EUA - O Departamento de Estado dos EUA está monitorando um caso supostamente fatal de "pneumonia de etiologia desconhecida" ligado a um laboratório de pesquisa de peste na Rússia.
"Estamos cientes de relatos de um caso fatal de suspeita de peste pneumônica em Irkutsk Oblast, Rússia. Estamos monitorando a situação de perto com o CDC e nossos outros parceiros interagências", disse um porta-voz do Departamento de Estado. "Muitos detalhes não foram confirmados. Encorajamos as autoridades russas a compartilharem informações precisas de forma rápida e aberta", acrescentou o porta-voz.
Autoridades de saúde na região de Irkutsk, na Rússia, lançaram medidas anti-epidêmicas depois que um funcionário de um instituto de peste foi diagnosticado com "pneumonia de etiologia desconhecida", confirmou a agência de vigilância sanitária do país, Rospotrebnadzor, no domingo.
O laboratório envolvido é o Instituto de Pesquisa Anti-Peste em Shelekhov, no sul da Sibéria, Rússia.
A declaração vem após alguns meios de comunicação russos e figuras públicas relatarem uma morte potencialmente devido à peste e ligada a um trabalhador de laboratório. As autoridades russas não forneceram mais detalhes sobre o trabalhador.
por Estadao Conteudo
RÚSSIA - A Rússia fez uma rara ameaça explícita de emprego de armas nucleares contra países europeus da aliança militar Otan e disse, nesta quarta-feira (30), que o aviso é um lembrete aos "cabeças quentes" do continente sobre sua política de defesa.
O novo capítulo da crise envolvendo Moscou gira em torno de Kaliningrado, o estratégico exclave russo situado entre a Polônia e a Lituânia. Território alemão até 1945, a região foi incorporada à União Soviética e ficou separada da Rússia após a independência dos Estados Bálticos e de Belarus, em 1991.
Há duas semanas, o chanceler polonês, Radoslaw Sikorski, havia sugerido que a Otan deveria realizar exercícios militares perto do território para obrigar a Rússia a reforçar suas tropas na região, desviando parte de sua atenção da guerra na Ucrânia.
Na terça-feira (29), a embaixada russa em Londres divulgou uma advertência, posteriormente repetida pelas representações diplomáticas em Dublin e Bruxelas, usando uma linguagem incomumente direta.
"Aqueles que defendem planos para bloquear ou lançar ataques contra Kaliningrado não devem ter ilusões sobre as consequências. Qualquer ação militar pelo Reino Unido ou pela Otan contra território russo encontrará uma resposta com todos os meios disponíveis à Rússia, incluindo armas nucleares", afirmou a representação russa.
Também na terça-feira, a imprensa lituana divulgou um documento informal enviado pela Rússia à Otan com ameaças semelhantes.
"A Rússia está pronta para usar todo o seu arsenal de forças e capacidades, incluindo armas nucleares, para defender seu território caso países da Otan tentem isolar Kaliningrado do resto do país", dizia o texto.
A Otan confirmou ter recebido a comunicação, mas não comentou todos os detalhes. A porta-voz da aliança, Allison Hart, afirmou que a organização respondeu ressaltando seu caráter defensivo e que nenhuma de suas atividades representa uma ameaça ao território russo. A aliança também condenou o que chamou de retórica nuclear irresponsável.
Nesta quarta-feira, o recado russo foi reforçado pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
"É natural que nossos diplomatas tentem lembrar os cabeças quentes da Europa acerca de nossos documentos de política sobre esse assunto", afirmou.
Peskov se referia à doutrina nuclear revisada por Vladimir Putin em 2024, já durante a guerra na Ucrânia. O documento ampliou os cenários em que a Rússia afirma poder recorrer a armas nucleares, incluindo determinadas situações em que um ataque convencional seja considerado uma ameaça existencial ao país ou a Belarus.
A Rússia possui o maior arsenal nuclear do mundo, seguida de perto pelos Estados Unidos.
Pela geografia, Kaliningrado é considerada uma região particularmente sensível do ponto de vista militar. O território já esteve no centro de tensões em 2022, quando a Lituânia restringiu a passagem de alguns produtos russos por seu território com base nas sanções europeias.
Kaliningrado também faz parte do planejamento militar da Otan há décadas. Em agosto, a aliança realizou um exercício com 25 aeronaves nas proximidades do espaço aéreo da região, provocando críticas de Moscou.
No ano passado, o então comandante das forças americanas na Europa, general Christopher Donahue, afirmou durante uma conferência na Alemanha que a aliança tinha capacidade para neutralizar rapidamente as defesas da região em caso de conflito.
A tensão em torno de Kaliningrado se soma à intensa troca de acusações entre Rússia e países da Otan, que se agravou após a anexação da Crimeia por Moscou, em 2014, e a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022.
Nas últimas semanas, países europeus também voltaram a acusar a Rússia de participar de episódios associados à chamada guerra híbrida, modalidade que pode envolver sabotagem, ataques cibernéticos e outras ações de difícil atribuição.
Moscou nega essas acusações e afirma que elas fazem parte de uma campanha de russofobia.
Segundo governos europeus e a Otan, a estratégia russa teria como objetivo aumentar a insegurança no continente e enfraquecer o apoio militar à Ucrânia. A Rússia rejeita essa interpretação.
Guerra na Ucrânia continua em alta intensidade
Enquanto a tensão entre Rússia e Otan aumenta, a guerra na Ucrânia segue em ritmo elevado.
Na madrugada desta quarta-feira, uma nova onda de ataques russos com drones e mísseis atingiu instalações de energia em Kiev e em áreas próximas da capital. Autoridades ucranianas afirmaram que a ofensiva faz parte de uma nova campanha contra a infraestrutura energética do país antes do inverno.
Os ataques deixaram mortos e feridos e provocaram danos em diferentes pontos da região de Kiev. Informações divulgadas ao longo do dia indicavam pelo menos quatro mortos, mas os números ainda estavam sendo atualizados pelas autoridades locais.
A ofensiva também levou países da Otan no leste europeu a adotar medidas preventivas, incluindo o acionamento de aeronaves militares diante do risco de drones ou mísseis cruzarem suas fronteiras.
Do outro lado, a Ucrânia mantém ataques com drones contra instalações e alvos em território russo, em meio a um conflito que continua sem perspectiva imediata de encerramento.
por Folhapress
ALEMANHA - Um importante assessor do presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu em uma postagem estar pronto para trabalhar em conjunto com o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha, AfD na sigla germânica.
No último domingo (20), a agremiação foi a mais votada novamente em uma eleição estadual, embora não tenha obtido maioria para formar um governo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
No estado fica o terminal alemão do sistema de gasodutos Nord Stream, projeto que simbolizava a parceria energética entre Berlim e Moscou nos anos 2010. Em 2022, parte da obra foi explodida em um ato de sabotagem submarina que a Alemanha atribui a ucranianos -Kiev nega.
O estado "irá prosperar de novo quando o gás confiável e acessível do Nord Stream voltar por meio do trabalho conjunto com a AfD", escreveu Kirill Dmitriev, o "czar dos investimentos" do governo russo e ponto de contato com negociadores americanos para a Guerra na Ucrânia.
Dmitriev postou a mensagem no sábado (19), e por evidente mesmo que ganhasse controle do estado a AfD não poderia retomar a relação com a Rússia de forma unilateral. Seja como for, a sugestão de parceria insinua a atenção do Kremlin aos movimentos políticos na Europa.
Política
A AfD é crítica do apoio ocidental a Kiev e já defendeu a retomada de relações com Putin. Nesta segunda (20), o Kremlin disse que sua vitória estadual reflete exatamente a alta no preço da energia após o rompimento da relação econômica com os russos.
Por outro lado, o governo russo criticou outro expoente da extrema direita nacionalista europeia, a Reunião Nacional da francesa Marine Le Pen. No fim de semana, ela e o colega Jordan Bardella criticaram a Rússia por ter tomado ativos da empresa Nestlé e prometeram defender a França de "intimidações estrangeiras".
Aqui o cálculo é eleitoral. Le Pen chega forte para a eleição presidencial do próximo ano e procura se mostrar menos próxima de Putin do que suas posições anteriores sugeriam. Para o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a crítica é injusta e a Rússia "não é ameaça" aos franceses.
Em outra frente de atrito com os europeus, o governo russo determinou o toque de recolher em uma faixa sensível da fronteira com a Estônia por dez dias, alimentando rumores de que poderia estar planejando algum tipo de ação militar contra o vizinho integrante da aliança militar Otan.
Não há sinais, contudo, de mobilização de forças de forma ostensiva. Segundo um observador próximo do Kremlin disse à Folha, a medida é mais uma etapa da guerra de nervos entre Putin e a Europa, enquanto a violência corre solta no conflito na Ucrânia.
Segundo determinação do FSB (Serviço Federal de Segurança, na sigla russa), uma faixa de 5 km não pode ter circulação de pessoas e veículos à noite. A navegação pelo reservatório e pelo rio ao sul desta faixa tem de ser feita de forma monitorada.
A região fica ao lado de Narva, cidade estoniana na fronteira que virou um ponto simbólico da disputa entre a Rússia e a ex-república soviética tornada independente em 1991.
Quase 90% da população de Narva é de origem étnica russa, o que leva políticos em Moscou a sempre ventilar sua retomada. De seu lado do rio homônimo que divide a fronteira, os estonianos plantaram bandeiras nacionais, da Otan e da Ucrânia para desafiar os vizinhos.
Ainda mais importante, perto de lá fica a única fábrica de imãs produzidos com terras raras da Europa.
Segundo o serviço fronteiriço da Estônia, a situação na região "está calma, mas segue sob vigilância" no período da medida, que acaba no sábado (26). O FSB alega que a medida foi necessária para controlar movimentos migratórios ilegais.
Os três Estados Bálticos são vistos como os mais expostos na hipótese de uma agressão russa, com uma geografia que dificultaria sua defesa e suprimento em caso de conflito.
Putin e outras autoridades negam reiteradamente que tenham qualquer interesse em uma guerra com a Europa, e dizem que os diversos incidentes atribuídos a Moscou de guerra híbrida no continente, como o emprego de drones ou ataques cibernéticos, são plantados para estimular a russofobia.
por Folhapress
ALEMANHA - O Parlamento Europeu apontou a Rússia como a principal ameaça externa à União Europeia em um relatório aprovado nesta terça-feira durante sessão plenária.
O documento reúne as conclusões da Comissão Especial sobre o Escudo Europeu da Democracia e apresenta recomendações para reforçar a proteção das instituições do bloco contra interferências estrangeiras.
O texto recebeu 420 votos favoráveis, 220 contrários e 26 abstenções.
Entre as medidas apoiadas pelos eurodeputados está a criação do Centro Europeu da Resiliência Democrática, iniciativa que pretende coordenar redes e estruturas já existentes destinadas à prevenção, detecção, análise e resposta a ameaças no ambiente de informação.
O objetivo, segundo o Parlamento Europeu, é evitar a fragmentação dos esforços entre os países do bloco e reduzir a duplicação de estruturas e iniciativas.
Os parlamentares defendem que a participação no centro seja obrigatória para todos os Estados-membros e que haja controle parlamentar sobre suas atividades.
Relatório cita ataques híbridos da Rússia
O Parlamento Europeu destacou os ataques híbridos atribuídos à Rússia contra infraestruturas críticas, incluindo ciberataques, atos de sabotagem, incêndios criminosos, espionagem e interferência de sinais.
O relatório também aponta ameaças provenientes de Belarus, China, Irã e Coreia do Norte.
Os eurodeputados defendem ainda a ampliação das sanções contra pessoas e organizações que facilitem campanhas de desinformação ou ajudem a contornar medidas restritivas já impostas pela União Europeia.
O texto aprovado também trata da proteção da soberania do bloco, da integridade dos processos eleitorais e da liberdade dos meios de comunicação.
As medidas fazem parte dos esforços da União Europeia para reforçar a capacidade de resposta a interferências externas e proteger as instituições democráticas dos países que integram o bloco.
NOTÍCIAS AO MINUTO
KIEV - Um novo ataque russo contra Kiev deixou ao menos 12 mortos e 33 feridos entre a noite de quarta-feira (19) e a madrugada desta quinta-feira (20), segundo autoridades ucranianas. O bombardeio atingiu diferentes pontos da capital e provocou danos em prédios residenciais e outras estruturas.
O alerta aéreo permaneceu ativo durante boa parte da madrugada. Os ataques alcançaram os distritos de Darnytskyi, Sviatoshynskyi e Solomianskyi, onde equipes de emergência trabalharam no resgate de moradores presos entre os escombros.
Em Solomianskyi, os dois últimos andares de um prédio residencial de nove pavimentos foram destruídos. Incêndios também atingiram outros pontos do edifício. Uma escola e instalações médicas estão entre os locais danificados durante a ofensiva.
A Rússia tem intensificado o uso de mísseis balísticos contra Kiev em meio às dificuldades enfrentadas pela Ucrânia para manter seus sistemas de defesa antiaérea abastecidos.
O país dispõe de um número limitado de equipamentos capazes de interceptar esse tipo de armamento. Entre eles estão os sistemas Patriot, de fabricação norte-americana, cuja disponibilidade de mísseis interceptadores tem sido apontada como um dos principais gargalos da defesa ucraniana.
Enquanto Moscou amplia os ataques contra a capital e outras regiões da Ucrânia, Kiev também mantém uma campanha de longo alcance contra alvos dentro do território russo.
As forças ucranianas têm direcionado ofensivas contra depósitos de armamentos, instalações militares e estruturas logísticas com o objetivo de reduzir a capacidade da Rússia de sustentar os ataques contra cidades ucranianas.
O Ministério da Defesa russo afirmou que a ofensiva desta quinta-feira teve como alvos instalações ligadas à produção de componentes de drones, além de um depósito militar e um centro logístico na região de Kiev.
NOTÍCIAS AO MINUTO
RÚSSIA - Ataques realizados por Rússia e Ucrânia deixaram ao menos quatro mortos nas últimas horas, entre eles uma criança de 8 anos. As ofensivas atingiram diferentes regiões dos dois países e envolveram centenas de drones, segundo informações divulgadas pelas autoridades nesta quarta-feira.
Na Rússia, duas pessoas morreram na região de Krasnodar. Uma das vítimas foi a criança de 8 anos, atingida durante um ataque ucraniano com drones contra Novorossiysk, cidade portuária às margens do mar Negro, segundo o governador regional, Veniamin Kondratyev.
Outras oito pessoas ficaram feridas em Novorossiysk, incluindo um menor de idade. Kondratyev afirmou que destroços de drones atingiram prédios residenciais e comerciais. Cerca de 90 moradores precisaram ser encaminhados para centros de acolhimento temporário.
Imagens divulgadas pela imprensa russa mostram danos na fachada de um edifício residencial, parcialmente atingida pelo impacto. A autenticidade do material não foi verificada de forma independente pela agência France-Presse.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou um ataque contra a base naval de Novorossiysk, localizada a mais de 300 quilômetros da linha de frente. Ele classificou o local como o "último grande bastião da frota russa no mar Negro".
Segundo Zelensky, posições de defesa aérea e estruturas portuárias foram atingidas pelas Forças Armadas ucranianas.
Outro ataque com drones deixou uma pessoa morta na aldeia de Volna, também na região de Krasnodar e próxima à península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. Quatro pessoas ficaram feridas em outras ofensivas registradas nas cidades de Anapa e Gelendzhik.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter derrubado 502 drones ucranianos sobre o território russo e o mar Negro durante a noite.
Ataques russos deixam mortos na Ucrânia
Na Ucrânia, duas pessoas morreram em ataques russos com drones contra Kherson, importante cidade do sul do país localizada próxima à linha de frente. Outras pessoas ficaram feridas, segundo as autoridades locais.
Na região de Zaporizhzhia, um drone atingiu um ônibus e deixou uma pessoa ferida, informou o governador Ivan Fedorov.
A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia lançou mísseis e 138 drones durante a noite. Segundo os militares ucranianos, 112 desses drones foram derrubados ou interceptados. O comunicado não informou a interceptação de mísseis.
Os ataques dos dois lados têm se intensificado após mais de quatro anos de guerra. A invasão russa em larga escala começou em fevereiro de 2022 e provocou milhares de mortes, além da destruição de infraestrutura e do deslocamento de milhões de pessoas.
A Ucrânia recebe apoio financeiro e militar de países ocidentais desde o início do conflito.
O presidente russo, Vladimir Putin, exige o reconhecimento do controle de Moscou sobre territórios ucranianos e garantias de que a Ucrânia não ingressará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Zelensky rejeita essas condições e exige a retirada das tropas russas e o restabelecimento das fronteiras reconhecidas internacionalmente em 1991, o que inclui a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.
por Notícias ao Minuto
POLÔNIA - Um míssil caiu em território polonês na madrugada desta quinta-feira (30) durante um grande ataque da Rússia contra cidades da vizinha Ucrânia, país que Vladimir Putin invadiu em fevereiro de 2022.
"Todas as indicações são de que era um míssil balístico Kh-101 russo, mas nós queremos ter 100% de certeza acerca do tipo de míssil e quem o lançou", afirmou o premiê polonês, Donald Tusk. O Kh-101, cerca de 20 dos quais foram lançados contra a Ucrânia nesta noite, na realidade é um modelo subsônico de cruzeiro.
O artefato caiu por volta das 3h40 (22h40 de quarta, 29, em Brasília) em um descampado na região de Lublin, no leste polonês. As casas mais próximas ficam a cerca de 2 km da área de impacto, que deixou uma cratera de 10 m de diâmetro.
O incidente é um dos mais graves envolvendo os vizinhos da Ucrânia a oeste, quase todos integrantes da Otan, como a Polônia. O comando da aliança militar liderada pelos Estados Unidos disse que a violação do espaço aéreo é inaceitável e prometeu reforçar medidas de defesa.
Durante o ataque, que envolveu segundo Kiev 284 drones e 74 mísseis diversos, Varsóvia colocou no ar quatro caças F-16 para abater eventuais intrusos.
No caso do míssil que caiu, ele foi acompanhado, mas como a região a cerca de 80 km da fronteira da Ucrânia era desabitada não foi gasta munição.
Em setembro do ano passado, a Polônia também foi objeto da mais séria violação do espaço aéreo da Otan na guerra, quando 21 drones russos entraram no país, obrigando abates. Moscou negou intencionalidade, mas a trajetória dos artefatos indicava que eles tinham sido lançados para testar as defesas do país.
A Romênia também registrou diversas incursões com drones, inclusive com feridos em um caso neste ano. No episódio desta quinta, Tusk afirmou que "não há motivo para crer que a Polônia era alvo".
A ação russa nesta quinta não foi das maiores, mas a concentração de mísseis contra Kiev assustou o governo de Volodimir Zelenski, que havia emitido diversos alertas. A menor quantidade de drones sugere também a degradação das defesas antiaéreas ucranianas, como o presidente havia alertado.
Sem precisar saturá-las com muitas centenas de drones, os russos lançaram uma quantidade grande de mísseis de cruzeiro e balísticos, dos quais 55 foram derrubados segundo Kiev.
Na capital, um número recorde de pessoas buscou abrigo no metrô local, segundo a prefeitura: 56 mil dos 3 milhões de moradores.
Houve 8 mortes decorrentes de ataques em todo o país, 6 delas em Krivii Rih, terra natal de Zelenski. Em Lviv, cidade próxima da fronteira com a Polônia, ao menos 26 moradores ficaram feridos no impacto de mísseis.
Os russos também anunciaram um avanço por terra na região setentrional ucraniana de Sumi, com a tomada de quatro vilarejos para formar o que Moscou chama de zona de segurança fronteiriça.
A área não é reivindicada oficialmente por Putin, nem foi anexada ilegalmente como outras quatro em 2022, mas ainda assim o Kremlin quer estabelecer um controle para criar um tampão entre os dois países.
Na via contrária, Kiev atacou novamente com drones diversas regiões russas. Um porto de exportação de grãos no estreito de Kertch, junto ao mar Negro, foi atingido, assim como mais um centro de distribuição da gigante do varejo online Wildberries. A unidade, em Perm, segue funcionando segundo a empresa.
por Folhapress
CHINA - A China tenta se consolidar como peça central da diplomacia global em meio às guerras na Ucrânia e no Irã ao apresentar a visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, a Pequim, nesta quarta-feira (20), como exemplo de que o país está se tornando um “ponto focal da diplomacia mundial”.
A expressão foi usada pelo jornal Global Times, ligado ao governo chinês, para reforçar a ideia de que a China, sob a liderança de Xi Jinping, busca ocupar posição de equilíbrio estratégico no cenário internacional ao receber, em poucos dias, tanto o presidente russo quanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Se na semana passada Xi tentou demonstrar estabilidade na delicada relação com os americanos, agora, ao lado de Putin, o objetivo é destacar o peso crescente de Pequim em uma ordem internacional considerada fragmentada pelos chineses.
Já Putin busca reafirmar a forte parceria entre Moscou e Pequim.
Segundo as chancelarias dos dois países, o encontro celebrou os 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa, além dos 30 anos das relações estratégicas entre Rússia e China. Também estiveram na pauta temas como energia, economia e defesa.
Como forma de se contrapor à ordem liderada pelos Estados Unidos e reforçar o papel chinês como mediador diplomático, os dois líderes divulgaram uma declaração conjunta em defesa da multipolaridade e de novos modelos de relações internacionais.
Durante a cerimônia de assinatura dos acordos, Xi Jinping afirmou que China e Rússia são contra “qualquer intimidação unilateral e ações que tentem reverter a história”.
Putin, por sua vez, declarou que os dois países exercem um papel estabilizador nas relações internacionais.
Para Chong Ja Ian, professor de ciência política da Universidade Nacional de Singapura, Putin quer fortalecer a relação estratégica com a China e evitar sair enfraquecido após a recente visita de Trump a Pequim.
Já os chineses tentam transmitir a imagem de uma potência central da política global.
“A impressão que Pequim e Xi provavelmente querem transmitir é a de que a República Popular da China se tornou o epicentro da política mundial. Se isso é realmente verdade, é outra história”, afirmou o especialista.
Ele ressalta que Pequim ainda enfrenta dificuldades para alcançar os resultados desejados em conflitos e crises internacionais, como no Oriente Médio, na guerra da Ucrânia e na Venezuela.
Na avaliação de analistas, Moscou é hoje quem mais depende da aliança.
Enfraquecida pelas sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia e pressionada pelos altos custos da guerra, a Rússia passou a depender fortemente da parceria com poucos aliados, especialmente a China.
Apesar disso, Putin chega ao encontro em posição um pouco mais favorável do que em reuniões anteriores. O conflito no Oriente Médio elevou a dependência chinesa do petróleo russo após o fechamento do Estreito de Ormuz, obrigando Pequim a diversificar as fontes de abastecimento.
Dados do Kremlin indicam que as exportações de petróleo russo para a China cresceram mais de um terço no primeiro trimestre de 2026.
Mesmo assim, Moscou continua altamente dependente da China para a compra de bens manufaturados, como carros, eletrônicos e maquinário.
“As circunstâncias no Oriente Médio fizeram da Rússia uma fonte ainda mais importante de petróleo e gás para a China. Isso dá a Moscou maior poder de negociação relativo, embora a Rússia continue mais dependente de Pequim do que o contrário”, explicou Chong Ja Ian.
Segundo o Kremlin, um dos principais temas do encontro foi o projeto do gasoduto Poder da Sibéria 2.
Embora importante para a China, o projeto é visto como uma alternativa vital para Moscou diante da queda nas exportações de gás para a Europa.
O gasoduto, travado por divergências sobre preços, poderá transportar cerca de 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano para a China e é considerado estratégico para Pequim em meio aos riscos nas rotas marítimas provocados pela guerra no Oriente Médio.
O Kremlin informou que os líderes fecharam um importante acordo energético, mas os detalhes não foram divulgados.
por Folhapress
RÚSSIA - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai visitar a China "muito em breve", informou um porta-voz do Kremlin nesta quinta-feira (14).
Preparativos para a viagem já estão concluídos, disse o porta-voz Dmitry Peskov. Ele não divulgou, porém, a data na qual esse encontro vai acontecer.
Putin e o presidente chinês, Xi Jinping, já se encontraram mais de 40 vezes ao longo dos anos. O encontro mais recente ocorreu em Pequim, em setembro do ano passado, segundo a agência de notícias Reuters.
Rússia e China mantêm uma parceria estratégica descrita pelos dois países como "sem limites". O acordo foi assinado em fevereiro de 2022, menos de três semanas antes de a Rússia iniciar a guerra na Ucrânia, informou a Reuters.
Anúncio sobre encontro de Putin com Xi acontece enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está na China. nesta quinta-feira (14), o americano e o chinês trocaram elogios ao fazer brindes em um banquete. Mais cedo, eles tiveram uma reunião a portas fechadas.
por Folhapress
RÚSSIA - Novos relatórios de especialistas ocidentais reacenderam o debate sobre a real situação econômica da Rússia. Parte dos analistas afirma que o país estaria próximo de um colapso financeiro, pressionado por sanções internacionais, inflação persistente, dificuldades no acesso a crédito externo e suspeitas de manipulação de dados oficiais pelo Kremlin. Outros, no entanto, avaliam que as previsões mais alarmistas ainda não encontram respaldo definitivo nos indicadores disponíveis.
Em 2025, o conflito iniciado com a invasão da Ucrânia completou três anos, mantendo elevados os gastos militares de Moscou e ampliando o isolamento do país em relação a economias ocidentais. Paralelamente, o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos trouxe novas incertezas ao cenário geopolítico, especialmente quanto ao nível de apoio americano a Kiev e aos rumos diplomáticos do conflito.
Apesar das restrições impostas por Estados Unidos e União Europeia, a economia russa demonstrou capacidade de adaptação. As exportações de petróleo e gás natural continuam sendo o principal pilar de sustentação das receitas públicas, redirecionadas em grande parte para mercados asiáticos. Essa reconfiguração comercial tem permitido ao governo manter financiamento significativo para o esforço de guerra e programas internos.
Por outro lado, economistas apontam fragilidades estruturais. A inflação elevada corrói o poder de compra da população, o mercado de trabalho enfrenta escassez de mão de obra qualificada — agravada pela mobilização militar e pela saída de profissionais do país — e o setor produtivo depende cada vez mais de gastos estatais. Há também questionamentos sobre a transparência dos dados macroeconômicos divulgados oficialmente.
O historiador e economista Adam Tooze tem destacado que o debate tende a oscilar entre dois extremos: de um lado, previsões de implosão iminente; de outro, a narrativa de uma economia praticamente imune às sanções. Segundo ele, a realidade parece mais complexa. A Rússia não demonstra sinais imediatos de colapso sistêmico, mas opera sob um modelo de guerra que exige forte intervenção estatal e pode comprometer o crescimento de longo prazo.
A questão central permanece em aberto: a resiliência observada até agora é sustentável nos próximos anos ou mascara desequilíbrios que podem se tornar mais evidentes à medida que o conflito se prolonga? Para especialistas, a resposta dependerá tanto da evolução do cenário militar quanto da capacidade do país de manter receitas energéticas e estabilidade interna diante de pressões externas crescentes.
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.