A condição da espécie é considerada pouco preocupante, entretanto o grau de vulnerabilidade varia de acordo com o estado.
Na Bahia e no Rio de Janeiro, o papagaio é considerado vulnerável. Em São Paulo, é considerado ameaçado de extinção, enquanto no Espírito Santo e em Minas Gerais é considerado criticamente ameaçado e criticamente em perigo, respectivamente.
O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) mede cerca de 36 centímetros, com um tempo de vida superior a 40 anos e maturidade sexual atingida entre 3 e 4anos. Cada processo reprodutivo gera de dois a quatro ovos.
Essa é uma espécie típica do litoral, no bioma Mata Atlântica. Ele é encontrado do norte de Santa Catarina até o sul de São Paulo. A principal árvore escolhida para construir seus ninhos é o Guanandi, uma árvore alta presente na região. Além de abrigo para os seus filhotes, essa árvore fornece frutos para a sua alimentação. Essa espécie é considerada quase ameaçada de extinção pelo ICMBio.
O papagaio-de-peito-roxo mede cerca de 35 centímetros de comprimento e vive por mais de 40 anos. Durante a sua vida, ele atinge a maturidade sexual por volta dos seus 4 anos, produzindo de dois a quatro ovos por reprodução. A espécie é classificada como vulnerável e é mais encontrada em Unidades de Conservação.
Esse papagaio (Amazona cinacea) era abundante no território brasileiro, além do Paraguai e da Argentina. Ele estava presente nos estados da Bahia, Espírito Santo e de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Atualmente, corre risco de extinção nos três países. No Brasil, a ave é encontrada em maior quantidade no estado de Minas Gerais.
O papagaio-chauá tem um tempo de vida de mais de 40 anos e mede cerca de 35 centímetros. A idade em que a espécie passa a se reproduzir varia entre 3 e 4 anos, gerando de 2 a 5 ovos por reprodução. Ele habita em florestas úmidas presentes no litoral do Brasil, em uma altura que varia do nível do mar até 800 metros.
Ele está presente do estado de Alagoas até o Rio de Janeiro, mas também é encontrado em Minas Gerais. Esse papagaio é endêmico da Mata Atlântica e é classificado como vulnerável. Com o avanço do desmatamento ambiental, provocado pelo setor agropecuário e a urbanização, a sua existência é comprometida.
O papagaio-charão vive por mais de 40 anos, tem 32 centímetros de comprimento e atinge a maturidade sexual entre 3 e 4 anos. Cada ciclo reprodutivo da espécie é capaz de gerar entre 2 e 4 ovos.
Ele é encontrado em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O papagaio se alimenta de pinhões de pinheiro-bravo e araucária. Para encontrar alimento, costuma percorrer um longo percurso em grupos. Esse papagaio é uma ave migratória, que percorre diferentes municípios durante os meses de abril e julho.
O papagaio-charão não é muito encontrado em Unidades de Conservação, a sua presença se dá, principalmente, em propriedades privadas com a presença de araucárias. De acordo com o ICMBio, essa espécie é considerada vulnerável.
AMAZÔNIA - Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação são as áreas que mais contribuíram com a preservação e regeneração da Amazônia Legal nos últimos anos, aponta artigo publicado na revista científica Biological Conservation em março.
Enquanto nos Territórios Quilombolas e nas Unidades de Conservação as taxas de perda de vegetação nativa foram cerca de 6 vezes menores que em áreas não protegidas da Amazônia, nas Terras Indígenas tais taxas chegaram a ser 17 vezes menores. O período analisado compreendeu os anos entre 2005 e 2012.
No caso das Unidades de Conservação, a pesquisadora responsável pelo estudo, Helena Alves Pinto, do departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atribui as taxas de preservação da biodiversidade ao uso restrito dessas terras.
“As Unidades de Conservação têm uma série de restrições quanto às atividades. Em algumas unidades, por exemplo, são permitidas somente atividades de cunho educacional ou de pesquisa. Em outras, é permitido o extrativismo sustentável, mas não a agropecuária, por essa estar ligada ao desmatamento”, afirma Pinto.
O estudo analisou as taxas de preservação florestal de todas as Unidades de Conservação da Amazônia, tanto as de uso sustentável, como Florestas Nacionais e Reservas Extrativistas, como as de proteção integral, onde se enquadram, por exemplo, áreas com sítios naturais e Reservas Biológicas.
Em relação às Terras Indígenas e Territórios Quilombolas, a pesquisadora destaca a importância da restrição de circulação de pessoas nas terras demarcadas.
“Estudos anteriores mostraram que, a partir do momento que um território indígena ou quilombola foi demarcado, começou a diminuir o desmatamento nessas terras. A principal explicação é porque a demarcação diminuiu o número de pessoas circulando dentro das áreas, restringindo a entrada somente a indígenas ou quilombolas”, diz a pesquisadora.
“Nosso estudo confirma que a demarcação ajuda a combater a entrada de invasores em Terras Indígenas e Quilombolas, e que esses povos preservam a biodiversidade”, explica Pinto.
Restauração dos ecossistemas
Mais que decisivos para a preservação, o estudo também mostra que territórios indígenas e quilombolas demarcados contribuíram de duas a três vezes mais para a regeneração da vegetação nativa entre 2012 e 2017.
“Fala-se muito em diminuir o desmatamento, mas só isso não basta mais para recuperarmos as funções da Floresta Amazônica. É fundamental começarmos a recuperar as áreas desmatadas, recuperar a vegetação nativa, recuperar o ecossistema como um todo”, afirma a pesquisadora da UFRJ.
Pinto dá como exemplo de ação regenerativa uma prática adotada por alguns povos conhecida como sistema de corte e queima.
“Esses indígenas cortam uma área pequena, de mais ou menos um hectare de floresta, queimam e plantam. Depois de um tempo, eles colhem e deixam a área, para que ela se regenere de forma natural”, descreve.
Um estudo liderado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicado em 2021 na revista Nature, alertou que, pela primeira vez, a Amazônia passou a emitir mais carbono do que consegue absorver, deixando de retirar da atmosfera 0,19 bilhões de toneladas de CO2 por ano.
O desmatamento tem comprometido a função da Amazônia de capturar e estocar carbono da atmosfera, principal vilão do aquecimento global. Prova disso, segundo os pesquisadores do Inpe, a área mais comprometida está no sudeste da floresta, na região do Arco do Desmatamento.
Em março, um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change alertou que a Amazônia está se aproximando rapidamente do seu ponto de não-retorno — estágio em que a devastação transformará a floresta tropical em savana.
Invasões e desmatamento
O estudo liderado por Pinto analisou somente as Terras Indígenas já homologadas pela Funai e não separou os dados por unidade. “Olhamos para o mosaico de terras protegidas e já homologadas e comparamos com a sua área de controle”, diz.
Assim, o estudo não analisa quais são as Terras Indígenas homologadas mais preservadas da Amazônia.
Por outro lado, dados do Prodes/Inpe mostram que as Terras Indígenas mais desmatadas entre 2011 e 2021 foram as localizadas no Pará, estado que mais vem desmatando a Amazônia desde meados da década passada. São as TIs Cachoeira Seca, com 304 mil km2 desmatados em dez anos; Apyterewa, com 266 mil km2; e Ituna/Itatá, com 220 mil km2.
Vale ressaltar que o desmatamento explodiu nas três Terras Indígenas em 2019 e 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro, anos em que as taxas de desmatamento ilegal bateram recorde em toda a Amazônia.
Um levantamento do Instituto Socioambiental (ISA) sobre perda de vegetação na bacia do Rio Xingu publicado em 2021 mostra que essas três Terras Indígenas sofrem pressão de mineração ilegal, roubo de madeira e de grilagem. No interior da TI Apyterewa já existe uma vila de invasores, que pediram na Justiça recentemente a reversão da homologação da Terra Indígena para que a área pudesse ser explorada.
Quanto às Unidades de Conservação, a mais desmatada da Amazônia nos últimos dez anos também está no Pará. Trata-se da Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, próxima à TI Apyterewa, que registrou 2.902 mil km2 de desmatamento entre 2011 e 2021, segundo dados do Inpe.
Ambos as reservas estão sobrepostas ao município de São Félix do Xingu, que tem o maior rebanho de bovinos do Brasil, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“A Amazônia já perdeu 20% de toda a sua vegetação nativa. Sabemos que as Terras Indígenas e as Unidades de Conservação mais afetadas são as próximas ao Arco do Desmatamento, uma área com expansão muito grande da agropecuária, o principal vetor do desmatamento na Amazônia”, diz Pinto.
Ameaças no Congresso
O Brasil tem 722 Terras Indígenas. Dessas, apenas 487 foram homologadas. Somente na Amazônia, são mais de 300 territórios aguardando o processo de demarcação, de acordo com dados do ISA. A entidade não inclui as Terras Indígenas de povos isolados.
A demarcação de Terras Indígenas é um direito dos povos originários do Brasil e deveria ter sido concluída pela Funai em 1993, de acordo com a Constituição Federal de 1988.
Um levantamento do MapBiomas publicado no ano passado já havia mostrado que as Terras Indígenas são os territórios mais preservados da Amazônia, apesar do avanço de invasores. O estudo analisou tanto as terras já homologadas (que finalizaram o processo de demarcação) como as que ainda aguardam o processo, e mostrou que, no período entre 1985 e 2020, apenas 1,6% da perda de vegetação nativa no Brasil ocorreu em Terras Indígenas.
Apesar de os dados mostrarem a importância da demarcação e da restrição de uso desses territórios aos indígenas, dois projetos de lei em votação no Congresso Nacional pretendem abrir Terras Indígenas para grandes projetos de infraestrutura e mineração (PL nº191/2020) e frear o processo de demarcação das mais de 400 Terras Indígenas que ainda aguardam para serem demarcadas (PL nº490/2007).
Nenhuma Terra Indígena foi demarcada em todo o Brasil desde 2019, durante todo o governo Bolsonaro. Esta é a primeira vez, desde a redemocratização do país (1985), que um governo não demarca nenhum território indígena no país.
por Lais Modelli / Mongabay Brasil
Elemento importante para o desenvolvimento das plantas, potássio é um dos minerais mais abundantes na Terra
SÃO PAULO/SP - O potássio é o 7º elemento mais abundante na crosta terrestre. Ele é importante para o desenvolvimento das plantas, pois ajuda a manter o equilíbrio ambiental e eleva a produtividade agrícola. No corpo humano, o potássio atua regulando a pressão arterial e evitando doenças como a osteoporose.
Importância ambiental
O potássio é o 7º elemento mais abundante no planeta Terra e o 19º no Universo. Ele está presente em minerais silicáticos, como o feldspato. Esses minerais são encontrados na composição de rochas e no solo.
A partir da erosão das formações rochosas, o potássio é depositado no solo, contribuindo para a manutenção do ecossistema. Esse elemento é importante para o desenvolvimento das espécies vegetais, contribuindo para a manutenção da flora em ecossistemas.
Onde encontrar o potássio?
O potássio está presente em corpos d’água, como lagos e mares. Esses ambientes são chamados de salmouras naturais, e são caracterizados por suas águas densas e elevado grau de evaporação.
Outro ambiente que tem grandes quantidades de potássio é o depósito de evaporitos, que são sedimentos formados por sais. Além disso, o potássio está presente em rochas que têm em sua composição os silicatos, como o feldspato, o feldspatoide, a argila e a mica. Essas rochas podem ser ígneas, metamórficas ou sedimentares.
Existem reservas de potássio por todo o mundo. O Canadá é o país que detém a maior quantidade de reservas, com 62,6% do total no mundo. Em seguida, está a Rússia, com 12,5%. As reservas de potássio do Brasil estão em 7%, e localizam-se principalmente no Sergipe e no Amazonas. Essas reservas têm cerca de 13,03 milhões de toneladas ao todo, com uma porcentagem de potássio de aproximadamente 24%.
Agricultura
Além da sua importância para o meio ambiente, o potássio tem um papel fundamental no cultivo agrícola. A aplicação de potássio em solos agrícolas contribui para a ativação de mais de 60 enzimas presentes na planta, que favorecem processos como a fotossíntese.
O potássio promove o equilíbrio da quantidade de água presente no organismo das plantas. Outro papel importante é o aumento da absorção de nitrogênio. De acordo com um estudo, o potássio aumenta a produtividade agrícola, gerando mais produtos em menos tempo.
As rochas compostas por feldspatos e feldspatoides alcalinos são as principais exploradas para a produção de fertilizantes. Entretanto, elas podem ser aplicadas diretamente na plantação, o que leva à uma liberação mais lenta do potássio no solo.
Os principais feldspatos utilizados para essa finalidade são o microclínio e o ortoclásio, enquanto que os feldspatoides que se destacam são a leucita e a mica. Apesar disso, os feldspatoides são menos abundantes no meio ambiente, o que faz com que os feldspatos sejam mais utilizados.
O potássio é um dos principais elementos aplicados nas plantações para a fertilização. Ele pertence ao grupo de fertilizantes NPK, nitrogênio, fósforo e potássio, os elementos de maior importância para o desenvolvimento vegetal. A proporção adequada para a fertilização NPK é 15% de potássio, 61% de nitrogênio e 24% de fósforo.
Importação de potássio para o Brasil
O Brasil é o segundo maior importador de potássio do mundo, com um consumo de aproximadamente 16% do potássio no mundo. Em conjunto com a China, os Estados Unidos e a Índia, consome cerca de 60% do potássio destinado à fertilizantes.
Isso porque os solos brasileiros têm poucas quantidades desse mineral. Além disso, a exploração do potássio brasileiro pode colocar em risco a conservação de áreas ambientais, que são protegidas de acordo com a legislação.
Os principais países exportadores de potássio são Canadá, Estados Unidos, Rússia e Bielorrússia. Dados de 2013 indicam que as importações de potássio no território brasileiro foram realizadas principalmente pelo Canadá (31,6%), seguido da Alemanha (16,5%), Rússia (15,6%), Bielorrússia (14,9%) e Israel (9,4%).
Impactos ambientais
O uso de potássio no solo para o cultivo agrícola pode elevar a quantidade de potássio presente em corpos hídricos por conta do processo de lixiviação. A lixiviação ocorre quando a água da irrigação ou da chuva carrega os nutrientes presentes no solo até os lençóis freáticos ou cursos d’água. Dessa forma, o potássio contamina a água e prejudica ecossistemas aquáticos.
Além disso, a mineração de potássio resulta no desmatamento da flora nativa, afetando a biodiversidade dos ecossistemas e o equilíbrio ecológico.
Saúde
No corpo humano, o potássio auxilia os tecidos celulares e o metabolismo. De acordo com um estudo, uma alimentação rica em potássio pode ajudar a controlar a pressão arterial, evitando o surgimento de doenças cardiovasculares. O estudo indica que a ingestão adequada de potássio é de 3510 mg por dia.
Além disso, o nível adequado de potássio no organismo pode impedir o surgimento de doenças como a osteoporose, além de equilibrar o pH na corrente sanguínea.
Confira a lista de alimentos ricos em potássio para incluir na sua alimentação:
Luiza Caballero / ECYCLE
INDONÉSIA - O governo da Indonésia anunciou, no último dia 24 de março, que um novo filhote de rinoceronte-de-sumatra está no mundo! A espécie, que é ameaçada de extinção, tem visto uma redução de sua população nas últimas décadas devido a atividade de caçadores.
O pequeno rinoceronte-de-sumatra nasceu no Santuário de Rinocerontes-de-Sumatra (SRS), no Parque Nacional Way Kambas. A chegada do filhote foi muito celebrada porque sua mãe, Rosa, perdeu oito gestações anteriores.
Estima-se que apenas 80 rinocerontes-de-sumatra existam no planeta Terra. Antigamente, a espécie vivia em todo o sudeste asiático, mas hoje está limitada a apenas dois países.
Hoje, a conservação dos animais é feita majoritariamente em parques nacionais na Indonésia e na Malásia. O pai do pequeno rinoceronte-de-sumatra é Andatu, o primeiro rinoceronte dessa espécie nascido em cativeiro, e Rosa.
Junto do novo bichinho – que ainda não ganhou um nome -, vivem as fêmeas Bina, Ratu e Delilah, e os machos Andalas e Harapan.
“Minha profunda gratidão pelo trabalho da equipe de veterinários e tratadores que acompanharam continuamente o desenvolvimento da gravidez e os cuidados pós-natais da rinoceronte Rosa”, explicou Wiratno, um porta-voz do Ministério do Meio Ambiente e Florestas (MOEF) da Indonésia.
“A gravidez de Rosa representa uma nova esperança para esta espécie criticamente ameaçada”, ressalta Nina Fascione, diretora-executiva da fundação Indonesian Rhino Foundation (IRF), uma das principais organizações de defesa da espécie no planeta.
Redação Hypeness
RIO DE JANEIRO/RJ - Uma onça-parda foi registrada em uma área florestal em Maricá, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro. O grande felino, que não aparecia na região há mais de 100 anos e era considerado localmente extinto, foi observado em câmeras de monitoramento do Refúgio de Vida Silvestre de Maricá (Revimar), uma unidade de conservação fluminense.
Onça-parda foi flagrada em região de Mata Atlântica; animal estava desaparecido do local há mais de 100 anos; registro foi feito por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Ameaçada de extinção
Além da onça-parda (também conhecida como suçuarana), também foi registrado um gato maracajá, outro felino de grande porte comum da Mata Atlântica. Ambos os animais são raros na região e são considerados ameaçados de extinção por biólogos.
“A presença destes predadores de topo de cadeia em nossas áreas protegidas é um bioindicador da qualidade das nossas florestas. Nosso município possui mais de 50% de seu território inserido em Unidades de Conservação e esse acostamento através do trabalho de monitoramento realizado pela Prefeitura de Maricá vem coroar nossas ações”, afirmou o secretário de Cidade Sustentável, Helter Ferreira, em nota da comunicação da cidade.
A Revimar ocupa cerca de 25% do território de Maricá, que possui outros diversos ambientes de conservação do meio-ambiente. Por conta da boa preservação do local e graças ao monitoramento de vídeo das florestas, é possível ver que o espaço tem comportado a biodiversidade da Mata Atlântica.
“A onça parda e o gato maracajá estão ameaçados de extinção. A presença deles é para se comemorar, mas também para aumentarmos a vigilância e proteção. Estamos monitorando a fauna do Revimar 24 horas por dia. A equipe conta com profissionais da UERJ, da prefeitura das polícias”, explica Izar Aximoff, do Núcleo de Fotografia Cientifica Ambiental da UERJ.
“Esses animais não representam perigo para sociedade. Existe um pequeno risco para animais que são criados soltos no entorno do Revimar, como galinhas, porcos e bezerros por exemplo. Vamos iniciar campanha orientando esses proprietários a realizarem medidas que diminuam o risco de ataque como, por exemplo, a colocação de cercas elétricas e recolher os animais no período noturno. Na verdade, existem muitas presas para esses felinos dentro do Revimar e quem corre mais perigo são eles mesmos devido a caça”, completou o pesquisador.
Redação Hypeness
EUA - Preservando amostras genéticas de mais de 1.200 espécies e subespécies em técnica de criopreservação, o The Frozen Zoo (ou “Zoológico Congelado”, em tradução livre), nos EUA, é o maior repositório do tipo em todo o mundo, e vem se tornando ponto de partida para a salvação de espécies ameaçada e mesmo reintrodução de espécies já extintas – através da clonagem. Localizado dentro do Instituto de Pesquisa em Conservação do Zoológico de San Diego, na Califórnia, o “Zoológico Congelado” já forneceu material para clonar quatro espécies ameaçadas, a partir das amostras de mais de 10,5 mil animais individuais armazenadas no local em temperaturas próximas de −200 °C.
O The Frozen Zoo, no Zoológico de San Diego, foi o primeiro “Zoológico Congelado” estabelecido no mundo, iniciado em 1972 pelas mãos do médico e geneticista alemão Kurt Benirschke, que trabalhava como pesquisador na Universidade da Califórnia, e decidiu começar a coletar amostras da pele de espécies ameaçadas de extinção. Curiosamente, Benirschke ainda não tinha planos concretos sobre o que viria a fazer com o material que estava preservando: ele simplesmente acreditava que ferramentas futuras poderiam utilizar as amostras para salvar os animais. “Havia um pôster pendurado no Frozen Zoo que dizia, ‘Você deve coletar coisas por razões que ainda não compreende’”, recorda Oliver Ryder, geneticista no Zoológico e um dos colaboradores iniciais do trabalho.
Pitangueiras, limoeiros, aceroleiras, ingás, helicônias e bromélias se juntam, formando um corredor para acolher as 23 espécies de beija-flores dentre as mais de 160 variedades de pássaros que voam livremente pelo Jardim dos Beija-Flores. Inaugurado em 2017 dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Pedra D’Antas, em Pernambuco, o jardim já recebeu mais de 2.600 pessoas.
A criação do jardim, a gestão dos 362 hectares da RPPN Pedra D’Antas e a restauração florestal são algumas das ações que fazem parte do Projeto Mata Atlântica do Nordeste, da Save Brasil, que tem como objetivo conservar e aumentar a conectividade de fragmentos remanescentes de Mata Atlântica da Paisagem Serra do Urubu-Murici, localizada entre Pernambuco e Alagoas.
Entre as aves que frequentam os 700 metros quadrados do jardim estão o beija-flor-de-costas-violetas (Thalurania watertonii), espécie endêmica da Mata Atlântica considerada em perigo na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), e a saíra-pintor (Tangara fastuosa), ave de cores chamativas, endêmica da zona da Mata Atlântica ao norte do rio São Francisco e classificada como vulnerável.
Curiosamente, o jardim destinado a atrair os alados e a servir de espaço educativo contra a cultura do engaiolamento ainda muito forte na região viceja no mesmo local ocupado antigamente pela casa-grande do então Engenho Pedra D’anta, no período do Brasil colonial. A gente sai de uma história de exploração, não só ambiental, mas humana, e a gente chega num reduto de vida, diz Bárbara Cavalcante, coordenadora do Projeto Mata Atlântica do Nordeste.
Aves raras
Na região Nordeste, ao norte do rio São Francisco rio que consiste em barreira geográfica instransponível para algumas espécies de aves fica a porção mais degradada do bioma Mata Atlântica. O chamado Centro de Endemismo de Pernambuco (CEP), que abrange as florestas costeiras dos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, possui apenas 5% de sua cobertura florestal original e abriga espécies endêmicas ameaçadas de extinção.
Estima-se que, na área, 70 mil hectares de mata estejam preservados. Trata-se, porém, de fragmentos florestais dispersos numa paisagem urbanizada com predominante uso do solo para cana-de-açúcar e pasto. Poucos fragmentos estão efetivamente protegidos e muitos encontram-se dentro de propriedades privadas, gerando ainda maior pressão sobre as espécies endêmicas, que têm sua distribuição geográfica restrita, como é o caso da choquinha-de-alagoas (Myrmotherula snowi). Segundo monitoramento da Save, essa espécie tem sua última população com menos de dez indivíduos vivendo dentro da Estação Ecológica (Esec) de Murici.
De acordo com a BirdLife International, responsável pela sinalização das Áreas Importantes para a Conservação das Aves e da Biodiversidade (IBAs, na sigla em inglês), o Brasil possui 234 regiões prioritárias. Duas delas, a Serra do Urubu, em Pernambuco, e Murici, em Alagoas, estão localizadas no CEP e abrigam 7 mil hectares de florestas e 343 espécies de aves, sendo 18 ameaçadas de extinção. Dentre elas, 16 são espécies endêmicas da Mata Atlântica e cinco ocorrem apenas na região do CEP.
Os dois fragmentos, Serra do Urubu e Murici, são núcleos do Projeto Mata Atlântica do Nordeste, que atua na região desde o ano 2000. Monitoramentos realizados na Serra do Urubu há 17 anos apontam para o aumento da diversidade de aves. O número total de espécies de aves registradas saltou de 105, no primeiro ano de monitoramento, para 287, no último monitoramento realizado em dezembro do ano passado, explica Bárbara.
Ainda que o resultado seja animador, o cenário é frágil. Estudo publicado na revista científica Frontiers in Ecology and Evolution afirma que, nas últimas décadas, sete espécies de aves foram apontadas como provavelmente extintas na Mata Atlântica, sendo que quatro delas tinham como habitat o CEP.
Para além da ameaça que paira sobre a choquinha-de-alagoas, em 2019 o limpa-folha-do-nordeste (Phylidor novaesi) foi declarado extinto desde 2011 a Save já não observava a ave em seus monitoramentos. Também em 2019, o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), descrito em 2014 como nova espécie endêmica da região, foi declarado extinto. O caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) e o mutum-do-nordeste (Pauxi mitu ou Mitu mitu), também da região, juntam-se à lista dos possivelmente extintos. O último sobrevive em cativeiro com tentativas de reintrodução na natureza.
Para aumentar as chances das espécies que têm a distribuição geográfica restrita, o Projeto Mata Atlântica do Nordeste incentiva a restauração florestal, buscando conectar fragmentos isolados de mata. Até 2023 temos a meta de implementar 70 hectares de floresta. Até agora, implementamos em oito sítios, entre Pernambuco e Alagoas, a soma de 12,9 hectares. E até julho deste ano serão implementados, pelo menos, 50 hectares, afirma Bárbara.
Considerando que grande parte dos fragmentos de Mata Atlântica estão nas mãos de pessoas físicas, o projeto também incentiva a criação de RPPNs. Aqui em Lagoa dos Gatos (Pernambuco) a gente vai ter uma RPPN de 3 hectares, conta Bárbara, referindo-se à participação de um proprietário rural que também aderiu à restauração florestal. Eles vão restaurar uma área de pasto e vão proteger esse fragmento de 3 hectares.
Retorno do passaredo
Isso aqui é uma vitrine. Eu mostro pro pessoal, sempre levo eles pra dentro do projeto, conta João. Não é só plantar árvore, mas também cuidar e ver os pássaros voltando. Ver as abelhas polinizando. Isso tudo é benefício.
João Evangelista de Lima é proprietário de um sítio de 40 hectares, herança de família. Depois de 20 anos morando em São Paulo, João fugiu do trânsito e voltou para a mata de Alagoas, próxima à Esec Murici. O vale é cheio de águas, nascentes, rios, temos uma faixa de Mata Atlântica que faz parte da Esec Murici. É um vale, a coisa mais linda que eu já vi.
Atualmente, 30 hectares de seu sítio são destinados ao plantio de banana prata. Em áreas menores crescem coco, laranja e banana-da-terra.
O pessoal aqui estava desmatando muito, acabando com nosso resto de Mata Atlântica. Seria preciso fazer algo diferenciado pra mostrar que a gente também precisa plantar, reflorestar, diz. Há 3 anos, João começou o plantio em sistema agroflorestal (SAF) em 3 mil metros quadrados do sítio, introduzindo cítricos, mangueiras, cajueiros, ingás, açaizeiros, cedros e mognos entre feijões e espécies adubadeiras.
Já temos bastante abelha aqui, abelhas diferenciadas que eu nunca tinha visto na região. Jataí tem bastante, tubiba também. Apareceu bastante abelha sem ferrão, diz o agricultor, que fez cursos de piscicultor e apicultor e tem a intenção de transformar seu espaço futuramente em agroturismo. Pássaros, temos bastante que estão visitando aqui nossa SAF: sabiá-laranjeira, sanhaço-azul e -cinzento, beija-flores, saíra-pintor e -sete-cores. Nossa, tá chegando bastante.
A SAF no sítio de João faz parte da restauração florestal apoiada pela Save e, no início, recebeu mudas, mão-de-obra e suporte técnico. Outras propriedades privadas têm servido também como vitrines ou unidades demonstrativas, exibindo diferentes técnicas de restauração. Toda área reflorestada passa a ter um monitoramento participativo para verificar como a comunidade de aves se comporta nesses ambientes.
A ideia de ser uma vitrine é que a gente mostre formas possíveis de produzir alimento e gerar renda, explica Bárbara. A gente tem adotado o termo agrofloresta amigável às aves porque queremos incentivar o estabelecimento de agroflorestas que também sirvam de abrigo e ofereçam alimento aos pássaros.
O entorno da Esec Murici, onde fica o sítio de João, é uma importante área por impactar diretamente a Estação Ecológica. Estrategicamente falando, é importante que a gente tenha nessa área de amortecimento atividades compatíveis, amigáveis à biodiversidade, avalia Bárbara. Assim, a gente garante um cinturão de proteção à Esec.
Apesar da área de 6 mil hectares ter sido reconhecida em 2001 pelo governo federal como Estação Ecológica de Murici, falta ainda a efetiva implementação e regularização fundiária. Esse é um dos gargalos das Unidades de Conservação no Brasil. Cria-se a unidade, mas não se implementa de fato. A Esec Murici completou 20 anos no ano passado e ainda não está com a regularização fundiária feita. Tem muita área de pasto com grandes propriedades lá dentro, comenta Bárbara.
UBERABA/MG - Uma descoberta científica mostra que Uberaba, na Região do Triângulo Mineiro, é mais do que a “terra dos dinossauros” reconhecida internacionalmente. Trata-se, com todo mérito, de um berçário: no Bairro Ponte Alta, a 30 quilômetros do Centro da cidade, foi encontrado um “sítio de nidificação”, ninho com 20 ovos de dinossauro. Conforme divulgou a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), desde o início das pesquisas paleontológicas até agora só haviam sido recuperados alguns ovos isolados, fazendo desse o primeiro sítio de nidificação de dinossauros encontrado no Brasil. A pesquisa foi publicada na revista internacional Scientific Reports, do Grupo Nature. A partir de características das cascas e das associações de ovos, de aproximadamente 12 centímetros de diâmetro, os pesquisadores puderam comparar a fósseis de outros locais do mundo, principalmente da Argentina. Assim, foi possível identificar que os dinos que botaram esses ovos pertencem ao grupo dos titanossauros.
Estão diretamente envolvidos nas pesquisas desse achado o geólogo da UFTM Luiz Carlos Borges Ribeiro e o professor do Instituto de Ciências Exatas, Naturais e Educação (Icene/UFTM) Thiago da Silva Marinho, além de representantes do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet), da Argentina, da Fundação Cultural da Prefeitura Municipal de Uberaba, do Instituto de Biología de la Conservación y Paleobiología (Ibicopa), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade de São Paulo (USP), Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), Fundação Educacional para o Desenvolvimento das Ciências Agrárias (Fundagri), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e da Escola Estadual Presidente João Pinheiro. São eles: Lucas E. Fiorelli, Agustín G. Martinelli, João Ismael da Silva, E. Martín Hechenleitner, Marcus Vinícius Theodoro Soares, Julian C. G. Silva Junior, José Carlos da Silva, Élbia Messias Roteli Borges, André Marconato e Giorgio Basilici, todos com seus respectivos vínculos especificados na publicação científica.
HISTÓRIA O primeiro fóssil proveniente de Uberaba (MG) foi formalmente descrito em 1951: um ovo esférico atribuído a um dinossauro titanossauro. Esse primeiro achado alavancou as pesquisas paleontológicas no município, e, com o tempo, o tornaram referência internacional no estudo de vertebrados fósseis do período cretáceo, o último da era mesozóica. Depois de sete décadas de pesquisas, desde esse primeiro achado, centenas de fósseis foram encontrados, o que gerou conhecimento sobre a vida e os ambientes do passado da região.
Líderes mundiais falham em fechar acordo internacional que poderia proteger 30% dos mares até 2030 e garantir a preservação da biodiversidade
EUA - Crise climática, exploração petrolífera, pesca predatória, mineração marinha, poluição… São muitas as ameaças contra a biodiversidade dos nossos oceanos. Ainda assim, não existe, hoje, um instrumento internacional que proteja os mares que estão além das fronteiras dos países.
Entre os dias 7 e 18 de março, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniram em Nova Iorque para discutir a implementação de um mecanismo global de proteção dos oceanos, mas, mais uma vez, as negociações deixaram a desejar.
O encontro, que deveria ter acontecido em 2020 mas foi adiado em razão da pandemia, chega ao fim sem um Tratado Global dos Oceanos robusto, que possibilite a cooperação internacional na preservação dos ecossistemas marinhos.
Há anos, o Greenpeace atua em defesa de um acordo internacional que garanta a proteção de 30% dos oceanos até 2030. A criação dos chamados santuários oceânicos, ou áreas de proteção marinha, é fundamental para ajudar os ecossistemas marinhos a se recuperarem e para que possamos proteger efetivamente milhares de habitats e espécies.
Precisamos avançar efetivamente nas discussões entre os países para transformarmos completamente o sistema fragmentado de governança dos mares como conhecemos hoje, que privilegia a indústria e o lucro em detrimento da biodiversidade. Uma lógica que coloca em risco até mesmo espécies e formas de vida até então desconhecidas pela ciência.
Um Tratado Global dos Oceanos que tenha a meta 30×30 como principal, poderia melhorar a capacidade de resposta dos oceanos globais ao aquecimento global considerando que os mares funcionam como um grande reservatório de captação de carbono. As águas oceânicas são responsáveis por produzir metade do oxigênio do planeta, sendo essenciais para o equilíbrio climático.
A importância da proteção dos oceanos também foi reforçada no último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas), divulgado em 9 de março. O documento afirmou enfaticamente que, apesar de alguns impactos ambientais já serem irreversíveis, a manutenção dos serviços ecossistêmicos depende da conservação efetiva de aproximadamente 30% a 50% das áreas terrestres, de água doce e oceânicas do planeta.
A defesa dos mares também traz enormes benefícios para as comunidades costeiras e locais, cuja segurança alimentar e meios de subsistência estão ameaçados pelo avanço do nível do mar, pela poluição, pelas alterações climáticas e práticas insustentáveis de pesca industrial.
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