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Estudo explora o mito da Medusa e reforça que aspectos arcaicos relacionados à situação da mulher na sociedade estão presentes até hoje

 

SÃO CARLOS/SP - Ao longo da história, a natureza da mulher foi comumente caracterizada como impura, inferior e associada ao mal, sendo até mesmo considerada um ser em condição não humana.

Luiza Helena Hilgert, pesquisadora de pós-doutorado vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFil) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), constatou e refletiu sobre esses estereótipos ao analisar o papel dos mitos - e, mais especificamente, das descrições literárias e pictográficas (em imagens) - da Medusa na construção da subjetividade e do lugar da mulher, à luz da filosofia existencialista de Simone de Beauvoir.

A pesquisadora pontua que não foram somente os mitos que contribuíram para a disseminação da ideia de inferioridade feminina, mas também a própria Filosofia.

"A essência feminina foi vista, por diferentes filósofos, como outro tipo de natureza, diferente da dos homens. A própria Filosofia de Platão, por exemplo, explica uma dupla natureza humana, em que os homens são tidos como fortes, superiores, e as mulheres como seres gerados a partir dos homens, sendo consideradas figuras animalescas, de constituições inferiores. Ele considerava a mulher como um ser secundário, que não poderia melhorar, aprender ou mesmo alcançar algum tipo de evolução", recorda.

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O mito da Medusa

Contada por diversos autores com detalhes distintos, a história resumidamente se refere à Medusa como um monstro no corpo de uma mulher que, ao ser violentada por Poseidon, deus dos oceanos, é punida por Atena (deusa da sabedoria) e transformada em Górgona. Seu cabelo se transforma em um emaranhado de cobras e ela passa a ter escamas. Atena também lhe roga a maldição de transformar quem a olha em pedra.

Medusa, grávida de Crisaor e do cavalo alado Pégasus (frutos do estupro de Poseidon), acaba sendo assassinada por Perseu, que leva a sua cabeça como "brinde" ao seu reino. Na história, Medusa é punida por ser considerada atraente e por ter sido estuprada, enquanto as figuras masculinas mantêm imagens heroicas.

É em contraponto à maioria das leituras já feitas de Medusa, que trazem visões baseadas justamente em tradições eurocêntricas e masculinas, que a pesquisadora desenvolve o papel do mito na construção do lugar da mulher. Para isso, recorre à ótica feminista de Beauvoir, à ideia de que os homens estabelecem o lugar da mulher na sociedade, já que as histórias são criadas e escritas por eles. "Por meio dos mitos, os homens transformaram a mulher na responsável pela existência do fracasso próprio da condição humana", analisa.

Na mitologia grega, a ascendência das mulheres também é a razão da existência da fome, da miséria, da cólera, pestes e de toda a variedade de infortúnios que assola o mundo. "É como se fôssemos mensageiras do mal e portadoras dos encantos capazes de arruinar a Humanidade", registra Hilgert.

Sua análise da história da Medusa a caracteriza como um ser objetificado de dois tipos, associados ao mito da monstruosidade e ao mito da beleza.

No mito da monstruosidade, presente no período arcaico, Medusa tem feições mais animalescas e menos humanizadas, como se fosse um monstro terrível, com representações artísticas semelhantes às descrições literárias grotescas e assustadoras.

"Minha hipótese é que esse modelo se relaciona à subjugação da mulher pela definição da sua essência, a partir de uma concepção imutável e inferiorizada da sua natureza - a natureza da Medusa é a do monstro, num primeiro momento, em oposição à natureza humana. Ela não é humana e faz parte do reino das criaturas grotescas e repugnantes", detalha.

Já o mito da beleza, idealizado no período clássico, traz Medusa com feições menos bestializadas, com cabelos de serpentes e traços mais afinados, elegantes e próximos da figura humana e feminina. No entanto, este mito também atribui uma essência inferior à mulher: "Sua aparência física tem apelo sexual. Ou seja, a mulher atraente, independentemente de seus pensamentos, é incriminada por inspirar sentimentos nos homens", destaca. Esta versão de Medusa, segundo Hilgert, é utilizada até os dias de hoje pela cultura pop, por marcas e em campanhas publicitárias, trazendo a ideia de femme fatale.

Ou seja, progressivamente, a figura mitológica deixa de ser retratada como horrenda e passa a ser representada como bela, mas isso não significa que a mulher deixa de ser vista como inferior. "O mito da monstruosidade e o da beleza se somam, de forma a se fundirem numa dupla subjugação da mulher. Além disso, as características da personagem que a vinculam ao poder, ao medo, ao terror, e à maldade permanecem até os dias de hoje", reflete a pesquisadora.

Com isso, a autora reforça como um fato (a cultura grega) colaborou para a criação de um mito (o de que a mulher é um "segundo sexo", inferior ao homem), partindo de uma narrativa que reforça a visão dominante do mundo, dos sexos e dos gêneros.

O arcaico do contemporâneo

Até hoje, o mito é utilizado para retratar figuras femininas. É o caso de Hilary Clinton, candidata à presidência dos Estados Unidos em 2016, que na ocasião foi colocada em uma figura como sendo a Medusa, e Donald Trump (presidente eleito) como o herói grego Perseu, que "corta a sua cabeça". Alusão semelhante foi feita a Angela Merkel e a Dilma Rousseff, ao estarem em cargos de liderança.

"Independentemente de seus posicionamentos políticos, o que essas mulheres, estereotipadas como Medusa, têm em comum? A hipótese é a de que são mulheres que ocuparam lugares que, aos olhos de uma sociedade machista, não eram os delas", analisa Hilgert. "Isso demonstra como a sociedade vê mulheres poderosas como perigosas e monstruosas, além de manifestar o desejo masculino de que suas cabeças sejam cortadas de forma metafórica, para que sejam silenciadas", reforça. Em suas análises, a pesquisadora também faz uma comparação entre fragmentos do mito da Medusa e acontecimentos ainda vivenciados pelas mulheres: cultura e gravidez do estupro, rivalidade feminina e isolamento e silenciamento das vítimas de violência.

"A Medusa é penalizada pelo simples fato de ser uma mulher, ou pelo comportamento de terceiros em relação a ela. Quando é violentada, recebe punição de Atena (fomento à rivalidade feminina), se isola e silencia. Esse imaginário cultural se faz presente desde a Antiguidade até hoje, em esferas artísticas, acadêmicas e sociais", descreve Hilgert.

A pesquisadora situa como as mulheres comumente seguem sendo culpadas por estupros, muitas vezes se calando sobre o fato, e são habituadas a competir com outras mulheres. Segundo ela, conceitos como empatia, solidariedade e sororidade não foram histórica e culturalmente construídos, sendo comum o isolamento das vítimas de estupro, juntamente com os sentimentos de culpa e vergonha.

É o que a autora chama, ao final, do arcaico do contemporâneo. "Parece não haver maneira de escapar dos resultados injustos e cruéis da opressão e da objetificação. E de fato não haverá enquanto permanecermos sob o jugo dos sistemas alienantes que excluem metade da população", reflete.

Para Hilgert, vários mitos já foram superados e a condição da mulher hoje é melhor em diversos aspectos, se comparada a décadas passadas. "Alguns caminhos foram abertos, mas há muito mais a fazer do que a comemorar", enfatiza. Uma mudança neste cenário exige um olhar descolonizado e desmasculinizado sobre as mulheres, sobretudo em mitos, na ficção e na Filosofia. "Libertar a mulher dos mitos não é negar as relações que ela estabelece com os outros sujeitos, mas permitir que ela exista também como sujeito e senhora de si", reforça.

O caminho, portanto, passa necessariamente em trazer homem e mulher como seres iguais, no sentido de não haver superioridade de um sobre o outro. É, também, dar a oportunidade de haver histórias narradas pelas próprias mulheres, assim como estudiosas no campo, para que recuperem suas vozes tão caladas por séculos. "Só assim as relações intersubjetivas acontecerão de maneira livre, respeitosa e autêntica", finaliza.

Os estudos de Hilgert deram origem ao artigo intitulado "O arcaico do contemporâneo: Medusa e o mito da mulher", publicado na Lampião - Revista de Filosofia, disponível na íntegra em https://bit.ly/2UJc66H. Os resultados também foram abordados no programa "Mora na Filosofia", projeto de extensão da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que pode ser conferido em https://bit.ly/3k9Nsa4.

Prof. Vanderlei Bagnato torna-se o cientista brasileiro mais premiado no Brasil

 

SÃO CARLOS/SP - O docente, pesquisador e atual Diretor do IFSC/USP acaba de conquistar o “Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia”, na categoria “Ciência”, tornando-se, assim, o cientista brasileiro mais premiado.

Com o valor de R$500,000.00, este prêmio, instituído em 2019 pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) nas categorias “Ciência” e “Tecnologia”, está já consolidado como a maior premiação científica do Brasil, destacando cientistas que dedicam suas vidas à ciência e tecnologia, beneficiando a sociedade e ajudando a evoluir o mundo, sendo especialmente dedicado  a pesquisadores que colocaram nosso país em destaque no cenário científico mundial.

Na chamada de destaque deste prêmio na categoria “Ciência” pode-se ler o seguinte: “Vanderlei Salvador Bagnato: o físico que usou a luz para controlar os átomos e salvar vidas. Se um feixe de luz pudesse transformar o futuro da humanidade? Essa pergunta tem movido os trabalhos de Vanderlei Bagnato, que há mais de três décadas realiza pesquisas nas áreas de Óptica e Fotônica e contribui significativamente para as aplicações da fotodinâmica e da fototerapia nas áreas da Saúde”.

A partir de seus estudos, o físico demonstrou a eficácia da ação fotodinâmica para o controle de infecções, descontaminação de órgãos para transplante e tratamento de doenças como pneumonia, Parkinson e vários tipos de câncer. Essas técnicas foram adotadas por importantes associações brasileiras ligadas à saúde e têm se difundido por mais de 9 países da América Latina.

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Antes de suas contribuições para a medicina, Bagnato já havia conquistado notoriedade internacional por suas pesquisas em Física Atômica, sendo um dos pioneiros nos estudos dos átomos frios e da turbulência quântica e o criador do primeiro relógio atômico do Brasil”.

Na categoria “Tecnologia”, o vencedor foi o Dr. Júlio César Fernandes, doutor em Engenharia Elétrica pela Unicamp e CEO da “Idea! Electronic Systems”.

Confira o anúncio do prêmio em - https://premiocbmm.com.br/

 

 

 

*Por: Rui Sintra - IFSC/USP

Metodologia de propagação permite multiplicar cultivares com alta produtividade, qualidade superior e resistência a doenças

 

CAMPINAS/SP - Uma variedade de abacaxi que não precisa ser descascado, com gomos destacáveis, e outra resistente a uma das principais pragas da fruta, a fusariose: as inovações existem, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), mas seguem longe do consumidor pela dificuldade de propagação das mudas que, no processo tradicional, leva anos. Agora, uma parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) resultou na possibilidade de propagação in vitro e, assim, de ampliação da presença dessas cultivares, obtidas por melhoramento genético, no mercado. Com a nova técnica, novas mudas podem ficar disponíveis ao produtor em um intervalo de seis a oito meses.

As cultivares do IAC, desenvolvidas desde a década de 1990 no Centro Avançado de Pesquisa de Frutas do Instituto, receberam os nomes de IAC Gomo de Mel (também conhecida como abacaxi-de-gomo) e IAC Fantástico. Ambas têm alto teor de sólidos solúveis (açúcar), sais e proteínas e baixa acidez - responsáveis pelo sabor muito agradável, dentre outras características que conferem qualidade destacada aos frutos. A IAC Fantástico tem a vantagem adicional de não ter espinhos na planta, o que facilita a colheita, além da resistência à fusariose, doença causada por fungo que causa perdas importantes na cultura do abacaxi no Brasil.

No entanto, restava o desafio de propagá-las em maior escala e menor tempo, para disponibilização aos produtores, o que levou à parceria com o Laboratório de Fisiologia Vegetal e Cultura de Tecidos (LFVCT), vinculado ao Departamento de Biotecnologia e Produção Vegetal e Animal (DBPVA-Ar) do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSCar, sediado no Campus Araras. Assim, aos conhecimentos do IAC em melhoramento genético, uniu-se a experiência em técnicas de produção in vitro do laboratório da UFSCar.

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Nos abacaxizeiros, em geral, o período para obtenção de 10 a 20 mudas coincide com a frutificação da planta, que leva de 18 a 24 meses. "As plantas provenientes do método convencional de propagação, em ambiente aberto, levariam mais de três anos para serem disponibilizadas aos produtores de frutas", explica Mara Fernandes Moura, Diretora do Centro de Pesquisa de Frutas do IAC.

Para acelerar esse processo, entra o trabalho do LFVCT, no cultivo in vitro realizado por meio de micropropagação. "A técnica consiste no cultivo das plantas em ambiente controlado, local que engloba salas de crescimento com fornecimento de luz artificial, controle da temperatura e meio de cultura contendo todos os nutrientes e reguladores que 'informam' a planta sobre o que ela precisa fazer (brotar, soltar novas folhas, enraizar etc.). Dessa forma, a planta fica isolada em condições especiais, o que possibilita a produção de milhares delas em um mesmo período, com a mesma genética", sintetiza Jean Carlos Cardoso, docente do DBPVA-Ar que coordena o Laboratório.

A IAC Fantástico é resultado do cruzamento - hibridação controlada - das cultivares Tapicaranga e Smooth Cayenne. O protocolo de micropropagação envolve a introdução de pequenas partes da planta (o ápice caulinar), já melhoradas geneticamente, no ambiente in vitro. "Em seguida, essas plantas são subdivididas mensalmente em novos meios de cultura, fase conhecida como multiplicação ou proliferação de brotações, na qual o número de mudas obtidas é aumentado exponencialmente. Depois, as mudas são enraizadas ainda em condições in vitro e, posteriormente, retiradas para readaptação ao cultivo em campo", detalha o docente da UFSCar. Ele estima que, a partir de uma única planta, é possível produzir aproximadamente 10 mil mudas, em cerca de seis a oito meses de cultivo.

Protocolo semelhante está sendo desenvolvido para a IAC Gomo de Mel. A cultivar, obtida por meio de cruzamento natural entre espécies existentes na China, foi introduzida pelo IAC no Brasil há 30 anos. A estrutura de seus gomos é mais frágil, o que facilita o destaque. "Apesar de ter excelente qualidade, essa cultivar é mais suscetível à fusariose, mas também é uma opção interessante de mercado, por trazer frutos bem suculentos e muito doces", afirma Moura.

Embora a parceria entre o IAC e a UFSCar tenha possibilitado a oferta de uma grande quantidade de mudas, os pedidos ainda estão acima da capacidade de infraestrutura e de pessoal para a produção em maior escala. "Por isso, estamos em fase de repasse das tecnologias para biofábricas, que podem produzir as mudas in vitro em larga escala, visando atender a demanda de grandes produtores de abacaxi", conta Cardoso.

Em relação ao custo, os pesquisadores relatam que plantas produzidas in vitro têm valor mais alto, devido à alta tecnologia utilizada para o cultivo em ambiente controlado ou in vitro. No entanto, o avanço e a otimização dos protocolos tornam o sistema produtivo mais eficiente, já que, no caso da IAC Fantástico, as mudas são resistentes a pragas e doenças.

Empresas que tiverem interesse em produzir as mudas podem entrar em contato com o laboratório da UFSCar pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou com a pesquisadora responsável pelas cultivares no IAC pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
Participaram do projeto, além de Cardoso e Moura, Carla Midori Iiyama, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal e Bioprocessos (PPGPVBA-Ar) do Campus Araras da UFSCar, e Tayla Schmidt, biotecnologista formada pelo CCA.

Estudo convida pais e mães cuidadores e seus filhos para responderem questionários

 

SÃO CARLOS/SP - Uma pesquisa na área da Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está investigando a interação entre pais e mães cuidadores e seus filhos, para entender como a criança desenvolve a habilidade de confiança seletiva em uma situação de aprendizagem nova. 

"Confiança seletiva é a habilidade de crianças e adultos de escolher, em uma situação nova de aprendizado, qual é o informante mais acurado para obter aquela informação", define o pesquisador Pedro Carrara de Oliveira, aluno do curso de Psicologia da UFSCar. O objetivo é verificar se existe correlação entre a habilidade de comunicação e de divisão de tarefa dos pais e o desenvolvimento da confiança seletiva em crianças de 4 a 6 anos de idade. Para isso, o estudo pretende contar com a participação de crianças de 4 a 6 anos de idade, assim como a de seus pais/mães ou responsáveis legais para uma coleta de dados, que será feita totalmente online.

De acordo com o pesquisador, não há estudos brasileiros investigando coparentalidade e confiança seletiva. Oliveira explica que "a coparentalidade é definida pela relação que os pais constroem no sentido exclusivo de cuidar uma criança. Neste estudo, não estamos avaliando necessariamente os estilos parentais, mas, sim, a qualidade da comunicação que os cuidadores têm entre si, estritamente no que se refere ao cuidado com a criança"

São fatores considerados na coparentalidade, por exemplo, a clareza com que um dos cuidadores expõe suas necessidades/vontades/insatisfações; ou o quanto um dos cuidadores reconhece o valor da paternalidade do companheiro ou companheira; como o casal se comunica pra atender às necessidades da criança; como os cuidadores lidam com estresse e a qualidade da escuta promovida pela dupla parental.

"A coparentalidade exclui, portanto, a relação que os pais têm entre si, num sentido romântico -  a conjugalidade. Mas inclui, por outro lado, até mesmo a relação que a dupla parental tem com suas discussões; se dizem coisas cruéis um para o outro na frente da criança; se os objetivos do casal com relação à criança estão alinhados; questões a respeito do estresse e de trabalho etc.", detalha Oliveira.

A pesquisa, intitulada "Coparentalidade e o desenvolvimento da cognição social em pré-escolares", tem orientação da professora Débora de Hollanda Souza, do Departamento de Psicologia (DPsi) da UFSCar. O estudo conta com financiamento de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Voluntários

Podem participar da pesquisa pais e mães cuidadores e as crianças que estejam dentro da faixa etária desejada (4 a 6 anos) e que estejam sob a tutela de dois cuidadores.

Para manifestar interesse, os pais cuidadores devem preencher este formulário online (https://bit.ly/3wABuca). Durante a pesquisa, os pais participantes responderão à Escala da Relação Coparental (ERC). Na sequência, será realizado o procedimento de confiança seletiva com a criança. Todas as etapas serão realizadas de maneira remota.

Dúvidas podem ser esclarecidas diretamente com o pesquisador Pedro Carrara de Oliveira, pelo WhatsApp  (12) 98842-0942 ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 27035119.0.0000.5504).

BRASÍLIA/DF - A maior parte dos brasileiros apoia pela primeira vez o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, de acordo com o Instituto Datafolha.

54% dos entrevistados dizem apoiar a abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados. Essa é a maior taxa a favor registrada desde que o instituto começou a fazer a pergunta sobre o tema, em abril de 2020. 42% se mostram contrários ao processo.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, que divulgou as informações, foram ouvidos de forma presencial 2.074 pessoas maiores de 16 anos, em todo o país, nos dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

 

*Por: VEJA SP

BRASÍLIA/DF - Pesquisa PoderData realizada nesta semana (5-7.jul.2021) mostra que o ex-presidente Lula (PT) abriu sua maior vantagem contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em uma possível disputa nas eleições de 2022. O petista concentra agora 43% das intenções de voto, contra 29% do atual comandante do Planalto.

No levantamento realizado há 1 mês, os 2 políticos estavam empatados dentro da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Tinham 31% e 33% dos votos, respectivamente.

Esta é a 1º rodada do PoderData feita sem os pré-candidatos Luciano Huck e João Amoêdo (Novo), que no mês anterior à pesquisa declararam que não participariam das eleições presidenciais.

Apesar da disparada de Lula, os resultados mostram que Bolsonaro segue estável (varia só na margem de erro) com apoio na redondeza de ⅓ do eleitorado.

© Fornecido por Poder360 

 

Para que um candidato vença no 1º turno é necessário ter mais da metade dos votos válidos, isto é, superar a soma de todos seus adversários. Os resultados desta rodada mostram que Lula tem 43% das intenções. Os outros, somados, marcam 44%. Considerando a margem de erro, o PoderData, indica que –se as eleições fossem hoje– esse cenário seria possível.

O 1º turno do pleito está marcado para 2 de outubro de 2022. Os cenários testados agora devem ser tomados como uma radiografia do momento.

DISPUTA DE 2º TURNO

Em caso de uma 2ª rodada do pleito, Lula ficaria 23 pontos à frente de Bolsonaro, vencendo-o por 55% a 32%. Essa também é a maior vantagem já registrada pelo petista nas simulações feitas pelo PoderData, pelo menos desde setembro de 2020.

 

© Fornecido por Poder360

 

Em uma disputa com o governador João Doria, Lula teria 34 pontos de vantagem. Com Ciro, 33 pontos. Já Bolsonaro perderia para ambos os candidatos, mas com uma diferença percentual menor. Leia os números abaixo:

© Fornecido por Poder360

 

O Poder360 preparou uma reportagem com os dados completos e o histórico de intenções de voto no 2º turno. Leia aqui.

Esta pesquisa foi realizada no período de 5 a 7 de julho de 2021 pelo PoderData, a divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Foram 2.500 entrevistas em 421 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

DESTAQUES DEMOGRÁFICOS

O gráfico a seguir estratifica o voto de cada entrevistado sobre o 1º turno das eleições presidenciais. O Poder360 destaca:

  • sexo – Lula tem 48% dos votos entre as mulheres e 38% entre os homens; Bolsonaro tem 23% entre mulheres e 35% entre os homens;
  • idade – Lula tem 55% entre os mais jovens (de 16 a 24 anos). Bolsonaro marca 11% no grupo;
  • região – Lula tem 59% no Nordeste, enquanto Bolsonaro, 19%; no Centro-Oeste, o atual presidente marca 40%, contra 29% do petista.

© Fornecido por Poder360

PESQUISAS MAIS FREQUENTES

O PoderData é a única empresa de pesquisas no Brasil que vai a campo a cada 15 dias desde abril de 2020. Tem coletado um minucioso acervo de dados sobre como o brasileiro está reagindo à pandemia de coronavírus.

Num ambiente em que a política vive em tempo real por causa da força da internet e das redes sociais, a conjuntura muda com muita velocidade. No passado, na era analógica, já era recomendado fazer pesquisas com frequência para analisar a aprovação ou desaprovação de algum governo. Agora, no século 21, passou a ser vital a repetição regular de estudos de opinião.

 

 

*Por: Rafael Barbosa / PODER 360

 

Projeto insere-se no desenvolvimento tecnológico no âmbito da Unidade EMBRAPII-IFSC/USP
 

SÃO CARLOS/SP - Na sequência dos diversos desenvolvimentos tecnológicos criados desde há cerca de um ano pela Unidade EMPRAPII “Biofotônica e Instrumentação” do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e tendo como foco a prevenção e o combate à COVID-19, pesquisadores do Grupo de Óptica deste Instituto finalizaram o projeto de desenvolvimento e aprimoramento de um descontaminador de ar portátil para autos.

Este novo equipamento, com base na tecnologia UVC, reforça o lote de outros já lançados anteriormente - muitos deles já disponíveis no mercado -, como são os casos dos rodos para pisos hospitalares e para pequenas superfícies e objetos, tubo endotraqueal, descontaminador de alimentos in natura, descontaminador de água e descontaminador rotativo de compras, entre outros.

O transporte de pessoas em carros, vans e ônibus muito contribui para a propagação do SARS-COV2, sendo que o ideal é deixar o veículo sempre com os vidros abertos permitindo uma grande troca de ar. Contudo, em algumas situações, isso não é possível, não só porque pode haver muita poluição no exterior, como também devido a algumas tipologias dos veículos, desejando-se, assim, manter o conforto térmico e o ar descontaminado no interior dos mesmos.

Este novo sistema, colocado no interior de automóveis, ônibus  e/ou vans, com os vidros fechados, permite que seja eliminada uma grande quantidade de microrganismos presentes no aerossol, que existe nesses ambientes internos, sanitizando automaticamente o ar e, por consequência, destruindo todo o tipo de microrganismos, como bactérias e vírus.

Para o pesquisador e docente do IFSC/USP, Prof. Sebastião Pratavieira, este novo equipamento funciona em qualquer modelo de auto, atendendo a que é alimentado por uma corrente de 12 Volts, tendo em sua gênese um aperfeiçoamento em relação a anteriores sistemas com base na radiação de LED UVC (diodo emissor de luz na região do ultravioleta C), o que o torna inovador. “Uma das características deste equipamento, já testado com sucesso em nosso Instituto, é que poderá funcionar simultaneamente com o ar-condicionado do carro ligado e que, em vez das tradicionais lâmpadas de mercúrio, ele está equipado com LED’s UVC que apresentam uma maior durabilidade. Por outro lado, este descontaminador portátil apresenta um sistema eletrônico simples e de fácil manutenção ou substituição de componentes”, salienta.

O sistema também não exige nenhuma adaptação no veículo e funciona em qualquer marca e modelo, bastando existir uma tomada de 12V - o antigo acendedor de cigarro. A concepção e construção do protótipo foi de responsabilidade do engenheiro eletrônico Daniel José Chianfrone, do Laboratório de Apoio Tecnológico (LAT) do IFSC/USP, sendo que os testes de eficácia e caracterização foram realizados pela bióloga Thaila Quatrine Correa e pelo físico Dr. José Dirceu Vollet-Filho, respectivamente.

“Um fluxo de ar muito grande e em poucos minutos todo o ar do veículo passou pelo sistemas de LED’s UVC, sendo que, além disso, o sistema também permite o acoplamento de um filtro de carvão ativado e odorizador aromatizante” salienta, por sua vez, o pesquisador Vollet-Filho.

Para que este equipamento pudesse ser rapidamente colocado ao serviço da sociedade, foi estabelecida uma parceria com a empresa Triunfo Soluções em Engenharia Indústria e Comércio, algo que acelerou todo o processo.

O lançamento oficial deste equipamento está marcado para o dia 6 de julho às 10h00, através do canal do CePOF no Youtube.
 

Assista:



Rui Sintra - IFSC/USP

Submissões de trabalhos podem ser feitas até o dia 30 de junho

 

SOROCABA/SP - Entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro serão realizados, em formato virtual, o VIII Seminário de Pesquisa e o VII Encontro de Egressos do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd-So), da UFSCar-Sorocaba. Os eventos têm o objetivo de apresentar e discutir as pesquisas desenvolvidas no âmbito do PPGEd-So, além de propiciar a integração e o acompanhamento de estudantes egressos do Programa

Em 2021, a temática é "Educação, Vida e Ciência: da pandemia ao porvir", que abarca inquietações latentes ao contexto atual e indica o desejo e compromisso da comunidade do PPGEd-So de que a produção de conhecimento na área de Educação se realize em função da vida.

Sobre a escolha do tema, os organizadores afirmam que "entre questionamentos sobre objetos de estudo, metodologias e prazos para as pesquisas, passamos a nos indagar de modo mais profundo acerca do direcionamento de nossas pesquisas. Diante das incertezas no que se refere à duração da pandemia, passamos à certeza de que nada parecerá o que foi ou como foi antes dela. O porvir passou a ser nosso questionamento principal. E com ele, outras perguntas nada simples e que nos norteiam na pesquisa em Educação: como se ressignificarão as vidas de discentes, egressos e docentes que passam por esse tempo-lugar pandêmico? Como se desenvolverá a Educação e a pesquisa em Educação, visivelmente marcada neste contexto? De que forma a ciência, processo-produto histórico e socialmente construído direcionará suas preocupações em um contexto político social que a nega?".

Até o dia 30 de junho, as pessoas interessadas podem submeter trabalhos nas categorias pôster, comunicação oral e relato de experiência, em um dos seguintes eixos: Dimensões teórico-metodológicas na pesquisa em Educação em tempos de pandemia; Formação de educadores e pesquisa em educação a serviço da vida;

Desigualdades, movimentos sociais e processos educativos em tempos de pandemia; Política, cultura e processos educativos e novos possíveis; e Fundamentos da pesquisa em Educação.

As instruções para a submissão de trabalhos, inscrições, programação e demais informações estão disponíveis no site www.ppged-seminario.ufscar.br.

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Histórico

O 1º encontro do Seminário de Pesquisa do PPGEd-So ocorreu em 2013, quando o Programa possuía apenas o curso de mestrado, inaugurado em 2012. Desde então, o Programa vem se estabelecendo como um foco formativo dedicado à pesquisa da área de Educação na região de Sorocaba. Foram pouco mais de 158 trabalhos de mestrado defendidos e, a partir de 2019, o PPGEd-So incorporou o curso de doutorado.

O histórico da temática dos Seminários sempre esteve em consonância com a diversidade expressa pelos diferentes grupos de estudos e seus respectivos eixos temáticos. Para o ano de 2021, pretende-se que os eventos deem continuidade às discussões e aos questionamentos nascentes nessas linhas e que agreguem às respectivas preocupações, o contexto inédito que assolou o país e o mundo em 2020 e o consequente impacto desse contexto nas investigações atuais e futuras da área.

 

O foco é utilizar a energia solar térmica para processos industriais

 

SÃO CARLOS/SP - Uma das tecnologias mais conhecidas para aproveitar a energia do sol é a denominada fotovoltaica, que são painéis que convertem a energia do sol em energia elétrica e que facilmente identificamos em campos abertos ou nos telhados de residências. Contudo, existe ainda uma outra forma de utilizar a energia solar, principalmente para aplicação nas indústrias, conhecida como energia heliotérmica, algo que mereceu a especial atenção de dois jovens pesquisadores de São Carlos.

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Guilherme Scagnolatto (31), pós-graduado do Curso de Engenharia Mecânica, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP) e Jaqueline Vidotti (31), Engenheira Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e especialista em gestão de projetos pela USP, decidiram avançar nas pesquisas relacionadas à energia heliotérmica. O ponto de partida foi a criação de uma startup de eficiência energética, denominada Mondi Energy, que se encontra atualmente incubada no Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto - Supera. A startup surgiu em 2019 como uma spin-off acadêmica do trabalho de mestrado do Guilherme.

Com o apoio do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), em parceria com a EMBRAPII, os dois pesquisadores e empreendedores estão desenvolvendo um concentrador de luz solar para ser utilizado na indústria. “Este nosso projeto prevê captar a energia solar para esquentar água e gerar vapor de forma que possa suprir parte da demanda de calor na produção de vapor para processos industriais, para geração de eletricidade ou até para sistemas de refrigeração, diminuindo o uso de combustíveis e reduzindo as emissões de carbono”, relata Guilherme.

O projeto consiste na fabricação de um coletor parabólico, que capta a radiação solar e a concentra sobre um tubo, por onde escoa água. A intenção dos empreendedores é poder fazer um combinado que permita não só reduzir o consumo de combustíveis nas indústrias, que por si só beneficiará o meio-ambiente, como também reduzir as despesas com o consumo de energia e rentabilizar a produção, por exemplo, nas indústrias alimentícias, químicas, farmacêuticas e usinas de cana. “Este nosso trabalho está tendo total apoio do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) não só em termos de suas infraestruturas laboratoriais e da Oficina Mecânica, como, também, da equipe do Laboratório de Apoio Tecnológico (LAT), com a participação e aconselhamento do Prof. Vanderlei Bagnato”, conclui Guilherme.

Essa é, portanto, mais uma tecnologia que estará à disposição para acelerar a transição energética, valendo-se de fontes renováveis para o fornecimento de energia sustentável. Uma energia limpa!!!

 

 

(Rui Sintra - Jornalista - IFSC/USP)

Estudo da UFSCar em parceria com Universidade do Minho associou prevalência de cepa resistente a medicamento à necessidade de ampliação da genotipagem no Brasil

 

SÃO CARLOS/SP - A elevada taxa de mutação é característica conhecida do vírus HIV-1, e mutações que causam resistência a medicamentos significam ameaça ao sucesso dos tratamentos antirretrovirais. No entanto, a ocorrência dessas mutações vem caindo em todo o mundo, diante de tratamentos mais eficazes e com menos efeitos adversos, o que permite reduzir a replicação viral e, assim, a probabilidade de mutação.

Estudo realizado em parceria entre Brasil e Portugal e publicado recentemente no "International Journal of Molecular Sciences" [https://www.mdpi.com/1422-0067/22/10/5304/htm], utilizando dados brasileiros, corroborou essa tendência, indicando leve queda na prevalência de cepas resistentes como um todo, embora essa prevalência ainda seja considerada elevada. Mais preocupante foi o registro de elevação gradual no Brasil na prevalência de uma mutação específica, chamada de K65R, associada à resistência a um dos medicamentos usados no tratamento antirretroviral no País, o Tenofovir.

A pesquisa, coordenada Nuno Miguel Sampaio Osório, da Universidade do Minho, em Portugal, contou com a participação de Bernardino Geraldo Alves Souto, docente do Departamento de Medicina (DMed) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no âmbito de acordo de cooperação com o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Escola de Medicina da Universidade do Minho. Colaboraram também pesquisadores de outras instituições portuguesas e da Espanha. A equipe analisou 20.226 sequências genéticas de HIV-1 coletadas em pacientes em tratamento antirretroviral, no período entre 2008 e 2017, no Brasil.

Os resultados mostraram que a prevalência da K65R passou de 2,23% em 2008 para 12,11% em 2017, seguindo alteração no protocolo de tratamento adotado no Brasil, que, em determinado momento, substituiu o AZT (Zidovudina) pelo TDF (Tenofovir). A pesquisa também identificou maior carga viral nas pessoas em que a mutação foi detectada, reforçando a observação do aumento da prevalência de resistência ao TDF.

Além das análises genéticas e estatísticas, o grupo usou ferramentas de imunoinformática (baseadas em redes neurais artificiais) para investigar possíveis fatores envolvidos na falha terapêutica e na transmissão de cepas resistentes. Esses estudos sugeriram possível impacto de fatores genéticos na prevalência de K65R, derivados dos perfis HLA - relacionados à resposta imunológica - mais ou menos prevalentes na população brasileira. Isto porque a pesquisa indicou que o perfil HLA-B27 teria maior propensão ao reconhecimento do HIV-1, sendo que este perfil genético tem prevalência relativamente baixa na população brasileira.

"Os estudos associando o perfil HLA a diferentes interações com o vírus HIV ainda estão avançando. O que a nossa pesquisa traz é a hipótese de que, além de fatores tradicionais como diferenças sociodemográficas e nos protocolos adotados e a adesão ao tratamento, o perfil genético étnico da população brasileira também pode estar influenciando o padrão de prevalência da resistência a medicamentos, e que pode ser necessário levar isso em consideração na definição dos protocolos de tratamento", explica o pesquisador da UFSCar.

Ou seja, associada à pressão seletiva exercida pelo uso do Tenofovir, o perfil imunológico prevalente na população brasileira também pode estar favorecendo o desenvolvimento da mutação K65R.

Uma das estratégias adotadas em vários países para monitorar e combater as cepas resistentes é a chamada genotipagem universal, em que todos os pacientes são testados no momento do diagnóstico para identificação de cepas resistentes e, assim, adoção de regimes terapêuticos individualizados, ou seja, escolha dos medicamentos que comporão o coquetel antirretroviral informada pela genotipagem. No Brasil, em geral a genotipagem só é feita após verificação de falha terapêutica por seis meses, exceto para alguns grupos que, a partir de 2013, começaram a ser testados no momento do diagnóstico: gestantes, crianças, pacientes com tuberculose e pessoas infectadas por parceiros em tratamento antirretroviral adequado.

A partir dos resultados encontrados no estudo, os pesquisadores supõem que a mudança nos protocolos antirretrovirais sem garantia de genotipagem pré-tratamento tenha colaborado para o crescimento gradual da prevalência de cepas resistentes ao Tenofovir, bem como para o elevado nível de outras mutações de resistência. Essa prevalência elevada, por sua vez, pode estar por trás da maior proporção de casos de falência terapêutica no Brasil, o que ganha especial relevância em um cenário de crescimento nos números de novas infecções e mortes relacionadas ao HIV no País, na contramão de um declínio global. Em 2019, foram 48 mil novas infecções e 14 mil mortes registradas no Brasil.

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Assim, os pesquisadores registram que alguns dos medicamentos frequentemente usados no País podem estar comprometidos pela alta prevalência de cepas resistentes e que a genotipagem universal e obrigatória seria a melhor estratégia a ser adotada, para seleção personalizada de um regime antirretroviral otimizado. As evidências produzidas na pesquisa apontam, inclusive, a necessidade de atenção à eficácia dos protocolos adotados na profilaxia pré e pós-exposição no Brasil, já que o aumento da prevalência de cepas resistentes aos medicamentos integrantes desses protocolos também pode comprometer sua eficácia.

"A genotipagem pré-tratamento, com repetição sistemática, permite a definição de protocolos terapêuticos individualizados e ajustes adequados. Com isso, reduzimos o risco de iniciar o tratamento e só descobrir seis meses depois que o protocolo não é adequado ou só substituir um esquema que falhou depois de vários meses de falha, o que é ruim não apenas para o indivíduo, mas também predispõe ao desenvolvimento de cepas resistentes que podem ser transmitidas e ter um efeito populacional", reitera o pesquisador da UFSCar. "Do ponto de vista da prevenção, a abordagem é coletiva, mas estamos propondo estratégia mais individualizada para o tratamento. E essa estratégia individual, por sua vez, tem impacto coletivo, já que a eficácia do tratamento reduz a transmissão e a circulação de cepas resistentes", complementa.

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