BRASÍLIA/DF - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor no país, prorrogou por dois meses, até 30 de junho, a flexibilização para que produtores e distribuidores fiquem desobrigados de manter estoques mínimos de gasolina e óleo diesel.
A medida foi tomada inicialmente no dia 19 de março, com validade até 30 de abril, como uma forma de buscar a garantia do abastecimento no país e conter a escalada do preço de derivados de petróleo, desencadeada com a guerra no Irã.
Sem a obrigatoriedade de manter estoque mínimo de diesel e gasolina, produtores e distribuidores podem oferecer mais combustíveis ao mercado consumidor, diminuindo a pressão de demanda sobre os derivados de petróleo e, consequentemente, menos impulso para alta de preços.
“A flexibilização visa aproximar os estoques da ponta de consumo e ampliar a fluidez de suprimento ao mercado”, diz a ANP, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.
Pela Resolução 949/2023 da agência, produtores e distribuidores precisam manter estoques semanais de gasolina A e do diesel A (S10 e S500). A classificação A se refere ao combustível que sai das refinarias, ou seja, antes de ser misturado ao etanol (caso da gasolina) e ao biodiesel (caso do óleo).
Apesar de ter divulgado à imprensa a prorrogação da flexibilização nesta quarta-feira (6), a ANP esclareceu que produtores e distribuidoras foram comunicados por meio de ofício no último dia 17.
A medida excepcional faz parte de um pacote de ações da ANP e do governo federal para frear o aumento de preços dos derivados no Brasil. A escalada se iniciou com o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro.
Por causa do conflito, o transporte de óleo sofreu interrupções no Estreito de Ormuz, passagem marítima no sul do Irã que liga os golfos Pérsico e de Omã. Por lá transitavam, antes da guerra, cerca de 20% da produção mundial de petróleo. O bloqueio de Ormuz tem sido uma das retaliações exercidas pelo Irã.
Com menos óleo circulando pela cadeia de logística, o preço do barril do óleo cru e dos derivados vivenciou uma trajetória de alta nos últimos dois meses. No período, o barril do Brent (referência internacional) saltou de aproximadamente US$ 70 e chegou a ser negociado ao redor de US$ 120. Na tarde desta quarta-feira, beira os US$ 100.
Como o petróleo é uma commodity – mercadoria negociada em preços internacionais ─, a escassez representa aumento de preço até em países produtores, como é o caso do Brasil.
Além disso, o Brasil, no caso do diesel, importa cerca de 30% do consumo doméstico.
Entre outras medidas adotadas pelo governo brasileiro estão a isenção de cobrança de tributos e subsídio a produtores e importadores.
AGÊNCIA BRASIL
RIBEIRÃO PRETO/SP - A Agrishow 2026 chegou ao fim na sexta-feira (1º) com destaque para a participação do Governo de São Paulo na maior feira do agronegócio da América Latina. Por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Estado anunciou R$ 455 milhões em investimentos ao setor. Além disso, São Paulo alcançou a marca de 5,3 mil títulos rurais entregues, chegando a 250 mil hectares já regularizados desde 2023.
A pasta teve o maior estande institucional da feira e apresentou um pacote histórico de investimentos e esforços para fortalecer o agro paulista. Com a presença do governador Tarcísio de Freitas, produtores rurais, prefeitos, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva, o espaço foi um dos principais pontos de visitação da Agrishow. O estande reuniu em um único ambiente políticas públicas, inovação, pesquisa, crédito rural e serviços ao produtor.
“Aproveitamos esse grande evento para mostrar nosso compromisso com o agronegócio paulista. Com o repasse recorde para o FEAP, mantemos um nível de crédito que garante segurança para o produtor rural, que vai poder contar com juros subvencionados, 20% mais baixos do que em outros programas de fomento para o agro”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.
Durante a feira, o Governo de São Paulo anunciou R$ 455 milhões em investimentos e ações estratégicas voltadas ao fortalecimento da produção rural, ampliação da competitividade e geração de oportunidades no campo.
O principal eixo do pacote foi a nova etapa do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), que recebeu R$ 400 milhões em crédito rural, subvenção ao seguro rural e incentivo à sustentabilidade. Este é o maior ciclo de fortalecimento do fundo na história do Estado.
Os recursos incluem linhas para irrigação, energias renováveis, modernização produtiva, apoio à pecuária, aquicultura, produção sustentável e incentivo ao protagonismo feminino no campo. Entre os destaques, está o aporte recorde de R$ 25 milhões ao FEAP Mulher, linha exclusiva voltada às produtoras rurais paulistas.
Também foram destinados R$ 100 milhões em subvenção ao prêmio do seguro rural. Com isso, o Governo amplia a proteção do produtor diante de riscos climáticos e oscilações de mercado. Já a linha Pró-Trator e Implementos recebeu reforço para ampliar o acesso à mecanização agrícola com R$ 40 milhões investidos no ciclo 2026/2027 do FEAP.
Outro destaque da participação paulista na Agrishow foi o fortalecimento dos municípios. Durante o evento, a Secretaria de Agricultura entregou 177 maquinários agrícolas para 174 cidades paulistas, totalizando R$ 55 milhões em investimentos.
As entregas integram o programa Patrulha Rural, que amplia a estrutura das prefeituras e fortalece a produção agropecuária local. Desde 2023, já foram investidos mais de R$ 240 milhões na distribuição de 640 máquinas para 340 municípios.
A programação também contou com a assinatura de convênios com 90 cidades premiadas no programa Município Agro 2025. Ao todo, são R$ 6 milhões em repasses destinados à revitalização de Casas da Agricultura, manutenção de estradas rurais e desenvolvimento sustentável.
Na Agrishow 2026, o Governo de São Paulo entregou 42 novos títulos rurais, reforçando o maior programa de regularização fundiária da história paulista.
Desde 2023, por meio da Fundação Itesp, já foram emitidos mais de 5,3 mil títulos rurais. O número é 16 vezes superior ao registrado entre 2011 e 2022. Ao todo, 250 mil hectares já foram regularizados no Estado, beneficiando principalmente pequenos e médios produtores.
A medida amplia a segurança jurídica no campo, facilita o acesso ao crédito e impulsiona novos investimentos nas propriedades rurais.
A pesquisa agropecuária também teve espaço de destaque na feira. O Governo de São Paulo anunciou a nomeação de 37 novos pesquisadores para os institutos de pesquisa vinculados à Secretaria de Agricultura, além da ampliação do concurso com mais sete vagas, garantindo recomposição integral dos quadros técnicos.
Os novos profissionais reforçam instituições estratégicas como o Instituto Agronômico de Campinas, Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola, Instituto de Pesca, Instituto de Zootecnia e Instituto de Tecnologia de Alimentos.
Durante a programação, o governador também visitou a Divisão de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, referência nacional em inovação para o setor sucroenergético.
Além dos anúncios institucionais, o estande do Governo de São Paulo ofereceu atendimento técnico a produtores rurais. Além disso, também apresentou programas estaduais e contou com o Pavilhão da Rotas de São Paulo, com 90 produtores paulistas dos segmentos de café, queijo, vinho e cachaça, além de outras cadeias produtivas, valorizando a produção regional e ampliando oportunidades de negócios.
Para o secretário Geraldo Melo Filho, a participação do Estado na feira reforça a força do agro paulista: “Encerramos a Agrishow com resultados concretos, investimentos robustos e políticas públicas que chegam ao produtor. São Paulo mostra, mais uma vez, que acredita no agro, investe em inovação e trabalha para gerar competitividade, renda e desenvolvimento no campo.”
Levantamento do IEMB-Acirp aponta alta puxada por tomate, leite e feijão; custo médio da cesta chegou a R$ 792,05 com diferenças de até R$ 190,00 entre regiões da cidade
RIBEIRÃO PRETO/SP - Pesquisa da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) mostrou que o custo médio da cesta básica na cidade chegou a R$ 792,05 em abril de 2026. O valor é 5,98% maior que o registrado no mês anterior. O levantamento foi feito pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB-Acirp), no dia 15 de abril.
Variações
Os principais destaques de variação com alta de preços observados no período foram tomate italiano (+25,48%), leite de caixinha (+18,89%) e feijão carioca (+11,56%). No caso do tomate, o aumento é atribuído à redução da oferta no mercado atacadista - a maturação e a colheita antecipadas influenciaram no volume.
Já o leite refletiu a menor oferta no campo, influenciada pela sazonalidade da produção e pela postura mais cautelosa dos produtores em relação a novos investimentos. A situação é combinada ao avanço dos custos de produção, o que sustentou os preços da matéria-prima e dos derivados.
O feijão carioca, por sua vez, subiu em um contexto de safra menor e estoques reduzidos. A remuneração mais baixa desestimulou o plantio, enquanto o clima prejudicou a colheita.
Em sentido oposto à média da cesta, o açúcar cristal (-4,59%) e a banana nanica (-2,57%) apresentaram movimentos de queda dos preços, impedindo um aumento ainda maior do kit básico de alimentos no mês.
Pesando no bolso
As carnes permaneceram como o principal componente do orçamento alimentar, respondendo por 45,33% do dispêndio total da cesta. Em seguida, destacaram-se frutas e legumes (23,56%), farináceos (18,11%), laticínios (6,43%), leguminosas (3,97%), cereais (1,74%) e óleos (0,86%).
No que se refere ao poder de compra, considerando o salário-mínimo bruto vigente de R$1.621,00 e o desconto de 7,50% referente à Previdência Social, o salário-mínimo líquido foi estimado em R$ 1.499,43.
Nessas condições, um trabalhador comprometeu, em abril, cerca de 52,82% da renda mensal (116,21 horas trabalhadas) apenas com os alimentos essenciais. O acréscimo de 6,56 horas em relação a março contribui para redução do poder de compra no período.
Diferença entre regiões segue significativa
A análise regional aponta diferenças relevantes nos preços praticados no município. A região Central, além de apresentar o maior custo médio da cesta (R$ 896,35), registrou variação de +13,43% no mês. A região Oeste, que manteve o menor valor médio (R$ 709,11), apresentou variação de -0,80%. Nas demais regiões, observou-se variação de +4,48%, na Norte (R$ 743,35); +8,85%, na Leste (R$ 813,91) e +4,25%, na Sul (R$ 814,82), reforçando a diferença espacial dos preços dos alimentos em Ribeirão Preto
Metodologia
A coleta de dados é feita em padarias e supermercados de todas as regiões da cidades. São considerados itens da cesta básica os produtos listados no Decreto- Lei nº 399/1938. A composição dos grupos alimentares observa também as diretrizes do Decreto nº 11.936, de 5 de março de 2024, e dialoga com os padrões de consumo alimentar identificados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE), exclusivamente para fins de enquadramento conceitual.
Sobre o IEMB
O Instituto de Economia da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) foi criado em 1954, aniversário de 50 anos da entidade, com objetivo de reunir e divulgar estatísticas do município e da região.
SÃO PAULO/SP - O Governo de São Paulo enviou, nesta terça-feira (28), o projeto de lei que estabelece o novo salário mínimo estadual para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O salário mínimo paulista deverá chegar a R$ 1.874 em 2026, com aumento nominal de 46% sobre o piso estadual pago em 2022, de R$ 1.284.
“Com o novo valor do salário mínimo paulista, chegamos a R$ 590 a mais do que era pago há quatro anos. Uma valorização que chega a 46% no período e que beneficia mais de 70 categorias previstas em lei. É mais um reflexo do diálogo com que gera oportunidades para que São Paulo avança na direção certa, com desenvolvimento econômico que dá mais dignidade e poder de compra para nossos trabalhadores”, afirmou Tarcísio.
Com a nova proposta, o valor do salário mínimo paulista será 15,6% maior em relação ao atual piso nacional de R$ 1.621. A diferença de R$ 253 representa um diferencial que reflete o impacto positivo da política paulista de proteção à renda.
Com valor 46% acima do piso estadual de 2022, o salário mínimo paulista garantiu desempenho melhor que o nacional, que teve aumento nominal de 33,7% no mesmo intervalo. O piso paulista mais que dobrou em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foi de 19,5% no período.
BRASÍLIA/DF - A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) avaliou de forma positiva o endurecimento das regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), destacando que as medidas chegam em momento “oportuno” para reduzir riscos e preservar a estabilidade do setor.

Segundo a entidade, as mudanças aprimoram tanto a gestão de liquidez dos bancos quanto os mecanismos ligados ao FGC, considerado uma peça central na proteção de investidores. A avaliação é de que a decisão acompanha a evolução recente do mercado e fortalece a regulação financeira no país.
"Além de positiva, a iniciativa é oportuna e tempestiva para responder à evolução recente do mercado, no que tange à mitigação de riscos e à preservação da estabilidade financeira", destacou a entidade em nota.
Na avaliação da ABBC, o conjunto de medidas reforça a solidez do sistema financeiro brasileiro ao equilibrar dois objetivos: proteger investidores e evitar que problemas isolados em instituições específicas se transformem em crises mais amplas.
Em reunião nesta quinta-feira (23), o CMN aprovou um pacote de medidas que busca evitar que bancos assumam riscos excessivos ao captar recursos com garantia do FGC, fundo que funciona como uma espécie de “seguro” para aplicações como CDBs, cobrindo até R$ 250 mil por CPF ou empresa em caso de quebra de uma instituição, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Um dos principais pontos da mudança é a criação de um novo indicador, chamado Ativo de Referência (AR). Esse mecanismo mede a qualidade e a liquidez dos ativos que um banco possui, a capacidade de transformar investimentos em dinheiro rapidamente.
Com a nova regra, instituições que captarem muitos recursos com proteção do FGC, mas tiverem ativos considerados de maior risco ou de difícil venda, serão obrigadas a aplicar parte desse dinheiro em títulos públicos federais, que são mais seguros. A intenção é limitar o uso excessivo da garantia do fundo e desestimular estratégias agressivas de crescimento.
Segundo a associação, a mudança atende a uma demanda antiga do setor, ao criar uma ligação direta entre o volume captado com garantia do FGC e a qualidade dos ativos dos bancos. Com isso, a tendência é reduzir práticas que envolvem captação elevada combinada com investimentos de baixa liquidez e pouca transparência.
"Como resultado, a medida contribui para restringir o uso excessivo da garantia do FGC e desestimular estratégias baseadas em crescimento acelerado, especialmente quando associadas a ativos de maior risco e menor transparência", ressaltou a nota da ABBC.
As medidas também reforçam o combate ao chamado “risco moral”, quando instituições assumem mais riscos por saberem que contam com algum tipo de proteção, como a cobertura do FGC.
Além das mudanças no FGC, o CMN também ampliou as exigências de liquidez dos bancos, alinhando o Brasil a padrões internacionais como o acordo de Basileia 3. O principal indicador, conhecido como Razão de Cobertura de Liquidez (LCR, na sigla em inglês), mede se a instituição tem recursos suficientes para enfrentar um cenário de estresse por 30 dias.
Agora, essa exigência passa a valer também para bancos de médio porte, enquanto instituições menores terão uma versão simplificada, chamada LCRS. Segundo a ABBC, a implementação gradual das regras é importante para permitir a adaptação dos sistemas e processos internos das instituições.
O cronograma prevê que, em 2027, os bancos cumpram inicialmente 90% das exigências, chegando a 100% na etapa final.
O aperto regulatório ocorre após episódios recentes de instabilidade no sistema financeiro, como o colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central do Brasil. O caso chamou atenção porque o banco oferecia rendimentos elevados para atrair investidores, mas mantinha grande parte dos recursos em ativos de baixa liquidez, o que dificultou honrar compromissos.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO PAULO/SP - O consumo dos brasileiros em supermercados registrou alta de 1,92% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira (23) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

No mês de março, o consumo foi 6,21% maior que em fevereiro. Já em relação a março do ano passado, o avanço foi de 3,20%.
Todos os dados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE) e abrangem todos os formatos de supermercados.
“O salto de março evidencia tanto a antecipação de compras para a Páscoa, celebrada no início de abril, quanto o efeito-calendário de fevereiro, mês com menor número de dias", avalia a Abras.
A associação descreve que o desempenho também ocorreu devido à entrada de recursos na economia. "Em março, o Bolsa Família contemplou 18,73 milhões de lares, com transferência de R$ 12,77 bilhões. Os recursos do PIS/PASEP injetaram cerca de R$ 2,5 bilhões no segundo lote de pagamento”, diz a entidade.
O Abrasmercado, indicador que mede a variação de preços de 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 2,20% em março.
Nos meses anteriores, as variações haviam sido de +0,47%, em fevereiro, e de -0,16%, em janeiro. Com o resultado, o valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54 no mês.
Entre os produtos básicos, a principal elevação foi do feijão (+15,40%), seguido pelo leite longa vida (+11,74%). No acumulado do trimestre, o feijão subiu 28,11%, enquanto o leite longa vida avançou 6,80%.
Também subiram a massa sêmola de espaguete (+0,91%), a margarina cremosa (+0,84%) e a farinha de mandioca (+0,69%).
Em sentido oposto, as principais quedas entre os básicos foram observadas em açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%).
No grupo das proteínas, houve elevação nos ovos (+6,65%) e na carne bovina, tanto no corte do traseiro (+3,01%) quanto no corte do dianteiro (+1,12%). Já frango congelado (-1,33%) e pernil (-0,85%) registraram queda no mês. No acumulado do trimestre, o corte do traseiro de carne bovina subiu 6,29%.
Entre os alimentos in natura, as maiores altas foram do tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%). No acumulado do trimestre, as altas chegam a 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente, evidenciando o impacto relevante da sazonalidade e da dinâmica de oferta.
Nos itens de higiene pessoal, os preços avançaram para o sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%).
Já na limpeza doméstica, houve elevação no detergente líquido para louças (+0,90%), desinfetante (+0,74%) e água sanitária (+0,38%). A única queda do grupo foi registrada no sabão em pó (-0,29%).
Quando analisadas as regiões, a maior alta em março foi registrada no Nordeste (2,49%), com a cesta passando de R$ 720,53 para R$ 738,47.
Veja a variação da cesta de compras por região:
Segundo a Abras, o segundo trimestre também pode registrar alta no consumo, devido à antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS. A expectativa é que sejam pagos R$ 78,2 bilhões, com depósitos a partir de 24 de abril para cerca de 35,2 milhões de segurados.
Além desse recurso, também haverá o pagamento do primeiro lote de restituições do Imposto de Renda de 2026, que pode somar cerca de R$ 16 bilhões para 9 milhões de contribuintes ao final de maio.
“Mesmo em um cenário favorável para a renda das famílias, o setor mantém foco em competitividade de preços, eficiência operacional e planejamento, diante de eventuais pressões logísticas e de custos no ambiente internacional”, analisou o vice-presidente da Abras, Marcio Milan.
Para os próximos meses, a Abras ainda enxerga risco de alta em parte dos alimentos, especialmente nos itens mais sensíveis a frete, clima e oferta.
“A alta do petróleo e o encarecimento do transporte elevam o custo de reposição em cadeias mais longas e intensivas em logística, com potencial de repasse para os alimentos”, disse Milan.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - Apesar de impopular, a cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, teve efeitos positivos para o país, revelou levantamento divulgado nesta quarta-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo a entidade empresarial, a medida ajudou a conter importações, preservou mais de 100 mil empregos e movimentou a economia brasileira. Bilhões de reais em produtos estrangeiros deixaram de ser comprados, ao mesmo tempo em que o imposto reforçou o caixa da União, disse a confederação.
A CNI calculou os efeitos do Imposto de Importação, com base no valor médio das remessas em 2025, comparando o volume de importações projetado pela confederação para o ano passado e o valor que foi efetivamente registrado.
De acordo com a CNI, a tributação reduziu a concorrência desleal dos produtos importados, principalmente da China, dando fôlego à indústria brasileira.
“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda", afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.
"Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”, acrescentou.
A medida estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A regra entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, criado para regulamentar o comércio eletrônico internacional.
Na prática, o imposto é cobrado no momento da compra, o que facilita a fiscalização e reduz fraudes.
Com a nova regra, o volume de encomendas caiu:
Sem a taxação, a projeção da indústria era de que o número chegaria a mais de 205 milhões de pacotes, o que mostra o impacto direto da medida na redução das compras no exterior.
Antes da mudança, produtos importados de baixo valor muitas vezes entravam no país sem pagar todos os tributos, enquanto itens nacionais eram taxados normalmente.
Segundo a CNI, isso gerava uma concorrência desigual. Com a nova regra, há maior equilíbrio entre produtos nacionais e estrangeiros.
A CNI complementa que a "taxa das blusinhas" também inibiu práticas como subfaturamento, divisão de pedidos e uso indevido de isenções, que eram comuns antes da taxação.
Com o novo sistema, as plataformas internacionais precisam informar e recolher os impostos no ato da venda, o que aumenta o controle e reduz irregularidades.
Além de reduzir importações, a medida elevou a arrecadação federal com importações de pequeno valor, que passou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025.
Para a indústria, informou a CNI, o principal efeito é a proteção da produção nacional, com manutenção de empregos e geração de renda no país.
AGÊNCIA BRASIL
Mulheres são maioria entre endividados, enquanto homens têm valores médios mais altos
RIBEIRÃO PRETO/SP - Mais da metade dos endividados na região de Ribeirão Preto tem entre 25 e 44 anos, faixa que concentra 54,79% dos casos, segundo levantamento da Consumidor Positivo, em parceria com a Equifax Boa Vista. O cartão de crédito lidera com 24,26% das dívidas, seguido por contas de telefonia, com 22,84% e empréstimos e financiamentos, com 13,41%.
O recorte reforça o peso de despesas recorrentes no orçamento e o acúmulo de compromissos financeiros. “Hoje, o consumidor não está endividado por um único motivo. Ele acumula diferentes tipos de compromissos, muitos deles do dia a dia, o que torna mais difícil reorganizar o orçamento”, afirma Eduardo Cavalheiro, head de marketing da Acordo Certo. “Não estamos falando de um problema pontual, mas de um desequilíbrio financeiro que atinge uma parcela significativa da população.”
O levantamento também aponta diferenças no comportamento por gênero. As mulheres representam a maior parcela dos endividados na região, com 47,69% dos casos, cerca de quatro pontos percentuais acima dos homens. Entre o público masculino, porém, o valor médio das dívidas é mais elevado, chegando a R$4.493,75, enquanto entre as mulheres a média é de R$2.888,84.
O valor das dívidas também varia conforme a idade. Enquanto consumidores mais jovens têm débitos médios mais baixos, cerca de R$1.478 entre 18 e 24 anos, o montante cresce progressivamente, chegando a R$6.838 entre pessoas com mais de 65 anos.
Para quem busca sair dessa situação, a digitalização dos serviços financeiros tem ampliado o acesso a alternativas mais práticas de renegociação. A Acordo Certo reúne diferentes dívidas em um único ambiente online e conecta consumidores a propostas com descontos e condições facilitadas de pagamento, contribuindo para uma reorganização mais viável do orçamento. "Esse tipo de solução também ajuda a democratizar o acesso à regularização financeira, alcançando um número maior de consumidores e oferecendo mais autonomia no processo de negociação", conclui Cavalheiro.
Sobre a Acordo Certo
A Acordo Certo é a maior empresa de negociação de dívidas online do país. Nascida em 2016, faz parte do grupo Equifax/Boa Vista e já recuperou mais de meio bilhão de reais em renegociação de dívidas no Brasil e é parceira de mais de 45 empresas em todo o país, entre financeiras, varejistas e operadores de telecomunicações.
Sobre a Consumidor Positivo
Consumidor Positivo é um marketplace com soluções financeiras completas para cidadãos que precisam restabelecer sua vida financeira, seja para renegociar dívidas, ampliar seu score ou compreender quais as melhores ofertas de crédito disponíveis para seu perfil. A empresa nasceu em 2024, fruto da joint venture entre a Equifax/Boa Vista e a Red Ventures, companhia americana com expertise em marketing digital e data science. Acesse o site consumidorpositivo.com.br.
BRASÍLIA/DF - O Exército credenciou o Banco Master para operações de empréstimos consignados a militares da ativa e da reserva e, em pouco mais de um ano, repassou R$ 39 milhões à instituição que pertencia a Daniel Vorcaro. O valor é referente aos descontos nos contracheques ocorridos em razão do crédito concedido pelo banco.
O montante é informado em um RIF (relatório de inteligência financeira) elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do governo federal que atua na prevenção e na detecção do crime de lavagem de dinheiro. O documento, obtido pela Folha, foi enviado em março à CPI do Crime Organizado no Senado, encerrada na semana passada sem a aprovação de um relatório final.
Na menção às transferências de recursos feitas do Exército ao Master, entre agosto de 2024 e outubro de 2025, o relatório aponta duas possibilidades de irregularidades por parte do banco no que diz respeito ao destino do dinheiro, o que justificou o alerta e o registro do caso no RIF.
Uma delas é o recebimento dos repasses com débito imediato dos valores pelo Master, o que pode indicar transações suspeitas e burla do destino do dinheiro. A outra é a concentração dos recursos, que foram enviados para uma mesma titularidade pelo banco de Vorcaro, conforme o relatório do Coaf. No segundo caso, esse tipo de movimentação dificulta a identificação de outros beneficiários, segundo o RIF.
Após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 18 de novembro do ano passado, o Exército rescindiu o contrato de credenciamento para empréstimos consignados, de forma unilateral. Isso se deu em 24 de novembro.
Em nota, o Exército afirmou que não houve perda patrimonial para a Força ou para os cofres públicos. "Os valores envolvidos são oriundos de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas."
Os repasses feitos dizem respeito a "valores particulares decorrentes de consignações em folha de pagamento", cita a nota. "O Comando do Exército, via Centro de Pagamento, atua apenas como interveniente, efetuando o desconto autorizado no contracheque e realizando o repasse mensal à entidade consignatária [Master]."
O banco de Vorcaro foi credenciado após participar de edital público e comprovar requisitos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e trabalhista e qualificação econômico-financeira, afirmou a Força.
A defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos da reportagem, enviados por email às 18h30 de terça-feira (14).
O Master foi credenciado pelo Comando do Exército em 9 de fevereiro de 2023, em um contrato que deveria estar vigente até 8 de fevereiro de 2024.
Dois termos aditivos prorrogaram o contrato. O primeiro, em 15 de janeiro de 2024. O segundo, em 15 de janeiro de 2025, com prorrogação dos serviços de empréstimo consignado até janeiro de 2027 –o contrato acabou rescindido em novembro do ano passado em razão da liquidação do banco.
Os aditivos permitiram a continuidade das operações entre militares e o Master. Dados do Portal da Transparência, do governo federal, mostram repasses do Exército ao banco como destinatário final na ordem de R$ 39 milhões, se levado em conta o mesmo período citado no RIF do Coaf. As informações públicas, portanto, confirmam os números citados no relatório sigiloso.
Conforme o Portal da Transparência, o Master recebeu do Exército, como contrapartida aos empréstimos consignados a militares, R$ 36,1 milhões em 2023, R$ 37,6 milhões em 2024 e R$ 23,4 milhões em 2025.
Outras instituições financeiras foram credenciadas para esse tipo de operação. Militares que têm conhecimento do funcionamento desse serviço a integrantes da ativa e da reserva dizem que o valor total dos empréstimos é mediano, levando em conta as transações feitas com outros bancos, e que chama a atenção a opção pelo Master quando poderiam ser escolhidas instituições mais tradicionais.
O RIF menciona a existência de contrato similar com a Aeronáutica, mas não descreve os valores das transações financeiras entre a Força e o banco de Vorcaro.
A FAB (Força Aérea Brasileira) credenciou o Master em um contrato com vigência entre 2024 e 2029, "para realização de desconto em folha de pagamento decorrente de compromissos assumidos pelos militares ativos e inativos e seus pensionistas".
A Folha questionou a Aeronáutica sobre os valores movimentados, mas a Força não forneceu essa informação.
Em nota, a Aeronáutica disse que fez repasses ao Master em 2024 e 2025, referentes a crédito consignado.
"Após a decretação da liquidação extrajudicial e diante da ausência de ratificação dos dados de domicílio bancário da entidade liquidante, não foram realizadas novas transferências", afirmou a FAB.
O credenciamento previa concessão de empréstimos consignados, cartões de crédito e oferta de benefícios, cabendo aos militares optarem pela adesão, cita a nota. "A instituição [Master] atendeu integralmente aos requisitos previstos no edital."
A Aeronáutica não tem custos nesse tipo de operação, que envolve 234 entidades credenciadas, conforme a Força.
por Folhapress
BRASÍLIA/DF - Uma das maiores novidades da declaração do Imposto de Renda de 2026 vai impactar, curiosamente, pessoas que não prestaram contas ao fisco no ano passado.
Trata-se da restituição automática, chamada de cashback pela própria Receita Federal.
Quem não foi obrigado a declarar em 2025 e, de acordo com cálculos da Receita Federal, teve direito à restituição de até R$ 1.000, poderá receber o dinheiro de volta em conta via Pix em um lote a ser pago no dia 15 de julho deste ano. Porém, para isso, há algumas exigências.
A Receita Federal estima que 4 milhões de brasileiros deverão receber a restituição automática e que o valor médio de recebimento será de R$ 125.
O contribuinte será avisado pelos canais oficiais da Receita Federal, como o aplicativo Meu Imposto de Renda, portal do e-CAC, portal do contribuinte ou até mesmo no site da Receita Federal (na aba consulta pública das restituições).
"Caso o contribuinte cheque que tem restituição e a Receita não tenha feito essa inclusão na base do lote residual, ele pode entrar com um recurso demonstrando que ele tinha direito, pelo e-Processo da Receita Federal, e buscar esse valor para ele de volta", explica o vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro, Edilson Júnior.
É importante destacar que, na realidade, essa restituição se refere ao ano-calendário de 2024, ou seja, a declaração do Imposto de Renda de 2025.
Eventuais valores relativos ao ano-calendário de 2025 e à declaração de 2026 só serão pagos no ano que vem.
Edilson Júnior alerta que vale a pena o contribuinte entregar a declaração deste ano, mesmo sabendo que terá direito ao cashback não sendo obrigado a declarar.
"Com certeza, porque quando você declara, você antecipa. Quem fez a declaração em 2025 recebeu, no ano passado mesmo, a restituição, e não só agora com o cashback. Ou seja, você deve fazer a declaração mesmo sem estar obrigado para ter esse dinheiro de volta".
O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda vai até 29 de maio deste ano.
A Receita Federal estima que cerca de 23 milhões de contribuintes devem receber a restituição neste ano. Em 2026 serão quatro lotes, pagos nos dias:
De acordo com a Receita Federal, 80% dos contribuintes devem ser restituídos nos dois primeiros lotes. A expectativa é de que até junho o dinheiro já esteja na conta.
Existem grupos prioritários para receber a restituição do Imposto de Renda:
Depois desses grupos, passam a ter prioridade os contribuintes que utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição via Pix, com chave vinculada ao CPF.
É só consultar via internet, na página da Receita Federal, no aplicativo ou diretamente no site www.restituicao.receita.fazenda.gov.br.
O contribuinte precisa informar o CPF e a data de nascimento.
Mas saiba que, enquanto a declaração estiver na malha fina, não tem pagamento de restituição.
"A restituição do imposto de renda só pode ser creditada em conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pertencente ao CPF do titular da declaração, ou via Pix, desde que a chave seja o CPF do titular da declaração", alerta o professor do Centro Universitário UDF, Deypson Carvalho.
AGÊNCIA BRASIL
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