BRASÍLIA/DF - A CPMI do 8 de Janeiro se reúne na próxima quinta-feira (24) para ouvir o depoimento de Luis Marcos dos Reis, sargento do Exército que integrava a equipe da Ajudância de Ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Reis é apontado como responsável por movimentação atípica de recursos financeiros que tiveram como destinatário o coronel Mauro Cesar Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro.
As informações estão em relatório de inteligência financeira (RIF) produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e enviado à CPMI no último dia 11. O documento é sigiloso, mas partes de seu conteúdo foram divulgadas pela imprensa.
No requerimento em que pede a convocação de Reis, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), identifica o sargento como “servidor responsável por atender demandas de Mauro Cid”, e afirma que o seu depoimento é “fundamental”. Outros seis parlamentares pediram a convocação. Todos os requerimentos foram apresentados antes de a comissão ter acesso ao RIF, portanto não citam as movimentações financeiras como justificativa para a convocação. O assunto poderá ser abordado pelos parlamentares mesmo assim.
Os requerimentos se debruçam principalmente sobre as ligações de Reis com a organização dos atos de 8 de janeiro. O senador Fabiano Contarato (PT-ES), por exemplo, explica que as investigações policiais envolvendo a equipe de auxiliares do ex-presidente Bolsonaro apontam premeditação e envolvimento dos servidores. “Tais documentos que comprovariam a tentativa de golpe de estado foram encontrados em mensagens trocadas entre o coronel Mauro Cid e o sargento Luis Marcos dos Reis”, diz o senador.
Luis Marcos dos Reis será ouvido na condição de testemunha. Em maio, ele foi preso durante as investigações de um esquema de falsificação do cartão de vacinação de Jair Bolsonaro.
Fonte: Agência Senado
SÃO CARLOS/SP - O Participa São Carlos, plano de reconstrução e transformação da cidade, de iniciativa do Partido dos Trabalhadores será lançado oficialmente às 19 horas do próximo dia 23 (quarta) no Centro do Professorado Paulista (CPP), com a participação do prefeito de Araraquara, Edinho Silva, que fará a palestra “Políticas Públicas Municipais e a Participação Popular”.
O ex-prefeito de São Carlos Newton Lima, que coordena o Participa São Carlos, enfatiza a importância da participação popular. “É preciso ouvir todos os setores da sociedade para discutirmos o futuro de São Carlos”, observa. O ex-prefeito Oswaldo Barba, a vereadora Raquel Auxiliadora, o professor da USP Carlos Martins e a ex-vice prefeita Rose Mendes também estão na coordenação geral do plano.
“Será uma honra e um aprendizado ouvirmos um dos melhores prefeitos do Brasil, que é o Edinho Silva, no lançamento do Participa São Carlos. Para nossa sorte ele é nosso vizinho e do Partido dos Trabalhadores”, brinca Newton Lima. Além das experiências bem sucedidas de todas as prefeituras brasileiras, o Participa São Carlos também irá se basear nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
O Participa São Carlos, com slogan Nossa cidade precisa de você!, foi apresentado para a imprensa no dia 31 de julho e já está sendo compartilhado em diversos grupos e segmentos de São Carlos já com muitas adesões e apoios. Dividido em 24 Núcleos Temáticos, o plano irá promover encontros presenciais com moradores de todos os bairros, entidades de classe e instituições representativas. “Estimular a participação social, ouvindo todos os setores da sociedade é o nosso jeito de atuar”, diz Rose Mendes.
“Cada Núcleo Temático terá um coordenador que deverá organizar encontros, reuniões e debates”, explica Barba. Já o professor da USP, Carlos Martins, destaca a importância do diagnóstico. “Todo são-carlense sabe que as políticas públicas não estão funcionando bem, vamos aprofundar esse diagnóstico, levantar dados, debater cada tema e propor caminhos”, registra.
A vereadora Raquel Auxiliadora explica que todos os partidos políticos podem discutir a cidade. “Pensar, debater e discutir o futuro da cidade é uma obrigação dos partidos, e é exatamente o que estamos fazendo do jeito que mais gostamos, ouvindo todos os segmentos sociais e econômicos, principalmente aqueles que mais precisam do poder público”, frisa.
No dia 23, além da palestra do prefeito Edinho Silva, serão apresentados os coordenadores dos Núcleos Temáticos, será feito um detalhamento sobre a dinâmica das reuniões e encontros e também serão apresentados os canais de participação virtual. “Todos os interessados em discutir a cidade são bem-vindos”, diz Newton Lima.
BRASÍLIA/DF - Nos primeiros 200 dias de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou 97 dos 210 decretos, portarias, instruções normativas e resoluções do governo anterior, considerados prioritários para a garantia dos direitos da população. O apontamento é de um estudo realizado pela Fundação Lauro Campos e Marielle Franco e pelo escritório regional no Brasil da fundação alemã Rosa Luxemburgo.
O levantamento Revogaço e a Reconstrução da Democracia Brasileira mostra, por exemplo, a revogação dos estudos para a privatização de estatais e a retirada de empresas do programa de privatização, como os Correios, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a Dataprev, o Serpro e a Conab.
A retomada das políticas de transparência de dados e informações como a quebra do sigilo de 100 anos decretado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, a retomada das políticas de fiscalização ambiental e do trabalho análogo à escravidão com multas e punições aos infratores também são apontados como resultados diretos dos atos revogados pelo presidente Lula.
Outro apontamento do estudo é a reconstrução da área de políticas de gênero do Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção à população LGBTQIAPN+, povos indígenas e quilombolas. Um exemplo é a anulação da Instrução Normativa n. 128, de 30 de agosto de 2022, que impedia a titulação de terras quilombolas. O governo Lula também recriou o extinto Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queers, Intersexos, Assexuais e Outras, revogando o Decreto 9.883/2019, que criava o Conselho Nacional de Combate à Discriminação.
Ainda em 2022, pesquisadores das duas instituições haviam feito uma análise de cerca de 20 mil normas infralegais, desde decretos, portarias, instruções normativas e resoluções do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de centenas de medidas provisórias, projetos de lei e emendas constitucionais. O trabalho foi apresentado ao governo de transição do governo Lula.
![]()
Brasília (DF) - Natália Szermeta, presidente da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco. Foto: INSTAGRAM/Natália Szermeta
“Identificamos sensíveis e importantes avanços. Esperamos com esse novo estudo ampliar o debate público e fortalecer os argumentos para seguirmos retirando os entraves infralegais deixados pelo bolsonarismo. Assim podemos avançar ainda mais na agenda de direitos sociais vencedora nas urnas”, disse Natália Szermeta, presidente da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco.
Os 97 atos revogados em 2023 pelo presidente Lula fazem parte de um rol de prioridades listadas em 2022. Desse conjunto de normas anuladas, 60 foram apontadas como questão primordial para a democracia no Brasil.
Segundo o cientista político Josué Medeiros, coordenador do Núcleo de Análises, Pesquisa e Estudos (Nape) e da pesquisa do Revogaço em 2022 e 2023, outros temas como a política de drogas também devem ter avanços em breve, especialmente após a conclusão da votação no Supremo Tribunal Federal sobre a descriminalização do porte de maconha. “Com o levantamento de 2023, analisamos o quanto avançamos em 200 dias de governo Lula e também destacamos o quanto falta avançar, o que só ocorrerá com mobilização da sociedade brasileira em defesa da democracia”, disse Medeiros.
Por Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil
SÃO CARLOS/SP - A Câmara Municipal de São Carlos realiza na próxima segunda-feira, dia 21 de agosto, às 19h, na Sala das Sessões do Edifício Euclides da Cunha uma sessão solene em comemoração ao Dia do Maçom, quando Paulo Estevão Cruvinel receberá o prêmio “Jesuíno de Arruda”.
A premiação foi instituída pela lei municipal 14.145, de 2007, adicionada à lei 12.839, de 2001, que regulamentou a comemoração oficial. O vereador Robertinho Mori será o orador oficial da solenidade.
A solenidade será transmitida ao vivo pelo canal 20 da NET, pelo canal 49.3 - TV Aberta Digital, canal 31 da Desktop / C.LIG, online via Facebook e canal do Youtube, por meio da página oficial da Câmara Municipal de São Carlos.
BRASÍLIA/DF - Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi confrontado pelo relator da comissão, deputado Ricardo Salles (PL-SP), sobre sua posição em relação à invasão de terras. Embora tenha dito que é contra, Fávaro defendeu o direito à manifestação quando feita dentro da lei e da ordem, o que levou Salles a questioná-lo quanto à ocupação de terras devolutas - terras públicas sem destinação pelo poder público e que em nenhum momento integraram o patrimônio de um particular, ainda que estejam irregularmente sob sua posse.
“A reivindicação é legítima. Eu entendo que o direito à propriedade, o direito de ter o sonho de terra é legítimo e é legítimo também o direito à manifestação. Mas também quem exacerbar, responde. Se ele invadir, responde por isso. Agora, invasão de terra privada e invasão de prédio público eu já declarei isso diversas vezes, eu sou contrário, mais do que o contrário, a lei proíbe, pronto”, respondeu o ministro.
Ricardo Salles apontou a contradição com outras posições de parlamentares do PT e do Psol, que, segundo ele, defendem a invasão dessas áreas porque o proprietário que está lá produzindo não seria um proprietário e sim um invasor.
“Inclusive veio aqui a dona Maria Nanci, que é uma senhora que adquiriu uma fazenda em Rosana, no Pontal do Paranapanema, e que essa área foi invadida pela Frente Nacional de Luta, que é uma franquia do MST lá no Pontal do Paranapanema, e o que eles disseram aqui foi: não pode vir a Maria Nanci dizer nada a respeito do assunto porque a Maria Nanci é que é invasora”, disse Salles.
A CPI foi criada para investigar a atuação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O requerimento de convocação foi transformado em convite para o ministro esclarecer as providências adotadas após invasões recentes.
Retomada das invasões
O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) afirmou que, desde o início do governo Lula, o MST anunciou a retomada das invasões de propriedades e que João Pedro Stedile divulgou nos canais oficiais do movimento que o MST realizaria invasões em todo o Brasil ao longo do mês de abril. A CPI já ouviu Stédile, que, na ocasião, afirmou que o movimento adota uma série de medidas para coibir irregularidades.
Reforma agrária
O deputado Valmir Assunção (PT-BA) parabenizou o ministro da Agricultura pelas explicações, mas afirmou que a CPI já tem relatório pronto mesmo antes das investigações.
“Se querem colocar no relatório ou querem criminalizar os deputados, é da vida, não tem problema nenhum, porque a vida é assim. Hoje querem criminalizar aqueles que apoiam a luta pela reforma agrária, amanhã vão criminalizar quem?”, questionou.
Os trabalhos da CPI do MST terminam em 14 de setembro.
Reportagem - Luiz Cláudio Canuto / Agência Câmara de Notícias
ALEMANHA - EUA concordaram com a venda do sistema de defesa antimísseis israelense Arrow 3 para a Alemanha, um contrato de defesa no valor de US$ 3,5 bilhões (aproximadamente 17,5 bilhões de reais, na cotação atual), apresentado como "o maior já assinado" por Israel. O anúncio deste acordo foi feito pelo Ministério da Defesa de Israel.
O sistema Arrow (que signifca flecha, em inglês) é desenvolvido e fabricado pela Israel Aerospace Industries (IAI) em colaboração com a fabricante americana de aeronaves Boeing. Já o Arrow 3, o nível superior deste sistema antimísseis, destina-se a interceptar dispositivos acima da atmosfera com um alcance que pode chegar a 2.400 km.
"O Ministério da Defesa de Israel, o Ministério Federal da Defesa da Alemanha e o IAI devem assinar o histórico acordo de defesa de US$ 3,5 bilhões, marcando o maior acordo de defesa já assinado por Israel", disse o funcionário.
"Este projeto de abastecimento é essencial para poder proteger a Alemanha de ataques com mísseis balísticos no futuro", disse o ministro da Defesa, Boris Pistorius, em Berlim.
Além disso, o sistema "deve proteger os céus europeus, e estamos visando sua integração no escudo de defesa da OTAN", disse ele em sua conta no X (ex-Twitter).
"Virada histórica"
A Alemanha decidiu reinvestir maciçamente em seu exército de soldados voluntários das Forças Armadas Alemãs, o Bundeswehr, após a invasão russa da Ucrânia há um ano e meio. Foi criado um fundo especial de 100 bilhões de euros para a sua modernização, dois terços dos quais serão comprometidos até ao final de 2023, segundo dados oficiais.
Berlim lançou o projeto European Sky Shield em outubro, que conta com os sistemas antiaéreos alemães Iris-T para defesa antiaérea de curto alcance, o American Patriot para médio alcance e o americano-israelense Arrow 3 para longo alcance. Até agora, o projeto reuniu pelo menos 17 países.
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, chamou o acordo de "o mais importante na história de Israel" que "ajudará a fortalecer Israel e sua economia". Segundo ele, o contrato final deve ser assinado até o final de 2023 após sua aprovação pelos parlamentos alemão e israelense, com entrega prevista para o final de 2025.
Em um aceno para a história, Netanyahu lembrou em seu comunicado à imprensa que "75 atrás, o povo judeu foi reduzido a cinzas na Alemanha nazista, 75 depois, o Estado judeu dá à Alemanha, outra Alemanha, ferramentas para se defender (...) Que virada histórica!" ele disse, referindo-se ao Holocausto, a tentativa da Alemanha de Hitler de exterminar os judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Puramente defensivo
A IAI vai instalar uma nova infraestrutura para o programa alemão e contratará novos engenheiros e funcionários em Israel e nos Estados Unidos, disse o diretor da Organização de Defesa contra Mísseis de Israel, Moshe Patel.
"O governo alemão quer que seja exatamente o mesmo sistema que usamos", disse ele a repórteres.
A Alemanha está comprando "a estrutura completa" do sistema que pode proteger todos os cidadãos alemães, disse ele, acrescentando que outros países, principalmente na Europa, estariam interessados no sistema.
Para o presidente do IAI, Boaz Levy, o Arrow 3 é um "sistema variável". "Ele pode ser modificado de acordo com as ameaças, e é por isso que a Alemanha está comprando o sistema que pode ser usado de acordo com suas próprias necessidades", detalhou Levy em comunicado.
Este acordo torna Israel um jogador "importante", não apenas regionalmente, mas também globalmente, disse à AFP Miri Eisin, ex-oficial da inteligência militar israelense, lembrando que é puramente "defensivo".
O Arrow 3, que foi projetado para lidar com as crescentes capacidades dos adversários regionais de Israel, como Irã e Síria, foi testado com sucesso no passado, segundo as autoridades israelenses.
(Com AFP)
por RFI
COREIA DO NORTE - O líder norte-coreano Kim Jong Un visitou áreas rurais atingidas pelo tufão e supervisionou helicópteros militares que lançaram pesticidas para tentar salvar as colheitas, informou nesta sexta-feira (18) a imprensa estatal.
A tempestade tropical Khanun passou pela Coreia do Norte na semana passada depois de atingir o Japão.
As catástrofes naturais podem ter um impacto forte na Coreia do Norte devido a suas frágeis infraestruturas e ao desmatamento, que aumenta os riscos de enchentes.
Estas imagens foram divulgadas horas após a Coreia do Norte ter sido acusada pelo Conselho de Segurança da ONU de aplicar recursos em seu programa nuclear em detrimento de sua população, que passa fome e necessita de produtos essenciais.
A agência de inteligência da Coreia do Sul indicou ao Legislativo na quinta-feira que 240 norte-coreanos morreram de fome entre janeiro e julho deste ano, afirmou o parlamentar Yoo Sang-bum a jornalistas.
Kim visitou plantações de arroz afetadas pelo tufão na província de Kangwon e disse que haverá "reparação total dos danos" graças ao patriotismo dos soldados que ajudaram a salvar a colheita, informou a agência de notícias estatal KCNA.
A imprensa estatal divulgou imagens de Kim vestido de branco no arrozal enquanto helicópteros militares pulverizavam os campos.
Kim instou o setor agrícola a "minimizar os danos" para garantir que a Coreia do Norte possa "cumprir a meta de produção de grãos para este ano".
Porém, vários especialistas questionam a eficácia de sua estratégia.
"A ordem dada por Kim Jong Un de mobilizar os aviões da força aérea não é mais que um espetáculo", explicou à AFP An Chan-il, desertor norte-coreano e presidente do Instituto Mundial de Estudos Norte-Coreanos.
"O momento apropriado para lançar pesticidas nos cultivos já passou", afirmou.
O recente foco de Pyongyang no setor agrícola parece ser "resultado do desespero com a possibilidade de que a questão alimentar se torne um problema grave", disse à AFP Hong Min, do Instituto Coreano para a Unificação Nacional.
SÃO CARLOS/SP - Na tarde de quarta-feira (16), o legislativo municipal, aprovou, em sessão ordinária, o projeto de lei do vereador Bruno Zancheta que Institui o "Dia de Prevenção, Orientação e Tratamento ao Acidente Vascular Cerebral (AVC/AVE)" no município de São Carlos. O projeto foi apreciado e aprovado por unanimidade por todos os parlamentares.
Bruno Zancheta destacou: “Nosso intuito é muito claro: conscientizar a população sobre os riscos e realizar um trabalho preventivo em toda rede municipal de saúde”.
“Gostaria de agradecer a todos os vereadores pela sensibilidade e por votaram favorável a esse projeto de lei. Agora o projeto irá para a Prefeitura Municipal para aguardar a sanção do prefeito Airton Garcia”, finalizou o parlamentar.
WASHINGTON - Washington Joe Biden não escolheu à toa o lugar onde vai receber o presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, e o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, nesta sexta (18).
Oficialmente, Camp David é o retiro de campo dos presidentes americanos, a cerca de 110 km da Casa Branca. Historicamente, é palco dos principais encontros diplomáticos do país foi ali que Egito e Israel selaram um acordo de paz em 1978 sob a mediação de Jimmy Carter.
Desde 2015, porém, o local não recebia nenhuma liderança estrangeira. O encontro é o primeiro na história somente entre os três países, fora de um evento maior como o G20 e a Assembleia-Geral da ONU.
A expectativa é que seja anunciada nesta sexta uma cooperação militar e econômica muito mais forte entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão. O objetivo é promover uma coordenação estratégica entre os países para fazer frente à Coreia do Norte e à China que já está chamando a iniciativa de "mini-Otan", em referência à aliança militar ocidental, e de um passo dos EUA em direção a uma nova Guerra Fria.
Concretamente, são esperadas medidas como a criação de uma linha direta entre os três países para ser acionada em momentos de crise, exercícios militares conjuntos, fortalecimento das cadeias de produção especialmente de semicondutores e baterias para carros elétricos e o compromisso de repetir a reunião anualmente.
"O fortalecimento do nosso engajamento faz parte dos nossos esforços mais abrangentes para revitalizar, fortalecer e unir as nossas alianças e parcerias e, neste caso, para ajudar a concretizar uma visão compartilhada de um Indo-Pacífico que seja livre e aberto, próspero, seguro, resiliente e conectado", afirmou o secretário de Estado americano, Antony Blinken, durante conversa com jornalistas na terça (15).
Líderes de Japão e Coreia do Sul foram os primeiros a serem recebidos na Casa Branca por Biden e são os principais aliados dos americanos na região. Juntos, eles sediam cerca de cem bases militares e 80 mil soldados dos EUA. No entanto, problemas históricos entre os países asiáticos sempre impediram um alinhamento maior entre os três países, o cenário ideal para Washington.
Por isso, o encontro tem um peso simbólico enorme para Tóquio e Seul, cuja relação é marcada por um forte antagonismo que vem da violenta ocupação da Coreia pelos japoneses de 1910 a 1945.
"O governo Biden busca institucionalizar a cooperação trilateral porque ela oferece uma base mais sólida do que ter que gerenciar alianças bilaterais separadas", afirma Scott Snyder, diretor do programa de política EUA-Coreia do think tank Council on Foreign Relations (CFR), sediado em Washington. "É uma resposta à convergência nas percepções de ameaça por parte de EUA, Japão e Coreia do Sul, reflexo de uma China que busca operar seguindo um conjunto de regras diferente daquele que tem estado em vigor no leste da Ásia por décadas", completa.
Esse temor do poderio chinês, com a crescente tensão em relação à Taiwan, soma-se às ameaças nucleares norte-coreanas e a interesses próprios dos líderes asiáticos para resultar em uma oportunidade única para os americanos fazerem seus aliados sentarem na mesa, avaliam analistas.
Yoon e Kishida são vistos como líderes conservadores, pragmáticos e ansiosos por uma vitória diplomática que lhes renda popularidade. Desde que tomou posse, o sul-coreano vem buscando se aproximar do Japão, e os dois países chegaram a um plano de compensação referente à exploração de trabalho forçado por japoneses durante os anos de ocupação.
Essa tentativa coreana de ganhar espaço na região colocou os chineses em alerta. Em editorial, o jornal Global Times, vinculado ao Partido Comunista Chinês, diz duvidar que as autoridades sul-coreanas "entendam o que as águas turvas em que estão se metendo" significam para o país.
"Se eles estivessem conscientes, não demonstrariam esse nível de entusiasmo e ansiedade ao receberem seu ingresso para a cúpula de Camp David, parecendo uma criança da pré-escola recebendo uma estrelinha do professor. Em vez disso, estariam cheios de um profundo temor e cautela, como se estivessem à beira de um abismo ou pisando em gelo fino", completa o texto.
"Não importa o quanto você tinja seu cabelo de loiro, o quanto você afine seu nariz, você nunca pode se tornar um ocidental", afirmou Wang Yi, principal diplomata da China, em julho, segundo a CNN.
A resposta norte-coreana não foi menos agressiva. Segundo o veículo chinês, o ministro da Defesa da Coreia do Norte, Kang Sun-man, disse que os EUA estão deixando o nordeste da Ásia à beira de uma guerra nuclear.
Do lado japonês, Kishida dá continuidade como presidente a esforços que vem fazendo desde que foi chanceler. Em 2015, ele negociou o acordo sobre as "mulheres de conforto", como eram chamadas as vítimas de prostituição e escravidão sexual durante a ocupação japonesa na Coreia do Sul.
Líderes asiáticos não são os únicos com interesses no acordo. Para Biden, é outro passo em uma política mais dura contra Pequim há duas semanas, Washington anunciou a proibição de investimentos em tecnologias que possam ser usadas com fins militares por determinados países. Entre eles, claro, a China.
Outras iniciativas dos EUA contra Pequim são o Quad, aliança em que Washington se une a Japão, Índia e Austrália, e o Aukus, em conjunto com Reino Unido e Austrália.
por FERNANDA PERRIN / FOLHA DE S.PAULO
BRASÍLIA/DF - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na quinta-feira (17) a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Jair Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A medida foi solicitada na semana passada pela Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação da Operação Lucas 12:2, que apura o suposto funcionamento de uma organização criminosa para desviar e vender presentes recebidos pelo ex-presidente de autoridades estrangeiras.
Segundo as investigações, os desvios começaram em meados de 2022 e terminaram no início deste ano. Entre os envolvidos estão o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, e o pai dele, o general de Exército, Mauro Lourena Cid. O militar trabalhava no escritório da Apex, em Miami.
Conforme regras do Tribunal de Contas da União (TCU), os presentes de governos estrangeiros deviam ser incorporados ao Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH), setor da Presidência da República responsável pela guarda dos presentes, e que não poderiam ficar no acervo pessoal de Bolsonaro, nem deixar de ser catalogados.
A Agência Brasil buscou contato com a defesa de Bolsonaro, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Por André Richter - Repórter da Agência Brasil
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.