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RIO DE JANEIRO/RJ - O Projeto Cavalos Marinhos vai abrir ao público o Espaço Educativo entre os dias 1º e 3 de junho, das 9h às 14h, na Universidade Santa Ursula, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Os interessados em participar do evento Cavalos Marinhos de Portas Abertas devem fazer a inscrição gratuitamente por formulário.

Com esse evento, o projeto participa da primeira edição do Rio Nature & Climate Week. Esse encontro internacional, que se estenderá até o dia 6 de junho, discutirá temas relacionados ao meio ambiente e mudanças climáticas, visando acelerar a criação de políticas públicas e a ação concreta entre governos, setor privado, sociedade civil, ciência e comunidades.

Há 23 anos o projeto se dedica à conservação desses animais e dos ecossistemas em que eles habitam, baseando-se em conhecimento técnico-científico.

A instituição também procura fomentar o desenvolvimento econômico e sustentável das regiões, respeitando o contexto social de cada uma delas e tendo em vista os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Imersão

A coordenadora geral do Projeto Cavalos Marinhos, Natalie Freret-Meurer descreve o Espaço Educativo como uma imersão no mundo do cavalo-marinho.

“Tem modelos de cavalos-marinhos, tem uma árvore de manguezal, tem jogos e tem também o nosso laboratório com animais vivos que a gente reproduz em cativeiro. Tem filhotes, tem jovens e adultos. Então, a pessoa realmente entra aqui para mergulhar no mundo desses animais”.

A formação da população de segurança dos cavalos-marinhos da espécie brasileira cavalo-marinho de focinho longo, do Projeto Cavalos Marinhos, é inédita no Brasil. Ela ressalta a importância da conservação desses animais que estão desaparecendo de algumas praias do país e se encontram ameaçados de extinção em todo o planeta devido à destruição de habitat, captura acidental pela pesca industrial e captura para comércio de aquários.

“A gente faz essa reprodução em cativeiro. Tem todos os animais rastreados geneticamente. Então, a gente sabe exatamente qual é a composição genética. E, se for necessário fazer introdução em ambiente natural, a gente consegue fazer. Então é o primeiro projeto que faz essa estruturação de população de segurança tão bem organizada em termos de mapeamento genético, em termos de reprodução direcionada e tudo mais”, explicou Natalie.

A atividade é desenvolvida com apoio do Programa Socioambiental da Petrobras.

 

Outras atividades

Ao mesmo tempo, o Projeto Cavalos Marinhos continua com o programa de formação de jovens guardiões protetores desse animal dedicando-se, simultaneamente, à formação de mulheres pescadoras para que desenvolvam outras atividades econômicas.

“A gente acabou de formar uma turma em São Pedro da Aldeia para que elas possam atuar com biojoias feitas de escamas de peixe. As pescadoras coletam as escamas, tratam esse material e fazem biojoias como alternativa de renda, principalmente agora no defeso (época de proteção para a reprodução)”. 

Somente em 2024, o programa calcula que impactou dois milhões de pessoas. “De lá para cá, a gente vem trabalhando com as mulheres, com as crianças. Nas unidades de conservação, a gente dá formação para gestores, educadores ambientais, para que eles possam multiplicar esse conhecimento também do cavalo-marinho. Temos formação também para professores do ensino infantil”.

Criado no Rio de Janeiro em 2002, o Projeto Cavalos Marinhos desenvolve ações de pesquisa e monitoramento nas baías de Guanabara, Ilha Grande e Sepetiba, além de Búzios, Arraial do Cabo e Laguna de Araruama, na Região dos Lagos. Em dezembro de 2025, o projeto se expandiu e chegou aos estados de São Paulo e Espírito Santo, com monitoramentos nas praias de Ubatuba (SP), Vitória e Aracruz (ES).

No mesmo período, o projeto se integrou à Rede de Conservação Águas da Guanabara (Redagua) que, desde 2019, reúne outros quatro projetos apoiados pelo Programa Petrobras Socioambiental. São eles: Coral Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil e UÇÁ.

“Se eu tivesse que pontuar, diria que os maiores ganhos são desde pescadores até moradores de regiões que não deixam que outras pessoas capturem os cavalos-marinhos. São pessoas que se apaixonaram pelo animal e resolvem ajudar nessa luta. E algumas populações de cavalos-marinhos já começaram a melhorar”, manifestou Natalie.

Nos últimos dois anos, seis regiões com populações de cavalos-marinhos foram monitoradas mensalmente pelo projeto no estado do Rio de Janeiro. Mais de 100 pescadores foram atendidos e mais de 20 oficinas capacitaram mulheres caiçaras, agentes de unidades de conservação, jovens e professores da educação infantil.

Os biólogos do projeto fazem o monitoramento da população dos cavalos-marinhos em todo o estado do Rio de Janeiro e parte do Espírito Santo e São Paulo e desenvolvem pesquisas de análise genética e comportamental. O objetivo é compreender mecanismos comportamentais, identificar as diferentes composições genéticas das populações de cavalos-marinhos do território fluminense, analisar o impacto da pesca artesanal e estabelecer as áreas prioritárias para a conservação desses animais.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

DINAMARCA - As presidências da 30ª e da 31ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP) apresentaram, na Dinamarca, na última semana, a proposta preliminar para o Acelerador Global de Implementação Climática.

A iniciativa lançada em novembro de 2025, em Belém, durante a COP30 sob a presidência do Brasil, prioriza ações com maior potencial, com capacidade de ganhar escala global e com mais velocidade de entrega de soluções de combate às mudanças do clima.

Na prática, a intenção é transformar o debate de textos jurídicos em execução de soluções rápidas e reais na próxima conferência do clima, a ser promovida em conjunto com Turquia e Austrália (copresidentes da COP31), em Antália (Turquia), em novembro deste ano.

A apresentação a representantes de cerca de 40 países deste diferencial estratégico, com maior pragmatismo econômico, ocorreu durante a reunião Ministerial do Clima de Copenhague, tradicionalmente realizada na capital dinamarquesa.

O encontro de alto nível é o último antes das sessões de meio de ano da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Bonn, na Alemanha, preparatórias para as COPs.

Integrante da delegação brasileira, a CEO da COP30, Ana Toni, explicou, que o Acelerador é um mecanismo cooperativo e voluntário com o maior potencial de desencadear e produzir efeitos em cadeia. 

“A proposta é acelerar soluções, como tecnologias, procedimentos e metodologias, incluídas em Planos de Aceleração de Soluções nas diferentes iniciativas e objetivos da Agenda de Ação”, disse Ana Toni.

Mapas do Caminho

Os chefes de delegação também debateram temas como os Mapas do Caminho (Roadmaps) da Presidência da CPO30 sobre combustíveis fósseis e desmatamento até 2030, como acordado na COP28, em Dubai, em 2023.

Ao todo, a Presidência da COP30 recebeu 444 contribuições para os mapas do caminho internacionais sobre combustíveis fósseis e desmatamento, após consulta realizada entre fevereiro e abril. 

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, garante que são conhecidas as soluções científicas e de invenção de novas tecnologias necessárias para limitar o aquecimento global à meta mais segura do Acordo de Paris (1,5°C acima dos níveis pré-industriais), mas que o desafio da crise climática envolve financiamento e transferência de tecnologia que permitam aos países implementar essas mudanças a tempo.

“A Presidência da COP30 está se esforçando para trazer as melhores informações para que os debates sobre desmatamento e combustíveis fósseis tenham o melhor embasamento possível. Assim, os caminhos que forem traçados serão viáveis e permitirão acelerar o combate à mudança do clima", disse o diplomata André Corrêa do Lago.

Durante os dois dias de sessões, também foram abordados temas como a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), o futuro do regime climático e adaptação aos impactos da mudança do clima.

Autocrítica

Sobre o chamado “regime climático", que é o conjunto de regras, tratados e conferências internacionais que gerenciam a crise climática global, a diretora de Clima da Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil, a embaixadora Liliam Chagas, entende que há um movimento de amadurecimento dos países para que as negociações durante as COPs sejam mais focadas.

A autocrítica dessas nações tem feito, de forma mais organizada, que estes países se concentrem em avançar, efetivamente em temas relativos à redução das emissões de gases de efeito estufa.

“O regime está passando por uma fase de transição, da negociação, dos compromissos, para uma fase de implementação daquilo que já foi acordado”, destaca a embaixadora brasileira.

A diretora ressalta que dez anos após o Acordo de Paris, adotado em 2015, durante a COP21, os países ainda mantêm e reforçam os compromissos de desenvolver políticas de combate à mudança do clima, planos nacionais de adaptação e de trabalhar para ter recursos financeiros globais que custeiem a transição para uma economia de baixo carbono. 

 

 

AGÊNCIA BRASIL

PONTAL  DO PARANÁ/PR - A oceanógrafa Fernanda Possatto apresenta uma bancada repleta de lixo plástico encontrado em 14 praias do litoral do Paraná. Segundo ela, esses são os resíduos fáceis de se ver. No entanto, a pesquisa dela destaca outra preocupação presente no mar, muito mais difíceis de se visualizar: os microplásticos.

Um levantamento conduzido pela pesquisadora aponta que 93,6% de uma amostra de peixes coletados em feiras e mercados do litoral paranaense apresentam microplásticos no trato digestivo.

Dos 47 indivíduos examinados, 44 apresentaram partículas. A maior contaminação ocorreu em peixes demersais, que vivem em contato direto com o fundo do mar. Os microplásticos são fragmentos menores que 5 milímetros (mm), vestígios de produtos feitos com plástico e que foram consumidos pelos peixes examinados.

“Isso não significa que os peixes não podem ser ingeridos, porque a gente não está falando de saúde alimentar ainda, mas isso já é um indício de que a gente precisa estudar melhor esses impactos”, disse ela a jornalistas na sede da Associação Mar Brasil, uma organização sem fins lucrativos.

“A gente não está falando ainda de risco para saúde humana porque hoje a gente não come o trato, não come o estômago, a gente come o músculo”, tranquiliza.
 

Pontal do Paraná (PR), 18/05/2026 – A pesquisadora Fernanda Possatto, do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), fala sobre o trabalho com resíduos de lixo no mar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A pesquisadora Fernanda Possatto, do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), fala sobre o trabalho com resíduos de lixo no mar - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Projeto de recuperação marinha

A sede da Mar Brasil fica na cidade de Pontal do Paraná, em uma praia de frente para a turística Ilha do Mel. A organização desenvolve o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), iniciativa patrocinada pela Petrobras.

Perto dali, há ambientes com características diversas, como a Ilha da Cotinga, uma terra indígena; áreas contínuas de manguezais; e o Porto de Paranaguá, que atrai constantemente frotas de navios.

A pesquisadora Fernanda defende a necessidade de novos estudos para identificar o efeito do microplástico nos peixes.

“Quanto dos componentes tóxicos que existem desse microplástico presente no estômago pode ser absorvido pelos tecidos musculares das espécies de peixes?”, indaga.

Ela cita que outros estudos apontaram que os fragmentos podem liberar substâncias tóxicas que resultam na alteração da fecundidade dos animais e surgimento de tumores.

“Tudo isso ainda está sendo analisado e estudado.”

Formação e destino

Os microplásticos são fragmentos do material maior, o plástico, que sob efeito do tempo e da irradiação solar, se quebram em micropartículas e acabam ficando na água, no solo e no ar, chegando à cadeia alimentar. 

Essas partículas podem surgir de lixo no mar, como embalagens e garrafas, pneus, tecidos e revestimentos com tinta. As tintas, aliás, são fontes de elementos químicos presentes nesses fragmentos.

Uma pesquisa brasileira chegou a encontrar microplásticos em placentas e cordões umbilicais.

A Organização Mundial da Saúde reconhece que o mundo enfrenta problemas relacionados à presença de microplástico e defende mais pesquisas sobre o efeito dos fragmentos na saúde humana.
 

Presença em aves

Os estudos do Rebimar identificaram a presença do microplástico também em aves que têm contato com o mar. Foram analisadas gaivotas e corujas-buraqueiras. O levantamento foi feito por meio de análise de material regurgitado (expelido do estômago ou do papo) pelas aves vivas.

Em 69% delas, foram notados fragmentos. “Se você nota que a cada dez indivíduos, sete têm microplástico, é muito alto”, pontua a oceanógrafa.

Fernanda Possatto, que trabalha com pesquisas ligadas ao lixo no mar, contextualiza que o microplástico é encontrado tanto em áreas com bastante presença humana, como nos arredores do Porto de Paranaguá, com em áreas preservadas ambientalmente.

Para ela, é um indicativo de que “fronteira geográfica não existe para a questão do plástico”. Ela explica que os fragmentos são transportados por correntes, ventos e marés.

“Tudo isso influencia na presença. Faz com que seja um problema sistêmico.”
 

Paranaguá (PR), 19/05/2026 – Expedição da equipe de pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) conduz captura para monitoramento de tartarugas-verde (Chelonia mydas), na Ilha das Cobras. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Expedição da equipe de pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) conduz captura para monitoramento de tartarugas-verdes, na Ilha das Cobras - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Utilidade das informações

A oceanógrafa acrescenta que a pesquisa pode fornecer informações para que autoridades públicas tracem limites para a presença de microplástico em humanos.

“A gente não tem hoje um índice que nos diz se 1 microplástico por metro cúbico de água é aceitável”, exemplifica. “Estamos em um processo de construção desses índices.”

Para a pesquisadora do Rebimar, caminhos para mitigar o problema do microplástico no meio ambiente passam por ações da indústria e consumo consciente do plástico.

“Não tem uma solução única. A gente tem que pensar em vários leques de atuação, desde a sensibilização com a educação ambiental até a fonte mesmo que é a produção do plástico.”

Lixo e tartarugas

Outra ponta do projeto ambiental é o monitoramento de tartarugas-verdes, uma das sete espécies desses animais marinhos do mundo e uma das cinco registradas no Brasil.

Pelo menos três vezes ao ano, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) capturam e analisam a saúde das tartarugas. Desde 2014, foram feitas 435 capturas, sendo 313 indivíduos, ou seja, cerca de 120 foram observadas mais de uma vez.

A bióloga Camila Domit, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, revela que 80% das tartarugas encontradas mortas no litoral paranaense tinham lixo no trato digestivo.

“É assustador”, enfatiza ela. “Dependendo da quantidade de lixo, pode levar o animal a óbito”, esclarece.
 

Pontal do Paraná (PR), 19/05/2026 – A pesquisadora Camila Domit faz a instalação de dispositivo para monitoramento em uma  tartaruga-verde (Chelonia mydas) pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), no Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A pesquisadora Camila Domit instala dispositivo para monitoramento em uma tartaruga-verde como parte do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), no Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Camila acrescenta que, além da quantidade, o tipo de resíduo é uma complicação.

“A gente encontra uma série de plásticos rígidos que causam rompimento, lesões mais graves no trato digestivo desses animais”, descreve.

Os estudos da UFPR e do Rebimar mostram que cerca de mil tartarugas são encontradas mortas anualmente nas praias monitoradas. De cada dez, sete são vítimas de interação com a pesca.

A bióloga relaciona o lixo no mar com a vulnerabilidade das tartarugas.

“O animal come o lixo, fica debilitado, fica mais flutuando porque não consegue defecar, não consegue se alimentar bem e, então, a interação com a pesca acontece”, detalha.

O projeto utiliza tecnologias como rastreamento por satélite e acústico para acompanhar trajetos e costumes dos animais marinhos.

De acordo com Camila Domit, as evidências científicas do Rebimar fornecem subsídios para que autoridades tomem decisões que favorecem a preservação dos animais.

Ela lembra que o conhecimento científico dessas pesquisas contribuiu para que a Ilha das Cobras, na Baía do Paranaguá, fosse transformada em parque estadual para conservação da espécie.

“Quando você tem dados científicos, o processo da gestão é muito melhor”, conclui.
 

Paranaguá (PR), 19/05/2026 – A pesquisadora Camila Domit conduz monitoramento de tartarugas-verde (Chelonia mydas) pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), na Ilha das Cobras. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Tartaruga-verde monitorada pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), na Ilha das Cobras - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Projeto contínuo

O Rebimar faz parte do Programa Socioambiental da Petrobras desde 2009 e conta com aporte de R$ 6 milhões para um período de quatro anos, que pode ser habilitado para novo ciclo de investimento.

A gerente setorial de integração de projetos ambientais da estatal, Michele Cardoso, destaca o caráter de continuidade do apoio.

“É importante ter nessa carteira de projetos parcerias de longo prazo que dão essa robustez e solidificam os compromissos do programa”, diz.

*Repórter e fotógrafo viajaram a convite da Petrobras.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

BRASÍLIA/DF - As etapas estaduais da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca serão realizadas no mês de junho em diversos estados. O objetivo é mobilizar pescadores, aquicultores, trabalhadores do setor, comunidades tradicionais, pesquisadores e demais atores envolvidos na cadeia produtiva do pescado no país.

Retomada após 16 anos pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a Conferência possibilita a participação social na construção de políticas públicas para os setores pesqueiro e aquícola.

Além das etapas estaduais e distrital, estão previstas conferências livres e temáticas e uma etapa virtual. A etapa nacional presencial, será realizada em Brasília (DF), de 11 a 13 de novembro.

As datas das conferências nos demais estados serão divulgadas em breve. 

Confira as datas das 13 conferências já confirmadas pelos governos estaduais:

  • Rio Grande do Norte - 03/06
  • Sergipe - 10/06
  • Minas Gerais - 11 e 25/06
  • Bahia – 16 e 17/06
  • Ceará - 17/06
  • Amapá - 17 e 18/06
  • Distrito Federal - 19/06
  • Alagoas - 20/06
  • Amazonas - 30/06
  • Tocantins - 30/06
  • Pernambuco - 02/07
  • Rio Grande do Sul – 02/07
  • Roraima - 03/07

 

AGÊNCIA BRASIL

EUA - A área florestal do planeta encolheu mais de 41 milhões de hectares entre 2015 e 2025, o equivalente a cerca de 1% da cobertura mundial de florestas. Os dados fazem parte do Relatório sobre os Objetivos Florestais Globais 2026, divulgado nesta terça-feira durante o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, realizado em Nova York.

Segundo o documento, América do Sul e África registraram as maiores perdas no período, com reduções de 4,61% e 4,28%, respectivamente.

O ritmo médio de destruição florestal na última década foi de 4,12 milhões de hectares por ano, acima da média registrada entre 2000 e 2015, quando a perda anual era de 3,68 milhões de hectares. Ainda assim, o número segue abaixo do registrado ao longo do século XX, quando o planeta chegou a perder cerca de 10,7 milhões de hectares de floresta por ano.

O relatório destaca ainda a destruição de aproximadamente 16 milhões de hectares de florestas primárias nos últimos dez anos. Esse tipo de floresta é considerado essencial para a biodiversidade por apresentar pouca ou nenhuma interferência humana.

O documento avalia o cumprimento dos seis Objetivos Globais para as Florestas e das 26 metas estabelecidas pela ONU no Plano Estratégico para Florestas 2017-2030.

Segundo a avaliação, sete metas já foram alcançadas, 17 avançaram parcialmente e duas estão claramente atrasadas: o aumento da área florestal mundial em 3% e a erradicação da pobreza extrema entre populações que dependem diretamente das florestas para sobreviver, especialmente na África Subsaariana.

O relatório foi elaborado com base em informações enviadas voluntariamente por 48 países e em dados de organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Entre os avanços considerados positivos estão o aumento das áreas protegidas, melhorias na gestão florestal sustentável e maior cooperação internacional.

Atualmente, quase 20% das áreas florestais do mundo estão protegidas. Apesar disso, o ritmo de expansão caiu. Entre 2000 e 2015, a média de crescimento das áreas protegidas era de 10 milhões de hectares por ano. Entre 2015 e 2025, esse número caiu para 4 milhões de hectares anuais.

A ONU também alerta para “desafios persistentes”, como a degradação contínua das florestas, os impactos das mudanças climáticas e a falta de financiamento adequado para políticas ambientais.

Segundo o relatório, o financiamento global destinado à gestão florestal sustentável alcançou cerca de 84 bilhões de dólares em 2023, muito abaixo dos 300 bilhões de dólares anuais considerados necessários até 2030.

Cerca de 90% dos recursos atuais vêm de fundos públicos nacionais, enquanto menos de 4% têm origem em ajuda internacional ao desenvolvimento. A participação do setor privado ainda é considerada pequena.

Entre as prioridades apontadas pelo Fórum das Nações Unidas estão interromper o desmatamento, recuperar áreas degradadas, ampliar o acesso de comunidades florestais a mercados e capacitação técnica, além de aumentar os investimentos em gestão sustentável.

O relatório também recomenda reforço no combate à extração ilegal de madeira e ao comércio clandestino ligado à atividade.

Entre os exemplos positivos citados pela ONU está o Brasil, que ampliou áreas de manejo sustentável de longo prazo. Segundo o documento, isso permitiu a produção de mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com rastreabilidade e origem certificada.

Outro destaque foi a China, que criou em 2021 seus cinco primeiros parques nacionais, abrangendo uma área total de 230 mil quilômetros quadrados.

Atualmente, as florestas cobrem cerca de 32% da superfície terrestre, somando aproximadamente 4,14 bilhões de hectares.

Cinco países concentram mais da metade das florestas do planeta: Rússia (20%), Brasil (12%), Canadá (9%), Estados Unidos (7%) e China (5%).

Segundo a ONU, as florestas armazenam cerca de 172 toneladas de carbono por hectare e abrigam 80% das espécies de anfíbios do mundo, 75% das aves e 68% dos mamíferos.

 

 

por Notícias ao Minuto

BRASÍLIA/DF - As porções isoladas de vegetação nativa cresceram de 2,7 milhões, em 1986, para 7,1 milhões, em 2023, em todo o país, conclui um novo estudo do Mapbiomas divulgado nesta quarta-feira (13).

O aumento de 163%, em 38 anos, demonstra como o desmatamento no Brasil transformou grandes extensões contínuas de cobertura verde em pequenos fragmentos remanescentes.

Os dados são do Módulo de Degradação, uma plataforma desenvolvida pelo MapBiomas, que permite a análise, integração de dados e monitoramento das transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. Pela primeira vez, a fragmentação - processo de divisão de grandes extensões de vegetação nativa – foi analisada.

Além do aumento na quantidade, os pesquisadores também constataram a diminuição do tamanho dos fragmentos. Enquanto no início da série histórica a média de tamanho dos fragmentos era de 241 hectares, em 2023 eles encolheram para um tamanho médio de apenas 77 hectares.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Dhemerson Conciani, que coordena o Módulo de Degradação, os dados preocupam porque o tamanho dos fragmentos de vegetação nativa tem relação direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente.

“Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento de vegetação nativa, mais problemas aparecem: aumenta o risco de extinções locais das espécies, diminui a chance de recolonização por indivíduos vindos de outros fragmentos vizinhos e maior é a proporção do efeito de borda [perda de características naturais mais presentes nas margens próximas às áreas degradas]”, analisa Conciani.

Biomas

De acordo com o estudo, quase 5% da vegetação nativa do Brasil, o equivalente a 26,7 milhões de hectares, está em fragmentos menores que 250 hectares. E as pequenas porções isoladas estão mais presentes na Mata Atlântica, onde elas respondem por quase 28% da vegetação nativa remanescente - ou 10 milhões de hectares.

Em quantidade absoluta de fragmentos, a Mata Atlântica e o Cerrado são os que mais possuem porções isoladas de vegetação nativa, sendo 2,7 milhões em cada bioma. Para Natalia Crusco, coordenadora técnica de Mata Atlântica no MapBiomas, o avanço da fragmentação nos dois biomas ocorre por razões diferentes.

“Enquanto no Cerrado o aumento no número de fragmentos está associado ao avanço do desmatamento e à divisão de grandes remanescentes de vegetação nativa em áreas menores; na Mata Atlântica, parte desse aumento também pode ser explicada por um processo no sentido oposto ao desmatamento, ou seja, pelo surgimento de múltiplas áreas de recuperação da vegetação secundária”.

Nos biomas Amazônia, Caatinga, Pampa e Pantanal o número de fragmentos foi de respectivamente quase 662 mil, 600 mil, 324 mil e 45 mil, em 2023.

Ao longo dos 38 anos observados, Pantanal e a Amazônia foram os que sofreram mais fragmentação, com aumento de 350% e 332%, respectivamente. No Pampa, o número de porções isoladas cresceu 285% e no Cerrado aumentou 172%.

Caatinga e Mata Atlântica variaram menos, mas ainda tiveram aumento de fragmentação de suas vegetações com crescimentos de 90% e 68%, respectivamente.

Em redução de fragmentos, a Amazônia foi a mais impactada. As porções de vegetação nativa no bioma encolheram 82% ao longo do período estudado.

Enquanto em 1986, a média de tamanho dos fragmentos era de 2.727 hectares; em 2023, essa média caiu para 492 hectares.

Novidade

Os dados trazidos pelo Módulo de Degradação permitiram uma nova análise aos pesquisadores: a identificação de distúrbios no dossel de formações florestais - cobertura formada pelas copas das árvores mais altas - em toda a Amazônia Legal.

Entre 1988 e 2024, foi detectado algum sinal de distúrbio, ao longo de, pelo menos, um mês, em 24,9 milhões de hectares, área equivalente a 7% da cobertura de floresta na Amazônia Legal. Na prática, são clareiras resultantes de secas, ventos, incêndios, corte seletivo de madeira, efeito de borda ou outras perturbações.

Segundo os pesquisadores, o corte seletivo de madeira é uma das principais causas de distúrbio de dossel na Amazônia Legal. Durante o período estudado, foram identificados 9,7 milhões de hectares com indícios de corte seletivo.

Degradação

Fatores como fragmentação, efeito de borda, fogo e corte seletivo nem sempre resultam em desmatamento com a terra exposta, mas degradam os biomas. O detalhamento da plataforma do Mapbiomas aponta que 24% de toda a vegetação nativa remanescente do Brasil está exposta a pelo menos um vetor de degradação, uma área equivalente a 134 milhões de hectares.

Segundo Dhemerson Conciani, o maior entendimento desses dados fortalece a formulação e implementação de políticas públicas para redução das emissões de gases do efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação.

“Ao detectar a degradação de forma precoce é possível reverter esse processo e estabelecer áreas prioritárias para recuperação da vegetação nativa e consequente conservação das funções e serviços ambientais de ecossistemas”, conclui o pesquisador.

 

AGÊNCIA BRASIL

MARIANA/MG - O Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou na quarta-feira (6) uma nova tentativa de recurso da mineradora BHP sobre o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

Com isso, está mantida a decisão de novembro de 2025, quando o Tribunal Superior inglês responsabilizou a empresa anglo-australiana pelo desastre. Os juízes consideraram que a BHP, sócia da Vale na gestão da mineradora Samarco, operava a barragem e tinha conhecimento dos riscos antes do rompimento, o que mostrava negligência, imprudência e/ou imperícia.

No dia 5 de outubro de 2025, a tragédia em Mariana completou dez anos. O rompimento da barragem de Fundão despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos e lama no rio Doce. Também atingiu municípios próximos e matou 19 pessoas.

A BHP já havia tentado um primeiro pedido de recurso para reverter a condenação e esgotou a última via ordinária disponível no sistema inglês para contestar a sentença. Na decisão de hoje, o tribunal concluiu que não há razão convincente para que o recurso seja julgado.
 

No sistema jurídico inglês, o direito de recorrer não é automático. A parte interessada primeiro precisa obter uma permissão para entrar com o recurso (permission to appeal).

Com isso, está mantida a Fase 2 do processo, que examina as categorias de perdas e as provas para quantificar os danos sofridos pelas vítimas e fixar os valores de indenização. A audiência de julgamento desta fase está prevista para abril de 2027.

O escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa as vítimas do caso Mariana na Inglaterra, comemorou a decisão desta quarta-feira.

“O Tribunal de Apelação agora se uniu ao Tribunal Superior ao concluir que os fundamentos de apelação da BHP não têm perspectivas reais de sucesso. Um resultado enfático e inequívoco. A BHP é responsável pelo pior desastre ambiental da história do Brasil e não terá outra chance para reverter a decisão”, disse Jonathan Wheeler, sócio do escritório.

“Nossos clientes esperaram mais de uma década por justiça, enquanto a BHP buscou todas as vias processuais para evitar a responsabilização. Essas vias agora estão fechadas. Estamos focados em garantir a indenização que centenas de milhares de brasileiros têm direito há muito tempo”, completou.

Em nota, a BHP Brasil disse que “vem apoiando a Samarco para garantir uma reparação justa e integral” e que continuará com o processo de defesa na Inglaterra “de forma robusta e pelo tempo que for necessário”.

Disse ainda que “permanece confiante de que o trabalho realizado desde 2015 e o Novo Acordo do Rio Doce, assinado em outubro de 2024, e que assegurou R$ 170 bilhões para a reparação, oferecem a solução mais rápida e eficiente para compensar os atingidos. Esse trabalho já garantiu pagamentos a mais de 625 mil pessoas”.

Segundo a empresa, a Corte inglesa reconheceu em 2024 os programas de indenização e validou as quitações assinadas por aqueles que já receberam indenização integral: “cerca de 40% do total de reclamantes individuais na Ação no Reino Unido serão excluídos do processo, o que reduzirá de forma significativa o tamanho e o valor dos pedidos lá formulados”.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

RIO DE JANEIRO/RJ - Em uma tarde de mar calmo e céu aberto, mergulhadores em um caiaque entram no mar da Praia do Pontal, que faz parte da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Quando chegam a cerca de 200 metros da faixa de areia, um deles mergulha e, em questão de minutos, volta para a pequena embarcação com uma tartaruga marinha. Logo em seguida, outra é capturada da mesma forma.

A atividade, acompanhada por pescadores e banhistas mais curiosos, não tem nada de predatória. Pelo contrário: é um monitoramento da saúde desses animais e faz parte do Projeto Costão Rochoso, da organização não governamental (ONG) Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento. A iniciativa busca evidências científicas para preservação e recuperação dos costões, área de transição entre o mar e o continente.

O projeto conta com parceria da Petrobras e colocou em prática um desafio: descobrir de onde vêm as tartarugas que habitam em Arraial do Cabo, litoral do país com maior quantidade de tartarugas-verdes em área de alimentação.

Uma das fundadoras do projeto, a bióloga Juliana Fonseca conta que em Arraial são encontradas todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil.

Bateria de exames

Depois de capturadas pelos mergulhadores, elas são levadas para a faixa de areia. “A gente faz uma bateria de exames, que consiste em pesar, medir e coleta de tecido. É como se a gente estivesse fazendo uma biópsia para entender a origem dela”, detalha Juliana à Agência Brasil.

“Apesar de ter muitas tartarugas aqui em Arraial, é a área com maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil, a gente não sabe onde elas nasceram. Então é isso que a gente está tentando entender agora”, completa.

“Quando identificamos essa origem, conseguimos entender quais estoques populacionais dependem dessa área. Ao identificar de onde vêm essas tartarugas, passamos a compreender melhor a conexão entre áreas de desova e áreas de alimentação”, justifica a bióloga.

Segundo Juliana, essas tartarugas, que têm expectativa de vida em torno de 75 anos, passam aproximadamente dez deles nas águas de Arraial do Cabo. Algumas chegam a permanecer por até 25 anos e só depois retornam à região onde nasceram para se reproduzir.

A bióloga detalha que elas costumam chegar pequenas e se desenvolvem no litoral fluminense.

“São juvenis, recém-chegadas na costa. Depois que elas nascem, têm uma fase oceânica que dura, pelo menos, cinco anos. Então, com cerca de 25 centímetros, voltam para a costa. Em Arraial do Cabo, elas crescem e se desenvolvem muito bem, ou seja, engordam aqui com a oferta de alimentos”, descreve.

Identificação e DNA

O projeto monitora a saúde das espécies tartaruga-verde e tartaruga-pente em três praias de Arraial do Cabo ─ Praia dos Anjos, Praia Grande e Praia do Pontal ─ e na Ilha de Cabo Frio, todas na reserva marinha. Assim como casco, nadadeiras e rabo, até as unhas são medidas.

“É um monitoramento para entender como a saúde das tartarugas marinhas está”, diz Juliana.

Os pesquisadores também utilizam fotografias e softwares de computador para identificar os indivíduos.

“A foto de identificação é basicamente olhar para a cabeça da tartaruga. Ela tem placas na cabeça dela com formatos e tamanhos diferentes para cada indivíduo, basicamente como a nossa impressão digital”, explica.

Desde 2018 já foram catalogados cerca de 500 indivíduos. Desses, 80 passaram por coleta de DNA, que ajudará a descobrir de onde vieram. As análises são feitas por meio de uma parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e devem ter resposta dentro de seis meses.

Aproximação humana

Outra pesquisa desenvolvida pelo Projeto Costão Rochoso é identificar a distância que essas tartarugas conseguem aceitar de aproximação humana.

“As tartarugas são muito carismáticas, todo mundo quer observar. Por conta disso, infelizmente, a gente tem muitos relatos de assédio, de captura, de pegar a tartaruga e tirar de dentro da água, isso é um estresse muito grande para esses animais”, constata a mergulhadora.

“O que a gente faz é uma aproximação simulada, a gente vai se aproximando e vendo quando ela muda de comportamento. A gente vai ter uma média da distância mínima que essas tartarugas conseguem suportar”, conta sobre a metodologia.

Segundo ela, com base nessas informações, será elaborada uma cartilha de boas práticas de observação de tartarugas marinhas para ser usada no turismo não somente em Arraial, mas em outras regiões do Brasil e do mundo.

Durante a atividade de pesagem e medição e coleta de tecido, é comum a aproximação curiosa de banhistas, alguns deles crianças. “Está doente?”, pergunta um dos turistas.

Integrantes do projeto esclarecem à população o objetivo preservatório da atividade. No calçadão da praia, a poucos metros do cercadinho onde acontecem os procedimentos, uma placa sinaliza de forma clara: “Proibido tocar nos animais marinhos”.

A bióloga e pesquisadora Isabella Ferreira conta que, para realizar a captura das tartarugas, é preciso ter formação em curso de áreas como veterinária, biologia ou oceanografia.

Além disso, são necessárias autorizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e do Projeto Tamar, criado em 1980 e reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha.

“Nós pedimos autorização para tudo que a gente faz aqui, da captura, marcação, foto. Todas as vezes que a gente vem para cá, a gente notifica os guardas ambientais e mostra a nossa autorização”, relata.

*Repórter e fotógrafo viajaram a convite da Petrobras, parceira do Projeto Costão Rochoso.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

IRANDUBA/AM - Um projeto pioneiro, de uma fábrica de gelo abastecida por luz solar, entrou em funcionamento neste mês de abril na comunidade ribeirinha de Santa Helena do Inglês, no município de Iranduba, Amazonas. Além de superar desafios logísticos e diminuir custos, a inovação possibilita a diminuição das emissões de gases de efeito estufa na produção do pescado para a região amazônica.

Com capacidade de gerar uma tonelada de gelo ao dia e de armazenar até 20 toneladas, o complexo, chamado Gelo Caboclo, inclui poço artesiano para abastecimento exclusivo de água de boa qualidade, sem interferir no consumo da comunidade, e uma pequena usina de placas fotovoltaicas e baterias de lítio capazes de manter a produção de forma ininterrupta.

Pescador da terceira geração de uma família que tem a profissão como uma das principais fontes de subsistência, Nelson Brito, aos 49 anos, comemora a autonomia que a fábrica de gelo trouxe para mais de 30 famílias da região.

“Aqui, a principal forma de subsistência hoje é a pesca e o turismo. Antes, tinha o corte de madeira, que o turismo substituiu, mas a pesca continua, com apetrechos mais modernos, como rede que não prende o peixe pequeno e, agora, o Gelo Caboclo”, diz.

Segundo Nelson, até a fábrica ficar pronta, o gelo era comprado em Manaus, a uma distância de cinco horas na velocidade da embarcação pesqueira, o que fazia do investimento uma aposta que já começava com a despesa do combustível, da mão de obra contratada e da perda pelo derretimento. “Se a gente precisava de uma tonelada, comprava três, para garantir a manutenção do pescado até o fim da pesca. Se naquele mês não desse peixe, perdia tudo”, conta.

Sustentabilidade social

A solução veio a partir de uma força-tarefa que reuniu organizações sociais, iniciativa privada, governos e a própria comunidade em um esforço para solucionar a demanda, existente na maioria das comunidades ribeirinhas da Amazônia que vivem da pesca: a logística para a manutenção do pescado do rio até o consumidor.

A busca pela demanda partiu da organização social Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que mobilizou o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), outra organização social responsável por gerir o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Foi por meio do PPBio que a empresa Positivo, de hardware e componentes eletrônicos, entrou com o aporte de R$ 1,3 milhão como investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), em troca de benefícios fiscais. Mais R$ 200 mil em baterias foram entregues pela UCB Power, totalizando um custo de R$ 1,5 milhão em investimentos.

Sustentabilidade econômica

Por estar localizada em uma Unidade de Desenvolvimento Sustentável, o licenciamento também foi viabilizado pela FAS. Depois de pronta, a fábrica foi entregue a um gestor.

“Com assessoria e assistência técnica, a gente também traz uma preocupação de capacitar as pessoas para a gestão do empreendimento, para que ele se torne sustentável do ponto de vista econômico. Então fizemos uma seleção e a própria comunidade escolheu o gestor, que é quem assume o negócio”, diz Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS.

O gestor é irmão caçula de Nelson e também pescador, Demétrio Júnior, que viu no projeto a oportunidade de melhorar a própria renda e ainda ajudar a comunidade. “Com a fábrica de gelo, o pescador agora pode ir atrás do peixe primeiro e só comprar o gelo se conseguir pescar. Então, ele não corre o risco de ter uma despesa inútil”, diz.

De acordo com Demétrio, na temporada de pesca será possível atender a 70% da demanda dos pescadores e os outros 30% poderão ser resolvidos com uma complementação comprada em Manaus durante a venda do pescado. “Outras cadeias produtivas também vão se beneficiar fora dessa temporada, como o turismo, que utiliza esse gelo para armazenar o seu pescado antes de servir aos clientes, e a agricultura familiar, que precisa para armazenar a goma da tapioca”, diz.

Com a oportunidade de gerar renda o ano inteiro, a fábrica também traz o desafio de pagar os custos da manutenção da usina, do poço artesiano e de equipamentos de fabricação do gelo. Para dar conta desses custos, Demétrio Júnior já pensa em soluções que aumentem mais ainda as facilidades de quem trabalha longe de um centro urbano.

“A gente já está estudando outras fontes de receita para agregar valor ao comércio, além do gelo. Então, vamos vender também mantimentos para os pescadores”, diz.

Sustentabilidade ambiental

Além de desonerar a cadeia produtiva da pesca artesanal, o Gelo Caboclo também diminui a pegada de carbono deixada pelas emissões de gases de efeito estufa durante parte do deslocamento das embarcações movidas por combustível fóssil.

Sem ter como neutralizar plenamente essas emissões, o projeto se preocupou em fazer uso de energia limpa e garantir segurança energética à atividade de geração de renda.

“A energia que chega pela rede falta sempre. Com as chuvas constantes da região, é comum cair uma árvore sobre a linha e a gente passar dias até que ela seja restabelecida”, diz Nelson Brito.

Segundo Valcléia Lima, o acesso à energia ainda é um desafio na Amazônia como um todo, por isso o projeto pioneiro foi desenvolvido para também servir como modelo a ser replicado em outras comunidades ribeirinhas que tenham a pesca como fonte de renda.

“Historicamente, na Amazônia, a gente tem um problema sério de energia. Um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente mostra que quase 1 milhão de amazônidas não têm acesso à energia e a energia é habilitadora para a atividade de geração de renda, então, para a gente realizar isso só é possível quando temos parceiros que acreditam nesse trabalho e tornam isso realidade”,conclui.

*A repórter viajou a convite da Fundação Amazônia Sustentável (FAS)

 

 

AGÊNCIA BRASIL

PARAUAPEBAS/PA - Xingu é o mais novo habitante do BioParque Vale Amazônia, na Serra do Carajás, na cidade de Parauapebas, no Pará. Nascido do casal Marília e Zezé, Xingu veio ao mundo no dia 27 de dezembro do ano passado e é irmão de Rhuana e Rhudá.

Xingu é uma oncinha-macho e recebeu esse nome indígena - escolhido na semana passada por meio de uma votação popular - em homenagem a um dos mais importantes afluentes do rio Amazonas. O rio Xingu nasce no Mato Grosso e segue até a sua foz, no estado do Pará, banhando terras nos biomas Amazônia e Cerrado e garantindo a vida de centenas de povos e comunidades tradicionais.

“Nós sugerimos nomes de rios porque os filhos dela [da onça Marília] anteriores tinham nomes indígenas. Dessa vez queríamos homenagear os rios da Amazônia: Xingu, Tapajós e Solimões, e colocamos para votação do público. A Marília já tinha o Rhudá e a Rhuana, que foram para outros zoológicos em São Paulo”, disse Rejânia Azevedo, analista administrativa do BioParque.

Os pais da oncinha chegaram ao BioParque vindos de Goiás. Sua mãe Marília foi resgatada de cativeiro ilegal e seu pai Zezé nasceu em instituição em Goiás, filho de pais resgatados de cativeiro ilegal de animais silvestres. Por terem sido retirados do habitat natural e mantidos sob influência humana, eles não podem ser reintroduzidos na natureza, já que perderam habilidades essenciais para sobreviver em vida livre.

“A gente não pega nenhum animal da natureza. Eles vêm através dos órgãos ambientais, de cativeiros ilegais, de apreensões. Alguns chegam bem, mas alguns já chegam machucados, mutilados. Então fazemos todo um procedimento de acompanhamento e de atendimento [desses animais]”, explicou Rejânia.

Xingu é a sétima reprodução de uma onça realizada no BioParque nos últimos 12 anos. A reprodução desses animais em cativeiro é uma estratégia nacional para preservação da onça-pintada, uma espécie símbolo da fauna brasileira e que é ameaçada de extinção.

“O Xingu não poderia ser readaptado para a natureza porque já nasceu em cativeiro. Daí ele permanecerá aqui ou será destinado para algum outro zoológico”, disse a analista do parque.

Apesar de já ser uma atração na internet, Xingu ainda não pode ser visto pelo público que visita o parque.

“Hoje ele tem três meses e fica na área de manejo, sob os cuidados da mãe. Ele não pode ainda vir para a exposição [do público] porque ainda é um bebê. Quando ele chegar aos cinco ou seis meses de idade é que a mãe vai ensinar ele para vir para a exposição”, contou Rejânia.

Ao atingir a fase adulta, a onça-pintada, que é o maior felino das Américas, pode chegar até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros altura, podendo atingir 135 quilos.

O BioParque

Inserido na Floresta Nacional de Carajás (Flona de Carajás), o BioParque Vale Amazônia já completou 41 anos e é mantido pela Vale. O espaço ocupa 30 hectares de área, dos quais cerca de 70% é de floresta nativa.

O BioParque faz parte da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e atua com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas (ICMBio), além de seguir metas nacionais e internacionais voltadas à preservação da biodiversidade.

Atualmente o parque abriga 360 animais de 70 espécies diferentes, como a também famosa Chicó, uma macaca-aranha que enfrentou muitas dificuldades até chegar ao local e poder reaprender a ser um animal de sua espécie.

“A Chicó tem uma história triste, que terminou com um final feliz. Ela veio de Mato Grosso e foi resgatada pelos órgãos ambientais. Ela viveu em Mato Grosso acorrentada por 18 anos. Vivia em um bar e o dono do bar dava cachaça para ela para mostrar aos clientes”, contou Rejânia.

Ela foi resgatada após a polícia receber denúncias de abusos e de maus-tratos e então encaminhada pelos órgãos ambientais para ser cuidada pelo BioParque, já que por viver em cativeiro, não teria condições de ser solta novamente ao seu habitat natural. “Ela chegou aqui bem debilitada. Levamos ela para o setor de quarentena, que é o nosso setor técnico. Nossos biólogos e veterinários fizeram todo um processo de reabilitação, já que ela não tinha hábitos nenhum de macaco. Ela não usava o rabo, que dizemos que é o quinto membro e que é por onde eles se seguram. Ela não sabia como fazer isso”.

Depois de um trabalho intensivo, Chicó pôde ser colocada novamente para interagir com outros macacos de sua espécie. “Hoje ela está totalmente inserida no bando já que agora ela tem os hábitos de primata normais. Ela teve que reaprender a ser um primata”, falou a analista.

Também chamada de macaco-aranha, coatá-da-testa-branca, cuamba (Pará) ou guatá (Mato Grosso), essa espécie também está na lista de animais ameaçados de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio).

Visitas

Só no ano passado, o BioParque registrou mais de 200 mil visitantes. Além das onças e dos macacos, quem visita o BioParque também pode conhecer um pouco da flora amazônica, como uma castanheira que foi plantada em 1991 pelo então príncipe Charles [atual Rei Charles] e pela princesa Diana, durante uma viagem ao Brasil em 1991.

A entrada no BioParque Vale Amazônia é gratuita. O parque funciona de terça-feira a domingo.

* A repórter viajou a convite da Vale

 

 

AGÊNCIA BRASIL

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