SÃO CARLOS/SP - Durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal, na sessão do dia 10 de fevereiro de 2026, a vereadora Larissa Camargo se posicionou de forma contundente contra a privatização da merenda escolar, afirmando que a proposta representa um retrocesso nas políticas públicas de educação, saúde e segurança alimentar do município.
Em sua fala, a parlamentar destacou que a transferência da gestão da merenda para a iniciativa privada não se trata de modernização, mas de um processo de precarização, no qual o direito à alimentação é substituído pela lógica do lucro. Segundo Larissa, toda privatização carrega em si o risco de perda de qualidade, transparência e controle social.
A vereadora também enfatizou o papel central da agricultura familiar, responsável por garantir alimento saudável na mesa das famílias e nas escolas. Para ela, a proposta em debate fragiliza essa relação no âmbito municipal e enfraquece a economia local. “Quem coloca alimento na boca das famílias é a agricultura familiar, não o agro”, afirmou durante o pronunciamento.
Outro ponto central da crítica foi a ausência de diálogo e participação popular. De acordo com Larissa Camargo, as merendeiras — principais trabalhadoras afetadas pela medida — não foram consultadas, assim como os sindicatos e a sociedade civil. Para a parlamentar, tomar uma decisão dessa magnitude sem ouvir quem executa a política pública diariamente fere os princípios democráticos.
A vereadora também questionou o aumento expressivo do orçamento destinado à merenda escolar, que pode saltar de R$ 9 milhões para R$ 23 milhões, sem a apresentação de informações claras sobre contratos, modelo de gestão, compra de alimentos e garantias de qualidade. Segundo ela, trata-se de um repasse de recursos públicos sem a devida transparência.
Larissa Camargo denunciou ainda dificuldades enfrentadas pelos parlamentares para acessar o processo administrativo, mesmo com respaldo na Lei Orgânica do Município. “Não é possível votar o que não se conhece. Transparência é um princípio básico da gestão pública”, destacou.
Ao final do pronunciamento, a vereadora reforçou que a alimentação escolar é uma política estruturante, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante universalidade e equidade dentro das escolas públicas. Para ela, investir recursos públicos para fortalecer um serviço já existente seria o caminho correto, em vez de transferir a gestão para empresas privadas.
Larissa concluiu afirmando que se posicionar contra a privatização da merenda é defender o direito das crianças, das trabalhadoras da educação e das famílias que dependem da escola pública para garantir segurança alimentar. “É uma decisão política, e precisa ser assumida com responsabilidade diante da população”, afirmou.































