SÃO CARLOS/SP - Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), entre eles cientistas do IFSC/USP, e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro — um dos principais poluentes gerados pela queima incompleta de combustíveis fósseis — são ingeridas e transformadas dentro de organismos marinhos microscópicos.
Publicado na revista científica Environmental Science & Technology, o trabalho utilizou uma avançada técnica de microscopia de dois fótons para acompanhar, em tempo real e sem o uso de marcadores químicos, o comportamento do chamado “black carbon” em copépodes do gênero Acartia, pequenos crustáceos que compõem grande parte do zooplâncton oceânico.
O carbono negro é considerado um importante agente de aquecimento climático e um contaminante amplamente presente nos oceanos. Apesar disso, pouco se sabia sobre a forma como ele interage biologicamente com organismos marinhos.
A pesquisa mostrou que os copépodes ingerem partículas provenientes da fuligem de motores a diesel e que essas partículas sofrem alterações estruturais ao longo do trato digestivo. Segundo os cientistas, o ambiente intestinal dos animais modifica o arranjo molecular do material poluente, transformando agregados sólidos em estruturas mais dispersas e potencialmente mais reativas.
A técnica empregada permitiu diferenciar, com alta precisão, as partículas de carbono negro dos pigmentos naturais presentes nos organismos, criando o que os autores chamaram de “linha de base intestinal livre de pigmentos”. Isso possibilitou observar diretamente a presença do poluente dentro do intestino dos animais vivos.
Os resultados também revelaram alterações fisiológicas associadas à ingestão do material. Os copépodes expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à observada durante a alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse alimento.
Pontos de preocupação
Além dos impactos imediatos observados nos organismos analisados, os pesquisadores alertam para possíveis riscos ambientais decorrentes desse processo. Como o zooplâncton ocupa a base da cadeia alimentar marinha, a contaminação pode atingir peixes, crustáceos maiores e outros animais marinhos, ampliando a circulação do carbono negro nos ecossistemas oceânicos.
Os cientistas destacam ainda que as alterações sofridas pelas partículas dentro do intestino dos copépodes podem aumentar a capacidade de dispersão do poluente na água, favorecendo sua permanência no ambiente e potencializando efeitos tóxicos relacionados ao estresse oxidativo e à presença de compostos químicos derivados da combustão.
Outro ponto de preocupação é o possível impacto sobre o ciclo global do carbono. Como os copépodes desempenham papel fundamental no transporte de matéria orgânica para regiões profundas do oceano, a transformação do carbono negro por esses organismos pode interferir nos mecanismos naturais de armazenamento de carbono e, consequentemente, nas dinâmicas climáticas globais.
Especialistas também apontam que a presença contínua desse material nos oceanos pode comprometer o equilíbrio ecológico, afetando processos de alimentação, reprodução e sobrevivência de espécies marinhas sensíveis à poluição.
Os experimentos foram realizados com partículas coletadas diretamente da emissão de motores a diesel na cidade de São Paulo, sendo que o material foi preparado em diferentes formas — particulada e dissolvida — para avaliar seu comportamento óptico e biológico.
Para a cientista Maria Luiza Vicente, primeira autora do estudo e pesquisadora correspondente junto com o Prof. Dr. Francisco Gontijo Guimarães, ambos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) a descoberta ajuda a compreender melhor o destino ambiental do carbono negro nos oceanos e o papel do zooplâncton na transformação desse poluente. Ao comentar este estudo, a pesquisadora afirma: “Os resultados obtidos neste trabalho possuem implicações globais, principalmente por se tratar de um ecossistema de influência central na dinâmica mundial: o meio marinho. A parceria internacional envolvida não apenas viabilizou minha dupla titulação no doutorado, mas também promoveu a sinergia entre o estudo dos impactos de poluentes emergentes e técnicas ópticas avançadas, na fronteira do conhecimento”, sublinha a jovem pesquisadora.
Essa interdisciplinaridade, que foi reconhecida pela revista de alto impacto Environmental Science & Technology, demonstra novas aplicações da física em áreas de extrema relevância social e ambiental. No futuro, segundo a pesquisadora, ao somar-se aos avanços das pesquisas ecotoxicológicas, esses dados poderão subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao tratamento de poluentes no meio marinho. “A técnica desenvolvida é de fato inovadora, principalmente por revelar formas antes não diretamente estudadas desses contaminantes em meio aquoso, permitindo entender seu processo de transformação in vivo. Acreditamos que este estudo abre caminhos para desvendarmos o destino de poluentes de carbono emergentes e o real cenário do estoque de carbono nos oceanos”, conclui a pesquisadora.
Além dos cientistas do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), esta pesquisa contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Toulon, na França, e do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP.
O trabalho contou com apoio da Fapesp, Capes e do programa internacional USP-Cofecub/Campus France.
(Créditos da imagem - Copepod Acartia – Research Gate/Veronica Lundgren)
Para conferir o original do trabalho publicado acesse - https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449
BRASÍLIA/DF - O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser o pré-candidato à Presidência numericamente mais rejeitado após a divulgação do áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de acordo com pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na terça-feira (19).
O porcentual de entrevistados que disseram não votar nele “de jeito nenhum” saiu de 49,8% em abril para 52% em maio. Lula, que até então liderava o ranking, oscilou de 51% para 50,6%.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é rejeitado por 49,1% dos entrevistados, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), cotada para substituir o enteado na corrida presidencial, aparece com 45,6%.
Na sequência, estão os pré-candidatos Romeu Zema (Novo), com 42,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 38%. Renan Santos (Missão) registra a menor rejeição numérica: 37,8%.
A maior parte dos eleitores, 47,4%, afirmou que o cenário que mais lhes causa medo é a possibilidade da eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 40,5% responderam que temem a reeleição de Lula, enquanto 11% disseram que ambos os resultados preocupam igualmente.
Há um mês, havia empate técnico no limite da margem de erro: 47,3% diziam temer a reeleição do petista e 45,4% a eleição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros 7,2% temiam ambos os cenários.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio. As entrevistas começaram no mesmo dia em que o site The Intercept divulgou o áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai.
A margem de erro é de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos. Foram aplicados questionários pela internet a 5.032 brasileiros com 16 anos ou mais, selecionados pela metodologia de recrutamento digital aleatório utilizada pelo instituto. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.
por Estadao Conteudo
BRASÍLIA/DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatam com 45% das intenções de voto cada em um eventual segundo turno da disputa presidencial, segundo a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 16. O levantamento também mostra que 9% dos entrevistados votariam em branco ou nulo, e 1% não sabe.
A pesquisa do Datafolha foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), com 2.004 entrevistados em 139 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE com o código BR-00290/2026.
A maioria entrevistas ocorreu antes da divulgação pelo The Intercept Brasil - no dia 13 de maio - do áudio de Flávio Bolsonaro, que mostra uma troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, na qual o senador pede dinheiro para ajudar a bancar a produção do filme \"Dark Horse\" sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, a pesquisa pode não ter captado a totalidade do efeito das denúncias sobre a campanha do senador do PL.
Segundo o Datafolha, ainda nas projeções de segundo turno, Lula tem 46% contra 40% do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Lula pontua 46% contra 39% do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, Lula tinha empate técnico com Flávio, Zema e Caiado nas simulações de segundo turno, o que mostra que o petista abriu vantagem sobre os dois últimos.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro tem 35%, em empate técnico. Zema e Caiado aparecem com 3% cada, enquanto Renan Santos (Missão) tem 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza) registra 1%. O Datafolha mostra ainda que 9% afirmam que votarão em branco ou nulo, e 3% não sabem.
por Estadao Conteudo
SÃO CARLOS/SP - Um estudo recente, da autoria de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), publicado na revista científica internacional “IEEE Revista Iberoamericana de Tecnologias del Aprendizaje”, propõe uma forma mais simples, acessível e eficiente de ensinar um dos temas mais básicos da Física: a queda dos corpos. A pesquisa mostra como o uso de tecnologias de baixo custo pode ajudar estudantes a compreender melhor por que os objetos caem e, principalmente, a corrigir ideias equivocadas que ainda são comuns nas salas de aula.
A proposta aborda o estudo da chamada “queda livre”, ou seja, o movimento de um objeto que cai apenas sob a ação da gravidade. Embora pareça um tema simples, esse assunto ainda gera confusão entre muitos estudantes. É comum, por exemplo, a crença de que objetos mais pesados caem mais rápido do que os mais leves, uma ideia antiga que remonta ao filósofo grego Aristóteles.
No entanto, essa concepção foi contestada há séculos por Galileu Galilei, que demonstrou que, na ausência da resistência do ar, todos os objetos caem com a mesma aceleração. O novo estudo retoma esse conceito clássico utilizando ferramentas modernas que permitem observar o fenômeno em tempo real, com precisão.
No experimento descrito, utiliza-se um Arduino para registrar o tempo de queda de uma barra com faixas claras e escuras, que é solta e atravessa uma photogate. Os dados são enviados diretamente para o computador, onde gráficos e tabelas são gerados automaticamente. Isso facilita a análise e permite que os estudantes acompanhem os resultados enquanto o experimento acontece.
Os resultados mostram que objetos com massas diferentes caem praticamente no mesmo intervalo de tempo, apresentando diferenças muito pequenas. Essa constatação reforça a ideia de que o peso não interfere significativamente na velocidade da queda, contrariando o senso comum.
Além da precisão, um dos principais pontos positivos é a facilidade de implementação. O sistema pode ser montado em escolas e universidades sem a necessidade de equipamentos sofisticados, tornando o ensino mais prático, acessível e interativo.
Outro destaque é a forma como a atividade é conduzida em sala de aula. Os alunos são incentivados, inicialmente, a fazer previsões; depois, a testar suas hipóteses experimentalmente; e, por fim, a refletir sobre os resultados obtidos. Esse processo contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e para uma compreensão mais profunda dos conceitos científicos.
Segundo os autores, a combinação entre prática experimental, tecnologia e análise imediata dos dados aumenta o interesse dos estudantes e favorece a aprendizagem. A experiência já vem sendo aplicada em cursos introdutórios de Física, apresentando resultados positivos.
A pesquisa conclui que iniciativas como essa podem tornar o ensino de Ciências mais dinâmico e significativo, aproximando teoria e prática e incentivando uma participação mais ativa dos estudantes no processo de aprendizagem.
Os autores do estudo são a Profª Drª Jéssica Fabiana Mariano dos Santos (FEIS/UNESP) e o Prof. Dr. Luiz Antônio de Oliveira Nunes, docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).
A Dra. Jéssica é ex-aluna do IFSC/USP e atualmente docente do Departamento de Física e Química da Universidade Estadual Paulista (UNESP – FEIS), onde está estruturando um Grupo de Pesquisa voltado ao desenvolvimento de experimentos didáticos de Física com o uso de tecnologias emergentes, como microcontroladores aplicados ao ensino de Física.
Confira o estudo no link https://ieeexplore.ieee.org/document/11406157
SÃO CARLOS/SP - Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da UNESP e da USP e financiado pela FAPESP, apresentou uma tecnologia que pode trazer impactos diretos à saúde e ao bem-estar da população. Trata-se de um sensor capaz de identificar, com rapidez e precisão, substâncias importantes presentes em medicamentos e no organismo humano, como a N-acetilcisteína* e a L-cisteína**.
Na prática, isso significa que exames laboratoriais podem se tornar mais simples, rápidos e acessíveis. Hoje, a análise dessas substâncias costuma exigir equipamentos caros e processos demorados. Com o novo sensor, a tendência é reduzir custos e facilitar o acesso a diagnósticos, especialmente em regiões com menos infraestrutura de saúde.
Outro benefício importante é o acompanhamento de tratamentos médicos. A tecnologia pode ajudar profissionais de saúde a monitorar com mais precisão a quantidade de medicamentos no organismo dos pacientes, ajustando as doses de forma mais segura e eficaz. Isso reduz os riscos de efeitos colaterais e aumenta as chances de sucesso dos tratamentos.
O avanço também tem potencial para aprimorar o controle de qualidade dos medicamentos. Indústrias farmacêuticas e órgãos reguladores poderiam usar esse tipo de sensor para verificar, de forma mais rápida, se os produtos estão dentro dos padrões exigidos, garantindo maior segurança aos consumidores.
Além da área da saúde, a tecnologia também pode ser aplicada a análises ambientais. Substâncias semelhantes às estudadas também ocorrem em processos industriais e podem impactar o meio ambiente. Detectá-las com facilidade ajuda a prevenir contaminações e a melhorar a fiscalização ambiental.
Os pesquisadores destacam ainda que o material utilizado no sensor é relativamente simples de produzir, o que aumenta as chances de aplicação em larga escala no futuro. Isso abre caminho para soluções mais baratas e eficientes, com impacto positivo tanto nos sistemas públicos de saúde quanto na indústria.
Em resumo, a inovação pode contribuir para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais seguros e maior controle sobre os medicamentos e o meio ambiente — benefícios concretos que aproximam a ciência do dia a dia da sociedade.
A pesquisa foi desenvolvida por Devaney Ribeiro do Carmo (primeiro autor), Alexsandro dos Santos Felipe, Murilo Santos Peixoto, Fábio Simões de Vicente e Pablo Colofatti Soto, todos da UNESP (campi de Ilha Solteira e Rio Claro), e por Valmor Roberto Mastelaro (IFSC/USP).
*A N-acetilcisteína (NAC) é um composto derivado da L-cisteína. Atua principalmente como antioxidante e como precursor da glutationa, ajudando a proteger as células. Também é usada como medicamento para fluidificar o muco e no tratamento de intoxicação por paracetamol.
**A L-cisteína é um aminoácido que contém enxofre e participa da formação de proteínas. É importante para a estrutura dos tecidos (como a pele e o cabelo) e também contribui para a produção de antioxidantes no organismo.
Confira o original deste estudo no link - https://link.springer.com/article/10.1007/s10904-025-04019-5
BRASÍLIA/DF - Pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta terça-feira (5) mostra que 42% dos entrevistados aprovam o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 52% desaprovam. Outros 6% não souberam ou não responderam. Na avaliação do governo, 28% consideram a gestão péssima, 20% a classificam como ruim e 23% como regular. Para 14%, o governo é ótimo; para 13%, bom. Outros 2% não souberam ou não responderam.
O levantamento aponta ainda que 40% dos entrevistados avaliam que a economia piorou no governo Lula em comparação com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para 31%, a economia melhorou, enquanto 25% dizem que a situação está igual. Outros 4% não souberam ou não responderam.
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 2 e 4 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03627/2026.
Avaliação das instituições
O instituto também mediu o nível de confiança dos entrevistados em instituições. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem índice de desconfiança de 55%, enquanto 36% afirmam confiar na Corte. Outros 9% não souberam ou não responderam. O dado surge em meio a críticas ao tribunal, especialmente por parte da direita bolsonarista e de setores do Congresso, além da repercussão do caso Banco Master.
O Congresso Nacional apresenta o maior nível de desconfiança: 62% dizem não confiar no Legislativo, ante 32% que afirmam confiar.
A imprensa também aparece com saldo negativo: 52% dizem não confiar nos veículos de comunicação, enquanto 40% afirmam confiar. As Forças Armadas são a única instituição com confiança maior que desconfiança: 48% confiam, ante 44% que não confiam. Os que não souberam ou não responderam somam 6% no caso do Congresso e 8% nos casos da imprensa e das Forças Armadas.
Donald Trump e eleições brasileiras
A pesquisa também perguntou sobre um eventual apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um candidato à Presidência do Brasil. Para 35%, esse apoio teria efeito negativo; 26% consideram que seria positivo; e 32% avaliam que seria indiferente. Outros 7% não souberam ou não responderam.
O tema se relaciona ao impacto recente da política externa americana no cenário brasileiro. No ano passado, tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros foram usadas politicamente por Lula, que adotou discurso de defesa da soberania nacional e viu sua popularidade crescer a partir da metade de 2025.
Escala 6x1 e bets
O levantamento também mediu a opinião sobre temas em debate no Congresso. A redução da escala de trabalho 6x1 tem apoio de 71% dos entrevistados, enquanto 23% são contra e 6% não souberam ou não responderam. A proposta tramita na Câmara e pode ser votada ainda em maio.
A proibição de propagandas de apostas esportivas também tem apoio majoritário: 63% aprovam, 31% desaprovam e 6% não souberam ou não responderam.
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais é aprovada por 69% dos entrevistados, enquanto 20% são contra e 11% não souberam ou não responderam.
Já a redução da maioridade penal para 16 anos registra o maior apoio: 90% são favoráveis, 8% contrários e 2% não souberam ou não responderam.
por Estadao Conteudo
RIO DE JANEIRO/RJ - Em uma tarde de mar calmo e céu aberto, mergulhadores em um caiaque entram no mar da Praia do Pontal, que faz parte da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
Quando chegam a cerca de 200 metros da faixa de areia, um deles mergulha e, em questão de minutos, volta para a pequena embarcação com uma tartaruga marinha. Logo em seguida, outra é capturada da mesma forma.
A atividade, acompanhada por pescadores e banhistas mais curiosos, não tem nada de predatória. Pelo contrário: é um monitoramento da saúde desses animais e faz parte do Projeto Costão Rochoso, da organização não governamental (ONG) Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento. A iniciativa busca evidências científicas para preservação e recuperação dos costões, área de transição entre o mar e o continente.
O projeto conta com parceria da Petrobras e colocou em prática um desafio: descobrir de onde vêm as tartarugas que habitam em Arraial do Cabo, litoral do país com maior quantidade de tartarugas-verdes em área de alimentação.
Uma das fundadoras do projeto, a bióloga Juliana Fonseca conta que em Arraial são encontradas todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil.
Depois de capturadas pelos mergulhadores, elas são levadas para a faixa de areia. “A gente faz uma bateria de exames, que consiste em pesar, medir e coleta de tecido. É como se a gente estivesse fazendo uma biópsia para entender a origem dela”, detalha Juliana à Agência Brasil.
“Apesar de ter muitas tartarugas aqui em Arraial, é a área com maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil, a gente não sabe onde elas nasceram. Então é isso que a gente está tentando entender agora”, completa.
“Quando identificamos essa origem, conseguimos entender quais estoques populacionais dependem dessa área. Ao identificar de onde vêm essas tartarugas, passamos a compreender melhor a conexão entre áreas de desova e áreas de alimentação”, justifica a bióloga.
Segundo Juliana, essas tartarugas, que têm expectativa de vida em torno de 75 anos, passam aproximadamente dez deles nas águas de Arraial do Cabo. Algumas chegam a permanecer por até 25 anos e só depois retornam à região onde nasceram para se reproduzir.
A bióloga detalha que elas costumam chegar pequenas e se desenvolvem no litoral fluminense.
“São juvenis, recém-chegadas na costa. Depois que elas nascem, têm uma fase oceânica que dura, pelo menos, cinco anos. Então, com cerca de 25 centímetros, voltam para a costa. Em Arraial do Cabo, elas crescem e se desenvolvem muito bem, ou seja, engordam aqui com a oferta de alimentos”, descreve.
O projeto monitora a saúde das espécies tartaruga-verde e tartaruga-pente em três praias de Arraial do Cabo ─ Praia dos Anjos, Praia Grande e Praia do Pontal ─ e na Ilha de Cabo Frio, todas na reserva marinha. Assim como casco, nadadeiras e rabo, até as unhas são medidas.
“É um monitoramento para entender como a saúde das tartarugas marinhas está”, diz Juliana.
Os pesquisadores também utilizam fotografias e softwares de computador para identificar os indivíduos.
“A foto de identificação é basicamente olhar para a cabeça da tartaruga. Ela tem placas na cabeça dela com formatos e tamanhos diferentes para cada indivíduo, basicamente como a nossa impressão digital”, explica.
Desde 2018 já foram catalogados cerca de 500 indivíduos. Desses, 80 passaram por coleta de DNA, que ajudará a descobrir de onde vieram. As análises são feitas por meio de uma parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e devem ter resposta dentro de seis meses.
Outra pesquisa desenvolvida pelo Projeto Costão Rochoso é identificar a distância que essas tartarugas conseguem aceitar de aproximação humana.
“As tartarugas são muito carismáticas, todo mundo quer observar. Por conta disso, infelizmente, a gente tem muitos relatos de assédio, de captura, de pegar a tartaruga e tirar de dentro da água, isso é um estresse muito grande para esses animais”, constata a mergulhadora.
“O que a gente faz é uma aproximação simulada, a gente vai se aproximando e vendo quando ela muda de comportamento. A gente vai ter uma média da distância mínima que essas tartarugas conseguem suportar”, conta sobre a metodologia.
Segundo ela, com base nessas informações, será elaborada uma cartilha de boas práticas de observação de tartarugas marinhas para ser usada no turismo não somente em Arraial, mas em outras regiões do Brasil e do mundo.
Durante a atividade de pesagem e medição e coleta de tecido, é comum a aproximação curiosa de banhistas, alguns deles crianças. “Está doente?”, pergunta um dos turistas.
Integrantes do projeto esclarecem à população o objetivo preservatório da atividade. No calçadão da praia, a poucos metros do cercadinho onde acontecem os procedimentos, uma placa sinaliza de forma clara: “Proibido tocar nos animais marinhos”.
A bióloga e pesquisadora Isabella Ferreira conta que, para realizar a captura das tartarugas, é preciso ter formação em curso de áreas como veterinária, biologia ou oceanografia.
Além disso, são necessárias autorizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e do Projeto Tamar, criado em 1980 e reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha.
“Nós pedimos autorização para tudo que a gente faz aqui, da captura, marcação, foto. Todas as vezes que a gente vem para cá, a gente notifica os guardas ambientais e mostra a nossa autorização”, relata.
*Repórter e fotógrafo viajaram a convite da Petrobras, parceira do Projeto Costão Rochoso.
AGÊNCIA BRASIL
SÃO CARLOS/SP - A aplicação prática de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana (PPGEU) da UFSCar contribuiu para o reconhecimento do município de Novo Horizonte (SP) no Prêmio Senatran 2025, entregue em 2026. A iniciativa conquistou o 1º lugar na categoria "Destaque para município com população entre 30 e 250 mil habitantes em mobilidade urbana segura no trânsito". O resultado está relacionado ao trabalho realizado por Cláudio Bellintane Júnior, mestre pelo PPGEU e Coordenador Chefe da Unidade Gestora de Trânsito da Prefeitura.
Durante o mestrado, Bellintane Júnior investigou a ocorrência de sinistros de trânsito no município, com foco em segurança viária, sob orientação de Thais de Cassia Martinelli Guerreiro, docente do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da UFSCar. "O estudo teve como objetivo caracterizar os sinistros de trânsito e identificar pontos e trechos críticos, por meio do cálculo do índice de severidade", explica. O indicador permite classificar os sinistros de acordo com a gravidade, considerando, por exemplo, a ocorrência de vítimas e óbitos.
O trabalho também envolveu o mapeamento geográfico dessas ocorrências. "Realizamos o georreferenciamento dos sinistros, facilitando a visualização das áreas com maior incidência de gravidade, com o uso da ferramenta de mapa de densidade de Kernel", afirma. Na prática, isso significa organizar os dados em mapas que mostram onde os sinistros se concentram com mais intensidade, permitindo identificar regiões prioritárias para intervenção.
A análise revelou padrões importantes. "A pesquisa permitiu identificar vias e pontos críticos com maior severidade, além de analisar os horários e dias da semana com maior ocorrência de sinistros", relata. Ele destaca ainda a identificação de grupos mais expostos. "Os dados sobre as vítimas evidenciaram que os grupos mais vulneráveis, como motociclistas, pedestres e ciclistas, demandam prioridade nas ações e intervenções", diz. Segundo ele, essas medidas foram implementadas entre 2023 e 2025, em Novo Horizonte.
A atuação simultânea na gestão pública e na pós-graduação favoreceu a incorporação direta desses resultados, com a aplicação prática dos conhecimentos acadêmicos. "O trabalho passou a servir como referência para a gestão, sendo continuamente aplicado no monitoramento das vias com maior severidade e na implementação de intervenções conforme a identificação dos problemas", explica Bellintane Júnior.
Segundo o pesquisador, "a formação acadêmica na UFSCar foi fundamental para a identificação de áreas críticas e para a adoção de medidas eficazes voltadas à redução da sinistralidade e à melhoria da segurança viária". Ele destaca que o curso contribuiu para consolidar uma abordagem orientada por evidências. "O suporte e a orientação qualificada ao longo do curso foram determinantes para a aplicação prática das metodologias desenvolvidas, culminando na conquista do Prêmio Senatran 2025", completa.
Para o pesquisador, "esse reconhecimento demonstra que o município está no caminho certo, adotando uma abordagem baseada em dados e evidências". Ele acrescenta que a experiência pode servir de referência para cidades de porte semelhante, ao consolidar uma metodologia para identificar pontos críticos e orientar ações voltadas à redução dos sinistros de trânsito.
A dissertação do autor, intitulada "Índice de severidade e SIG combinados para identificar e caracterizar a sinistralidade de trânsito em município de pequeno porte", está disponível para leitura no Repositório Institucional (RI) da UFSCar.
Sobre o Prêmio Senatran
O Prêmio Senatran é uma iniciativa do Ministério dos Transportes, por meio da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que tem como objetivo reconhecer iniciativas, projetos, soluções tecnológicas e produções acadêmicas voltados à segurança no trânsito. O intuito é incentivar organizações públicas e privadas a aderirem ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (PNATRANS), estimulando o engajamento da sociedade brasileira ao propósito de redução dos sinistros de trânsito e laureando as melhores iniciativas. Mais informações podem ser obtidas em seu site.
Uma pesquisa revela que ondas sonoras de alta frequência podem danificar vírus como SARS-CoV-2, H1N1 e outros sem causar danos a células.
SÃO CARLOS/SP - Um estudo publicado na revista “Scientific Reports / Nature” e conduzido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), da USP de Ribeirão Preto e da UNESP (Presidente Prudente) indica que o uso de ultrassom, semelhante ao de exames médicos, pode ajudar no combate a vírus respiratórios.
A pesquisa mostra que ondas sonoras de alta frequência conseguem danificar vírus como o SARS-CoV-2 e o Influenza A (H1N1), reduzindo sua capacidade de infectar células.
Segundo os cientistas, o efeito não ocorre por aquecimento ou formação de bolhas, como em usos industriais do ultrassom, mas por um tipo de vibração chamado ressonância. Nesse processo, as ondas atingem diretamente o vírus e acabam danificando suas estruturas.
Embora os testes tenham sido feitos com vírus específicos, os resultados indicam que a técnica pode funcionar também contra outros vírus com estrutura esférica.
É o caso do vírus da gripe aviária (H5N1), do vírus sincicial respiratório (VSR), frequentemente associado a infecções pulmonares, bem como dos vírus da herpes simples (HSV-1 e HSV-2), do vírus Varicela-Zoster (VZV) e também dos arbovírus Dengue, Chikungunya e Zika, todos com morfologia aproximadamente esférica, podendo, em diferentes graus, ser afetados por esse tipo de vibração.
Em experimentos realizados, foi utilizado frequências entre 3 e 20 MHz, dentro do padrão de equipamentos médicos. Após a exposição ao ultrassom, os vírus apresentaram sinais claros de dano: ficaram menores, fragmentados e com sua estrutura comprometida.
Além das mudanças físicas, houve impacto no funcionamento dos vírus. Em laboratório, o SARS-CoV-2 perdeu grande parte da capacidade de infectar células após o tratamento. Em alguns casos, a replicação do vírus foi quase totalmente interrompida.
Segurança
Outro ponto importante é a segurança. Durante os testes, não houve aumento significativo de temperatura nem mudança no pH do ambiente, o que indica que o efeito ocorre de forma direta, sem prejudicar o meio ao redor.
Os pesquisadores destacam que essa técnica é diferente de métodos tradicionais, como radiação ou calor, que podem danificar tecidos humanos. Por isso, o ultrassom aparece como uma alternativa promissora e não invasiva para uso médico.
Apesar dos bons resultados, ainda são necessários novos estudos antes de aplicar a técnica em pacientes. Os próximos passos incluem testes pré-clínicos para avaliar sua eficácia e segurança.
O docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Odemir Martinez Bruno, coordenador do estudo, comenta: “O ultrassom vem sendo utilizado há décadas para visualização de tecidos, tendo sido demonstrado que é muito seguro. A possibilidade de seu uso terapêutico na inativação de vírus abre uma nova frente de pesquisa na medicina. O tratamento sempre foi baseado na química, como o uso de fármacos, e a inserção da física abre uma nova frente no combate as doenças causadas por vírus.
O pós-doutorando do IFSC/USP, Dr. Flavio Protasio Veras, primeiro autor do estudo e responsável pela condução dos experimentos, destaca que “O trabalho traz uma contribuição importante para a biologia dos vírus ao mostrar que a integridade da partícula viral pode ser influenciada por estímulos físicos”. Segundo ele, esse aspecto é particularmente relevante porque amplia a compreensão sobre a vulnerabilidade estrutural dos vírus e sugere novas possibilidades de intervenção além das estratégias clássicas baseadas em fármacos. Para o pesquisador “Ao explorar a interface entre física e biologia, o estudo ajuda a construir uma nova perspectiva para o desenvolvimento de abordagens antivirais potencialmente aplicáveis a diferentes infecções
Se confirmada, essa abordagem pode abrir caminho para novos tratamentos contra vírus, usando princípios físicos e com potencial para atuar contra diferentes tipos de infecções.
Confira AQUI o estudo publicado na revista científica internacional “Scientific Reports” - https://www.nature.com/articles/s41598-026-37584-x
Confira também o estudo que apresenta o modelo teórico por trás da interação entre vírus e Ultrassom, publicado no “Brazilian Journal of Physics” - https://link.springer.com/article/10.1007/s13538-026-02020-y
SÃO CARLOS/SP - Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF), integrado no mesmo Instituto, estão iniciando uma segunda chamada de pacientes voluntários diabéticos (Tipos 1 e 2) para tratamento com ILIB (Intravascular Laser Radiation of Blood), ou seja, Irradiação de Laser de Modo Intravascular, com o objetivo de atingir o sangue, através de um processo não invasivo.
A terapia ILIB é uma técnica terapêutica que utiliza luz laser de baixa intensidade para promover efeitos biológicos no organismo e apesar do ter um nome original que pode sugerir aplicação diretamente no interior dos vasos sanguíneos, a forma não invasiva, sendo que o laser é aplicado sobre a pele, geralmente na região do pulso, onde há grande concentração de vasos sanguíneos superficiais.
A aplicação é feita através de um fixador extracorpóreo que direciona a radiação de um laser com luz vermelha para a artéria radial, tendo como objetivo controlar mais acentuadamente o diabetes Tipos 1 e 2 e, com isso, melhorar a imunidade, a qualidade do sono e o controle da pressão arterial, combater doenças respiratórias, inflamatórias e doenças que causam alterações cardiovasculares, prevenir o envelhecimento intrínseco do corpo humano, protegendo o núcleo das células onde se encontra o DNA.
Esta chamada é dirigida a pacientes de ambos os sexos, maiores de 18 anos, com diabetes (Tipos 1 e 2) controlados, estando vedada a participação de pacientes com histórico oncológico, feridas abertas, fraturas, hematomas, infecções e amputados ou com deficiência bilateral dos membros inferiores.
Este tratamento experimental será executado sob a supervisão do docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, com a coordenação do pesquisador do IFSC/USP, Dr. Antônio Eduardo de Aquino Junior, utilizando um equipamento desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos.
Todos os participantes voluntários deverão ter seu diabetes perfeitamente controlado, sublinhando que todos eles deverão continuar a administração de insulina – se for o caso – e a sua medicação, atendendo a que este tratamento complementar não as substitui.
Pacientes que vivem com diabetes descontrolado, com valores de 300, 400 ou 500, deverão obrigatoriamente ser monitorados pelos médicos.
Os tratamentos terão uma duração de dez sessões (quinze minutos cada), duas vezes por semana.
Os pacientes interessados em fazer parte desta pesquisa deverão contatar a Unidade de Terapia Fotodinâmica (UTF) da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos (SCMSC) através do telefone (16) 3509-1351.
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