SÃO PAULO/SP - O Brasil encerrou o mês de julho com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, um avanço de 0,23% em relação ao mês anterior. Segundo o mais recente Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, ao todo, mais de 348,3 milhões de dívidas estão em aberto, somando R$ 586,4 bilhões em débitos.
Nesse contexto, cresce também a preocupação dos brasileiros em reorganizar a vida financeira. Pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que metade dos consumidores (50%) afirma ter gastado mais do que planejava no primeiro semestre de 2026, reforçando a necessidade de revisar o orçamento e estabelecer novas prioridades para os próximos meses.
O estudo revela que 54% dos brasileiros costumam revisar o planejamento financeiro no meio do ano para avaliar as metas estabelecidas em janeiro e definir os próximos passos para o restante de 2026. Apesar dos desafios, os resultados indicam uma mudança positiva na relação dos consumidores com as finanças: em comparação com o mesmo levantamento realizado em 2025, aumentou em seis pontos percentuais o número de pessoas que têm como principal objetivo manter as contas em dia, alcançando 55% dos entrevistados.
"O meio do ano é um momento importante para refletir sobre o planejamento financeiro e ajustar a rota quando necessário. Mesmo diante de um cenário de inadimplência ainda elevado, percebemos que os consumidores estão mais conscientes sobre a importância de reorganizar o orçamento e estabelecer metas compatíveis com sua realidade financeira", afirma Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa.
Esse movimento também aparece nas prioridades para o segundo semestre. Quase metade dos brasileiros (49%) pretende quitar dívidas até o fim do ano, enquanto outros 32% querem limpar o nome e 29% planejam formar uma reserva para emergências — indicadores que cresceram seis e quatro pontos percentuais, respectivamente, em relação ao ano anterior. Além disso, a intenção de economizar mais passou de 64% para 69%, enquanto 33% afirmam que pretendem investir com maior frequência.
Renegociação de dívidas avança no país
Mesmo diante dos desafios, 74% dos entrevistados seguem otimistas em relação à própria situação financeira até o fim do ano e a maior preocupação com a organização financeira já se reflete na busca pela regularização das dívidas. Entre maio e julho de 2026, mais de 14 milhões de acordos foram fechados no Serasa Limpa Nome, um crescimento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior. No intervalo, mais de 7 milhões de consumidores renegociaram seus débitos na plataforma.
Em São Paulo, a Serasa registrou mais de 3,8 milhões acordos de renegociação de dívidas no Serasa Limpa Nome entre maio e julho de 2026, um aumento de 31% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, em meio ao novo Desenrola Brasil e a ampliação do número de parceiros com melhores condições para a regularização de débitos, mais de 1,9 milhão de consumidores fecharam acordos na plataforma.
Segundo a Serasa, o avanço das renegociações coincidiu com uma desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência. Enquanto entre maio e julho de 2025 o aumento médio mensal foi de 0,7%, no mesmo período de 2026, a média caiu para 0,2%. Em São Paulo, a tendência também foi observada, com a média de crescimento recuando de 0,9% para 0,2% na comparação entre os dois anos.
“Regularizar os débitos reduz o peso dos juros, melhora o acesso ao crédito e abre espaço para que objetivos financeiros, como formar uma reserva ou investir, se tornem mais viáveis", reforça Aline. “Ao revisitar as metas neste meio de ano, esse pode ser o primeiro passo para retomar o controle das finanças ainda em 2026.”
Metodologia
Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box entre 26 de junho e 05 de julho de 2026, com 1.328 entrevistas online em todo o Brasil. Margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
Nova modalidade de pagamento é inédita em Araraquara e pode ser utilizada para débitos a vencer ou vencidos
ARARAQUARA/SP - A Prefeitura de Araraquara passa a oferecer uma nova opção para o pagamento de tributos e outros débitos municipais: o parcelamento em até 12 vezes no cartão de crédito. A modalidade é inédita no município e amplia as alternativas disponíveis para que os contribuintes regularizem suas pendências ou efetuem o pagamento de valores em aberto.
O parcelamento poderá ser feito para débitos vencidos ou a vencer, incluindo multas, lançamentos de ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) e de ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis). No caso do ITBI, o parcelamento será permitido somente até a data de vencimento. Também não estão incluídas as multas de trânsito que não estejam inscritas em dívida ativa.
A nova modalidade de pagamento deve ser realizada exclusivamente pela internet, pelo próprio contribuinte. O parcelamento com cartão de crédito não será feito nos guichês de atendimento da Prefeitura.
O serviço está disponível na ferramenta “Cidadão Online”, que pode ser acessada pelo site da Prefeitura, na área “Serviços Cidadão”, ou diretamente pelo endereço sistema.araraquara.sp.gov.br/cidadaoonline.
Para efetuar o parcelamento com cartão, selecione a opção “Emissão e Atualização de Boletos” e preencha o campo para localizar o cadastro desejado. Na tela seguinte, serão exibidos os débitos. Selecione aqueles que deseja quitar e clique na opção “Pagamento com Cartão de Crédito”. Em seguida, confira o resumo da solicitação e o valor total dos débitos selecionados, preencha os dados, escolha o número de parcelas e finalize o procedimento.
SÃO PAULO/SP - A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 360,8 milhões de toneladas, volume 2,4% superior ao colhido na temporada anterior. A estimativa consta do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado na quinta-feira (13) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo a estatal, o crescimento corresponde a um acréscimo de 8,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo 2024/25. O resultado é influenciado pela expansão de 2,1% na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares.
A produtividade média das lavouras está prevista em 4.322 quilos por hectare, desempenho próximo ao registrado na safra passada, segundo a Conab.
A soja continua sendo o principal produto agrícola do país e deve atingir produção de 180,5 milhões de toneladas. A produção do milho deve chegar a 143 milhões de toneladas.
A Conab destaca que condições climáticas registradas desde junho afetaram negativamente o desenvolvimento das lavouras de milho cultivadas no Nordeste, especialmente no nordeste da Bahia, em Sergipe e parte de Alagoas.
Entre as demais culturas, a produção de algodão em caroço está estimada em 5,8 milhões de toneladas, equivalentes a 4,1 milhões de toneladas de pluma.
A produção de feijão, considerando as três safras, deve ficar em 3 milhões de toneladas – volume 3,2% abaixo do obtido no ciclo anterior. Apesar da queda, a Conab avalia que a oferta é suficiente para garantir o abastecimento do mercado interno.
Para o arroz, a estimativa é de 11,1 milhões de toneladas. A redução da produção é atribuída à diminuição da área cultivada. Segundo a companhia, o plantio ocorreu em área 14% menor que a registrada no ciclo anterior. Ainda assim, a colheita prevista atende à demanda doméstica.
Entre as culturas de inverno, o destaque é o trigo, que tem produção estimada em 5,8 milhões de toneladas.
A previsão representa queda de 26,2%, na comparação com a safra de 2025. De acordo com a Conab, a redução está relacionada à retração de 20,4% na área destinada ao cultivo do cereal.
AGÊNCIA BRASIL
BRASÍLIA/DF - Estão abertas as inscrições para o concurso público da Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. São 281 vagas imediatas e 3.890 para cadastro de reserva. e o concurso é organizado pela Fundação Cesgranrio.
O salário inicial varia de R$ 5.464 a R$ 15.034,81, além de benefícios como previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde.
As oportunidades são para cargos de níveis médio, técnico e superior, distribuídos em quatro editais específicos: quadro de mar (oficiais), quadro de mar (suboficiais e guarnição), quadro de terra (nível médio) e quadro de terra (nível superior).
As inscrições vão até 14 de setembro, no site da Cesgranrio, que também disponibiliza os editais do processo seletivo. Os dois editais do quadro mar terão 180 vagas; e o terra, 101.
Os locais de trabalho no quadro terra se distribuem entre os polos Norte/Nordeste, Rio de Janeiro, São Paulo e Sul. Para o quadro de mar, as oportunidades têm abrangência nacional.
As provas estão marcadas para 29 de novembro e serão aplicadas em todas as capitais, independentemente do polo de trabalho escolhido pelo candidato.
Estão reservadas 30% das vagas para pessoas pretas e pardas (25%), indígenas (3%) e quilombolas (2%). Para pessoas com deficiência (PCD), a Transpetro reservou 10% das vagas e do cadastro reserva.
De acordo com o edital, a taxa de inscrição varia de R$ 81,50 (cargos de mar como auxiliar de saúde, cozinheiro, moços e condutores e carreiras de terra de nível médio/técnico) a R$ 117 (cargos de mar para oficiais e carreiras de terra de nível superior).
Os editais preveem isenção do valor para candidatos que sejam de família de baixa renda inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) ou que sejam doadores de medula óssea em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde.
O concurso tem validade de 1,5 ano e pode ser prorrogado por igual período.
A Transpetro é a maior empresa de logística multimodal de petróleo, derivados, gás natural e biocombustíveis do país. A empresa tem cerca de 5,7 mil empregados.
AGÊNCIA BRASIL
EUA - Donald Trump indicou que, neste momento, prefere manter o Irã sob forte pressão econômica a ordenar uma nova rodada de ataques militares. A sinalização marca uma mudança de tom em relação à semana anterior, quando o presidente dos Estados Unidos voltou a ameaçar Teerã diante do impasse sobre o Estreito de Ormuz.
Em entrevista por telefone ao site Axios, Trump afirmou que Washington está reduzindo o ritmo da escalada direta e observando os efeitos do isolamento econômico sobre o país. Segundo ele, a situação financeira iraniana é grave, com inflação elevada e perda de capacidade econômica. O republicano não apresentou novas ameaças militares durante a conversa.
A estratégia americana, portanto, passa a combinar negociação limitada com manutenção do cerco econômico e militar. O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos continua em vigor e é tratado por integrantes da administração Trump como uma das principais formas de pressionar Teerã sem ampliar imediatamente os combates.
Irã impõe condições para reabrir o Estreito de Ormuz
O principal obstáculo para um acordo permanece no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. O governo iraniano apresentou novas exigências a Washington e afirmou que a passagem continuará fechada enquanto os Estados Unidos não alterarem sua política em relação ao país.
Mohammad Bagher Zolghadr, então secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, exigiu o fim do bloqueio marítimo, a retirada de forças navais e aéreas americanas da região, a suspensão das sanções e a liberação de ativos iranianos congelados. Teerã também reivindica compensação integral pelos danos provocados pelas guerras contra o país.
"O Estreito de Ormuz não será aberto até que os Estados Unidos corrijam seu comportamento", afirmou Zolghadr em comunicado divulgado pela agência estatal IRNA.
As condições apresentadas complicam as negociações conduzidas com participação de Omã. Um entendimento para regulamentar o tráfego marítimo na região vinha sendo discutido entre iranianos, americanos e omanenses, mas ainda não havia sido implementado.
Trump havia considerado retomar operações militares
A decisão de dar mais tempo à pressão econômica ocorre poucos dias depois de uma nova possibilidade de escalada militar. Segundo autoridades americanas ouvidas pelo Axios, Trump chegou a considerar o retorno a operações de grande porte contra o Irã, mas acabou convencido a reduzir a ofensiva no curto prazo.
O presidente já havia adotado movimento semelhante no fim de julho, quando suspendeu ataques americanos contra posições iranianas na região do Estreito de Ormuz após recomendações de comandantes militares dos Estados Unidos. À época, avaliações internas apontavam que os bombardeios estavam perdendo eficácia e aumentavam os riscos para as forças americanas e seus aliados.
Apesar da mudança de postura, Washington mantém disponíveis instrumentos diplomáticos, econômicos e militares. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que a disputa com o Irã ainda está em uma fase intermediária e que o governo continuará utilizando diferentes formas de pressão para obter um acordo considerado favorável aos interesses americanos.
Estreito de Ormuz segue no centro da disputa entre EUA e Irã
A crise voltou a se intensificar depois que o Irã fechou novamente o Estreito de Ormuz em julho. A passagem marítima é uma das rotas energéticas mais importantes do mundo e sua interrupção tem impacto direto sobre o transporte internacional de petróleo e sobre os preços da commodity.
O novo fechamento também comprometeu o memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho. O documento previa o fim das hostilidades, a reabertura segura de Ormuz e a suspensão do bloqueio naval americano durante um período de negociações para um acordo definitivo.
Com o acordo ainda paralisado, Trump aposta agora no enfraquecimento econômico de Teerã para tentar destravar as negociações. O governo iraniano, no entanto, indica que não pretende reabrir a rota enquanto suas exigências sobre sanções, bloqueio naval, ativos congelados e reparações não forem atendidas.
por Notícias ao Minuto
BRASÍLIA/DF - Familiares de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devem ter atenção quando pagamentos continuam sendo depositados na conta de uma pessoa após sua morte. Mesmo que o benefício seja creditado normalmente, os parentes não estão autorizados a sacar ou movimentar esse dinheiro. Os valores pendentes devem seguir regras específicas para serem destinados aos dependentes ou herdeiros legalmente habilitados.
Esse tipo de situação pode ocorrer devido ao intervalo entre o registro do óbito, a comunicação às autoridades e a atualização dos sistemas da Previdência. Assim, uma aposentadoria ou pensão pode ser depositada mesmo depois da morte do titular.
De acordo com as regras previdenciárias, o crédito na conta não permite que familiares retirem os valores, inclusive quando há despesas relacionadas ao funeral ou quando o responsável pelo saque é um dependente que poderá ter direito à pensão por morte.
A Lei nº 8.213/1991 estabelece que valores devidos ao segurado até a data do falecimento e que não foram recebidos em vida devem ser destinados aos dependentes habilitados à pensão por morte. Caso não existam dependentes, os recursos podem ser destinados aos sucessores previstos na legislação civil.
A Instrução Normativa nº 128/2022 do INSS também determina esse procedimento. O valor devido até o falecimento pode ser pago aos dependentes sem necessidade de inventário ou arrolamento. Na ausência deles, pode ser exigida autorização judicial ou, nos casos previstos, escritura pública.
O chamado resíduo previdenciário pode ser solicitado pelos dependentes habilitados à pensão por morte por meio do Meu INSS, telefone 135 ou presencialmente em uma agência da Previdência Social.
Quando não houver dependentes, os herdeiros legais poderão solicitar o valor, respeitando a ordem de sucessão prevista no Código Civil. Dependendo da situação, será necessária autorização judicial por alvará ou escritura pública.
A regra também se aplica ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), embora esse benefício não gere pensão por morte. Valores que deveriam ter sido recebidos pelo beneficiário enquanto vivo podem ser destinados aos herdeiros ou sucessores conforme a legislação.
Por fim, sacar indevidamente pagamentos feitos após a morte pode gerar consequências jurídicas. A utilização desses valores pode ser enquadrada como estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, com pena de um a cinco anos de reclusão e multa. Além disso, os valores recebidos indevidamente podem ser cobrados e deverão ser devolvidos com atualização monetária.
por Guilherme Bernardo
BRASÍLIA/DF - O Banco Central identificou que o campo de mensagens nas transações via Pix tem sido usado para propagar ameaças e ofensas entre os usuários e, em conjunto com instituições financeiras, estuda medidas para impedir o uso inadequado da ferramenta.
A novidade consta no relatório de gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10). O documento também traz uma série de ações previstas para melhorar a segurança do sistema de pagamentos instantâneos.
"O BC colocou em pauta a discussão sobre a utilização indevida do campo de descrição das transações. Originalmente concebido para que o pagador registre informações objetivas sobre o pagamento, esse campo tem sido utilizado, em algumas situações, para fins alheios ao propósito original, como veículo para mensagens ofensivas, intimidatórias ou ameaçadoras, frequentemente associadas a transferências de valor irrisório", afirmou.
A autoridade monetária disse ter instituído neste ano um grupo de trabalho no Fórum Pix, que conta com representantes dos participantes da infraestrutura, com o objetivo de discutir "alternativas e encaminhamentos voltados à preservação da integridade do instrumento e da boa experiência dos usuários, sem comprometer as características essenciais do Pix."
"Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens", acrescentou.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o Pix passou a ser usado como meio de comunicação a partir de transferências de baixo valor, especialmente de R$ 0,01. Alguns usuários utilizavam a ferramenta para entrar em contato mais facilmente com o destinatário, enquanto outros faziam transferências para checagens funcionais.
Até então, coibir esse tipo de prática ficava a critério dos prestadores de serviços de pagamento.
Entre as novidades previstas no relatório do BC para a agenda de segurança do Pix, está o desenvolvimento de um "score" que indicará a probabilidade de fraude no sistema de pagamentos. Esse indicador será calculado de forma centralizada pelo BC em tempo real para todas as transações.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a construção desse instrumento usará técnicas de inteligência artificial e de machine learning. A ideia é que esse indicador sirva como subsídio para as instituições financeiras alimentarem os seus sistemas antifraude e decidirem se vão dar ou não prosseguimento a uma operação.
"O desenvolvimento do indicador não implica necessariamente que ele será disponibilizado para as instituições participantes. A disponibilização vai depender da confiança do BC no ajuste do modelo e de avaliação jurídica sobre a possibilidade de compartilhamento desse tipo de informação", disse.
O BC também prevê aprimoramentos no bloqueio cautelar e a ampliação de medidas contra instituições que colocam a segurança do Pix em risco.
No caso do bloqueio cautelar, o regulador prevê a criação de um fluxo direto e automatizado de troca de informações entre as instituições, visando facilitar a análise de cada transação e tornar a detecção de fraudes mais eficiente.
Quanto às ações preventivas, o BC busca apertar as regras e dar mais agilidade à aplicação de sanções. A restrição de cadastro de novas chaves Pix, a proibição de acesso à infraestrutura do sistema de pagamentos, a imposição de limites de valor para transações e a restrição de horários para o envio e o recebimento de transações são algumas das novas medidas cautelares.
O regulador tem como objetivo reforçar a segurança do sistema financeiro após ataques hackers que provocaram desvios milionários de recursos desde o ano passado. O BC, contudo, não cita prazo para a incorporação das ações. No relatório, apenas menciona que algumas estão em desenvolvimento e outras em fase de discussão.
A autoridade monetária diz ainda estar discutindo com o mercado como padronizar a funcionalidade de alerta de golpe, definindo critérios mínimos para a emissão desses avisos aos clientes diante de suspeitas de fraudes no momento da transação via Pix.
O órgão disse ainda ter detectado a necessidade de participar mais ativamente da gestão de chaves Pix, hoje sob responsabilidade exclusiva das instituições financeiras. O plano do BC é atuar no bloqueio e na exclusão de chaves com algum tipo de problema, sejam relacionados a casos de golpes, fraudes e crimes, como estelionatos, sejam relacionados à conformidade entre as informações vinculadas às chaves Pix e às bases de dados da Receita Federal.
Outro avanço trazido pelo BC será o desenvolvimento de uma solução para incluir as instituições que prestam serviço de iniciação de transação de pagamento no MED (mecanismo especial de devolução), ferramenta em que os usuários podem pedir devolução dos recursos transferidos via Pix em casos de fraude, golpe ou coerção.
Essa falta de integração, segundo o órgão, "dificulta o acionamento do mecanismo nas transações em que os iniciadores estejam envolvidos, além de restringir a capacidade de o BC monitorar a ocorrência de fraudes nessas transações."
Em 2025, quando o Pix completou cinco anos de funcionamento, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, movimentando mais de R$ 35 trilhões. De acordo com o BC, 148 milhões de pessoas (cerca de 86% da população adulta brasileira) e 12,8 milhões de empresas fizeram ou receberam pelo menos um Pix. Atualmente, existem mais de 920 milhões de chaves cadastradas, referentes a mais de 162 milhões de pessoas e a mais de 16 milhões de empresas.
por Folhapress
SÃO CARLOS/SP - A Prefeitura de São Carlos divulga, em edição extra do Diário Oficial desta sexta-feira (07/08), a lista de famílias pré-selecionadas pela Caixa Econômica Federal para Empreendimento Residencial Santa Felícia II. Ao todo, são 260 famílias, sendo 200 titulares e 60 suplentes. O residencial, que conta com recursos do governo federal, apresenta investimentos de R$ 42 milhões nas unidades habitacionais.
Segundo o secretário de Habitação Social e Regularização Fundiária, Rodson Magno do Carmo, a publicação marca uma etapa importante do processo, mas ainda não representa a lista definitiva. “É um momento de muita importância. A Prefeitura está divulgando essa pré-lista e ainda terá muito trabalho pela frente", afirmou.
De acordo com o secretário, os nomes selecionados nessa primeira análise, ainda passarão por uma nova verificação antes da confirmação final. “A primeira seleção vai passar mais uma vez pela Caixa Econômica Federal para ver se todas as informações que a pessoa contemplada colocou estão exatas”, explicou.
A existência de uma lista de suplentes, segundo Rodson, serve para se caso houver alguma desclassificação futura, após a segunda análise e entrega de documentos comprobatórios.
O secretário reforçou que o critério de seleção não é definido pela Prefeitura, mas pelo Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal, como órgão que analisa todas as informações, documentação, além do histórico de participação em sorteios habitacionais anteriores. “A Prefeitura não tem autonomia nessa escolha. É a Caixa que determina a classificação dessas pessoas", disse.
Segundo Rodson, as famílias contempladas não precisam procurar a Prefeitura após a divulgação da lista. “Nós vamos entrar em contato com cada pessoa da lista após a devolutiva da Caixa", afirmou. O contato será feito por telefone, e-mail ou WhatsApp e o secretário pediu atenção especial das famílias.
Após o contato, as famílias serão convocadas a comparecerem à Secretaria para entrega de documentos e entrevista com uma equipe de assistentes sociais, antes do envio da documentação à Caixa Econômica Federal.
O secretário reforçou ainda que a lista atual é preliminar. “Essa lista não é a definitiva, é bom deixar isso claro. É uma pré-lista, porque pode acontecer que alguma dessas 260 pessoas não tenha os documentos necessários exigidos pela Caixa. E, se não tiver, vai entrar o suplente no lugar”.
De acordo com Rodson, a distribuição das vagas segue critérios sociais definidos pelo programa Minha Casa, Minha Vida- FAR, famílias beneficiárias do Bolsa Família (50%), moradores de área de risco (20%), classificação geral (21%), pessoas idosas (3%), pessoas com deficiência (3%) e pessoas em situação de rua (3%).
Famílias que discordarem da lista terão direito a solicitar revisão. “Ela pode entrar com uma impugnação, se não concordar com o que está lá. Ela tem um prazo de dez dias úteis para entrar protocolar sua impugnação diretamente na Secretaria de Habitação Social”, explicou o secretário.
Os imóveis terão entre 45 e 46 metros quadrados, com varanda, área de lazer e academia ao ar livre. Segundo Rodson, o térreo será reservado a pessoas com deficiência e idosos, já que os apartamentos nesse pavimento são adaptáveis.
O secretário destacou que a localização do empreendimento segue exigências do governo federal, que estabelece a infraestrutura completa na região.
Segundo Rodson, a gestão municipal, sob orientação do prefeito Netto Donato, já trabalha para adequar a infraestrutura da região, incluindo reforço no abastecimento de água, entre outras ações. A Prefeitura também vai levantar, a partir da lista de selecionados, a demanda por vagas escolares, atendimento no Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) e unidades de saúde.
O secretário adiantou ainda que após a lista final terá início o trabalho social com as famílias selecionadas, preparando-as para a vida em condomínio.
De acordo com o prefeito de São Carlos, Netto Donato, esse é um passo muito importante para garantir moradia digna às famílias de São Carlos. “Além de preparar toda a infraestrutura necessária, nosso governo tem atuado de forma articulada junto aos programas habitacionais para assegurar que novas moradias continuem sendo viabilizadas. Estamos trabalhando para que essas famílias possam iniciar uma nova etapa de suas vidas com segurança, qualidade e esperança”.
Para conferir os nomes pré-selecionados pela Caixa Econômica Federal basta clicar no link abaixo:
https://cidadao.saocarlos.sp.gov.br/servicos/jornal/arquivo/2026/DO03105_2026_assinado.pdf
SÃO PAULO/SP - Em um esforço para acabar com a fila de pedidos antes das eleições, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) aumentou o número de negativas e de concessões de benefícios. Com isso, a fila chegou a 1,55 milhão em julho, e o número de segurados que esperam resposta há mais de 45 dias caiu 80%.
A queda na fila é de 50,5% na comparação com os 3,13 milhões de solicitações em fevereiro, maior volume de 2026.
Dados da Previdência Social mostram ainda que, de janeiro a maio deste ano, a média mensal de benefícios concedidos ficou em 683,8 mil, alta de 72,5% em relação a 2021, quando foram concedidos, em média, 396,3 mil benefícios por mês. No mesmo período, o número de pedidos negados saltou de 401,5 mil para 668,6 mil por mês, aumento de 66,5%.
Neste ano, o total de segurados que aguardam há mais de 45 dias caiu de 1,882 milhão, em janeiro, para 374 mil, em julho, redução de 80,1%. A espera para além de 45 dias contraria o que diz a legislação previdenciária e traz custos aos cofres, porque o instituto é obrigado a pagar pela demora.
Em nota, a Previdência afirma que a redução é resultado de uma série de ações, entre elas o programa de pagamento de bônus a servidores, a contratação de novos peritos médicos, a mudança no Atestmed - sistema que concede auxílio-doença a distância, sem a necessidade de perícia médica - e os mutirões.
O ministério também diz os resultados acerelardos se deram em um momento de baixa no número de servidores. A pasta destaca ainda o crescimento no número de pedidos, que chegou a 13,682 milhões durante todo o ano de 2025 contra 7,55 milhões em 2020, ano em que o Brasil viveu a pandemia de Covid-19 e o total de solicitações de auxílios-doença e pensão por morte cresceu.
"A evolução dos indicadores operacionais ganha destaque quando confrontada com a redução do quadro de pessoal da autarquia na última década. Em dezembro de 2015, a força de trabalho somada do INSS e da perícia médica federal contava com 37,5 mil servidores. Atualmente, a Previdência Social opera com uma estrutura de 22,2 mil servidores ativos - redução de mais de 40%", diz o órgão.
O tempo médio de concessão também caiu, de 108 dias, em 2021, para 50 dias no final de junho. A média de concessões e negativas se manteve estável, em cerca de 50%. Há meses, no entanto, as negativas vêm caindo para 45%, o que significa que, de cada dez pedidos, cinco são negados.
Outro problema é a fila de segurados em cumprimento de exigência. Essa etapa exige a apresentação documentos complementares, o que faz com que o pedido de benefício fique parado.
Em janeiro, havia 812 mil segurados em exigência. O número caiu para 777 mil em julho, redução de 4,13%. Ante o pico em fevereiro deste ano, quando havia 1,144 milhão em exigência, a queda é de 32,08%.
Segundo a advogada Adriane Bramante, da comissão de direito previdenciário da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo), alguns benefícios têm realmente sido analisados de forma mais rápida, como a aposentadoria por idade e dos recursos administrativos contra benefícios negados.
Já os pedidos que dependem de perícia médica continuam enfrentando demora e podem levar mais de seis meses para serem concluídos, conforme a especialista. "O que não pode é querer diminuir a fila sem qualidade nas análises. Nesse caso, a fila só muda de lugar", afirma.
De acordo com Adriane, quando um benefício é negado de forma incorreta, o segurado acaba apresentando recurso ao próprio INSS ou entrando com ação na Justiça, o que apenas transfere o problema em vez de solucioná-lo.
Antes de fazer o pedido, o segurado deve conferir se os dados do Cnis (Cadastro Nacional de Informações Sociais) estão corretos, já que esse é o principal documento usado pelo INSS para analisar o direito ao benefício.
Caso o instituto faça alguma solicitação de exigência durante a análise do processo, a entrega dos documentos pode ser feita pelo aplicativo ou pelo site Meu INSS. O atendimento presencial nas agências ocorre apenas em situações específicas ou quando o próprio órgão solicita a apresentação dos documentos originais para digitalização.
Em março deste ano, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, detalhou à Folha de S.Paulo o que seria feito para acabar com a fila. Dentre as ações estavam o programa de bônus e a contratação de novos peritos.
por Folhapress
SÃO PAULO/SP - Os preços dos carros no Brasil começam a cair após anos de altas acima da inflação. Há vários fatores combinados que explicam o raro fenômeno, entre eles a amortização dos custos de novas tecnologias. Contudo, o principal fator é a aceitação das novas marcas chinesas no mercado brasileiro, impulsionada por valores mais baixos que os da concorrência.
"A estratégia é reduzir preço, aumentar volume, fortalecer a marca e se estabelecer antes da alta dos impostos de importação. A China consegue sustentar isso por escala e verticalização, mas não significa necessariamente lucro alto no Brasil, é uma fase de captura de mercado", diz Theo Paul Santana, especialista em comércio Brasil-China e fundador da empresa de consultoria Destino China.
Esses valores mais baixos vêm associados à percepção de qualidade dos carros e aos sistemas híbridos e elétricos que agradam ao consumidor. Modelos como o GWM Haval H6 (a partir de R$ 199,9 mil) conquistaram segmentos antes dominados pelas marcas tradicionais. Sem ter o que entregar de imediato com a mesma tecnologia, restou mexer na tabela.
De acordo com levantamento feito pela Bright Consulting, a média dos valores públicos dos veículos leves era de R$ 172,5 mil em junho de 2025. Um ano depois, o valor caiu para R$ 170 mil, uma redução de 1,5%. Já o preço efetivamente pago pelos compradores passou de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil, um recuo de 3,5%.
A Mitsubishi reposicionou toda a linha, enquanto a Volkswagen abateu em até R$ 10 mil o valor pedido pelo T-Cross, o SUV mais vendido do país, e também passou a oferecer o hatch Polo com valores promocionais. Na Renault, há descontos para os modelos Boreal e Koleos, que estrearam em meio à onda chinesa.
Não é difícil encontrar promoções em todas as principais marcas, que destacam tais reduções em seus sites. Um levantamento considerando apenas as ofertas oficiais feitas na última semana de julho revelou abatimentos superiores a R$ 20 mil -nesse caso, em um carro de origem chinesa.
O sedã BYD King GL é oferecido por R$ 147.990, um desconto de R$ 25 mil sobre o preço sugerido na tabela. É um exemplo da estratégia que está mudando o mercado nacional, e há semelhanças com o que vem sendo feito pelos portais asiáticos de vendas, como Shopee, Shein e AliExpress.
"Não é coincidência, é o mesmo manual aplicado a um produto mais caro", diz Santana. "Quem olha só o preço acha que a semelhança é vender barato, mas não é. A semelhança está no que permite vender barato: encurtar a cadeia até o fim, tratar o produto como software e usar o mercado externo como válvula de escape para uma capacidade doméstica que não cabe mais na China."
O fundador da Destino China explica que o preço funciona como estratégia de entrada e conquista de mercado.
"No varejo digital, plataformas chinesas usam preços muito agressivos para ganhar escala e participação. No setor automotivo, vemos uma lógica semelhante. As montadoras chegam a faixas de preço que muitas marcas tradicionais têm dificuldade de acompanhar sem comprometer suas próprias linhas. O preço faz parte de uma estratégia mais ampla de ocupação de mercado."
por Folhapress
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