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KIEV - Três civis foram mortos e dois ficaram feridos em um bombardeio russo contra um prédio residencial na região de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, neste domingo, disseram autoridades regionais.

A administração militar da região disse que as tropas russas dispararam foguetes contra a pequena vila de Kamyanske, que tinha uma população pré-guerra de cerca de 2.600 pessoas.

As autoridades alertaram os moradores da região de que o perigo de bombardeios era constante perto das linhas de frente e os instaram a evacuar.

 

 

 

Reportagem de Olena Harmash / REUTERS

RÚSSIA - A esmagadora maioria da comunidade internacional continua a considerar a Crimeia território da Ucrânia, nove anos depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, começar a retalhar o território ucraniano com a sua anexação.

A 18 de março de 2014, Putin assinou o tratado de anexação para "reintegração da Crimeia na Federação Russa" -- a estratégica península no Mar Negro fazia parte da URSS até ao desmoronamento desta, embora tenha pertencido durante séculos ao Império Otomano.

Hoje, é a reintegração da Crimeia na Ucrânia que está em causa, com as autoridades de Kiev a definirem como objetivo a sua recuperação, no conflito em curso iniciado com a invasão russa em larga escala do território ucraniano, em fevereiro de 2022.

A "reintegração" na Rússia seguiu-se a uma invasão por forças russas em fevereiro de 2014 - na sequência do afastamento em Kiev do presidente ucraniano pró-russo Viktor Yanukovych - e a um apressado "referendo" orquestrado pelas autoridades russas, que concluiu com um apoio de 96,77% à incorporação na Rússia.

Os resultados não foram reconhecidos pela comunidade internacional. O líder russo ratificou a lei de anexação a 21 de março.

A 'receita' de invasão, referendo 'relâmpago' e anexação foi, aliás, seguida pelo Kremlin também em setembro de 2022 depois da ocupação de partes das províncias ucranianas de Kherson, Zaporijia, Donetsk e Lugansk.

Na véspera do aniversário da anexação da Crimeia, o presidente russo, Vladimir Putin, garantiu que a Rússia fará de tudo para evitar ameaças à segurança da península e da cidade portuária de Sebastopol.

"Obviamente, os problemas de segurança são uma prioridade para a Crimeia e Sebastopol, especialmente hoje" com a campanha de guerra russa na Ucrânia às suas portas, sublinhou na sexta-feira o chefe de Estado durante uma videoconferência sobre o desenvolvimento socioeconómico da península.

Perante o líder imposto pela Rússia na Crimeia, Sergei Axionov, o chefe do Kremlin enfatizou que, nove anos atrás, os residentes da Crimeia e Sebastopol tomaram uma "decisão histórica final e inequívoca: tornar-se parte de um único grande país mais uma vez e para sempre".

Com a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia conseguiu criar um corredor terrestre entre o Donbass, no leste da Ucrânia, e a Crimeia, no sul, que precisa de recursos hidrológicos para sua sobrevivência.

O Mar de Azov tornou-se num mar interior russo, garantindo a segurança da Crimeia, que também criou uma linha de fortificações.

Nos últimos treze meses, a Crimeia foi, no entanto, alvo de ataques separados atribuídos à Ucrânia, incluindo em agosto de 2022 uma operação de sabotagem contra um arsenal do exército russo e explosões suspeitas num aeródromo.

Em outubro passado, a ponte da Crimeia, inaugurada pelo próprio Putin para ligar a península ocupada à Rússia, foi fortemente danificada por um ataque atribuído por Moscovo à Ucrânia, mas não reivindicado.

O vice-primeiro-ministro russo, Marat Khusnulin, disse também na sexta-feira que a circulação na ponte será em breve aberta a camiões e que a segunda ferrovia da será reaberta antes de julho.

A Ucrânia nunca deixou de insistir que, mais cedo ou mais tarde, libertará o território ocupado. Em agosto de 2021, Kiev lançou a Plataforma da Crimeia, que procura apoio internacional para a recuperação da península e que este ano pediu à Rússia que cesse imediatamente as hostilidades e retire suas tropas dos territórios ocupados.

Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia reiterou que Ancara não reconhece a "anexação ilegal" da Crimeia pela Rússia, após "um referendo ilegítimo realizado em violação do direito internacional".

A situação dos turcos tártaros da Crimeia, que são o povo indígena do território, é prioridade turca, disse o ministério.

"A Turquia continuará a apoiar nossos compatriotas tártaros da Crimeia na sua pátria histórica, a Crimeia, preservando sua identidade e garantindo que vivam em segurança e paz", acrescentou.

Outros países, como a Lituânia, emitiram declarações de condenação da anexação da Crimeia.

A 26 de fevereiro, para assinalar o início da invasão do território, o Departamento de Estado norte-americano emitiu uma curta nota reiterando o reconhecimento da soberania ucraniana.

"Os Estados Unidos não reconhecem e nunca reconhecerão a suposta anexação da península pela Rússia. A Crimeia é da Ucrânia", sublinhou Washington.

 

 

LUSA

NOTÍCIAS AO MINUTO

UCRÂNIA - A cidade ucraniana de Bakhmut continua a ser palco de combates violentos, com as forças de Kiev resistindo e tentando repelir os avanços dos militares russos, informou nas últimas horas o comandante das tropas terrestres ucranianas. Oleksandr Syrsky afirmou que o grupo Wagner sofre "perdas significativas". Moscou também confirmou que os combates na cidade estão se tornando difíceis.

As forças russas atacam de várias direções, com o objetivo de “avançar aos distritos centrais”, disse o coronel Syrsky, na segunda-feira (13), à imprensa ucraniana. Ele acrescentou que as tropas ucranianas estão conseguindo repelir os ataques russos e que as unidades paramilitares do grupo Wagner sofrem “perdas significativas” à medida que avançam em volta da cidade, no Leste da Ucrânia.

“A situação em torno de Bakhmut continua difícil. As unidades de assalto de Wagner avançam em várias direções, tentando romper a defesa das nossas tropas e chegar a bairros centrais da cidades”, reafirmou em nota divulgada no Telegram do Media Militar Center da Ucrânia.

“Nos combates violentos, nossas defesas impõem perdas significativas ao inimigo”, reiterou.

Do outro lado, Yevgeny Prigozhin, chefe do grupo paramilitar russo Wagner, admitiu que quanto “mais perto” estiverem do “centro da cidade, mais difícil será a luta”.

Prigozhin admitiu que as forças ucranianas combatem "ferozmente pela cidade". Por meio do Telegram, Prigozhin disse que “a situação em Bakhmut é muito difícil, o inimigo luta a cada metro".

O chefe do grupo Wagner acrescentou que pretende começar a recrutar mais soldados assim que conquistar a cidade de Bakhmut. "Em particular, começaremos a recrutar novas pessoas das regiões".

As autoridades russas e ucranianas afirmaram, no domingo (12), que centenas de soldados foram mortos em 24 horas nos combates por Bakhmut.

Serhiy Cherevatyi, um porta-voz militar ucraniano, informou que 221 soldados russos foram mortos e mais de 300 feridos em Bakhmut.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que pelo menos 210 ucranianos foram mortos na região mais ampla de Donetsk, na linha de frente.

 

Zelenskiy

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que mais de mil soldados russos morreram em Bakhmut em menos de uma semana.

Acrescentou que foram destruídos vários depósitos de munições russos.

 

 

por 20 - RTP

UCRÂNIA - Autoridades em Mikolaiv, no sul da Ucrânia, informaram na segunda-feira que pelo menos duas pessoas foram mortas e várias ficaram feridas num novo bombardeamento pelas forças russas na área.

O ataque, que teve lugar no início do dia, deixou pelo menos três pessoas feridas, incluindo um rapaz de sete anos, segundo o governador da província do mesmo nome, Vitali Kim.

Ele confirmou que um homem e uma mulher, com 45 e 43 anos respectivamente, morreram de ferimentos graves após o bombardeamento da área de Kutsurub. O menor foi levado para um centro médico numa ambulância", disse Kim numa mensagem no seu canal de Telegramas.

 

 

Fonte: (EUROPA PRESS)

por Sergio Silva / NEWS 360

Kiev – Três civis foram mortos em um bombardeio russo contra Kherson, no sul da Ucrânia, no sábado, e mais um morreu na região de Donetsk, no leste do país, disseram autoridades regionais.

“Hoje as forças de ocupação da Rússia atingiram Kherson novamente. Em uma estrada de Mykolayivsky, perto de uma loja, os destroços de uma bomba mataram três pessoas…”, disse o governador regional, Oleksandr Prokudin, à televisão ucraniana, acrescentando que um carro, vários ônibus e uma propriedade comercial foram danificados.

Prokudin disse que três pessoas, incluindo uma idosa, também foram feridas durante o ataque contra a cidade.

A Ucrânia recuperou Kherson em novembro, após quase oito meses de ocupação das forças russas que a tomaram logo depois do começo da invasão do país. A área agora está sob bombardeios quase constantes das forças russas.

Pavlo Kyrylenko, governador regional de Donetsk, disse que uma pessoa foi morta e pelo menos três civis foram feridos na cidade de Kostyantynivka, após várias séries de bombardeios russos durante o dia.

A região de Donetsk foi sede de alguns dos conflitos mais violentos desde que a Rússia enviou tropas à Ucrânia em 24 de fevereiro do ano passado.

 

 

Reportagem de Olena Harmash / REUTERS

UCRÂNIA - A Rússia de Vladimir Putin fez na madrugada de quinta-feira (9) um dos maiores ataques aéreos desde que invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro do ano passado. Ao menos 81 mísseis seis deles modelos hipersônicos de última geração nunca disparados em tal quantidade e drones foram lançados sobre 13 das 24 regiões do país.

"Foi uma noite muito difícil", disse em redes sociais o presidente Volodimir Zelenski. Ao menos 11 pessoas morreram, cinco delas na cidade de Lviv, principal centro no extremo oeste do país e usualmente poupada de assaltos mais severos.

O Ministério da Defesa da Rússia disse em nota que o ataque foi "uma resposta aos atos terroristas organizados por Kiev em Briansk", em referência ao nebuloso incidente em que um suposto grupo de russos pró-Ucrânia invadiu duas vilas nessa região russa na fronteira dos dois países no dia 2, trocando tiros com forças policiais.

Na prática, foi a retomada da campanha de Putin contra a infraestrutura energética ucraniana, já que os alvos eram majoritariamente estações de distribuição de eletricidade e centrais. Ela começou após o ataque de Kiev que danificou a ponte que liga a Rússia continental à Crimeia, anexada da Ucrânia em 2014, e seu mais recente grande ataque havia ocorrido há um mês.

Houve blecautes em todas as regiões, inclusive na área da maior usina nuclear da Europa, em Zaporíjia (sul do país). "Esta é a sexta vez, deixe-me dizer de novo, a sexta vez que ela perde toda sua energia externa e precisa operar em modo de emergência", afirmou em reunião o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, o argentino Rafael Grossi. A eletricidade foi reconectada depois.

Segundo publicou no Telegram Vitali Klitchko, o prefeito de Kiev, 40% da capital está sem aquecimento —no momento do ataque, a temperatura estava em torno de 0ºC, tendo subido ao longo do dia.

O ataque repetiu o padrão adotado a partir de 10 de outubro, quando houve o primeiro e maior ataque até aqui contra alvos energéticos, com 84 mísseis. Naquele dia, contudo, Kiev afirmou ter derrubado mais da metade dos projéteis; nesta sexta, foram 34 deles, na conta sempre otimista do governo.

Foram empregados os meios usuais: mísseis de cruzeiro Kalibr disparados de aviões e navios no mar Negro, modelos de cruzeiro Kh-59, mísseis antiaéreos de sistemas S-300 adaptados para ataque a solo e drones. Cereja do bolo mortífero, seis Kinjal, artefato hipersônico que nunca havia sido usado nesse número na guerra.

É uma sinalização de Moscou, que há meses parece enfrentar escassez de seus modelos mais sofisticados, recorrendo a drones comprados do Irã e aos mísseis de S-300, com baixa precisão.

O ataque ocorre no momento em que Putin está à beira de cantar uma vitória simbólica importante, a maior desde o primeiro semestre do ano passado, conquistando Bakhmut. A cidade na região de Donetsk está sob ataque há sete meses, tendo sido reduzida a escombros, mas Kiev determinou prioridade em sua defesa ainda que analistas duvidem de sua real importância.

A ferocidade dos ataques no que se convencionou chamar de "moedor de carne" favorece a tática russa de empregar mercenários saídos de cadeias em ataques frontais, quase suicidas. Ambos os lados sangram de forma abundante, mas Moscou tem mais recursos nesse sentido.

Na segunda (6), Zelenski e sua cúpula militar decidiram manter a defesa a qualquer custo, alegando que é possível quebrar a frente russa com o desgaste, o que parece difícil na prática. Além disso, eles temem que a queda de Bakhmut seja instrumental para expandir a ocupação de Donetsk, hoje a menos controlada por Moscou das quatro regiões anexadas ilegalmente pelo Kremlin em setembro.

A Rússia diz o mesmo: o ministro da Defesa, Serguei Choigu, prometeu novos avanços assim que a cidade for conquistada. Avaliações do grupo mercenário Wagner e da Otan dizem que cerca da metade de Bakhmut já está em mãos russas, e a aliança militar ocidental prevê sua queda em dias.

Seja como for, a musculatura militar russa parece menos frágil do que repetem quase todos os dias serviços de inteligência e Forças Armadas do Ocidente. Kiev está em um momento difícil da invasão, embora mesmo entre analistas russos que apoiam Putin não haja expectativa de nenhum avanço definitivo nos próximos meses.

Já aqueles céticos apontam o caráter de vitória de Pirro, aquela que custa tanto ao vencedor que o derrota, do movimento atual. É o caso de Igor Girkin, ex-comandante militar dos separatistas pró-Rússia de Donetsk e frequente crítico de Choigu. Em seu canal no Telegram, ele disse que a queda da cidade nada significará, e que o desgaste aplicado aos russos impedirá novo uso das forças do Grupo Wagner.

Enquanto isso se desenrola, Kiev espera os novos armamentos prometidos pelo Ocidente, a começar por tanques Leopard-2 de países da Otan. Já a questão do recebimento de caças ainda engatinha, embora haja discussões mais avançadas para que Eslováquia e Polônia entreguem modelos soviéticos MiG-29 de que dispõem para Kiev, o que dispensaria treinamento já que os ucranianos operam o aparelho.

 

 

por IGOR GIELOW / FOLHA de S.PAULO

RÚSSIA - Masha Moskaleva, uma estudante russa de 13 anos, foi detida em um centro de reabilitação de menores após fazer um desenho em apoio à Ucrânia e ao fim da guerra. A imagem foi feita durante uma aula de artes na escola primária de Yefremov, em Tula, em abril de 2022.

No desenho, é possível ver uma mulher e uma criança no centro da imagem, cercadas pelas bandeiras russa e ucraniana, acompanhada de mísseis. Na bandeira da Rússia, a garota escreveu: ‘não à guerra’, enquanto na bandeira da Ucrânia: ‘glória à Ucrânia’.

De acordo com o pai da garota, Aleksey Moskalev, a professora levou o desenho à diretoria da escola, que, imediatamente, alertou as autoridades. Apesar disso, Masha conseguiu deixar o centro de ensino sem que fosse identificada como autora do desenho.

Aleksey, no entanto, decidiu visitar o local no dia seguinte para resolver o corrido, contudo, sua presença fez com que autoridades voltassem à escola.

O pai e a criança, então, foram encaminhados para delegacia para prestar esclarecimentos. Aleksey foi multada em 32 mil rublos (cerca de R$ 2 mil) e acusado de desacreditar das Forças Armadas da Rússia após comentários contrários aos militares russos em suas redes sociais.

Masha e Aleksey chegaram a ser procurados oito meses depois pelas autoridades. Na véspera do Ano Novo, cinco viaturas policias e um caminhão de bombeiros pararam na porta da casa da família. Os policiais fizeram apreensões de bens e levaram Aleksey, após interrogatório, no qual ele afirmou ter sofrido pressão psicológica.

“Eles me trancaram em um quarto por duas horas e meia e colocaram o hino nacional no volume máximo”, relatou.

Em fevereiro, a família abandonou a cidade.

As autoridades, no entanto, voltaram a procurá-los na última quarta-feira (1º). O encontro terminou com a detenção por dois dias de Aleksey, após julgamento e condenação à prisão domiciliar por seu posicionamento “anti-Rússia”.

Masha, por sua vez, foi levada para um centro de reabilitação de menores, onde continua detida até quarta-feira (8).

 

 

REDETV!

RÚSSIA - A guerra na Ucrânia se tornou um conflito de resistência, uma lenta queda de braço entre os dois lados. Pouco mais de um ano depois do início da invasão russa, Moscou parece ter encontrado sua estratégia: vencer pelo cansaço dia após dia as forças de Kiev, menos numerosas e pouco equipadas. Frustrados, os artilheiros ucranianos enfrentam um persistente inimigo.

Em um bosque da região de Velyka Novosilka, no Donbass, o soldado ucraniano Ivan, ex-bibliotecário, conta que foi convocado em maio de 2022. Desde o final do ano passado, ele brinca de gato e rato com a artilharia russa.

"Temos certeza de que eles sabem que estamos aqui. Mas eles não conhecem nossa posição exata", diz Ivan.

A reportagem da RFI se aproxima da artilharia ucraniana quando um militar chega em uma caminhonete para avisar que um drone russo está rastreando o local. O aviso deixa as unidades em alerta e todos correm para um abrigo próximo.

"Neste bosque estamos a seis ou sete quilômetros da linha do fronte. É muito simples para um drone ir e vir e para nós é difícil vê-los com sistemas antiaéreos convencionais", explica Ivan. "Se tiver radar tudo bem, mas a olho nu... É bem problemático", reitera.

O soldado conta à RFI que há cerca de 15 dias um bombardeio russo foi realizado na área. "Eles registraram a posição de nossos vizinhos, uma outra brigada que não está longe daqui. Eles foram vistos por um drone e, graças a ele, os russos encontraram as boas coordenadas", diz. "A guerra na Ucrânia é uma guerra de drones e artilharia. O objetivo é um encontrar o outro para atacar", ressalta.

 

Dias à espera para o ataque

O grupo do qual faz parte Ivan construiu um abrigo subterrâneo, que pode ser acessado por alguns degraus de escada. No local, há algumas cadeiras e um fogão a lenha. Não há grande coisa a ser feita dentro deste cômodo, mas muitas vezes os combatentes passam o dia inteiro esperando.

Com o distanciamento do drone, a brigada autoriza a equipe da RFI a sair do abrigo. O trajeto é retomado até uma clareira, onde Ivan mostra com orgulho seu instrumento de trabalho: um velho lançador soviético de obus, modelo 2S3 Akatsya.

Longe é possível ouvir foguetes atirados pelas tropas russas. Mas quando será a vez de Ivan atirar? "Impossível dizer. Esperamos e nos contentamos em executar ordens", responde.

O soldado descreve à RFI um cenário de incertezas. "Não temos nenhuma ideia de nosso alvo e da distância dele. Apenas os superiores ou os operadores de drones podem saber o que estamos visando", explica.

Apesar de frustrado, o ex-bibliotecário diz compreender que essa é a sua missão. "Não sabemos jamais quando a infantaria vai precisar da gente. Parece que a brigada vizinha começou a trabalhar, pode ser que seja uma resposta após o bombardeio russo. Eles têm mais munições e podem atirar mais longe que a gente", conclui.

 

Batalha em torno de Bakhmut

Se em algumas localidades do leste o ritmo da guerra ocorre a conta-gotas, a Rússia não esconde que, nesse momento, seu objetivo principal é a cidade de Bakhmut, cenário de meses de combates violentos. As duas partes admitiram grandes perdas humanas, mas não divulgam números.

De seu lado, a Ucrânia promete continuar defendendo a cidade, embora muitos considerem que a queda da localidade é inevitável. Algumas unidades já começaram inclusive a se retirar.

"Esta cidade é um importante centro de defesa para as tropas ucranianas no Donbass. Capturá-la permitirá novas operações ofensivas, invadindo as linhas de defesa das forças armadas ucranianas", disse o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, nesta terça-feira (7), durante uma reunião com comandantes militares.

Nas últimas semanas, os russos, liderados pelo grupo paramilitar Wagner, avançaram pouco a pouco e parecem já controlar os acessos norte, leste e sul da cidade. Mas, noite de segunda-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que pediu ao Estado-Maior para "encontrar as forças adequadas" para continuar defendendo Bakhmut.

O conselheiro da presidência, Mikhailo Podoliak, também afirmou que no exército ucraniano existe um "consenso" sobre "a necessidade de continuar defendendo a cidade e esgotar as forças inimigas". Mas fora de Bakhmut, alguns soldados ucranianos acreditam que nada mais pode ser feito para não deixar a cidade cair nas mãos da Rússia.

 

 

por RFI

UCRÂNIA - O Exército russo tentava neste domingo um cerco completo a Bakhmut, cidade do leste da Ucrânia que se converteu no epicentro da guerra, onde as tropas de Kiev se esforçavam para resistir.

"Gostaria de prestar uma homenagem especial à bravura, força e resiliência dos soldados que combatem no Donbass (região onde fica Bakhmut)", disse o presidente Volodymyr Zelensky em seu discurso diário. Ele chamou de "dolorosa e difícil" a batalha pelo Donbass e agradeceu a seus soldados, que "repeliram ataques, destruíram o ocupante, enfraqueceram as posições e a logística do inimigo e protegeram nossas fronteiras e cidades".

O estado-maior ucraniano informou que repeliu "mais de 130 ataques inimigos" nas últimas 24 horas em vários locais do front, incluindo Liman, Bakhmut, Kupiansk e Avdiivka. "O inimigo ainda tenta cercar a cidade de Bakhmut", acrescentou, sem dar detalhes.

Serhiy Cherevaty, porta-voz do Grupo de Forças do Leste das Forças Armadas Ucranianas, afirmou que cidades ao norte e oeste de Bakhmut foram atacadas. Pouco antes, ele havia afirmado que a situação em Bakhmut era "difícil", mas "sob controle".

O Exército dos separatistas pró-Rússia de Donetsk divulgou hoje um vídeo em que supostos combatentes do grupo Wagner afirmam que conquistaram a estação ferroviária de Stupky, no subúrbio do norte de Bakhmut. A batalha por essa cidade, que já dura meses, ganhou um valor simbólico para ambos os lados.

Neste sábado, o Instituto de Estudos da Guerra (ISW), um think tank americano, observou que as forças russas ganharam posições em Bakhmut que poderiam permitir que os soldados contornassem algumas defesas ucranianas.

 

- 13 mortos em Zaporizhzhia -

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, realizou uma inspeção de um posto de comando no front leste da Ucrânia, na "direção Donetsk-Sul", informou o Ministério da Defesa no sábado, sem especificar o local ou a data exata da visita.

Para o ISW, a visita de Shoigu foi "aparentemente destinada a avaliar as baixas perto de Vugledar e a possibilidade de continuar uma ofensiva nessa direção".

Segundo imagens divulgadas no sábado pelo Exército russo, o ministro também participou de uma reunião com o alto comando encarregado da ofensiva na Ucrânia, incluindo o chefe do Estado-Maior, Valeri Gerasimov.

Nas últimas 24 horas, foram registrados tiroteios em áreas residenciais, nos quais cinco pessoas morreram do lado ucraniano, segundo as autoridades.

A promotoria de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, anunciou a abertura de uma investigação de crimes de guerra sobre a morte de um casal de civis em um ataque russo que atingiu seu veículo neste domingo na cidade de Budarky.

O balanço do ataque contra um edifício residencial em Zaporizhzhia (sudeste), na noite de quarta-feira, subiu para 13 mortos, incluindo uma criança.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, denunciou a "tomada de reféns" da usina de Zaporizhzhia, a maior da Europa, e pediu aos países ocidentais que sancionem a indústria nuclear russa.

Em entrevista à AFP, o prefeito da cidade de Energodar - onde fica a central nuclear - disse que a usina foi fechada e transformada em "base militar" russa.

 

 

AFP

UCRÂNIA - O grupo paramilitar russo Wagner, que está na linha de frente no conflito na Ucrânia, afirmou na sexta-feira (3) que a cidade de Bakhmut, leste do país, está "praticamente cercada" e pediu ao presidente Volodimir Zelensky que ordene a retirada das tropas.

A batalha de Bakhmut, uma cidade industrial com uma importância estratégica questionável, começou em meados do ano passado e provocou muitas baixas dos dois lados.

A cidade virou um símbolo da guerra, por ser o epicentro dos combates entre russos e ucranianos há vários meses.

As forças russas avançaram nas últimas semanas para o norte e sul de Bakhmut. Em seguida cortaram três das quatro rodovias utilizadas para o abastecimento das tropas ucranianas na cidade.

As unidades Wagner têm Bakhmut praticamente cercada, resta apenas uma rodovia para sair da cidade", declarou o fundador e comandante do grupo paramilitar, Yevgueny Prigozhin, em um vídeo publicado no Telegram.

Prigozhin pediu a Zelensky - que havia prometido defender Bakhmut "pelo maior tempo possível - que ordene a retirada das tropas ucranianas da cidade, em grande parte destruída.

"Se antes enfrentávamos um exército ucraniano profissional, que lutava contra nós, hoje vemos cada vez mais velhos e crianças. Eles lutam, mas a vida deles em Bakhmut é curta, um ou dois dias”, alertou Prigozhin.

"Dê a oportunidade para que abandonem a cidade, está praticamente cercada", acrescentou o comandante do grupo Wagner.

O vídeo mostra em seguida três pessoas, um idosos e dois jovens, que pedem a Zelensky permissão para deixar a região.

 

- Combates intensos -

O comando militar ucraniano admitiu na terça-feira uma situação "extremamente tensa" em Bakhmut diante dos ataques russos.

No mesmo dia, Zelensky citou um aumento da "intensidade dos combates" ao redor da cidade, que tinha quase 70.000 habitantes antes do conflito. Atualmente restam 4.500, segundo as autoridades locais.

O Estado-Maior ucraniano não revelou detalhes sobre a situação em Bakhmut nesta sexta-feira e limitou-se a destacar que o exército impediu 85 ataques russos no país nas últimas 24 horas.

Na quarta-feira, o porta-voz do comando leste do exército ucraniano, Serguii Cherevaty, negou à AFP as versões de que uma retirada estava em curso em Bakhmut.

 

- Incursão na Rússia -

O fundador do grupo Wagner fez as afirmações um dia após um incidente na região russa de Briansk, perto da fronteira, que segundo Moscou foi uma incursão de "sabotadores" ucranianos.

De acordo com as forças de segurança da Rússia, o grupo abriu fogo contra um carro e matou dois civis, além de ter deixado uma criança ferida, na localidade de Lyubechane.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que "medidas serão adotadas para evitar eventos semelhantes no futuro". Ele também disse que "conclusões serão tiradas após a investigação" sobre o suposto ataque.

A presidência ucraniana desmentiu as acusações e afirmou que o incidente foi uma "provocação deliberada" da Rússia para justificar a invasão.

O Comitê de Investigação russo anunciou que enviou uma equipe ao local e que a situação está "sob controle das forças de segurança". O Serviço Federal de Segurança (FSB) afirmou que encontrou uma "grande quantidade de explosivos" na região.

As autoridades russas reportaram esta semana vários ataques com drones ucranianos na Crimeia, uma península anexada pela Rússia em 2014. Pela primeira vez, um drone caiu na região de Moscou, sem provocar danos ou vítimas.

Nesta sexta-feira, fontes das forças de segurança citadas pela agência TASS relataram a explosão de um drone na região Kolomna, 100 km ao sudeste de Moscou.

 

- Biden recebe Scholz em Washington -

Na frente diplomática, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, recebe nesta sexta-feira em Washington o chefe de Governo da Alemanha, Olaf Scholz.

O porta-voz do chanceler alemão disse que a reunião terá o objetivo de debater a evolução do conflito na Ucrânia e o apoio que os aliados podem oferecer a Kiev.

Peskov fez um alerta contra novas entregas de armas ocidentais à Ucrânia.

O fornecimento de armas "não terá um impacto decisivo no resultado da ofensiva (na Ucrânia), mas é óbvio que prolongará este conflito, com tristes consequências para o povo ucraniano", disse.

 

 

AFP

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