|
ARAÇATUBA/SP - Na quarta audiência pública do Orçamento de 2027, os deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ouviram pedidos por investimentos em saúde e em obras viárias para a cidade de Araçatuba e região. A reunião foi realizada na noite de quinta-feira (16) pela Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento (CFOP), e aconteceu na Câmara Municipal do município, que conta com cerca de 200 mil habitantes. Na área da saúde, munícipes, lideranças locais e vereadores de diferentes municípios cobraram a destinação de verbas para manutenção e reforma das unidades da região, além da necessidade de criação de unidades de saúde inclusivas, com estrutura acessível e atendimento preparado para pessoas com deficiência. O vereador de Buritama, Wallison Roberto da Silva, por exemplo, pediu investimentos para a Santa Casa do município. "Temos uma população de 17 mil pessoas. Porém, nos finais de semana a nossa população triplica. Peço aos deputados que destinem uma verba generosa à nossa Santa Casa, para que possamos continuar atendendo a população e os turistas", disse. A vereadora de Araçatuba, Solange Nery, destacou a ausência de um núcleo especializado para o atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). "Atendemos não só Araçatuba, mas 40 municípios da região. E temos uma fila gigantesca de crianças sem atendimento. Essas crianças precisam de cuidado", alertou. Representantes da Associação Ser Criança, entidade que realiza diagnósticos do transtorno do espectro autista (TEA) e do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), também fizeram um apelo para a área. "Antes de ter um transtorno, eles são cidadãos de direito", afirmou a fundadora e diretora da associação, Vanessa Delai Dias Bogaz. Os parlamentares presentes na audiência reconheceram a necessidade de mais investimentos em uma saúde inclusiva. "Vamos colocar mais dinheiro para a causa do autismo, vamos ajudar a atender pessoas que participam desta questão tão nobre", incentivou o deputado estadual Dirceu Dalben (PSD), seguido do deputado Gilmaci Santos (Republicanos), presidente da CFOP: "Vamos estudar uma forma de a gente, no orçamento, arrumar uma maneira de contemplar de maneira específica essa causa. É um compromisso nosso". Melhorias em infraestrutura Outra demanda da região é o investimento em obras viárias, como duplicação, pavimentação e melhorias em rodovias e estradas vicinais. Nalva de Oliveira, munícipe de Araçatuba, destacou a necessidade de duplicação da rodovia Caram Rezek. "Não é uma obra qualquer. É uma obra que aguardamos há anos, e que vem sendo palco de acidentes e muitas vítimas fatais", disse. A duplicação da rodovia Eliezer Montenegro Magalhães, que interliga Jales e Araçatuba, também esteve no pacote de cobranças dos moradores de Araçatuba e região. Já Paulo Soares, suplente de deputado federal, alertou sobre o asfaltamento da estrada rural do Baixão de Serra, vicinal estratégica para o escoamento de cana-de-açúcar e conexão entre Santa Maria da Serra, Barra Bonita, Dois Córregos e Mineiros do Tietê. "Essa é uma demanda antiga da região central do estado. É uma questão de segurança, de logística e de desenvolvimento econômico", argumentou. O vereador de Santa Albertina, Luiz Donizeti Barbosa, apontou a necessidade da realização de obras no trevo do município, que liga à cidade de Jales e empreendimentos locais. "A gente fica triste de bater nessa tecla e não ver resultado", lamentou. Presente à reunião, a presidente da Câmara Municipal de Araçatuba, Edna Flor, comemorou a realização do evento em seu município. "Este é um momento em que nós podemos sair do discurso e ir para a prática. Colocar no orçamento recursos para atender as demandas da nossa comunidade". Além dos assuntos citados, também houve demandas nas áreas da habitação, agricultura, cultura e educação, com a ampliação das escolas e da oferta de aulas em período integral. Novamente este ano, a Comissão de Finanças da Alesp conta com recursos próprios no Orçamento estadual para destinar aos municípios participantes das audiências públicas. Durante o encontro, os deputados Gilmaci Santos (Republicanos), Luiz Claudio Marcolino (PT), Enio Tatto (PT), Dirceu Dalben (PSD) e Fábio Faria de Sá (Podemos) anunciaram repasses para 19 municípios da região, sendo eles: Santa Albertina, Santa Fé do Sul, Planalto, Magda, Santo Antonio do Aracanguá, Rinópolis, Andradina, Buritama, Bilac, Torrinha, Murutinga do Sul, Turiúba, Brejo Alegre, Bálsamo, Nova Castilho, Lourdes, Coroados, Cardoso e Monções. Cada cidade vai receber R$ 150 mil. A cidade-sede da reunião, Araçatuba, receberá R$ 300 mil, totalizando R$ 3,15 milhões para a região. "As audiências públicas servem para discutirmos o dinheiro do estado de São Paulo. Um orçamento grande, que vai chegar em R$ 400 bilhões. Essa é a oportunidade para ouvir a população", ressaltou o deputado estadual Enio Tatto (PT). A medida - que ressalta o dinamismo, comprometimento com a população e importância das audiências públicas a cada ano que passa - tem a chancela do presidente do Parlamento Paulista, o deputado André do Prado. Os valores serão votados ao final do ano pelo Plenário da Alesp e repassados oficialmente em 2027. O Orçamento Entre abril e maio, os deputados integrantes da Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento da Alesp estarão em 17 cidades de diferentes regiões do Estado para ouvir, diretamente dos cidadãos, quais são as principais demandas dos municípios paulistas. Todo o trabalho produzido durante esses encontros será incorporado à Lei Orçamentária Anual (LOA). Esse documento prevê a arrecadação estadual e fixa as despesas do ano seguinte. Dessa forma, é o instrumento pelo qual são previstos e planejados os investimentos em diversas áreas, como Saúde, Educação, Segurança Pública, entre outras. |
RIO DE JANEIRO/RJ - O ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro de Investimentos dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed Hassan Alsuwaidi, assinaram, neste domingo (17), no Rio de Janeiro, um acordo para a atração de investimentos do país do Oriente Médio em setores estratégicos da economia brasileira. A previsão é que, no prazo máximo de dois meses, seja fechada uma carteira de projetos com oportunidades de negócios.
A assinatura ocorreu durante agenda bilateral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan – chefe da delegação dos Emirados Árabes na Cúpula de Líderes do G20, comandada por Lula nesta segunda-feira (18) e terça-feira (19), na capital fluminense.
Em nota, a Casa Civil ressalta que os Emirados Árabes são o segundo principal parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio. A corrente de comércio entre os dois países ultrapassou US$ 4,3 bilhões em 2023.
“Espera-se que, a partir desse mecanismo, as relações econômicas entre os dois países, que já são caracterizadas por elevado nível de investimentos recíprocos e significativos fluxos comerciais, ganhem novo impulso nos próximos anos, levando em consideração os diversos eixos de sinergia potencial nos setores financeiro, comercial e de investimentos a serem explorados mutuamente”, afirmou a pasta ligada à Presidência da República.
Em outubro, Rui Costa chefiou uma missão brasileira a Dubai e Abu Dhabi para identificar áreas e projetos prioritários para fomentar investimentos no Brasil.
“Os Emirados Árabes tomaram a decisão de fazer fortes investimentos no Brasil, e nós, portanto, formamos um grupo para, num prazo máximo de 60 dias, ter um portfólio de investimentos e de participação mútua de empresas brasileiras que possam ter presença nos Emirados, assim como fundos de investimentos que desejam investir no Brasil e querem identificar esses projetos rapidamente para eles aportarem recursos”, destacou o ministro, no comunicado.
Por parte do governo brasileiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ajudará no levantamento das propostas.
AGÊNCIA BRASIL
Serão mais de R$ 50 milhões em obras de recapeamento, iluminação e saneamento
SÃO CARLOS/SP - O vice-prefeito de São Carlos Edson Ferraz e o secretário de Governo, Netto Donato, anunciaram nesta quarta-feira (15/05), no auditório do Paço Municipal, mais três grandes investimentos para a cidade: investimento de mais R$ 35 milhões em recapeamento de vias, implantação de mais 22 mil lâmpadas de LED e construção de um poço profundo na região do Cedrinho.
O recapeamento vai chegar em outros 43 bairros da cidade de 10 regiões diferentes, como por exemplo, Azulville, Castelo Branco, Américo Alves Margarido, Santa Marta, Pacaembu, Douradinho, Marginal da Chaminé, entre outros locais. “Já recuperamos mais de 400 Km de vias públicas. De 2017 a 2020, foram 3.800 quarteirões recuperados. Depois com a pandemia o serviço foi paralisado. Retornando os trabalhos conseguimos fazer mais vias, totalizando 4.395 quarteirões. Sempre foi o desejo do prefeito Airton Garcia recuperar 100% das vias de São Carlos, e com mais esse investimento, pretendemos cumprir essa meta”, disse Netto Donato, secretário de Governo.
Também foi anunciada a ampliação da iluminação de LED na cidade. “A CPFL investiu R$ 8 milhões para trocar 10.130 pontos de iluminação pública, o que corresponde a 1/3 da iluminação da cidade. Agora a Prefeitura vai assinar um novo contrato com a CPFL para substituir mais 22 mil lâmpadas, chegando a outros 2/3 da cidade, um investimento de R$ 12 milhões”, confirmou o vice-prefeito Edson Ferraz.
Outra importante obra foi anunciada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). “Vamos construir um poço profundo na região do Cedrinho, com capacidade de 6 milhões de litros/dia, para acabar com a falta de água no grande Cidade Aracy, um investimento de R$ 10.941,000,00. No próximo dia 12 de junho vamos realizar a primeira sessão pública do processo licitatório”, explicou o engenheiro Mariel Olmo, presidente do SAAE.
SÃO CARLOS/SP - O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos em Inovação e Pesquisa (Finep), Celso Pansera, cumprirá agenda em São Carlos no dia 17 de agosto a convite do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional São Carlos. Ele estará acompanhado do seu chefe de gabinete, Fernando Peregrino, do assessor da presidência, Wanderley de Souza, e do coordenador de comunicações, André Godoy.
Ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Finep é a principal empresa pública brasileira de fomento à ciência, tecnologia e inovação em empresas, universidades e institutos tecnológicos.
Pansera foi ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação no segundo governo Dilma Rousseff, viabilizou o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, tem extensa atuação no setor e uma série de ações que visam aproximar a universidade do setor privado. É natural do Rio Grande do Sul e foi deputado federal pelo Rio de Janeiro de 2015 a 2019.
Além da agenda no Ciesp São Carlos às 16h30, cuja participação é aberta ao público com confirmação de presença até o dia 16/08 (16 3368 1037 ou whatsapp 16 99783 3365), Pansera visita a XMobots, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade de São Paulo (USP) e a Embrapa Instrumentação.
No Ciesp, Pansera falará sobre o papel da Finep na retomada do fomento à inovação para industriais e também para um conjunto de representantes de startups. São Carlos, conhecida pelo alto número de professores doutores por habitante, 1 para cada 100, também ostenta números impressionantes de startups e empresas de base tecnológica.
Segundo o levantamento Report Sanca Hub – mapeamento do ecossistema de empreendedorismo, tecnologia e inovação – feito em 2023 pela Liga de Empreendedorismo de São Carlos (LESC), projeto de extensão universitária que reúne alunos e ex-alunos da UFSCar e USP, a cidade tem uma startup para cada 1.093 habitantes, enquanto no Brasil existe uma para cada 33 mil habitantes. São Carlos supera Israel, referência na área, cuja relação é de 1 /1.400 habitantes. Mais em www.reportsancahub.com.br.
XMobots – Instalada em São Carlos desde 2011 e com 330 funcionários, a XMobots, empresa que o presidente da Finep irá visitar, é a maior da América Latina na fabricação, desenvolvimento e operação de sistemas não tripulados aéreos, os Veículos Aéreos não Tripulados (VANTs) ou drones, excetuando o segmento de guerras. A empresa pretende atingir 600 colaboradores até o final do ano. Atualmente, do total de colaboradores, pelo menos 100 são engenheiros oriundos da UFSCar, USP e demais universidades brasileiras.
QUITO - O presidente do Equador, Guillermo Lasso, assinou nesta terça-feira um decreto para atrair investimentos privados e criar novos empregos em um momento em que o país sul-americano enfrenta uma incerteza política cada vez maior.
O decreto criaria regiões com regimes alfandegários, tributários e de comércio exterior especiais, além de isenções tributárias, disse o governo.
"Vamos transformar positivamente o comércio local e internacional", disse o ministro da Economia, Pablo Arosemena, a jornalistas no evento de assinatura do decreto.
Lasso está governando por meio de decretos após dissolver a legislatura da Assembleia Nacional que tentou impugná-lo.
O decreto desta terça-feira, assim como os cortes de impostos que ele anunciou na semana passada para trabalhadores de renda média e pequenas empresas, está sujeito à aprovação do tribunal constitucional.
Lasso, um ex-banqueiro conservador, pediu eleições antecipadas, citando a crise política e a turbulência doméstica do Equador.
Não está claro se Lasso concorrerá às eleições, que provavelmente ocorrerão em 20 de agosto. Um meio de comunicação internacional o citou dizendo que não, mas o ministro do governo disse nesta terça-feira que Lasso estava avaliando a decisão.
Lasso está marcado para fazer um discurso marcando o início de seu terceiro ano no cargo na quarta-feira.
Por Alexandra Valencia / REUTERS
CHINA - O investimento estrangeiro foi um dos pilares do "milagre econômico" na China, país que em quatro décadas tirou 850 milhões de pessoas da pobreza.
Após a morte de Mao Tsé-tung em 1976, o comunismo mais ortodoxo deu lugar a uma abordagem pragmática do desenvolvimento econômico e, três anos depois, o país abriu suas portas ao investimento estrangeiro.
Nas décadas seguintes, a entrada de capitais cresceu exponencialmente, com o PIB chinês expandindo a uma taxa média superior a 9% ao ano.
Mas agora essa tendência de longo prazo começou a se reverter.
O investimento estrangeiro na China vem despencando desde o início deste ano, especialmente desde a invasão russa da Ucrânia.
Somente entre janeiro e março, investidores estrangeiros retiraram cerca de US$ 150 bilhões (cerca de R$ 760 bilhões) em ativos financeiros em yuan, principalmente em títulos.
"Embora a China tenha registrado entradas (de capitais) em janeiro, as saídas de fevereiro e março foram tão grandes que tornaram o primeiro trimestre o pior já registrado. A fuga continuou em abril", indica o relatório de maio do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).
A entidade com sede em Washington prevê uma saída de ativos da China de US$ 300 bilhões este ano, mais que o dobro dos US$ 129 bilhões em 2021.
Analisamos quais são as quatro principais causas desta tendência, se ela veio para ficar, que consequências terá e como as autoridades chinesas estão reagindo.
1. A estratégia "covid zero"
"As políticas de 'covid zero' estão levando a China a uma contração semelhante à da primeira onda da pandemia", disse à BBC o economista espanhol Juan Ramón Rallo.
Mais de dois anos após o início da pandemia, a maioria dos países retirou as restrições devido à covid. Mas na China é diferente.
Pequim, que antes sempre priorizava o crescimento econômico acima de tudo, desta vez colocou isso de lado para evitar uma possível crise de saúde, apesar de a maioria de sua população estar vacinada.
O governo impôs confinamentos rígidos em Xangai — que responde por 5% do PIB nacional. E em outras cidades, ele reforçou medidas anticovid, reduzindo a atividade empresarial.
Assim, o desemprego nas cidades ultrapassou 6%, sua economia contraiu 0,68% em abril e poucos acreditam que a China atingirá a meta de crescimento para este ano de 5,5%, número que já é discreto em relação aos anos anteriores.
"Muitas empresas ainda veem a China como um mercado importante, mas hoje é difícil manter esse otimismo enquanto o resto do mundo se abre e a China permanece fechada", diz Nick Marro, analista da Economist Intelligence Unit (EIU) em Hong Kong.
Marro acredita que a estratégia "covid zero" não estimula investidores a apostarem na China "já que as regras podem mudar repentinamente, sem aviso prévio, o que dificulta ainda mais o planejamento e as decisões sobre investimentos futuros".
"A grande questão é se os investidores estrangeiros veem o 'Covid Zero' como um problema temporário que podem tolerar. Quanto mais tempo essa política continuar, maior será essa intolerância."
2. A crise imobiliária
A construção de casas tem sido um dos motores de crescimento da economia chinesa nas últimas décadas.
No entanto, o setor está em crise desde o ano passado devido ao forte endividamento das gigantes locais, como a Evergrande.
Embora a crise imobiliária na China venha de antes, os temores dos investidores estrangeiros sobre suas consequências na saúde econômica do país em combinação com os efeitos do "covid zero" e outros fatores são mais recentes.
"Nos últimos 10 anos, a China cresceu com base no crédito barato e na bolha imobiliária", lembra o professor Rallo.
Após o estouro dessa bolha, explica ele, o país está imerso em uma mudança no modelo produtivo que ele descreve como "complicada".
"A digestão de uma bolha imobiliária de tal magnitude é um processo lento e doloroso, ainda mais se não se permite um ajuste rápido, como o Partido Comunista Chinês parece estar fazendo."
Conscientes deste problema, as autoridades chinesas tomaram algumas medidas para revitalizar o mercado imobiliário, incluindo vários cortes nas taxas de juro do financiamento habitacional através de decreto do banco central do país.
Isso coloca a China como um dos poucos países que vai contra a maré: enquanto o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve anunciam aumentos de juros para combater a inflação, Pequim recorre a estímulos para aliviar sua crise imobiliária e revitalizar sua economia — aposta que muitos considerar arriscado em plena escalada de preços em nível global.
3. Rússia, tensões geopolíticas e direitos humanos
A invasão da Ucrânia custou à Rússia o isolamento econômico do Ocidente com sanções de magnitude que ninguém imaginaria para um país tão importante.
A guerra levou muitos investidores a se perguntarem o que aconteceria com seus ativos na China se Xi Jinping lançasse uma operação militar em Taiwan, reprimisse um levante popular em Hong Kong pela força ou decidisse resolver disputas territoriais com vizinhos pela força das armas.
A posição da China no conflito ucraniano — mais próxima da Rússia — também não ajuda.
"Os mercados estão preocupados com os laços da China com a Rússia — isso está assustando os investidores e a aversão ao risco está em evidência desde o início da invasão", disse Stephen Innes, sócio-gerente do serviço de investimentos SPI Asset Management, para a Bloomberg.
"Todo mundo começou a vender títulos chineses, então estamos felizes por não termos comprado nenhum."
O professor Rallo, por sua vez, destaca a tendência de regionalização do comércio global com duas grandes áreas de influência: Europa-EUA, por um lado, e China-Rússia, por outro.
Assim, para as empresas ocidentais "ter parte de sua cadeia de valor no outro bloco pode ser uma desvantagem", então algumas delas optariam por abrir mão desses mercados.
O analista Nick Marro também destaca "o aprofundamento do cisma entre a China e o Ocidente em questões como competição econômica e estratégica, bem como valores democráticos e direitos humanos".
Um bom exemplo disso é o Norges Bank Investment Management, da Noruega, o maior fundo soberano do mundo que administra ativos de 1,3 trilhão de dólares. Em março, o fundo excluiu as ações da empresa chinesa de roupas esportivas Li Ning pelo "risco inaceitável" que "contribui para graves violações dos direitos humanos".
4. A ofensiva contra o setor privado
Tanto o "milagre econômico" chinês quanto a avalanche de fluxos de capital que em grande parte o tornaram possível vieram junto com reformas voltadas para o livre mercado e o desenvolvimento de empresas privadas.
No entanto, observa Nick Marro, "muito da agenda de reformas que poderia beneficiar tanto as empresas privadas estrangeiras quanto as locais estagnou".
A tendência recente de protecionismo e intervenção acontece em vários setores, mas sobretudo na tecnologia, "onde as preocupações de segurança nacional superam todo o resto", diz.
O exemplo mais claro é a ofensiva iniciada em 2021 contra as grandes empresas de tecnologia chinesas, que os críticos atribuem à vontade do Estado de controlar o setor. Isso afetou o valor de empresas de renome mundial, incluindo o Alibaba.
A corporação do bilionário Jack Ma foi uma das mais atingidas pela campanha regulatória de Pequim, que em abril do ano passado impôs a maior multa antitruste da história do país, no valor de cerca de US$ 2,8 bilhões.
Segundo o analista, o governo chinês está dando cada vez mais poder às entidades estatais, o que pode contrariar seu objetivo de reanimar o crescimento econômico.
Nas últimas semanas, a agência Reuters e a Bloomberg citaram fontes do setor que dizem que Pequim planeja corrigir sua política sobre empresas de tecnologia, embora o governo não tenha confirmado isso oficialmente.
Desinvestimento tem limite?
Os índices de ações chineses também não têm dado bons retornos aos investidores nos últimos meses.
O Shanghai CSI300 atingiu o fundo do poço no final de abril e desde então se recuperou ligeiramente, embora ainda esteja longe de seus níveis no início do ano.
A moeda local, o yuan, foi negociada em seus níveis mais baixos em dois anos em relação ao dólar em maio.
A curva descendente dos índices chineses não é muito mais acentuada do que a de seus equivalentes nos EUA e na Europa, que também se depreciaram desde o início do ano após atingirem máximas em 2021.
O superávit comercial da China ultrapassou US$ 200 bilhões no primeiro trimestre. Embora isso aconteça em parte por causa da queda nas importações, a reserva é considerável e ajuda o país a resistir melhor às retiradas de investimentos estrangeiros.
Nesse contexto, descreve o IIF em seu relatório, as saídas de capitais da China não estão colocando em risco a solvência do país, que não necessita de moeda estrangeira para cumprir suas obrigações externas.
A instituição também considera que a onda de desinvestimentos na China tem limites.
"Embora vejamos empresas de alto perfil anunciando planos para deixar o mercado, não devemos entender isso como um êxodo. Muitas dessas empresas estão na China há décadas e elas não será fácil ou rápida a decisão delas de deixar esse mercado ," ele diz.
Em editorial recente, a revista The Economist aponta para o próximo Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCC), marcado para outubro, como o ponto de virada que pode dar um novo foco à economia chinesa e apresentar uma perspectiva diferente para os investidores estrangeiros.
"A visão otimista é que esse período sombrio de ideologia, erros políticos e crescimento lento faz parte da preparação para o congresso do partido. Quando isso passar, os pragmáticos terão mais controle da política, a 'covid zero' acabará e voltará o apoio à economia e à tecnologia".
- Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-61809852
ALEMANHA - A Comissão Europeia divulgou na quarta-feira (1) um plano para investir € 300 bilhões até 2027 em projetos de infraestrutura, climáticos e digitais em todo o mundo para fortalecer as cadeias de abastecimento da Europa, impulsionar o comércio da União Europeia e ajudar a combater as mudanças climáticas.
O esquema, denominado Global Gateway, é visto como a resposta da UE à iniciativa Belt and Road da China, e se concentrará nos setores de digitalização, saúde, clima, energia e transporte, educação e pesquisa.
O dinheiro da UE, sob a forma de concessões, empréstimos e garantias, virá de instituições e governos do bloco, assim como de instituições financeiras da UE e bancos nacionais de desenvolvimento.
“A UE oferecerá seu financiamento em termos justos e favoráveis, a fim de limitar o risco de sobre-endividamento”, disse a Comissão em comunicado.
A China iniciou seu projeto Belt and Road para impulsionar os laços comerciais com o resto do mundo em 2013 e tem investido fortemente no desenvolvimento de infraestrutura em dezenas de países.
A Comissão disse que o plano Global Gateway tem como objetivo estabelecer ligações com outros países sem criar dependências.
Anúncio aconteceu na sexta (30), com o lançamento do Distrito Industrial VI Tecnológico; previsão total do investimento é de US$ 130 milhões
ARARAS/SP - Com investimento inicial de 40 milhões de dólares (mais de R$ 213 milhões, na cotação atual), o grupo sul-coreano DS Multimedia Kiota objetiva gerar mais de 1.500 novos postos de trabalho diretos em Araras, nos próximos anos. O anúncio da chegada da multinacional ao município aconteceu no lançamento do Distrito Industrial VI Tecnológico, na sexta-feira (30), por meio de uma transmissão ao vivo no Facebook oficial da Prefeitura.
Experiente na área da tecnologia e na fabricação de produtos digitais, como displays profissionais LCD, LED e OLED, telas de LED, iluminações, placas mães de computadores sistemas de energia solar e outros equipamentos, a multinacional tem como previsão total de investimento US$ 130 milhões (mais de R$ 695 milhões), podendo gerar além dos empregos diretos, entre 4.000 a 5.000 empregos indiretos.
“Receber essa empresa de grande porte em nosso Distrito é maravilhoso. Tenho certeza que essa parceria Brasil e Coréia do Sul será de grande valia e êxito. Esperamos que a presença da DS Multimedia atraia outras empresas para ocupar outros espaços do Distrito. Todos são muito bem-vindos”, comentou o prefeito de Araras, Pedrinho Eliseu.
Primeira empresa a se instalar no novo Distrito Industrial, a multinacional sul-coreana irá desenvolver duas frentes de trabalho no local: uma para produção e outra para distribuição de produtos. “Escolhemos Araras por possuir ótima localização e ter uma vocação para receber indústrias. A raiz, a essência desta empresa não será apenas coreana, mas sim brasileira, e principalmente ararense”, salientou o diretor de Tecnologia da DS Multimedia Kiota, George Doi.
O prefeito Pedrinho Eliseu reforçou a importância da implantação da empresa sul-coreana na cidade para a geração de empregos. “O acordo firmado é bem claro, a DS irá criar mais de 1.500 empregos diretos em Araras. O nosso sonho é que o povo ararense progrida e melhore a condição de vida, de uma forma digna e próspera”, reforçou o chefe do Executivo.
A DS Multimedia Kiota tem como parceiros profissionais as empresas LG, Sanyo, Toshiba, Panasonic, Mitsubishi, Samsung, BMW e Volkswagen. No evento, a multinacional também foi representada por Fernando Sérgio Barbosa Beleza (diretor de Relações Institucionais) e Fábio Nam Ki Baek (diretor Administrativo).
O Distrito Industrial VI Tecnológico ocupa uma área de 141 mil m², em terreno localizado em um ponto estratégico no entroncamento das rodovias Anhanguera (SP-330) e Wilson Finardi (SP-191) – início do trecho Araras/Rio Claro.
Além de abrigar empresas, o projeto do Distrito prevê a criação de um Parque Tecnológico, local destinado para o desenvolvimento do conhecimento científico, por meio de parcerias com universidades e outras empresas. A iniciativa visa melhorar o desenvolvimento dos produtos que são fabricados na cidade.
O novo Distrito recebeu o nome de Luiz Péricles Michielin, ararense que teve papel fundamental no desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico do Estado de São Paulo e também no município de Araras.
*Por: PMA
Este site utiliza cookies para proporcionar aos usuários uma melhor experiência de navegação.
Ao aceitar e continuar com a navegação, consideraremos que você concorda com esta utilização nos termos de nossa Política de Privacidade.