PERU - O Banco Central da Reserva do Peru (BCRP) cortou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, a 7,0%. O BC, entretanto, alerta que a decisão de reduzir os juros não indica necessariamente que haverá um ciclo de sucessivas reduções na taxa e aponta que as decisões seguirão as informações mais recentes de inflação e suas determinantes.
Segundo o anúncio, a decisão teve como contexto a queda mensal da inflação em outubro, com sua leitura anual chegando a 4,3% no mês passado, ante 5,0% em setembro. Ainda, o relatório indica que as expectativas de inflação para 12 meses também caíram de 3,4% a 3,3% entre setembro e outubro, ficando perto do limite do intervalo da meta. A projeção é que a tendência de desaceleração da inflação continue e que a taxa chegue à meta no início de 2024.
Entretanto, o BC peruano alerta que indicadores e expectativas para a economia apontam uma deterioração em outubro. “A atividade econômica e a demanda interna foram afetadas por choques derivados de conflitos sociais e do El Niño, que tiveram um impacto maior do que o esperado”.
A próxima reunião monetária ocorrerá em 14 de dezembro.
BRASÍLIA/DF - A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil (BB) começam, nesta terça-feira (7), a renegociar as dívidas de estudantes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Os débitos em atraso poderão ter até 100% de desconto em juros e multas e, no caso de liquidação integral do contrato, o desconto chega a 99% do valor consolidado da dívida.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que autoriza as renegociações. Na segunda-feira (6), o ministro da Educação, Camilo Santana, disse que a preocupação do presidente é dar celeridade aos procedimentos.
“São mais de 1 milhão e 240 mil pessoas no Brasil que terão direito e o presidente tem chamado de Desenrola da Educação. Significa R$ 54 bilhões de dívidas desses brasileiros e brasileiras que muitas vezes estão com seu nome comprometido, o nome sujo, né, como se diz, no Serasa, e que terão oportunidade de renegociar suas dívidas. Inclusive, com condições muito favoráveis, podendo chegar até 99% do principal e 100% dos juros e multa, ou seja, a pessoa pode pagar 1% da dívida dependendo da condição que ela esteja”, disse após reunião com Lula, no Palácio do Planalto.
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Também participaram do encontro representantes da Caixa, do BB e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que opera o Fies. Segundo Camilo Santana, na última sexta-feira (2), o comitê gestor do Fies esteve reunido e aprovou resolução com as condições para as renegociações. O documento será publicado ainda hoje no Diário Oficial da União.
A lei criou condições mais favoráveis de amortização para estudantes com contratos do Fies celebrados até o fim de 2017 e com débitos vencidos e não pagos em 30 de junho de 2023. O ministro da Educação afirmou ainda que, mesmo quem está com as contas em dia com o Fies terá algumas vantagens para pagamento da dívida principal.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o estudante beneficiário que tenha débitos vencidos poderá liquidá-los nos seguintes termos:
• Estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 90 dias em 30 de junho de 2023, com desconto de até 100% sobre encargos (juros e multas pelo atraso no pagamento) e de 12% sobre o valor financiado pendente, para pagamento à vista; ou parcelamento em até 150 parcelas mensais e sucessivas do valor financiado pendente, com desconto de 100% dos encargos (juros e multas pelo atraso no pagamento), mantidas as demais condições do contrato (ou seja, ficam mantidas as condições de garantia e eventuais taxas de juros do contrato).
• Estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 360 dias em 30 de junho de 2023, que estejam inscritos no Cadastro Único ou que tenham sido beneficiários do Auxílio Emergencial 2021, com desconto de até 99% do valor consolidado da dívida, inclusive principal, por meio da liquidação integral do saldo devedor em até 15 prestações mensais e sucessivas.
• Estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 360 dias em 30 de junho de 2023, que não se enquadrem na hipótese prevista no item anterior, com desconto de até 77% do valor consolidado da dívida, inclusive principal, por meio da liquidação integral do saldo devedor em até 15 prestações mensais e sucessivas.
A lei sancionada pelo presidente Lula também estabeleceu um teto de contribuição ao Fundo Garantidor do Fundo de Financiamento Estudantil (FG-Fies), de 27,5%, referente aos aportes sobre as obrigações financeiras das universidades que aderem, voluntariamente, ao programa, após o quinto ano de sua adesão.
Segundo o MEC, a medida visa contornar o quadro de elevada contribuição pelas mantenedoras ao Fundo Garantidor, o que onera as mantenedoras e prejudica sua capacidade de oferta de vagas ao Fies.
Camilo Santana reafirmou ainda que o governo estuda mudanças no programa. Segundo ele, o Fies “se burocratizou demais” e precisa deixar de ser um programa econômico, para ser um programa social.
“É uma coisa que nós estamos reavaliando para o novo Fies, é saber quem é que não paga porque não quer e quem é que não paga porque não tem dinheiro, não tem condições de pagar. Então fazer essa diferenciação para que a gente possa melhorar o controle do programa, que consideramos importante para dar acesso àqueles que querem fazer uma universidade, um curso superior”, disse ontem.
Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
MARRAKECH - Meio século depois de seus últimos encontros anuais no continente africano, o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) se reúnem na África a partir desta segunda-feira (9) em Marrakech, Marrocos, para falar de reformas e do financiamento contra a mudança climática.
Ambas as instituições costumam organizar suas reuniões fora da sede em Washington, D.C., uma vez a cada três anos, mas a edição de Marrocos -originalmente prevista para 2021 – teve de ser adiada duas vezes, devido à pandemia da covid-19.
Espera-se que muitas das conversas se concentrem na África, uma vez que o continente enfrenta tanto uma crise da dívida que assola vários de seus países, quanto as consequências da mudança climática e de uma pobreza que diminui mais lentamente do que em outras áreas do planeta.
Na quinta-feira, durante seu tradicional discurso de inauguração, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, destacou, em Abidjan (Costa do Marfim), que “um século XXI próspero precisa de uma África próspera”, especialmente levando-se em consideração o envelhecimento da população nas economias avançadas.
As primeiras medidas anunciadas devem ser, sobretudo, simbólicas, como a criação de um terceiro cargo para os países africanos nos conselhos de administração de ambas as instituições, o que lhes daria a oportunidade de se fazerem ouvir com mais força.
– Aumentar a capacidade de empréstimo –
O grosso das conversas vai girar em torno do financiamento, tanto para suas missões específicas (erradicação da pobreza e ajuda aos países em dificuldade) quanto para aliviar os efeitos da mudança climática.
Os principais países não se mostraram favoráveis a aumentar o capital, uma iniciativa que também reforçaria o peso de grandes países emergentes como China e Índia.
Em relação ao Banco Mundial, o principal avanço deverá ser a confirmação de mais 50 bilhões de dólares (257,5 bilhões de reais na cotação do dia) nos próximos dez anos. Seu presidente, Ajay Banga, espera ir mais longe e elevar o total para 100 bilhões, ou 125 bilhões de dólares (R$ 515 bilhões e R$ 643,7 bilhões na cotação do dia), graças às contribuições das economias avançadas.
Ainda assim, é pouco provável que essa questão seja resolvida em Marrakech.
Não há expectativa de grandes progressos em termos de financiamento climático, apesar das muitas vozes que criticam a falta de ajuda nesta matéria por parte de ambas as instituições.
URUGUAI - O Banco Central do Uruguai (BCU) cortou os juros em 50 pontos-base hoje, a 9,50%, e sinaliza que a taxa se situa próxima do fim do ciclo de cortes. Em agosto, o BC cortou os juros em 75PB. O país foi o primeiro da América Latina a iniciar a flexibilização monetária neste ciclo.
O Comitê de Política Monetária do Uruguai destaca que a inflação do país em setembro, de 3,87%, foi o menor nos últimos 17 anos, estando mais de 600pb abaixo do seu recorde do ano anterior, de 9,95%.
“O cenário base internacional apresenta algumas modificações em relação à decisão anterior, com alguns desafios principalmente para 2024, com maior crescimento esperado no Brasil e nos Estados Unidos, que seria mais do que compensado por uma menor expansão na China e na Europa e por uma queda mais pronunciada no Argentina”, pontua o comunicado oficial do BCU.
BRASÍLIA/DF - As instituições financeiras terão de avisar aos clientes quaisquer vazamentos ou incidentes de segurança relacionados ao Pix. A mudança consta de resolução do Banco Central (BC) publicada na terça-feira (26), que também endurece as penas para os casos mais graves e torna o cálculo das multas proporcional ao número de chaves afetadas.
Pelas novas regras, as instituições terão o dever de comunicar aos próprios clientes incidentes de segurança nas chaves Pix, independentemente de serem as responsáveis pelos vazamentos ou se o caso não teve gravidade. Até agora, valia apenas o estabelecido pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, que determinava que a comunicação era obrigatória apenas em casos com potencial risco ou dano relevante.
O BC ressalta que a responsabilidade pela comunicação recai sobre a instituição de relacionamento do cliente, mesmo que esta não tenha provocado o incidente. Segundo o banco, isso ocorre porque os avisos são dados por canais seguros de comunicação, acessíveis exclusivamente por identificação pessoal, como senha e reconhecimento biométrico.
“Desde o lançamento do Pix, o BC optou pela comunicação mesmo nos casos de menor impacto, pautado pela transparência, aspecto fundamental para a manutenção da confiança da população no meio de pagamento. O BC avalia que esse compromisso com a plena transparência vem trazendo inúmeros benefícios para a sociedade”, ressalta a autoridade monetária em comunicado.
Segundo o Banco Central, a mudança afeta apenas as normas. Isso porque, em todas as ocorrências de vazamento de chaves Pix até agora, as instituições de relacionamento avisaram aos clientes, independentemente da gravidade do caso. O órgão apenas oficializou uma prática que vinha sendo aplicada. O BC informou que novos aperfeiçoamentos poderão ser implementados conforme as discussões do Grupo Estratégico de Segurança no Fórum Pix.
Penalidades
A resolução também aperfeiçoou as penalidades para as instituições que descumprirem os requisitos de segurança do Pix. O impacto dos incidentes será considerado no estabelecimento das punições, com os casos de maior repercussão tendo punições mais severas. Da mesma forma, as multas relativas aos incidentes de segurança com dados pessoais no Pix passam a ser calculadas com base na quantidade de chaves potencialmente afetadas. Quanto maior o vazamento, maior a multa.
Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
FRANKFURT - O Banco Central Europeu elevou sua taxa básica de juros a um pico recorde na quinta-feira e sinalizou que esse provavelmente será seu último movimento na batalha de mais de um ano contra a inflação alta.
O banco central dos 20 países que compartilham o euro também aumentou suas previsões para a inflação, que agora espera que caia mais lentamente em direção à sua meta de 2% nos próximos dois anos, ao mesmo tempo em que reduziu suas expectativas para o crescimento econômico.
Isso ilustrou o dilema que o BCE enfrentou na reunião, com os preços ainda subindo a mais do que o dobro de sua meta, mas com a atividade econômica enfrentando dificuldades devido aos altos custos de empréstimos e à desaceleração na China.
Diante desse cenário, o BCE enviou uma mensagem clara de que provavelmente já terminou de aumentar os juros.
"Com base em sua avaliação atual, o Conselho do BCE considera que as taxas de juros básicas atingiram níveis que, mantidos por um período suficientemente longo, darão uma contribuição substancial para o retorno oportuno da inflação à meta", disse o BCE.
A expectativa agora é de que isso ocorra mais lentamente do que na época das projeções anteriores do BCE, em junho, com a inflação passando a ser em 5,6% em 2023, 3,2% em 2024 e 2,1% em 2025.
O aumento da estimativa para 2024 - que havia sido relatada pela Reuters anteriormente - provavelmente desempenhou um papel importante nas discussões, já que as autoridades de política monetária avaliaram o risco de a inflação, atualmente ainda acima de 5%, ficar presa em um nível elevado.
O aumento de 25 pontos-base adotado nesta quinta-feira eleva a taxa que o BCE paga sobre os depósitos bancários para 4,0%, o nível mais alto desde que o euro foi lançado em 1999.
Há apenas 14 meses, essa taxa estava em uma mínima recorde de -0,5%, o que significa que os bancos tinham que pagar para manter seu dinheiro em segurança no banco central.
Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi / REUTERS
CANADÁ - O Banco Central do Canadá decidiu na última semana, manter sua taxa básica de juros em 5,0%. Em comunicado, ele informou que também está mantendo a política de aperto quantitativo (QT, na sigla em inglês), e não descartou a possibilidade de subir mais os juros, caso seja necessário para controlar a inflação.
O BC canadense considera que a economia do país entrou em um período de crescimento mais fraco, “necessário para aliviar as pressões sobre os preços”.
O aperto no mercado do trabalho, por sua vez, gradualmente continua a afrouxar, aponta. O crescimento dos salários, porém, segue em cerca de 4% a 5%, adverte.
Para o BC canadense, dados recentes da inflação sugerem que as pressões inflacionárias “continuam em um base disseminada”.
A instituição adverte que, quanto mais tempo persistir a inflação elevada, maior o risco de que ela fique arraigada, dificultando que se restaure a estabilidade de preços.
Com evidências recentes de que o excesso de demanda na economia está desacelerando, e diante dos efeitos retardados da política monetária, o conselho decidiu nesta quarta manter os juros. Há, porém, ainda preocupação com a persistência das pressões subjacentes na inflação, e os dirigentes estão preparados para elevar mais os juros, caso seja necessário, diz o comunicado.
Regionais de Marília, Franca e São José do Rio Preto apresentaram maior expansão no primeiro semestre
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO/SP - Diante da diversificação de culturas e da projeção de expansão na produção agropecuária no interior paulista, o Santander estima crescimento de 30% na carteira de crédito agro Pessoa Física até dezembro na Rede SP Interior do Santander. A Rede soma 12 regionais agro: Franca, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Limeira, Araraquara, Votuporanga, Araçatuba, Presidente Prudente, Bauru e Marília, além de Itapetininga e Piracicaba, recém incorporadas. No primeiro semestre, as regionais de Marília, com 14% de expansão na carteira, Franca e São José do Rio Preto, com aumento de 13% cada uma, se destacaram pelo desempenho. Em todos os segmentos de clientes agro do Banco no interior paulista, a carteira cresceu 12,1% até junho.
O Banco conta com nove líderes e 42 especialistas nessa região, equipe que atende de maneira personalizada clientes pessoa física e jurídica. “Nosso objetivo é estar em todas as regiões produtoras do estado – tanto com lojas físicas, como com o atendimento digital”, explica o Líder Sênior Agro, David Bocalon.
São Paulo possui o maior valor bruto de produção e a maior diversificação de culturas agrícolas do país. Em todo o estado, a Secretaria de Agricultura de São Paulo estima que mais de 350 mil produtores rurais atuam na produção de citros, cana, café, frutas, pecuária e avicultura, entre outros produtos.
Com a produção de café na cidade vizinha de Garça – reconhecida como um dos maiores polos cafeeiros no estado de São Paulo, inclusive com cafés especiais – a regional Marília vem ganhando espaço na carteira agro do Santander. O mesmo acontece com a Regional Franca, na Alta Mogiana, que desponta também na produção de cafés, graças à altitude. Em todo o estado, a Conab estima que a produção de café arábica alcance 4,7 milhões de sacas, volume 7% superior no comparativo anual. Já na Regional de São José do Rio Preto a pecuária e a produção de cana se sobressaem.
“Atuamos com diversos produtos destinados exclusivamente aos produtores rurais com foco tanto na fazenda – como Célula de Produto Rural e recursos para custeio e investimentos – quanto no fazendeiro – como cartão de crédito, seguro de vida, residência e automóveis, além de investimentos. Nosso modelo de atendimento a clientes agro vai além da loja, permitindo que os profissionais estejam, inclusive, em localidades nas quais o Banco não está presente. É um time organizado que amplia a força do Santander para realização de negócios no estado”, afirma o executivo.
CHILE - O banco central do Chile vê a trajetória de política monetária praticamente inalterada, mesmo diante da depreciação do peso e do possível impacto inflacionário de enchentes devastadoras, disse em entrevista o vice-presidente da instituição.
A flexibilização monetária no Chile, combinada com dúvidas sobre a China — importante compradora das commodities do país — e a postura rígida do Federal Reserve pesaram sobre a moeda, disse Paulo Garcia em Jackson Hole, onde autoridades de BCs mundiais se reuniram para um simpósio do Fed.
Mesmo assim, nenhum desenvolvimento foi suficientemente grande para alterar o plano de reduzir os juros para 7,75% a 8% até o final do ano, dos atuais 10,25%, disse ele.
“Até agora, as notícias que tivemos, tanto no cenário internacional quanto dados domésticos, inflação, oscilações da taxa de câmbio, não parecem pintar um quadro dramaticamente diferente do que tínhamos em mente quando iniciamos os cortes em julho”, disse Garcia, de 53 anos. A próxima decisão de juros do país será em 5 de setembro.
O Chile liderou o início da flexibilização monetária na América Latina em um momento em que outros BCs como o Fed e Banco Central Europeu ainda avaliam mais aperto.
O BC chileno reduziu a taxa básica em 1 ponto percentual em julho, e o mercado precifica pelo menos mais 5 pontos percentuais de cortes adicionais em um ano. Mas alguns analistas alertam que ventos contrários como um peso fraco podem dificultar o abrandamento da inflação para a meta de 3%.
O peso se desvalorizou mais de 8% entre o início de julho e a semana passada, antes de reduzir as perdas quando o ministério das Finanças do país disse que iria aumentar as vendas de dólares.
Uma moeda mais fraca alimenta a pressão inflacionária ao tornar as importações mais caras, e o Chile é bastante vulnerável a isso, já que compra bens cruciais, como todo o seu combustível, no mercado externo.
Semana passada, fortes chuvas causaram enchentes em áreas do Chile conhecidas pela produção de frutas e verduras. O governo do presidente Gabriel Boric declarou estado de catástrofe depois que as chuvas inundaram lavouras e destruíram infraestrutura.
Garcia disse que qualquer pressão inflacionária relacionada às enchentes provavelmente será transitória.
As chuvas “podem ter um impacto sobre a inflação no curto prazo, mas é improvável que tenham um impacto mais persistente no processo de desinflação que possa implicar uma mudança na estratégia de política monetária”, disse.
A inflação anual do Chile diminuiu drasticamente desde um pico superior a 14% em 2022, atingindo 6,5% em julho. O núcleo da inflação desacelerou de forma mais gradual, para 8,5%.
©2023 Bloomberg L.P.
JOANESBURGO - O grupo BRICS de países emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — reúne-se para a sua cimeira anual a partir de 22 de agosto em Joanesburgo.
A cimeira deste ano ganhou proeminência devido às expectativas de que o grupo possa vir a acrescentar novos membros, uma vez que a China e a Rússia procuram aumentar a sua influência política, face às tensões com os EUA e os seus aliados.
Como surgiu o BRICS?
O acrónimo BRIC foi criado em 2001 pelo economista Jim O'Neill, do banco de investimento norte-americano Goldman Sachs, para agrupar quatro das maiores economias e de crescimento mais rápido na altura. O'Neill sublinhou que as quatro economias - Brasil, Rússia, Índia e China - poderiam tornar-se coletivamente uma força económica global na próxima década.
Os investidores seguiram a deixa e os decisores políticos desses países também. Independentemente das suas diferenças políticas e sociais, os países em desenvolvimento sentiram-se unidos por uma vontade comum de reestruturar os sistemas político, económico e financeiro mundiais liderados pelos EUA, de modo a torná-los "justos, equilibrados e representativos".
Os líderes dos BRIC realizaram a sua primeira reunião anual em 2009, em Ekaterinburgo, na Rússia. Um ano mais tarde, convidaram a África do Sul a juntar-se ao clube político e foi acrescentado um "S" ao acrónimo BRIC.
Qual a sua importância?
Os membros dos BRICS representam mais de 42% da população mundial e são responsáveis por quase um quarto do produto interno bruto global e 18% do comércio.
O grupo é saudado por alguns como um contrapeso aos fóruns e instituições económicas e políticas ocidentais, como o G7 e o Banco Mundial. Acreditam que o bloco poderia utilizar a sua influência política e o seu peso económico para promover as tão necessárias reformas em instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, de forma a representar as realidades de um mundo mais multipolar.
O que é que os BRICS conseguiram até agora?
Os BRICS têm-se esforçado por estar à altura do seu potencial para oferecer uma alternativa aos sistemas financeiros e políticos tradicionais.
Entre as suas realizações notáveis conta-se a criação do Novo Banco de Desenvolvimento ou Banco BRICS, um banco multilateral de desenvolvimento com 50 mil milhões de dólares (45,6 mil milhões de euros) de capital subscrito para financiar infra-estruturas e projectos relacionados com o clima nos países em desenvolvimento. O banco, que inclui membros dos BRICS, bem como o Bangladesh, o Egipto e os Emirados Árabes Unidos entre os seus accionistas, aprovou até agora mais de 30 mil milhões de dólares em empréstimos desde a sua criação em 2015. Em comparação, o Banco Mundial autorizou mais de 100 mil milhões de dólares só em 2022.
Os BRICS também criaram um Acordo de Reserva de Contingência de 100 mil milhões de dólares, uma facilidade de liquidez em moeda estrangeira que os membros podem utilizar durante a turbulência financeira global.
Diz-se que o bloco está a pressionar para a criação de uma moeda comum, numa tentativa de desafiar o domínio do dólar. Não se espera que uma moeda do BRICS se concretize tão cedo. Por conseguinte, o bloco está atualmente a concentrar-se em aprofundar a utilização de moedas locais no comércio entre os membros.
"Para além da criação do Banco dos BRICS... é difícil ver o que o grupo fez para além de se reunir anualmente", opinou Jim O'Neill num artigo de 2021.
O sucesso limitado do agrupamento pode ser explicado pelos interesses muitas vezes divergentes e concorrentes dos seus membros, especialmente os da China e da Índia, que partilham uma fronteira disputada e viram os laços deteriorarem-se nos últimos anos.
Como se têm comportado o comércio e os investimentos entre os membros dos BRICS?
Os BRICS viram a sua influência económica aumentar nas últimas duas décadas, graças, em grande parte, aos anos de crescimento vertiginoso da China, a segunda maior economia do mundo em termos de PIB, e à ascensão da Índia, que emergiu como a quinta maior economia e é atualmente a grande economia com o crescimento mais rápido.
As economias da Rússia e do Brasil não conseguiram manter a sua dinâmica e voltaram ao ponto em que se encontravam em 2001 em termos da sua quota do PIB mundial. A economia sul-africana também tem tido dificuldade em mudar de velocidade desde que aderiu aos BRICS.
Embora os BRICS sejam agora uma força importante no comércio internacional, o comércio entre os seus membros tem-se mantido relativamente baixo na ausência de qualquer acordo de comércio livre a nível do bloco.
No que diz respeito aos investimentos, o bloco viu os fluxos anuais de investimento direto estrangeiro mais do que quadruplicarem de 2001 a 2021. O investimento intra-BRICS, no entanto, permanece moderado, representando uma quota de menos de 5% do seu stock combinado de IDE em 2020.
Porque é que outros países estão interessados em aderir aos BRICS?
A expansão dos BRICS é um dos principais tópicos da cimeira anual na África do Sul. Vinte e três países candidataram-se formalmente a membros a tempo inteiro dos BRICS, incluindo a Arábia Saudita, o Irão, os Emirados Árabes Unidos, a Argentina, a Indonésia, o Egipto e a Etiópia.
A China tem insistido na expansão dos BRICS para aumentar a sua influência política no meio da crescente rivalidade com os EUA. Para a Rússia, trata-se de procurar novos aliados numa altura em que está sujeita a sanções ocidentais devido à sua guerra na Ucrânia. O Brasil e a Índia há muito que se opõem à rápida expansão do bloco, com Nova Deli a desconfiar da crescente influência chinesa no clube.
Embora o BRICS tenha tido dificuldades em atingir o seu potencial económico, está a projetar-se como uma alternativa geopolítica a uma ordem mundial liderada pelos EUA, posicionando-se como representante do Sul Global. Os novos membros estão ansiosos por capitalizar a influência e o peso económico dos BRICS.
DW (Deutsche Welle)
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