SÃO CARLOS/SP - O município divulgou o balanço atualizado das arboviroses, apontando que, em 2026, já foram confirmados 19 casos de dengue. Outros 39 casos foram descartados após análise laboratorial, enquanto um ainda aguarda resultado de exame. Até o momento, não há registro de óbitos pela doença neste ano.
Ainda de acordo com os dados oficiais, não houve notificações de Chikungunya, Zika ou Febre Amarela em 2026, indicando um cenário mais controlado em comparação com o ano anterior.
Em 2025, o quadro foi significativamente mais grave. Ao longo do ano, foram registradas 31.553 notificações suspeitas de dengue. Desse total, 11.105 casos foram descartados e 20.429 tiveram confirmação da doença. No período, 24 óbitos foram confirmados como decorrentes da dengue, enquanto outros 26 foram descartados após investigação.
Em relação à Chikungunya, 2025 contabilizou 643 notificações, das quais 637 foram descartadas. Houve confirmação de cinco casos, sendo dois importados e três autóctones, além de um caso que permaneceu em investigação. Para o vírus da Zika, foram registradas 574 notificações, todas posteriormente descartadas.
Já a Febre Amarela teve três notificações em 2025. Duas foram descartadas e uma resultou em óbito confirmado.
As autoridades de saúde reforçam a importância da prevenção, especialmente no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor das doenças, com a eliminação de criadouros e a adoção de medidas de proteção, mesmo diante da redução no número de casos em 2026.
BRASÍLIA/DF - No dia 8 de dezembro de 2020, menos de 1 ano após a primeira comunicação oficial sobre as infecções causadas pelo coronavírus, a britânica Margaret Keenan se tornava a primeira pessoa vacinada contra a doença no mundo fora dos ensaios clínicos.
A rapidez, classificada como suspeita por disseminadores de desinformação, na verdade foi uma demonstração do nível de mobilização global para controlar a doença, e uma vitória do acúmulo científico. A avaliação é da diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Rosane Cuber, uma das pessoas responsáveis por trazer a vacina ao Brasil.
A pesquisadora explica que todas as vacinas, mesmo as vacinas de RNA e as de vetor viral, já eram plataformas estabelecidas, que já tinham sido desafiadas e usadas em outras situações.
"Elas só passaram por uma adequação. Não surgiram do nada. Tem muito acúmulo de pesquisa, muito acúmulo de conhecimento que foi aproveitado pro desenvolvimento rápido de novas vacinas", complementa.
Durante a pandemia, Rosane era vice-diretora de qualidade em Bio-Manguinhos, que é a unidade da Fiocruz responsável pela produção de vacinas, biofarmacos e kits diagnósticos. O instituto trouxe a vacina de Oxford/Astrazeneca para o Brasil, e entregou ao todo 190 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações.
O trabalho no instituto teve início assim que os casos de covid-19 começaram a se espalhar pelo mundo. Em março de 2020, no mesmo mês em que a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde, Bio-Manguinhos inaugurou sua produção de testes para o diagnóstico do vírus.
Em paralelo, outro grupo de trabalho dentro da instituição passou a prospectar vacinas em desenvolvimento, para identificar qual poderia ser trazida ao Brasil por meio de um contrato de transferência de tecnologia.
As negociações com a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca começaram em agosto do mesmo ano e logo exigiram adaptações no instituto, a começar pela construção de um arcabouço jurídico que permitisse a transferência de tecnologia de um produto que ainda não estava pronto.
"A gente conseguiu porque nós paramos todas as outras atividades do instituto. Os grupos todos se voltaram para esse único objetivo de trazer a vacina, com muitos treinamentos diários".
"A gente teve uma mobilização da sociedade civil também muito grande para poder facilitar a compra de equipamentos, insumos, material".
A primeira leva da vacina Oxford/Astrazeneca, com 2 milhões de vacinas prontas, chegou ao Brasil em janeiro de 2021, dias após a aprovação de uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aplicação começou no dia 23 de janeiro.
Já a partir de fevereiro, apenas o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da vacina continuou a ser importado, e o instituto passou a fazer o envaze, a rotulagem e o controle de qualidade nas suas próprias instalações.
Enquanto isso, lembra Rosane, áreas produtivas foram adaptadas para a última etapa da transferência de tecnologia: a produção do IFA em solo nacional. A partir de fevereiro de 2022, a população passou a receber a vacina 100% brasileira.
Rosane Cuber ressalta que todo esse processo foi facilitado pelas capacidades que Bio-Manguinhos já possuía, como principal laboratório público de desenvolvimento de vacinas do Brasil. A diretora explica ainda que a Anvisa acompanhou todo o processo de perto, reforçando a segurança da vacina.
"A gente já tem uma história muito grande de fazer transferência de tecnologia e de produzir aqui. Então, realmente, só foi possível porque Bio-Manguinhos tinha capacidade instalada. A gente já tem vacinas que são completamente nacionalizadas, que são produções nossas de muitos anos. E que possibilitaram não só um conhecimento técnico, mas também uma capacidade industrial instalada"
A produção da vacina pela Fiocruz foi interrompida com o fim da pandemia, depois que outras vacinas mais modernas passaram a ser adquiridas pelo Ministério da Saúde. O imunizante produzido pelo instituto foi o mais utilizado no Brasil em 2021, ano em que a imunização começou no Brasil. Especialistas estimam que 300 mil vidas foram poupadas apenas neste primeiro ano
“Só o fato da gente ter conseguido contornar e bloquear a covid no Brasil, isso por si só já bastaria como legado. Mas, além disso, esse processo nos deixou qualificados e com a estrutura fabril pronta para outros produtos que são importantes também para os SUS” afirma a diretora de Bio-Manguinhos.
Uma das heranças diretas desse período é a pesquisa para criar uma terapia avançada para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença rara e degenerativa que leva à perda da força muscular, afetando a mobilidade e até a deglutição e a respiração. Os medicamentos disponíveis chegam a custar R$ 7 milhões.
A terapia criada por Bio-Manguinhos utiliza uma plataforma de vetor viral, a mesma utilizada na vacina de Oxford/Astrazeneca. A Anvisa já autorizou os estudos clínicos para verificar a eficácia do medicamento, que devem começar este ano.
“São terapias caríssimas e que a gente vai conseguir fazer uma redução aí significativa de custo pro SUS”, reforça Rosane.
Este ano também começam os testes em humanos de uma vacina contra a covid-19 utilizando a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma utilizada na vacina da Pfizer, por exemplo. Rosane Cuber explica que a plataforma já estava sendo estudada no instituto para o tratamento do câncer, mas a criação de vacinas de mRNA durante a pandemia abriu os horizontes de pesquisa também para essa finalidade.
“Covid é um vírus que veio para ficar. Hoje, ele não é mais pandêmico, mas a gente ainda tem surtos. Se eu produzo essa vacina nacionalmente, eu reduzo o preço, e tem uma questão de soberania. Com uma vacina 100% nacional, você não precisa depender de ninguém”, defende Rosane Cuber.
O desempenho do instituto da Fiocruz durante a pandemia também aumentou a sua projeção global. Bio-Manguinhos é um dos seis laboratórios no mundo escolhidos como centro de produção pela Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias. Isso significa que, se uma nova epidemia ou pandemia acontecer, o laboratório brasileiro será acionado e receberá informações em primeira mão para desenvolver e produzir vacinas para toda a América Latina.
O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz também foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde como hub regional para o desenvolvimento de novos produtos com a plataforma de rna mensageiro. Rosane destaca a importância desse reconhecimento, considerando que Bio-Manguinhos é um laboratório público.
“O nosso direcionamento não é o lucro, mas sim aquilo que é lucro para sociedade. A gente faz entregas para a população brasileira”
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - O município de São Carlos sedia, na próxima sexta-feira (23/01), uma Oficina de Atualização em Arboviroses promovida pelo Departamento Regional de Saúde - DRS-III de Araraquara. A atividade será realizada a partir das 13h, no auditório do Paço Municipal, e é direcionada a médicos da chamada Região Coração, que engloba os municípios de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos.
A oficina tem como objetivo promover a atualização técnica e o alinhamento de condutas clínicas frente às arboviroses. Entre as enfermidades mais conhecidas estão Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela, todas associadas a vetores como o mosquito Aedes aegypti.
De acordo com o DRS-III de Araraquara, o tema é considerado estratégico para a saúde pública regional, contribuindo para o fortalecimento da assistência e para a qualificação do atendimento prestado à população. A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, destaca a importância da participação dos profissionais. “Diante do cenário epidemiológico atual, a participação dos médicos é fundamental para qualificarmos ainda mais o cuidado aos pacientes”, afirmou.
Em São Carlos, em 2026, foram registrados até o momento sete casos confirmados de dengue. Outros oito casos aguardam resultado de exame e 34 foram descartados, sem registro de óbitos. Para Chikungunya, Zika e Febre Amarela não houve notificações até o momento.
Já em 2025, o município contabilizou 20.429 casos positivos de dengue, com 24 óbitos confirmados. No mesmo período, foram registrados cinco casos positivos de Chikungunya — sendo dois importados e três autóctones. Em relação à Zika, não houve confirmações. Para Febre Amarela, foram notificadas três ocorrências, com dois casos descartados e um óbito confirmado.
“Receber essa oficina em São Carlos reforça o compromisso do município com a qualificação permanente dos nossos profissionais de saúde. As arboviroses continuam sendo um grande desafio para a saúde pública, especialmente em períodos de maior circulação do mosquito transmissor. Atualizar condutas, trocar experiências e alinhar protocolos com toda a região é fundamental para garantir diagnósticos mais rápidos, tratamento adequado e, principalmente, a redução de complicações e óbitos. Investir em capacitação é investir diretamente na proteção da população”, ressalta Leandro Pilha, secretário municipal de Saúde.
BOTUCATU/SP - O Governo de São Paulo dá um passo histórico no combate à dengue. No próximo domingo, 18 de janeiro, a cidade de Botucatu inicia a vacinação em massa com a Butantan-DV, a vacina 100% brasileira desenvolvida Instituto Butantan, que protege dos quatro sorotipos da doença. A cidade é uma das três escolhidas pelo Ministério da Saúde para um estudo de impacto da imunização.
A campanha será realizada inicialmente no município de Botucatu, escolhido pela sua estrutura de saúde e pela experiência comprovada em operações de vacinação em massa contra a Covid-19. A estratégia tem como meta proteger 90% da população entre 15 e 59 anos e avaliar, em larga escala, a efetividade do novo imunizante, que já demonstrou segurança e eficácia em estudos clínicos anteriores. A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp participa da ação e vai monitorar de perto os casos de dengue do município, a partir de uma análise laboratorial criteriosa. Os resultados vão compor o estudo.
No dia da vacinação, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Botucatu e o Espaço Saúde estarão abertos das 8h às 17h para atender a população. A orientação é que os moradores procurem, preferencialmente, a unidade de referência do seu bairro, o que ajuda a organizar e agilizar o atendimento. Para receber a dose, é necessário apresentar documento com foto, CPF e comprovante de residência.
Diferente das demais vacinas disponíveis no mercado, a Butantan-DV destaca-se pela tecnologia de dose única, o que permite uma imunização mais rápida da população e reduz drasticamente os custos e a logística de aplicação.
A aprovação da vacina é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, encaminhados à Anvisa. De acordo com o estudo, no público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.
Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, (exantema (manchas vermelhas) no corpo, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.
A vacina da dengue do Instituto Butantan é a primeira que pode ser aplicada em apenas uma dose no mundo, o que tem potencial de facilitar a adesão do público e a logística da estratégia. Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório publicado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e enfrentamento da doença.
O Instituto Butantan pretende ampliar a faixa etária de vacinação tanto para o público pediátrico quanto para aqueles acima de 60 anos. Para isso, já recebeu aprovação da Anvisa para avaliar a vacina da dengue na população de 60 a 79 anos. Se os resultados da pesquisa forem satisfatórios, será possível solicitar à agência reguladora a inclusão desse grupo nas recomendações do imunizante. Além disso, mais dados deverão ser coletados para avaliar a possível inclusão das crianças de 2 a 11 anos nas recomendações da vacina. Os estudos clínicos realizados já comprovaram que a vacina é segura nesta faixa etária.
BRASÍLIA/DF - O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção de herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão está em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).
De acordo com relatório divulgado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), disponível online, a vacina foi considerada cara diante do impacto que poderia ter em relação ao combate a doença.
A vacina recombinante adjuvada para prevenção do herpes-zóster é voltada para idosos com idade maior ou igual a 80 anos e indivíduos imunocomprometidos com idade maior ou igual a 18 anos.
“O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, afirma o relatório.
O relatório apresenta também um cálculo dos custos em relação a população que seria beneficiada pelo imunizante. “Ao vacinar 1,5 milhão de pacientes por ano, o custo seria de R$ 1,2 bilhão por ano e, no quinto ano, a vacinação dos 471 mil pacientes restantes com um custo de R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total seria de R$ 5,2 bilhões. Dessa forma, a vacina foi considerada não custoefetiva”, diz o texto publicado.
Segundo a portaria publicada nesta semana, a matéria poderá ser submetida a novo processo de avaliação pela Conitec, caso sejam apresentados fatos novos que possam alterar o resultado da análise efetuada.
O herpes-zóster é uma condição de saúde causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora. Quando a pessoa tem catapora, o vírus permanece no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, ocasionando o herpes-zóster. Essa reativação é mais comum em pessoas idosas ou com a imunidade baixa.
Os primeiros sintomas são queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Depois de um ou dois dias, surgem manchas vermelhas que evoluem para pequenas bolhas cheias de líquido. Essas bolhas podem secar e formar crostas. As lesões aparecem em apenas um lado do corpo e seguem o caminho de um nervo, o que dá ao herpes-zóster seu aspecto característico. As áreas mais afetadas costumam ser o tronco, a face, a lombar e o pescoço. Esse processo dura cerca de duas a três semanas.
Segundo informações do relatório divulgado pela Conitec, o herpes-zóster geralmente melhora sozinho, mas em alguns casos pode causar complicações graves, como alterações na pele, no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos.
Nos casos leves e sem risco de agravamento, o SUS oferece tratamento sintomático com remédios para aliviar a dor, febre e coceira, além de orientações de higiene e cuidados com a pele. Quando o risco é maior, como em pessoas idosas, imunocomprometidas ou com doença grave, recomenda-se o uso do antiviral aciclovir.
De acordo com dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e hospitalares (SIH/SUS), entre 2008 a 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações de pacientes com herpes-zóster no Brasil.
Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS, entre os anos de 2007 e 2023, 1.567 pessoas morreram por herpes-zóster no país, o que representou uma taxa de mortalidade pela doença de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes no período. Do total de óbitos registrados, 90% foram de pessoas com idade maior ou igual a 50 anos, sendo 53,4% em idosos mais de 80 anos de idade.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - O ano de 2026 registra, até o momento, um cenário controlado em relação à dengue, com sete casos confirmados da doença. Outros oito pacientes aguardam resultado de exames laboratoriais, enquanto 34 notificações já foram descartadas. Não há registro de óbitos neste ano. As demais arboviroses monitoradas — Chikungunya, Zika e Febre Amarela — não apresentaram nenhuma notificação até agora, segundo dados oficiais.
O panorama atual contrasta fortemente com o ano anterior, quando o município enfrentou uma das maiores epidemias de dengue de sua história recente. Em 2025, foram contabilizadas 31.553 notificações, das quais 20.429 resultaram em confirmação da doença e 11.105 foram descartadas. O período também foi marcado por 24 mortes confirmadas por dengue, além de outras 26 investigadas e posteriormente descartadas.
Apesar da redução expressiva em 2026, as autoridades de saúde reforçam que o cenário exige atenção contínua, com ações de prevenção, eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e conscientização da população para evitar um novo avanço da doença ao longo do ano.
SÃO CARLOS/SP - O vereador Jùlio Cesar (PL) oficializou a destinação de recursos de emenda impositiva, no orçamento de 2026, voltados ao fortalecimento da estrutura de ensino da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos. A verba será direcionada especificamente para atender às demandas do Instituto de Estudo e Pesquisa (IEP) da instituição.
O objetivo central é viabilizar a aquisição de equipamentos médicos de treinamento, fundamentais para a qualificação técnica de estudantes e residentes, assim, acolhendo a solicitação feita diretamente pela administração do hospital.
Para Jùlio Cesar, o aporte financeiro visa garantir que a Santa Casa mantenha sua excelência não apenas no atendimento, mas também como polo formador de novos profissionais.
"Recebemos o pedido do IEP e entendemos a urgência de modernizar a estrutura de ensino. Ao destinarmos essa emenda para a compra de equipamentos de treinamento, estamos investindo diretamente na qualidade do profissional que atenderá a nossa família lá na frente. O resultado prático dessa ação é uma saúde mais qualificada para toda a comunidade são-carlense", afirmou o vereador.
Os novos equipamentos permitirão simulações e práticas mais avançadas, essenciais para a formação de médicos e enfermeiros capacitados para lidar com situações complexas no dia a dia hospitalar. Com a destinação da emenda, o parlamentar reforça seu compromisso com a saúde pública e com o suporte às instituições filantrópicas da cidade.
ITÁLIA - Uma mulher de 70 anos foi indenizada em 500 mil euros (R$ 3,15 milhões) pela Justiça italiana após passar quatro anos submetida a quimioterapia agressiva para tratar um câncer que, mais tarde, se comprovou inexistente. O caso, revelado pela imprensa local, é resultado de um erro de diagnóstico ocorrido em um hospital universitário de Pisa, no início dos anos 2000, e deixou sequelas físicas e psicológicas permanentes.
Segundo o jornal Corriere Fiorentino, tudo começou em 2006, quando a paciente, então com 42 anos, realizou exames na unidade de saúde e recebeu o diagnóstico de linfoma terminal, um tipo grave de câncer do sistema linfático que afeta os intestinos. A partir daí, foi submetida a um tratamento considerado altamente invasivo.
Entre janeiro de 2007 e maio de 2011, a italiana passou por ciclos intensos de quimioterapia e pelo uso prolongado de corticosteroides. O tratamento provocou um forte desequilíbrio hormonal, comprometeu o sistema imunológico e desencadeou quadros de depressão e ansiedade. Apenas em 2011, após a realização de uma biópsia óssea, os médicos constataram que a paciente nunca teve câncer.
Diante da revelação, a mulher acionou a Justiça por negligência médica. Em primeira instância, recebeu uma indenização de 300 mil euros (R$ 1,89 milhão), valor que considerou insuficiente diante dos danos sofridos ao longo de anos de tratamento desnecessário. O caso voltou a ser analisado e, na última quinta-feira, o tribunal decidiu elevar a compensação para 500 mil euros (R$ 3,15 milhões).
Na decisão, os magistrados afirmaram que o aumento é plenamente justificado pela “extraordinária angústia e sofrimento” enfrentados pela paciente, além das consequências irreversíveis para sua saúde física e mental.
Em entrevista ao jornal Il Tirreno, a mulher relatou que ainda convive com os efeitos dos tratamentos. “Meu sistema imunológico foi destruído por terapias erradas, inúteis e prejudiciais”, afirmou. Ela disse que segue com a saúde fragilizada e que, apesar da decisão judicial, não consegue superar o impacto emocional do erro. “Sinto-me arrasada. Não encontro paz, mesmo depois dessa sentença”, desabafou.
por Notícias ao Minuto
SÃO CARLOS/SP - Mesmo com o avanço da vacinação e o controle da fase mais crítica da pandemia, a Covid-19 ainda representa um desafio para a saúde pública mundial. Novas variantes do coronavírus continuam surgindo, o que reforça a importância de desenvolver medicamentos capazes de combater o vírus, além das vacinas. Um estudo científico recente traz uma boa notícia nesse cenário.
Pesquisadores identificaram substâncias promissoras capazes de bloquear a multiplicação do coronavírus a partir de um banco internacional de compostos químicos de acesso aberto. O trabalho foi publicado na revista científica “ACS Omega” e contou com a participação de cientistas do IFSC/USP e de outras unidades da Universidade de São Paulo, além de pesquisadores estrangeiros,
Como o estudo foi feito
Para realizar a pesquisa, os cientistas utilizaram coleções de substâncias mantidas pela organização “Internacional Medicines for Malaria Venture” (MMV). Essas coleções reúnem quase 1.400 compostos que já haviam sido estudados para o tratamento de outras doenças, principalmente as chamadas doenças negligenciadas, como a malária.
A vantagem dessa estratégia é ganhar tempo: como essas substâncias já são conhecidas, o caminho até um possível medicamento pode ser mais rápido e seguro.
Em laboratório, os pesquisadores testaram essas moléculas contra partes específicas do coronavírus que são essenciais para sua sobrevivência. O foco principal foi uma enzima chamada PLpro, que funciona como uma “ferramenta” usada pelo vírus para se multiplicar dentro das células humanas e escapar das defesas do organismo.
Substância se mostrou altamente eficaz
Entre todas as moléculas testadas, uma delas chamou a atenção dos cientistas. Identificada como MMV1634397, a substância foi capaz de bloquear com eficiência a ação da enzima PLpro. Em testes com células infectadas pelo coronavírus, ela reduziu significativamente a multiplicação do vírus.
A partir desse resultado, os pesquisadores foram além: modificaram quimicamente a molécula original para tentar torná-la ainda mais potente. Esse processo levou à criação de novas versões da substância, algumas delas com desempenho ainda melhor do que a original.
Uma das versões desenvolvidas se mostrou especialmente promissora, pois conseguiu inibir o vírus em concentrações muito baixas e apresentou características importantes para um futuro medicamento, como estabilidade e bom comportamento no organismo.
Por que essa descoberta é importante
Atualmente, a maioria dos medicamentos contra a Covid-19 atua em apenas um alvo do vírus. Ao identificar substâncias que agem em uma enzima ainda pouco explorada, os cientistas ampliam as possibilidades de tratamento, inclusive contra variantes que possam surgir no futuro.
Além disso, o estudo destaca a importância da ciência aberta. Ao disponibilizar bancos de substâncias para pesquisadores do mundo todo, iniciativas como a da MMV aceleram descobertas e fortalecem a resposta global a pandemias.
Embora os compostos ainda precisem passar por novas etapas de testes antes de se tornarem medicamentos disponíveis à população, os resultados representam um passo importante no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a Covid-19 e outras doenças causadas por vírus emergentes.
Segundo o pesquisador e autor correspondente do artigo científico, Dr. Andre Schutzer Godoy (IFSC/USP) “O estudo demonstra como a combinação entre ciência aberta, colaboração internacional e reaproveitamento inteligente de bibliotecas químicas pode acelerar significativamente a descoberta de novos tratamentos. “Ao explorar compostos já conhecidos e disponíveis em bancos de acesso aberto, conseguimos encurtar etapas do desenvolvimento de fármacos e abrir novas possibilidades terapêuticas contra a Covid-19 e outros vírus emergentes. Esse trabalho mostra que a inovação científica depende cada vez mais de cooperação, compartilhamento de dados e do uso estratégico de recursos globais”, destaca o pesquisador.
Para acessar o artigo científico, acesse https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2026/01/screening-of-medicines-for-malaria-venture-open-boxes-identifies-potent-sars-cov-2-COVIDpapain-like-protease-plpro.pdf
SÃO CARLOS/SP - Desde o dia 11 de dezembro de 2025, quando a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para gestantes, 343 doses do imunizante foram aplicadas em São Carlos. O Departamento de Vigilância em Saúde reforça a importância da vacinação para a proteção dos recém-nascidos.
Indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, a vacina, administrada em dose única por gestação, tem como principal objetivo proteger o bebê nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade a doenças respiratórias graves, como bronquiolite e pneumonia. A imunização da mãe permite a transferência de anticorpos pela placenta, garantindo proteção passiva ao recém-nascido.
O Vírus Sincicial Respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e figura entre as principais causas de pneumonia em bebês. Estudos apontam que a vacina apresenta alta eficácia na prevenção de quadros graves, alcançando 81,8% de proteção nos primeiros 90 dias de vida e mantendo bons resultados até os seis meses.
Segundo a diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, todas as gestantes a partir da 28ª semana devem se vacinar, independentemente da idade materna. “É uma dose única por gravidez, segura, com possíveis reações leves, como dor no local da aplicação, e extremamente eficaz na proteção do bebê”, destaca.
“A imunização da gestante é uma das estratégias mais importantes para proteger o bebê logo nos primeiros meses, quando ele ainda não tem o sistema imunológico totalmente desenvolvido. O Vírus Sincicial Respiratório é uma das principais causas de internações de bebês por bronquiolite e pneumonia, e a vacina oferecida pelo SUS reduz de forma significativa o risco de casos graves. Ao se vacinar, a mãe protege diretamente o seu filho”, ressalta o secretário de Saúde, Leandro Pilha.
Em São Carlos, a vacina contra o VSR é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Unidades de Saúde da Família (USFs), de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h30.
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