Um processo de transformação social através da educação com o programa “Vem Saber”
SÃO CARLOS/SP - Foi lançada oficialmente no último dia 04 deste mês, no Auditório da Biblioteca Comunitária de Descalvado (SP), a implementação do “Programa Vem Saber - Módulo Descalvado”, constituindo uma nova fase de um projeto da Universidade de São Paulo, através do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), criado e coordenado pelo docente e pesquisador do mesmo Instituto, Prof. Dr. Antonio Carlos Hernandes. Iniciado há cerca de vinte quatro anos e tendo adotado várias denominações ao longo dos anos, o atual “Vem Saber” consolidou-se no IFSC/USP como um projeto cuja ideia principal é convidar os jovens alunos do ensino médio das escolas do Estado de São Paulo a visitarem o Campus USP de São Carlos, no sentido de os motivar a continuarem seus estudos para darem o passo fundamental de suas vidas rumo ao ensino superior, objetivos esses que se inserem em um processo de transformação social através da educação - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/programa-vem-saber-em-defesa-da-educacao-publica-e-viver-pensando-que-voce-pode-ajudar-as-pessoas/ . Neste sentido e de grosso modo, este projeto do “Programa Vem Saber - Módulo Descalvado” entra em uma nova etapa, com a Universidade de São Paulo a ir ao encontro da sociedade, das escolas, fora dos seus próprios muros.
Este programa tem a particularidade de contar com uma parceria forte constituída pela Prefeitura Municipal de Descalvado, por intermédio da Secretaria de Educação e Cultura, a Escola Estadual José Ferreira da Silva, a Diretoria de Ensino da Região de São Carlos e os agentes econômicos locais, esperando-se que, todos juntos, contribuam para o processo de formação dos jovens alunos do ensino médio da cidade.
Na apresentação do “Programa Vem Saber - Módulo Descalvado”, que terá a duração de três anos, o Prof. Antonio Carlos Hernandes recordou o trabalho que foi feito ao longo dos anos até chegar a este ponto e os momentos em que, acompanhado pelo Educador Prof. Herbert João Alexandre, visitou a EE José Ferreira da Silva pela primeira vez. “Fomos recebidos muito bem, tanto pelos alunos quanto pelos professores, e nessa visita a tive a oportunidade de conhecer este espaço onde ocorre esta cerimônia de apresentação - a Biblioteca Comunitária de Descalvado -, que faz parte integrante da escola e que de algum modo estava subaproveitada. Graças à parceria que entretanto foi firmada, conseguiu-se revitalizar o espaço, recuperar este auditório onde estamos neste momento, tornando todo o conjunto em uma espécie de “sede” do “Programa Vem Saber - Módulo Descalvado”, onde os destaques serão ações direcionadas às áreas de ciência e tecnologia, e consequentemente, disponibilizar um espaço não só dedicado à escola, como também aberto a toda a comunidade desta cidade”, pontuou o Prof. Hernandes.
Após a apresentação do programa, o Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior usou da palavra, tendo sublinhado que a educação é o maior desafio que existe no país, que ainda possui chagas abertas, principalmente devidas a uma herança escravagista e à desigualdade social. “Sem uma educação de qualidade não é possível fazer uma transformação social e essa é uma responsabilidade de todos nós, da sociedade - governantes, empresários, profissionais da educação. O Prof. Antonio Carlos Hernandes escolheu como um de seus projetos de vida fazer divulgação científica, levar a Universidade para fora de suas portas. Com este projeto em particular, ganhamos sinergias para termos capacidade de fazermos mais e melhor em prol da educação, em prol dos mais jovens”, pontuou.
Segundo o Diretor do IFSC/USP, a principal missão da Universidade é formar recursos humanos altamente qualificados, a geração e a difusão do conhecimento pela sociedade. “Esta iniciativa criada e coordenada pelo Prof. Antonio Carlos Hernandes constitui uma das mais eficientes no Estado de São Paulo e é uma honra o IFSC/USP poder estar vinculada a ela em prol da educação dos jovens, e neste caso aos da cidade de Descalvado.
Outro destaque foi o uso da palavra do Prefeito Municipal de Descalvado, Antonio Carlos Reschini, que com alguma emoção salientou. “É gratificante estar participando deste encontro. Quando nós somamos, as coisas caminham e dão certo. Esse projeto que vocês trazem para Descalvado é maravilhoso. Digo para vocês, da USP, que nós somos parceiros, podem contar com o prefeito, com os vereadores. Vamos estar sempre presentes”.
De forma resumida, os vetores desta parceria compreendem:
Estiveram presentes nesta cerimônia, entre outros convidados, o Prefeito Municipal de Descalvado - Antonio Carlos Reschini; Secretário de Educação e Cultura de Descalvado - Marco Antonio Prata; Diretor do IFSC/USP, Prof. Dr. Osvaldo Novais de Oliveira Junior; Vice-Diretora do IFSC/USP, Profª Drª Ana Paula Ulian de Araújo; Presidente da Comissão de Cultura e Extensão do IFSC/USP - Prof. Dr. Guilherme Sipahi; Dirigente de Ensino da Região de São Carlos, Profª Débora Gonzalez Costa Blanco; Diretor da Escola Estadual José Ferreira da Silva, Prof. Waldir Paganotto; Diretor-Geral do Campus da Universidade Brasil - Prof. Dr. Éder Simêncio, Vereadores da Câmara Municipal de Descalvado - Vagner Basto e Dr. Marcelo Figueiredo; Representantes das empresas - SICOOB, USINA IPIRANGA, VANSIL; alunos e professores da Escola Estadual José Ferreira da Silva.
SÃO CARLOS/SP - Estimular os estudantes do ensino fundamenta I e II, médio e técnico a trabalharem em equipe para construir robôs e programá-los. Esse é o principal objetivo da modalidade prática da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), e quem deseja participar da iniciativa pode se inscrever no curso Preparação para a Olimpíada Brasileira de Robótica – Modalidade Prática.
Oferecido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, com apoio da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), a iniciativa está com inscrições abertas até dia 10 de abril. Para se inscrever em uma das 100 vagas disponíveis, é necessário preencher o formulário disponível no sistema Apolo da USP por meio deste link icmc.usp.br/e/02566. Depois, é preciso gerar o boleto pelo sistema e pagar a taxa de inscrição no valor de R$ 20. O comprovante de pagamento deve ser enviado para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Alunos provenientes de escolas públicas podem solicitar isenção da taxa de inscrição, desde que sejam um dos primeiros a se inscrever no curso e apresentem comprovação. Para solicitar a isenção, o interessado deve enviar um e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. com o comprovante de matrícula. A isenção será concedida para pelo menos 10% dos alunos matriculados.
As aulas do curso acontecerão presencialmente, aos sábados, de 13 de abril até 25 de maio, das 9 às 12 horas. Entre os tópicos que serão abordados estão a montagem de dois tipos de robôs (PETE Alpha e Arduino), que são os mais comumente usados nas competições da OBR, e noções de programação, em que serão apresentados os principais comandos para controle desses robôs. Além disso, os participantes vão treinar aplicações práticas, em que aprenderão a programar os robôs para seguir uma linha reta, realizar uma curva, desviar de um obstáculo e subir em uma rampa.
Na seleção dos participantes do curso, terão prioridade os alunos que estão cursando do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio e que desejam participar da OBR. As vagas restantes serão preenchidas pelos demais interessados, respeitando a ordem de inscrição. Também serão aceitas inscrições de professores ou responsáveis coordenadores das equipes.
Coordenado pela professora Roseli Romero, o curso será ministrado pelo mestre em ciência da computação Raphael Montanari, do Centro de Robótica da USP, e pelo estudante de engenharia elétrica Guilherme Pereira Loredo, da EESC.
Vale destacar que, desde 2019, a USP passou a oferecer vagas adicionais para ingresso em seus cursos de graduação a quem participa de olimpíadas acadêmicas internacionais e nacionais, tal como a OBR. A seleção é realizada por meio de um sistema de pontuação que tem como base, no caso de uma competição nacional, a medalha obtida pelo aluno. Para saber mais sobre essa forma de ingresso, acesse o site da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).
Mais informações:
Saiba mais sobre o curso: https://icmc.usp.br/e/52495
Inscrições: icmc.usp.br/e/02566
Dúvidas: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
SÃO CARLOS/SP - Uma equipe de pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) desenvolveu, recentemente, um tratamento inovador para capsulite adesiva e tendinopatia, duas patologias que apresentam um quadro de dor, inflamação e uma limitação da amplitude de movimentos.
Pensando em todo o desconforto e sofrimento por que passam os portadores destas patologias, a equipe de cientistas, desenvolveu um equipamento chamado Laser Roller, que realiza compressão, fricção e um deslizamento em toda a extensão muscular, realizadas através de duas esferas que estão acopladas na extremidade do aparelho, conseguindo, agora, otimizar os resultados desse tratamento. “Trata-se da conjugação dos tratamentos de liberação miofacial e de fotobiomodulação, que realizada através deste equipamento, fez com que conseguíssemos aliviar a dor, a inflamação, a reparação do tecido e também a reorganização e a liberação dessa fáscia muscular dos pacientes. Com isso, a expectativa é eles poderem voltar às suas atividades, tendo uma melhora do bem-estar e da qualidade de vida”, afirma a doutoranda e pesquisadora Ana Carolina Canelada, uma das autoras do estudo que foi publicado no “Journal of Novel Physiotherapies”.
Resultados muito positivos
Para conhecerem quais seriam os resultados desta pesquisa utilizando o referido tratamento, os pesquisadores organizaram um grupo composto por trinta pacientes, dos quais quinze apresentavam capsulite, e outros quinze com tendinopatia. A partir daí, esse grupo foi dividido em subgrupos. Os pesquisadores submeteram os pacientes ao tratamento com a liberação miofacial e ação conjugada da aplicação de laser ao longo de duas sessões por semana, totalizando dez sessões de quinze minutos cada uma. “Após sessenta dias dessa intervenção, comparamos e monitoramos esses pacientes. Neste estudo comparativo com três grupos distintos, sendo um com laser, o outro com liberação miofascial e o terceiro conjugando as duas ações anteriores,conseguimos obterum resultado realmente muito bom, com uma melhoria rápida num tempo de tratamento menor do que o habitual. Os pacientes voltaram às suas atividades com a sua qualidade de vida retomada”, pontua a pesquisadora.
Tratamento rápido e eficaz
A capsulite adesiva é uma inflamação da cápsula articular (localizada no ombro), sendo que o tratamento convencional feito através de fisioterapia é muito longo, demorado. Já no tratamento desenvolvido pela equipe de pesquisadores do IFSC/USP, ele é composto por fases e assim se obtém uma recuperação bem rápida, em menor tempo. Segundo Ana Carolina, uma paciente sua, portadora de inflamação e dor e que passou pelo citado tratamento em Julho de 2023, relatou que a resposta ao tratamento foi muito rápida, tendo retomado as suas atividades diárias sem que a dor tenha voltado. Contudo, a pesquisadora alerta: “Após o tratamento, a atividade física deverá ser constante, pois a falta de uso do músculo causa a perda de massa muscular e o retorno da capsulite adesiva”.
Mulheres são mais acometidas pela capsulite e tendinopatia
Segundo Ana Carolina, um fato desperta a atenção. “Essas duas patologias predominam mais entre as mulheres: a capsulite aparece em mulheres com idades entre 40 e 60 anos, enquanto a tendinopatia é mais prevalecente em mulheres com idades compreendidas entre 40 e 50 e após os 70 anos. O tendão supraesquinal é o mais acometido. Devido ao avanço da idade, esses tendões começam a ficar um pouco mais debilitados, ocorrendo assim um aumento da degeneração e com isso aparece a inflamação e dor”, sublinha a pesquisadora.
Laser Roller - a pesquisa e o futuro
Para o pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Dr. Antonio Eduardo de Aquino Junior, novos projetos com o Laser Roller serão realizados por conta dos excelentes resultados conseguidos com a sua utilização. “Eu acredito que esse equipamento, por ser já uma ferramenta viável comercialmente, tem que ser mais explorado pelos profissionais por conta dos resultados excelentes que ele tem demonstrado. Nós percebemos que um profissional, quando não é treinado para manusear esse equipamento e não consegue obter o resultado, sente uma espécie de frustração. Então, junto à comunidade profissional, eu acredito que sessões contínuas de treinamento para o uso do equipamento seriam fundamentais para que haja a compreensão da funcionalidade e do manuseio e aí a obtenção da eficácia. Obviamente, os trabalhos não ficam só nas áreas das tendinopatias e capsulite adesiva, já que é um equipamento que trata toda uma gama muscular com uma reabilitação mais rápida. Certamente que novos projetos com a utilização desse equipamento serão realizados, tudo isso com a inovação do IFSC/USP, sob a coordenação do Prof. Vanderlei Bagnato”, conclui o pesquisador.
Acesse o link para conferir o estudo que foi feito - https://www2.ifsc.usp.br/portal-ifsc/wp-content/uploads/2024/03/Canelada_2024_teninopathy-and-adhesive-casulipys.pdf
SÃO CARLOS/SP - Estão abertas as inscrições para o curso “Do macro ao micro na Astronomia” destinado aos professores do ensino médio de Física e áreas afins, das redes estadual, municipal e particular.
O curso é uma das ações de educação e difusão científica do Projeto “Cherenkov Telescope Array: Construção e primeiras descobertas” (Fapesp 2021/01089-1) e os interessados devem se inscrever pelo formulário de inscrição no site do CTAndo.
O curso foi concebido pelos professores do Departamento de Metodologia de Ensino (DME) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Prof. Dr. Marlon Pessanha e Profa. Dra. Nilva Lúcia Lombardi Salles, com apoio dos professores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Profa. Dra. Cibelle Celestino Silva, Coordenadora da linha de Divulgação-Ensino, e do Prof. Dr. Luiz Vitor de Souza Filho, atual presidente do Conselho do Consórcio Internacional CTA, e de diversos pesquisadores envolvidos com este projeto.
“Do macro ao micro da Astronomia” tem como princípio didático o vínculo entre conteúdos científicos específicos de astronomia e astrofísica e os conteúdos pedagógicos. A proposta é estimular que o professor participante se aprofunde nessas temáticas e pense sobre o ensino desses tópicos em suas aulas.
O principal objetivo é que o professor tenha contato com o tema de forma mais didática e, a partir do curso, elabore atividades e propostas para serem inseridas no seu cotidiano escolar.
Pensado para facilitar o acesso dos professores, o curso terá dois encontros presenciais - abertura e encerramento - e todas as aulas serão em formato EAD.
Os interessados em participar do curso devem se inscrever por meio do preenchimento de um formulário disponível em https://ctando.ifsc.usp.br/formacaocontinuada/, até o dia 20 de abril.
A participação é gratuita e o curso oferece certificado.
Para mais informações, entrar em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
SÃO CARLOS/SP - Integrado nas comemorações dos 30 anos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), o Teatro Municipal “Dr. Alderico Vieira Perdigão” recebe no próximo dia 27 de março, às 20h00, com entrada gratuita, o primeiro concerto inserido na série mensal para 2024, “Concertos USP”, com a participação da USP Filarmônica, com este primeiro evento subordinado ao tema “30 anos do IFSC com as ‘Quatro Estações’ de Vivaldi”.
Sob a regência do Maestro Prof. Dr. Rubens Russomanno Ricciardi (professor da FFCLRP-USP), estarão em destaque, neste concerto, os solistas:
O programa deste concerto (sem intervalo), está organizado da seguinte forma:
1) Francisco Manuel da Silva
Hino Nacional Brasileiro (1831)
2) Antonio Vivaldi
Domine Deus - ária (1715)
3) Gottfried Heinrich Stölzel
Bist du bei mir - ária (1718)
4) Antonio Vivaldi
As Quatro Estações (1725)
Primavera
Verão
Outono
Inverno
5) Henrique Alves de Mesquita
Os Beijos de Frade (1856)
Esta série mensal de “Concertos USP” é uma realização do Departamento de Música da FFCLRP-USP, em conjunto com o Grupo Coordenador de Cultura e Extensão Universitária da USP de São Carlos e do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), numa estreita parceria com a Prefeitura Municipal de São Carlos.
Os ingressos para este concerto poderão ser levantados no próximo dia 26/03 (terça-feira) entre as 08h00/11h30 e 14h00/17h30 na Assessoria de Comunicação do Instituto de Física de São Carlos (prédio administrativo do IFSC/USP - entrada no campus da USP São Carlos pela portaria localizada na Rua Miguel Petroni);
E, no dia do concerto, 27/03, a partir das 19h00, junto à bilheteria do Teatro Municipal “Dr. Alderico Vieira Perdigão”.
Esta série compreenderá a realização de concertos em nossa cidade nos meses de março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro.
SÃO CARLOS/SP - A Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP) promoveu na última semana, o lançamento do Programa de Curricularização da Extensão Universitária para os Cursos de Graduação, onde os alunos de graduação precisam cumprir horas em trabalhos que tenham cunho com pessoas e instituições fora da universidade, como a Prefeitura, implementando projetos interdisciplinares alinhados a temas de interesse público, desenvolvendo atividades para a sociedade.
O evento foi aberto a todos os interessados, ou seja, autoridades da administração pública, lideranças e membros da área acadêmica, pesquisadores, estudantes, empresários e a comunidade local.
O programa tem como parceiro a Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, o Instituto Mário de Andrade e a empresa G2 Arte, para o desenvolvimento de pesquisa tecnológica e projetos inclusivos e ambientalmente adequados para áreas críticas do município.
Foram apresentados vários projetos já realizados em outras cidades, sempre com a participação da universidade e a comunidade local. Para São Carlos um dos projetos apresentados, que têm grande relevância foi sobre as enchentes, com uma apresentação das áreas de risco, os principais rios e córregos que cortam a cidade, bem como algumas sugestões para mitigar esse tipo de ocorrência que vêm ocorrendo de forma mais intensa.
O diretor da Escola de Engenharia de São Carlos, Prof. Fernando Catalano, relata que esse projeto não é de um governo e sim uma parceria contínua com a Prefeitura e a sociedade. “É um programa muito importante que envolve a sociedade, nossos professores e alunos na transferência de conhecimentos direto, é o momento de devolver o que a universidade recebeu da cidade ao longo desses 70 anos da USP em São Carlos”.
Ismael Oliveira, sócio e diretor da G2 Arte e Cultura, enfatiza que a grande novidade do projeto é estabelecer uma ação em rede colaborativa. “É uma junção de vários agentes, a EESC, a Prefeitura e comunidades de bairros, a nossa ideia é identificar zonas criticas da nossa cidade que sejam endereçáveis com as tecnologias que vem sendo desenvolvidas na universidade. A função do nosso grupo que é de fora da universidade é fazer a ponte, essa negociação política entre os agentes da universidade, a Prefeitura e a comunidade que isoladamente têm dificuldade de estabelecer essas inter-relações”.
A Prof. Dra. Luciana Schenk do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, acredita que a criação de novas áreas permeáveis, de espaços livres em locais específicos podem contribuir para a melhoria das enchentes em São Carlos. “Eu acho que tem que ser feito um grande mapeamento de áreas que podem vir a ser utilizadas como áreas de infiltração, que possam ser parques ou não, estamos construindo enchentes com tudo impermeabilizado, íngreme, a água sempre vai para o ponto mais baixo. Precisamos mudar isso, desimpermeabilizando o fundo de várzea”.
Leandro Severo, secretário de Comunicação da Prefeitura de São Carlos, destaca a importância das universidades na cidade. “É mais um momento importante para São Carlos, todo nós sabemos da importância das universidades, dos centros de pesquisas e essa atividade da USP consagra uma iniciativa importantíssima com os alunos, professores, pesquisadores que já produzem ciência para o Brasil e para o mundo, possam se envolver de forma crescente com os problemas e as soluções na nossa cidade”, disse o secretário, parabenizando a todos os envolvidos e enfatizando o ganho para o município com esse trabalho em parceria com a USP.
SÃO CARLOS/SP - Projetado para apoiar pesquisadores em todas as áreas do conhecimento, o Portal da Escrita Científica da USP de São Carlos organiza nos dias 17, 18, 24 e 25 de abril, sempre às 15h30 e de forma remota, o “I Curso de Outono em Escrita Científica da USP”.
Este evento, gratuito e aberto a todos os interessados, visa aprimorar as habilidades científico-acadêmicas de alunos de pós-graduação, pós-doutores, docentes e pesquisadores, além de alunos de graduação, em pesquisa básica e/ou aplicada.
Espera-se que os participantes otimizem suas potencialidades no desenvolvimento de pesquisa científica de alto nível, no estado-da-arte, através da adequada redação científica de artigos científicos internacionais.
Nessa nova edição, o curso traz 4 módulos que abordam desde a estrutura de artigos científicos, passando por linguagem e editoração, até temas atuais como a utilização de Inteligência Artificial no apoio à escrita.
Este Curso será ministrado pelo Prof. Dr. Valtencir Zucolotto.
Link para Inscrição - http://tiny.cc/dcbjxz
SÃO CARLOS/SP - Foi lançado oficialmente no dia 06 do corrente mês, sob os auspícios do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), o livro “Bernhard Gross – entrevista e outros escritos”, uma publicação organizada por Alfredo Tiomno Tolmasquim*, Antonio Augusto Passos Videira* e Cássio Leite Vieira*, que aborda, ao longo das suas 106 páginas, a última entrevista dada em 2001 por aquele que, para muitos, é o “pai” da física moderna no Brasil. Comemorando o 90º aniversário da chegada deste cientista ao Brasil, a publicação apresenta, ainda, a carreira do Prof. Bernhard Gross, diversos textos sobre o início da física no Brasil e a disseminação internacional dessa área do conhecimento desenvolvida no nosso país.
O lançamento do livro ocorreu nas instalações do MAST e igualmente de forma online, com as presenças do diretor do órgão, Prof. Marcio Pereira Rangel, da diretora do INT, Profª Iêda Maria Vieira Caminha, e dos autores da publicação. De forma remota, o diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, marcou presença e agradeceu a realização do evento, bem como a forma como os autores do livro souberam relatar a vida científica do Prof. Bernhard Gross, tendo ressaltado a importância do homenageado para a pesquisa em física da matéria condensada, principalmente nos eletretos, que teve um grande impacto no então denominado Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC/USP).
“Nos anos 1980, o Grupo de Eletretos desenvolveu microfones de eletreto num projeto para a Telebras, a partir dos conhecimentos gerados pelo Prof. Gross. Um projeto de cooperação para transferir tecnologia para a sociedade, como esse da Telebras, era uma marca do trabalho do Prof. Gross que teve contribuições importantes tanto para a física fundamental quanto para a tecnologia”, pontuou o docente na sua participação online, tendo igualmente sublinhado que, além de ter sido um cientista de renome internacional, o Prof. Bernhard Gross deixou uma marca indelével no IFSC/USP. “Essa marca está devidamente perpetuada no reconhecimento que o IFSC/USP prestou ao Prof. Gross, atribuindo o seu nome ao nosso Grupo de Polímeros, bem como na Biblioteca e no “Prêmio Bernhard Gross”, atribuído todos os anos aos estudantes com alto desempenho acadêmico. O Prof. Gross era um ser humano de grandes qualidades, cujas humildade e generosidade eram faces marcantes em sua personalidade”, sublinhou o diretor do IFSC/USP, que agradeceu a oportunidade por estar representando, no evento, toda a comunidade de sua Unidade, especialmente os colegas do “Grupo de Polímeros Bernhard Gross”.
*Alfredo Tiomno Tolmasquim – Pesquisador Titular do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST);
*Antonio Augusto Passos Videira – Professor Titular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador visitante no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF);
*Cássio Leite Vieira – Jornalista especializado em ciências exatas e historiador de Física;
Estiveram envolvidos 121.208 estudantes do Estado de São Paulo
SÃO CARLOS/SP - “Programa Vem Saber” - “Competição USP de Conhecimentos e Oportunidades (CUCO)” e “Cientistas do Amanhã”. Três programas inteiramente dedicados aos jovens alunos do ensino médio do Estado de São Paulo atingiram, em 2023, resultados expressivos segundo o balanço agora divulgado.
Dessa forma, em relação ao “Programa Vem Saber”, que sempre ocorre no “Conjunto Didático” localizado na Área-2 do Campus USP de São Carlos, participaram de atividades na “Sala do Conhecimento”, 3.470 alunos provenientes de 103 escolas e localizadas em 75 cidades distintas do Estado de São Paulo, o que constituiu, em termos de abrangência, um recorde.
No que concerne à CUCO-2023, foi atingido o maior número de participantes dentre as sete edições já realizadas, o que também constitui um recorde, sublinhando-se a importante participação de 100% das Diretorias Regionais de Ensino e a participação ativa da direção central do Centro Paula Souza. A CUCO consolidou-se com um processo formativo aos estudantes da rede pública, especialmente aqueles com maior vulnerabilidade social. Foram 117.653 estudantes de 606 cidades, oriundos de 3 mil escolas, que participaram da CUCO em 2023.
Quanto ao projeto “Cientistas do Amanhã”, o programa registrou o ingresso de 5 estudantes na USP em São Carlos e 1 aluna na UFSCar. Do total que participaram na “Sala do Conhecimento” e na “CUCO”, mais de 3.500 jovens ingressaram nos cursos da Universidade de São Paulo.
Para o coordenador dos projetos inseridos no programa “Vem Saber”, o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Antonio Carlos Hernandes, cujo sucesso das iniciativas está demonstrado nos números expressivos apresentados a cada ano, a grande dificuldade apontada ainda é a falta de recursos financeiros. “Certamente que para ampliar ainda mais estas iniciativas, expandindo o número de propostas em prol da Educação, a contratação de pessoas para que possam nos ajudar é essencial. São necessários mais recursos. Essa é a principal dificuldade, vamos dizer assim, que tivemos, associada a todos os projetos que acontecem aqui no programa “Vem Saber””.
Com a 8ª edição da CUCO 2024 a seguir o mesmo cronograma das edições anteriores, com as inscrições se iniciando no próximo mês de maio e a prova acontecendo em agosto, a equipe liderada pelo Prof. Antonio Carlos Hernandes já iniciou o processo para efetivar os convênios no sentido de se apurar quais prêmios serão entregues a professores e alunos. Quantos às restantes iniciativas, todas elas se iniciaram no dia 04 deste mês de março.
Por outro lado, algumas atividades adicionais do programa irão ser instituídas neste ano. “Dentre as atividades adicionais do programa, iremos desenvolver um projeto, uma vez por mês, às quintas-feiras, no Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo de São Carlos, na Área-1 do campus da USP de São Carlos, do qual a Profª Yvonne Mascarenhas é vice-coordenadora, e que é um Ciclo de Conferências em Ciência e Educação. Essas atividades iniciam no dia 14 de março, e todas as quintas-feiras - com exceção das férias de julho - teremos uma conferência voltada para os professores da rede estadual e a comunidade”, pontua o Prof. Antonio Carlos Hernandes.
As novidades não param por aí. O programa “Vem Saber” também irá iniciar uma outra atividade, na cidade de Descalvado (SP), que será anunciada em breve.
IA detecta texto em pergaminho romano carbonizado há quase 2 mil anos
SÃO CARLOS/SP - Equipe composta por pesquisadores do IFSC/USP conquistou no início deste mês o 2º lugar ex aequo com mais duas equipes internacionais no “Vesuvius Challenge 2023 Grand Prize”, um desafio cuja missão é utilizar a Inteligência Artificial (IA) na leitura de pergaminhos romanos carbonizados em uma biblioteca da cidade “Herculano”, após a erupção do Vesúvio em 79 d.C.
Compuseram a equipe o Prof. Odemir Bruno, do IFSC/USP, o Mestrando em Física Computacional no IFSC/USP, Elian Rafael Dal Prá, o Pós-Doutorando no IFSC/USP, Leonardo Scabini, o administrador de sistemas, Sean Johnson, o graduando de Ciências de Computação no ICMC/USP, Raí Fernando Dal Prá, o graduando de Física no IFSC/USP, João Vitor Brentigani Torezan, o mestrando em Engenharia Química no GIMSCOP/UFRGS, Daniel Baldin Franceschini, o graduando de Enfermagem na UNOPAR, Bruno Pereira Kellm e o empreendedor Marcelo Soccol Gris. Saliente-se que o Prof. Odemir Bruno, o Mestrando Elian Rafael Dal Prá e o Pós-Doutorando Leonardo Scabini, pertencem ao Grupo de Computação Científica do IFSC/USP.
O “Desafio do Vesúvio”, mais do que uma competição de aprendizado de máquina e visão computacional que no final do ano de 2023 explorou o enigma dos “Papiros de Herculano” e concedeu mais de US$ 1 mi em prêmios, é considerada, acima de tudo, uma grande colaboração internacional onde a ciência saiu grandemente beneficiada. A etapa que se encerrou no final de 2023 desafiava pesquisadores a decifrar, pela primeira vez, algumas passagens completas de um dos pergaminhos. Os cientistas deveriam desenvolver algoritmos que pudessem detectar tinta em imagens de tomografia computadorizada obtidas dos papiros carbonizados, que consequentemente revelariam o texto neles contido. A equipe vencedora deste desafio, que faturou US$ 700 mil, foi constituída pelos jovens pesquisadores Youssef Nader (Alemanha), Luke Farritor (Estados Unidos) e Julian Schillinger (Suíça). Às outras três equipes, incluindo a equipe de brasileiros, foi concedido o posto de segundos colocados e dividiram um prêmio de US$ 150 mil.
Contextualizando
“Herculano” foi uma cidade localizada na comuna moderna de Ercolano, Campânia, Itália, tendo sido enterrada sob as cinzas provocadas pela erupção do vulcão do Monte Vesúvio. Como a cidade vizinha de Pompeia, “Herculano” é famosa por ser uma das poucas cidades antigas que ficou preservada - mais ou menos intacta - após a ação do vulcão, pois as cinzas que cobriram a cidade também a protegeram contra saques e intempéries. Embora hoje seja menos conhecida do que Pompeia, ela foi a primeira - e por muito tempo a única - cidade enterrada pelo vulcão Vesúvio a ser encontrada (em 1709), enquanto Pompeia só foi revelada a partir de 1748 e identificada em 1763.
Ao contrário do que aconteceu em Pompeia, o material que cobriu “Herculano” - principalmente piroclástico - carbonizou e ao mesmo tempo preservou as madeiras e diversos objetos, como telhados, camas e portas, além de outros materiais de base orgânica, como alimentos e papiros.
Para entender a história
No ano de 79, o Monte Vesúvio entrou em erupção e, na cidade de “Herculano”, vinte metros de lama quente e cinzas enterraram uma enorme villa que pertencia ao sogro daquele que muitos consideram ter sido o primeiro Imperador de Roma - Júlio César. No interior, havia uma vasta biblioteca com rolos de papiro. Os pergaminhos foram carbonizados pelo calor dos detritos vulcânicos, mas, curiosamente, essa ação também provocou a sua preservação. Durante séculos, enquanto praticamente todos os textos antigos expostos ao ar se deterioravam e desapareciam, a biblioteca da “Vila dos Papiros” (assim se chamava) subsistia no subsolo, intacta.
No ano de 1750, um fazendeiro descobriu a vila enterrada e um de seus funcionários, ao cavar um poço, encontrou um pavimento de mármore. As escavações revelaram belas estátuas e afrescos, bem como centenas de pergaminhos carbonizados e acinzentados, apresentando-se extremamente frágeis. Mas, a tentação de abri-los era grande, já que, se lidos, isso mais do que duplicaria o corpus de literatura que existe desde a antiguidade. Infelizmente, as primeiras tentativas de abrir os pergaminhos provocaram a destruição de grande parte deles. Entretanto, alguns foram cuidadosamente desenrolados por um monge ao longo de várias décadas, tendo-se descoberto que continham textos filosóficos escritos em grego. Mais de seiscentos pergaminhos permanecem ainda hoje fechados e ilegíveis.
Em 2015, o pesquisador, Dr. Brent Seales, da Universidade de Kentucky (EUA), junto com sua equipe, foi pioneiro no designado “desembrulhamento virtual”, ao conseguir ler o pergaminho de En-Gedi (um oásis localizado a Oeste do Mar Morto, perto de Massada, e que é mencionado diversas vezes nos escritos bíblicos) sem abri-lo, utilizando para isso a tomografia de raios X e visão computacional. Descoberto na região do Mar Morto, em Israel, o pergaminho contém um texto do livro de Levítico - o terceiro livro da Bíblia hebraica.
Desde então, a técnica de “desembrulhamento virtual” emergiu como um campo em crescimento com múltiplos sucessos. O trabalho de Brent Seales e de sua equipe mostrou que a indescritível tinta de carbono dos pergaminhos de “Herculano” também pode ser detectada através de tomografia de raios X, estabelecendo as bases para o citado “Desafio do Vesúvio”.
O IFSC/USP entre os melhores
O “Desafio do Vesúvio” - ou “Vesuvius Challenge” - foi lançado em março de 2023 para reunir os pesquisadores de todo o mundo para lerem os pergaminhos de “Herculano”. Junto com outros prêmios, foi estipulado um Grande Prêmio destinado à primeira equipe que recuperasse 4 passagens de 140 caracteres de um pergaminho, dando-se início à descoberta do quebra-cabeça dos papiros de “Herculano”, após 275 anos.
Mas, a busca para descobrir os segredos dos pergaminhos está apenas começando. A edição de 2023 do “Desafio do Vesúvio” foi marcante, já que abriu as portas para algo sem precedentes: o acesso a pergaminhos que não são lidos há cerca de dois milênios, com a participação de equipes de pesquisadores. Nesta edição de 2023 do “Vesuvius Challenge - Grand Prize”, a grande vitória do IFSC/USP, que participou da “competição”, não foi apenas alcançar o 2º Prêmio, em igual posição com outras duas equipes internacionais, mas sim integrar um grupo extraordinário de pesquisadores que empreenderam um enorme trabalho para atingirem essa extraordinária meta.
A metodologia utilizada pela equipe do IFSC/USP para fazer a leitura dos pergaminhos consistiu em escanear um papiro carbonizado, tendo sido feita uma tomografia utilizando um acelerador de partículas e, com essa geometria do papiro, ele precisou ser “desenrolado”. A partir dessa ação, a equipe precisou obter algum sinal da tinta desse papiro, ou seja, algo que começasse a formar letras. Conforme explica Elian Rafael Dal Prá, cujo sua participação teve origem em seu trabalho de Iniciação Científica, a parte de pegar, escanear e desenrolar o papiro foi realizada pelo próprio pessoal do “Desafio do Vesúvio” e, a partir daí, esse resultado foi enviado para todos os que estavam participando dos estudos desses dados, sendo que a proposta foi exatamente tentar achar o sinal de tinta.
Contudo, houve uma pessoa - Casey Handmer -, que descobriu que havia um sinal de rachadura nesses dados - designado “crackle”- que sinalizava a tinta da escrita. “Dessa forma, foi possível descobrir muitas letras nesses papiros que já estavam escaneados e planificados. ”Basicamente, o que fizemos foi aplicar um método de Inteligência Artificial (IA), um método de aprendizado de máquina que buscasse esses padrões de “crackles”, pontua Elian. Para essa ação, ele pediu ajuda a alguns amigos, que compuseram a equipe, para tentar encontrar esses “crackles”, algo que se concretizou através da criação de um banco de dados para fazer com que o algoritmo de aprendizagem de máquina aprendesse isso. “A partir daí, o que fizemos foi jogar na IA repetidamente os dados que criamos, que aprendemos, até formarmos os textos”, sublinha Elian.
Quando as dificuldades de sua iniciação científica aumentaram e o prazo para o desafio ficava mais curto, por sugestão de seu orientador, Elian entrou em contato com Leonardo Scabini, Pós-Doutorando do grupo de computação interdisciplinar do IFSC-USP, para fazer parte do time. “Leonardo contribuiu positivamente desde a nossa primeira conversa. O impacto de cada bate-papo era notável no treinamento dos modelos. Sua ajuda foi essencial para que conseguíssemos fazer esse projeto a tempo”, afirma Elian. Na sequência, Elian também contactou com um administrador de sistemas - o norte americano Sean Johnson - que igualmente teve um importante papel na resolução desse problema. “Sean possuía uma grande intimidade com os dados. Ele nos ajudou muito e teve papel fundamental para conseguirmos um resultado mais legível no final da competição”, relata o mestrando do grupo de computação interdisciplinar. “Foi um processo muito interativo”, destaca Elian.
Em relação à “competição” propriamente dita e no que diz respeito ao primeiro colocado, Elian afirma que a disponibilidade de recursos e o tempo para a concretização do projeto foram um desafio. O time que iria vencer o desafio já tinha vencido etapas anteriores, como detectar as primeiras letras no pergaminho, em agosto, levando-os a alcançar resultados muito bons na etapa final de 2023. “Eles já tinham resultados bons. Em novembro nós não tínhamos quaisquer resultados próprios e foi basicamente o resultado deles que fez com que iniciássemos todo o nosso processo; foi uma corrida contra o tempo”, destaca Elian.
Próximos passos - Abrindo novas fronteiras
Para Leonardo Scabini, a partir do momento em que foi divulgado o prêmio dessa etapa da competição, todo o código, modelo e os resultados obtidos pelos participantes ficaram públicos, sendo que a próxima etapa será bem mais complexa. “O que eles conseguiram fazer foi ler em torno de 5% apenas de um pergaminho. Agora, a próxima etapa é a restante leitura e já tem gente trabalhando nisso, sendo que estamos nos organizando para o próximo passo. Contudo, já vi gente usando os resultados não só da equipe que venceu o “Desafio do Vesúvio”, como os nossos também. Então, apesar de ter existido uma classificação, com um primeiro lugar e três equipes colocadas em segundo lugar, as contribuições de todos se somaram e quem ganha é a ciência e a humanidade. Para a próxima etapa estamos nos organizando para continuar ativamente pensando em como melhorar o nosso time e como melhorar a nossa IA”, esclarece Leonardo.
Em relação ao desafio propriamente dito, o Prof. Odemir Bruno destaca que a contribuição científica é muito mais valiosa do que o prêmio financeiro da competição. O desafio de ser revelado um pergaminho carbozinado há 2000 anos e praticamente considerado no passado como impossível de ser lido, demonstra o grande potencial da inteligência artificial. “Muito se fala sobre a Inteligência Artificial na mídia, na maioria das vezes posicionando-a como uma ameaça. Entretanto, ao revelar um conteúdo histórico de valor inestimado, a área da inteligência artificial, se revela com uma nova revolução na Ciência, com potencial para trazer grandes benefícios para a humanidade. Não devemos temer o conhecimento, devemos compreende-lo e usá-lo para nossa continua evolução.
Ainda em relação ao desafio, o cientista destaca que as 4 equipes vencedoras conseguiram resolver o problema seguindo caminhos diferentes. “Na Ciência, as contribuições se somam, agora que os códigos das 4 equipes foram publicados, com eles podem ser desenvolvidos métodos ainda mais eficientes. Os novos métodos, baseados nos 4 vencedores podem ser usados tanto na continuidade do problema dos pergaminhos como em outras áreas.
E, se os cientistas conseguiram ler um pergaminho que se carbonizou há dois mil anos, existe a firme convicção de que eles poderão olhar para a lâmina de um microscópio e detectar uma célula tumoral, ou olhar uma nanoestrutura e descobrir um material novo. “Certamente que sim. Futuramente, seremos capazes de olhar para a estrutura de uma máquina, de um avião, e detectar falhas com uma razoável antecedência, prevenindo dessa forma possíveis catástrofes. A IA pode realizar coisas que hoje parecem impossíveis - por exemplo, descobrir a cura para uma doença ou detectar o surgimento de um tumor em tempo hábil. Isso demonstra que estamos vivendo uma revolução na ciência, tudo por conta da IA e com certeza a humanidade vai ser beneficiada. O que é importante é que na ciência tudo se soma”, conclui o pesquisador.
O conteúdo desvendado no pergaminho
Os fragmentos revelados no pergaminho - provavelmente escritos pelo filósofo Filodemo de Gádara -, discutem conceitos da filosofia epicurista sobre a busca pelos prazeres da vida, enfatizando a importância da música, da alimentação e de como desfrutar dos prazeres cotidianos de forma equilibrada. Ele explora a filosofia de que o prazer é o bem supremo, mas destaca a necessidade de entender corretamente o que constitui um prazer verdadeiro, sugerindo uma reflexão sobre a moderação e o valor dos prazeres simples. Finalmente, o pergaminho conclui, em tradução direta: “…pois [não] nos abstemos de questionar algumas coisas, mas de compreender/lembrar outras. E que seja evidente para nós dizer coisas verdadeiras, como muitas vezes poderiam ter parecido evidentes!”
A participação do IFSC/USP neste desafio - que tem sua continuação mais para a frente - mostra que a ciência brasileira é muito competitiva internacionalmente, mesmo com recursos e verbas bem inferiores aos que os países desenvolvidos possuem. Será uma questão de criatividade que supera tudo e todos? Talvez!!! O certo é que a ciência brasileira está forte, consolidada e competitiva.
Para conferir o artigo submetido pela equipe do IFSC/USP ao “Vesuvius Challenge”, acesse - https://github.com/erdpx/vesuvius-grand-prize
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