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BRASÍLIA/DF - Os juros altos impediram a queda da Dívida Pública Federal (DPF) em janeiro, mesmo com grande vencimento de papéis prefixados. Segundo números divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 8,635 trilhões em dezembro para R$ 8,641 trilhões no mês passado, alta de 0,07%.

Em agosto do ano passado, o indicador superou pela primeira vez a barreira de R$ 8 trilhões. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado em janeiro, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) avançou 0,26%, passando de R$ 8,309 trilhões em dezembro para R$ 8,33 trilhões em janeiro. No mês passado, o Tesouro resgatou R$ 67,02 bilhões em títulos a mais do que emitiu, principalmente em papéis vinculados à Selic. Esse resgate líquido, no entanto, foi compensado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros.

Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 15% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo.

No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 145,87 bilhões em títulos da DPMFi. No entanto, com o alto volume de vencimentos de títulos prefixados em janeiro, típicos do início de cada trimestre, os resgates somaram R$ 212,89 bilhões.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 4,75%, passando de R$ 326,07 bilhões em dezembro para R$ 310,59 bilhões em janeiro. O principal fator foi o recuo de 4,95% do dólar no mês passado, em meio ao alívio no mercado financeiro no último mês.

Colchão

Pelo segundo mês seguido, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) caiu. Essa reserva passou de R$ 1,187 trilhão em dezembro para R$ 1,085 trilhão no mês passado. O principal motivo, segundo o Tesouro Nacional, foi o resgate líquido (resgates menos emissões) no mês passado.

Atualmente, o colchão cobre 6,77 meses de vencimentos da dívida pública, o menor prazo desde março do ano passado. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,424 trilhão em títulos federais. A expectativa é que as reservas subam nos próximos meses, por causa do baixo volume de vencimentos.

Composição

Com o forte vencimento de títulos prefixados, a composição da DPF variou da seguinte forma de dezembro para janeiro:

  •      Títulos vinculados a Selic: 48,25% para 49,42%;
  •      Títulos corrigidos pela inflação: 25,93% para 26,35%;
  •      Títulos prefixados: 22,05% para 20,65%;
  •      Títulos vinculados ao câmbio: 3,76% para 3,58%.

O PAF prevê que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos

  •      Títulos vinculados a Selic: 46% a 50%;
  •      Títulos corrigidos pela inflação: 23% a 27%;
  •      Títulos prefixados: 21% a 25%;
  •      Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%.

Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeria a administração da dívida do governo.

Em relação aos papéis vinculados à Selic, esses títulos estão atraindo o interesse dos compradores por causa dos altos níveis dos juros básicos da economia. A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa.

Prazo

O prazo médio da DPF oscilou de 4 para 4,03 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses. Esse é o intervalo médio em que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos.

Detentores

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna ficou a seguinte:

  •      Instituições financeiras: 31,92% do estoque;
  •      Fundos de pensão: 22,66%;
  •      Fundos de investimentos: 21,36%;
  •      Não-residentes (estrangeiros): 10,69%;
  •      Demais grupos: 13,4%.

Em meio à diminuição das tensões no mercado financeiro em janeiro, a participação dos não residentes (estrangeiros) subiu em relação a dezembro, quando estava em 10,35%. Em novembro de 2024, o percentual estava em 11,2% e tinha atingido o maior nível desde setembro de 2018, quando a fatia dos estrangeiros na dívida pública também estava em 11,2%.

Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros. Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic (juros básicos da economia), a inflação, o dólar ou ser prefixada (definida com antecedência).

 

 

AGÊNCIA BRASIL

ARGENTINA - O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina confirmou a detecção de um novo surto de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) subtipo H5 em aves de produção comercial na localidade de Ranchos, província de Buenos Aires. O diagnóstico, validado pelo Laboratório Oficial em Martínez, ocorreu após a notificação de sinais clínicos compatíveis com a doença e elevada mortandade em um estabelecimento de linhagem genética de reprodutores.

Em resposta à detecção, o organismo sanitário ativou seu plano de contingência, estabelecendo a interdição imediata da granja e a criação de uma zona de controle sanitário de 3 km, além de uma área de vigilância de 7 km para monitoramento e rastreamento epidemiológico. Agentes oficiais supervisionarão o despovoamento e o abate sanitário das aves, seguidos pela desinfecção rigorosa do local para contenção do vírus.

A nova ocorrência interrompe um período de estabilidade para o setor, considerando que a Argentina havia se autodeclarado livre da doença perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em outubro de 2025, após o encerramento de um surto anterior registrado em Los Toldos. O registro do novo caso ocorre em um momento estratégico, semanas após o anúncio de que a União Europeia autorizaria a retomada das importações de carne de aves argentina a partir de 1º de março de 2026, após o país recuperar seu status sanitário.

Em virtude do novo foco, o Senasa informará oficialmente a OMSA e suspenderá temporariamente as exportações para países com os quais mantém acordos como nação livre da enfermidade. Entretanto, o país poderá continuar comercializando com mercados que reconhecem a estratégia de zoneamento e compartimentos livres de IAAP. O consumo interno não será prejudicado, pois a gripe aviária não é transmitida pela ingestão de carne de aves ou ovos. Caso não surjam novos surtos, a Argentina poderá pleitear novamente a condição de país livre 28 dias após a conclusão das tarefas de sacrifício e limpeza.

 

 

por Estadao Conteudo

Evento apoiado pelo Sebrae-SP reuniu lideranças, empreendedores e comunidade, reforçando o papel dos pequenos negócios no desenvolvimento de São Carlos

 

SÃO CARLOS/SP - A edição do Agenda São Carlos 2026 reuniu empreendedores, lideranças públicas, representantes da iniciativa privada e moradores da Cidade Aracy, na última semana, para debater economia local, pequenos negócios e impacto social. O evento, realizado pelo Grupo EP, foi gratuito, teve apoio do Sebrae-SP e da Prefeitura de São Carlos e contou com transmissão ao vivo pelo portal G1, ampliando o alcance das discussões para toda a região.

O fórum reforçou o papel do diálogo entre sociedade civil, poder público e setor produtivo como instrumento para o desenvolvimento econômico sustentável do município. A escolha da Cidade Aracy como sede desta edição aproximou o debate da realidade de quem empreende ou busca oportunidades de geração de renda, valorizando o território e suas iniciativas locais.

Empreendedorismo, território e diálogo com a comunidade
Um dos destaques da programação foi a palestra do empreendedor Rick Chesther, que compartilhou sua trajetória de superação e reforçou a importância da iniciativa, da perseverança e do acesso ao conhecimento como caminhos para o empreendedorismo. Além da palestra, o evento contou com um bate-papo aberto entre o prefeito de São Carlos, Netto Donato, e o diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholi. Durante o diálogo, eles responderam perguntas do público sobre empreendedorismo, acesso a cursos, ações do Sebrae-SP e parcerias com a prefeitura, fortalecendo a troca direta com a comunidade e esclarecendo caminhos para quem deseja empreender ou qualificar seus negócios.

Para quem participou pela primeira vez, a programação superou expectativas. Evandro da Silva, mecânico de automóveis, contou que se inscreveu sem saber exatamente o que encontraria. “Eu vim em busca de uma oportunidade e fiquei surpreso positivamente. O evento foi muito organizado e a palestra me fortaleceu ainda mais para continuar buscando meus objetivos. Com certeza, quando a oportunidade aparecer, vou tentar empreender”, afirmou.

Já Patrícia Oliveira, empreendedora do setor de telecomunicações e parceira investidora da franquia da Algar Telecom em São Carlos, destacou a conexão do encontro com o desenvolvimento social da região. “A gente conhece a comunidade da Cidade Aracy e participar de um evento que discute desenvolvimento social e economia local é muito importante. A história do Rick Chesther inspira porque mostra alguém que sempre levou o trabalho a sério e encarou a vida de frente. Essa é uma lição que fica”, disse.

O evento também atraiu empreendedores do setor de inovação. Euler Gomes, fundador de uma startup de tecnologia, avaliou que o fórum reforçou a importância da perseverança. “Nada acontece por sorte, é luta e constância. Saio daqui mais confiante, com esperança e com a certeza de que é possível conquistar nossos sonhos por meio do empreendedorismo”, comentou.

Para o prefeito de São Carlos, Netto Donato, o encontro simboliza o fortalecimento das parcerias institucionais no município. “São Carlos é uma cidade empreendedora e essa condição só existe graças à parceria entre a prefeitura e o Sebrae-SP. Trazer o Agenda São Carlos para dentro da Cidade Aracy mostra nosso compromisso de estar cada vez mais próximos da comunidade”, afirmou.

Na avaliação do diretor de novos negócios do Grupo EP, André Otaviano, o formato desta edição ampliou o impacto do projeto. “Realizar o evento dentro do bairro, em uma edição noturna, proporcionou uma troca muito rica entre as pessoas. O conteúdo apresentado pelo Sebrae-SP, pela prefeitura e pelo palestrante reforça a relevância do Agenda São Carlos para o desenvolvimento local”, destacou.

O diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholi, ressaltou o papel do fórum como espaço estratégico para discutir os rumos da cidade e da região. “O Agenda tem sido um grande propulsor do desenvolvimento de São Carlos e de toda a região. Aqui estão os empreendedores, as novas ideias e a discussão sobre os próximos passos. O Sebrae-SP participa com muito gosto porque esse debate é essencial para fortalecer a vocação empreendedora do município”, afirmou.

Durante o evento, Rick Chesther também destacou a importância do Sebrae-SP em sua trajetória. “Eu sou fruto do Sebrae-SP. Tudo o que aprendi como aluno teve impacto direto na história que levo hoje pelo Brasil. Empreender de verdade passa pelo conhecimento, e o Sebrae-SP é uma sala de aula disponível para quem quer se qualificar e crescer”, ressaltou o palestrante.

Para a gerente regional do Sebrae-SP Ariane Canellas, a realização do Agenda São Carlos na Cidade Aracy reforça o compromisso da instituição com o desenvolvimento econômico e social do município a partir dos territórios. “Levar o evento para a Cidade Aracy é estratégico, pois evidencia o potencial empreendedor local e a importância de oferecer oportunidades, informação e apoio qualificado onde os pequenos negócios estão. Tivemos uma participação muito ativa dos empresários da região, com perguntas e demandas concretas sobre empreendedorismo, gestão e crescimento. Esse diálogo direto é fundamental para que o Sebrae-SP continue ofertando soluções cada vez mais alinhadas à realidade local, apoiando a geração de renda, emprego e o fortalecimento da economia”, destacou.

Ao promover um espaço de escuta, troca de experiências e construção coletiva, o evento reafirmou seu papel como fórum estratégico para o desenvolvimento de São Carlos. A iniciativa reforça o compromisso do Sebrae-SP com o fortalecimento dos pequenos negócios, a geração de oportunidades e a valorização dos territórios, conectando empreendedorismo, conhecimento e impacto social no município.

SÃO PAULO/SP - O estado de São Paulo registrou a menor taxa anual de desemprego em 13 anos em 2025: 5%. Trata-se da menor taxa de desocupação da série histórica, iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2012. Os dados foram disponibilizados pelo IBGE e divulgados pela Fundação Seade.

O levantamento mostra ainda que o desemprego paulista foi menor que a média nacional, que ficou em 5,6% no ano passado, e que da região Sudeste (5,3%).

Assim, a taxa de desemprego em SP caiu 1,2 ponto percentual de 2024 para 2025, 2,5 pontos percentuais entre 2023 e 2025 e 4,1 pontos percentuais de 2022 para 2025.

“Temos alcançado resultados de impacto para o trabalhador paulista graças ao compromisso de modernização da máquina pública que estabelecemos desde o dia 1 de governo. É um ciclo muito bem-sucedido: criamos um ambiente de negócios confiável, que reflete na geração de postos de trabalho que, por sua vez, transforma vidas de famílias inteiras. O aumento de vagas formais, que trazem mais segurança ao trabalhador, também é motivo de celebração”, diz o governador Tarcísio de Freitas.

Além disso, enquanto a população ocupada com carteira assinada subiu 5,2% de 2024 para 2025, a sem carteira assinada caiu 8,7%.

Veja as taxas de desemprego ano a ano no estado de São Paulo:

  • 2025: 5%
  • 2024: 6,2%
  • 2023: 7,5%
  • 2022: 9,1%
  • 2021: 14,4%
  • 2020: 14,0%
  • 2019: 12,4%
  • 2018: 13,2%
  • 2017: 13,5%
  • 2016: 12,4%
  • 2015: 10,1%
  • 2014: 7,4%
  • 2013: 7,5%
  • 2012: 7,2%

Já a taxa anual de informalidade foi de 29% da população ocupada em São Paulo, a terceira menor entre os estados e também abaixo do índice nacional de 38,1% e da região Sudeste de 33%.

Em relação ao rendimento médio real habitual, enquanto no Brasil foi de R$ 3.560 em 2025, no estado de São Paulo ficou em R$ 4.190.

O rendimento de São Paulo é maior que a média do Sudeste (R$ 3.958) e que dos estados que compõem a região: Rio de Janeiro (R$ 4.177), Espírito Santo (R$ 3.497) e Minas Gerais (R$ 3.350).

Os dados estão dentro das diretrizes do programa São Paulo na Direção Certa, que apontam o caminho a ser seguido para tornar o Estado mais eficiente, com maior capacidade de atração de investimentos e geração de oportunidades.

Quarto trimestre

No quarto trimestre de 2025 (de outubro a dezembro), o estado de São Paulo registrou taxa de desemprego de 4,7%, também a menor da série histórica do IBGE iniciada em 2012. Além disso, o indicador do estado foi mais positivo que a taxa de desemprego nacional (5,1%) e que da região Sudeste (4,8%).

O total de pessoas ocupadas com carteira assinada no setor privado em São Paulo foi o maior entre todas as unidades da Federação: 11,593 milhões de pessoas – alta de 2,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. No país, o total ficou em 39,409 milhões. Assim, o estado responde por 30% do total de trabalhadores com carteira assinada no país.

O percentual de empregados com carteira assinada foi de 82,2% dos trabalhadores do setor privado no estado, segundo maior do país. No Brasil, o índice geral ficou em 74,4%.

O total de pessoas ocupadas (incluindo trabalhadores do setor privado e público com e sem carteira assinada, domésticos, informais e por conta própria com CNPJ) era de 24,576 milhões no estado – alta de 1,1% em relação ao trimestre anterior e 1,3% ante o mesmo trimestre do ano passado. Foi o maior número em toda a série histórica desde 2012. No país, eram 102,998 milhões.

Já o número de desocupados na força de trabalho era de 1,212 milhão – queda de 9,3% ante o trimestre anterior e de 20,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Foi o menor número em todos os trimestres desde o início da pesquisa, em 2012.

Enquanto a taxa de informalidade para o Brasil foi de 37,6% da população ocupada, São Paulo teve a terceira menor taxa entre os demais estados (29,7%).

Já o rendimento médio em São Paulo ficou em R$ 4.324, maior que da região Sudeste (R$ 4.033) e da média do país (R$ 3.613). Além disso, o estado teve o maior rendimento entre os demais da região: Rio de Janeiro (R$ 4.183), Espírito Santo (R$ 3.508) e Minas Gerais (R$ 3.353).

Veja as taxas de desemprego registradas trimestre a trimestre desde o início da pesquisa do IBGE:

2025
1º tri: 6,3%
2º tri: 5,1%
3º tri: 5,2%
4º tri: 4,7%
2024
1º tri: 7,4%
2º tri: 6,4%
3º tri: 6,1%
4º tri: 5,9%
2023
1º tri: 8,5%
2º tri: 7,8%
3º tri: 7,2%
4º tri: 6,9%
2022
2º tri: 9,2%
3º tri: 8,7%
4º tri: 7,7%
2020 (pandemia afetou pesquisa)
1º tri: 12,3%
2019
1º tri: 13,6%
2º tri: 12,9%
3º tri: 12,2%
4º tri: 11,6%
2018
1º tri: 14,1%
2º tri: 13,8%
3º tri: 13,3%
4º tri: 12,6%
2017
1º tri: 14,4%
2º tri: 13,6%
3º tri: 13,3%
4º tri: 12,8%
2016
1º tri: 12,2%
2º tri: 12,3%
3º tri: 12,9%
4º tri: 12,5%
2015
1º tri: 8,6%
2º tri: 9,2%
3º tri: 9,8%
4º tri: 10,2%
2014
1º tri: 7,3%
2º tri: 7,1%
3º tri: 7,3%
4º tri: 7,2%
2013
1º tri: 7,8%
2º tri: 7,5%
3º tri: 7,4%
4º tri: 6,6%
2012
1º tri: 7,8%
2º tri: 7,5%
3º tri: 7%
4º tri: 6,8%

Trampolim e PATs

O Governo de São Paulo conta com mais de 200 unidades dos Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) espalhadas por todo o estado para auxiliar quem está em busca de emprego. Os trabalhadores de São Paulo contam ainda com o Trampolim, plataforma que reúne vagas de emprego e cursos de qualificação.

plataforma Trampolim reúne vagas de emprego e cursos de qualificação em um só lugar. Por lá, o candidato pode aplicar filtros para vagas de acordo com a área e com a localização de sua preferência. Além disso, também encontra cursos de qualificação para conseguir concorrer às melhores vagas.

O Trampolim é uma plataforma digital gratuita. Além de apresentar uma curadoria de vagas de emprego e cursos, ela também oferece testes de habilidades e uma ferramenta para criação de currículo profissional.

Há também uma seção dedicada exclusivamente para o público idoso que busca recolocação profissional. Por lá, o público 60+ consegue acessar microcrédito e cursos de qualificação profissional.

Já os Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) realizam a intermediação de mão de obra e concentram serviços gratuitos à população, destinados à geração de emprego e renda. O objetivo é promover a recolocação do trabalhador no mercado de trabalho por meio de buscas junto ao Sistema Nacional de Emprego (SINE). Assim, o equipamento reduz os custos e o tempo de espera tanto para o trabalhador quanto para o empregador.

Além disso, nos PATs, o cidadão também encontra o serviço de habilitação ao seguro-desemprego. Assim, o trabalhador desempregado tem acesso a assistência financeira temporária em virtude da dispensa sem justa causa.

Para atendimento nas unidades, deve-se comparecer diretamente ao Posto mais próximo com RG, CPF e Carteira de Trabalho. Os endereços estão disponíveis neste link.

BRASÍLIA/DF - A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - referência oficial da inflação no país - passou de 3,95% para 3,91% em 2026. A estimativa está no boletim Focus desta segunda-feira (23), pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2027, a projeção da inflação se manteve em 3,8%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,5% para os dois anos.

Pela sétima semana seguida, a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida e se mantém dentro do intervalo da meta para a variação de preços que deve ser perseguida pelo BC.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Luz e gasolina

Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fez a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado levou o IPCA a acumular alta de 4,44% em 2025.

Taxa Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Taxa Selic), definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não mexeu nos juros pela quinta vez seguida na última reunião, no fim de janeiro.

A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos.

A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi reduzida nesta edição do Boletim Focus - de 12,25% ao ano para 12,13% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

Juros

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 1,8% para 1,82%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Puxada pelas expansões da indústria e da agropecuária, no terceiro trimestre de 2025 a economia brasileira cresceu 0,1%, o que é considerado pelo IBGE como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada para 3 de março.

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,45 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

SÃO CARLOS/SP - A Prefeitura de São Carlos lançará o Programa Municipal de Incentivo Fiscal para Desenvolvimento Econômico, que prevê a redução da alíquota do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) para empresas de setores estratégicos, com o objetivo de atrair investimentos, estimular a geração de empregos qualificados e fortalecer a base econômica local. O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal e foi sancionada nesta quinta-feira (12/02) pelo prefeito Netto Donato, e estabelece contrapartidas para que os benefícios sejam concedidos, incluindo metas de faturamento, criação de postos de trabalho e adoção de medidas de sustentabilidade ambiental.

A iniciativa foi apresentada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, que destacou a vocação de São Carlos como polo nacional de conhecimento e ressaltou a necessidade de instrumentos legais permanentes e seguros para competir com outros municípios que já adotam políticas estruturadas de desenvolvimento. A secretária Paula Knoff afirmou: “O programa foi desenhado para estimular setores estratégicos, startups e empresas de base tecnológica. Queremos consolidar São Carlos como polo de inovação, atraindo empreendimentos que tragam benefícios adicionais e valor agregado para a cidade”.

O Estudo de Impacto Orçamentário-Financeiro elaborado pela Secretaria Municipal de Fazenda mostra que a renúncia de receita será moderada e totalmente compensada por medidas já implementadas. A majoração da alíquota de serviços de consultoria, de 2% para 3%, trouxe uma receita nova de R$ 34,6 milhões, enquanto a renúncia máxima projetada pelo programa é de R$ 672 mil no terceiro ano. O estudo ressalta que o cálculo é conservador e tende a superestimar o impacto negativo, já que parte da renúncia será compensada pelo crescimento econômico gerado pelas empresas incentivadas. O secretário de Fazenda, Leonardo Orlando, enfatizou: “O estudo mostra que a renúncia é pequena frente ao incremento de receita já obtido. Além disso, o programa exige contrapartidas claras e será acompanhado com transparência. Isso garante segurança jurídica e equilíbrio fiscal”, declarou.

O projeto de lei estabelece que a redução da alíquota do ISSQN pode chegar ao mínimo de 2%, por até cinco anos, dependendo do cumprimento das metas. Empresas novas, com até 24 meses de constituição, terão critérios diferenciados, baseados em investimento inicial e geração de empregos. Pelo menos metade dos postos de trabalho criados devem exigir escolaridade técnica ou superior, reforçando o foco em qualificação. Além disso, cada empresa beneficiada deverá adotar pelo menos duas medidas sustentáveis, como instalação de sistemas fotovoltaicos, reuso de água, gestão de resíduos sólidos ou telhados verdes.

A secretária Paula Knoff destacou que o programa foi estruturado em conformidade com a Constituição Federal e com a Lei de Responsabilidade Fiscal, além de estar alinhado à política municipal de desenvolvimento econômico. O texto também ressalta que a proposta foi concebida de forma compatível com a transição do sistema tributário nacional instituído pela Emenda Constitucional nº 132 de 2023, prevenindo expectativas incompatíveis com a futura extinção do ISS e assegurando segurança jurídica ao município.

O prefeito Netto Donato reforçou que o programa é uma política de Estado voltada ao desenvolvimento econômico sustentável. “Estamos criando um ambiente favorável para que São Carlos continue sendo reconhecida como a Capital da Tecnologia. O programa atrai investimentos, gera empregos qualificados e fortalece nosso ecossistema de inovação, sem comprometer as contas públicas”, afirmou.

A adesão ao programa será gradual, com previsão de 35 empresas no primeiro ano, 56 no segundo e 84 no terceiro. A Prefeitura publicará anualmente a lista de beneficiários, os valores de renúncia e os resultados obtidos, permitindo acompanhamento pela sociedade. “Com isso, São Carlos busca consolidar sua imagem como referência nacional em desenvolvimento econômico, aliando responsabilidade fiscal, sustentabilidade e valorização de sua vocação inovadora”, informou o prefeito Netto Donato.

BRASÍLIA/DF - O número de veículos financiados no Brasil cresceu em janeiro, atingindo a marca de 616 mil unidades comercializadas, entre automóveis leves, motos e veículos pesados. Os dados são do levantamento da Trillia, nova linha de negócios de dados da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Foi o maior volume registrado para um mês de janeiro desde 2008 e representou alta de 9,2% na comparação com o mesmo período de 2025.

Entre o total de veículos financiados, o destaque ficou para os seminovos, que tiveram crescimento de 8,8% no período, somando 412 mil unidades. Já os modelos novos somaram 204 mil financiamentos, valor 10,1% superior a janeiro de 2025.

Veículos pesados

Considerando-se apenas o financiamento de automóveis leves, o crescimento foi de 8,7% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas financiadas de motos subiram 21,9%.

No entanto, houve queda em relação aos veículos pesados. Nesse caso, as vendas por financiamentos apresentaram queda de 3,2%, puxado pela queda de 25,1% dos modelos zero quilômetro, apesar do avanço de 10,9% nos veículos usados.

Preços

Os preços dos veículos – tanto os novos quanto os usados - ficaram estáveis em janeiro, na comparação com dezembro de 2025. Em relação aos usados, houve uma queda média de 0,30% nos preços dos veículos. Entre os veículos novos a variação média também foi pequena, com queda de 0,30% na comparação com dezembro do ano passado. 

Segundo a B3, a redução dos preços dos veículos novos perdeu força em janeiro, o que mostra um início de ano mais estável para o setor.

 

 

AGÊNCIA BRASIL

RÚSSIA - Novos relatórios de especialistas ocidentais reacenderam o debate sobre a real situação econômica da Rússia. Parte dos analistas afirma que o país estaria próximo de um colapso financeiro, pressionado por sanções internacionais, inflação persistente, dificuldades no acesso a crédito externo e suspeitas de manipulação de dados oficiais pelo Kremlin. Outros, no entanto, avaliam que as previsões mais alarmistas ainda não encontram respaldo definitivo nos indicadores disponíveis.

Em 2025, o conflito iniciado com a invasão da Ucrânia completou três anos, mantendo elevados os gastos militares de Moscou e ampliando o isolamento do país em relação a economias ocidentais. Paralelamente, o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos trouxe novas incertezas ao cenário geopolítico, especialmente quanto ao nível de apoio americano a Kiev e aos rumos diplomáticos do conflito.

Apesar das restrições impostas por Estados Unidos e União Europeia, a economia russa demonstrou capacidade de adaptação. As exportações de petróleo e gás natural continuam sendo o principal pilar de sustentação das receitas públicas, redirecionadas em grande parte para mercados asiáticos. Essa reconfiguração comercial tem permitido ao governo manter financiamento significativo para o esforço de guerra e programas internos.

Por outro lado, economistas apontam fragilidades estruturais. A inflação elevada corrói o poder de compra da população, o mercado de trabalho enfrenta escassez de mão de obra qualificada — agravada pela mobilização militar e pela saída de profissionais do país — e o setor produtivo depende cada vez mais de gastos estatais. Há também questionamentos sobre a transparência dos dados macroeconômicos divulgados oficialmente.

O historiador e economista Adam Tooze tem destacado que o debate tende a oscilar entre dois extremos: de um lado, previsões de implosão iminente; de outro, a narrativa de uma economia praticamente imune às sanções. Segundo ele, a realidade parece mais complexa. A Rússia não demonstra sinais imediatos de colapso sistêmico, mas opera sob um modelo de guerra que exige forte intervenção estatal e pode comprometer o crescimento de longo prazo.

A questão central permanece em aberto: a resiliência observada até agora é sustentável nos próximos anos ou mascara desequilíbrios que podem se tornar mais evidentes à medida que o conflito se prolonga? Para especialistas, a resposta dependerá tanto da evolução do cenário militar quanto da capacidade do país de manter receitas energéticas e estabilidade interna diante de pressões externas crescentes.

SÃO PAULO/SP - A ideia de que o Brasil é um país cheio de feriados atravessa gerações, é piada recorrente nas redes sociais e costuma reaparecer sempre que um descanso prolongado se aproxima. Mas até que ponto essa percepção corresponde aos fatos? Quando se olha para os dados e para a legislação, a resposta é menos simples — e bem mais interessante — do que parece à primeira vista.

Se a comparação for feita apenas com base no número de feriados nacionais, o Brasil está longe de ser um ponto fora da curva. “Se compararmos a quantidade de feriados nacionais com a de outros países, isso é um mito”, afirma a advogada Milian Loureiro, especialista em Direito Trabalhista. De acordo com a advogada, se pusermos o calendário brasileiro ao lado dos de outras nações, concluiremos que a ideia de excesso de dias de descanso é uma falácia, uma falsa impressão.

O calendário oficial do governo federal para 2026, por exemplo, lista dez feriados nacionais. Esse patamar é semelhante ao de países como Canadá, França, Itália e Suécia, que também têm cerca de 11 feriados nacionais. Os Estados Unidos contam com 10. A Alemanha varia entre 10 e 13, dependendo do estado. Em outros países, o número é ainda maior: Portugal, Romênia, Eslováquia e Suíça chegam a 15; Japão tem 16; Áustria, 18; e Índia soma mais de 40 feriados, considerando sua complexa organização religiosa e regional. Na América Latina, a Colômbia lidera, com 18 dias de descanso remunerado por lei, seguida por Argentina e Chile, com 15 cada. O México, em contraste, tem apenas 7.

Por esse critério, portanto, dizer que o Brasil tem feriado demais é um mito. O que ajuda a explicar, então, a sensação generalizada de feriados demais?

Organizando a agenda

A resposta está menos no número de feriados nacionais e mais na forma como o calendário brasileiro é organizado na prática. Além das datas definidas em âmbito federal, há os feriados estaduais — como as chamadas datas magnas —, os municipais, frequentemente ligados ao aniversário da cidade ou ao padroeiro local, e ainda o uso recorrente de pontos facultativos, sobretudo na administração pública.

O advogado Alessandro Vietri, especialista em Direito Civil e Trabalhista, ressalta que considerar se os feriados no Brasil são muitos ou poucos depende do critério usado na avaliação. “Existe uma combinação [feriados nacionais, estaduais, municipais e pontos facultativos] que aumenta essa percepção”, pondera.

Segundo o jurista Ivandick Cruzelles Rodrigues, professor de Direito do Trabalho e Seguridade Social na Universidade Presbiteriana Mackenzie, a ideia de excesso de feriados “é mais sensação social do que fato jurídico”. Afinal, a conta depende de como se observa o calendário. “Se eu olhar só para feriados nacionais, o Brasil tem um conjunto relativamente estável”, reforça.

As diversas modalidades de pausas somam-se à prática informal das chamadas emendas, que alongam o descanso de muita gente quando o feriado cai numa terça ou quinta-feira. O resultado é uma alteração significativa das rotinas urbana e econômica, especialmente nas capitais, o que reforça a impressão de um calendário excessivamente generoso.

À luz do Direito

Do ponto de vista jurídico, feriado é coisa séria. Trata-se de uma data definida por lei — federal, estadual ou municipal — destinada ao descanso do trabalhador, por motivo civil ou religioso.

A legislação brasileira trata do tema principalmente na Lei 605, de 1949, que regula o repouso semanal remunerado e os feriados, além de normas específicas, como a Lei 662, que lista os feriados nacionais, e a Lei 9.093, que autoriza Estados e municípios a instituírem feriados próprios dentro de certos limites.

O efeito trabalhista é direto: se o empregado não trabalha no feriado, o dia é remunerado normalmente. Se trabalha, tem direito, como regra, a uma folga compensatória. Na ausência dessa compensação, a jurisprudência consolidada da Justiça do Trabalho garante o pagamento em dobro pelo dia trabalhado. Esse regime, no entanto, comporta ajustes por meio de acordos e convenções coletivas, que podem organizar escalas, bancos de horas e formas específicas de compensação, mas não eliminam o feriado em si.

Há exceções importantes. Atividades consideradas essenciais ou que funcionem por necessidade social — como saúde, transporte, segurança, comércio e alimentação — podem operar em feriados, desde que respeitem as regras legais, administrativas e coletivas aplicáveis. No comércio, em particular, o trabalho nos feriados costuma depender de autorização expressa em convenção coletiva e do cumprimento da legislação municipal.

A definição do que é ou não feriado segue uma lógica federativa. Cabe à União instituir feriados nacionais; aos Estados, fixar uma data magna; e aos municípios, criar feriados locais, inclusive religiosos, conforme a tradição da comunidade — limitados, em regra, a até quatro por cidade. Um exemplo recente é o dia 20 de novembro, declarado feriado nacional em 2023, em homenagem à Consciência Negra.

Nem toda folga é feriado

É nesse contexto que surgem confusões comuns, em especial entre feriado e ponto facultativo. Apesar de frequentemente tratados como sinônimos no discurso cotidiano, são institutos distintos. O feriado, previsto em lei, gera efeitos trabalhistas automáticos. Ponto facultativo é outra coisa. “Em geral, é um ato administrativo, muito comum no serviço público, em que o órgão dispensa o expediente”, ensina Vetri. Na iniciativa privada, cada caso é um caso. Empresas podem aderir, ignorar ou negociar essas datas, conforme políticas internas ou instrumentos coletivos.

A emenda de feriado tampouco existe como categoria jurídica autônoma. Trata-se de uma prática organizacional: o empregador, ou o Poder Público, decide conceder folga em um dia útil entre o feriado e o fim de semana — seja por liberalidade, seja mediante compensação de jornada ou previsão em norma coletiva.

Poucos temas ilustram tão bem essa confusão quanto o carnaval. Apesar da enorme relevância cultural, o evento não é feriado nacional. O próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já esclareceu isso oficialmente. O que existe, na maior parte do País, é ponto facultativo, especialmente na segunda e na terça-feira, além de acordos coletivos e políticas internas que liberam ou compensam o dia. “O que significa, na prática, que a liberação do trabalho nessa data depende da decisão de cada empregador ou órgão público”, pontua Loureiro.

Há exceções. Estados e municípios podem transformar dias de carnaval em feriado local, como ocorre no Rio de Janeiro, onde a terça-feira é feriado estadual por lei.

Em empresas que atuam em mais de um Estado ou município, outra dúvida frequente é sobre quais feriados devem ser considerados. A regra predominante no Direito do Trabalho é clara: valem os feriados do local da prestação dos serviços. Assim, um empregado que trabalhe numa cidade do Estado do Rio de Janeiro faz jus aos feriados nacionais, aos estaduais e aos municipais, ainda que a empresa tenha sede num município de outro Estado. No trabalho remoto, o mais seguro é vincular o calendário ao local de lotação contratual ou domicílio habitual do trabalhador.

Na prática, os maiores problemas surgem quando um ponto facultativo é tratado como se fosse feriado, ou quando se ignora um feriado local. Para evitar passivos trabalhistas, especialistas recomendam que as empresas mantenham calendários atualizados por localidade; diferenciem claramente feriado, ponto facultativo e folga compensada; e analisem com atenção as normas coletivas da categoria.

“Pontos facultativos são datas importantes, mas não estão inseridos no calendário oficial de feriados nacionais”, pontua Loureiro. “Isto é, são datas marcantes por algum motivo, mas não têm um grau de feriado. É o caso do Dia do Professor, quando apenas instituições de ensino ou relacionadas à educação não funcionam”, completa.

No fim das contas, o Brasil não tem, propriamente, feriado demais. O que existe é um mosaico complexo de datas, competências legais e práticas administrativas que moldam a experiência cotidiana do descanso. A sensação de excesso nasce menos da lei e mais da soma — nem sempre bem compreendida — de feriados, pontos facultativos e emendas que fazem parte da vida brasileira.

 

 

FECOMERCIO SP

Ivo Dall’Acqua Júnior* 

O alcance da discussão atual sobre alterações na escala 6x1 é um sinal positivo. Primeiro, porque melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras é louvável e legítimo. Todos queremos conviver em uma conjuntura de empregos estáveis, geração de renda e condições de trabalho dignas. 

Segundo, porque esse debate permite à sociedade olhar com profundidade para a realidade econômica do País e constatar como ela vem sendo marcada, entre outras coisas, por uma produtividade estagnada. Terceiro porque reforça o papel das negociações coletivas como instrumentos exitosos de ajustes das dinâmicas de trabalho.  

Logo, propostas que desconsiderem essas condições reais da economia e do setor produtivo, assim como a relevância das negociações, podem gerar efeitos justamente opostos aos pretendidos: menos qualidade de vida aos trabalhadores e, em paralelo, impactos profundos no desempenho do País. 

No cotidiano de hoje, setores vitais da economia, como o Comércio, os Serviços e o Turismo, funcionam de forma contínua — atendendo consumidores durante fins de semana e feriados — e são, sobretudo, formados por Micro e Pequenas Empresas (MPEs). Elas dão a tônica da nossa atividade econômica, porque representam 98% dos negócios e geram cerca de 70% das vagas formais a cada ano. 

Uma redução abrupta da jornada de trabalho, como propõe a medida em debate, elevaria o valor da hora trabalhada no Brasil em 22%. Se para as empresas de grande porte essa adaptação já seria complexa, para essas MPEs, o efeito seria severo: a maioria delas opera com margens apertadas, por causa dos tributos altos e das incertezas econômicas que elas absorvem.  

Com custos ainda maiores, essas empresas reduziriam contratações ou teriam que rever seus quadros, o que resultaria na eliminação de pelo menos 1,2 milhão de vagas formais apenas no primeiro ano de vigência da lei. Seria péssimo para um mercado de trabalho que, embora tenha mantido a vitalidade da economia brasileira nos últimos anos, vem perdendo força desde 2024. Ao mesmo tempo, parte dessa mão de obra migraria para a informalidade – o oposto do que os trabalhadores, trabalhadoras e empregadores desejam. 

Além disso, se o custo da operação subir e a produtividade permanecer igual, parte dessa pressão acabará chegando ao consumidor. Em um cenário no qual a maioria das famílias está endividada, a alta nos preços reduziria o poder de compra e afetaria o próprio nível de emprego. Em outras palavras, a proposta vai gerar inflação e reduzir postos formais de trabalho.  

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A experiência internacional mostra que reduções de jornada bem-sucedidas, sobretudo nos países desenvolvidos, ocorreram de forma gradual. Elas foram acompanhadas por ganhos de produtividade, investimentos em tecnologia e qualificação profissional. Hoje, nossa produtividade por hora trabalhada (cerca de US$ 21) permanece distante dessas economias (nos Estados Unidos, é de mais de US$ 90). Em outras palavras, é preciso cautela para não inverter a ordem natural do processo.  

O empresariado não traz esses dados com ânimo, é importante dizer. Seria bom para o País que a produtividade fosse maior e, por consequência, que os trabalhadores tivessem jornadas menores. Contudo, todos devemos encarar a realidade.  

Ademais, embora a jornada legal seja de 44 horas semanais, a média efetivamente praticada, fruto de negociações entre empresas e trabalhadores, é próxima de 39 horas (a norte-americana é de 38 horas). Quando há espaço para o diálogo, ajustes acontecem de forma equilibrada, preservando empregos e competitividade. 

Nesse debate tão relevante para o Brasil, o caminho mais seguro é o da convergência. Empresas e empregados dependem uns dos outros para crescer. Mudanças graduais, construídas com harmonia e apoiadas por políticas que estimulem eficiência e a distribuição de renda, tendem a produzir resultados mais duradouros. O objetivo comum deve ser trabalhar melhor, gerar mais oportunidades e garantir desenvolvimento econômico sustentável no longo prazo. 

*Ivo Dall’Acqua Júnior é presidente em exercício da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) 

Artigo publicado originalmente em Poder360 em 18 de fevereiro de 2026.

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